Apesar de Palocci, o amanh de Dilma j outro dia

Pedro do Coutto

O ttulo, claro, inspirado no belo verso de Chico Buarque. A realidade do novo dia baseada na pesquisa do Datafolha publicada domingo pela Folha de So Paulo, comentada por Fernando Canzian. A fragorosa queda de Antonio Palocci, depois de o personagem balanar por trs semanas no Planalto, no afetou a aprovao da presidente Dilma Rousseff. Pelo contrrio, em relao pesquisa anterior, feita em maro, subiu dois pontos: de 47 para 49%. Trinta e oito a consideram regular, uma forma de absteno, e 3% no souberam opinar.

Agora tem uma coisa. Em maro a parcela de 79% da populao a considerava uma mulher de decises firmes e rpidas. Esta faixa recuou para 62 pontos. Resultado penso eu da presena do ex-presidente Lula no desfecho final. Mas essa, digamos assim, intromisso no abalou a popularidade da presidente da Repblica. Pois num outro bloco do levantamento os nmeros revelam que a maioria considera fato normal a participao do antecessor nas decises da sucessora. Sessenta e quatro por cento aprovam o fenmeno. Inclusive, na opinio de nada menos de 77% ele, Lula, est presente em todas. Um exagero quanto ao conceito, mas esta concluso nem por isso deixa de ser concreta manifestao popular.

Seria at lgico, de outro lado, que Dilma Rousseff perdesse apoio na sociedade j que 60% – assinala 0 Datafolha afirmaram que a presena de Palocci era prejudicial ao governo, sem entrar no mrito do tema que o fez desabar. A pesquisa no se estende ao ponto que vou tocar. Porm estou convencido de que praticamente 90% dos brasileiros rejeitam a verso das consultorias prestadas pelo ex-ministro. “O que existe parece”, tese defendida pelo grande fsico talo-americano Enrico Fermi, chefe da equipe do Projeto Manhattan, incio da dcada de 40, responsvel pela produo da bomba atmica que explodiu em Hiroshima e apressou a rendio japonesa em agosto de 1945.

Como o que existe aparece e, na matemtica, tem que existir sempre uma explicao lgica, a Revista Veja que circulou sbado e se encontra nas bancas, publica a divergncia entre dois diretores da Camargo Correa a respeito de doao completada ao staff da campanha de Dilma Roussef depois de sua vitria nas urnas de 31 de outubro de 2010. Como se constata a partir do panorama visto da ponte, a oposio no se beneficiou em nada do desastre chamado Antonio Palocci. Pelo contrrio. Perdeu.

Tanto assim que o ex-prefeito Cesar Maia, do DEM, publicou artigo na edio de sbado da FSP iniciando uma aproximao com o governo federal, sentindo que no pode enfrentar o lulismo e tampouco colidir com Dilma Rousseff. Para isso assume o papel de um construtor poltico para quem o desenvolvimento econmico e social deve prevalecer sobre as ondas de denncias.

Ficou claro o seu impulso de disputar a prefeitura do Rio nas eleies de 2012, enfrentando Eduardo Paes. Ele sabe que perder tempo opor-se a Lula e a Dilma. Alis ser uma disputa interessante: Eduardo Paes, que depende do apoio que tiver do governador Sergio Cabral; Cesar Maia que colocou Paes no circuito; Anthony Garotinho que iniciou a campanha, e tambm provavelmente Lindberg Farias, pelo PT. Alm da vereadora Andrea Gouveia Vieira, pelo PSDB, mas nenhum disposto a criticar nem Dilma Rousseff, muito menos Lula.

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