Aplicações dos bancos em títulos atinge 2,1 trilhões de reais

Pedro do Coutto

Reportagem – excelente – de Ronaldo D’Ercole, O Globo de terça-feira 4, com base em estudo da consultoria Austin Rating, revela que no ano passado as aplicações dos bancos em títulos mobiliários cresceu 33,5% atingindo o montante de 2,1 trilhões de reais em números redondos. No mesmo período, as operações de crédito a empresas e pessoas físicas avançou 16,4%, a metade, alcançando o total de 2,2 trilhões. Por coincidência o valor do orçamento federal para 2013.

 

Talvez a comparação entre o volume destinado ao crédito e aquele dirigido aos papeis financeiros, incluindo-se nessa operação os títulos públicos que lastreiam uma dívida interna líquida que em janeiro estava em 1 trilhão e 500 bilhões, explique o fraco desempenho do Produto Interno Bruto em 2012 e no primeiro trimestre do atual exercício. O interesse sólido nas aplicações financeiras superou de muito o despertado pelas atividades econômicas. De qualquer forma, entretanto, os crescimentos verificados superaram de longe a taxa inflacionária do IBGE, de 6,5% para os últimos doze meses. E praticamente 6% para 2012.

 

A cotação dos papeis do Tesouro deve ter melhorado na visão dos investidores financeiros, no caso os bancos, já que os juros subiram de 7,5 para 8%. Meio ponto num universo de 1 trilhão e 500 bilhões de reais representa um acréscimo líquido de 7,5 bilhões de reais em doze meses.

 

INADIMPLÊNCIA

 

O analista Luis Miguel Santacreu, da Austin Ratinge, ouvido por Ronaldo D’Ercole, sustenta que a contrapartida da redução do crescimento do crédito nos bancos privados, principalmente, foi o maior volume de ativos na liquidez do sistema. Pois neste caso, pode-se supor, não incide a inadimplência de 5,2 pontos. E as compras de dólares pelo Banco Central para calibrar a taxa de câmbio obriga o BACEN a vender títulos da dívida pública para gerar reais.

 

Os resultados dessas operações também são usados pela rede bancária para remunerar o excesso de caixa. Ou seja: o crédito a pessoas físicas e empresas não acompanhou o aumento das aplicações financeiras por falta de demanda por parte do mercado. A oferta – pode-se deduzir – existia. Tanto assim que os banqueiros dirigiram-se para o mercado mobiliário.

 

O setor financeiro terminou bloqueando os investimentos econômicos reprodutivos.

Miguel Santacreu, em outro bloco da matéria, acentua: Diferentemente do que desejava o governo, o dinheiro adicional que tem entrado no sistema bancário não tem ido para a economia real, na forma de mais investimentos para as empresas ou para financiar o consumo, mas está girando no mercado aberto. Esta é a questão essencial. No fundo da questão, relativamente ao consumo, em decorrência do elevado índice dos juros cobrados pelos empréstimos. Numa série de situações, as taxas mensais aproximam-se ou até mesmo superam os índices inflacionários do IBGE. Como os salários estão contidos nos padrões do IBGE, na melhor das hipóteses, o consumo das pessoas físicas sente os reflexos. E se o consumo se retrai, os investimentos também. Pelo fato natural de só se investir em razão do potencial do mercado. Que, por sua vez, depende do poder aquisitivo da sociedade, da população do país.

 

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7 thoughts on “Aplicações dos bancos em títulos atinge 2,1 trilhões de reais

  1. Excelente artigo que nos mostra a hegemonia do Capital Financeiro (Bancos, Seguradoras, Financeiras, Casas de Corretagens, etc), e crescendo a Taxas mais que Chinesas ( 33,5%aa Títulos Mobiliários e 16,4%aa Crédito a Empresas e Pessoas Físicas), em relação ao Capital da Economia Real (Industrial, Comercial e Agrário). Lembremos que no Brasil, o setor Financeiro está +- 45% em mãos do Governo com Banco Central, Banco do Brasil, Caixa Econômica Federal, BNDES, etc). Para um PIB 2012 de +- R$ 5 Tri ou US$ 2,5 Tri, o Sistema Financeiro Brasileiro aplicou em 2012, em Títulos Mobiliários(Títulos do Tesouro, Títulos emitidos por Empresas p/ captar Recursos, Ações, Debêntures, Quotas de Fundos de Investimentos, etc,etc), R$ 2,1 Tri. Aplicou em Crédito para Empresas e Pessoas Físicas (Imobiliário, Agrícola, Bens Duráveis e Não-Duráveis, etc), R$ 2,2 Tri. que como nos informa o grande Pedro do Coutto, é igual ao Orçamento Federal de 2013. Só para comparar, todo o Investimento das Empresas Brasileira em 2013, 16,5% do PIB de R$ 5 Tri. = R$ 825 Bi. O Governo Federal com Deficit e tudo consegue Investir em Infra-Estrutura +- 2% do PIB ou R$ 100 Bi. Isso nos mostra como nossa Economia é Endividada e pouco Produtiva. Com uma Economia Endividada e pouco Produtiva, é bem mais difícil crescer. Abrs.

  2. O artigo ressalta o que já comentamos exaustivamente aqui na TI. Os recursos são imensos e estão à disposição dos bancos. A concentração de capital no mercado bancário é que drena todas as possibilidades de crescimento de nossa economia, incluindo os tributos sonegados R$415,0 bilhões (segundo o “sonegômetro”) e que estão engordando os bancos.

    Os números trazidos pelo Sr. Pedro são insofismáveis: R$2,1 tri + R$2,2 tri = R$4,3 trilhões à disposição dos bancos para girarem a roda financeira. Entre títulos do governo e empréstimos à população os bancos tem um capital equivalente ao PIB brasileiro.

  3. Política monetária e operações de crédito no Sistema Financeiro Nacional – Banco Central

    Operações de crédito do sistema financeiro

    Em abril o estoque total das operações de crédito do sistema financeiro, computadas as operações com recursos livres e direcionados, alcançou R$2,453 trilhões. A relação crédito/PIB alcançou 54,1% do PIB.

    As concessões de crédito, que incluem recursos livres e direcionados e correspondem aos valores desembolsados no mês, cresceram 5,7% em abril, ao atingir R$297 bilhões. Esse desempenho traduziu o aumento de 7,7% observado nos desembolsos a pessoas físicas, que somaram R$147 bilhões, assinalando-se os aumentos verificados nas modalidades de cartão de crédito à vista, crédito pessoal e cheque especial, ao passo que, no segmento de pessoas jurídicas, crescimento de 3,9% e volume de R$150 bilhões, a variação decorreu principalmente dos acréscimos nas concessões referentes à conta garantida e aos financiamentos para investimento com recursos do BNDES.

    As operações concedidas pelos bancos públicos seguiram mantendo desempenho mais acentuado, ao ampliar, em abril, sua representatividade para 49,2% do total de crédito do sistema financeiro.
    Os empréstimos contratados com o setor privado totalizaram R$2.328 bilhões, com acréscimo de 1% no mês. Os créditos ao setor público somaram R$125 bilhões, avançando 3,1% no mês.

    Taxas de juros e inadimplência

    A taxa média geral de juros das operações de crédito, computadas as operações com recursos livres e direcionados, manteve-se em 18,5% a.a. em abril, registrando redução acumulada de 4,1 p.p. nos últimos doze meses.

    Nos empréstimos às famílias, a taxa média de juros recuou 0,1 p.p. no mês e 5 p.p. em doze meses, situando-se em 24,3% a.a..

    A taxa média de juros nos financiamentos a empresas manteve-se em 14% a.a..

    O spread bancário referente ao total de crédito do sistema financeiro, computadas as operações com recursos livres e direcionados situou-se em 11,7 p.p. em abril. Os spreads relativos aos créditos livres e direcionados corresponderam a 17,9 p.p. e 2,7 p.p., respectivamente.

    A inadimplência do sistema financeiro, referente a operações com atrasos superiores a noventa dias, manteve, pelo terceiro mês consecutivo, a taxa estável em 3,6% do crédito total, menor nível desde janeiro de 2012. Nos créditos às famílias, a taxa recuou para 5,3%. No financiamento corporativo, o indicador atingiu 2,3%.

  4. Sr. Pedro, como se pode ver pelo relatório de politica monetária do Banco Central, o estoque de crédito acumulado em abril/2013 já superou os R$2,2 trilhões; está em R$2,453 trilhões – 54,1% do PIB.

    Os empréstimos contratados com o setor privado totalizaram R$2,328 trilhões, com acréscimo de 1% no mês de abril. Os créditos ao setor público (Governo Federal, Estados e Municípios) somaram R$125 bilhões, avançando 3,1% no mesmo mês; totalizando R$2,453 trilhões.

    Vê-se, também, que a taxa média de juros suplanta – em muito – o IPCA. Para as famílias a média da taxa de empréstimo está em 24,3% a.a., e para as empresas 14% a.a.. Uma loucura! É um dinheiro caríssimo!

    A taxa média geral é de 18,5% a.a.. Esta taxa deve ser vista como o número determinante do poder de concentração de recursos financeiros (capital)da economia pelos bancos.

    Veja que 18,5% de R$2,453 trilhões representa R$453,81 bilhões! Ou seja, os bancos drenam o capital a uma taxa de 10,31% do PIB por ano. O que significa que em pouco mais de sete anos tudo o que a economia nacional produz é incorporado ao patrimônio dos bancos!

    Para efeito de comparação a carga tributária faz passar pelas mãos do Estado, em pouco mais de dois anos, todo o nosso PIB. Os bancos em pouco mais de sete anos. Só que os bancos não devolvem os recursos como o Estado faz. Ele apenas empresta estes recursos de modo a obter mais lucro.

    Conclusão Sr. Pedro: estamos trabalhando para enriquecer os banqueiros, somos escravos de um sistema capitalista minimalista, elitista, financista, concentrador de riquezas.

  5. Felizmente, 49,2% dos créditos no Brasil são fornecidos por bancos públicos, e há, também, tributação sobre as operações de crédito. Mas, que, de fato, são insuficientes para tomar de volta o que essa turma tem sugado da economia.

    Falta uma maior tributação do setor bancário. De preferência, em cima do lucro a fim de não insuflar mais ainda o spread bancário.

  6. Mantega diz que dólar terá flutuação mais limpa, segundo jornal

    O ministro da Fazenda, Guido Mantega, disse, ontem, que “apesar da volatilidade, estamos hoje com um câmbio mais flexível, mais flutuante do que em outras épocas, com menos intervenções”. Em entrevista ao jornal Valor Econômico, publicada nesta quinta-feira, 6, Mantega afirmou que o Banco Central não está comprando divisas há muito tempo e as operações de swap cambial estavam praticamente zeradas até a semana passada.

    “Estamos gradualmente tirando a incidência do IOF”, disse, acrescentando que “tínhamos retirado sobre a renda variável e, agora, retiramos da renda fixa”. De acordo com ele, não há mudança da política cambial, mas apenas do grau de intervenção. “É a mesma política adaptada ao momento”.

    O ministro comentou a recuperação da economia dos Estados Unidos, à luz da perspectiva de retirada de estímulos monetários do Federal Reserve, que impulsionou o dólar ante o real. Na avaliação de Mantega, a recuperação norte-americana será lenta. “Os americanos não têm o crescimento sólido e o desemprego não chegou aos 6,5% que o Fed havia estipulado para começar a retirada de estímulos. Mas os mercados gostam de antecipar, porque, com essa volatilidade, ganham dinheiro”.

    Questionado se o câmbio na faixa de R$ 2,10 é algo mais permanente, Mantega respondeu que “acho que teremos volatilidade, idas e vindas ao sabor das notícias. Se a recuperação não se consolidar, o Fed manterá os estímulos. Por enquanto os sinais são erráticos”. O ministro previu maior volatilidade no curto prazo, mas disse que a taxa de câmbio refletirá mais os fundamentos econômicos.

    Mantega também foi questionado se o IOF sobre derivativos pode ser retirado. “Não sei se vou retirar ou não”, disse, acrescentando que estão previstos IPOs este ano e que já foram feitas captações da Petrobras e Banco do Brasil Seguridade. “A situação está mais equilibrada e o câmbio tende a flutuar de forma mais perfeita”.

    O ministro também foi perguntado sobre especulações em torno das decisões de juros no governo Dilma Rousseff. “O BC decide quando e quanto tem de aumentar. Não tem nenhuma interferência nossa.”

    Quanto ao investimento, Mantega prevê, para este ano, uma expansão de 6% a 7%. Segundo ele, não há dúvida de que o processo de recuperação do investimento está em curso e vai “pegar fogo” a partir de 2014 graças ao efeito das concessões de infraestrutura.

    (transcrito do Diário do Comércio)

  7. Essa política expansionista do consumo veio com o Lula, a Dilma pegou o governo em 2011 já com esta política esgotada e quis emendar o coro baixando os juros e facilitando o crédito. Aí, como o setor produtivo já não mais correspondia com a devida produção veio a pressão inflacionária. Estamos sentindo na pele a falta de investimentos em infraestrutura para atrair os investimentos privados a contento – capital nacional e estrangeiro (IED).

    A produção nacional não dá conta de tanto consumo e aí vem o drama do câmbio, pois, estamos segurando a inflação com ele também, devido ao excesso de produtos importados.

    O governo está numa “sinuca de bico”.

    O Mantega, no último dia 6, disse que os investimentos vão “pegar fogo” a partir do ano que vem por conta do efeito das concessões.

    É ver para crer. Pessoalmente, penso que ele tem uma personalidade megalomaníaca. No mínimo otimista demais, sempre dando previsões grandiosas para o ano seguinte. Nunca para o presente. Para o presente só “quebra a cara”.

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