Apoio de Lula é muito forte, mas Haddad é um candidato fraco

Pedro do Coutto

A pesquisa do Datafolha sobre as eleições para prefeito de São Paulo apontou duas realidades divergentes. Personagens à procura de autor como na peça de Pirandello. A Folha de São Paulo na edição de segunda-feira 12, publicou matéria sobre o tema. Lula muito forte, tanto assim que 48% dos eleitores admitem a possibilidade de votar num candidato apoiado por ele. Mas, aí é que está, não deram certeza, só a possibilidade. É o que sustento sempre: depende do candidato e não apenas isso. O voto nas urnas ficará condicionado ao desempenho na campanha.

Hoje, o ministro da Educação alcança apenas 3 pontos. Portanto, ainda não conseguiu decolar. Muito menos alçar vôo capaz de passar a sensação de firmeza.O apoio de Lula, sem dúvida o grande eleitor do país, como as eleições de 2010 comprovaram, por si só não é suficiente. O êxito da jornada está condicionado à desenvoltura do candidato que recebe seu apoio. Três pontos é muito pouco para a largada, inclusive levando-se em conta o empenho do ex-presidente.

José Serra não se pode dizer que esteja bem: assinala 18 pontos em matéria de intenção de voto, mas tem uma rejeição de 35%. Esta, entretanto, pode diminuir se o apoio de Aécio Neves, maior interessado em sua candidatura a prefeito, acrescentar alguma escala positiva. Muito simples. Se Serra candidatar-se à prefeitura da capital paulista, o caminho para o ex-governador de Minas fica absolutamente livre para uma jornada nas estrelas rumo ao Planalto .Difícil. Mas, sob a ótica de Aécio, fundamental. Conserva seu mandato de senador e realiza uma pesquisa em tempo real a respeito de sua aceitação pelo eleitorado.

Jovem, Aécio sabe que, no lado das oposições, dificilmente surgirá nome melhor que o dele para, mesmo derrotado em 2014, tentar chegar ao poder em 2018, quatro anos depois. Exemplos não faltam.O mais próximo, o de Lula. Na França, o de François Mitterrand. Trata-se de um lance de dados, para citar o poeta Mallarmé. Inclusive a candidatura de Aécio daqui a três anos funcionaria para torná-lo conhecido nacionalmente.

Até o momento é uma fortíssima liderança mas restrita às montanhas de Minas. Tem a seu lado, no seu estado, a tentativa de levá-lo novamente ao poder central. Os último presidente mineiro foi Juscelino Kubitschek, eleito em 55. Portanto há mais de 50 anos. Tancredo Neves, vítima do destino, foi eleito mas não tomou posse, e Itamar Franco, eleito vice, sucedeu a Collor de Mello. Mas estas são outras questões. Pertencem ao passado, à memória nacional.

A respeito de JK, a opinião a seguir era dele, dita a mim numa entrevista para o Correio da Manhã. Estávamos na campanha presidencial de 60, o PSD e o PTB cobravam maior ação e esperança mais intensa de Juscelino ao lado do general Lott. Ele me disse: o candidato tem que se afirmar por si, ter vôo próprio, não depender inteiramente do apoio de pessoa alguma. Porque – acentuou – se for forte, os apoios vêm em decorrência. E não o contrário.

O povo sente essa realidade e verifica que, ao depender do apoio do poder, o candidato revela tacitamente sua incerteza na vitória, no êxito de campanha. JK não apoiou Lott e Jango também não. JK manteve-se neutro. João Goulart aderiu de bom grado ao movimento Jan-Jan, que lhe deu 900 mil votos em São Paulo e 700 mil no Paraná. Não fosse isso, perderia para Milton Campos. Naquele tempo a eleição de vice era separada da eleição do presidente. A memória política existe para lembrar fatos e equacionar os exemplos do passado ao panorama do presente. A vida é assim.

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