Apoio maciço da sociedade ao comício contra a corrupção

Pedro do Coutto

A ABI e a OAB, como sempre ocorre em momentos críticos da vida nacional, agora juntamente com uma série de outras entidades civis e sindicatos independentes, lançaram uma cruzada no país contra a corrupção, (que ninguém aguenta mais ) e que terá como ponto de partida o comício-monstro dia 20 de setembro na Cinelândia.

É aguardada a presença das lideranças civis e a plena participação, com voz e voto, de todos os que desejarem apoiar a iniciativa, incluindo profissionais de todas as categorias, donas de casa, professores, estudantes dos vários níveis.

A campanha é aberta a todos que desejarem protestar contra a onda deslavada de roubalheira que assola o país e envergonha os homens e mulheres de bem, de todas as idades e atinge a imensa população honesta e trabalhadora. Os que vivem de seus salários, não de comissões ilícitas e imundas. A concentração, que deve se transformar numa das maiores da história do Rio, começará as 17 e acabará as 20. O microfone estará liberado aos que dele quiserem se utilizar para o protesto.

Mas eu disse que a concentração na Cinelândia poderá se transformar em um novo comício dos 100 mil, 1968, quando estudantes, artistas, jornalistas, líderes estudantis foram às ruas reagindo pacificamente ao arbítrio e truculência da ditadura militar. Naquela ocasião, como mostra a bela e eterna foto de Evandro Teixeira, primeira página do Jornal do Brasil da Época, um dia de Junho, estiveram juntos também a UNE e o Bispo Auxiliar do Rio de Janeiro, Dom José Castro Pinto.

Hoje, não se sabe se a Arquidiocese vai comparecer, mas tem-se quase certeza da ausência da UNE. Uma bela adormecida aguardando um toque e consciência para despertar da hibernação. Uma pena. Mas sou otimista: ainda creio na sua ressurreição. Se acontecer, será um impacto político altamente expressivo e positivo para o país.

Por que acredito no apoio? Tenho uma resposta, a meu ver consistente. Domingo passado, aliás sempre aos domingos, participo de uma mesa de debates na Rádio Tupi das dez ao meio-dia, dirigida pelo jornalista Haroldo de Andrade Júnior. Ele colocou o tema em debate, logo após expô-lo a uma pesquisa entre os ouvintes. Ouvintes só não. Telespectadores também.

Porque, vale à pena acentuar este aspecto, é grande o acesso pela Internet, incluindo também a imagem.Para se ter uma ideia , o programa apresenta a média de 380 mil ouvintes por minuto, forma de medição, já que parcelas ponderáveis se revezam durante o desenrolar. Pela Internet, a Rádio Tupi apresenta um total de acessos da ordem de 580 mil. O índice se mantém constante. Haroldo de Andrade Junior lidera amplamente o horário na cidade e fora dela.Porém não desejo me desviar do assunto principal.

Colocada a matéria à manifestação dos ouvintes e internautas, a resposta foi um apoio de 95%. Cem por cento pelas ondas sonoras, 90% através das teclas e telas eletrônicas. Vários ouvintes conseguiram obter acesso telefônico em escala razoável, já que mesa telefônica alguma será capaz de, em duas horas, atender mais de duas mil ligações.

No entanto, a força de expressão não reside só no número de manifestações. Encontra-se, sobretudo, no entusiasmo com que foram feitas. Pois uma coisa é alguém aderir a algo, outra, muito diversa, é apoiar com entusiasmo. No caso de Haroldo Junior, domingo 21, o entusiasmo foi revelado pelo tom dos telefonemas, pelo texto das mensagens, pela rapidez das ligações. Nesse momento tive a certeza do êxito do comício. Aliás, a única forma de derrotar a corrupção e pelo menos reduzi-la substancialmente. A voz das ruas, rostos na multidão exigindo dignidade e honestidade.

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