Após chuvas, Agência vê grave risco de rompimento de quatro barragens da Vale

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Chuvas fizeram as barragens subirem ao nível máximo

Daniele Franco
O Tempo

Uma inspeção realizada na última semana pela Agência Nacional de Mineração (ANM) constatou novas anomalias em quatro barragens da Vale já no nível máximo de risco de rompimento. As barragens de Forquilhas I e III, entre Ouro Preto e Itabirito, Sul Superior, em Barão de Cocais, e B3/B4, em Macacos, estão com rompimento iminente. Além das falhas, as chuvas que atingem o Estado desde janeiro aumentam ainda mais o risco de colapso das estruturas.

A reportagem teve acesso à ata de uma reunião de conciliação realizada na última segunda-feira (17), onde estiveram presentes representantes da ANM e dos ministérios públicos Federal e Estadual e do advogado-geral da União, Gustavo Correa.

SEM MONITORAMENTO – Na ocasião, o gerente de Segurança de Barragens da Agência, Luiz Paniago Neves, afirmou que as barragens estão há um ano sem monitoramento e manutenção presenciais, o que piorou progressivamente o estado das estruturas. “Se o empreendedor e as consultorias não puderem atuar diretamente nas barragens, elas fatalmente se romperão”, disse.

Segundo o procurador federal da AGU Marcelo Kokke, que representa a ANM, desde que as estruturas tiveram o risco apontado, há um esforço das autoridades para fazer com que a Vale trabalhe no monitoramento e reparo de danos nos locais.

“A Vale não desenvolveu suficientemente planos de segurança de atuação em cenários de risco e vem alegando que não vai colocar nenhum trabalhador para atuar presencialmente no local porque não há segurança, mas o que vemos é que é necessária essa atuação porque se a chuva continuar, as barragens vão romper”, alerta.

DECISÃO JUDICIAL – O resultado da reunião foi uma decisão judicial que pressiona a Vale e fixa termos para que a mineradora elabore o plano em conjunto com os MPs e a Advocacia-Geral da União (AGU), que representa a ANM.

As autoridades forneceram como exemplo o caso das barragens do Sistema Pontal, em Itabira, na região Central de Minas. “O que a Vale deve fazer é garantir segurança planejada nas operações de controle e manutenção. Isso é necessário porque em períodos de muita chuva há elevação de riscos, principalmente em barragens de nível 3. O cenário de material de rejeitos das barragens equivale ao que foi despejado em Fundão [Mariana, 60 milhões de m³]”, explica Kokke.

O QUE FALTA FAZER – Além de autoridades públicas, o presidente da Aecom, empresa de auditoria e assistência técnica da ANM e do MPMG, Vicente Mello, também participou da reunião e listou cinco categorias de atividades necessárias nas barragens.

Mello enumerou a leitura dos instrumentos e inspeções visuais das estruturas, realizadas por geotécnicos experientes na área, a realização de manutenções regulares, de novas investigações geológicas e geotécnicas, desenvolvimento dos projetos para obras de reforço e descaracterização das estruturas alteadas à montante e a execução dessas mesmas obras.

O pedido para a decisão judicial foi protocolado pela procuradora federal Flávia Tavares Torres, do MPMG e, segundo Kokke, a mineradora já foi notificada para apresentar os planos às autoridades. Procurada pela reportagem, a Vale ainda não se manifestou.

O QUE FAZ A VALE – O trabalho da Vale para mitigar as consequências de rompimentos nas barragens tem sido, basicamente, a construção de muros de contenção, segundo a mineradora. Todas as barragens monitoradas pela ANM têm obras em andamento e a previsão da mineradora é de que os muros estejam todos prontos neste mês.

Para Forquilhas I e III, o muro será o maior e terá 315 metros de comprimento e 60 metros de altura e ficará a 11 km das barragens. Contra os rejeitos de B3/B4, em Macacos, o muro estará a 8 km da barragem e terá 190 metros de comprimento e 30 metros de altura.

Na mina de Gongo Soco, os rejeitos de um eventual rompimento da barragem Sul Superior serão contidos por um muro de 206 metros de comprimento e 36 metros de altura, a 6 quilômetros do local.

O QUE DIZ A VALE – Procurada, a mineiradora informou que, durante as chuvas, a empresa aumenta as inspeções de campo e reforça as equipes de prontidão para eventuais emergências, mas que não houve alteração nos dados técnicos das barragens citadas ao longo dos últimos meses.

“Todas as barragens da Vale no Estado são monitoradas permanentemente por diversos instrumentos, como piezômetros manuais e automatizados, radares e estações robóticas, câmeras de vídeo e pelo Centro de Monitoramento Geotécnico”, diz a nota da empresa.  “Durante o período de chuvas, a empresa aumenta as inspeções de campo e reforça o número de equipes que ficam de prontidão para eventuais emergências”.

A Vale reforça que não houve alteração nos dados técnicos das barragens Forquilhas I e III, Sul Superior e B3/B4 ao longo dos últimos meses e que as últimas inspeções não detectaram anomalias”.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
Muito importante a reportagem de Danielle Franco, em O Tempo, enviada à TI pelo Dr. Christian Cardoso. Surge então a pergunta que não quer calar: Em quem você acredita? Na Agência ou na Vale? (C.N.)

2 thoughts on “Após chuvas, Agência vê grave risco de rompimento de quatro barragens da Vale

  1. Depois de destruídos pela Vale os rios Doce e Paraopeba, a última fonte de alimentação para Belo Horizonte e sua região metropolitana, com mais de cinco milhões de habitantes, é o Rio das Velhas. Se qualquer uma das barragens mencionadas no artigo se romper, o Rio das Velhas será atingido e teremos o imediato colapso hídrico de toda a região, com consequências catastróficas. Eu e mais cinco milhões estamos vivendo com esta espada de Dâmocles pendurada sobre nós e nossas famílias. E apesar disso a Vale continua com sua pressão sobre os governos federal, estadual e as prefeituras para conseguir explorar minério na área do Parque Nacional da Gandarela, sede do último e maior aquífero que alimenta a bacia do Rio das Velhas. Não há benefício econômico possível que pague este risco. É preciso parar a Vale enquanto é tempo, e com a situação das barragens agravada pela chuva o tempo está acabando. E os imensos prejuízos causados pelos desastres que acabaram com Bento Rodrigues e Brumadinho, com o Rio Doce e com o Rio Paraopeba e causaram centenas de mortes continuam tendo suas reparações travadas pela ganância da companhia, sem considerar os efeitos irrecuperáveis e impossíveis de quantificar economicamente.

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