Após declarar ser vítima de ‘perseguição política’, Witzel tenta reverter afastamento e recorre ao STF

Witzel também terá que se defender na Assembleia Legislativa

Rayssa Motta, Pepita Ortega, Rafael Moraes Moura e Caio Sartori
Estadão

O governador afastado do Rio, Wilson Witzel (PSC), entrou nesta segunda-feira, dia 31, com recurso no Supremo Tribunal Federal (STF) para tentar reverter seu afastamento determinado no âmbito da Operação Tris in Idem. O pedido foi distribuído ao presidente da Supremo, ministro Dias Toffoli.

A defesa do governador contesta a decisão monocrática do ministro Benedito Gonçalves, do Superior Tribunal de Justiça (STJ), que considerou adequada a perda temporária do cargo, por 180 dias, ‘para fazer cessar as supostas atividades de corrupção e lavagem de dinheiro’ denunciadas pelo Ministério Público Federal (MPF). A Procuradoria chegou a pedir a prisão do mandatário, negada por Gonçalves.

“PERSEGUIÇÃO” – Após receber a notícia do afastamento na sexta-feira, dia 28, Witzel fez um pronunciamento no Palácio das Laranjeiras, residência do governador, em que afirmou ser vítima de ‘perseguição política’ e adiantou que apresentaria os recursos contra a decisão assim que seus advogados tivessem acesso à íntegra da denúncia.

Desde que teve endereços vasculhados por policiais federais em maio, na primeira etapa ostensiva do inquérito, o governador nega irregularidades e afirma que os investigadores agem com ‘presunção de responsabilização’. Witzel levanta suspeitas sobre a atuação da subprocuradora-geral da República, Lindôra Araújo, que, segundo ele, teria ligações com a família Bolsonaro – seus antigos cabos eleitorais e agora adversários políticos.

O governador é acusado de receber propinas, supostamente lavadas pelo escritório de sua mulher, Helena Witzel, para beneficiar organizações sociais em contratações do Estado. Segundo os investigadores do MPF, cargos e contratos teriam sido loteados entre três grupos distintos, liderados pelo empresário Mário Peixoto, pelo presidente do PSC Pastor Everaldo, um dos 17 presos na operação de ontem, e pelo empresário José Carlos de Melo. O vice Cláudio Castro, que também é alvo da investigação sobre irregularidades na gestão de contratos e cargos, assumiu o posto interinamente no último sábado, dia 29.

IMPEACHMENT – Enquanto aguarda o posicionamento do STF, Witzel também vai precisar se defender do processo de afastamento na Assembleia Legislativa. Na sexta-feira, numa espécie de tempestade perfeita para ele, o ministro Alexandre de Moraes autorizou a retomada do impeachment, que estava paralisado por liminar de Dias Toffoli.

Com isso, a previsão do presidente da Alerj, André Ceciliano (PT), é de que o relatório seja votado em cerca de duas semanas pelo plenário. A comissão especial que analisa o afastamento deve concluí-lo até a quinta-feira da outra semana, 10 de setembro, considerando o prazo dado a Witzel para apresentar sua defesa.

Além da comissão do impeachment, um outro colegiado especial foi formado para analisar as suspeitas de desvios na Saúde durante a pandemia. Presidida pela deputada e pré-candidata à Prefeitura Martha Rocha (PDT), essa comissão também encaminhará documentos que devem embasar o impeachment.

15 thoughts on “Após declarar ser vítima de ‘perseguição política’, Witzel tenta reverter afastamento e recorre ao STF

    • Realmente esclarecedora a respeito do enigma Aras/PGR, agora eu consegui entender o fato do Jair indicar logo um petista para a PGR, escolheu um p´paria da Instituição para detoná-la. Valeu, Espectro!

  1. Corrupção no Rio: envolvimento de Witzel e da linha sucessória aponta para novas eleições, diz Calero

    Publicado em 28 de agosto de 2020

    PARA FREIRE, NO RIO DE LAMA – E NÃO JORDÃO – UNIU GOVERNADOR DO RIO E JAIR BLOSONARO, AGORA DESAFETOS, MAS BATIZADOS PELO MESMO PASTOR EVERALDO AGORA PRESO

    Para Freire, rio de lama – e não o Jordão – uniu governador do Rio e Jair Bolsonaro, agora desafetos, mas batizados pelo mesmo pastor Everaldo, preso hoje

    Com o afastamento do governador do Rio de Janeiro, Wilson Witzel, do cargo e o vice-governador Cláudio Castro e o presidente da Assembleia Legislativa André Ceciliano envolvidos nas acusações de corrupção na Saúde, o deputado federal Marcelo Calero (Cidadania-RJ) afirmou nesta sexta-feira (28) que o melhor caminho para tentar solucionar a grave crise política no Estado são novas eleições.

    “Apenas novas eleições darão o mínimo de governabilidade – e dignidade – ao Estado do Rio de Janeiro, lembrando que, se os cargos de governador e vice ficarem vagos a partir de janeiro de 2021, a decisão cabe à Alerj”, alertou ele, em seu perfil no Twitter, ao lamentar que os cidadãos fluminenses tenham de assistirá a mais um chefe do Executivo afastado.

    “A cúpula do poder mais uma vez na mira da Polícia Federal. Políticos investigados por esquemas de corrupção na saúde, em plena pandemia. Um sujeito eleito com o discurso da moralidade, É lamentável e triste, mas parece que no Estado do Rio de Janeiro vivemos em looping eterno”, apontou.

    O presidente do Cidadania, Roberto Freire, ponderou que, segundo notícias que já circulam, o vice Cláudio Castro teria se encontrado com o clã Bolsonaro, em Brasília. A suspeita, diz a imprensa, é de que o presidente estaria interessado na nomeação do novo Procurador-Geral de Justiça do Rio, que chefia o Ministério Público do Estado, responsável pelas investigações envolvendo Flávio Bolsonaro.

    “A ver se essas informações se confirmam, mas a suspeita de interferência e uso do aparato estatal para acelerar a queda do governador com interesses igualmente escusos é gravíssima. Se o vice conseguir se segurar, será preciso ficar de olho nas decisões que vier a tomar envolvendo a PGJ e a Polícia Civil”, argumentou.

    Rio de lama

    Ele lembrou que Witzel era até outro dia amigo do presidente Jair Bolsonaro, proximidade que ajudou na eleição aliada a “um moralismo tosco e travestido de nova política”. “Pra fazer igual, senão pior do que antes, no meio de uma pandemia, até mesmo evolvendo a mulher”, criticou.

    Freire alertou para a celeridade incomum com que o processo tramitou após o governador e o presidente virarem desafetos e lembrou a interferência política de Bolsonaro na Polícia Federal – pra proteger familiares, amigos e ele próprio – e sua influência sobre Augusto Aras, procurador-geral da República.

    “O Superior Tribunal de Justiça mandou pra casa Queiroz e Márcia – casal de amigos do presidente que ainda não explicou os cheques de R$ 89 mil pra Michelle, a primeira-dama. Agora, afasta o governador Witzel, batizado, como Bolsonaro, por Pastor Everaldo. “O Jordão não ungiu eles dois e sim um rio de lama”, disse, ao apontar duas decisões do presidente na Corte.

    • O Brasil precisa ser passado a limpo – tendo o apoio da imprensa – criada pelo decreto federal de Getulio Vagas e por lei de Fernando Henrique para a comenda medalha do merito jornalistisco da OJB ordem dos jornalistas do brasil – agora só será entregue a merecidos Jornalistas / Imprensa em 2021 – no Rio de Janeiro- Brasil.

  2. Só para saber, alguém saberia de algum deputado bolsonarista ou do Centrão aliado, que tenha alertado o presidente da Câmara para o PL 1485/2020, que trata da “pena em dobro para crimes de corrupção na pandemia” que já está programado, há uns quinze dias, para entrar em pauta e consequente votação.?
    Com certeza já, pois não é seu líder o paladino na luta contra a corrupção?

  3. Obs. A OJB tem sede no Rio de Janeiro – Brasil, a mesma entidade da medalha do mérito jornalistico nacional – a OJB Foi criada por decreto federal de Getulio Vsrgas – a Medalha para Jornalistas – reconhecida pelo Fernando Henrique Cardoso- no Brasil.

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