Após deixar o Ministério da Saúde, Mandetta diz que a sua missão “nunca foi um fardo”

Ex-ministro diz que sua saída foi “tranquila” e “educada”

Naira Trindade e Natália Portinari
O Globo

Relaxando no sofá após ter transmitido o cargo de ministro da Saúde ao oncologista Nelson Teich, Luiz Henrique Mandetta fez ao O Globo uma rápida avaliação da missão que cumpriu por um ano e quatro meses no governo do presidente Jair Bolsonaro.  

“Nunca foi um fardo para mim. Nunca foi uma pressão. Eu gosto disso, adoro essa adrenalina. Eu sou cirurgião, trabalho na linha entre a vida e a morte. Gosto da adrenalina e não tenho problemas com crise “, analisou.

DAY AFTER – A ligação, à tarde, aconteceu após Mandetta desfrutar de um almoço com seus aliados de primeira ordem, Ronaldo Caiado (GO) e Abelardo Lupion (RS), ambos do DEM, na casa de Lupion em Brasília. O encontro, em que foi servida “uma alcatra muito gostosa”, segundo Mandetta, estava marcado para discutir o “day after” do ministro e seu papel no partido daqui em diante.

Mandetta diz que, de “tão tranquilo”, chegou a engordar nos últimos meses de governo mesmo diante da pandemia do novo coronavírus. Deve ter sido o mel, brinca o ex-ministro, lembrando ter tomado colheradas do produto para fortalecer a imunidade.  

SAÍDA TRANQUILA – Apesar de negar estar aliviado ao deixar o governo, Mandetta demonstra satisfação com o desfecho de sua saída. Na sua avaliação, foi uma saída “tranquila” e “educada”. Na noite de quinta-feira, após o anúncio de sua demissão, o cerimonial do Palácio do Planalto ligou para o gabinete do então ministro para convidá-lo para a cerimônia de posse.

Do outro lado da linha, o interlocutor insistia que a presença de Mandetta iria colaborar para reduzir os ânimos da crise e frisava que o último ministro que havia deixado o governo sem participar da transição havia sido o ex-chefe da Secretaria Geral da Presidência Gustavo Bebianno. Mandetta topou participar.  

ESQUIVA – O ex-ministro se diz aberto a colaborar com o governo e com o enfrentamento ao novo coronavírus. Questionado sobre os novos rumos do governo, ele se esquiva de comentar. Ele frisa que para colaborar com o enfrentamento do novo coronavírus precisa manter o silêncio. Diz querer evitar “interpretações dúbias” sobre suas declarações.

Sem visitar os familiares em Campo Grande desde a chegada do Covid-19 ao Brasil, em fevereiro, Mandetta se programa para viajar de carro neste sábado ao Mato Grosso do Sul. Serão doze horas dirigindo, caso o agora ex-ministro da Saúde desista de fazer um pitstop na casa do governador de Goiás, Ronaldo Caiado, que insiste para que o aliado político durma uma noite lá para quebrar a viagem de mil quilômetros.

CONSELHEIRO – Longe do governo, Mandetta será uma espécie de conselheiro nacional no Democratas, partido ao qual é filiado.  A legenda avaliou que o ex-ministro não deve participar de governos estaduais para tentar evitar interpretações de que teria usado o Ministério da Saúde para ajudar aliados. Além do governador de Goiás, o de São Paulo, João Doria (PSDB), tinha demonstrado interesse em trabalhar com Mandetta.

Mandetta será “consultor” de governadores e prefeitos na crise, remunerado pela Fundação Liberdade e Cidadania, do DEM. O ex-deputado Abelardo Lupion (DEM-RS) diz que é preciso que o colega tenha um salário para viajar pelo Brasil enquanto durar a pandemia.

“Mandetta não é um cara rico, então precisa se manter. Nós temos a fundação do partido que vai fazer esse papel. A fundação Liberdade e Cidadania vai fazer esse papel, para ele poder ter essa facilidade de poder se locomover, poder ajudar”,  diz o aliado.

11 thoughts on “Após deixar o Ministério da Saúde, Mandetta diz que a sua missão “nunca foi um fardo”

  1. Mandeta foi honesto em dizer que sua missão nunca foi um fardo.

    É evidente que nunca o foi , pois mandar todos ficarem em casa não requer trabalho algum.

    O interessante é que na sua despedida abraçou todos os assessores e até dançou com uma deles agarradinho, como bem mostra fotos do evento.
    O que demonstrou cabalmente que ele não cumpre o protocolo da OMS de manter distância, usar máscaras e ficar em casa como ele próprio pregava.

  2. A expressão de nervosismo no dia do anúncio da troca de ministro deixou explícito que o presidente não tinha convicção Suas palavras também mostraram isso.”Pior que uma decisão mal tomada é a indecisão.Jamais pecarei por emissão.Essa será minha linha de atuação”, falou na quinta-feira.A frase é de quem ciência de que pode estar errado.A lógica é estranha Parece-me , sim, preferível hesitar a entrar de cabeça no equívoco.

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