Após depoimento de Joice Hasselmann, CPI das Fake News investigará “gabinete do ódio”

Charge do Nani (nanihumor.com)

Patrik Camporez
Estadão

O terceiro andar do Palácio do Planalto entrou na mira das investigações da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPMI) das Fake News. Nas próximas semanas, a comissão deve solicitar acesso aos IPs (uma espécie de identidade do aparelho) e dados dos computadores usados por servidores que integram o chamado “gabinete do ódio”, que atuam no mesmo andar no qual o presidente da República, Jair Bolsonaro, despacha diariamente.

Como mostrou o Estado em setembro, “gabinete do ódio” é como internamente integrantes do governo passaram a se referir ao grupo formado por três servidores ligados ao vereador do Rio de Janeiro Carlos Bolsonaro (PSC), filho “02” do presidente.

RELATÓRIOS –  Os assessores Tércio Arnaud Tomaz, José Matheus Sales Gomes e Mateus Matos Diniz produzem relatórios diários, com suas interpretações, sobre fatos do Brasil e do mundo e são responsáveis pelas redes sociais da Presidência da República.

A decisão de pedir acesso aos IPs e dados dos computadores desses servidores foi tomada depois que a deputada Joice Hasselmann (PSL-SP), ex-líder do governo no Congresso, prestou depoimento na CPI, na quarta-feira, dia 4, acusando os assessores do presidente de disseminar notícias falsas durante o horário de serviço.

PROVAS – “Vamos pedir a quebra dos IPs para localizar as máquinas. Se por um acaso tiver requerimento, e tiver provas concretas que existe computador dentro do Palácio do Planalto que faz a divulgação, claro que pode ser quebrado. Não podemos quebrar se não tiver prova. Tendo provas, nós vamos correr atrás”, afirmou, ao Estado, o presidente da CPI,  senador Angelo Coronel (PSD-BA).

Ainda segundo Coronel, a CPI vai apurar se há dinheiro público bancando a disseminação de notícias falsas a partir do Palácio do Planalto. “Obviamente, nós vamos correr atrás para ver se é dinheiro público que está sendo investido nessa prática. Se for, nós vamos indiciar os culpados e encaminhar para o Ministério Público Federal. E que aí se puna os verdadeiros culpados”, disse.

PRÓXIMO AO “03” – Segundo Joice Hasselmann, o chamado “gabinete do ódio” é integrado ainda pelo assessor especial da Presidência da República Filipe Martins, que é próximo ao deputado Eduardo Bolsonaro (PSL-SP), filho “03” do presidente.

O grupo, na versão da ex-aliada do Planalto, é um dos mais ativos propagadores de notícias falsas e difamações. “Estou mostrando o modus operandi, estou mostrando pessoas ganhando dinheiro público para atacar pessoas”, disse a parlamentar durante o depoimento, na quarta.

A partir do depoimento da ex-líder do governo, técnicos do Ministério Público Federal (MPF), da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) e do próprio Congresso, que atuam em conjunto com a CPI, iniciarão uma fase de aprofundamento de coleta de provas e de investigação dos fatos relatados pela deputada.

FAKE NEWS – “A partir daí, que se substancie a relatora. Vamos tentar fazer de tudo para fazer o banimento no País das fake news e dos perfis falsos. Não podemos mais permitir que as pessoas criem um perfil falso para atacar seus alvos. Temos é que fortalecer a democracia”, afirmou Coronel.

A sessão que ouviu a deputada Joice Hasselmann durou mais de dez horas e foi marcada por muito bate-boca e troca de acusações entre as alas em disputa no PSL, os “bivaristas”, ligados ao presidente da legenda, Luciano Bivar (PE), e os “bolsonaristas”, próximos a Bolsonaro. Todos os funcionários do “gabinete do ódio” foram convocados para prestar depoimento na CPI, mas ainda não há uma data para isso acontecer.

DISPARO DE R$ 20 MIL –  Um único disparo de mensagens por robôs custa, em média, conforme a parlamentar, R$ 20 mil. “De maneira, digamos, legal, comprovável imediatamente, (são destinados) praticamente R$ 500 mil, de dinheiro público, para perseguir desafetos. Essa é a função do ‘gabinete do ódio’. Nós estamos falando de crime. Caluniar, difamar e injuriar são crimes previstos no Código Penal”, disse a deputada, que também foi alvo de ataques de bolsonaristas.

Joice afirmou não saber quem financia tal cadeia de difamação, mas sugeriu à comissão que “siga o rastro do dinheiro porque estamos falando de milhões”. Apesar de não apontar eventuais financiadores do esquema, a deputada declarou que boa parte das notícias falsas e campanhas difamatórias tem origem em gabinetes de políticos aliados do governo.

“GURU” – A ex-líder ainda acusou Eduardo e Carlos, filhos do presidente Bolsonaro, de pautarem a ação do “gabinete do ódio”. Outro influenciador ligado ao grupo seria “o guru” Olavo de Carvalho. “Eu quero crer que o presidente não sabe disso”, disse.

Ela afirmou que o próprio presidente tem publicações impulsionadas por robôs. “São quase 2 milhões de robôs seguindo dois perfis, sendo 1,4 milhão no perfil de Jair Bolsonaro e 468 mil no perfil de Eduardo Bolsonaro.” O número tem por base um aplicativo que analisa se um perfil no Twitter é ou não falso.

INVENÇÃO – Questionado sobre os trabalho da CPI na quarta, enquanto visitava uma feira popular em Brasília, Bolsonaro afirmou não temer o resultado da comissão que investiga fake news. “Inventaram o ‘gabinete do ódio’e alguns idiotas acreditaram. Outros idiotas vão até prestar depoimento”, disse, em referência a Joice Hasselmann.

Procurado, o Palácio do Planalto informou que não comentará a intenção de integrantes da CPI de pedir acesso a informações dos computadores de funcionários da Presidência da República.

7 thoughts on “Após depoimento de Joice Hasselmann, CPI das Fake News investigará “gabinete do ódio”

  1. Diz a matéria : ” Nas próximas semanas, a comissão deve solicitar acesso aos IPs (uma espécie de identidade do aparelho) e dados dos computadores usados por servidores que integram o chamado “gabinete do ódio”, que atuam no mesmo andar no qual o presidente da República, Jair Bolsonaro, despacha diariamente”.

    E mais abaixo, declara a deputada Joice : ““Eu quero crer que o presidente não sabe disso”, disse.

    Se ambas a asserções forem verdadeiras, o presidente Jair Bolsonaro, tendo o gabinete do ódio circulando no andar que trabalha, seria a segunda (o) Graça Foster, que presidiu a Petrobras, seus funcionários mais graduados roubaram por anos junto a empreiteiras debaixo de seu nariz e Graça Foster disse que não sabia de nada – alguém acredita que Graça Foster não sabia de nada ? – Sim, Graça Fostes nunca foi processada, denúncia contra ela nunca chegou ao Ministério Público e Graça Foster, nomeada por Dilma, que também não sabia de nada, segundo declarou a ex-presidente, também está livre, leve e solta, sem processo contra ela sobre o roubo na Petrobras.

  2. A Sra. Hasselmann não bate mesmo bem da bola.
    Ela ataca os filhos do bolsonaro é preserva o mesmo.
    Ou ela é ingênua ou é desprovida de massa pensante.
    Será que ela não entende que quem atacar os filhos do presidente vira inimiga(o).
    Mas que mulher sem cabeça, meu Deus do céu!!

    Ou vai com tudo ou fica quieta. O meio termo é igual a nada.

    Até acho que ela fala a verdade, mas se perde no sensacionalismo.
    Tá sempre querendo causar!

    Atenciosamente.

  3. E, ainda tem gente que apoia esta CPI cujo único objetivo é limitar a liberdade na Internet. Os corruptos viram que o pior inimigo está hoje nas redes sociais, que desmascaram sempre suas segundas intenções. Joyce e Fruta não merecem nenhum comentário, 2022 eles voltarão para limbo de onde saíram aproveitando da popularidade de Bolsonaro.

      • Prezados comentaristas Antonio e Marcos,

        A CPI não visa limitar a liberdade da internet comum, como conhecemos, e sim um tipo de comunicação que precisa de códigos que são inacessíveis aos hackers para acessar comunicações sigilosas, que são chamadas de IP , ou , se preferirem, os IPs.

        Tão somente. E há tecnologia avançada para fazer isso. Entendam o que é e para que serve um IP : O que é IP?

        Aprenda tudo sobre o que é IP, o endereço virtual (interno e de internet) de seu computador, celular e outros dispositivos

        Nem todo mundo sabe o que é IP, embora todos nós o usemos todos os dias para nos conectarmos à internet. O sistema de identificação da web consegue atribuir uma “identidade virtual” a todos os dispositivos conectados, e saber o seu IP é muito útil, em várias situações.

        Entenda a origem do som (ou do barulho) da internet discada
        Qual a diferença entre modem e roteador?
        blickpixel / cabo de rede / Pixabay / o que é ip

        O que é um IP?

        O termo IP, de Internet Protocol (Protocolo da Internet) é usado para duas coisas: descreve os protocolos de comunicação entre dispositivos, dentre os quais existem os modelos TCP/IP e /OSI, e também é o número de identificação de um dispositivo conectado à internet, que é o que trataremos aqui. Normalmente, para diferenciar um termo do outro, este último é também chamado de Endereço IP (IP Address).

        Basicamente, o número de endereço é o “CPF” do seu computador, celular, tablet, set-top box, TV, dongle, console de videogame e etc., um número atribuído ao dispositivo no momento em que ele é ligado, o que chamamos de IP interno. Porém, assim que o gadget se conecta à internet, ele recebe um segundo número de registro, o IP externo.

        Qual a diferença entre endereço interno e externo?

        Ambos servem para identificação, mas para fins diferentes. O interno, por exemplo, serve para identificar uma máquina, geralmente um computador ou uma impressora, em uma rede interna, como em ambientes corporativos, em que todos os terminais estão conectados entre si.

        Já o externo é sua identidade na internet; esse número permite que você se conecte à rede. Ele é único, porém dinâmico: não existem dois terminais na web com o mesmo número ao mesmo tempo. Mas o número pode ser alterado a cada conexão. O interno, por sua vez, pode ser fixo ou dinâmico.

        Saber o seu número de endereço, tanto o interno quanto o externo, é importante para solucionar problemas de conexão ou para permitir que outras pessoas em sua rede interna possam ter acesso a arquivos que você queira compartilhar.

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