Após PMDB de Minas ganhar ministério, PT espera apoio total a Fernando Pimentel para governador

Isabella Lacerda (O Tempo)

Mais do que a indicação do presidente do PMDB de Minas, deputado Antônio Andrade, para o Ministério da Agricultura, o PT já tem outra arma na mão para selar a união entre os dois partidos na briga pelo governo de Minas em 2014. Os petistas querem que o senador Clésio Andrade desista de disputar o governo no ano que vem e se lance ao Senado. Em troca, ele sairia como candidato na chapa encabeçada pelo ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, Fernando Pimentel (PT), e nenhum dos dois partidos teria chapas avulsas ao Senado.

Pimentel, o “consultor”

Nos bastidores, os petistas têm tratado o cenário como o ideal para uma composição, já que o quadro fortaleceria o nome de Pimentel e aumentaria “a força de oposição” frente ao PSDB do senador e pré-candidato à Presidência da República, Aécio Neves. “Além do Senado, o PMDB poderia ficar também com a vaga de vice”, garantiu um petista.

No entanto, na opinião de uma ala do PMDB de Minas, a articulação incomoda. Isso porque eles avaliam que o fato de Antônio Andrade ter assumido o Ministério da Agricultura já é um sinal de que o PMDB aceita o acordo com o PT sem antes discutir com as suas bases o lançamento de um candidato próprio ao governo de Minas.

PRESSÃO

E, apesar de garantirem ter sido positivo para a legenda em Minas ter conquistado um ministério, os peemedebistas admitem que, agora, o PT fará ainda mais pressão por uma aliança no Estado em 2014.

“Os dois partidos vão estar juntos em Minas. Mas o PMDB está dividido. Considerando todos os cenários, acredito que para o Clésio seria melhor aceitar uma composição para o Senado”, disse um peemedebista que preferiu o anonimato.

“É natural que o PT pressione e queira uma garantia de que será feita a composição. Esse cargo (ministério) é uma forma de fazer ainda mais pressão, fato que tende a aumentar ainda mais com a aproximação de 2014”, garantiu outra liderança do partido.

O deputado federal Mauro Lopes, integrante do grupo que quer candidatura própria, prefere minimizar as pressões. “Não acredito que vai haver uma dependência do PMDB”, diz.

Por meio de sua assessoria, o senador Clésio Andrade informou que continua empenhado em se candidatar ao governo de Minas e que seu nome será uma terceira via entre PT e PSDB. Para ele, a escolha de Antônio Andrade como ministro seria, apenas, uma forma de o PT garantir o apoio de seu partido no Congresso.

NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG – Vejam como a ética é desprezada na política brasileira. Um político sujo como Pimentel, que recebeu pagamentos como “consultor” da Federação das Indústrias de Minas, sem prestar os serviços, agora é o grande candidato a governo, com apoio do PMDB e tudo o mais. E o pior é que, para preservar Pimentel, investigado pela Comissão de Ética do próprio Planalto, a presidente Dilma demitiu o ministro Sepulveda Pertence, que presidia o órgão… (C.N.)

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