Após tragédia, com 5 mortos e 50 feridos, Cabral determina plano de modernização de bondes

Paulo Peres

Será que o Código de Conduta Ética do governador Sérgio Cabral dispõe que, “é proibido fazer algo para evitar alguma tragédia antes que esta aconteça, visto que isso pode render votos nas próximas eleições”?  Parece que sim, pois somente após o acidente que matou cinco pessoas e feriu mais de 50, no bairro de Santa Teresa, no Rio de Janeiro, Cabral informa que, determinou a condução de um plano de modernização de bondes da capital por parte da Secretaria de Transportes.

É bom lembrar que este serviço existe há 115 anos e a falta de manutenção nos bondes é observada e denunciada há anos, décadas, pelos moradores do bairro. Entretanto, saindo pela tangente, Cabral diz que a preocupação do Estado com os bondes é constante, mas delegou a responsabilidade a Secretaria de Transportes, que será a responsável técnica pelo plano de modernização. O governador aguarda o resultado da perícia e afirma que “as providências cabíveis” serão tomadas, conforme o laudo que deve ficar pronto em 30 dias.

O coordenador da Comissão de Análise e Prevenção de Acidentes do Conselho Regional de Engenharia e Arquitetura do Rio de Janeiro (Crea-RJ), Luiz Antonio Cosenza, foi ao local do acidente e constatou indícios de problemas no sistema de freios do bonde que tombouem Santa Teresa.

Para Consenza, “a superlotação pode ter contribuído, mas pelo que a gente viu ali a hipótese mais provável é falha no sistema de freio. Parece que o freio foi acionado, mas não funcionou travando as rodas, porque se isso tivesse acontecido haveria marcas de frenagem nos trilhos e não percebi isso.”

Segundo o especialista, apenas a superlotação, denunciada por moradores, não seria suficiente para causar o acidente. Para ele, possivelmente o freio não acionou por um problema no compressor de ar, que é o equipamento que garante a pressão necessária nas rodas para que a frenagem ocorra.

“A falta de manutenção nos bondes é observada e denunciada há anos, décadas. Um bonde pode ser antigo, estar em funcionamento há muito tempo, mas se a manutenção estiver em dia, ele pode continuar sendo seguro”, afirmou.

Cosenza informou que os engenheiros responsáveis pela manutenção das composições serão convocados pelo Crea para prestar esclarecimentos à Comissão de Análise e Prevenção de Acidentes sobre a realização dos serviços de manutenção.

O presidente da Central Logística, Sebastião Rodrigues, empresa responsável pelos bondes, alegou que o sistema de transporte tem manutenção adequada. Ele esteve no local do acidente e, embora tenha constatado que em partes da composição havia arame no lugar de parafusos e que a sapata do freio estava gasta, disse que vai aguardar o laudo da perícia para identificar as causas do acidente. “Conservação não foi, porque a manutenção preventiva é feita toda semana. Quando há um problema, a gente manda para a oficina e troca as peças”, afirmou.  Mas será mesmo? Os fatos parecem contradizê-lo.

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ASSOCIAÇÃO APONTA OS CULPADOS

Nota distribuída pela Associação de Moradores de Santa Teresa (AMAST) aponta os três culpados pela tragédia:

1. O Governador Sérgio Cabral, que com sua habitual desfaçatez, suscitou à época do acidente que vitimou a Profa. Andréa de Jesus Rezende, uma possível municipalização dos bondes, com o único propósito de desviar o foco da imprensa quanto à raiz do problema, haja vista que nenhuma palavra voltou a ser dita sobre o assunto nos últimos 2 (dois) anos.

2. O Secretário Júlio Lopes, pela malversação da verba pública que deveria ter sido aplicada na recuperação dos 14 bondinhos tradicionais, e que foi aplicada na aventura tecnológica fracassada empreendida pela empresa T’TRANS, que resultou na criação de aberrações com aparência de bonde porém repletas de problemas de projeto que até hoje não foram superados;

3. O Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro, pela omissão em requerer à justiça a execução provisória das decisões que ordenaram a recuperação integral do sistema de bondes de Santa Teresa, mesmo após o esgotamento dos principais recursos em que o Estado saiu-se perdedor; Convocamos os moradores de Santa Teresa e a população do Rio de Janeiro para se juntarem a nós nessa luta hercúlea e contínua que constitui uma missão histórica da AMAST. Pedimos que continuem acompanhando e participem dos atos públicos e manifestações, virtuais e presenciais, programados pela associação, com destaque para o dia do aniversário do bonde, 01/09, cuja comemoração já seria substituída por protesto em forma de luto, agora com mais razão de ser em função desse lamentável acontecimento.

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