Após três anos falando em ‘fraudes eleitorais’, Bolsonaro admite não ter provas das acusações

Presidente Jair Bolsonaro (sem partido) durante live semanal (29.jul.2021)

Bolsonaro e o coronel Silva, apresentado com especialista

Por G1 e TV Globo

O presidente Jair Bolsonaro admitiu, em live nesta quinta-feira (29), que não tem provas para afirmar que haja risco de fraude no sistema atual de urnas eletrônicas – ou que as últimas eleições realizadas no país tenham sido fraudadas.

Bolsonaro convocou veículos de imprensa e usou a emissora pública de televisão para uma transmissão em tempo real na qual, segundo anunciou, seriam mostradas “provas” das fraudes.

FAKE NEWS – A transmissão se estendeu por mais de duas horas e Bolsonaro tratou de diversos temas não relacionados às eleições. Em vez de provas, no entanto, o presidente apresentou uma série de notícias inverídicas e vídeos que já foram desmentidos diversas vezes por órgãos oficiais.

“Os que me acusam de não apresentar provas, eu devolvo a acusação. Apresente provas de que ele não é fraudável”, declarou Bolsonaro em determinado momento.

“Não tem como se comprovar que as eleições não foram ou foram fraudadas”, disse, minutos depois. “Não temos provas, vou deixar bem claro, mas indícios que eleições para senadores e deputados podem ocorrer a mesma coisa. Por que não?”, apontou em um terceiro momento.

‘ESPECIALISTA’ DO GOVERNO – Ao longo de toda a transmissão, Bolsonaro esteve ao lado de um “especialista” apresentado por ele apenas como “Eduardo, analista de inteligência”. Questionada inicialmente, a Secretaria de Comunicação da Presidência da República (Secom) disse não ter a identificação completa do homem.

Ao fim da “live”, o governo informou tratar-se de Eduardo Gomes da Silva, coronel do Exército e ex-assessor especial do ministro Luiz Eduardo Ramos na Casa Civil. Segundo Bolsonaro, o coronel hoje trabalha justamente na Secretaria de Comunicação.

O currículo divulgado pelo Planalto não informa qualquer especialização na área de programação ou segurança da informação.

FALA O SUBSTITUTO – “A pessoa que viria fazer a demonstração aqui demonstrou muita preocupação pela sua exposição. É um civil. E resolveu então passar as informações para o Eduardo, de modo que ele explanasse aqui. De nada diminui o serviço prestado pelo Eduardo, porque a mesma coisa seria apresentada pelo outro cidadão. Se ele se garantir seguro no futuro, pode ter certeza que ele participará de momentos outros como esse”, declarou Bolsonaro.

Ao iniciar a apresentação, o coronel Eduardo Silva afirmou que mostraria “fatos, acontecimentos”. Na prática, mostrou material que já foi amplamente desmentido.

“Esses vídeos, todos eles estão disponíveis na internet. E por que nós fizemos questão de buscar nessa fonte? Porque é o povo. Essas pessoas não foram pagas para fazer isso, elas demonstraram interesse em ter uma democracia melhor, mais avançada, mais justa e transparente”, declarou.

TUDO FALSO – No material apresentado por Eduardo incluiu, por exemplo, há vídeo antigo em que um programador dizia simular o código-fonte de uma urna eletrônica para, em seguida, mostrar supostas formas de fraudar o sistema.

O “Fato ou Fake”, serviço de checagem de fatos do grupo Globo, já mostrou que essas simulações de urna não correspondem à realidade. Veja nos links abaixo:

É #FAKE que software das urnas eleitorais pode ser manipulado por estrangeiros que detêm o código dos equipamentos

É #FAKE que vídeo prove que é possível fraudar urna eletrônica

É #FAKE vídeo em que eleitor seleciona a tecla “1” e aparece automaticamente o candidato Fernando Haddad na urna

É #FAKE fraude nas urnas denunciada em vídeo por eleitor no Pará

EXPLICA O TSE – “Em termos de dispositivo de hardware, a urna é um computador. Porém, não é um computador comum de mercado, mas sim projetado conforme exigências estabelecidas pelo TSE para garantir a segurança de seu hardware”, explica o Tribunal Superior Eleitoral, em nota.

A apresentação no Palácio da Alvorada recorreu a outro boato já desmentido por órgãos oficiais: o de que a “estabilidade” nas divulgações parciais da apuração dos votos em São Paulo, nas eleições municipais de 2020, seria um indício de fraude.

Como mostrou o Fato ou Fake, esta estabilidade é comum, se manteve praticamente ao longo de toda a apuração e já aconteceu em anos anteriores, inclusive em eleições maiores.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
É triste ver que temos um presidente sem noção, que agride a Justiça diariamente, demonstrando total falta de responsabilidade. (C.N.)

15 thoughts on “Após três anos falando em ‘fraudes eleitorais’, Bolsonaro admite não ter provas das acusações

  1. O Presidente Jair Messias Bolsonaro deixou evidente que usará o rolo compressor da base aliada para aprovar o aprimoramento do sistema de escolha de representantes eleitos, com voto impresso pela urna eletrônica e recontagem pública de votos. Bolsonaro produziu ontem o melhor e mais importante discurso de seu mandato. Na habitual live de quinta-feira à noite, transformada em um “pronunciamento oficial à imprensa”, Bolsonaro conseguiu ir além da defesa da transparência e segurança eleitoral. Tanto que pregou o lema: “Democracia acima de tudo; Liberdade Acima de Todos”. Finalmente, o Poder, de fato e na prática, depende do exercício da Soberania. Assim, o Presidente reafirmou o respeito à Lei Maior, mas deixou evidente que não haverá trégua na “guerra” contra sabotagens do Establishment e seu aparelhado mecanismo estatal.

    Bolsonaro tinha prometido apresentar “provas” de “fraude eleitoral” no atual modelo eleitoral brasileiro, totalmente eletrônico. No entanto, em duas horas de exposição, ele apresentou uma série de fatos reais e estranhos que colocam em dúvida o processo. Os argumentos de Bolsonaro fortaleceram a tese, hegemônica na opinião pública esclarecida, que o sistema de votação eletrônica só pode ser legitimado se sofrer uma alteração que melhore a transparência e a segurança na votação, transmissão de dados e apuração. Os argumentos mais contundentes em favor da mudança foram o histórico de advertências oficiais de peritos da Polícia Federal ao Tribunal Superior Eleitoral, advertindo sobre falhas e vulnerabilidades do sistema que precisavam ser aprimoradas. O TSE pouco ou nada fez para melhorar a votação eletrônica, insistindo na dogmática tese de “perfeição” do sistema.

    Fato concreto: Desde 2016, a Polícia Federal vem apresentando ao TSE uma série de vulnerabilidades no sistema eleitoral. O ministro da Justiça, Anderson Torres, resumiu os relatórios do DPF (veja o vídeo a partir de 1h 59min). Um deles deixa claro que “o processo de transmissão de voto não é auditável”. Ou seja, não há como garantir a segurança absoluta do sistema – conforme sempre insiste, dogmaticamente, a “Justiça” Eleitoral. Assim, está absolutamente certo quem defende que o sistema eleitoral pode evoluir. O modelo precisa sofrer modificações, para permitir a recontagem pública (de 100% dos votos) e não apenas uma “auditoria” (que seria inútil e causaria judicialização, confirmando críticas dos inimigos da votação transparente e segura no Brasil). A recontagem pode e deve acontecer nas próprias seções eleitorais, depois de encerrada a votação. Confira o vídeo – https://youtu.be/im2R1oLNDIE

    Concretamente, o Presidente não foi totalmente bem sucedido na complicada missão de “comprovar fraudes”. O Presidente admitiu: “Não tem como se comprovar que as eleições não foram ou foram fraudadas. São indícios. Um crime se desvenda com vários indícios”, afirmou. “E digo mais: não temos prova, Logicamente, as oposições midiática, política e “judasciária” fizeram a festa. Exibiram uma contraofensiva para tentar desmontar cada ponto polêmico apresentado por Bolsonaro. Isso só serviu para agravar a inconclusiva guerra de narrativas. No final das contas, Bolsonaro conseguiu mobilizar, ainda mais, seus apoiadores, para a grande manifestação popular marcada para domingo (1 de agosto) nas ruas de todo o Brasil. No mínimo, os atos que tendem a ser bem sucedidos em quantidade de gente mobilizada servirão como pressão direta aos políticos pela aprovação da PEC 135.

    J.Serrão

  2. O lastimável é que tem cidadão que acredita piamente no que o presidente, seja qual for, fala.
    Queremos estar certos, queremos ter a verdade e o presidente é o candidato do meu voto.
    Conclusão: Ainda bem que temos oposição e mídia livre e diante disso, só nos cabe olhar para a direita, se inteirar dos acontecimentos e voltar os olhos para a esquerda e ver como eles veem os mesmos acontecimentos e em breve reflexão, escolher nosso caminho.
    Infeliz do que morreu por tomar inseticida contra o vírus; este está condenado por ter ouvido dizer que matava o vírus da covid.

  3. O problema de Bolsonaro é sempre o mesmo. Ele quer ter inimigos. Ele gosta de briga.
    Pode até ter fundamento a reinvindicação de melhoria na auditagem, porém da forma como ele se impõe ele só coleciona adversários. Diálogo zero.
    Vai acabar sozinho com seu clã e alguns fanáticos.

  4. O sujeito teve uma idéia (à sua própria maneira), engraçadinha, bonita e originalíssima que impacta na lisura em mais de 20 anos de votações na brasilis. É de lascar. Já tenho idade mais do que suficiente e cansado de ouvir asneiras continuadas da boca deste presidente. Por que, inútil pres., não te calas, imbecil?

  5. Esse cara é um insano.

    Já deviam ter levado esse imbecil e idiota para um hospício.

    PS. Lamentei muito a desclassificação da seleção feminina de futebol,pois jogaram 120 min de um bom futebol – melhor do que o Canadá – , mas parece que nas penalidades tremeram.

  6. Eu pessoalmente constatei fraude na totalização de votos do TSE, como já comentei noutro dia neste blog.

    Um colega meu de trabalho, que se candidatou a deputado federal em 1998, ia acompanhando no computador a sua votação pelo site do TSE. Ele imprimia as folhas com os prints das telas de seus votos totalizados pelo sistema do TSE.

    Qual não foi a surpresa quando o número de votos dele foi diminuindo. Ele me mostrou as telas impressas, com os respectivos horários registrados nas telas.

    Fui então acompanhando junto com ele a divulgação pelo site do TSE. E a situação continuava a acontecer. O número de votos dele realmente ia diminuindo. Ora, num sistema informatizado, isso significa fraude.
    Recorreu, mas nunca lhe responderam.

    A partir dali, percebi a fragilidade de se ter um sistema fechado, em que não se pode contestar nem checar possíveis fraudes.

  7. “Explicando a amigo gringo o acontecido ontem à noite.

    “Cara, o presidente convocou a imprensa e falou por 2 horas para provar que ele ganhou uma eleição fraudada em 2018 e perdeu uma eleição fraudada que só vai acontecer em 2022, argumentando que a prova é a falta de prova do contrário”.

    “Como é possível? Esse cara deve ser o tipo mais burro do planeta”.

    “Não é. Se você acha ele burro, espera para conhecer os que acreditaram nele”.

    Wilson Gomes

  8. Sobre a live de ontem, o que me deixou mais impressionado foi a divulgação sobre o que ocorreu na eleição para prefeito de São Paulo ano passado.

    Mostraram a totalização de votos do TSE logo no início, com 0,39% de urnas apuradas e 24.220 votos, quando “estranhamente” o sistema teria dado uma “parada”. Quando retornou, os votos foram sendo contabilizados e, no final, com 100% das urnas apuradas e 6.354.100 votos algo inacreditável teria ocorrido.

    Os percentuais dos votos dos candidatos tinham “exatamente” os mesmos percentuais na “parte inteira” dos números. Ou seja, a fraude na programação para adulterar foi tão mal feita que adaptaram os números para manter a parte inteira que existia quando se tinha apenas 0,39% da apuração, momento em que o sistema “supostamente” teria “travado”, mudando-se apenas as partes decimais dos percentuais de votos de cada candidato.

    Isso é típico de que houve programação. Quem conhece de informática sabe.

    Como não se pode conferir, tem que se ficar acreditando que isso aconteceu mesmo de verdade. Só que agora, com essa divulgação, veio à tona a farsa.

    0,89% Urnas apuradas
    24.220 votos
    Bruno Covas 32,58%
    Guilherme Boulos 20,33%
    Márcio França 13,95%
    Celso Russomano 10,44%
    Arthur do Val 9,74%
    Jilmar Tatto 8,79%
    Andrea Matarazzo 1,67%
    Joice Hasselmann 1,60%
    E mais 5 candidatos com 0,… %

    100% Urnas apuradas
    6.354.100 votos
    Bruno Covas 32,85%
    Guilherme Boulos 20,24%
    Márcio França 13,64%
    Celso Russomano 10,50%
    Arthur do Val 9,78%
    Jilmar Tatto 8,65%
    Andrea Matarazzo 1,55%
    Joice Hasselmann 1,84%
    E mais 5 candidatos que continuaram com 0,… %

    Quem quiser pode conferir esses dados diretamente no site do TSE: https://resultados.tse.jus.br/oficial/#/divulga-desktop/votacao-nominal;e=426;cargo=11;uf=sp;mu=71072

    Gostaria de saber a opinião do editor Carlos Newton especificamente sobre essa situação da eleição para prefeito de São Paulo. Será que ele acredita que foi limpa essa eleição? Que não houve manipulação, diante de dados tão flagrantemente suspeitos como esses?

    • Outra situação que percebi e que passou batido, nenhum jornalista ou jornal deu atenção é com relação ao candidato Mamâe Kaguei.
      Em todas as pesquisas davam ele como “carta fora do baralho’, “sem chance”.´”e só para testar o nome para as próximas eleições.
      Sempre entre os candidatos que davam Traço, quase 0% de intenções de voto.
      Estava empatado com os nanicos…
      E quando “abriu” as “Maravilhosas Urnas Eletrõnicas, aquelas que não erram nunca, qual foi a surpresa.??
      Ficou em 5o. Lugar, á frente da Organização Criminosa dos Petralhas e bem colocado sobre os naninos….

      Arthur do Val Mamãe Falei
      9,78 %
      PATRIOTA
      522.210 votos válidos

      Demais Nanicos…

      06°
      Jilmar Tatto
      8,65 %
      PT
      461.666 votos válidos
      07°
      Joice Hasselmann
      1,84 %
      PSL
      98.342 votos válidos
      08°
      Andrea Matarazzo
      1,55 %
      PSD
      82.743 votos válidos
      09°
      Marina Helou
      0,41 %
      REDE
      22.073 votos válidos
      10°
      Orlando Silva
      0,23 %
      PC DO B
      12.254 votos válidos
      11°
      Levy Fidelix
      0,22 %
      PRTB
      11.960 votos válidos
      12°
      Vera
      0,06 %
      PSTU
      3.052 votos válidos
      13°
      Antônio Carlos
      0,01 %
      PCO
      630 votos anulados
      Brancos
      5,87 %
      373.037 votos
      Nulos
      10,11 %
      642.277 votos
      Abstenção
      29,29 %

      • Será que sabiam que ele tinha condições de ir para o Segundo Turno, como um nome fora do Circuito da Corrupção entre as Quadrilhas do FHcorrupto e Luladrão e o “roubaram” seus votos?
        Somente para ir para o segundo turno as quadrilhas de sempre.??

  9. Enquanto Bolsonaro não for internado para tratamento mental, nós, os racionais, continuaremos assistindo às suas sandices, às suas investidas com vistas à sua perpetuação no poder.

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