Aproximação cada vez maior de Lula com os megaempresários é muito negativa e até fere o Código de Conduta recomendado por seu aliado Sérgio Cabral.

Carlos Newton

É um orgulho para o Brasil o prestígio que o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva desfruta no exterior. Tornou-se realmente um dos políticos mais importantes do mundo. Nos últimos sete meses, fez 15 palestras remuneradas, 20 viagens ao exterior (nove como palestrante) e 14 pelo Brasil (seis palestras, incluindo três em São Paulo). Como dizia o colunista Ibrahim Sued, “pé no jato”.

Nessa lucrativa atividade, o ex-presidente está acumulando invulgar riqueza, capaz de fazer inveja até ao consultor Antonio Palocci. Seus próprios assessores, com Luiz Dulci (redator do textos a serem lidos) e Paulo Okamoto, diretor da empresa criada por Lula, se encarregam de divulgar à imprensa o espetacular faturamento obtido e até dão detalhes sobre as finan ciadores das viagens.

O cachê cobrado pela L.I.L.S. Palestras, Eventos e Publicações para apresentações no exterior, que começou em US$ 200 mil no início do ano, já passou para US$ 300 mil, líquidos, o dobro dos US$ 150 mil cobrados pelo seu antecessor, Fernando Henrique, equiparando-se aos valores cobrados por políticos consagrados, como o ex-presidente norte-americano Bill Clinton ou o ex-primeiro-ministro britânico Tony Blair.

Os assessores também informam que, aqui no Brasil, Lula não abre mão da equipe de oito servidores públicos que o assessoram como ex-presidente – quatro servidores para atividades de segurança e apoio pessoal, dois motoristas e dois assessores estratégicos, todos pagos pelo erário público. Alguns deles costumam acompanhá-los nas viagens ao exterior, nas quais o ex-presidente sempre faz questão de levar seu tradutor dos tempos de Planalto, Sérgio Ferreira, que é funcionário do Planalto.

Para ter maior privacidade, Lula evita aviões comerciais e só voa de jatinho, já tendo utilizado aviões de Josué Gomes da Silva (filho do ex-presidente José Alencar), dos empresários Jorge Gerdau e Marcelo Odebrecht, e até do magnata mexicano Carlos Slim, que tem várias empresas no Brasil, como a operadora de telefonia celular Claro, a telefonia fixa Embratel e a empresa de TV por assinatura Net (da qual possui 49%).

Lula faz questão de ficar em hotel cinco estrelas, com toda a comitiva no mesmo andar, só circula de carro blindado (aqui e no exterior). Do agendamento de voos e hotéis ao pagamento de jantares e compras no exterior, tudo é resolvido por seu grupo de assessores.

O desempenho de Lula é muito bonito, realmente os brasileiros devem se orgulhar, mas seria mais interessante se ele mantivesse uma certa distância dos empresários que atuam no Brasil. Afinal, isso não fica bem, segundo o Código de Conduta Ética recentemente aprovado por um de seus melhores amigos e aliados, o governador fluminense Sergio Cabral, aquele que até então não sabia o que um homem público deve fazer de certo ou errado.

Essa aproximação com os empresários dá margem a interpretações negativas. Vejam, por exemplo, como está pegando mal essa amizade próxima do ex-presidente com o dono da empreiteira Odebrecht, que não só empresta o jatinho, como também é maior contratante das palestras internacionais de Lula, tendo bancado este ano três delas no espaço de apenas 34 dias, repassando à empresa L.I.L.S a módica quantia de US$ 900 mil.

Por causa dessa intimidade entre Lula e Marcelo Odebrecht, o jornalista Augusto Nunes escreveu um artigo devastador, que circula pela internet com enorme repercussão, que republicamos abaixo.

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A COINCIDÊNCIA DE 1 BILHÃO DE REAIS

Augusto Nunes

Depois de baixar em Brasília para piorar a crise protagonizada por Antonio Palocci, Lula resolveu aproveitar a vida no exterior. Na segunda-feira (29 de maio), fez uma palestra no Panamá para executivos da Odebrecht. Na terça, repetiu o numerito nas Bahamas para convidados do bilionário mexicano Carlos Slim. 

Na quarta, a bordo de um avião cedido por Slim, apareceu em Cuba para a escala de um dia e meio, com todas as despesas pagas pela Odebrecht. Vistoriou ao lado de Raúl Castro as obras do porto de Mariel, construído pela Odebrecht ao preço de 200 milhões de dólares bancados pelo BNDES, e foi beijar a mão de Fidel, escoltado por José Dirceu, Franklin Martins e Paulo Okamoto.

Na quinta, Lula levou a trinca para engrossar a plateia da palestra, paga pela Odebrecht, que faria na Venezuela. Foi recepcionado em Caracas por Emilio Odebrecht , presidente do Conselho Administrativo da construtora, e Marcelo Odebrecht, diretor-presidente. Não sobrou lugar para a imprensa no local do evento, reservado a empresários, investidores e diplomatas convidados pela Odebrecht. 

Com mais de um ano de atraso, o presidente Hugo Chávez ordenou, na véspera da chegada de Lula, o pagamento dos R$ 996 milhões que o governo venezuelano devia à Odebrecht, premiada com a construção do metrô de Caracas e da terceira ponte sobre o Rio Orinoco. Quase 1 bilhão de reais, parcialmente financiados pelo BNDES.

Os diretores da Odebrecht garantem que foi só uma agradabilíssima coincidência. Em todo caso, no encontro com o amigo Chávez, Lula agradeceu a gentileza. Em seu nome e em nome da Odebrecht.

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