Aquela praça, aquele banco…

Sylo Costa
O Tempo

Os tribunais de Contas, mesmo com a castração imposta pela Constituinte de 1988, que os classificou como órgãos auxiliares “do” Legislativo, em vez de órgãos auxiliares de informação “ao” Legislativo, ainda detêm alguma competência legal, desde que conselheiros e ministros, no caso do Tribunal de Contas da União (TCU), queiram trabalhar, o que não é comum nem fácil. Conselheiros viajam…

Quando trabalham, acontece o que está acontecendo no TCU. Dona Dilma pintou e bordou no ano passado com o dinheiro público, tomou emprestado dinheiro do próprio governo (sem devolvê-lo “oportuno tempore”), o que a Constituição Federal proíbe. Resultado: o ministro-relator do TCU apontou o rombo e já anunciou que seu parecer sobre as contas da ilustre “doutora da Unicamp” será pela rejeição, um desviozinho de aproximadamente R$ 80 bilhões, e, por isso, Dona Dilma quer substituir o ministro relator porque ele teria vazado seu voto antes do julgamento, entendimento de terroristas… O ministro relator, ao abrir vista para a defesa, não tem como não dar publicidade do seu parecer. O Tribunal de Contas, Dona Dilma, não é órgão do Judiciário, é de instância administrativa. Assim, essa sua posição não pode ser de uma “mulher sapiens”, melhor é segurar o tchan ou perguntar o que fazer em algum posto Ipiranga…

IMPEACHMENT

E o que representa a rejeição das contas pelo TCU? Representa pouco, só o motivo para instruir o pedido de impeachment…

A reeleição também tem lá suas vantagens: paga quem gastou. Dona Dilma diz que todo mundo faz assim, e nunca o TCU rejeitou as contas de um presidente. Sim, azar o dela se topou com um ministro que estava a fim de trabalhar e meteu o fumo. Agora não adianta chorar. O Executivo da União e o do nosso Estado, colegas de assaltos a bancos em priscas eras, combinaram um procedimento maluco, talvez para mostrar poder: elaboraram seus Orçamentos com déficit, como se isso fosse legal e diferente. Não é nem uma coisa, nem outra… O procedimento teve repercussão negativa e serviu para mostrar que o ex-Luiz, que ainda está solto, não é o único analfabeto do pedaço.

Votei no Aécio sabendo que, dos males, o menor. Mas já imaginaram se ele tivesse sido eleito? Vejam o buraco de tatu em que teria entrado… Estou certo de que Aécio, perdendo a eleição, ganhou. Digo mais, se o país não tem dinheiro, por que patrocinar Olimpíadas?

MAIS UMA PRAÇA

Agora mesmo, a nossa augusta Assembleia vai inaugurar, com um mês de festas, uma praça pública que deveria ser obra da prefeitura. Será que Dona Dilma não acha estranho a Assembleia construir praça para fazer palanque para lançamento de futuras candidaturas? Eu acho.

Candidaturas a tudo, até a papa, se o Chico bobear, estão a pulular pelas praças públicas e nelas corrutelas das Gerais. Nem parece que os mandatos mal começaram.

Sei não, Dona Dilma, abra os olhos, não fique enxergando cachorro sempre que vê uma criança, lembre-se de que o lobisomem que persegue a senhora tem nove dedos e enxerga de noite o que malandro não vê de dia…

One thought on “Aquela praça, aquele banco…

  1. Sr. Newton a farra não pode continuar.., mas,
    Veja que interessante como são esses filhos de políticos famosos.
    Os pais geralmente carregam o Spray de Ética no bolso do palitó para borrifar ética….contra todos áqueles que fazem farra com o dinheiro público.
    Ah, como esses filhos dão um trabalho danado para os pais.
    Esse então, até hoje dá trabalho, agora para a mãe, pois o pai não pode mais prendê-lo, ops, desculpe., repreendê-lo.

    Pesquisei nos achados e perdidos do Estadinho do Cardo$o.

    Consultoria ligada a cartel doou para tucanos
    Empresa de indiciado no escândalo foi a segunda maior doadora da campanha de filho de Covas

    Fausto Macedo, Fernando Gallo, Ricardo Chapola – O Estado de S. Paulo

    SÃO PAULO – A Focco Tecnologia, empresa de ex-diretores da Companhia Paulista de Trens Metropolitanos (CPTM) suspeitos de envolvimento com o cartel metroferroviário em São Paulo, foi a segunda maior doadora da campanha do vereador tucano Mário Covas Neto, o Zuzinha, em 2012.

    A consultoria também deu dinheiro, em menores quantidades, a outros políticos do PSDB na campanha de 2010, que hoje estão no primeiro escalão do governo Geraldo Alckmin (PSDB): o secretário estadual de Meio Ambiente e deputado estadual licenciado Bruno Covas e o secretário estadual de Energia e deputado federal licenciado, José Aníbal.

    Sócios da empresa, os ex-diretores da CPTM João Roberto Zaniboni e Ademir Venâncio de Araújo foram indiciados pela Polícia Federal sob suspeita de corrupção, lavagem de dinheiro, formação de cartel e crime financeiro. Zaniboni foi condenado pela Justiça da Suíça por lavagem de dinheiro.

    A Focco já recebeu R$ 32,9 milhões do governo paulista entre 2010 e 2013 por serviços de consultoria. Ela assinou contratos para “supervisão de projetos” com CPTM, Metrô, Agência Reguladora de Transportes do Estado (Artesp), Secretaria de Transportes Metropolitanos e Empresa Metropolitana de Transportes Urbanos (EMTU).

    A PF aponta Zaniboni e Araújo como “intermediários no pagamento de propinas” para beneficiar cartel no sistema metroferroviário suspeito de atuar nos governos tucanos de Mário Covas, Geraldo Alckmin e José Serra.

    Zuzinha e Bruno Covas são, respectivamente, filho e neto do ex-governador Mário Covas. Este era o governador em 1998, ano em que a multinacional alemã Siemens sustenta ter começado a operar o cartel no setor metroferroviário do Estado. Covas morreu em 2001, foi sucedido pelo então vice, Alckmin, atual governador, que terminou o seu mandato.

    A Focco doou R$ 50 mil para Zuzinha em 2012, ano da primeira campanha do filho de Covas. Era a segunda maior doadora do total de R$ 904,7 mil que o vereador declarou ter recebido. Ele ficou em oitavo lugar nas eleições, com 61 mil votos, e assim conquistou uma das 55 cadeiras do Legislativo municipal.

    Em 2010, a consultoria de Zaniboni e Araújo já havia doado para as campanhas do sobrinho de Zuzinha, Bruno Covas, e de José Aníbal. Bruno acabaria se tornando o deputado estadual mais votado, com 239.150 votos. Ele contou com uma doação de R$ 2 mil, e Aníbal com uma de R$ 4 mil.

    O atual secretário de Energia do Estado ainda recebeu uma doação de R$ 2 mil do consultor Arthur Teixeira, apontado pelo Ministério Público como lobista do cartel. Aníbal foi eleito como o 19.º deputado federal mais bem votado, com 170.957 votos.

    Todos dizem que as doações foram regulares e atenderam às exigências da Justiça Eleitoral.

    Desligamento. Zaniboni e Araújo, sócios da Focco, foram os primeiros agentes públicos a serem indiciados pela Polícia Federal no inquérito que investiga o cartel dos trens – há outros indiciamentos envolvendo o cartel, mas no setor de energia.

    Zaniboni foi diretor de Operações e Manutenção da CPTM entre 1999 e 2003, e Araújo foi diretor de Obras e Engenharia da estatal entre 1999 e 2001. Zaniboni se tornou sócio da Focco em 2008, quando já estava fora da estatal do governo tucano. Após ter seu nome envolvido com o escândalo do cartel, em agosto deste ano, ele deixou a sociedade com Araújo.

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