Armínio Fraga errou! Não é verdade que o país gaste 28% do PIB com a Previdência

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Armínio Fraga disse uma asneira incrível sobre a Previdência

Pedro do Coutto

O ex-presidente do Banco Central, Armínio Fraga, em reportagem de Daiane Costa e Cássia Almeida, edição de ontem de O Globo, disse que o Brasil gasta 28% de seu Produto Interno Bruto com o pagamento de aposentadorias pelo INSS e também pelas aposentadorias e pensões dos funcionários públicos, além de incluir nesse cálculo pagamento dos funcionários em atividade. Para mim, o ex-presidente do Banco Central exagerou na dose. Afinal de contas, o Produto Interno Bruto Brasileiro supera a escala de 6 trilhões de reais.

Projetadas sobre o PIB as despesas com todos esses itens, vamos verificar que o desembolso anual do governo com a folha de salários e a cobertura do déficit do INSS está muito longe de atingir a escala de aproximadamente 2 trilhões de reais.

FAZENDO AS CONTAS – Basta lembrar que recentemente o governo afirmou que o déficit do INSS em 2018 foi de 190 bilhões de reais. É preciso inclusive explicar que esse déficit decorre da diferença entre receita e despesa com o pagamento do INSS. O desembolso foi de 790 bilhões de reais, contra uma receita de 600 bilhões de reais. Daí o déficit apresentado pelo governo.

Não se pode confundir o déficit existente com o encargo total da folha de salários. De mesma forma, não vale a pena exibir a despesa do INSS como um todo isolado, sem incluir a receita. Da maneira equivocado que Armínio Fraga coloca, para os menos avisados pode parecer uma verdade absoluta. Mas no final de contas, não se pode achar que 790 bilhões devam entrar na relação de despesas, sem que também entrem os números da receita.

REDUÇÃO DE JUROS – Na última reunião do Copom, que manteve a taxa Selic em 6,5 ao ano (reportagem de Gabriela Valente, também em O Globo), foi atribuída à reforma da Previdência a redução dos juros cobrados pelo mercado, além de incentivo ao crescimento do PIB. Não vejo como vincular os dois assuntos repousando-os na reforma do sistema previdenciário.

Os juros reais cobrados a empresários e pessoas físicas são fixados pelos bancos, principalmente pelo Itaú, Bradesco e Santander. Quanto ao crescimento econômico, não depende da reforma da Previdência, mas sim da queda do nível de desemprego.

DESINFORMAÇÃO – Vejam os leitores os absurdos que estão povoando a administração brasileira. A desinformação, por exemplo, é um problema crítico para qualquer governo. Vejam só. O ministro Ricardo Salles, do Meio Ambiente, além de não atribuir importância a Chico Mendes, assassinado em 1988, ainda por cima classificou o líder dos trabalhadores como um grileiro atuando na Amazônia.

Demonstrou não ter o mínimo conhecimento da luta de Chico Mendes pelo meio ambiente. A reação veio de todos os lados, inclusive do vice-presidente da República Hamilton Mourão.

“Chico Mendes faz parte da história do Brasil”, destacou o general, respondendo à insignificância cultural do ministro.

 

19 thoughts on “Armínio Fraga errou! Não é verdade que o país gaste 28% do PIB com a Previdência

  1. Armínio Fraga é banqueiro, ele aumenta a previsão dos gastos (desgraças) do País culpando a Previdência Social para justificar aumentos de impostos e a venda de planos da Previdência Privada.

    Agora quem garante a Previdência Privada? Se a atual Previdência Social, administrada pelo governo, os ditos governantes não querem garantir.

    Quem neste país confia nos ditos economistas, políticos e ditos comentaristas?

    • É vidente que começam por onde querem, não por onde realmente precisa. Desnecessário ser um gênio da economia, só ter acompanhado o trajeto sócio-econômico do país. Existem arestas? Existem, mas aparar arestas, sem consertar onde realmente esta errado, é só empurrar o problema com a barriga. O próprio presidente Bolsonaro soltou uma crítica neste sentido no governo Temer.

  2. Conheço o Armindo Fraga, de quando foi correspondente do jornal OGLOBO em Londres. Lembro dele como queridinho da direita, enviado a Londres para as inclusivas negociações do antigo acordo internacional do café. Para mim e toda a elite do jornalismo brasileiro em Londres, ele nunca passou de um oportunista.

    • Concordo. Foi proposital, assim como na era do governo do PSDB onde criava o terrorismo para ferrar com os trabalhadores inventando grandes desordens na economia, com o objetivo de favorecimento aos empresários e banqueiros. Esse é mais um que perdeu a oportunidade de ficar calado.

  3. Excelente artigo, Pedro do Couto acertou na mosca. O que pode acabar com déficit da Previdência, se é que existe, é mais empregos e incentivo aos autônomos a descontar para o INSS.
    O consumo é o maior gerador do progresso e quem mais consome é a classe média para baixo. A classe rica e os de grandes salários, como políticos e a cúpula do judiciário, etc., gastam boa parte do seus salários em Miami, Paris etc. Parece-me que essa reforma da Previdência está usando métodos do FMI, isto é , arrochar o trabalhador..
    Juscelino,quando assumiu o governo para cumprir suas 33 metas foi ao FMI pedir empréstimo. O FMI para dar o empréstimo exigiu que o governo cumprisse uma cartilha de arrocho ao trabalhador. Juscelino deu uma banana ao FMI e disse não vou governar com a fome do povo. Houve inflação, mas Juscelino cumpriu as 33 metas do governo, gerou empregos, o dinheiro circulava e em 5 anos adiantou o Brasil em 50 anos.

  4. Essa mídia tupiniquim e de pensamento hegemônico não aceita jamais o contraditório, qualquer militante de esquerda q se utiliza de uma retórica ambientalista é beatificado. Concordo plenamente com o ministro Ricardo Sales. O Brasil nunca dá importância para os seus verdadeiros heróis. Herói é Chico Mendes, zumbi, Mariele, mariguela,… para ser herói bastante usar as retóricas, as narrativas da esquerda. É muita pobreza intelectual.

  5. Muito bom o conteúdo desse artigo, referindo-se à geração de empregos como fator crucial para o aumento da arrecadação da Previdência.

    Seria de bom alvitre que a Tribuna da Internet fizesse campanhas todos os dias, por meio de seu Editor e de outros articulistas, da importância de se fazer a auditoria da Previdência e da dívida pública antes do início da famigerada reforma da Previdência, que tantos apregoam, mas nada provam da urgência da mesma, com exceção da Economista Maria Lúcia Fattorelli que a contesta com dados e maestria.

  6. Mais uma vez, parabéns Jornalista Pedro do Coutto por sua incansável disposição de analisar os sofismas dos Abutres que querem por suas garras na Previdência Social do Povo Brasileiro.

    O Senhor foi generoso e extremamente elegante ao denominar de “erro” os números apresentados pelo economista Armínio Fraga. Pois, a desfaçatez e falta de respeito – tratar a todos como bobos – demonstrada por esta gente, impõe a todos os cidadãos conscientes dos Direitos e Obrigações da nacionalidade Brasileira, a atitude de tratar com energia a todos que pretendem avançar sobre os poucos Direitos conquistados, com imensos sacrifícios, pelo Povo Brasileiro.

    Por oportuno, me junto ao Senhor Haley Dias Galeotti na sugestão feita à Tribuna da Internet para que faça uma Campanha Diária de Esclarecimentos ao Povo Brasileiro da necessidade de se abortar toda e qualquer tentativa de Reforma da Previdência Social – Regime Geral e Próprio até que se faça uma Auditoria da Previdência Social e da Dívida Pública, com ampla divulgação nacional dos trabalhos produzidos.

  7. CN, lhe fiz uma sugestão para convidar a Prof. Maria Lúcia Fattorelli para ela escrever de forma didática e sucinta aqui na Tribuna sobre a Previdência Social e a dívida Pública.

    Conseguiu algum contato?

    Não encare como cobrança, mas o Presidente voltou e o Paulo Guedes não vai sair do pé dele enquanto não der andamento na reforma.

  8. Não e verdade que Arminio Fraga tenha dito que o Brasil gasta 28% do PIB com previdencia.
    Ele mostrou que a folha de salários dos funcionários ativos (federal, estaduais, municipais, do legislativo e do judiciário) mais o pagamento dos inativos dos setores público e privado representa um gasto de 28% do PIB.

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