Arrogância, petulância e importância, tudo envolvido no mais puro exibicionismo. O presidente da França cai tanto nas pesquisas que não anda nas ruas. O carreirista Sergio Cabral se refugia no sobrenome de Aécio. Valério ganha manchetes, mas fica sem a delação premiada.

Helio Fernandes

O imponente Luís Roberto Barroso, advogado quase ministro do Supremo Tribunal Federal: “Não serei pautado por ninguém. Nem governo, acusados, imprensa ou opinião pública”. Elementar, doutor, mas não precisava vir a público expor o que é obrigatório. Faz parte da rotina de qualquer ministro. Está atirando contra os próprios (futuros) colegas que o receberam tão bem?

Depois, não satisfeito: “No mensalão não aceitarei pressão de ninguém”. Quer dizer que em outros casos pode haver esperança para os que dependerem do seu voto? E deixa no ar do majestoso plenário que alguns ministros sofrem e aceitam pressão?Alguns já disseram, “não ligo para a opinião pública”, mas isso no momento sagrado do voto.

E O ESCRITÓRIO ROBERTO BARROSO?

Devia ter anunciado no mesmo momento o fechamento da fortaleza de advocacia, de onde surgiu e se afirmou, até terminar no mais alto tribunal do país. É lógico que seus associados continuarão, precisam trabalhar. Mas será sempre o escritório Roberto Barroso. Ou não advogarão nos mais altos tribunais? Lógico, o ministro sempre se dará por impedido, não votará em questões de interesse do escritório. Isso é o mínimo.

PS – Barroso: “O Supremo não pode julgar ação penal, só constitucional”. Deixo para examinar depois. Em teoria é isso mesmo, mas advogados sempre se baseiam na Constituição para julgarem do ponto de vista penal ou político. Ou a prática da política é crime de lesa pátria?

O AUDACIOSO RENAN CALHEIROS

Dona Dilma ficou perplexa com a audácia do presidente do Senado. Primeiro, “barrou” o senador Eunicio, convidado dela. Depois, não deixou que ela conduzisse o encontro, tomou conta da situação.

Renan queria exibir seu prestígio e sua força, vetando a MP da redução dos preços da energia. Depois, com toda a arrogância, sem que Dona Dilma pudesse dizer qualquer coisa, afirmou: “Essa decisão faz parte do arsenal de afirmação do Senado. Só votaremos Medidas Provisórias quando chegarem dentro do prazo”.

Até Henrique Eduardo Alves ficou assombrado. Renan não pediu “menos MPs”, como publicaram, e sim afirmou sua firmeza sobre o assunto.

Presidente da República, FHC afirmou publicamente: “Sem Medidas Provisórias não há governabilidade”. Agora, com Renan, MP só se ele quiser. Ou permitir.

CABRAL E O SOBRENOME NEVES

O governador do Estado do Rio não tem candidato fixo para sua sucessão. Intimida Dona Dilma, ameaça com dois palanques no Rio, mas na frente de tudo está seu futuro político. Se quisesse mesmo a vitória de Pezão, deixaria o cargo em março de 2014, o vice assumiria, seria candidato no cargo.

Agora descobriu nova forma de obter resultados: “Posso apoiar Aécio, minha primeira mulher era uma Neves, meu filho também. Sua primeira mulher era Neves, mas tão longe quanto Mangaratiba está da moralidade.

PESQUISA NÃO PUBLICADA NA FRANÇA

O presidente Hollande tomou posse com quase 70% por cento de aprovação. Pesquisa largamente publicada. Agora, ele está pouco acima de 20 por cento, ninguém publica. Mas Hollande está tão impopular que dizem nas ruas, com tradução livre: “O presidente é mais Hollande do que François”.

O ALQUIMISTA ALCKMIN

O governador de São Paulo, cheio de obstáculos para a reeleição, tem um vice-governador, Afif Domingos, que desde já apoia a reeleição de Dona Dilma. Como é vice dele e ministro dela, Alckmin resolveu fazer o teste: se viajasse para o exterior, o que aconteceria?

Alckmin marcou a viagem, nem avisou Afif, era de boa educação e até de elegância. Lógico, Afif soube e mandou que um intermediário desse o recado: “Pode viajar que eu assumo”. Alckmin recebeu o recado, e como era só um teste, pode cancelar a viagem. Tanto faz, nenhuma importância.

QUEM GARANTE MARIN, O SERVO,
SUBMISSO E SERVIÇAL DA DITADURA,
COMO PRESIDENTE DA CBF?

Este Blog foi o primeiro a revelar a participação e o conluio de Marin com a ditadura e com Maluf. Depois vieram mais e mais denúncias sobre o seu passado, ele só se fortaleceu.

O que mostrei: “Foi vice-governador” de Maluf e assumiu quando Maluf se desincompatibilizou”. (Naquela época não havia reeleição).

Depois, Ivo Herzog revelou discurso de Marin elogiando o carrasco Fleury. Agora. O coordenador da Comissão da Verdade, Claudio Fontelles (foi excelente Procurador-Geral), vem a público: “O que Marin fez na ditadura foi horrível”. E não acontece nada, ele continua presidente da CBF. Quem o mantém e o garante?

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PS – Gilberto Carvalho deu longo telefonema para Lula. Nada surpreendente, se falam todo dia. Mas anteontem havia um motivo mais importante, específico e precisando de análise.

PS2 – A declaração pública de Valério, “não aceito delação premiada”. O Secretário-Geral da Presidência foi meio cético, embora confortasse o ex-presidente com a afirmação: “Ele pode falar à vontade, não tem nada para dizer”.

PS3 – Lula não estava mesmo preocupado, ouviu o amigo e representante, respondeu apenas: “Nunca me preocupei com Valério ou qualquer outro. Você sabe que ele quis vir ao Instituto conversar comigo, não tive nem tenho o menor interesse.

PS4 – Ontem, discurso importante de Luiz Henrique, senador de Santa Catarina. Queria ser político, segundo ele, para ser prefeito de sua cidade. Foi. Depois, deputado, governador, senador, atuação exemplar.

PS5 – O Hospital Escola São Francisco de Assis (citado ontem na coluna do Ancelmo, com foto e tudo) tem ainda mais história. Ali ficou preso o deputado e grande orador Mauricio Lacerda.

PS6 – Em 1917, alemães afundaram navios brasileiros na Baía de Guanabara. Mauricio, pai de Carlos, protestou. Fez violento discurso na escadaria do Municipal. O presidente declarou guerra à Alemanha, mandou prendê-lo. Ficou ali no chamado Canal do Mangue.

PS7 –O local só mudou de nome em 1943, quando o grande prefeito Henrique Dodsworth inaugurou a Avenida Presidente Vargas.

PS8 – Já vi semifinais mais emocionantes em Roland Garros, lá mesmo ou pela televisão. Serena Williams venceu a italiana Errani em 46 minutos. O público devia pedir a devolução do dinheiro, as entradas são caras. E o jogo acabou às 8 horas de lá, fazer o quê?

PS9 – A italiana, por esses 46 minutos, garantiu 750 mil dólares (1 milhão e 500 mil reais). Como finalista, Serena já tem 1 milhão e 500 mil dólares. Se for campeã, 2 milhões e 800 mil dólares. (Nem quero transpor para real).

PS10 – Amanhã Serena joga a final contra Sharapova. Nas últimas 36 vezes que entrou em quadra (3 contra a russa), saiu com a vitória. Por que perderia agora?

 

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8 thoughts on “Arrogância, petulância e importância, tudo envolvido no mais puro exibicionismo. O presidente da França cai tanto nas pesquisas que não anda nas ruas. O carreirista Sergio Cabral se refugia no sobrenome de Aécio. Valério ganha manchetes, mas fica sem a delação premiada.

  1. Nenhum chefe de governo hoje, exceto Pepe Mujica do Uruguai, se aventura a andar pelas ruas de seus países. Aqui, Getulio até antes da investida dos integralistas em 37 ainda caminhava do Guanabara, pela ruas Paissandu, Ipiranga, Conde de Baependi, Praça S.Salvador e retornava pela Paissandu até o palácio. Depois de 37, só com Gregório Fortunato acintosamente armado no estribo do carro e apenas pela rua Paissandú em pequeno trecho. Em 1962, Jango ainda podia ser visto ãs vezes de noite no bar do Hotel Novo Mundo, na Praia do Flamendo esquina da rua Silveira Martins. E Costa e Silva foi visto numa corrida noturna no meio da arquibancada social do Jockey Club com não mais que um par de seguranças. Não resistia a um joguinho e particularmente às acumuladas. A propósito de figurões de governos, o Helio deve se lembrar que o ministro da Justiça do Jango, Abelardo Jurema, despachava processos frequentemente na boîte Sachas, entre um gole e outro.

  2. Do Ministro Joaquim Barbosa

    “Somos o único caso de democracia no mundo em que condenados por corrupção legislam contra os juízes que os condenaram. Somos o único caso de democracia no mundo em que as decisões do Supremo Tribunal podem ser mudadas por condenados. Somos o único caso de democracia no mundo em que deputados após condenados assumem cargos e afrontam o Judiciário. Somos o único caso de democracia no mundo em que é possível que condenados façam seus habeas corpus, ou legislem para mudar a lei e serem libertos”.

    (Declaração do Ministro do STF, Joaquim Barbosa, sobre o projeto de submete à aprovação do Congresso as decisões do STF)

    Como diz mestre Helio: Que república!!!
    Barão

  3. Governo petista relativiza o direito de propriedade. Os índios hoje, amanhã os quilombolas, depois de amanhã você.

    O governo petista começa a mostrar as unhas, de novo. Quer achar um jeitinho no gravíssimo problema das demarcações ilegais de terras indigenas, entregando a condução para os causadores dos conflitos. Ontem até mesmo Paulo Maldos, assessor de Gilberto Carvalho, participou da reunião com índios, para com eles discutir soluções. Ele é ex-assessor do CIMI e ex-marido da atual presidente da FUNAI. É presença constante em qualquer lugar onde o direito de propriedade esteja sendo ameaçado pelos tais “movimentos sociais”. Leiam, abaixo, os descaminhos propostos, que atacam a Constituição Federal e que criam categorias de produtores rurais: os de “boa fé” e os de “má fé”.

    O governo estuda duas formas para tentar resolver os litígios entre etnias indígenas e proprietários de terra: compensar índios com outras áreas e permitir a indenização de fazendeiros e colonos em casos de conflito. As medidas foram antecipadas anteontem pela coluna “Painel”, da Folha. Ontem, integrantes do governo e cerca de 50 índios terenas se reuniram no Ministério da Justiça por mais de três horas para discutir a questão em Sidrolândia (MS). Na semana passada, um índio da etnia morreu durante reintegração de posse na fazenda Buriti, que depois foi novamente invadida.

    A avaliação do governo é que a indenização resolveria disputas agrárias em diversas regiões do país. Hoje, por lei, se a União quiser reaver uma área privada para entregá-la a comunidades indígenas, não pode pagar por isso. A única possibilidade de indenização prevista é nos casos de benfeitorias. Para o Executivo, a recompensa financeira ajuda a convencer o proprietário a deixar sua terra, mas tem de ser feita com cuidado.

    Pelo desenho atual da proposta, a indenização só valeria para casos de posses de “boa fé”. A regra, portanto, não contemplaria aqueles que invadiram ou grilaram territórios originariamente indígenas. “Se esse caminho pacifica 90% dos casos, tem que ser o caminho adotado”, disse o secretário nacional de Articulação Social da Presidência da República, Paulo Maldos. O governo buscará o apoio do CNJ (Conselho Nacional de Justiça) para formular um modelo de ressarcimento.

    Outra proposta em estudo é a compensação de áreas aos índios. Também será criado um fórum com integrantes do governo e representantes dos índios e dos fazendeiros. Segundo o ministro José Eduardo Cardozo (Justiça), o fórum será proposto ao CNJ e ao CNMP (Conselho Nacional do Ministério Público).

    Cardozo e Gilberto Carvalho (Secretaria-Geral da Presidência) assinaram um documento em que asseguram a criação do fórum e “investigação isenta” sobre a morte de Oziel Gabriel, 35, ocorrida no confronto com policiais. O cacique terena Antonio Jorge comentou as propostas do governo ao deixar a reunião. “Não estamos 100% satisfeitos. Diria que apenas 50%, mas vamos dar um voto de [confiança]”, afirmou.

    Além do impasse dos terenas, índios mundurucus estão em Brasília pedindo garantias nas tratativas em curso sobre suas terras, no Pará, e sobre os efeitos da construção da usina de Belo Monte. Ontem, mais de 50 índios tentaram entrar na área externa do Palácio do Planalto, mas foram impedidos por seguranças. Eles estavam com arcos e flechas e tacapes, mas foram desarmados. Houve empurra-empurra.

    Descontente com a atuação da Funai (Fundação Nacional do Índio), o governo deve mudar o comando do órgão. A presidente, Marta Azevedo, deixará o cargo. Nos últimos meses, ela tirou licenças médicas. Para seu lugar, uma das favoritas é Maria Augusta Boulitreau Assirati, diretora de Promoção ao Desenvolvimento Sustentável.(Folha de São Paulo)

    do blog Coturno Noturno

  4. Hélio, ficamos sem saber se o STF é suficientemente espaçoso para abrigar o ministro Roberto Barroso e sua monumental “vaidade e tagarelice”.

  5. Fica Mantega! Brincadeirinha…

    Revista The Economist usou de ironia para criticar o governo brasileiro e a condução da economia.
    Seis meses após pedir à presidente Dilma Rousseff que demitisse o ministro da Fazenda Guido Mantega, a revista “The Economist” usou de ironia para pedir novamente a saída do ministro e chamou de medíocre o desempenho da economia brasileira desde 2011.

    Em artigo publicado na edição de ontem, a publicação critica a atual política econômica brasileira e, ironicamente, pede à Dilma que mantenha Mantega a qualquer custo, pois ele “é um sucesso”. Em auto-referência, a revista diz que o recente pedido para demissão de Mantega teve o efeito de torná-lo “indemissível”. “Agora, vamos tentar uma nova tática”.

    De acordo com a revista, a “fórmula de sucesso” do País, iniciada por Fernando Henrique Cardoso e reforçada por Luiz Inácio Lula da Silva em seu primeiro mandato, tem sido abandonada lentamente.

    A publicação britânica critica o avanço dos gastos públicos, a alta da inflação e a ausência de uma meta fiscal clara nos últimos anos.

    Essas políticas, continua, têm deixado os investidores confusos, fazendo com que o País tenha o menor crescimento e a maior inflação do que a maioria dos países da América Latina desde 2011. “A recessão de 2008 e de 2009 fez Lula e Dilma darem de ombros à política econômica liberal e imitar o capitalismo de Estado chinês”, diz o texto da “The Economist”.

    Sinais – Apesar das críticas, o artigo também aponta que nas últimas semanas, o governo brasileiro deu alguns sinais de que está voltando a ter uma política econômica mais clara.
    Para conter a inflação, o Banco Central aumentou a taxa básica de juros, “embora mais aumentos serão necessários para reestabelecer a credibilidade perdida”, destaca a publicação.

    (transcrito do Diário do Comércio)

  6. A fome chinesa por produtos primários

    A China, nação mais populosa do mundo, importará mais carne e oleaginosas na próxima década, fazendo com que a produção não acompanhe o consumo e aumentando, em decorrência, a pressão inflacionária sobre os preços globais. O alerta está no “Panorama Agrícola para 2013 a 2022”, levantamento conjunto da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) e Agência de Segurança Alimentar da ONU (FAO), divulgado ontem.

    Aumento dos custos, crescente escassez de recursos e pressões ambientais cada vez maiores devem dificultar a produção agrícola, cujo crescimento ficará em média a 1,5% entre 2013 e 2022, ante os 2,1% registrados na década anterior, dizem a FAO e a OCDE.

    “O crescimento do consumo chinês ultrapassará ligeiramente a produção, em cerca de 0,3% por ano, similar à tendência da década anterior. Uma maior, porém modesta, abertura do setor agrícola chinês deve acontecer, embora estas perspectivas devam variar por produto.”

    A China já é o maior importador mundial de soja, após tomar a decisão estratégica de terceirizar a produção, principalmente para os EUA. Alguns especialistas estimam que Pequim deve adotar o mesmo procedimento para outros produtos agrícolas de uso intensivo da terra.

    As importações chinesas de carne devem subir em 3% ao ano para 1,7 milhão de toneladas até 2022, impulsionadas por um crescimento na população e na renda. A carne bovina deve se tornar o setor de crescimento mais rápido, à taxa de 7% ao ano, segundo o relatório da OCDE e FAO.

    As importações chinesas de oleaginosas, principalmente para alimentação animal, devem subir 41% no período 2013/2022, para 83 milhões de toneladas, representando 59% do comércio mundial.As importações de cereais destinados à fabricaçção de ração, incluindo milho e cevada, devem atingir 13,2 milhões de toneladas por ano até 2022,
    As importações anuais de trigo devem atingir 2,8 milhões de toneladas até 2022 e as de arroz devem cair para uma média de 1,5 milhão de toneladas por ano na próxima década, à medida que os cidadãos mais capitalizados passarem a consumir mais carne.

    (transcrito do Diário do Comércio)

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