Artigo de Mourão divide políticos: uns apontam falta de autocrítica, outros elogiam diálogo

Apoio de Mourão e pressão internacional revivem regularização ...

Mourão esqueceu de citar Bolsonaro de propósito, diz Joice Hasselmann

Camila Turtelli, Paula Reverbel, Rafael Moraes Moura e Vera Rosa
Estadão

A resposta política ao artigo do vice-presidente da República, general Hamilton Mourão, publicado pelo Estadão nesta quinta-feira, dia 14, se dividiu entre os que cobraram autocrítica do governo federal e entre os que comemoraram o que interpretaram como abertura ao diálogo.

O governador do Espírito Santo, José Renato Casagrande, afirmou que concorda com a necessidade de distensionamento da política, mas faz a ressalva de que o Planalto é “o grande colaborador” do acirramento. “Ele esqueceu de citar o governo federal, o resto ele citou tudo”, afirmou Casagrande, em referência ao trecho do artigo de Mourão em que ele sugere que “governadores, magistrados e legisladores” não têm usado o conhecimento político “de maneira responsável”.

BOLSONARO PROVOCA – “O artigo dele tem coisas importantes, são questões reais, mas o problema todo é que a grande dificuldade, o grande colaborador pelo acirramento da política, pelo estilo dele, é o presidente Jair Bolsonaro”, disse o capixaba. “Hoje mesmo por duas vezes ele provocou os governadores”, acrescentou, em referência às declarações dadas pelo mandatário no cercadinho em frente ao Palácio do Alvorada e em evento virtual da Fiesp (Federação das Indústrias do Estado de São Paulo).

Para Casagrande, seria de grande valor se “o governo federal tivesse uma conversa sincera conosco e coordenasse o trabalho da pandemia”. Ele defendeu que a atitude mais visível sempre é a do líder principal, a quem cabe dar uma demonstração de distensionamento, de diálogo. “Mas o presidente Bolsonaro optou por um estilo de enfrentamento e de choque em todos os assuntos que entram em debate”, lamentou.

MILITARES UNIDOS – Nos bastidores do governo, ministros apoiaram a atitude do general, classificada como uma tentativa de pôr um freio de arrumação na turbulência política e econômica em um momento de esgarçamento das relações entre os Poderes. Fora dali, houve quem observasse, sob reserva, que o movimento de Mourão foi para demonstrar que os militares estão unidos, independentemente do presidente Jair Bolsonaro.

No Supremo Tribunal Federal (STF), magistrados ouvidos pelo Estadão argumentaram que, se a Corte não tivesse concedido autonomia a governadores e prefeitos para a decretação de medidas de isolamento social no enfrentamento à pandemia, o quadro no Brasil estaria muito pior.

Para o ministro Marco Aurélio Mello, Mourão está certo ao pregar o “princípio republicano” da independência e harmonia dos Poderes. “O artigo versa o que venho preconizando há tempos no plenário do Supremo: a necessidade de se ter autocontenção, o minimalismo judicial e o máximo de eficácia da lei, que é elaborada no sentido formal e material pelos representantes do povo brasileiro e pelos representantes dos Estados”, afirmou Marco Aurélio, em sessão no Supremo.

AUTOCRÍTICA – O texto de Mourão sobre a polarização do País foi interpretado por alguns como uma autocrítica, já que, no diagnóstico do vice-presidente, todos os protagonistas da crise se tornaram “incapazes do essencial para enfrentar qualquer problema: sentar à mesa, conversar e debater”. Na avaliação do ex-ministro da Defesa Raul Jungmann, não há subterfúgios aí. “O sujeito oculto desse artigo é a falta de uma liderança nacional capaz de encaminhar a solução para a crise que estamos vivendo”, argumentou Jungmann.

O presidente do Cidadania, Roberto Freire, disse que Mourão age para “respaldar” Bolsonaro, culpando os outros Poderes pela “desgraceira” vivida no Brasil. “É uma tentativa de justificar a escalada autoritária do governo”, afirmou. “Agora Bolsonaro editou a MP da Covardia e está pregando a guerra contra os governadores”, observou ele, em alusão à medida provisória que protege agentes públicos de responsabilização por atos tomados durante a pandemia do coronavírus.

FRENTE DE PARTIDOS – Freire defendeu a construção de uma frente entre partidos para pedir a destituição de Bolsonaro. “Temos de buscar essa articulação para fazer o impeachment”, pregou.

“É importante instalar no Congresso uma CPI para investigar as denúncias feitas pelo ex-ministro da Justiça Sérgio Moro”, emendou, lembrando que o ex-juiz da Lava Jato acusou Bolsonaro de interferência política na Polícia Federal.

O líder da Minoria no Senado, Randolfe Rodrigues (Rede-AP), afirmou, por sua vez, que Mourão demonstrou capacidade de diálogo. “É uma sinalização que mostra que ele está preparado em, sendo o caso, construir no País um governo de transição”, avaliou. Para Randolfe, o artigo do vice-presidente apresentou um programa de governo. “E mais calcado na realidade para que o País possa passar pelo caminho mais seguro até 2022”, resumiu.

ESQUECEU DE PROPÓSITO – Na outra ponta, a líder do PSL na Câmara, Joice Hasselmann (SP), lembrou que Mourão já foi vítima de ataques, nas redes sociais, por parte de apoiadores de Bolsonaro. “Mourão esqueceu quem é o presidente da República de propósito. Ele já foi vítima da gangue bolsonarista e do gabinete do ódio. Então, falou tudo no artigo. Espero que possa, em breve, fazer diferente de Bolsonaro”, afirmou Joice.

Para o cientista político Marco Antonio Teixeira, da FGV, é preciso lembrar que embora muitos interpretem a posição de Mourão como sendo a perspectiva das Forças Armadas, é importante diferenciar os militares que integram o governo daqueles que não integram.

“Os militares que fazem parte do governo não deixam de ser políticos e fazer o que políticos fazem, que é disputar narrativas”, disse. “Lendo o texto, você tem a impressão de que o vice-presidente não faz parte do governo”, ironizou, defendendo a posição de que não se pode argumentar que o problema da falta de diálogo se deve aos outros Poderes.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
A sensação que se tem é de que o governo está sendo tocado pelo general Braga Netto, da Casa Civil, e Mourão está cada vez mais falando como se já fosse presidente. (C.N.)

11 thoughts on “Artigo de Mourão divide políticos: uns apontam falta de autocrítica, outros elogiam diálogo

  1. DE VACAS, OVELHAS, LOBOS E POLÍTICA
    batista filho

    humilde e assertivo
    foi mourão
    – o original –
    que se autonominou
    “vaca fardada”, na política.

    quanta à demais milicada
    – de pijama ou fardada –
    que bate continência
    para um ex-coiteiro
    de criminosos milicianos
    achar que tem amor à pátria
    é pedir pra continuar
    a ser roubado
    tosquiado
    assassinado.

    milico que ombreia tal desgoverno
    de há muito abriu as pernas
    pro crime organizado
    que tem na familícia
    um exemplo acabado.

    não esqueça:
    o poço da ganância
    da perversidade
    e da subserviência
    não tem fundo.
    quando se pensa
    não ter mais como cair
    mergulha-se mais e mais profundo.

    o que aí está
    não é nova
    ou velha política.
    é o compadrio
    e a exploração de sempre.
    teorias e práticas
    perversas e dementes
    que transformam
    em vacas, ovelhas e lobos
    caricaturas de gente.

  2. Quem polarizados o país foi o próprio Bolsonaro.
    Tem artigo mostrando a onda bolsonariana surgindo lá de trás. Na época ele foi no programa SuperPop, inclusive. O discurso todo começo na época.
    Com a lavajato, encontrou a onda e, com o antipetismo, o ambiente perfeito.
    A grande Imprensa e blogs (inclusive a TI – falta a autocrítica) tiveram importante participação.
    Do Golpe de 2016 à eleição em 2018. A vitória da extrema-direita colhida depois de chocado o ovo da serpente.

  3. Eu estou achando isso C.N. Eu suspeito cada vez mais que os milicos de pijama e mamadores de tetas no estado ja decretaram o destino do Bozo, e nao sera nada bom para o mesmo.

  4. Respeitado Sr. pseudônimo Montanha…
    Com a devida vênia.
    Senhor Palocci,Cervero,Brandine, Odebrecht, Léo Pinheiro, e outros reconheceram que dilapitaram o patrimônio público,em benefício próprio e alguns do poder…

    Me desculpa,quem sofreu golpe foi a dona Dilma,quis se livrar dos mercenários do PT,não conseguiu,ficou ilhada,com as mãos amarradas com a máfia do congresso não pode governar.
    Ingênua,tentou o mínimo de aproximação,mas foi engolida pelas pedaladas..
    Dona Dilma cometeu um grande erro ao meu ver, não deveria postular ao segundo mandato. Dilma bateu de frente,contrariou os interesses dos”EMPREENDEDORES”.

    Arrependido todos nós estamos, inclusive VC.

  5. Nada um dia após o outro…

    Monopólio da comunicação,leia-se O Globo do dia 11, sábado assinado pelo ombudsman,Sr Ascânio.

    “É HORA DE PERDOAR O PT, Não é possível olhar o PT,( LULA),e ver só corrupção,o petismo não é sinônimo de roubo como MALUFISMO”.
    KKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKK

    Os,canalhas da ORGANIZAÇÃO,sem pôr ou tirar, é igual ao milicianos e os militantes Chavistas.

    A manobra já está em curso,esvaziar a lava jato do Moro.
    De outra banda,as pesquisa interna aponta crescimento vertiginoso de Ciro Gomes,que ameaça a hegemonia do “PT”. Para sobrevivência da ORGANIZAÇÃO,o porto seguro é o petismo…

    PS: Não duvido que a ORGANIZAÇÃO já tenha acordo com o Chavismo.
    As concessões serão renovadas…
    E só ver o ton,nos telejornais..
    Mas ki barbaridade…

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