As chuvas de verão e a sinfonia da dor e da desgraça

Vicente Limongi Netto

Parte o coração, mas a sinfonia da dor, da desolação, do desespero e da desgraça só cessará um pouco quando as chuvas pararem, dando lugar ao sol, alto, forte e firme e, Deus queira, permanente. Basta de brincar com vidas. É preciso que os governantes deixem de lado, de uma vez por todas, nestas tragédias mais do que anunciadas, as improvisações, a arrogância, a demagogia, a roubalheira e as disputas políticas que revoltam a população. É hora de competência e de agilidade.

Parte do Brasil afunda, diante da inércia dos poderosos, insensíveis ao choro e a aflição dos flagelados. A tragédia nos lembra um Drummond melancólico e às avessas: Chuva que trouxe a lama, que arrastou a terra e a pedra, que desabou nas casas, que destruiu rodovias, que transbordou os rios. A dor dos desabrigados machuca todos nós. A desesperança junta-se a tristeza e ao pavor.

Não existe força capaz de reconfortar quem perdeu o que o ser humano tem de mais precioso, filhos, pai, mãe, irmãos, mulher. De uma só vez. A tormenta dos Deuses enfurecidos atinge e fere o fundo da Alma. É doloroso e desalentador o choro de crianças famintas e com frio. Também cruel o desânimo e a angústria dos adultos revirando nos escombros o que sobrou da destruição.

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