As definies ficaram para hoje

Carlos Chagas

Respeitando a praxe e o regimento, bem como marcando o seu estilo pessoal, a presidente Diilma Rousseff compareceu ontem pela manh ao Supremo Tribunal Federal, pela reabertura dos trabalhos judicirios. No discursou, como alguns aodados chegaram a prever, simplesmente porque no lhe cabia. O presidente da mais alta corte nacional, ministro Cezar Peluso, foi o nico orador, no sendo aberto espao para o Procurador-Geral da Repblica nem para o presidente da Ordem dos Advogados do Brasil, como j aconteceu no passado, at causando certo constrangimento ao ento presidente Lula, que ouviu crticas de corpo presente, impedido de rebat-las. Ficou melhor assim, ontem, com o montono relatrio de Peluso.
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Um nico inusitado registrou-se na ocasio: quando do encerramento de suas palavras, depois de propor um novo pacto federativo, o presidente do Supremo esqueceu o microfone aberto, ouvindo-se claramente o cumprimento de Dilma Rousseff, ao seu lado: no que depender de mim, pode contar comigo.
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O discurso da presidente poder acontecer hoje, quando ela comparecer sesso conjunta do Congresso, levando pessoalmente a mensagem do Executivo ao Legislativo. Dever ler o prembulo do longo documento e, depois, provvel que se dirija aos parlamentares para algumas definies. Mesmo isso, porm, depende de confirmao.
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TROCANDO ESPAO POR TEMPO?
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Demonstrou o PMDB a disposio de no dar murro em ponta de faca. Suas bancadas votaram majoritriamente no deputado Marco Maia, do PT, para presidente da Cmara. Seria bobagem carregarem votos na candidatura alternativa de Sandro Mabel, condenado derrota diante do rolo compressor dos partidos da base oficial. Isso significa a acomodao do PMDB tendncia do palcio do Planalto de recusar ao partido as nomeaes desejadas para o segundo escalo? Nem pensar.

Os lderes peemedebistas trocaram espao por tempo na medida em que se mostram dispostos a dar o troco a Dilma Rousseff, caso no consigam romper a barreira do que chamam de intransigncia dela em negar-lhes os cargos partilhados no governo Lula. Preparam-se, caso necessrio, para retirar apoio aos primeiros projetos de interesse do Executivo que comearo a chegar, com nfase para o reajuste do novo salrio mnimo. Isso, claro, se no forem atendidos nas negociaes que prosseguem com o chefe da Casa Civil, Antnio Palocci. Em suma, a guerra continua, mesmo marcada em sua primeira fase por um recuo do PMDB.
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SAUDADES DAS EMOES
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Foram insossas as sesses da Cmara e do Senado, ontem, pela posse dos eleitos. Mero cumprimento da rotina, com juramentos de respeito Constituio e s instituies democrticas.
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Para quem tem memria e tempo de janela, d saudade daquele clima emocional dos anos cinquenta, com o Congresso ainda no Rio e o pas dividido poltica e ideologicamente aps o suicdio de Getlio Vargas.
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Estvamos em janeiro de 1955 e no palcio Tiradentes tomavam posse os deputados eleitos em outubro do ano anterior. A chamada foi sendo feita e todos repetiam aquilo que seus sucessores de ontem repetiram: assim o prometo, referncia fidelidade Constituio e democracia.
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Quando chegou a vez da bancada do Rio Grande do Sul um jovem deputado, desconhecido da mdia da poca, logo depois de prometer respeitar a Constituio, tomou abruptamente a palavra, dirigindo-se ao presidente da mesa que dirigia os trabalhos. Acenou com o exemplar de um jornal do dia, a Tribuna da Imprensa e indagou se deveria ser aceito o juramento de um outro deputado, ainda no chamado, que pregava o golpe de estado em artigo de primeira pgina. Nome do deputado acusado de golpista, eleito pelo Distrito Federal: Carlos Lacerda. Nome do denunciante: Leonel Brizola.

Para encerrar, registre-se que estavam distanciados, no plenrio, seguindo-se vaias e aplausos de parte a parte, mas nenhum entrevero fsico.
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O RETRATO DA NAO?
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Nunca demais repetir a mxima de que o Congresso o retrato da nao. Nem melhor nem pior do que ela, com representantes de todos os segmentos e categorias sociais. Melhor que seja assim: nem apenas doutos e luminares, nem s malandros e safados. H de tudo, entre deputados e senadores, coisa que explica a presena democrtica do Tiririca, do Romrio e do Pop. Alis, eles tero muito maiores contribuies do que a maioria dos colegas, se conseguirem abrir a alma e o corao.

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