As dimensões da vigarice

Carlos Chagas

Convenhamos, assim não dá. O homem endoidou, a gente só não sabe se foi recentemente ou desde muito. Depois de investir contra a raça negra e contra os homossexuais, o deputado-pastor Marco Feliciano acentuou que Satanás dominava a Comissão de Direitos Humanos da Câmara até o momento em que ele assumiu sua presidência. Agora, revela-se que o indigitado personagem interpretou o assassinato de John Lennon com três tiros como uma vingança do Padre Eterno por terem dito que os Beatles eram mais populares do que Jesus. Assim, um tiro por conta do Filho, outro em nome do Pai e o terceiro para redimir o Espírito Santo. De quebra, acrescentou que foi um anjo de Deus que inverteu o manche do avião que levava os Mamonas Assassinos, causando o desastre que matou o grupo.

Ninguém é obrigado a ter religião ou a acreditar em seus variados dogmas, mas falar o que esse energúmeno vem falando constitui uma agressão à Humanidade. Um escárnio e um acinte às religiões.

Por mais essa, Marco Feliciano deveria ser catapultado da presidência que exerce. Não se trata de proibi-lo de dizer as asneiras que diz. O direito à livre expressão do pensamento custou mas firmou-se entre nós. O problema é a incompatibilidade entre seus conceitos e a condução da Comissão dos Direitos Humanos. Batem de frente quando ele agride a inteligência do semelhante. Que vá pregar na sua paróquia, admite-se. Mas exercer função de garantia dos direitos das minorias, nem pensar.

Só que tem mais. O personagem alimenta, junto a seus asseclas, a hipótese de candidatar-se a presidente da República em 2014 ou, como alternativa, de receber um milhão de votos para sua reeleição como deputado. O pior nessa equação de horror é que na disputa pelo palácio do Planalto, receberá montes de votos, jamais a ponto de eleger-se, mas para inscrever-se como um dos líderes políticos da atualidade. Um dos mais votados para a Câmara, pode ser. A multidão de ingênuos é muito grande, entre os evangélicos. Basta ver como progridem econômica e financeiramente as quadrilhas que fazem de Jesus uma gazua para enriquecer.

Está na hora de providências. Primeiro por parte da Câmara, afastando Marco Feliciano da presidência da Comissão de Direitos Humanos, até mesmo através de processo no Conselho de Ética, cassando-lhe o mandato. Depois, por ação do Ministério Público e do Poder Judiciário, condenando-o por ofensa e injúria a valores fundamentais da Pessoa Humana. Finalmente, por iniciativa do Poder Executivo, deveria ser revista a aberração de que igrejas, quaisquer que sejam, não pagam impostos. Deveriam pagar, como todo cidadão ou empresa que a Receita Federal sufoca e estrangula no mês de abril. É uma fábula o quanto arrecadam em nome de milagres por fazer e de promessas para ingresso num futuro e incerto Reino dos Céus.

Grave também, nessa história macabra, é o posicionamento do PSC, Partido Social Cristão, ao qual pertence o deputado-pastor. Viram, seus lideres, as dimensões da vigarice praticada à sua sombra.

RAZÕES VARIADAS

As chuvas e a falta de chuva podem constituir-se em motivo para a alta no preço dos alimentos, mas não bastam para justificar o clima de exasperação que domina parte do empresariado e seus porta-vozes na mídia. Paranóias à parte, há uma conspiração em marcha para acuar o governo Dilma a ceder diante de uma falsa inflação e praticar os atos que faltam à criação de mais benefícios e vantagens para os mesmos de sempre.

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