As dúvidas sobre a extensão da doença de Lula e os tratamentos utilizados.

Carlos Newton

Sobre o delicado problema de saúde do ex-presidente Lula, não ficou bem claro nas informações passadas pela equipe médica se o tratamento será apenas com quimioterapia e depois complementado com radioterapia, ou se ele será submetido aos dois procedimentos na fase inicial do combate à doença. Hoje, os jornais especulam que a radioterapia será depois da quimioterapia, o que significa um tratamento mais demorado.  

O que se sabe, com certeza, é que a estratégia da equipe médica, a pedido do próprio Lula, foi traçada no sentido não apenas de lhe preservar a vida, mas também de não afetar suas cordas vocais. Justamente por isso, foi afastada a possibilidade de uma cirurgia, tratamento muito mais invasivo. No caso do cantor Jorge Goulart, por exemplo, também operado de câncer na laringe há muitos anos, ele foi submetido à cirurgia, se recuperou muito bem, mas praticamente perdeu a voz.

Conforme já explicamos no sábado aqui no Blog, infelizmente as estatísticas médicas demonstram que o problema do ex-presidente Lula (carcinoma epidermóide) é mais grave do que o câncer que a presidente Dilma Rousseff conseguiu tratar com êxito, que era um linfoma linfático.

Citamos que no caso de Dilma, segundo o hematologista Nelson Hamerschlak, do Hospital Albert Einstein, houve excelente prognóstico, com o câncer sendo detectado muito rapidamente e de um tipo que tem índice de cura variando de 80% a 94%”.

Já a doença de Lula é predominante na idade entre 50 a 70 anos e representa 20% dos casos de câncer de cabeça e pescoço. Quando conduzido adequadamente, é considerado como um dos processos neoplásicos malignos de maior chance de cura, com taxa de 68%, com 32% de insucesso.

No caso de Lula, a maior preocupação é a extensão do tumor. Segundo informações divulgadas pelos jornais, mas ainda não confirmadas pela equipe médica, o tumor na laringe do ex-presidente já teria cerca de 3 cm, ou seja, não estaria apenas em início de formação.

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LULA DEVERIA SE TRATAR NO SUS?

Na Folha de S. Paulo, o colunista Gilberto Dimenstein ficou incomodado e reclamou dos comentaristas que criticam Lula e dizem que ele deve se tratar no SUS. Realmente, esse tipo de comentário nos incomoda, mas eu entendo perfeitamente o que os comentaristas estão dizendo.

Na verdade, eles apenas defendem o óbvio. Todos os cidadãos são iguais, na utopia da nossa bela Constituição cidadã. Só que uns são mais iguais do que os outros, sobretudo no que diz respeito a Educação e Saúde.

A meu ver, para termos uma verdadeira democracia, que realmente ofereça oportunidades iguais a todos, como é a meta de todas as pessoas de boa vontade, Educação e Saúde deveriam ser direitos garantidos a todos pelo poder público.

Mas quem se preocupa com isso, quem se interessa por isso? Quase todos os políticos estão pouco ligando, porque seus filhos estudam nos melhores colégios particulares e a família está coberta pelos melhores planos de saúde, o que significa dizer que estão servidos pelos mais modernos hospitais e tratamentos, enquanto os demais brasileiros estão praticamente abandonados à própria sorte. Por isso, entendo quando saem comentários dizendo que Lula devia se tratar pelo SUS, como fez recentemente a vereadora Heloisa Helena, do PSOL de Maceió, que não usa plano de saúde.

Lembro de uma canção que Roberto Frejat fez quando Cazuza morreu. Diz a letra que “todo mundo é parecido, quando sente dor”. É uma verdade.

E lembrando outra canção, de Haroldo Barbosa e Luiz Reis, que se refere aos problemas das pessoas pobres, a letra diz que “a dor da gente não sai no jornal”. Por isso, poucos políticos se interessam em melhorar as condições do atendimento de saúde aos pobres. Não sai no jornal, ninguém liga. É triste falar sobre isso, mas é a nossa realidade.

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