As más notícias costumam vir apenas de Brasília

Na greve da Volks este mês, a luta do ABC parece ter renascido

Sandra Starling

De férias com minhas netas, nem fiquei sabendo que ganhei no dia do meu aniversário, 16 de janeiro, um baita presente: os metalúrgicos da Volks em São Bernardo do Campo, em greve, conseguiram reverter as 800 demissões com que a empresa desejava premiar seus empregados, depois de ser privilegiada pelo governo federal com subsídios ao longo do primeiro governo Dilma Rousseff. E, pelo que li, foi um trabalho conjunto de várias centrais sindicais, sob a liderança do Sindicato dos Metalúrgicos e a participação massiva dos quase 20 mil operários da fábrica.

Emocionou-me ver cenas que pareciam as de 1978 ou 1980, lá mesmo em São Bernardo do Campo, quando, sob a liderança de Lula, foi quebrada parte da espinha dorsal da ditadura civil e militar, e o país nunca mais foi o mesmo.

Ali nasceu o Partido dos Trabalhadores, que hoje a gente vê enfraquecido neste segundo governo Dilma. As centrais sindicais parecem ensaiar agora a quebra da submissão ao governo e tentam andar por suas próprias pernas. Isso pode levar a construir o sonho da autonomia sindical sem a qual país algum pode se transformar em verdadeira democracia. Movimentos sociais não podem se submeter a governos de plantão. Nenhum movimento pode se deixar confundir com um partido político, qualquer que seja ele. Daí meu entusiasmo por esse dia de derrota da Volks.

DISPENSA IMOTIVADA

Maior ainda fica minha esperança quando leio que várias lideranças do sindicato conseguiram pôr o dedo na ferida e apontar o que precisa ser conquistado realmente no Brasil: o fim da dispensa imotivada. Como já existe em vários países, inclusive no país de origem da própria Volks, a Alemanha. É só não caírem no engodo de pedir a aplicação da Convenção 158 da OIT, porque sobre essa o Supremo já declarou não ser vinculante no Brasil, dada a existência de previsão constitucional de lei complementar para esse fim.

E essa previsão é a que consta do art. 7º, inciso I, da Constituição Federal de 1988: “relação de emprego protegida contra despedida arbitrária ou sem justa causa, nos termos de lei complementar, que preverá indenização compensatória, dentre outros direitos”.

EMENDA DE LULA

O autor dessa emenda, aprovada na Constituinte: o então deputado Luiz Inácio Lula da Silva! Por que não se exigiu dele antes e não se cobra agora de Dilma Rousseff a apresentação de proposta de lei complementar com esse conteúdo?

Afinal, agora, o secretário geral da Presidência da República é um competente conhecedor dos problemas trabalhistas brasileiros e de outros países: ministro Miguel Rossetto. Ele saberá capitanear a discussão para concretizar esse sonho dos trabalhadores brasileiros, debatendo as experiências de outros países e conseguindo elaborar proposta que leve em consideração as peculiaridades de um país onde convivem grandes, médias, pequenas e microempresas – portanto, trabalhadores que demandarão tratamento adequado para não serem massacrados por seus patrões.

A hora é agora, companheiros. (transcrito de O Tempo)

14 thoughts on “As más notícias costumam vir apenas de Brasília

  1. Quero ver a jornalista e toda família ficar 5 dias sem tomar banho.
    Ai vai receber um monte de “ás más notiícias ‘no Estado de Saõ Paulo destruído pelas saúvas franco-tucanas-suiças…..

  2. Essa é a falência que essa quadrilha levou o país !
    “Embaixadas e consulados do Brasil no exterior, que, de um modo geral, enfrentam uma série de dificuldades financeiras desde o meio do ano passado, devem se preparar para um período de seca ainda maior neste 2015. O Ministério das Relações Exteriores (MRE) deve operar, nos próximos 12 meses, com cerca de um terço da verba do ano passado, o que afeta diretamente os custos dos postos em países estrangeiros. De acordo com os dados do Sistema Integrado de Administração Financeira (Siafi), o Itamaraty trabalhou com um orçamento de, aproximadamente, R$ 2,6 bilhões em 2013 e R$ 2,7 bilhões em 2014. Neste ano, porém, a previsão orçamentária passa pouco de R$ 1,193 bilhão.

    A situação é problemática para as 139 embaixadas, 53 consulados-gerais e 11 consulados nacionais mundo afora. Com base em 2013 e 2014, o Itamaraty desembolsa, em média, 65,5% dos recursos totais do ano ao pagamento de despesas dos postos brasileiros no exterior. Mantida a proporção, segundo o Projeto de Lei Orçamentário Anual (PLOA) para 2015, o ministério terá, do R$ 1,193 bilhão previsto, R$ 775 milhões destinados a tais despesas.
    ( Correio Braziliense )

    • sugiro às 139 embaixadas, aos 53 consulados-gerais e aos 11 consulados nacionais mundo afora que vendam, semanalmente, nas cidades ou mesmo nos países onde estão localizados, rifas com produtos verde-amarelecidos, inclusive porções de “petróleo extraído do pré-sal”. o arrecadado com cautelas passadas à população local com certeza daria para a feira hebdomadária.
      é simples …

  3. “Emocionou-me ver cenas que pareciam as de 1978 ou 1980, lá mesmo em São Bernardo do Campo, quando, sob a liderança de Lula, foi quebrada parte da espinha dorsal da ditadura civil e militar, e o país nunca mais foi o mesmo.”

    Errar é humano. Persistir e desejar a recorrência do erro, aí já é estupidez mesmo.

      • Prezado, o caso aqui é a nostalgia da articulista por um dos erros ocorridos em 1979 (juntamente com a famosa greve dos jornalistas e embasada pela Teologia da Libertação – cuja origem remonta ideológica e financeiramente à KGB/STB – endossada no país pela CNBB e suas Comunidades Eclesiais de Base/Pastorais, sacramentada pelo Concilio Vaticano II) e que resultou na formação da maior quadrilha política organizada em partido. Partido este que, não sozinho mas, protagonizou a obliteração da República Federativa do Brasil.

        Oposição ou “movimento de oposição” no Brasil só existiu como sabotadora pra derrubar militares/positivistas quando estes tomaram o poder, seja na época do golpe da proclamação, em 1930 ou em 1964. Fora isso, sempre foi uma oposição de fachada que serviu de pivô – sobretudo de 1994 pra cá – para que, no frigir dos ovos, este próprio partido da satânica estrela verme-lha de cinco pontas chegasse ao poder e estabelecesse todo seu esquema de dominação, em acordo com as diretrizes do FSP e seus velhos simpatizantes ou colaboradores de Moskwa. Até mesmo o fim do regime militar só ocorreu por conveniência de militares e “coronés-painhos” (a – pseudo – direita irracional). É salientável o fato de que Ulysses Guimarães, segundo Miguel Reale Jr em entrevista recente, ainda tenha tentado mudar o quadro e inserir a perspectiva do parlamentarismo, mas a morte lhe interrompeu. O mesmo parlamentarismo repudiado por Leonel Brizola – amado por 9 em cada 10 comentaristas daqui da Tribuna. Passado Sarney, sua efeméride collorida e a fugas lucidez de Itamar Franco, sobrou FHC, o “Fabiano” modelo, o esquerdista no qual ninguém acredita (segundo o próprio), que preparou o terreno pra verme-lhada, ávida, ansiosa e sedenta, fazer do país o seu parque de diversões.

        Oposição no Brasil, com perspectiva de poder, respaldo cultural, intelectual e um plano de governo republicano (e não estatólatra) sempre se resumiu, e por ora continua se resumindo, a indivíduos isolados sem pretensões de cargos políticos. Aqui sempre se confundiu liberdade individual com individualismo, e individualidade com egoísmo. Talvez por razões junguianas, como propunha J.O. de Meira Penna numa época em que o Brasil ainda tinha, de fato, algum futuro. Mas 50 anos de USP, Freyre, Ribeiro, Chicos e Caetanos dizimaram qualquer esperança.

        É como dizem por aí: “os frouxos unidos jamais serão um Indivíduo”. Isto resume o espírito ou inconsciente ‘socialistóide’ brasileiro.

  4. Qual a empresa privada nacional que aguentará manter a folha de pagamento, com as vendas despencando, por culpa única e exclusiva dos governantes, ineptos e ladrões ?
    Quando que essa articulista, Sandra Starling, analisará o problema como um todo ?

    “Ali nasceu o Partido dos Trabalhadores, que hoje a gente vê enfraquecido neste segundo governo Dilma.”
    Enfraquecido só agora ? Só falta dizer que está enfraquecido pela atuação da burguesia. Aliás, historicamente a esquerda culpa os adversários pelos seus fracassos. Mas não reconhecem que a proposta marxista/leninista já é um fracasso em si.

    “Afinal, agora, o secretário geral da Presidência da República é um competente conhecedor dos problemas trabalhistas brasileiros e de outros países: ministro Miguel Rossetto. ”
    Comunista histórico. Nada tem à acrescentar às relações entre patrões e empregados. A tendência é que piorem.

    Eles, esses incomPeTentes, não descansarão enquanto não acabarem com o resto da indústria nacional. Se depender deles, toda empresa nacional deveria ser transformada em Mamadeira de Político (empresa estatal).

    Se perguntar não ofende, quem então vai produzir e sustentar essa camarilha que se adonou da chave do cofre ?

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