As memórias do poeta, quando a chuva enfim chega no interior do Nordeste

Mauro Motta, grande poeta pernambucano

Paulo Peres
Poemas & Canções

O advogado, jornalista, professor, memorialista, cronista, ensaísta e poeta pernambucano Mauro Ramos da Mota e Albuquerque (1911-1984), membro da Academia Brasileira de Letras, no poema “Chuva de Vento”, mostra o que significava a chuva na sua infância no interior, na cidade de Nazaré da Mata.

CHUVA DE VENTO
Mauro Mota

De que distância
chega essa chuva
de asas, tangida
pela ventania?

Vem de que tempo?
Noturna agora
a chuva morta
bate na porta.

(As biqueiras da infância, as lavadeiras
correm, tiram as roupas do varal,
relinchos do cavalo na campina,
tangerinas e banhos no quintal,
potes gorgolejando, tanajuras,
os gansos, a lagoa, o milharal.)

De onde vem essa
chuva trazida
na ventania?

Que rosas fez abrir?
Que cabelos molhou?

Estendo-lhe a mão: a chuva fria.

One thought on “As memórias do poeta, quando a chuva enfim chega no interior do Nordeste

  1. 1) Parabéns ao meu grande conterrâneo…

    2) Licença… TI = Trova Ínclita…
    Estrofe Atualíssima
    Antonio Carlos Rocha

    “Descobri, amigos
    política não é
    paixão, mas sim, razão
    raciocínio
    Ó discernimento !
    Tudo 100%”.

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