As misteriosas mortes de Zuzu Angel e de seu filho Stuart

Jasson de Oliveira Andrade

Em 14 de maio de 1971, o jovem estudante Stuart Edgar Angel Jones foi preso e levado para a Base Aérea do Galeão, por pertencer ao Movimento Revolucionário Oito de Outubro (MR8). Ele era filho da estilista Zuleika Angel Jones, Zuzu Angel, mineira de Curvelo, conhecida internacionalmente, e do americano Norman Jones, portanto, cidadão americano. Constatou-se que Stuart foi torturado e morto.

O preso político Alex Polari escreveu à Zuzu da prisão, relatando as torturas sofridas por seu filho. Na reportagem de Wilson Tosta “Procura-se um morto – 38 anos depois, documentos mostram a luta da mãe Zuzu Angel para denunciar o assassinato do filho pela ditadura, que divulgou cartazes de “Procurado” quando Stuart já estava morto”, publicada no Aliás, Estadão, em 12/5/2013, assim descreveu como se deu a tortura: Stuart foi “arrastado por um jipe com boca perto do cano de descarga do veículo, inalando gás tóxico”.

QUEM É ESSA  MULHER?

Chico Buarque de Holanda compôs para Zuzu a música ‘Angélica’, que diz: “Quem é essa mulher/ que canta sempre esse estribilho/ só queria embalar meu filho/ que mora na escuridão do mar”. Esta letra insinua que Stuart, depois de brutalmente assassinado, foi atirado ao mar. Por este motivo seu corpo até hoje não foi achado. Ana Carolina Acom, em estudo sobre Zuzu, afirma: “Seu corpo [de Stuart], se supõe, foi jogado ao mar como tantos outros”.

Ana Carolina, no mesmo estudo, faz essa revelação: “Zuzu Angel, incansavelmente, fez de tudo para denunciar no Brasil e no Exterior as torturas sofridas por seu filho e a ocultação de seu cadáver. Em desfiles no exterior, denunciou a morte de Stuart para a imprensa estrangeira e para políticos norte-americanos, pois seu filho também tinha cidadania americana, já que seu pai, Nornan Angel Jones, era americano”. Wilson Tosta, autor de “Procura-se um morto”, revelou: “Em 1976, [Zuzu] conseguiu entregar dossiê ao secretário de Estado dos EUA, Henry Kissinger. Morreu pouco depois”.

Adiante o jornalista faz essa surpreendente revelação: “Zuzu sabia que corria muitos riscos e já manifestara seus temores a quem lhe era próximo, chegando a deixar com o compositor Chico Buarque de Hollanda uma mensagem em que afirmava: “Se eu aparecer morta, por acidente ou outro meio, terá sido obra dos assassinos do meu amado filho”.

A MORTE DE ZUZU

Em 14 de abril de 1976, menos de um mês antes do Dia das Mães, depois das 2h, o Karmann Ghia conduzido pela estilista, que acabara de deixar uma festa, derrapou, colidiu com a mureta e capotou, matando-a na saída do Túnel Dois Irmãos – que seria rebatizado, já na democracia, Túnel Zuzu Angel.

Em 1998, a Comissão de Mortos e Desaparecidos Políticos, ao julgar o processo 237/96, e com base no testemunho do advogado Marcos Pires, que declarou ter visto um carro ultrapassar pela esquerda do veículo de Zuzu jogando-o para fora da via, reconheceu que o regime militar foi o responsável pelo assassinato da mãe de Stuart Angel”.

Pelo visto, mãe e filho foram assassinados pela Ditadura Militar. Depois do país democratizado, sem a censura daquela época, tudo se esclareceu. E os crimes não foram escondidos. Pelo contrário. São divulgados até hoje. Recentemente, em 2006, Sérgio Rezende filmou “Zuzu Angel”, interpretada por Patrícia Pillar, atriz global.

(artigo enviado por Sergio Caldieri)

 

This entry was posted in Sem categoria. Bookmark the permalink.

2 thoughts on “As misteriosas mortes de Zuzu Angel e de seu filho Stuart

  1. Nunca estaremos suficientemente inteirados do que realmente aconteceu à família Stuart. A grande estilista, após a morte do filho, comportou-se como heroína.
    Cada artigo nos enriquece de dados que desconhecíamos. Ficamos agradecidos aos articulistas.
    Não há um patriota, não há um lutador contra a ditadura, que não tenha amigos ou conhecidos que se sacrificaram pela causa da restauração democrática.
    No final, aproveitadores conhecidos, delegados nos estados do regime infame continuaram, cinicamente, no poder instaurado pela chamada Nova República!
    Os que ainda vivem — bravos combatentes do bom combate — precisam mostrar aos mais jovens o que significou de sofrimento à família brasileira aquela quadra de trevas, para que nunca mais possa repetir-se!

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *