As perguntas sobre BNDES e Petrobras que Lula tem de responder

Sergio Praça 
Site da Veja

A Polícia Federal pediu que o ex-presidente Luís Inácio Lula da Silva fosse ouvido a respeito do esquema da Petrobras. A decisão é histórica. Nunca antes um ex-presidente foi interpelado sobre supostos atos de corrupção iniciados em seu governo.

O esquema da Petrobras é muito bem resumido pela Polícia Federal. Reproduzo abaixo:

* As maiores construtoras do Brasil são acusadas de pagar vantagens indevidas nos contratos celebrados com pela menos três diretorias da Petrobras;

* Os partidos PP, PMDB e PT, todos da base aliada do governo, são acusados de indicar para assumir tais diretorias nomes previamente cooptados para possibilitar o funcionamento do esquema, em troca de vantagens indevidas;

* O governo federal teria nomeado tais diretores e os mantidos nos cargos por serem indicações de sua base aliada, ou seja, em troca de apoio político;

* Nove ex-ministros são investigados ou citadas como diretamente beneficiados ou como participantes do esquema;

* O esquema teria durado cerca de dez anos.

TRÁFICO DE INFLUÊNCIA

O pedido para ouvir o ex-presidente refere-se exclusivamente ao esquema Petrobras. No entanto, o Ministério Público Federal também investiga Lula por outro tipo de crime. O Núcleo de Combate à Corrupção da Procuradoria da República no Distrito Federal suspeita que Lula possa ter cometido crime de tráfico de influência internacional a favor da Odebrecht em países onde a empresa possui obras financiadas pelo BNDES.

Para esclarecer possíveis ligações entre o BNDES e o esquema da Petrobras, o ex-presidente precisa responder algumas perguntas:

1) Ajudar empresas como Odebrecht a conseguir negócios no exterior – usando para isto a estrutura do governo, mesmo depois de deixar a presidência – tem algum impacto econômico positivo para o Brasil?

2) O favorecimento a empresas brasileiras em negócios internacionais tem algo a ver com a participação de algumas delas no esquema de corrupção da Petrobras?

3) Em outras palavras: o BNDES, assim como a Petrobras, recompensava, com empréstimos impossíveis de conseguir no mercado privado, as empresas do esquema?

4) Um ex-presidente deve ter o direito de utilizar a estrutura do Itamaraty para dar palestras no exterior?

5) É verdade que o senhor disse, certa vez, que gostaria de presidir o BNDES? Por quê?

6) O senhor disse, em entrevista para a jornalista Amanda Rossi, que acha que o BNDES tem que ter a mesma transparência que tem o Banco de Boston, o Itaú e o Bradesco. Mantém essa afirmação mesmo sabendo que o BNDES se mantém com impostos dos cidadãos brasileiros, ao contrário dos bancos privados que o senhor menciona?

5 thoughts on “As perguntas sobre BNDES e Petrobras que Lula tem de responder

  1. Salta aos olhos que é impossível o Sr. Luiz Inácio Lula da Silva dominar áreas tão diferentes de conhecimentos, de tal maneira que tenha sido regiamente pago para dar palestras para diversas instituições dos mais variados ramos, tanto públicas quanto privadas. Uma destas conferências foi proferida (hipoteticamente) em Angola, onde não só a Odebrecht tem obra com empréstimo camarada do BNDES, como o presidente-ditador de Angola é ainda mais corrupto que o próprio Lula, com fortuna em bilhões de dólares no exterior. De qualquer modo, nem mesmo um sábio poderia proferir palestras a ramos tão diferentes da atividade humana. Mas o Instituto Lula afirma que ele proferiu estas palestras e por elas foi remunerado. Esta matéria está hoje na Folha de S. Paulo online. A Polícia Federal poderia também perguntar a Lula qual foi cada assunto, palestra por palestra, para verificar se Lula tem conhecimento de todos os assuntos que supostamente discorreu, ou se a afirmação de ter feito palestras foi apenas uma farsa. Por exemplo: sou médico psiquiatra. Eu não poderia proferir palestra sobre Física Quântica, ao mesmo tempo sobre gerenciamento de bancos para banqueiros interessados ou para proprietários de supermercado. Só Lula consegue esta proeza. Abaixo a relação de assuntos e de palestras que supostamente Lula proferiu, na informação do próprio Instituto Lula:

    ABAD (Associação Brasileira de Atacadistas e Distribuidores de Produtos Industriais)
    Associação de Bancos do México
    Abras (Associação Brasileira de Supermercados)
    ALL América Latina Logística
    Ambev
    Andrade Gutierrez
    Banco Santander
    Bank of America
    BBVA Bancomer
    BTG Pactual
    Camargo Corrêa
    Centro de Estudos Estratégicos de Angola
    CFELG (Centro de Formacion y Estudios en Liderazgo y Gestion – Colômbia)
    Cumbre de Negócios (México)
    Dufry do Brasil
    Elektra
    Endesa
    Gás Natural Fenosa
    Grupo Petrópolis
    Helibrás
    Iberdrola
    IDEA (Argentina)
    INFOGLOBO
    Itaú BBA
    LG
    Lojas Americanas
    Microsoft
    Nestlé
    OAS
    GDF Suez Energy Latin America
    Odebrecht
    Pirelli
    Queiroz Galvão
    Quip
    Revista Voto
    Sinaval
    Telmex
    Telos Empreendimentos Culturais
    Terra Networks
    Tetra Pak
    UTC

    Então, o Lula instrui as Lojas Americanas sobre como fazer negócios, ao Bank of America, associação de Bancos do Mexico , Banco Santander e outros sobre como gerir seus bancos para que deem lucros, às empreiteiras OAS e Queroz Galvão sobre administração de empresas e outras tantas atividades que pagam caro para ouvir o palestrante Lula ! ?

    A divulgação, feita pelo Instituto Lula, é uma resposta à reportagem da revista “Veja” segundo a qual Lula teria recebido R$ 27 milhões por palestras, dos quais R$ 9,85 milhões de empresas investigadas na Operação Lava Jato, que apura corrupção na Petrobras.

    O texto da revista foi escrito com base em um relatório produzido pelo Coaf (Conselho de Controle de Atividades Financeiras), órgão ligado ao Ministério da Fazenda.

  2. Matéria do ESTADÃO hoje, 14.9.2015

    O Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf), órgão de inteligência do Ministério da Fazenda, remeteu ao menos três relatórios diferentes indicando movimentação atípica da empresa do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, a L.I.LS, para investigações diversas do Ministério Público Federal e da Polícia Federal.

    Nos últimos dias, foram encaminhados relatórios não só para a Procuradoria da República no Paraná, base da força-tarefa que conduz a Operação Lava Jato, mas também para investigadores no Rio de Janeiro e no Distrito Federal.

    Em ao menos duas situações, os analistas se depararam com a L.I.L.S, que leva as iniciais do ex-presidente, ao analisarem a movimentação de outras empresas que são suspeitas de irregularidades.

    No fim de semana, a revista Veja revelou a existência de um relatório do Coaf que apontou movimentação de R$ 27 milhões da empresa de Lula entre abril de 2011 e maio de 2015. Desse total, R$ 10 milhões tinham como depositantes empresas investigadas na Operação Lava Jato.
    A L.I.L.S. é a empresa que o ex-presidente usa para receber recursos de palestras, uma das atividades às quais se dedicou após deixar o Palácio do Planalto.

  3. Citando o caso da Petrobras em discurso na Associação Internacional de Procuradores, em Zurique, nesta manhã, o procurador-geral da Suíça, Michael Lauber, se disse “impressionado com a coragem” da luta contra a corrupção no Brasil por parte da Procuradoria Geral da República; “Estamos impressionados pela coragem deles (brasileiros)”, disse; “Eles lutam com convicção e com a certeza de estar fazendo a coisa certa, com o respeito ao estado de direito”, completou, a uma plateia de procuradores do mundo inteiro; o MP suíço colaborou com o Brasil na investigação da Lava Jato ao bloquear mais de US$ 400 milhões relacionados à corrupção; “Sabemos que isso é crucial para levar casos adiante”, comentou Lauber.

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