As redes sociais sepultaram a velha política desde a Primavera Árabe, em 2010, mas os políticos não perceberam

Carlos Newton

Numa velocidade espantosa, o mundo mudou e continua em meteórica mutação, movido pelo tempo real da internet e das redes sociais, que desempenharam papel fundamental nos recentes movimentos contra a ditadura nos países árabes. A propagação da Primavera Árabe, que começou em 2010 na Tunísia, para todo o Norte da África e Oriente Médio. não teria sido a mesma sem os recursos da internet.

Lembrem-se que tudo começou em dezembro de 2010, quando um jovem  tunisiano, Mohamed Bouazizi, impedido de trabalhar como camelô, ateou fogo ao próprio corpo como forma de manifestação contra as condições de vida no país. Ele não sabia, mas o ato desesperado, que terminou com a própria vida, daria consequência à queda do ditador Zine Bem Ali e ao movimento da Primavera Árabe.

Agora, são as redes sociais que organizam, convocam e promovem as manifestações populares que estão despertando a consciência cívica do país em relação ao baixo nível de sua classe política e apodrecimento dos Três Poderes.

MUDA TUDO

Recente pesquisa Datafolha mostra que as chamadas Redes Sociais já se tornaram a  mais influentes instituição do país, com a Imprensa em segundo lugar e a Igreja Católica em terceiro, seguida bem de perto pela Igreja Universal, vejam o crescente poder dos evangélicos, cujas seitas, somadas, já são mais importantes do que a Igreja Católica.

Essa nova configuração muda tudo, tira o poder das mãos das autoridades. Parece um sinal dos tempos, em que a política tradicional sai fora de seu eixo. Os movimentos das redes sociais não cultivam ideologia alguma. São apartidários, pela própria natureza. E reclamam de tudo, principalmente dos problemas dos transportes; da corrupção das elites; das más condições de vida; da injustiça social, da gastança com as obras da Copa e por aí a fora.

A mensagem parece clara: ou as autoridades dos Três Poderes moralizam sua atuação e passam a trabalhar em consonância com o interesse público, ou o processo vai se radicalizar, sem que ninguém possa saber aonde chegaremos.

Não podemos seguir tentando que a miséria absoluta e a riqueza total convivam em harmonia. Isso jamais acontecerá. Já dissemos aqui que o País tem de caminhar para um tipo de sociedade em que a força de trabalho seja mais valorizada. Não pode existir diferença abissal entre o maior salário e o menor salário, é preciso haver uma maior aproximação.

Nesse tipo de sociedade que estamos criando, os jovens sempre terão fortíssimos motivos para se rebelar.  Essa geração que está no poder, na qual me incluo, é mesmo um fracasso.

This entry was posted in Sem categoria. Bookmark the permalink.

6 thoughts on “As redes sociais sepultaram a velha política desde a Primavera Árabe, em 2010, mas os políticos não perceberam

  1. Carlos Newton,

    Análise sóbria e coerente.

    Também me incluo na geração que foi incapaz de mudar.

    Acho que quanto menos metermos o bedelho, será melhor para esses jovens.

    A vantagem deles é que eles conseguem enxergar além das máscaras que aprendemos a cultivar durante anos.

    Eles podem reconhecer se somos realmente aquilo que predicamos.

    E isso é maravilhoso! A base para distinguir o certo do errado. O bem do mal.

  2. Concordo plenamente Sr. Newton. Os movimentos tendem a se acirrar e são sem retorno, isto é: enquanto as reivindicações não forem atendidas os jovens não irão parar. E isto é magnífico; o Brasil está amadurecendo.

    Reforma política, reformas na educação e na saúde, melhoria do transporte público, integração nacional por meio de ferrovias, melhoria da segurança, extinção da corrupção; e mais uma infinidade de reivindicações estão sendo colocadas por essas multidões.

    O Brasil acordou!

  3. O extermínio documentado

    Governo Petista Repete a Ditadura Militar

    Senadora Kátia Abreu

    Líder dos ruralistas ladrões de terras Indígenas.

    Documento que registra extermínio de índios é resgatado após décadas desaparecido

    Relatório de mais de 7 mil páginas que relatam massacres e torturas de índios no interior do país, dado como queimado num incêndio, é encontrado intacto 45 anos depois .
    A expedição percorreu mais de 16 mil quilômetros e visitou mais de 130 postos indígenas onde foram constatados inúmeros crimes e violações aos direitos humanos. O governo ignorou pedido do Relatório Figueiredo para demitir 33 agentes públicos e suspender 17

    Depois de 45 anos desaparecido, um dos documentos mais importantes produzidos pelo Estado brasileiro no último século, o chamado Relatório Figueiredo, que apurou matanças de tribos inteiras, torturas e toda sorte de crueldades praticadas contra indígenas no país principalmente por latifundiários e funcionários do extinto Serviço de Proteção ao Índio (SPI), ressurge quase intacto. Supostamente eliminado em um incêndio no Ministério da Agricultura, ele foi encontrado recentemente no Museu do Índio, no Rio, com mais de 7 mil páginas preservadas e contendo 29 dos 30 tomos originais.
    Em uma das inúmeras passagens brutais do texto, a que o Estado de Minas teve acesso e publica na data em que se comemora o Dia do Índio, um instrumento de tortura apontado como o mais comum nos postos do SPI à época, chamado “tronco”, é descrito da seguinte maneira: “Consistia na trituração dos tornozelos das vítimas, colocadas entre duas estacas enterradas juntas em um ângulo agudo. As extremidades, ligadas por roldanas, eram aproximadas lenta e continuamente”.
    Filho se emociona ao falar do trabalho de investigação feito pelo procurador sobre massacre indígena Atrocidades contra índios ficam sem punição no Brasil
    Entre denúncias de caçadas humanas promovidas com metralhadoras e dinamites atiradas de aviões, inoculações propositais de varíola em povoados isolados e doações de açúcar misturado a estricnina, o texto redigido pelo então procurador Jader de Figueiredo Correia ressuscita incontáveis fantasmas e pode se tornar agora um trunfo para a Comissão da Verdade, que apura violações de direitos humanos cometidas entre 1946 e 1988.

    A investigação, feita em 1967, em plena ditadura, a pedido do então ministro do Interior, Albuquerque Lima, tendo como base comissões parlamentares de inquérito de 1962 e 1963 e denúncias posteriores de deputados, foi o resultado de uma expedição que percorreu mais de 16 mil quilômetros, entrevistou dezenas de agentes do SPI e visitou mais de 130 postos indígenas. Jader de Figueiredo e sua equipe constataram diversos crimes, propuseram a investigação de muitos mais que lhes foram relatados pelos índios, se chocaram com a crueldade e bestialidade de agentes públicos. Ao final, no entanto, o Brasil foi privado da possibilidade de fazer justiça nos anos seguintes. Albuquerque Lima chegou a recomendar a demissão de 33 pessoas do SPI e a suspensão de 17, mas, posteriormente, muitas delas foram inocentadas pela Justiça.

    Os únicos registros do relatório disponíveis até hoje eram os presentes em reportagens publicadas na época de sua conclusão, quando houve uma entrevista coletiva no Ministério do Interior, em março de 1968, para detalhar o que havia sido constatado por Jader e sua equipe. A entrevista teve repercussão internacional, merecendo publicação inclusive em jornais como o New York Times. No entanto, tempos depois da entrevista, o que ocorreu não foi a continuação das investigações, mas a exoneração de funcionários que haviam participado do trabalho. Quem não foi demitido foi trocado de função, numa tentativa de esconder o acontecido. Em 13 de dezembro do mesmo ano o governo militar baixou o Ato Institucional nº 5, restringindo liberdades civis e tornando o regime autoritário mais rígido.

    O vice-presidente do grupo Tortura Nunca Mais de São Paulo e coordenador do Projeto Armazém Memória, Marcelo Zelic, foi quem descobriu o conteúdo do documento até então guardado entre 50 caixas de papelada no Rio de Janeiro. Ele afirma que o Relatório Figueiredo já havia se tornado motivo de preocupação para setores que possivelmente estão envolvidos nas denúncias da época antes de ser achado. “Já tem gente que está tentando desqualificar o relatório, acho que por um forte medo de ele aparecer, as pessoas está criticando o documento sem ter lido”, acusa.

    Suplícios

    O contexto desenvolvimentista da época e o ímpeto por um Brasil moderno encontravam entraves nas aldeias. O documento relata que índios eram tratados como animais e sem a menor compaixão. “É espantoso que existe na estrutura administrativa do país repartição que haja descido a tão baixos padrões de decência. E que haja funcionários públicos cuja bestialidade tenha atingido tais requintes de perversidade. Venderam-se crianças indefesas para servir aos instintos de indivíduos desumanos.

    Torturas contra crianças e adultos.

    Em monstruosos e lentos suplícios”, lamentava Figueiredo. Em outro trecho contundente, o relatório cita chacinas no Maranhão, em que “fazendeiros liquidaram toda uma nação”. Uma CPI chegou a ser instaurada em 1968, mas o país jamais julgou os algozes que ceifaram tribos inteiras e culturas milenares.

  4. Impressionante como o LULADRÃO TARADÃO, que é o culpado de tudo o que estar acontecendo no país, não é nem tocado nos comentários feitos. Esse Sr. é um grande 171 e foi ele quem colocou esse POSTE que hoje estar ai. Ele é responsável sim, além do mais todo o ministério corrupto (39 no total) é de sua responsabilidade, o POSTE pra fazer qualquer coisa tem que ir a São Paulo para pedir autorização. O povo não é BURRO, favor dizer a verdade.

  5. O termo redes sociais está sendo usada erroneamente e sistematicamente pelos mais variados escritores.

    Esclareço que as redes sociais são fenômenos antropológicos, do ser humano, o que é diferente do Facebook, Google+, Twitter e Youtube.

    As redes sociais sempre foram e sempre serão as instituições mais influentes o que ocorre atualmente é que elas estão mais fortalecidas e aproximadas pelas ferramentas da internet.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *