As tentações do capeta

Carlos Chagas

Jesus jejuou  no deserto, sozinho, tendo sido tentado pelo Capeta, que de viva voz prometeu-lhe o mundo e suas riquezas,   se viesse a adorá-lo. É claro que o Salvador recusou e botou o Cão para correr.

Pois é. O coronel Chaves ofereceu um banquete ao presidente Lula, lá na  Venezuela,  comparando-o  a Jesus Cristo,  e soltou a proposta: ele deveria,  como tantos  colegas da América do Sul, aderir ao terceiro mandato. Adorar a permanência eterna no poder.

O Lula ficou sem jeito, sorriu e   calou-se,   aparentemente não aceitando. Mesmo assim, é bom tomar cuidado, porque a tentação apresentada por   Chavez parece mais perigosa do  que a feita a  Jesus. Afinal, nosso presidente não é o Filho de Deus,  ainda que de quando em quando se julgue o Próprio.

Caso Dilma Rousseff não decole, no começo do ano que vem, não faltarão montes de Capetas do PT, PMDB, do empresariado, dos sindicatos  e dos agraciados com o bolsa-família para sugerir sua continuação no governo.   Até porque, a alternativa escolhida por Jesus foi o Calvário…

Zona livre, nas nem tanto

Lembrou o senador José Sarney, semana passada, haver sido de sua autoria a moção aprovada pelas Nações Unidas transformando o Atlântico Sul em zona livre de armas nucleares.

A proposta  envolveu  a proibição de qualquer país dos litorais da   América do Sul e da África de se dedicarem a pesquisas capazes de leva-los à bomba atômica. O principal, porém, referiu-se a deixar o oceano à margem da presença de artefatos iguais aos que  assolam o resto do planeta. Quer dizer, nenhuma bomba atômica poderia  sequer transitar  por essas  águas.

Fazendo a ressalva de que a África do Sul,  antes de Nelson Mandela, andou enveredando por pesquisas atômicas pouco claras, é bom acrescentar, agora, que o Atlântico Sul não anda livre de armas nucleares. Muito pelo contrário.

A Quarta Frota da Marinha de Guerra dos Estados Unidos, recém-formada,  dispõe de porta-aviões, corvetas e submarinos não apenas movidos a energia nuclear, mas, muito pior, com mísseis e  bombas atômicas em seus  paióis.   Estão lá, dizem, para defender a liberdade,  que deve ser a deles. Mas   não deixam   de transitar pelo Atlântico Sul na hora que bem entenderem.  Com a palavra o ex-presidente José Sarney…

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