As trapalhadas de Lula prejudicam e dividem o PT em vários Estados

Carlos Newton

No partido, ninguém tem coragem de enfrentá-lo. Todos sabem que Lula está delirando, acometido por um surto de grandeza e egolatria que parece não ter fim. Nem mesmo a grave doença foi capaz de fazê-lo voltar ao normal, ele continua nas nuvens, achando que é o político mais importante do mundo. E se comporta como um ditador no PT, sem ouvir ninguém, nem mesmo José Dirceu, que foi grande seu mentor quando alçou o voo mais alto, rumo à Presidência da República.

Com o ego sempre inflado, Lula tem decidido tudo sozinho e o PT se vê obrigado a correr atrás das ensandecidas determinações dele, mas nem consegue consertá-las. O resultado é que Lula já conseguiu dividir o partido em vários Estados.

PERNAMBUCO – Uma das crises mais graves ocorre em Recife, onde Lula ordenou que o prefeito petista João da Costa fosse alijado da eleição, impondo o nome do senador Humberto Costa, para agradar ao PSB e abrir uma vaga no Senado para o suplente Joaquim Francisco, um neo-socialista egresso do antigo PFL.

Resultado: o partido está dividido e o prefeito João da Costa tenta conquistar judicialmente o direito à reeleição. A aliança com o PSB foi para o espaço, mas o neo-socialista Joaquim Francisco pode acabar ganhando seis anos no Senado, se Humberto Costa for o candidato e vencer.

RIO GRANDE DO NORTE – Na segunda cidade mais importante do Rio Grande Norte, Mossoró, Lula obrigou o PT a abandonar a candidatura do reitor da Universidade Federal do Semiárido, Josivan Barbosa, para dar apoio à candidatura da deputada estadual Larissa Rosado (PSB-RN) e manter a oligarquia que detém o poder em Mossoró há mais de 40 anos.

Resultado: o partido se dividiu e o apoio à dinastia Rosado será apenas simbólico.

RIO DE JANEIRO – Na ânsia da agradar ao PSB e fortalecer a candidatura de Fernando Haddad em São Paulo, Lula obrigou o PT de Duque da Caxias a abandonar a candidatura da escritora Dalva Lazaroni, que subia nas pesquisas, para apoiar o deputado Alexandre Cardoso (PSB-RJ), que na última vez que disputou a Prefeitura de Caxias teve apenas 3,3% dos votos válidos.

Com isso, abriu-se uma crise no partido, entre as alas do senador Lindhberg Farias, que também quer agradar ao PSB visando à eleição estadual de 2014, e da deputada Benedita da Silva, que apoia a candidatura de Dalva Lazaroni.

AMAPÁ – Ao conduzir solitariamente o acordo com o presidente do PSB, Eduardo Campos, Lula estava tão preocupado com o apoio a Fernando Haddad que esqueceu de cobrar o acordo fechado em 2010 com o então candidato ao governo do Amapá pelo PSB, Camilo Capiberibe, que se comprometeu a apoiar em 2012 o candidato do PT a prefeito de Macapá. Lula não cobrou a fatura e obrigou o PT a apoiar o candidato do PSB, que até agora ninguém nem sabe quem é.

A decisão de Lula abriu grave crise no PT e a deputada federal Dalva Figueiredo abandonou no meio a reunião que homologou a candidatura do PT a vice na chapa do PSB.

MATO GROSSO – Lula também pretendia fazer a Executiva Nacional intervir na capital de Mato Grosso, para que o PT abandonasse a candidatura do vereador Lúdio Cabral e apoiasse o empresário Mauro Mendes, lançado pelo PSB. Da mesma forma como aconteceu em Recife, Mossoró e Duque de Caxias, houve uma resistência tremenda contra o apoio ao PSB.

Como a essa altura o PT já acumulara problemas demais, Lula deixou de fazer pressão e o Diretório de Cuiabá conseguiu confirmar a candidatura de Lúdio Cabral. Foi o único que escapou.

SÃO PAULO – Todas essas intervenções determinadas por Lula em diretórios municipais do PT foram feitas exclusivamente para agradar ao PSB e fazê-lo apoiar Haddad em São Paulo. Lula não mediu esforços, fez tudo sozinho e conseguiu seu intento, porque o PSB paulista comprometeu-se a apoiar o candidato petista, embora na verdade os socialistas não consigam nem mesmo indicar um candidato a vice e se saiba nos bastidores que a maioria do PSB na verdade continua apoiando o tucano José Serra, sem entregar os cargos nos governos Alckmin e Kassab.

Mas o pior mesmo foi a humilhação de Lula diante de Maluf, que o obrigou a ir visitá-lo em sua mansão nos Jardins e ainda contratou fotógrafos para documentar a insólita e desmoralizadora cena. Realmente, isso foi demais. Assim, não há partido que resista.

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