Assentar seu ninho no porão, saída para os tucanos

Carlos Chagas

Deve cuidar-se o senador Aécio Neves. Apesar de eventuais discursos sobre a necessidade de mudanças no perfil do PSDB, que deveria voltar-se para as classes menos favorecidas, a verdade é que a muralha paulista continua a mesma. Mais do que demonstrarem desprezo pela hipótese de  ceder a candidatura presidencial a Minas, os tucanos paulistas  mantém a mesma empáfia de donos da verdade, capazes apenas de impor seu modelo e no máximo de distribuir favores.

O próprio Fernando Henrique não esconde a presunção de trazer do passado a fórmula  para o futuro, apesar de ter sido o  primeiro a estimular Aécio a candidatar-se,  e o partido,  a buscar apoio nas classes C e D. Pura retórica. Geraldo Alckmin, José Serra e penduricalhos continuam se apresentando como detentores da única estratégia capaz de servir ao país, ou seja, de tutelar as maiorias sem dar-lhes voz, apesar de pretenderem seu voto.

Do que o ex-governador de Minas e candidato mais do que provável ao palácio do Planalto é de renovação no partido.  Da importância de surgirem novos líderes em condições de contrabalançar o discurso anacrônico do neoliberalismo dos paulistas.  Não se trata de distribuir benesses e favores às massas, mas de reconhecer-lhes o direito de exigir, impor e até   tomar aquilo que lhes é devido.

Nenhum sucesso obterão o PSDB e o seu quase ungido candidato  enquanto o Grão-Tucanato se  imaginar acima e além da população, instalado num camarote de onde seus cardeais   poderão  distribuir moedas aos que julgam seus subordinados e inferiores. Foi assim que o Lula e o PT viraram o jogo, estimulando a impressão de que as decisões, com eles, viriam de baixo,  sem considerações com o andar de cima. Descer ao porão, assim, nele assentando seu ninho, seria a solução para os tucanos ganharem a eleição. Abrir amplas janelas para voar em seguida seria questão de competência.

CUMPRINDO O PROTOCOLO

Na inauguração, hoje, do novo estádio de futebol de Recife, a presidente Dilma Rousseff e o  governador Eduardo Campos não terão condições para um longo diálogo. Nem para qualquer diálogo. Cumprirão o protocolo, apenas, para satisfação de ambos. O governador jamais reconheceria estar sua pré-candidatura na baixa, fruto da estagnação nos índices das pesquisas. E à presidente não interessaria  tripudiar sobre o indefinido    concorrente, que se não concorrer poderá muito bem bandear-se para algum adversário.

QUADRIÊNIO FERROVIÁRIO?

Os candidatos à presidência da República, a começar pela Dilma,  deveriam ter presente na elaboração de seus planos de governo a importância de maciços investimentos na recuperação da malha ferroviária nacional, dissolvida nas  décadas da conspiração rodoviarista-petrolífera. O leitor não pode esquecer que houve tempo em que se viajava de trem, ou seja, transportava-se carga, também, entre o Rio Grande do Sul e o Rio de Janeiro.

Pelo  interior de São Paulo, como de Minas e do Estado do Rio, as linhas férreas uniam grandes centros e pequenas cidades, quase sem exceção. Virou tudo pó, trilhos e dormentes foram até arrancados para que os trens não retornassem. O resultado aí está: congestionamento das rodovias e fretes cada vez mais caros para transportar de caminhão as parcelas da produção que comboios ferroviários supriam antes. Quem sair primeiro na determinação de investir no setor contará com a má vontade da indústria automobilística e dos barões do petróleo, mas com o agradecimento da população.

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2 thoughts on “Assentar seu ninho no porão, saída para os tucanos

  1. Prezado Carlos Chagas, a situação do PSDB é muito difícil, não tem como fazer oposição
    ao governo do PT, estaria indo contra toda a política de seu próprio partido, pelo fato do
    governo de Lula e Dilma ser a continuação do governo de FHC, com algumas diferenças, mas na
    mesma linha política.

  2. Correto Nelio e acrescento; Aecio nao e sangue novo no Psdb e a questao nao e ser novo ou velho e sim que projeto defendem.Projeto diferente talçves no Psol e Pstu; TALVES.

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