Assessor de Bolsonaro publicava fake news e orquestrava ataques em páginas removidas pelo Facebook

Tercio Tomaz é um dos coordenadores do “Gabinete do Ódio”

Deu no O Globo

Páginas na internet com conteúdo bolsonarista removidas pelo Facebook no último dia 8 tentavam manipular discussões na rede, difundiam fake news e atacavam adversários da família Bolsonaro. O “Fantástico” da TV Globo divulgou neste domingo, dia 2, parte do conteúdo das contas.

Entre os administradores dos perfis está o assessor especial do presidente Jair Bolsonaro, Tércio Tomaz, que trabalha no Palácio do Planalto. Além de uma conta pessoal, o assessor mantinha outras duas, anônimas, chamadas de Bolsonaro News. Tércio é acusado por parlamentares de integrar o gabinete do ódio — grupo suspeito de promover ataques virtuais a desafetos dos Bolsonaro.

ATAQUES – Na página Bolsonaro News, Tércio se dedicou a atacar adversários políticos, principalmente o ex-ministro da Justiça Sérgio Moro. A conta também publicou notícias falsas sobre a pandemia do coronavírus. Na página, o assessor postou um vídeo em que tira de contexto uma entrevista do diretor da Organização Mundial da Saúde (OMS) sobre o isolamento social.

No mesmo dia, Bolsonaro compartilhou o vídeo, dizendo que a OMS defendia a reabertura das cidades. No dia seguinte, foi desmentido pelo diretor da OMS. Segundo o “Fantástico”, a página postou fake news sobre o governador e o prefeito de São Paulo: “João Doria e Bruno Covas mandam abrir covas para imprensa fotografar”.

A investigação apontou que a rede de contas falsas era operada por dois assessores ligados ao deputado federal Eduardo Bolsonaro deles é Eduardo Guimarães, alvo da CPI das Fake News, por ter usado um computador da Câmara dos Deputados pra criar a conta de ataques virtuais Bolsofeios.

REDAÇÕES FICTÍCIAS – O outro assessor é Paulo Eduardo Lopes, o Paulo Chuchu. Ex-policial militar, ele trabalhou no gabinete de Eduardo Bolsonaro até junho. Paulo teve seis contas derrubadas. Quatro se passavam por redações jornalísticas, como The Brazilian Post, The Brazilian Post ABC e Notícias São Bernardo do Campo.

Outro assessor que mantinha pelo menos oito páginas inautênticas era Leonardo Rodrigues de Barros. Ele trabalhava para deputada estadual Alana Passos (PSL), aliada da família Bolsonato. O presidente chegou a gravar um vídeo para uma dessas páginas: “Leonardo, parabéns pela página Bolsonéas. Está fazendo um trabalho excepcional, ficou muito feliz. Estamos juntos, tá ok?”, disse Bolsonaro.

Na página Bolsonéas havia mais fake news sobre a pandemia, culpando governadores e dizendo que a cloroquina cura a Covid-19. O medicamento que não teve a eficácia comprovada. E chamava Sergio Moro de “fofoqueiro”, depois que ele pediu demissão.

DESINFORMAÇÃO – Publicações da Bolsonéas eram as mesmas do site Jogo Político, também criado por Leonardo. As contas do Jogo Político no Facebook e no Instagram foram tiradas do ar. Hoje Leonardo tem pelo menos duas páginas ativas no Facebook, onde compartilha o mesmo tipo de conteúdo.

Postagens feitas por Leonardo eram compartilhadas pela noiva, Vanessa Navarro, assessora do deputado estadual Anderson Moraes (PSL). Sete páginas ligadas a Vanessa foram derrubadas. Os nomes eram parecidos, apesar de pertencerem à mesma pessoa — uma prova, segundo o Facebook, do comportamento enganoso.

ELEIÇÕES – O histórico de postagens mostra uma série de fake news nas eleições de 2018. Na campanha, a página Bolsonaro News disse que a candidata Marina Silva defendia a legalização do aborto, o que não era verdade. Contra Fernando Haddad, são várias postagens que misturam críticas e fake news, como a que vincula o petista a um suposto kit gay.

Bolsonaro e os filhos Eduardo e Flávio e Tércio Tomaz não retornaram ao “Fantástico”. A defesa de Paulo Eduardo Lopes afirmou que ele “jamais administrou qualquer página de conteúdo jornalístico”. O advogado de Leonardo Barros disse que “não há qualquer fundamento” nas investigações.

Alana Passos disse que “não responde por aquilo que servidores publicam em suas redes sociais pessoais”. Vanessa Navarro classificou a exclusão da conta como “atentado à liberdade de expressão”. Anderson Moraes afirmou que a derrubada das páginas configura censura prévia.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG – Tercio Tomaz, um dos coordenadores do Gabinete do Ódio, dissemina ódio e ataques bancado pelo dinheiro público. Começou com uma página nas redes sociais propagando fake news. Logo foi chamado para “assessorar” Carluxo na Câmara do Rio. Foi se integrando ao clã, até chegar a ser um dos responsáveis por cuidar da “imagem de Bolsonaro”. Ocupando um apartamento funcional em Brasília,  o seu salário chega a quase R$ 14 mil por mês. Desde que assumiu o cargo, o assessor já acompanhou o presidente em 15 viagens pelo Brasil.  Em março de 2019, a sua esposa, Bianca Diniz Arnaud, ganhou um cargo no governo e passou a integrar a Coordenação de Saúde do Planalto. O ex-recepcionista de hotel, hoje, tem um papel fundamental no esquema de desinformação presidencial. (Marcelo Copelli)

7 thoughts on “Assessor de Bolsonaro publicava fake news e orquestrava ataques em páginas removidas pelo Facebook

  1. Este governo, desde o início é uma mentira em cima de outra mentira. Seus filhos são mentirosos, assessores idem. E assim vamos passando dias, meses e o mandato todo. Até 2022 creio que milhões de eleitores irão perceber que votaram em um governo de mentiras.

  2. Somente no Brasil um governo paga um servidor público para ter como função ficar tuitando nas redes sociais – e informações falsas – pessoas estas que tem como razão de estarem no governo apenas a experiência na militância nas rede antes e durante as eleições.

  3. O Fantástico falou ontem de forma EXCELENTE sobre a verdadeira quadrilha criminosa que é o “gabinete do ódio” bolsonarista. Assistam e divulguem. É fudamental:

    https://g1.globo.com/fantastico/noticia/2020/08/02/exclusivo-detalhes-ineditos-da-investigacao-do-facebook-que-derrubou-perfis-bolsonaristas.ghtml

    O país não pode mais continuar tolerando a existência desse “gabinete do ódio” bolsonarista, sustentado por todos os contribuintes de impostos no Brasil.

    O que eles praticam são CRIMES, e NÃO liberdade de expressão.

  4. Quando vejo reportagens como essa onde uma rede mundial precisa derrubar tantas contas que fazem ataques a políticos e outras pessoas, que propagam o ódio e a violência .Notícias mentirosas, mostra-se o nível do atual governo, ai os bacanas vem falar de liberdade de expressão nesses termos onde….Como que os doutores defensores do atual governo defendem ou compactuam com tal ato, nosso povo brasileiro é simples e fácil de enganar com essas mentiras, um pequeno caso que acontece no bairro se torna um grande assunto em poucas horas do acontecido, chegando a se perder diante da verdade acontecida,agora imaginem uma notícia postada, por um “doutor” formado na faculdade da enganação, com mestrado na falta de bom senso, mamando nas tetas do governo para propagar aquilo que é de mais nojento a mentira. Fico pensando quais as atribuições, os planejamentos, funções, o que eles desenvolvem nessas salas a não ser o que foi citado acima, isso em nenhum governo do mundo se instalou até hoje principalmente nos porões inusitados de Brasília.

  5. O Governo Bolsonaro tem o “gabinete do ódio”.
    Mas além desse, não se pode esquecer de seu posto Ipiranga da Economia. Ou será o gabinete de “destruição e leilão dos bens públicos”(?)

    • Tudo isso que vocês postaram é real, oportuno e preocupante, mas se vocês tivessem minha experiência de ter vivido uma ditadura após uma guerra civil com um milhão de mortos entre combatentes e perseguidos políticos e o conhecimento das causas que levaram a essa tragédia, estaria tremendo. O cenário na segunda república espanhola em 1936 era similar ao nosso “nos contra eles” atual, com o ódio se acirrando entre direita e esquerda, na denominação de nacionais e republicanos e estourando num golpe de estado e uma guerra sangrenta entre irmãos.
      Indivíduos ou organizações de qualquer matiz que pratiquem propaganda baseada em notícias falsas e ataques a pessoas ou instituições, estão cometendo crime contra a Pátria e num caso de conflito armado, serão responsabilizados e duramente punidos.

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