Até banco clandestino funcionava para operar a corrupção no país

O banco panamenho FPB funcionava ilegalmente no Brasil

Pedro do Coutto

Reportagem de Cleide Carvalho, Renato Onofre e Luigi Poniwass, O Globo edição de sexta-feira, revelou que até um banco clandestino atuava para sustentar a corrupção que invadiu a Petrobrás. Era o FPB Bank, legalmente constituído no Panamá, porém sem autorização para atuar no Brasil. Onde estava a fiscalização que cabia ao Banco Central? Em lugar algum, porque se estivesse atenta não iria permitir a instalação de um banco totalmente clandestino. Apesar da clandestinidade, integrou o esquema de roubos sucessivos na Petrobrás. O FPB agiu para abertura de 44 offshores em diversos países, criadas para receber depósitos originários da avalanche de propinas que submergiu o Brasil nas ondas devastadoras do roubo especializado e claramente orientado por especialistas do setor financeiro. A Polícia Federal classificou a operação de Caça Fantasmas.

Os fantasmas ocultos e também os aparentes afundaram a economia brasileira. Não só em função do dinheiro roubado, que já seria suficiente e arrasador, mas também pelos projetos que a administração pública deixou de realizar por falta dos recursos que foram parar nas mãos e nas contas de ladrões e intermediários. Quanta coisa útil deixou de ser feita, abrindo um caminho sem volta e sem possibilidade de recuperação para a sociedade, a curto prazo.

CORRUPÇÃO INTENSIVA – Tem-se a impressão que os administradores públicos agiam intensamente para roubar e se beneficiar do produto dos roubos, cujos saldos sinistros eram depositados em offshores de diversos paraísos fiscais, como foi o caso do FPB Bank. Se alguém somar as verdadeiras parcelas do descalabro vai encontrar uma quantia que seguramente, nos últimos 10 anos poderá atingir a casa de 1 trilhão de reais. Ou cerca de 300 bilhões de dólares.

Para se ter uma ideia do que representa 1 trilhão de reais, basta dizer que a cifra corresponde acerca de 17% do PIB de nosso país. Isso de um lado. De outro, tal quantia estratosférica daria para pagar os juros anuais que o governo desembolsa para girar sua dívida pública. Basta comparar: os juros custam algo em torno de 400 bilhões de reais a cada 12 meses. Com 1 trilhão, além de cobrir os juros de 2016 por exemplo, o país poderia abater ainda 600 bilhões de sua dívida que se eleva a 2,9 trilhões de reais.

IMOBILISMO DO BC – A surpresa é muito grande. Não apenas em função desses dados comparativos que estou alinhando aqui. Mas em função do imobilismo do Banco Central durante os diversos anos em que o Banco clandestino radicado basicamente no Panamá operou no mercado brasileiro sem sofrer qualquer limitação ou constrangimento.

Não há desculpa para o BC nos governos Lula e Dilma Rousseff, uma vez que seus quadros técnicos são formados por uma elite de técnicos de alto padrão e, portanto,  capacitados para descobrir transações ilegais movimentadas praticamente todos os dias.  Afinal de contas, o Banco Central, que tem o controle do câmbio, tem por obrigação controlar também as remessas de divisas para o exterior.

E isso estava acontecendo, porque, se as remessas e operações respeitassem as leis brasileiras, não havia necessidade de os ladrões instituírem um banco clandestino. Incrível.

4 thoughts on “Até banco clandestino funcionava para operar a corrupção no país

  1. Incrível, tanto o Banco Central não ter detectado a atividade ilegal do Banco panamenho quanto a cifra de um trilhão de reais desviados.

    Só para se ter uma ideia dessa cifra, um trilhão de reais é a quantia suficiente e necessária para o Brasil implementar toda a sua integração nacional através de rodovias, ferrovias, hidrovias e aeroportos, segundo o levantamento da Confederação Nacional de Transportes (CNT).

    Tal fato – o volume de corrupção que atinge o país – faz a gente identificar o nosso país como uma cleptoctacia e coloca em xeque a nossa credibilidade quanto ao futuro do país.

    O Brasil parece ser um país sem solução.

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