Até os generais do Planalto estão prontos para abandonar Bolsonaro, no dia D e hora H

TRIBUNA DA INTERNET | Bolsonaro e os generais pensam (?) que podem governar sem apoio do Congresso

Charge do Duke (dukechargista.com.br)

Carlos Newton

O genial escritor Fernando Sabino criou um personagem muito interessante. Era um velho que refletia muito sobre o mundo e classifica os dias pelas cores que significam. Por exemplo, sexta-feira é sempre azul, porque vai fechando a semana de trabalho; mesmo quando chove, o sábado é sempre amarelo e alegre: o domingo se torna vermelho quando dá praia e tem clássico de futebol: mas a segunda-feira, por mais radiante e ensolarada que seja, como aconteceu ontem, é sempre cinzenta.

Realmente, esta segunda-feira, dia 18, confirmou as observações do velho personagem de Sabino – para o governo, foi um dia absolutamente cinzento, fechado e sufocante, verdadeiramente ameaçador.

A MAIOR DERROTA – No domingo, para desespero do ministro-general Eduardo Pazuello e do presidente-capitão Jair Bolsonaro, a vacinação começou em São Paulo, configurando a maior derrota político-administrativa desse governo.

Durante a semana inteira, o general Pazuello, autoritariamente, repetiu suas sinistras entrevistas do eu sozinho, nas quais apenas ele fala e os jornalistas são mantidos em silêncio. E o general  logístico insistiu nas ameaças, dizendo que o Instituto Butantan tinha de retomar as vacinas compradas pelo governo paulista, entregá-las ao ministério da Saúde e “Ponto!”, com o oficial intendente gosta de finalizar suas ameaças.

Mas ele bateu na porta errada. Vivemos numa democracia e ninguém está ligando para as estrelas cadentes que Pazuello leva ilusoriamente nos ombros. Por isso, as vacinas não foram retomadas e a imunização começou em São Paulo, a contragosto de governo.

NA PORTA ERRADA – O caricato Pazuello, que é da Intendência e nem tem o “physique du rôle” de chefe militar, por cultivar uma obesidade que merece cirurgia bariátrica, bateu na porta errada. Ponto. O Instituto Butantan foi criado pelo célebre imunologista Vital Brazil, um dos mais importantes do mundo e que era brasileiro duas vezes no seu nome, pois se chamava Vital Brazil Mineiro da Campanha, porque nascera na cidade de Campanha, em Minas, perto de Três Corações.

Pretender aprisionar e tiranizar uma instituição como o Butantan, só pode ser iniciativa de uma pessoa que não gira bem da cabeça, uma espécie de general tantan, fantasiado de ministro da Saúde e agindo como Napoleão de hospício.

E o Instituto de Vital Brazil honrou seu cientista fundador e simplesmente desconheceu as ordens, não tomou a menor iniciativa para reaver as vacinas e deixou o general tantan falando sozinho, que é como ele gosta de dar “entrevistas”.

O GOVERNO ACABOU – A segunda-feira cinzenta mostrou que esse governo acabou e ninguém mais está disposto a bater palmas para maluco dançar, como se dizia antigamente.  

O silêncio dos militares que ocupam o Planalto é bastante revelador. Nesses dois anos eles até tentaram ajudar Bolsonaro, mas acabaram se contaminando com as maluquices dele. Hoje, estão entrincheirados no palácio, sem saber o que acontecerá em seguida. E no fim de semana o vice Hamilton Mourão, para disfarçar, deu uma entrevista cabotina tentando apoiar Bolsonaro, quando todos sabem que os dois se odeiam.

A estratégia é errada. Fazer o papel de bom moço, num momento dessa gravidade, pode soar como um comportamento indigno e subalterno, que só depõe contra o caráter de Mourão, que é um general de verdade.

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P.S. –
Hoje é terceira-feira, o dia raiou esverdeado pelas esperanças dos brasileiros, que se animaram com o início da vacinação, já estão pouco ligando para esse governo, sabem que na vida tudo muda e ainda sonham com um futuro melhor, sem presidentes desmiolados nem generais de fancaria. (C.N.)

6 thoughts on “Até os generais do Planalto estão prontos para abandonar Bolsonaro, no dia D e hora H

  1. Após a demissão vergonhosa do Gen. Santos Cruz, os militares e principalmente Mourão e o Gen Cadeirante, perceberam que o capitão continua a ser o mesmo Tenente de outrora. Não entra em forma de jeito nenhum.
    O melhor é contemporizar, evitar entrevistas, só falar amenidades, e trocar de assunto.

  2. O vice-presidente querendo dar uma de bom moço, mostrar que está ao lado do Pinóquio faz papel de bobo, gente maluca não tem cura porque até hoje não se encontrou nenhuma vacina para a loucura. Então vice-presidente, deixe o Pinóquio pirar o quanto quiser, ele não escuta ninguém e adora se perdoar, é o único cara em Pindorama que nunca consegue errar.

  3. Bolsonaro, Minto, Bozo, estelionatário eleitoral ou qualquer outra alcunha, é apenas o Trump Tupiniquin! O filme se repetirá e o final também!
    Texto para rir e para chorar!
    Foi só que li hoje, amigo e grande CN. Mas valeu a pena!

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