At que ponto policiais do Rio esto envolvidos e contaminados pelo crime?

Milton Corra da Costa

Em tempos, jamais vistos, onde um tenente-coronel e um tenente da PM do Rio, dois dos 11 acusados da covarde e brutal morte da juza Patrcia Acioly, esto sendo encaminhados, por determinao judicial, penitencirias de segurana mxima, fora das divisas do Estado, mais um lamentvel e degradante fato envolve policiais no Rio de Janeiro.

Na tera-feira, 13 agentes do estado, sendo 11 policiais militares e dois civis, foram presos, aps longo trabalho de investigao da Subsecretaria de Inteligncia da Secretaria de Segurana, sob a acusao de venda de armas e drogas algumas apreendidas em operaes clandestinas para o prprio trfico. Ou seja, forneciam, em troca da propina, armas ao inimigo traficante para matassem e ferissem os prprios companheiros de profisso durante as incurses policiais legais.

Estarrece tambm o fato de que os bandidos policiais faziam uso de informantes para que indicassem o local de esconderijo dos materiais do crime e, no caso dos policiais militares, pagariam propina (R$ 50,00) a oficiais de servio para que fossem liberados de seus postos, alm de certa quantia, entregue junto reserva de armamento, para que pudessem permanecer com as armas da corporao enquanto fossem, presumivelmente imunes suspeitas, delinquir da forma como melhor lhes conviessse. o que se pode chamar de conluio quase que perfeito entre agentes do estado para a prtica oficializada de crime. Inacreditvel e preocupante, uma vez que envolve policiais de diferentes regies e unidades policiais, fato que pode demonstrar o grau de extenso (alastramento) da contaminao do crime envolvendo o aparelho policial do Estado.

Se somarmos o presente e lamentvel fato a outros recentemente ocorridos, que envolvem policiais do Rio, a exemplo do policial militar (alega em sua defesa encontrar-se em estado etlico) acusado de assalto mo armada no centro do Rio, acrescido ao caso do capito agressor, no interior de uma boate da Ilha do Governador, e do desaparecimento de um cidado na Cidade de Deus, onde dois PMs de uma guarnio policial so os principais suspeitos, alm da execuo sumria (trs tiros de fuzil) de um eletricista na Baixada Fluminense (o corpo carbonizado e o carro incendiado apareceram posteriormente), onde so acusados dois policiais de servio ( um deles foi o autor dos disparos), chegamos concluso que h algo de muito podre no Reino da Dinamarca.

Ainda que tais fatos, estatisticamente, envolvam uma minoria de agentes do estado, num efetivo ativo de aproximadamente 60 mil homens entre policiais civis e militares e somente a PM, neste ano, j excluiu 143 policiais ( a previso at o final do ano pode chegar a 170), o dobro do nmero de excludos em 2010 (85), tais fatos so extremamente preocupantes para os que detm as funes de comando e direo no organismo policial do Rio.

At que ponto agentes do estado, que tm a misso de defesa da sociedade, esto envolvidos com o crime? Qual o grau de contaminao real da polcia do Rio com o banditismo? O que leva um oficial, com a patente de capito, como no caso da boate da Ilha do Governador, com curso de formao de trs anos, doutrinado para as funes de comando e liderana, para dar o exemplo, comportar-se prepotentemente, como autntico vndalo, num ato de extrema covardia contra um jovem cado e indefeso, como mostram as cmeras de circuito interno, onde os agressores parecem ter a convico da lei do mais forte, da supremacia da carteira policial e da impunidade? E o processo de formao do policial militar? Tem falhado em que aspectos?

No h dvida, pois, da necessidade premente de especialistas do tema repensarem a abordagem sobre os fatores comportamentais que conduzem o homem-policial a ser dominado pela fraqueza moral, pelo desvio de conduta, pelo desequilbrio e pela agressividade extrema. H perguntas que precisam se respondidas antes que seja tarde e a rotina do mau comportamento e do mau exemplo se alastre ainda mais.

Que perfil profissiogrfico desejamos para o profissional de polcia? Que tipo de abordagem psicopedaggica (que idia-fora; que valores) deve ser empregada nos cursos de formao e aperfeioamento de policiais que possam introjetar no profissional de polcia a necessidade do comportamento moral e tico ilibados, tornando o homem cada vez mais imune fraqueza moral da corrupo e de outros desvios de conduta? possvel, atravs de estratgia pedaggica especfica, alcanar tal objetivo?

o que o comando das polcias e os estudiosos e profissionais do ramo do estudo da psicologia e da pedagogia precisam descobrir. A sociedade quer e precisa acreditar na sua polcia, mormente num momento to promissor para o Rio com o inovador e criativo modelo das Unidades de Polcia Pacificadora. O processo de contaminao da polcia do Rio preocupa sobremodo e deve ser estudado. Com a palavra os policilogos de planto.

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