Até senador do PT não acha gravações de Renan e Sarney comprometedoras

São opiniões que muita gente aqui tem, diz Humberto Costa

Débora Álvares e Mariana Haubert
Folha

Senadores da base aliada do governo e da oposição avaliam que as gravações envolvendo o presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), e o ex-presidente e ex-senador José Sarney (PMDB-AP) em diálogos com o ex-presidente da Transpetro e ex-senador Sérgio Machado não representam indícios de que os peemedebistas cometeram atos ilícitos.

“A gravação envolvendo Renan é menos grave e comprometedora que a de Romero Jucá (PMDB-RR). Não aparenta que ele esteja querendo criar obstrução à Justiça. Tem coisas que ele fala de insatisfação junto ao Supremo [Tribunal Federal] que, na verdade, são opiniões que muita gente aqui tem”, afirmou o senador Humberto Costa (PT-PE), ex-líder do governo no Senado da presidente afastada Dilma Rousseff.

O petista defendeu que todos os fatos relatados nas conversas sejam investigados.

NEGOCIAR COM O STF

Reportagens da Folha desta quarta (25) mostram que Renan disse a Machado apoiar uma mudança na lei que trata da delação premiada de forma a impedir que um preso se torne delator – procedimento central utilizado pela Operação Lava Jato.

Renan sugeriu que, após enfrentar esse assunto, também poderia “negociar” com membros do STF (Supremo Tribunal Federal) “a transição” de Dilma Rousseff, presidente hoje afastada.

Já Sarney prometeu a Machado que poderia ajudá-lo a evitar que seu caso fosse transferido para a vara do juiz federal Sergio Moro, em Curitiba (PR), mas “sem meter advogado no meio”.

As conversas foram gravadas pelo próprio Machado, que nesta terça-feira fechou um acordo de delação premiada no STF. Renan e o ex-presidente da Transpetro são investigados pela Lava Jato.

POSIÇÕES PÚBLICAS

Para o líder do PMDB, Eunício Oliveira (CE), não há, entre os senadores da sigla, preocupações com as gravações. “O que foi colocado pelo presidente do Senado, é uma posição pública de dizer que havia necessidade de fazer uma movimentação no sentido de que as delações não fossem feitas quando alguém estivesse ainda sob custódia. Essa é uma posição pública que eu mesmo ouvi várias vezes. Então não vejo nenhuma novidade”, disse.

O líder do PSDB, Cássio Cunha Lima (PB), chamou Machado de “cretino” e “bandido da mais alta periculosidade”. “Não há nenhum fato de obstrução, mas opiniões que já foram externadas de forma pública”, disse.

O tucano criticou ainda as referências feitas ao senador Aécio Neves (PSDB-MG) nas gravações. “Ele não apresenta um só fato, muito menos uma prova. Cita o nome de Aécio para tentar passar menos tempo na cadeia. Ele tenta levar outras pessoas para o lugar que está e não sairá: a lama”.

Para Cássio, nenhum governo é capaz de deter o avanço das investigações da Lava Jato. “Por mais que especulem, ela não vai parar”, disse.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
Como se vê, até mesmo o líder do governo Dilma, Humberto Costa (PT-PE), faz uma leitura menos escandalosa das gravações de Renan e Sarney. O diálogo de teor mais grave e disparatado é de Jucá, que realmente parece ter perdido o juízo, como é moda atualmente em Brasília. O mais importante é que a divulgação das gravações não muda nada em relação ao impeachment de Dilma. E o resultado mais palpável é que o Supremo aumentará o rigor contra a corrupção e a Lava Jato sai fortalecida desses episódios. (C.N.)

3 thoughts on “Até senador do PT não acha gravações de Renan e Sarney comprometedoras

  1. Quando Dilma disse que seria “carta fora do baralho” já sabia o jogo que estava sendo jogado. Seu suposto defensor, o honestíssimo Lulla, já tinha avalizado o acordão, entregando sua cabeça numa bandeja. Esse é o golpe a que ela passou a se referir, ficando evidente agora o motivo pelo qual Lulla nunca se engajou entre os denunciantes da farsa.

  2. Para completar seria muito interessante que a Tribuna da Internet divulgue o quadro da votação da alteração da meta fiscal, que todos comentam a ampla maioria alcançada, mas não divulgam os números, muito menos o detalhamento dos votos por blocos ou partidos.

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