Atingir os consumidores

Carlos Chagas

Parte da mídia parece haver acordado, assim como segmentos no Congresso: é preciso mudar a lei, caso se pretenda combater com sucesso o narcotráfico e suas consequencias, com a violência à frente. No caso, não apenas extinguir benefícios penais para os chefões já presos, mas estabelecer restrições aos consumidores. Porque o tráfico só existe porque eles existem. Números divulgados esta semana dão conta de que só de  usuários rotineiros de cocaína, são 870 mil no país inteiro. Multiplique-se pelos que se entregam ao craque, à heroína, a maconha  e sucedâneos.

São vítimas? Claro. Doentes? Também. Merecem cuidados essenciais da sociedade? Sem dúvida.

Mas,  da mesma forma,  são os responsáveis pelo horror que assola não só o Rio de Janeiro, mas a totalidade das grandes cidades e até das pequenas.

Soa como sacrilégio falar em isolá-los, quanto mais em puni-los, em especial nessa hora em que sociólogos de plantão falam em descriminalizar a droga. Mas alguma coisa precisa ser feita, caso contrário o tráfico e o crime organizado logo se transformarão na maior multinacional de todos os tempos.  Basta atentar para o fato de que a grande maioria dos consumidores recebe o pó a domicilio. Nem precisam arriscar-se a freqüentar a subida dos morros e a periferia das favelas. Aviões de toda espécie, até menores de idade, encarregam-se da distribuição.

Fala-se muito que os serviços de  inteligência devem superar a repressão, na luta contra os traficantes. Fica difícil supor que as polícias do Rio e outras capitais ignorem como a droga é espalhada,  de onde sai e para onde vai. Como chega, também, vinda do exterior.

A barreira para impedir ações cirúrgicas contra a operação do tráfico  situa-se no consumidor,  no coitadinho que segundo a legislação atual  não pode ser incomodado e deve permanecer livre para cheirar. Dar e receber tiros dos traficantes não resolve.  É preciso identificar   os consumidores. E constrangê-los a não  consumir, seja  através da exposição pública,  do tratamento e até do isolamento. Mesmo que boa parte deles pertença à classe média alta e até às elites.

Pode ser que o Congresso acorde, não apenas restringindo benefícios dos chefões do crime já presos, mas estabelecendo mecanismos que atinjam diretamente os consumidores.

Me engana que eu gosto

Divulga o Banco Central estarem os juros em baixa, na ordem de 8.75% ao ano como base da remuneração dos títulos públicos. Não é isso que as empresas pagam quando vão buscar dinheiro nos bancos. A média fica em 30%, apesar de o BNDES emprestar, a longo prazo, a 6% anuais.

Mesmo assim, esse é o mundo da fantasia, onde se comemora a queda de uns poucos percentuais. O cidadão comum que caiu na desgraça de entrar no cheque especial paga 132% ao sistema bancário. Pior ainda para o que abusou do cartão de crédito: 230%, também ao ano.

Convenhamos, assim não dá. De Fernando Henrique Cardoso a Luiz Inácio da Silva, de Dilma Rousseff a José Serra, foi e continuará sendo   a mesma coisa: me engana que eu gosto…

Não votam mais nada

Até o final dos trabalhos deste ano, o Congresso não votará mais nada importante. A reforma política deixou de prender as atenções a partir do primeiro dia de outubro, porque qualquer alteração nas regras do jogo não valeria para as eleições do ano que vem, no período de um ano anterior  a elas.

Como a CPI da Petrobrás parece ter saído pelo ralo, e a do MST ficará para 2010, a impressão é de que o ano legislativo acabou.  Mais um argumento para a antecipação das campanhas eleitorais, envolvendo não só a presidência da República, mas os governos estaduais.  Parece difícil que o presidente Lula consiga acertar a aliança PT-PMDB em todos os estados, mas vai dedicar-se à tarefa com ímpeto renovado.  Quanto a Dilma Rousseff, deve ficar  fora das negociações estaduais, para não desgastar-se, aproveitando para exposições cada vez mais explícitas de sua candidatura, mesmo sob o argumento de vistoriar obras do PAC.

Aliança feminina

Quando a senadora Marina Silva retornar dos Estados Unidos, deverá avançar na aliança com a ex-senadora Heloísa Helena, quer dizer, o PV e o PSOL correrão juntos na próxima sucessão. Heloísa parece disposta a abrir mão de sua candidatura, apoiando a colega e lançando-se ao Senado por Alagoas. Avolumam-se as informações de que o senador Fernando Collor disputará o governo do estado. Falta acertar com o PT,  mas mesmo sem o apoio dos companheiros, o ex-presidente da República vai disputar.

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