Ato público no Rio contra o escândalo do auxílio moradia para juízes.

Os coordenadores do Sind-Justiça foram convocados para uma conversa emergencial, recebidos por um juiz e um desembargador ligados à Administração. Durante 3 horas, os coordenadores José Carlos Arruda e Alzimar Andrade ouviram dos magistrados que a realização do protesto prejudicaria a aprovação do auxílio moradia e isso causaria irritação nos magistrados que esperam por esse auxílio.

Os coordenadores explicaram que não se trata de um ato contra magistrados, mas contra a aprovação de um imoral auxílio moradia, no valor de aproximadamente 5 mil reais por magistrado e com retroatividade de 10 anos, o que importará no pagamento de cerca de 600 mil para cada magistrado, num prejuízo de mais de 400 milhões de reais num orçamento que, segundo o discurso oficial, começou deficitário nesse ano e nos últimos anos só permitiu reajustes abaixo da inflação para os servidores.

O desembargador informou que a entrevista publicada no Jornal O Dia, em que a presidente teria afirmado que a retroatividade seria de 10 anos, está errada e que não foi a presidente quem disse isso. Perguntamos então porque ela não desmentiu ou enviou nota ao jornal para desfazer a “distorção” e fomos informados de que ela não o fez porque “não vale a pena brigar com jornal.”

SEM COMPROVAÇÃO

O Sindicato se dispôs então a desfazer o mal-entendido. Solicitamos que nos fornecessem cópia do anteprojeto, para que pudéssemos publicar em nosso site a real versão do mesmo, provando que não havia previsão de retroatividade de 10 anos. Eles disseram que isso não seria possível. Assim, só temos a versão não desmentida da presidente, em jornal de grande circulação, de que irá retroagir o auxílio a 10 anos.

Informaram ao sindicato que o auxílio será aprovado de qualquer jeito. Informamos, mais uma vez, que não estamos lutando contra magistrados, mas em favor de um orçamento que é de todos e que, na eventualidade de ser aprovado esse auxílio, o impacto financeiro seria de tal porte que não sobraria um centavo para os servidores. Essa é a nossa luta e a nossa preocupação.

Propusemos que o auxílio moradia seja então reduzido, retirando-se a retroatividade, que não faz sentido, e que a diferença seja utilizada com os servidores, pagando o sonhado auxílio-educação para todos, magistrados e servidores, e convocando novos concursados, já que a vacância atual supera 1.800 servidores no quadro. A resposta foi negativa, alegando que podemos, futuramente, discutir o assunto. Perguntamos se podíamos divulgar que havia uma garantia em relação aos temas, mas foi respondido que a única garantia era de que haveria reuniões futuras para discutir o assunto. Ou seja, garantia nenhuma.

GLOBO MUDA TEXTO DO SINDICATO

A Coordenação Colegiada do Sind-Justiça havia deliberado que anunciaríamos na grande mídia o ato do desta quinta-feira(11/04), para dar visibilidade à sociedade da tentativa de aprovação de um auxílio moradia com retroatividade de dez anos, o que é imoral e inoportuno. Durante os últimos dias, estivemos negociando com os 3 grandes jornais do Estado: O Globo, Extra e O Dia.

Contratamos os 3, pagando 14 mil reais pela publicação no jornal O Globo, 10 mil no extra e 14 mil no jornal O Dia. Encaminhamos o nosso texto aos três jornais, para ser publicado hoje.
Na noite de ontem, recebemos ligação do jornal O Globo, comunicando que o texto que encaminhamos não foi aprovado, mesmo após termos feito várias alteração a pedido do jornal, e que estavam remetendo nova versão do texto, elaborada pelo próprio jornal (?). O texto encaminhado pelo Globo não tinha nada a ver com o texto original, tendo sido reduzido a u m quarto do original e com mudanças de todas as palavras, suavizando e dando a entender que é um ato por pauta interna. No entanto, o preço seria mantido (24 mil reais para os dois jornais).

Obviamente, tivemos de desfazer a publicação e lamentar a interferência do jornal O Globo. De qualquer forma, o Extra publicou uma notinha na Coluna do Servidor, do Djalma Oliveira (pág. 17 da edição de hoje). O jornal O Dia publicou a nota na íntegra.

O Sindicato dos Servidores do Poder Judiciário do Rio e Janeiro (Sind-Justiça) fará esta quinta-feira (11/04), um ato público em defesa da categoria. A manifestação será das 17h às 19h, em frente ao Fórum Central da Capital, na Avenida Erasmo Braga 115, no Centro. Os sindicalistas vão pedir a convocação de novos concursados e protestar contra o projeto de criação de um auxílio-moradia de R$ 5.400 para os magistrados.

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