Aturdida, a mídia global tenta entender a crise política brasileira

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Charge do Duke (dukechargista.com.br)

Marcos Troyjo
Folha

Por mais que ocupe, desde os anos 1970, posição entre as dez maiores economias e represente grande peso relativo em sua região, o Brasil não é figura frequente na imprensa internacional. Claro que a atenção se expandiu em 2010, quando o PIB do país cresceu 7,6%, em meio à grande recessão que assolava EUA e Europa, no que muitos enxergaram um “segundo milagre econômico brasileiro”.

Multiplicou-se também a exposição do país nas coberturas associadas aos megaeventos esportivos que o Brasil sediou. Mesmo assim, por vezes outros latino-americanos, como Colômbia ou Cuba, rendem mais espaço na mídia jornalística mundial.

Extensos editoriais – Nesse contexto, ganha especial relevância notar que nestes últimos cinco dias alguns dos gigantes da opinião pública planetária, como The Economist, Financial Times e Washington Post, devotaram extensos editoriais ao drama político nacional. Nas avaliações, há ao menos três pontos constantes.

Primeiro: a ideia de que, com Temer ao comando, o Brasil não se encontra “sob nova direção”. O PMDB, ao amparar os anos Lula-Dilma, não apenas teria deixado as digitais na má gestão macroeconômica, mas também no desfrute das recompensas que o capitalismo de Estado brasileiro conferiu à coalizão governamental.

Nesse aspecto, se Temer conseguiu distanciar-se da incompetência na administração da política econômica, o fez menos por convicção e mais por imposição da realidade. Temer e seu PMDB poderiam ter abraçado parâmetros presentes no resumo “Ponte para o Futuro” em qualquer momento dos últimos 20 anos. Fizeram-no apenas em 2015/2016 pois a dura situação do país assim exigiu.

PASSADO SÓRDIDO – No caso da Lava Jato – luz que se lança sobre a penumbra da economia de compadrio brasileira– ficou mais difícil romper com o passado recente, o que veio nítida e dramaticamente à tona nas últimas duas semanas. O editorial da The Economist sugere que a chegada de Temer ao poder não representou jamais “claro rompimento com um passado sórdido”.

Segundo: a noção de que muitos escândalos elucidados pela Lava Jato são símbolo do fortalecimento das instituições no Brasil. Ainda assim, o Washington Post defende que, caso o país mergulhe num caos político antes da aprovação de algumas reformas estruturais, de pouco terá valido todo o processo de depuração política que emerge das investigações na Petrobras ou na seletivamente generosa política de favorecimento a empresas “campeãs nacionais” por parte do BNDES.

O QUE IMPORTA – Deriva dessa percepção a certeza, esposada nas três publicações, de que as reformas, e não as pessoas que dirigem o país, são o que realmente importa entre agora e as eleições presidenciais de 2018.

Terceiro – e último: o Brasil tem de embarcar numa reforma política que permita à população, como aponta o Financial Times, saber que suas elites estão menos preocupadas em evitar a cadeia e mais voltadas a governar o país.

Aqui, claro, fala-se de todo o espectro político, em patente alusão ao PSDB e outras forças de oposição à aliança de poder que comandou o país de 2003 a 2016. Enquanto isso não ocorrer, a economia, ainda que com pontuais sinais de melhora, continuará refém da política no Brasil.

9 thoughts on “Aturdida, a mídia global tenta entender a crise política brasileira

  1. Dizer que a crise é “política” é eufemismo para não dizer que a crise é policial, criminal, legal, mafiosa, criminosa, … e que são os bandidos (e não políticos – deve existir algum na Praça dos Três Poderes, mesmo que seja no STF…) que estão conduzindo o presente e o futuro do país.

  2. Caro CN … Saudações!

    Chega à Mídia Global o Treino do Juízo Final … se é final é para todo mundo, né??? não é só para Pindorama, não kkk KKK kkk

    Algumas observações:
    1 – O PMDB não poderia aplicar Ponte para o Futuro antes de agora … foram anos e anos de gastança às custas de vender títulos públicos!
    2 – Nunca houve COALIZÃO governamental, nem agora há – é mais ou menos!
    3 – Houve mudança sim … até agora não se comprovaram as denúncias de favorecimento a ninguém … nem no caso da gravação!

    Abração!

  3. O PMDB, quando não governo, sempre esteve ao lado dos governos, participou inteiramente do governo do PT, então, é tão responsável pela roubalheira quanto o PT.
    Detalhe: no caso da gravação do Temer pelo Joesley. ficou evidenciado pela confissão do próprio Joesley, que os irmãos Batistas cometeram muitos crimes , que se penalizados, talvez desse mais de 100 a os de cadeia..

  4. Esperar retidão do PSDB, PMDB e PT é uma ilusão. Estes três partidos são farinha do mesmo saco e o histórico dos mesmos não trás esperança nenhuma de melhora ao País. A lista de escândalos, onde estas entidades estão envolvidas, é escandalosa.

  5. A resposta é simples. No Brasil, as mazelas são sempre jogadas nas costas do povo. Não importa o partido de plantão. Deste modo, como criar um mercado interno estável ? Os grandes devedores estão ai, livres e faceiros e o povo escalado para pagar a mula roubada. As reformas propostas que o digam.

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