Audácia, mais audácia e sempre audácia

Carlos Chagas

Multiplicam-se as  queixas e os lamentos da indústria, a ponto de estar sendo lançado hoje pela presidente Dilma um novo plano destinado a revigorar o setor. Faz muito que acendeu a luz amarela no semáforo das classes produtoras,  por conta do  crescimento de  nossas exportações  de produtos primários e da importação de manufaturados. Mesmo salutares os incentivos e a diminuição de taxas para exportação,  essa nova política  não passa de um  paliativo. Seria necessário audácia. E mais audácia, sempre audácia,  para nos livrarmos da sombra de eterno país secundário.  A solução repousa  em nossa própria fraqueza, se transformada em força.

Pode o mundo passar sem nossos produtos primários de exportação? Sem soja, minério de ferro, açucar, café, carne, etanol e companhia? Não.

Podemos nós passar sem bujingangas variadas, daquelas que tornam mais fácil a vida do cidadão privilegiado,   jamais   essenciais para a grande maioria? Sim.

Com essas cartas na mesa  podemos jogar. Por que não taxar rigorosamente os produtos industrializados que vem de fora,  o  supérfluo que entra em ritmo cada vez maior em nossas fronteiras,  responsável pela queda de nossa indústria, a criação de  empregos lá  fora e o desemprego aqui dentro? A recíproca não será verdadeira porque se aumentarem na mesma proporção as barreiras alfandegárias diante nossos produtos primários, terão prejuízo muito maior. Não podem viver sem o que exportamos, ao passo em que sobreviveremos sem o que importamos.   Seria até um incentivo à recuperação industrial brasileira e à criatividade nacional.

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CONTRA A NATUREZA

Com todo o respeito,  fica difícil aceitar os argumentos de associações de magistrados em favor dos 60 dias de férias para juízes e integrantes dos tribunais superiores. Por certo que muitos utilizarão o período para atualizar-se com a ciência jurídica e botar em dia o injusto acúmulo de processos sob sua responsabilidade. Mesmo assim,  60 dias constituem  um privilégio, se para a imensa maioria de trabalhadores são concedidos 30.

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A RESPEITO DE IMPOSTOS

Houve tempo em que no mundo dito civilizado prevalecia canhestro raciocínio: “quem trabalha que pague impostos; nós não devemos pagar,  porque não trabalhamos”. Foi por aí que emergiram a Revolução Francesa e outros movimentos gerados pela indignação universal. O problema é que as elites não se emendam. A nobreza de sangue saiu pelo ralo, mas entrou em campo a nobreza do dinheiro, adaptando privilégios e obtendo novos espaços para diferenciar-se do conjunto.

Exemplo melhor não se encontrará diante do que acontece nos Estados Unidos. O Partido Republicano obteve do enfraquecido presidente Barack Obama que novos impostos não atingirão o andar de cima, como forma de superação da crise econômico-financeira. A alternativa estará no corte de investimentos sociais, com ênfase para a saúde pública.  É o primado dos que não trabalham e, por isso, reivindicam  não pagar impostos…

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QUEM  MANDA É ELE

Significativa, mesmo, foi a reunião do ministro Gilberto Carvalho com lideranças do PT paulista, no fim de semana. Manifestando-se contra as prévias no âmbito do partido, para a escolha  do candidato a prefeito da capital, o secretário-geral da presidência da República selou a sorte  de Marta Suplicy, Aloísio Mercadante e outros que o ex-presidente Lula não escolheu. O candidato será mesmo o ministro da Educação,  Fernando Haddad, condição que só perderia se realizadas as prévias. 

Não haverá quem se insurja contra a decisão, dentro da constante de que quem o Lula escolher estará eleito. Até agora tem sido assim, ou quase, porque de uns tempos para cá  a prefeitura paulistana tem contrariado os desejos do ex-presidente. Em especial se José Serra decidir candidatar-se.

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