Aumenta a pressão dos EUA para o bloqueio econômico do Irã, mas está na hora de perguntar a opinião da China.

Carlos Newton

É preocupante a notícia de que governos da União Europeia chegaram a um acordo preliminar para proibir importações de petróleo iraniano. A decisão, que já elevou os preços do petróleo, foi fruto de negociações nos últimos dias de dezembro entre emissários da União Europeia. Objeções ao embargo, particularmente da Grécia, foram desconsideradas durante as conversações.

As tensões entre o Ocidente (leia-se, Estados Unidos) e o Irã – segundo maior produtor da Opep (Organização dos Países Exportadores de Petróleo) – já elevaram os preços do petróleo, porque o país fornece um total de cerca de 450 mil barris por dia aos países da União Europeia, tornando o bloco coletivamente o segundo maior mercado para o petróleo iraniano, após a China.

O Comissário de Energia da UE, Guenther Oettinger, disse que caso haja  uma proibição às importações iranianas, a oferta poderia ser obtida de qualquer outro lugar, principalmente do líder da Opep, a Arábia Saudita.

Esse embargo ao petróleo iraniano seria parte das medidas em conjunto do Ocidente para pressionar Teerã a abandonar seu programa nuclear, com o qual muitos governos se preocupam pelo possível desenvolvimento de uma bomba atômica. Teerã diz que seus objetivos são pacíficos.

Os Estados Unidos impuseram novas sanções na véspera do ano novo, para reduzir o número de instituições financeiras que trabalham com o Banco Central do Irã, fora do sistema financeiro norte-americano, bloqueando assim a principal fonte de pagamentos para o petróleo de Teerã. E A União Européia deve fazer o mesmo.

Até aqui, tudo bem. Mas acontece que os Estados Unidos e seus aliados europeus esqueceram de perguntar o que a China acha disso tudo. É aí que mora o perigo. A China, sozinha, pode importar toda a produção de petróleo do Irã e abastecer o país com os bens necessários para sua manutenção, tornando inócuo o embargo. Aliás, qual é mesmo o país que tem fornecido tecnologia nuclear ao Irã?

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