Na fila do supermercado, para comprar uma simples flor

 que dirige a peça "Boca Molhada de Paixão Calada", de Leilah Assunção, que estreia no Teatro Igreja.

Luiz Carlos Maciel era o mestre da contracultura

Ruy Castro
Folha

Foi há dois anos, num supermercado aqui no Leblon. Luiz Carlos Maciel estava bem à minha frente numa fila de caixa, em que éramos precedidos por três senhoras com carrinhos abarrotados. Ambos tínhamos direito aos caixas reservados aos coroas, mas as filas destes eram tão longas que valia esperar pelas madames. Eu estava comprando um suprimento de biscoitos amanteigados enriquecidos com glúten. Maciel, apenas uma flor. Uma solitária rosa vermelha.

Ele se virou, me viu e nos abraçamos. Fomos contemporâneos nos verdadeiros primórdios do “Pasquim”, em 1969. Maciel já fazia então uma página intitulada “Underground”, que tratava de tudo que fosse “alternativo”, contracultura, antissistema. Ele era o arauto de um mundo novo, a ser conquistado pela juventude com as novas armas.

UMA NOVA ERA – Essas armas eram a maconha e o LSD, a antipsiquiatria, a liberação sexual, o feminismo, o vegetarianismo, o zen-budismo e as religiões orientais e a luta contra o consumismo. Seus heróis eram os artistas e pensadores “libertários”, como Bob Dylan, Yoko Ono, Timothy Leary, Norman O. Brown. Hoje, 50 anos depois, vê-se que muitas de suas bandeiras de fato se impuseram. Em outras, ele perdeu espetacularmente.

Maciel acreditava que as drogas se limitariam às pessoas adultas e responsáveis, que as usariam para “expandir a mente” –não previu que elas se tornariam o comércio mais poderoso e canalha do mundo. O consumismo não só não acabou como passou a vender tudo que era “alternativo”. E, pior, transformou a contracultura na cultura oficial e fez dela um novo e também odioso sistema.

Todos os artistas da sua geração enriqueceram. Maciel, não. Teve de trabalhar até o fim. Morreu no último dia 9, aos 79 anos, e eu me pergunto quantas outras filas de supermercado ele não terá enfrentado para comprar uma simples flor.

Em apoio a Lula, movimentos de esquerda planejam acampar diante do tribunal

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Rodrigues, do MST, é um dos líderes do protesto

Catia Seabra
Folha

Movimentos de esquerda — incluindo MTST, MST e CUT — lançaram nesta sexta-feira (15) uma campanha pelo direito à candidatura do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Reunidos em um comitê intitulado “defesa da democracia”, os dirigentes da Frente Brasil Popular planejam acampar em frente ao TRF (Tribunal Regional Federal) da 4ª Região, em Porto Alegre, em 24 de janeiro, dia do julgamento do recurso apresentado por Lula no caso do tríplex do Guarujá.

Coordenador do MST (Movimento dos Sem Terra), João Paulo Rodrigues informou, durante reunião de lançamento, que a intenção é concentrar todos os militantes do movimento do Sul do país nos arredores do TRF. A ideia é acampar no Parque da Harmonia, vizinho ao tribunal.

AGENDA PARA LULA – Na terça-feira (19), os movimentos de esquerda, PT e partidos que integram a frente vão inaugurar o comitê de defesa da democracia de Porto Alegre. Escalado para coordenar a campanha, o ex-ministro Alexandre Padilha, hoje na vice-presidência do PT, afirmou que será apresentada uma agenda de atividades para Lula. Não está descartada a antecipação da caravana que o ex-presidente pretendia realizar no Sul apenas após o carnaval.

Estão programadas atividades no Natal e Ano Novo, além de um jogo de futebol no dia 23 na Escola Florestan Fernandes com a presença do cantor Chico Buarque. “Vamos ocupar Porto Alegre. Mas ele [Lula] também terá uma agenda ofensiva em janeiro”, disse Padilha.

Líder da Minoria na Câmara, José Guimarães (CE) disse que o partido vai instalar um estado de mobilização geral. “Vamos antecipar tudo”, disse Guimarães, afirmando que os petistas reduzirão o tempo destinado ao descanso do fim de ano.

INCERTEZAS – Apesar do tom de seus dirigentes, petistas admitiam suas incertezas acerca do futuro político do ex-presidente durante reunião do Diretório Nacional do partido, que ocorre em São Paulo.

Coube à presidente do PT, senadora Gleisi Hoffmann (PR), a tarefa de ratificar já no início da reunião que não se admite a hipótese de discussão de um plano alternativo à candidatura de Lula. Já na abertura do encontro, Gleisi interveio, afirmando que havia na imprensa reportagens sobre a busca de outro nome para o caso de Lula ficar impedido de concorrer. Segundo participantes da reunião, Gleisi afirmou que não sabia se era real a origem da informação. Mas advertiu: “Não existe plano B”.

Embora reconheça que este é “um processo em aberto”, um integrante da cúpula do PT afirmou que a busca de uma alternativa cumpriria a estratégia adversária. A ideia, afirma, é levar a candidatura adiante até chegar às instâncias superiores.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
Como se dizia antigamente, os petistas estão vivendo os últimos dias de Pompeia. Pela primeira vez desde 1994, petistas e tucanos não têm chance de chegar ao poder. Algo de novo vai acontecer. É muito interessante a evolução da conjuntura política. (C.N.)

Lembremos que o nazismo também quis restringir a liberdade artística…

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Charge do Bob Biker (bobbiker.com)

Leticia Binenbojm e Gustavo Binenbojm
O Globo

O conceito de “arte degenerada” ilustra bem o processo de degeneração por que passa a liberdade de expressão artística hoje no Brasil. Do alemão “entartete kunst”, a expressão foi cunhada para difamar, discriminar e perseguir pintores, escultores, músicos e artistas em geral que produziam obras fora dos padrões da estética nacional-socialista germânica. Mais do que uma mera censura — já grave por si só —, o regime nazista pretendeu estabelecer um conceito estrito e oficial de arte, fundado em suas concepções racistas e monolíticas, a partir do qual promoveu o banimento e a marginalização de artistas judeus, comunistas ou simplesmente independentes, como Mondrian, Nolde e Schlemmer.

Os personagens mudaram, alguns métodos mudaram — embora outros insistam em se repetir —, e até o regime mudou. Mas o desejo atávico de calar a voz do diferente, de exterminar o mutante, de silenciar o inconcebível subsiste vivo entre nós, mais do que nunca.

POLARIZAÇÃO – A face estética do ambiente polarizado que tomou conta do país encurrala a liberdade de expressão artística entre dois vetores contrapostos, mas aliados na cruzada de reprimir o que consideram manifestações “degeneradas”: os movimentos conservadores e as patrulhas ideológicas. Embora oriundos de lados opostos do espectro político, essas correntes têm em comum a crença de que detêm o monopólio da verdade e a descrença na diversidade como valor essencial à democracia.

A reação conservadora, de inspiração às vezes religiosa fundamentalista e, em muitos casos, puramente oportunista, tem produzido efeitos deletérios sobre o mercado de artes, com o cancelamento de exposições em museus, a retirada de patrocínios e até mesmo — por surpreendente que seja a repetição da história — a instauração de uma comissão parlamentar de inquérito para apurar possíveis crimes perpetrados por artistas envolvidos em performances com corpos nus, crianças e símbolos litúrgicos.

CAÇA ÀS BRUXAS – Numa manipulação grosseira dos conceitos de pedofilia e de crimes contra o sentimento religioso, políticos de eleitorado conservador buscam promover uma caça às bruxas contra artistas supostamente degenerados, quando a degeneração está na cabeça dos algozes. Omnia munda mundis! Para os puros, todas as coisas são puras.

De outra parte, as patrulhas ideológicas exercem, pela esquerda, o mesmo papel que os conservadores desempenham pela direita. Atribuir grau zero a estudante que ouse de alguma maneira criticar a teoria ou a prática dos direitos humanos é pretender elevar os intelectuais públicos à condição de vanguarda iluminista da sociedade.

O REI ESTÁ NU – O  problema é que, muitas vezes, os intelectuais estão cooptados, seduzidos ou simplesmente equivocados. Daí a importância daquela voz minoritária, às vezes isolada, que sai do anonimato e grita que o rei está nu. Fenômeno parecido aconteceu recentemente quando do lançamento do filme “Vazante”, de Daniela Thomas, cujo enredo retrata a escravidão fora dos padrões exigidos pelo establishment acadêmico. O filme decerto está sujeito às críticas de todos os matizes e faz jus a boa parte delas, exceto a de que a diretora não teria legitimidade para a narrativa por ser branca ou por não ser ativista militante.

Certamente, a liberdade de criação e expressão artística não é um valor absoluto e inquestionável. Aliás, discuti-la é parte do conteúdo da própria liberdade de expressão intelectual, o que tem levado algumas nações a proscrever as manifestações puramente voltadas à propagação do ódio e da violência, por exemplo.

LIBERDADE ARTÍSTICA – Fora esses casos de ódio e violência, a garantia constitucional da liberdade de expressão deve preservar o espaço para que o artista conceba o inconcebível, diga o indizível e transforme em arte qualquer sentimento humano.

Pensar a liberdade apenas para quem pensa igual é subvertê-la, degenerá-la. A arte pode até ser, conforme o caso, de direita ou de esquerda. Mas a liberdade de criá-la, produzi-la e torná-la pública não pertence a partido, ideologia ou facção. A subjetividade do artista é necessária porque a vida real não nos basta. Amar a liberdade de expressão artística significa defendê-la para todos, saber admirá-la ou apenas tolerá-la, ainda quando ela possa ser usada contra nós.

Piada do Ano!!! Gilmar diz que o país vai lamentar o fim do foro privilegiado

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Gilmar imita Buster Keaton – faz piada, mas não ri

Deu na Agência Brasil

O presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Gilmar Mendes, disse nesta sexta-feira (15) que a redução do número de autoridades com direito a foro privilegiado é um equívoco e que “não vai funcionar”. “Na verdade, daqui a pouco, vamos estar lamentando a supressão do foro por prerrogativa de função”, afirmou Gilmar, após reunião com os presidentes dos tribunais regionais eleitorais, no Rio de Janeiro.

“O Brasil tem um índice quase negativo de persecução criminal; 8% dos homicídios são revelados. Isso é da Justiça criminal que estamos falando. Uma justiça que funciona mal, uma das piores justiças, agora vai receber os políticos. É um tipo de populismo. Não vai funcionar. Eu sou mau profeta. Aquilo que eu falo acontece”, disse Gilmar.

NO CONGRESSO – Para ele, a questão do foro privilegiado precisa de mudanças, mas o tema deve ser tratado pelo Congresso Nacional. “Quando o constituinte pensou nisto, ele não imaginou que nós teríamos 300, 400 casos de investigação de parlamentar no Supremo. Isso se tornou insuportável para o Supremo”, afirmou.

No dia 23 de novembro, o ministro do STF Dias Toffoli pediu vista do processo que trata da restrição ao foro privilegiado – juridicamente chamado de foro por prerrogativa de função – para parlamentares.

Até o momento, oito integrantes da Corte se manifestaram a favor de algum tipo de restrição na competência da Corte Suprema para julgar crimes praticados por deputados e senadores. No entanto, há divergências sobre a situação dos processos que já estão em andamento. Não há data para retomada do julgamento.

DELAÇÃO PREMIADA – O ministro, que ainda não participou do julgamento sobre a manutenção da autorização legal para que a Polícia Federal (PF) possa negociar delações premiadas, disse que o assunto deve ser rediscutido. “É um tema muito importante [e é preciso] que haja uma definição. Pelo que estou percebendo, o tribunal está mantendo o papel do Ministério Público e está submetendo isso a uma apreciação judicial rigorosa.”

Gilmar Mendes destacou que esta é a oportunidade de discutir tanto a questão da Polícia Federal quanto da delação como um todo, como ela vem se fazendo. “Porque há muita polêmica em torno disso”, disse o ministro, citando o exemplo de pessoas que hoje cumprem pena sem condenação, mas apenas com acordo feito pelo Ministério Público.

O STF adiou para fevereiro do ano que vem, após o fim do recesso do Judiciário, o término do julgamento. Até o momento, a Corte tem maioria tem 6 votos a 1 a favor das delações negociadas pela PF, mas todos com divergências.

REVISTA VEJA – Sobre uma reportagem da edição desta sexta-feira (15) da revista Veja sobre supostos repasses de patrocínios da JBS, empresa de Joesley Batista, para o Instituto Brasiliense de Direito Público (IDP), do qual é sócio, Gilmar limitou-se a dizer que não tem função de direção na instituição. “Sou apenas um sócio-cotista.”

Perguntado sobre reuniões com o empresário, o ministro disse que participa de reuniões com várias pessoas a toda hora. “Isso não tem significado.”

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
Gilmar que levar a Piada do Ano. Na mesma entrevista, disse que vamos lamentar o fim do foro privilegiado, e depois emendou com a anedota de que não é dono da Faculdade que criou em Brasília, para aumentar o faturamento. É um gozador, não há dúvida. (C.N.)

Força-tarefa rastreia 300 mil empresas criadas apenas para fraudar impostos

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Charge do Cazo (blogdoafr.com)

Patrik Camporez e Daniele Amorim
Época

As ervas daninhas subindo pelas paredes, a estrutura sem reboco e os fios elétricos à mostra adornam um imóvel abandonado na Vila São José, Zona Sul de São Paulo. Nos registros formais, ali funciona a Foundryman Comércio e Indústria de Aço. Mas o que eram portas e janelas são hoje buracos fechados com tijolos e cimento. Os vizinhos contam que o local abrigava um escritório e fechou as portas há cerca de dois anos. Resta apenas a placa “Vende-se”. Seria só mais uma construção abandonada – não fosse a Foundryman dona de uma dívida de R$ 4,8 milhões com o Fisco.

De acordo com a Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional (PGFN), órgão encarregado de administrar e cobrar débitos com o governo federal, a Foundryman é representante de uma espécie chamada empresa zumbi. Só neste ano cerca de 300 mil zumbis foram mapeadas.

MORTAS-VIVAS – As empresas zumbis são, tais quais as homônimas da ficção, mortas-vivas. Também como as franquias da TV e do cinema, são lucrativas. São mantidas ativas para desviar dinheiro devido ao Fisco e encher os bolsos de corruptos. A maioria delas, descobertas pelos procuradores, são negócios de pequeno e médio porte, com dívidas de firmas grandes. Algumas já nasceram zumbis, somente para servir de fachada para outros negócios. Outras funcionaram sem pagar impostos, acumularam dívidas e, quando o montante ficou impagável, foram abandonadas.

Empresas zumbis não geram renda, empregos ou pagam tributos. Só existem no papel. Combatê-las é difícil. Enquanto o Fisco corre atrás de uma zumbi para cobrar dívidas, uma clone é criada e continua a fazer negócios. O passivo tributário fica para a zumbi. Segundo a Procuradoria, na maior parte dos casos o negócio funciona apenas durante período suficiente para seus donos transferirem o patrimônio para terceiros ou laranjas. Quando os auditores localizam os proprietários, não conseguem executar a dívida porque eles tiveram tempo de se desfazer de seus bens. Os fiscais batem no endereço e não há mais proprietário, funcionários ou bens suficientes para saldar a dívida. Encontram apenas um “esqueleto”, como o prédio da Vila São José.

CRUZAMENTO – Nos últimos meses, a Procuradoria da Fazenda desenvolveu estratégias para rastrear as zumbis, por meio de técnicas de cruzamento de informações, antes que os donos se desfaçam do patrimônio. Um poderoso banco de dados está sendo usado para interceptar movimentações patrimoniais atípicas e bloqueá-las antes que os empresários enrolados esvaziem as empresas.

Época teve acesso a documentos e relatórios da investigação tocada pelos procuradores da Fazenda Nacional. As operações contam com o apoio até dos serviços de inteligência das Forças Armadas. Robôs virtuais e computadores capazes de processar mais de 1.000 CNPJs por minuto permitiram à força-tarefa fazer o rastreamento de patrimônios e executar dívidas que antes eram dadas como perdidas. Apenas no bairro do Morumbi, em São Paulo, foram identificados dez proprietários de empresas zumbis, com dívida somada superior a R$ 1 bilhão.

TUCANO NA REDE – Em uma mesma sala comercial no bairro Jardim Armação, em Salvador, os procuradores mapearam três empresas do deputado João Gualberto Vasconcelos, do PSDB da Bahia. São negócios variados, de fabricação de produtos de limpeza, administração de imóveis e comércio atacadista. Uma delas, a Galileo, deve R$ 4,3 milhões ao Fisco e também está na mira da operação de caça aos zumbis.

João Gualberto admite que a Galileo não tem funcionários, que seus ativos foram vendidos e que a empresa, apesar de ativa na Receita, “não opera nada”. “Ela só administra o contencioso”, diz. O deputado atribui a investigação à sua empresa a uma “questão política”. Ele diz que a Galileo atuou por muitos anos no ramo de supermercados e, em 1999, a operação de suas lojas foi vendida para o grupo Walmart.

“Aqui na Casa (Câmara dos Deputados) tem muito deputado corrupto, enrolado. Não é o meu caso. Minha empresa é idônea. Todo empresário adora ser governo. Como não tenho rabo preso e voto contra, a gente sofre essas consequências”, diz.

ADERIU AO REFIS – João Gualberto diz que sua empresa não pode ser considerada “fantasma”, nem devedora, muito menos zumbi, porque aderiu ao novo programa de parcelamento de dívidas oferecido pelo governo federal, o Refis. Resultado da pressão de deputados vorazes e da benevolência do governo em busca de apoio à reforma da Previdência, o texto do novo Refis foi aprovado. Em votação simbólica, sem que o nome de cada parlamentar aparecesse no painel.

Contudo, ao votar as emendas no dia 3 de outubro, os parlamentares tiveram de se identificar, graças a uma proposta do PSOL que proibia a adesão ao Refis por parte de políticos e detentores de cargos públicos. João Gualberto pode até votar contra o governo, mas não vota contra seus negócios. Ele e outros 204 deputados foram contra a emenda, possibilitando, assim, que políticos devedores também pudessem se beneficiar do programa que eles mesmos estavam aprovando. João Gualberto legislou a favor de si próprio e de sua zumbi.

NOTIFICAÇÃO – Nos próximos meses, todas as empresas identificadas como zumbis serão notificadas por carta para que possam apresentar contestação no prazo de 15 dias. Se a resposta não for satisfatória, a notificação será realizada por Diário Oficial. A força-tarefa de procuradores federais começou a atuar no início de 2016. Teve de desacelerar as investigações por causa do Programa Especial de Regularização Tributária (Pert). É como se os procuradores tivessem dado uma chance para as zumbis acertarem as contas com o Fisco.

Há um segundo padrão de devedor incluído na força-tarefa da Procuradoria, o do “patrimônio oculto”. São empresas que acumulam patrimônios milionários à custa da sonegação de impostos; depois transferem esses bens para laranjas, o que impede o Fisco de receber a dívida. Só em 2017 os procuradores da força-tarefa conseguiram localizar cerca de R$ 10 bilhões transferidos para laranjas ou aplicados em aviões, iates, obras de arte, imóveis e bens no exterior.

EXEMPLO GRITANTE – Nessa operação, detectou-se a Expresso Riacho Grande, empresa de transporte de passageiros com sedes em Goiás e Brasília. Logo, a União entrou com uma Ação Cautelar Fiscal, na qual pediu o bloqueio de R$ 140 milhões de bens do grupo pelo sistema que interliga a Justiça, o Banco Central e os bancos. A dívida da empresa soma R$ 148 milhões.

Em decisão que permanece em segredo de Justiça, o juiz federal Alexandre Machado Vasconcelos considerou que a Riacho Grande transferiu bens para laranjas e fez “manobras fraudulentas” para blindar o patrimônio do grupo econômico e fugir das execuções fiscais realizadas pela Justiça Federal do Distrito Federal e de Goiás. Segundo o juiz federal, a ação da PGFN “trouxe farto conjunto de provas” que demonstra a transferência de funcionários da Riacho Grande para outras empresas do grupo, alteração do domicílio tributário e substituição dos sócios por laranjas e o “esvaziamento” do patrimônio da empresa.

“OCULTADORA” – Em situação parecida, a Indústria Cataguases de Papel, que deve R$ 232 milhões, também foi enquadrada como empresa “ocultadora”. Sediada em Cataguases, Minas Gerais, a indústria também vinha recorrendo “a manobras fraudulentas para blindar o patrimônio e evitar a recuperação de crédito público”, diz a ação da Procuradoria, que conseguiu o bloqueio dos bens de diversas pessoas físicas e jurídicas ligadas ao grupo. Os auditores verificaram que o grupo usava práticas contábeis irregulares para aumentar o lucro. Também abria novas empresas em nome de laranjas para “confundir” a Receita.

O advogado Helio Cezar Afonso Rodrigues, que representou a Expresso Riacho Grande, diz que seu cliente “desapareceu” em 2013, depois que o governo do Distrito Federal cancelou suas concessões. “Meu cliente ficou sem receita, a empresa parou de operar, parou de pagar impostos, empregados e advogados. Teve enxurrada de ações trabalhistas”, afirma. “Ele ficou constrangido e deve ter voltado para sua terra natal. Perdi o contato dele, não sei onde se encontra.”

Época também tentou contato com a Cataguases, por e-mail e dezenas de telefones vinculados à empresa, mas não obteve retorno. Dois advogados que representaram a empresa em ações relativas a dívidas com a Receita não responderam. Zumbis são mesmo difíceis de encontrar por aí.

No Natal (ou NaTao), é tempo de relembrar o “Quinto Evangelho”, de São Tomé

Resultado de imagem para SÃO TOMÉ APOSTOLOAntonio Rocha

Foi com o escritor, professor, filósofo e teólogo gaúcho Huberto Rohden (1893-1981) que aprendi a fazer neologismos. Ele foi docente na Universidade de Princeton (presbiteriana), colega de Einstein, que também lecionava lá. O que pouca gente sabe é que este grande autor brasileiro, com várias e importantes obras no campo da Espiritualidade, também foi jesuíta. Ainda que tenha largado o hábito, continuou um investigador das religiões comparadas e, como diz a Bíblia, uma vez sacerdote, sempre sacerdote, ou Hebreus 7:17 –“Tu és sacerdote para sempre, segundo a ordem de Melquisedeque”.

Muito cedo Huberto interessou-se pelo Orientalismo e um belo dia visitou um antigo Templo Budista de Santa Teresa, RJ, em 1972, e lá o conheci pessoalmente. Mas os seus livros, desde criança eu já admirava, pois o meu pai era um inveterado leitor do Dr. Rohden, como ele chamava.

CREAR E CRIAR – Esta resenha de hoje é para falar do livro “O Quinto Evangelho – A Mensagem de Cristo”, do Apóstolo Tomé; a bela tradução e comentários são do referido pensador Huberto Rohden, editora Martin Claret, 162 paginas. E escrevi “NaTao” no título, inspirado no costume do sábio dos pampas, que em suas obras grafava “crear” em vez de criar. Logo no início ele se explicou:

“O Poder Infinito é o Creador do Universo – um fazendeiro é um criador de gado”, escreveu Rohden, que fundamentava sua preferência com base no Latim: “Crear é a manifestação da Essência em forma de existência – criar é a transição de uma existência para outra existência”.

Assim, juntei a época natalina com o vocábulo chinês “Tao” que é um dos nomes de Deus, ou seja, “NaTao”, que bem pode significar: “Estar em Deus, com o Creador”.

DO SÉCULO II – Evangelhos apócrifos. Foi descoberto em 1945, em Nag Hamadi, no Egito. Cientistas dataram o texto em língua copta como sendo um original do século II da era cristã.

Após a dispersão dos apóstolos de Jesus, Tomé foi para a Índia e morreu lá. O seu corpo está até hoje sepultado na Catedral de Madras, uma cidade ao sul da Índia e, em suas pesquisas, o educador Rohden esteve orando no local.

Diz o texto: “Estas são as palavras secretas de Jesus, o Vivo, que foram escritas por Didymos Thomas”.

PALAVRAS SECRETAS – O tradutor brasileiro Huberto Rohden explica: “As palavras secretas são ensinamentos esotéricos de Jesus, proferidas não para as massas populares, mas para uma elite escolhida de discípulos do divino Mestre, capazes de compreenderem o sentido místico de certas verdades profundas”. E acrescenta: “Tomé se limita a mencionar certas palavras de Jesus (…). Alguns desses aforismos são altamente paradoxais, lembrando por vezes a linguagem de Lao-Tsé, no seu Tao Te Ching”.

Deduzimos então que tanto Cristo quanto o Apóstolo Tomé conheciam o mitológico autor chinês e seu famoso livro. Por dedução também, inferimos que, como o Zen-Budismo aproxima-se muito do pensamento filosófico chinês, o Taoísmo clássico, é quase certo que Cristo também conhecia o assunto.

VER PARA CRER – Este é o famoso São Tomé, aquele do “ver para crer”. E quando ele pediu a comprovação de Jesus, ele não estava duvidando, nem discordando do Mestre, era um comportamento típico de sua erudita educação e formação grega, que recomenda o pesquisar, o consultar e não sair assim de primeira, acreditando logo em tudo

“O Quinto Evangelho” constitui-se de 114 pequenos textos, mas de grandes e profundos significados, que, mais adiante, em outro artigo, voltaremos a abordar.

Feliz NaTao!

Mesmo impugnado, Lula vai aparecer no horário político na TV durante 15 dias

Participação de Lula na TV já está garantida

Reynaldo Turollo Jr. e Marina Dias
Folha

Integrantes da área técnica do TSE (Tribunal Superior Eleitoral) afirmam que a corte deve julgar antes do primeiro turno das eleições provável contestação à eventual candidatura de Lula, caso o Tribunal Regional Federal mantenha sua condenação criminal no episódio do tríplex de Guarujá (SP).

Se o TRF-4 confirmar a condenação em primeira instância – o julgamento está marcado para 24 de janeiro –, Lula pode se tornar ficha suja. Isso não impede, porém, que ele registre a sua candidatura no TSE. Caberá ao Ministério Público ou a adversários contestá-la.

TRAMITAÇÃO – Os partidos têm até 15 de agosto para registrar as candidaturas. Em um ou dois dias, publica-se um edital. Inicia-se, então, um período de até cinco dias para impugnações (até cerca de 23 de agosto).

O TSE notifica o candidato (24 de agosto), aguarda manifestação do Ministério Público, abre prazo de sete dias para a defesa, mais cinco dias para eventuais audiências (o que é incomum em casos do tipo) e concede cinco dias para as alegações finais (aproximadamente 15 de setembro).

O relator do processo tem, então, três dias para marcar o julgamento no plenário, composto por sete ministros.

JULGAMENTO RÁPIDO -Conforme avaliação de técnicos do TSE, a corte será rápida ao julgar as impugnações – em primeiro lugar, porque o processo já começa nela, por se tratar de candidatura à Presidência. No caso de governador, por exemplo, o processo começa nos Estados e leva cerca do dobro do tempo até a palavra final do TSE. Em segundo lugar, como é um caso de vulto, muito dificilmente haverá protelação.

A avaliação é compartilhada pelo ex-ministro do TSE Henrique Neves, que deixou o tribunal em abril após oito anos. “Em princípio, como o processo já começa no TSE, se não houver nenhum incidente fora do normal, o tribunal consegue julgar [o registro de candidatura] antes da realização das eleições”, diz.

A expectativa é que, no TSE, o caso esteja encerrado por volta de 20 de setembro – o primeiro turno é em 7 de outubro. Ou seja, Lula teria direito de aparecer como candidato nos programas de TV por, no mínimo, duas semanas.

RECURSO AO STF – a eventual decisão do TSE cabe recurso, mas, segundo a avaliação dos técnicos, normalmente questionamentos dessa natureza não sobem ao STF (Supremo Tribunal Federal). Isso porque, em tese, pode-se recorrer ao Supremo de decisões que contrariem a Constituição, e a inelegibilidade com base na Lei da Ficha Limpa é infraconstitucional.

Especialistas ponderam, no entanto, que a defesa do petista pode alegar inconstitucionalidades no processo. No âmbito do próprio TSE também pode haver recurso, mas o prazo de análise costuma ser de até uma semana.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
A reportagem acrescenta que Lula será apoiado por aliados de Temer que concorrerão no Nordeste – como os senadores Ciro Nogueira (PP-PI), Renan Calheiros (PMDB-AL) e Eunício Oliveira (PMDB-CE), que precisam da ajuda do ex-presidente para se elegerem em seus Estados. Imaginem a confusão que isso vai dar. (C.N.)

Reforma da Previdência dependerá do resultado do julgamento de Lula no TRF-4

Charge do Mário (Arquivo Google)

Merval Pereira
O Globo

O anúncio de que o governo só colocará em votação a reforma da Previdência depois do carnaval, no dia seguinte ao término do horário de verão, não tem nada a ver com esses dois eventos, tem apenas uma razão: fingir que ainda existe uma esperança de aprovação após negociações no recesso parlamentar. Mas o que determinou mesmo a data foi o anúncio do julgamento do ex-presidente Lula em 24 de janeiro.

Com ele fora do páreo, é possível que alguns dos deputados recalcitrantes se encorajem, na esperança de que a reforma ajude a economia a melhorar e aumente a possibilidade de um candidato que reúna as forças políticas do centro.

OUTRA DIMENSÃO – Se a confirmação da sentença contra Lula não provocar grandes manifestações populares pelo país, como sonham os petistas e aliados, a campanha eleitoral ganhará outra dimensão.

O governo terá condições de reunir os partidos aliados em torno de uma candidatura, que tanto pode ser a do governador Geraldo Alckmin pelo PSDB, no caso de ele decolar nas pesquisas, ou outro do grupo que reúna as melhores condições de disputa, como 40% do tempo de televisão e apoio distribuído pelo país.

Sem Lula na cabeça de chapa, mesmo que ele lance um candidato de seu agrado, que parece hoje ser o ex-governador da Bahia Jaques Wagner, que, no entanto, não quer entrar nessa disputa, preferindo uma vaga quase certa no Senado, a briga ficaria mais fácil, na visão de governistas. Isso, na suposição de que o ambiente político ficaria menos radicalizado. Caso contrário, o cenário é imprevisível.

DIRCEU INCENDIÁRIO – O ex-ministro José Dirceu, solto aguardando recursos contra uma pena de mais de 30 anos, pretende incendiar o país a partir de Porto Alegre, conclamando a militância a uma reação que começaria no dia do julgamento de Lula no TRF-4 e se estenderia por outros cantos.

Mas da última vez em que tentaram tal manobra não deu certo. E no sul do país o ambiente político é antipetista, ainda que possa sair de lá o candidato a vice. O senador Roberto Requião, dissidente do PMDB do Paraná estaria disposto a se filiar ao PT para se unir a Lula numa chapa de esquerda.

Só o tempo dirá qual será a capacidade de Lula de mobilizar movimentos radicalizados de protesto a seu favor. Enquanto isso, os governistas fazem contas para o caso de um cenário menos catastrófico, que permitira a aprovação da reforma previdenciária e animaria a economia do país.

E O MERCADO? – A reação do mercado financeiro ao adiamento foi ruim, e não há quem acredite na possibilidade de aprovação depois do carnaval. Se essa impossibilidade se confirmar, o cenário econômico pior ajudará uma candidatura de esquerda, seja o candidato indicado por Lula, seja Ciro Gomes, do PDT.

A incógnita é Bolsonaro, que pode murchar com a saída da disputa de Lula, ou pode, como apontam algumas pesquisas, agregar a seu eleitorado uma parte de eleitores radicalizados do petista, sem marca ideológica.

Outra que pode pegar petistas desiludidos ou em debandada é Marina Silva, da Rede.

FORÇA DE LULA – Difícil avaliar a força de Lula para eleger um candidato, pois hoje a situação é bem diferente de quando ele tirou da cartola o nome de Dilma Rousseff, em 2010. Naquele momento Lula estava no auge de sua popularidade, o país crescendo a 7,5% ao ano e ninguém conhecia bem aquela que viria a ser a primeira mulher presidente do Brasil.

Na reeleição de 2014, com a Lava-Jato indicando um esquema de corrupção disseminado pelos governos petistas, o PT quase perde a eleição. O simbolismo do fracasso da indicação de Dilma por Lula pode afetar sua escolha para substituí-lo, embora as pesquisas mostrem uma tendência a segui-lo de boa parte de seus eleitores.

A aprovação da reforma da Previdência dependerá desse ambiente político pós-decisão do TRF-4.

As belas praias do Nordeste, cantadas por Fausto Nilo e Robertinho do Recife

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Fausto Nilo, poeta e compositor

Paulo Peres

Site Poemas & Canções
O arquiteto, poeta e compositor cearense Fausto Nilo Costa Júnior mostra que a letra da canção “Flor da Paisagem”, além de trazer um visual geográfico, busca interpretar o sossego egoísta que o amado sente ao se ver refletido nos olhos de sua amada. A música foi gravada por Fagner, em 1977, no LP Orós, pela CBS.

FLOR DA PAISAGEM

Robertinho de Recife e Fausto Nilo

Teu zói é a flor da paisagem
Sereno fim da viagem
Teu zói é a cor da beleza
Sorriso da natureza

Azul de prata, meu litoral
Dois brincos de pedra rara
Riacho de água clara
Roupa com cheiro de mala

Zoim assim são mais belos
Que renda branca, que renda branca, que renda branca na sala
Quem vê não enxerga a praia
Nois no lenços, nois no lençol, nois no lençol de cambraia

Teus zói no fim da vereda
Amor de papel de seda
Teus zói que clareia o roçado
Reluz teu cordão colado

Gilmar Mendes faturou R$ 7,5 milhões em “patrocínios” da JBS de Joesley Batista

Joesley e Gilmar chegam ao IDP, em abril deste ano

Rodrigo Rangel e Daniel Pereira
Veja

O ministro Gilmar Mendes, há quinze anos no Supremo Tribunal Federal (STF), é um homem de posses muito além de seu salário de 33 700 reais. Uma de suas principais fontes de renda é o Instituto Brasiliense de Direito Público (IDP), do qual é sócio junto com seu filho Francisco Schertel Mendes, de 34 anos. O IDP, além de uma fonte de receita, passou a ser uma fonte de dor de cabeça para o ministro, depois que veio a público o caso da JBS e das traficâncias dos irmãos Joesley e Wesley Batista.

Isso porque, nos últimos dois anos, Gilmar e Joesley mantiveram uma parceria comercial e uma convivência amigável, a ponto de se visitarem em Brasília e São Paulo, trocarem favores, compartilharem certezas e incertezas jurídicas e tocarem projetos comuns.

NA CONTA DE GILMAR – De 2016 a junho deste ano, a JBS transferiu 2,1 milhões de reais para o IDP em patrocínios que nem sempre foram públicos. Os valores de patrocínios de empresas iam parar, por vezes, na conta pessoal de Gilmar Mendes. É o que revela uma das mensagens obtidas por VEJA, que na edição desta semana traz mais detalhes sobre a relação entre o juiz e o empresário.

Em entrevista na reportagem, o ministro Gilmar Mendes disse que Joesley Batista quis conhecê­-lo após um pedido de patrocínio ao seu instituto. Ele admite ter encontrado o empresário algumas vezes, mas garante que a relação nunca ultrapassou os limites éticos.

R$ 7,5 MILHÕES – O acordo da JBS para patrocinar o Instituto Brasiliense de Direito Público (IDP), do ministro Gilmar Mendes – foram 7,5 milhões de reais entre 2008 e 2016 –, foi tratado por Francisco de Assis e Silva, advogado e diretor jurídico do grupo comandado pelos irmãos Joesley e Wesley Batista.

Uma companhia do porte da JBS tem dezenas de especialistas em marketing e conta com as maiores agências de publicidade para oferecer consultoria. O patrocínio ao IDP, porém, foi tratado por Assis, e, sabe-se lá por quais razões, o assunto era considerado “confidencial”.

Veja teve acesso a e-mails e documentos que revelam detalhes das tratativas para o contrato e as circunstâncias que levaram ao rompimento. O contrato com a JBS foi assinado em 2015. Em mensagem de novembro daquele ano, Francisco de Assis recomenda ao seu departamento financeiro que “trate confidencialmente dos valores” acertados com o IDP. Os repasses, Veja apurou, nunca seguiram uma ordem cronológica e, embora tivessem os eventos do IDP como destino, nem sempre chegavam conforme o combinado.

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UM JUIZ QUE É EMPRESÁRIO
Augusto Nunes

O empresário Gilmar banca a vida mansa do ministro Gilmar, porque o Juiz dos Juízes ganha quase R$ 1 milhão por ano como sócio de um filho no Instituto Brasiliense de Direito Público

Pode um ministro do Supremo Tribunal Federal ser também o dono de uma entidade educacional que lhe rende anualmente quase 1 milhão de reais por ano? A ética, a lógica e a sensatez gritam que não. Gilmar Mendes, sempre ele, acha que sim.

Sócio de um filho no comando do Instituto Brasiliense de Direito Público, como informa a edição de Veja que acaba de chegar às bancas, Gilmar explicou com a placidez dos inocentes perpétuos essa duplicidade de funções: “Eu era professor antes de ser ministro”.

Ele também era bacharel em Direito antes de ser ministro. Deve ser por isso que age no Supremo como se fosse advogado de defesa dos culpados de estimação.

Estratégia do PT é fazer Lula disputar mesmo tendo a candidatura impugnada

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PT esqueceu que o TSE será presidido por Fux 

Carlos Newton

O país vai parar no dia 24 de janeiro, com o julgamento da Apelação do ex-presidente Lula da Silva contra sua condenação a nove anos e seis meses de prisão, por corrupção passiva e lavagem de dinheiro, no caso do tríplex no Guarujá. O resultado da sessão da 8ª Turma do Tribunal Regional Federal da 4ª Região (TRF-4) será da máxima importância, mas o que todo mundo quer saber é se o criador do PT conseguirá participar da eleição para a Presidência da República ou não. A grande dúvida é se realmente existem recursos jurídicos capazes de garantir o registro da candidatura dele, para que possa disputar a sucessão, mesmo se a 8ª Turma do TRF-4 confirmar a sentença do juiz Sérgio Moro, fazendo com que o nome de Lula seja incluído na Lei da Ficha Limpa.

Acontece que a 8ª Turma do Tribunal tem se mostrado muito rigorosa nos julgamentos da Lava Jato. Sempre que existem provas materiais que confirmem as delações, como é o caso do tríplex, os julgamentos acabam em 3 votos a 0.

VACCARI É EXEMPLO – Até agora, apenas 5 dos réus do juiz Moro foram absolvidos pelo Tribunal, como já aconteceu com João Vaccari Neto, ex-tesoureiro do PT, quando as acusações eram baseadas apenas em delações premiadas. No entanto, depois de ter absolvido Vaccari duas vezes, em outro processo a 8ª Turma aumentou a condenação dele de 10 anos para 24 anos de prisão, porque havia provas materiais.

O ex-ministro José Dirceu também se deu mal. Estava condenado a 20 anos e 10 meses de prisão no processo que envolve a empreiteira Engevix, e em 26 de setembro a 8ª Turma ampliou a pena para 30 anos, 9 meses e 10 dias. Como houve discordância sobre a duração da pena, com resultado de 2 a 1, há possibilidade de Embargos Infringentes, mas apenas para ganhar tempo e adiar a volta de Dirceu à prisão.

ESTRATÉGIA DO PT – Através do senador Lindbergh Farias, o PT contratou o advogado paranaense Luiz Fernando Pereira, que teve 15 minutos de fama quando emitiu parecer a favor de Temer, quando o Tribunal Superior Eleitoral julgou os crimes eleitorais da chapa encabeçada por Dilma Rousseff em 2014.  E a estratégia do PT será apresentar o registro da candidatura de Lula somente no dia 15 de agosto, quando se encerra o prazo. O TSE vai impugnar e a defesa então recorre, na tentativa de ter a candidatura de Lula registrada “sub judice”.

O advogado Luiz Fernando Pereira garante que, na tramitação mais rápida do processo de impugnação no TSE, o julgamento final da candidatura de Lula se encerraria a 20 dias da eleição.

Ou seja, o PT quer criar um fato consumado e arranjar uma liminar de última hora, no Superior Tribunal de Justiça, por se tratar de processo criminal, ou no Supremo Tribunal Federal. No entanto, como dizia Garrincha, faltou combinar com os russos.

FUX SINALIZA – O ministro Luiz Fux, que a partir de fevereiro estará presidindo o TSE e vai comandar o julgamento do recurso de Lula, fez recentemente um importante comentário, em entrevista a Mônica Bergamo, da Folha. A jornalista lhe perguntou qual seria a chance de o Supremo dar uma liminar permitindo que Lula participe da campanha, ainda que condenado em segunda instância. E a resposta foi a seguinte:

“Abstratamente, eu entendo que algumas questões vão ser colocadas: a primeira, a da Lei da Ficha Limpa [que diz que condenados em segunda instância são inelegíveis]. A segunda é decorrente da Constituição. Ela estabelece que, quando o presidente tem contra si uma denúncia recebida, ele tem que ser afastado do cargo. Ora, se o presidente é afastado, não tem muito sentido que um candidato que já tem uma denúncia recebida concorra ao cargo. Ele se elege, assume e depois é afastado? E pode um candidato denunciado concorrer, ser eleito, à luz dos valores republicanos e do princípio da moralidade das eleições, previstos na Constituição? Eu não estou concluindo. Mas são perguntas que vão se colocar…

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P.S. –
Fux foi comedido e falou apenas em “um candidato que já tem uma denúncia recebida”. No caso de Lula, é muitíssimo pior, porque se trata de um candidato que já terá dupla condenação criminal e responde a outros processos e inquéritos, com uma ficha espantosamente suja.

P.S. 2 – No entanto, para o PT sonhar ainda não é proibido. (C.N.)

Informação a Meirelles: se salário não subiu, a renda não pode ter aumentado

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Charge do Alecrim (Arquivo Google)

Pedro do Coutto

Numa entrevista à GloboNews no final da tarde de quinta-feira, o Ministro Henrique Meirelles, além de focalizar o adiamento do projeto de reforma da Previdência, acentuou que o governo Michel Temer pode apresentar diversos resultados positivos: recuperação da confiança na economia, aumento da renda, ampliação do consumo. A entrevista do titular da Fazenda foi destacada também na reportagem de Geralda Doca, Manoel Ventura, Cristiane Jungblut e Bárbara Nascimento, O Globo desta sexta-feira. Vamos por partes.

Em primeiro lugar, a meu ver, em vez de confiança aumentou a desconfiança. A reação à reforma da Previdência é um fato incontestável. O consumo pode ter realmente subido, porém acompanhado de maior endividamento da população.

ALEGAÇÃO FALSA – A renda do trabalho não pode ter aumentado, ao contrário do que sustenta Henrique Meirelles. Para isso, Meirelles sabe muito bem era imprescindível a evolução dos salários. Não aconteceu.

A começar pelo fato de o governo ter adiado, não apenas o aumento de salário, mas a correção inflacionária de 2018 para os funcionários públicos para 2019. A inflação do IBGE em 2016 foi calculada em 4,5%. A taxa inflacionária fixada pelo mesmo IBGE para 2017 é de 3% . Temos assim, em dois anos uma correção de 7,5%. Quem recebeu de acréscimo menos que isso foi reduzido em seus vencimentos.

Como a quase totalidade dos 100 milhões de homens e mulheres que formam a mão de obra ativa do país não se enquadra nessa escala, em consequência a renda não pode ter subido. O ano de 2017 ainda não acabou é verdade. Mas deve ter acabado a esperança dos que trabalham de receber pelo menos a reposição inflacionária.

CRUCIFICADOS – O título deste artigo está inspirado na obra de Carlos Heitor Cony, “Informação ao Crucificado”. Hoje 2000 anos depois, crucificados estão sendo os assalariados brasileiros.

O governo resolveu rever pontos amargos para os funcionários da projetada reforma da Previdência. Um desses pontos é o de restabelecer a regra de transição para os admitidos até 2003. Outro ponto, este incrível, é o de fixar o teto de apenas dois salários mínimos para que servidores possam acumular aposentadoria com pensão. Uma coisa nada tem a ver com outra.  Portanto claramente o projeto de Henrique Meirelles de Previdência foi marcado pela imprevidência.

UM OUTRO ASSUNTO – A revista Veja, na edição 2.560, coluna Radar assinada por Maurício Lima, informa que Luciano Huck, embora tenha publicado artigo na Folha de São Paulo dizendo que não será candidato à Presidência da República, continua desenvolvendo articulações políticas nesse sentido. Maurício Lima acrescenta que Huck pediu a Armínio Fraga uma relação de nomes de economistas aos quais deseja fazer consultas.

Luciano Huck talvez se baseie na disposição do eleitorado em rejeitar políticos tradicionais.  No Brasil há os exemplos de João Dória e Romário, vitoriosos nas urnas. Nos EUA o reality show de Donald Trump levou-o à Casa Branca.

Sem Lula a sucessão presidencial brasileira transforma-se num enigma. Isso de um lado. De outro, a rejeição aos políticos constitui fato notório causando uma sensação geral.

Reflexões sobre brutalidade criminal e as mortes de policiais em série

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No Brasil, o policial está marcado para morrer

Percival Puggina

É tão triste quanto espantoso o número de policiais mortos no cumprimento do seu dever, em confrontos com o crime, para proteção da sociedade e manter ainda tremeluzente a chama da supremacia da lei. Sucedem-se os fatos, passam-se os dias, e cai sobre cada óbito o soturno silêncio da banalização. Nenhum porta-voz da esquerda local vai aos microfones condenar a brutalidade criminal, solidarizar-se com familiares dos mortos. Nenhum cronista bate dedos o teclado do computador para expressar sua compaixão pelos agentes da lei. Nenhum sociólogo de plantão, nenhuma ONG promotora de direitos humanos diz algo a respeito. No entanto, com quanta freqüência se lê sobre a “brutalidade das ações policiais”!

Não passa pela cabeça de quem quer que seja – surpresa minha! – indagar quais os materialmente mais desfavorecidos nesses confrontos. Os policiais ou os bandidos? Quem tem mais dinheiro no bolso? Quem porta a arma mais sofisticada? Quem é mais “oprimido”? Quem está do lado da sociedade e quem está contra ela?

TODO DIA, TODA HORA –  A brutalidade criminal ocorre todo dia, toda hora, com requintes de crueldade, não respeitando criança, menor, mulher, pobre, rico, juiz de direito ou policial. No entanto, quando um destes últimos, no arriscado exercício de seu dever, sob fogo dos bandidos, dispara sua arma, matando ou ferindo algum deles, logo sai para a rua o bloco dos pacifistas seletivos, pronto para condenar a “truculência” dos agentes da lei. E eu já não me surpreendo mais com isso. Portanto, chega de brutalidade criminal! Policial também é gente e tem direitos humanos!

Que fique claro. Toda pessoa é detentora de direitos inalienáveis. O criminoso decai de alguns direitos civis, mas não perde sua condição humana e não deve ser objeto de maus tratos. Mas é inaceitável demasia atribuir-lhe, no choque com as forças da lei, prerrogativas e zelos que a estas se recusa. Tal mentalidade entrega ao crime parcelas cada vez maiores de nossas cidades. Olhe à volta, leitor, e saiba: tem gente por aí que, sob motivações ideológicas, acha tudo muito conveniente e joga o jogo da tolerância para com o crime e da intolerância para com a ação policial. Use seu voto para afastá-los do poder.

PT anuncia que a candidatura de Lula será registrada em qualquer circunstância

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Gleisi acredita que Lula vai disputar a eleição

Sérgio Roxo
O Globo  

A presidente do PT, senadora Gleisi Hoffman, afirmou nesta sexta-feira que o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva terá a sua candidatura registrada em qualquer circunstância, e o julgamento pelo Tribunal Regional Federal da 4ª Região (TRF4) no dia 24 de janeiro “não acaba” com as perspectiva do petista de ter o seu nome na urna na eleição do próximo ano.

— Quero dizer que o presidente Lula é candidato. Vai ser inscrito candidato dentro das regras eleitorais vigentes no país — disse Gleisi, em intervalo da reunião do diretório nacional do partido, em São Paulo.

CLAREZA JURÍDICA – A petista acrescenta ter “clareza jurídica” de que isso poderá ser efeito e argumenta que a impugnação da candidatura só pode ocorrer a partir do registro na Justiça Eleitoral, cujo prazo final é 15 de agosto.

— Não há como ser tirado o direito de o presidente Lula ser candidato antes do registro da candidatura. Indagada se Lula seria candidato mesmo preso, Gleisi respondeu:

— Essa possibilidade tem que ser analisada com juristas. Porque, na realidade, depois de uma sentença, se ela não for unânime em todos os seus aspectos, não pode ter prisão.

Para afinar o discurso, o comando do PT convidou o advogado eleitoral Luiz Fernando Pereira a dar uma explicação sobre os prazos da Justiça Eleitoral na reunião do diretório.

20 DIAS ANTES – Pereira afirmou que, na tramitação mais rápida do processo de impugnação, o julgamento final da candidatura de Lula se encerraria a 20 dias da eleição. Esse também é o prazo final para o PT eventualmente trocar o candidato a presidente.

— Muitos candidatos já disputaram a eleição com a candidatura impugnada, inclusive 145 prefeitos foram eleitos nessa condição em 2016 — disse o advogado.

Lula fez um discurso rápido na reunião desta sexta-feira. Segundo pessoas que assistiram à fala do ex-presidente, que não foi aberta à imprensa, o petista repetiu o que havia dito em Brasília dois dias antes e declarou que se tivesse alguma dúvida sobre sua inocência não seria candidato à Presidência.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
Sonhar não é proibido e papel aceita tudo. A realidade é que a candidatura de Lula depende do julgamento no TRF-4, dia 24 de janeiro. Se o resultado for 3 a 0 contra ele, pode dizer adeus. É claro que o PT pode pedir o registro da candidatura dele, mas será indeferido. Daqui a pouco a gente volta, para explicar em detalhes essa questão. (C.N.)

Um gordo chamado Jô (ou um gênio chamado Jô)

Jô Soares, grande artista, grande figura

Sebastião Nery

Talvez o título mais correto fosse: “Um Gênio Chamado Jô”. Essa história está recontada no magnífico livro de Jô Soares e Matinas Suzuki Jr, “O Livro de Jô”, da Companhia das Letras, que tanto sucesso está fazendo.

“A história mais famosa de Gilberto Amado foi relatada por Sebastião Nery no seu Folclore Político, envolvendo um diálogo entre ele e Getúlio Vargas. Aproveitamos esse caso em meu espetáculo “Brasil: Da Censura à Abertura, de 1980, que escrevi com Armando Costa e José Luiz Archanjo, baseado no anedotário político nacional recolhido por Sebastião Nery, cujo elenco era composto de Marília Pera, Sylvia Bandeira, com quem eu estava casado então, Camila Amado, Marco Nanini e Geraldo Alves. Eis o trecho:

“- Presidente, eu quero ser governador de Sergipe.

– Por que, Gilberto?

– Porque eu quero. É a hora.

– Mas, Gilberto, tu, um homem tão grande, ser governador de um estado pequeno?

– Eu quero dirigir minha tribo, presidente. Isso é fundamental pra minha vida.

– Ora, Gilberto. Eu te conheço muito bem. Essa não pode ser a verdadeira razão.

– Claro que é, presidente.

– Não pode ser. Governar por governar? Isso não existe para um homem do teu tamanho, da tua grandeza.

– Tem razão, presidente. O senhor quer que eu diga, eu digo. Eu quero ser governador pra roubar, roubar, roubar do primeiro ao último dia! (Andando de um lado para o outro) Roubar desesperadamente! Ouviu, presidente? Roubar! Roubar! Roubar!

UM DISCURSO DE DUTRA – Outra história, esta em homenagem ao general Dutra:

Casado e calado. O presidente Dutra foi, talvez, o nosso político mais calado desde o tempo em que ele era ministro da Guerra. Levantava-se todo dia às quatro da manhã, fazia uma inspeção na Vila Militar e às seis e meia estava no ministério. Ia sempre acompanhado de um ajudante de ordens que nunca lhe ouvia a voz. Uma manhã, assim que ele chegou, o então major Humberto de Alencar Castello Branco (futuro primeiro presidente da ditadura militar), oficial de gabinete, perguntou ao ajudante de ordens, capitão Fragomeni:

– Então? Como é que está o homem hoje?

– Ótimo. Até conversou muito comigo.

– Não me diga!

– Conversou sim. Quando a gente chegou na altura do Maracanã, ele respirou fundo e disse: “Tá quente hoje!”.

– Puxa! E olhe que ele não é de fazer discurso longo de manhã.”

UM ALMOÇO COM CLOUZOT – Dos 4 aos 79 anos, Jô é ator, escritor, diretor de teatro, músico. Ele conta:

“Em Paris, meu pai almoçava com Gilberto Amado e eu fui encontrá-los. O menu do restaurante da Maison de l´Amérique Latine variava conforme o dia da semana, oferecendo um prato típico dos países da América Latina. Sábado era o dia da feijoada e fomos nos encontrar com os brasileiros que viviam na capital francesa. Gilberto Amado estava lá com sua filha Vera e o genro, o famoso cineasta francês Henri-Georges Clouzot. A atriz Vera Clouzot, como ficou conhecida, aparecera em 1953, no ótimo filme realizado pelo marido, “O salário do medo”, que ganhou o Gran Prix no Festival de Cinema de Cannes e o Urso de Ouro no Festival de Cinema de Berlim.

Apesar do sucesso de Clouzot, seu sogro, Gilberto Amado, homem de opiniões fortes, o detestava. A dada altura da feijoada o diretor se levantou para ir conversar em outra mesa, e Amado não perdeu tempo. Virou-se para Vera e falou:

– Por que você não põe chifres neste homem? Você tem que cornear este homem, ele é um chato!”

Fifa afasta Del Nero da presidência da CBF após escândalo de corrupção

EVARISTO SA / AFP

Delator diz que Del Nero era o chefão na CBF

Sérgio Rangel
Folha

O presidente da CBF (Confederação Brasileira de Futebol), Marco Polo Del Nero, foi banido provisoriamente do futebol pela Fifa por 90 dias a partir desta sexta-feira (15). A decisão foi tomada pelo comitê de ética da entidade e pode ser estendida por até 45 dias. Segundo o comitê, o cartola está banido de todas as atividades relacionadas ao futebol no Brasil e no exterior. Ele será substituído na presidência da CBF por Antônio Carlos Nunes, 79, o coronel Nunes. O ex-presidente da Federação Paraense de Futebol é o vice mais velho da entidade, critério previsto no estatuto da confederação para a substituição do presidente.

“A Confederação Brasileira de Futebol (CBF) informa que recebeu nesta sexta-feira (15) a notificação da decisão do Comitê de Ética da Fifa, determinando a suspensão por 90 dias do presidente Marco Polo Del Nero. A entidade informa que, em cumprimento à citada decisão e em linha com seu Estatuto, o vice-presidente Antônio Carlos Nunes de Lima assume interinamente a presidência”, disse a nota emitida pela entidade.

SEM VIAJAR -Desde maio de 2015, quando o FBI começou a prender cartolas envolvidos em corrupção, Del Nero nunca mais viajou para o exterior. Ele é acusado na Justiça dos EUA de participar de um esquema de recebimento de propina com cartolas da América do Sul.

José Maria Marin, seu antecessor, é julgado nos EUA por extorsão, fraude financeira e lavagem de dinheiro no âmbito do escândalo de corrupção da Fifa.

Nesta quinta (14), durante suas considerações finais no julgamento, o advogado de Marin, Charles Stillman, lembrou analogia de Alejandro Burzaco, empresário argentino que comandava a firma de marketing Torneos y Competencias e estava no centro do esquema de pagamento de propinas, de que Marin era como um rei que fazia os discursos e participava de cerimônias, mas era Marco Polo Del Nero quem tomava as decisões.

O CHEFÃO – “Marco Polo era quem mandava no show no futebol brasileiro”, disse Stillman. “Os discursos pertenciam a Marin, mas as decisões eram de Del Nero. Ele era visto como quem mandava na CBF.”

Del Nero também é alvo de inquérito da Polícia Civil de São Paulo, que apura irregularidades em convênios firmados pelo dirigente com o governo do Estado de São Paulo quando ele ainda comandava a FPF (Federação Paulista de Futebol).

O cartola está na presidência da CBF desde 2015 e tentaria a reeleição no próximo ano. Ele ainda não se pronunciou sobre a decisão da Fifa.

BANIMENTO – A decisão pelo banimento provisório foi tomada pelo grego Vassilios Skouris, presidente da câmara de arbitragem do Comitê de ética da Fifa, seguindo recomendação da colombiana Maria Claudia Rojas, presidente da câmara de investigação do mesmo órgão. Ambos ocupam seus cargos desde maio deste ano.

Segundo o código de ética da Fifa, a punição provisória aplicada a Del Nero pode ser dada quando há indícios de violação do código de ética e “uma decisão definitiva sobre o caso pode não ser tomada suficientemente cedo” ou para prevenir que a pessoa acusada interfira em investigação em andamento no comitê. O dirigente será convocado a fazer sua defesa perante o comitê.

Esta é a segunda vez que Del Nero se afastará da presidência da CBF desde que foi eleito, em maio de 2015. Em dezembro do mesmo ano, após ser indiciado pela Justiça dos EUA, o dirigente se licenciou do cargo.

CONTINUOU MANDANDO – Naquela ocasião, o deputado federal Marcus Vicente (PP-ES), vice-presidente da CBF como representante da região Centro-Oeste, assumiu interinamente o cargo. Em janeiro, coronel Nunes foi empossado como presidente da entidade. O cargo, porém, era apenas protocolar. Nos bastidores, era Del Nero quem continuava mandando na confederação. O cartola voltou a assumir oficialmente cargo em abril do ano passado.

Na última segunda-feira (11), a defesa do ex-presidente da CBF José Maria Marin resolveu trazer à tona o atual presidente da entidade, Marco Polo Del Nero, e comparar sua situação à de Marin, durante depoimento.

SEMPRE JUNTOS – “Quase sempre eles [Marin e Del Nero] estavam juntos”, disse o advogado James Mitchell, que defende Marin. Ele interrogava o investigador da Receita Federal americana Steve Berryman, que é testemunha de acusação e depõe desde a última quinta (7).

Para Mitchell, a conduta da Fifa com Marin, que foi banido da instituição, não foi a mesma com Del Nero, e isso contraria a suposta política de “tolerância zero” da entidade contra corrupção e fraude. Eles frequentavam as mesmas reuniões e estavam sujeitos ao mesmo código de ética, argumentou o defensor.

A juíza Pamela Chen, porém, interrompeu as perguntas, retirou os jurados da sala, ouviu as partes e decidiu que não iria permitir a linha de argumentação, por considerar que ela não prova nada sobre os fatos contra Marin, e que a Fifa e seu posicionamento em relação aos investigados não está em jogo. A magistrada chegou a afirmar que isso só provaria que “Del Nero tem mais amigos em esferas superiores do que Marin”.

NA PLANILHA – Durante julgamento realizado no dia 30 de novembro, José Eladio Rodríguez, testemunha da acusação, que era responsável pela execução das transferências da Torneos y Competencias, indicou que o ex-diretor da Globo Marcelo Campos Pinto, que antes negociava a compra de direitos de transmissão esportiva para o grupo de TV brasileiro, e Maco Polo Del Nero recebiam propina. Ele se referia a Marcelo Campos Pinto como “MPC” e Del Nero como “MPC”.

A testemunha afirmou que quando citava a sigla “MP” fazia uma referência aos dois brasileiros, Del Nero e Marin. Nas palavras dele, eles “eram um só, viviam juntos, sempre os via juntos”.

Essa confusão também aparece nos e-mails de Rodriguez. Numa série de mensagens que mandou como lembrete para seu próprio endereço eletrônico, o ex-executivo da Torneos listava pagamentos a serem divididos entre Marin e Del Nero, entre esses uma transferência de US$ 3 milhões de junho de 2013.

Contador confirma que recibos de aluguel de Lula foram assinados no hospital

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Recibos falsos não incluem pagamento do IPTU

Alana Fonseca e Bibiana Dionísio
G1 PR, Curitiba

O técnico em contabilidade João Muniz Leite confirmou, nesta sexta-feira (dia 15), que levou recibos dos aluguéis de um apartamento em São Bernardo do Campo (SP) para que fossem assinados no hospital pelo empresário e dono do imóvel, Glaucos da Costamarques. O apartamento é vizinho ao do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva e usado pelos seguranças dele.

Muniz ainda contou que fez os recibos a pedido de Costamarques. Ele foi ouvido nesta manhã pelo juiz federal Sérgio Moro, responsável pelos processos da Operação Lava Jato na primeira instância, na ação que apura a veracidade dos recibos de aluguel.

SÃO FALSOS – Os documentos foram apresentados pela defesa do ex-presidente Lula, acusado de receber o imóvel como propina da Odebrecht. Para a força-tarefa da Lava Jato, os recibos são ideologicamente falsos, ou seja, foram produzidos para dar aparência de legalidade a atos ilícitos. O ex-presidente responde por corrupção e lavagem de dinheiro; ele nega as acusações.

Muniz presta serviços para Roberto Teixeira, advogado de Lula, e para Costamarques. Segundo Muniz, ele também fazia a declaração de Imposto de Renda do ex-presidente a pedido de Teixeira.

Ele disse que, quando fechou a declaração do ano-base 2014, percebeu que faltavam alguns recibos. Ainda de acordo com o técnico em contabilidade, ele encerrou mesmo assim a declaração, porque tinha conhecimento e controlava os recebimentos de aluguéis e sabia os valores que tinham sido pagos.

FALTA DE RECIBOS – Muniz afirmou que recebia todos os documentos para a declaração do ex-presidente das mãos do Roberto Teixeira. Quando ele viu que faltavam recibos, pediu para Teixeira os documentos. Recebeu, então, uma pasta com diversos recibos, sendo que alguns estavam sem assinatura.

“Eu aproveitei a visita que fiz a ele [Costamarques, no hospital] e mencionei a falta dos recibos e alguns sem assinar. Ele perguntou se eu podia preparar para ele, eu preparei baseado nos modelos que ele já havia apresentado, pedi a um funcionário que fizesse, levei ao hospital e colhi as assinaturas”, disse Muniz.

Ele afirmou que colheu assinatura de 14 ou 15 recibos entre 2014 e 2015.

POR E-MAIL – De acordo com Muniz, em 2011 e 2012, ele recebeu os recibos. Já em 2013, também havia falta de recibos, e ele entrou em contato com Costamarques por e-mail, solicitando os valores recebidos mês a mês.

“Em 2013, eu não recebi os recibos, mas recebi uma confirmação por e-mail do seu Glaucos com o recebimento dos aluguéis mês a mês que conferiam exatamente com os valores que eu tinha apontado nos pagamento”, disse.

A defesa do ex-presidente afirmou que o depoimento de Muniz reforçou que todos os recibos com quitação foram emitidos pelo proprietário do imóvel, que também dirigia a ele informes sobre o recebimento de aluguéis, inclusive por e-mail.

COSTAMARQUES NEGA – Ao depor, Costamarques voltou a dizer que não recebeu todo o valor do aluguel, que assinava vários recibos de uma só vez, e que os de 2015 foram assinados no hospital, onde ele estava internado para uma cirurgia.

“Então, deixa eu ver se entendi: de fevereiro de 2011 a novembro de 2015, o senhor não recebeu nenhum valor por esse aluguel do ex-presidente Luiz Inácio?”, perguntou Moro. Costamarques respondeu que não. O juiz federal, então, perguntou se, em algum momento, os atrasados foram pagos a ele. “Não também”, explicou.

Costamarques também justificou ao juízo que declarou os alugueis não recebidos no imposto de renda para que a situação ficasse regularizada. “Eu tinha um contrato de aluguel. Como eu ia fazer? Eu declarei que recebi os alugueis, mas não recebi. Mas eu tinha a perspectiva de receber”, explica.

ERA “LARANJA” – Para a Ministério Público Federal (MPF), Glaucos foi usado como laranja para esconder que o imóvel era de Lula. Ele é primo do pecuarista e amigo de Lula José Carlos Bumlai e comprou o apartamento em 2011; porém, quem usa o imóvel é o ex-presidente.

Os advogados de Lula entregaram o contrato de aluguel em nome da ex-primeira dama Marisa Letícia e 31 recibos de pagamento entre 2011 e 2015 – dois deles têm datas inexistentes.

Ainda de acordo com o MPF, as contas bancárias deles não apresentaram movimentações que confirmassem o pagamento do aluguel, até novembro de 2015, mês em que Bumlai foi preso. Costamarques disse ainda que passou a receber o dinheiro do aluguel a partir daquele mês. Agora, Moro quer que os procuradores digam se querem fazer ou não a perícia nos recibos.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
Fica claro que o contador está mentindo para ajudar a defesa de Lula e vai se dar mal perante a Justiça, por falso testemunho. Seu depoimento foi desmentido pelo próprio Costamarques. Se o contador estivesse dizendo a verdade, todos os recibos seriam idênticos, só mudariam as datas. Além disso, em nenhum recibo consta pagamento do IPTU, que é da responsabilidade de quem aluga – no caso, o ex-presidente Lula, que vai ser condenado de novo, sem escapatória. (C.N.)  

2017, um ano que já vai tarde, sem marca, muita confusão e pouco resultado

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Charge da Pryscila (Arquivo Google)

Eliane Cantanhêde
Estadão

O ano de 2017 vai acabando sem grandes marcas, ou com marcas mais negativas do que positivas. A três semanas do 31 de dezembro, cadê a reforma da Previdência? No que a Lava Jato andou? Que político com mandato foi julgado pelo Supremo? E o choque de empregos, que ninguém sabe, ninguém viu?

Assim, o ano teve, ou está tendo, muita emoção, muita notícia e muita espuma, mas poucos resultados efetivamente concretos, e o tempo que lhe resta parece pouco para uma surpresa realmente impactante. Tudo sempre pode acontecer, até mesmo nada. Parece o caso.

A reforma empacou por um problema comezinho: falta de votos. O PMDB titubeou, o PSDB está perdido no meio da multidão e ambos serviram de pretexto para os demais partidos da base aliada cruzarem os braços. O novo coordenador político do governo, Carlos Marun, assume na quinta-feira e admite quase candidamente que espera uma “onda positiva”. Ah, bem!

Já a oposição surfa num populismo barato, puxado pelo ex-presidente Lula, que está careca de saber que a reforma é fundamental e que não vai ameaçar as aposentadorias, mas sim garantir que elas sejam mantidas no futuro. Assim como Lula não gastou um tico de sua imensa popularidade para aprovar uma reforma que sabia essencial, agora ele lidera a gritaria da sua “esquerda” contra as mudanças com o único intuito de atrapalhar a vida do presidente Michel Temer, já, e a campanha dos adversários do PT, em 2018. E o interesse nacional? Conta?

Na Lava Jato e seus desdobramentos, tivemos um ano de grandes turbulências com duas denúncias consecutivas da PGR contra o presidente da República. Convenhamos, nada trivial. Mas deu em quê? Num desgaste enorme de Temer, na paralisia do governo, no troca-troca infernal para “convencer” os deputados a votarem contra. No fim, as denúncias foram derrotadas e Temer ficou, mas ficou fraco. E a turma da J&F foi para a cadeia.

Curitiba fez o que tinha de fazer e praticamente esgotou sua parte nesse latifúndio (o da Lava Jato), até mesmo com a transferência de quadros da PF e do MP para outros Estados. Mas a diligência de lá não parece se reproduzir no resto do País, com exceção do Rio, onde toda a cúpula política foi parar em Benfica, e do DF, onde as coisas estão acontecendo.

O nó continua sendo no Supremo. Alguém lembra da “lista do Janot”, que virou “do Fachin”? E as investigações sobre os campeões Renan Calheiros, Romero Jucá e Aécio Neves, por onde andam? E sobre a presidente do PT, Gleisi Hoffmann? Todos disputarão as eleições, lépidos e fagueiros.

Se o Supremo julgou alguma coisa, foram o “caso Aécio”, para os plenários ratificarem ou não medidas cautelares contra parlamentares, e a revisão do foro privilegiado, que joga a responsabilidade para instâncias inferiores, mas não garante que a Justiça seja feita. Aliás, o próprio ministro Luís Roberto Barroso, arauto do fim do foro, já admitiu isso publicamente. E esse julgamento nem acabou…

No Congresso, idas e vindas, sem chegar a lugar nenhum. De um lado, as dez medidas contra a corrupção viraram um Frankenstein e estão jogadas em alguma gaveta. De outro, a atualização da Lei Contra Abuso de Autoridade fez que ia, mas não foi.

Ok, a economia dá sinais de ânimo, mas, além da Previdência, Temer é obcecado por um choque de empregos. Há um aumento de oferta de vagas, mês a mês, mas muito longe de poder ser chamado de “choque”. A recuperação é lenta, enquanto o País e o presidente têm pressa.

Então, qual a marca de 2017? Nenhuma. Foi, ou está sendo, um ano em que aconteceu tudo, mas não resultou em nada. Vai saindo de fininho, deixando uma enorme interrogação sobre o decisivo 2018.

Há inversões de papéis na Lava Jato, com delatores presos e delatados soltos

 ex-representante da SBM Offshore

Júlio Faerman (ao centro) mentiu e pegou 28 anos

Bernardo Mello Franco
Folha

O Barão de Itararé já ensinava: “De onde menos se espera, de lá é que não sai nada”. Mesmo assim, é difícil não se surpreender com o relatório final da CPI da JBS, apresentado nesta terça-feira. O texto do deputado Carlos Marun tenta transformar suspeitos em vítimas e investigadores em investigados. Ele livra os políticos acusados de receber propina e pede o indiciamento do procurador Rodrigo Janot, ex-comandante da Lava Jato.

Isso já era esperado, a novidade está na argumentação jurídica. O relator propõe que Janot seja enquadrado na Lei de Segurança Nacional, que era usada para perseguir adversários da ditadura militar.

QUATRO VERSÕES – A famigerada LSN teve quatro versões no regime dos generais. A última foi sancionada por João Figueiredo em 1983. O general deixou o Planalto pela porta dos fundos, mas o texto sobrevive como entulho autoritário.

Com o palavreado típico dos “jurilas”, a lei afirma que é crime “caluniar ou difamar o presidente da República” e “incitar à subversão da ordem política ou social”.

Foi com base nesses artigos que a ditadura tentou sufocar a voz de estudantes, intelectuais, advogados, jornalistas… melhor parar por aqui, porque o relator da CPI está prestes a virar ministro de Estado.

UMA VERGONHA – A ousadia de Marun impressionou alguns integrantes da comissão. “É uma vergonha para nós, é uma tristeza se esta CPI acabar desse jeito”, protestou o deputado João Gualberto, do PSDB. “Hoje nós temos vergonha de sermos políticos”, emendou o senador Lasier Martins, do PSD.

Além de incriminar investigadores da Lava Jato, a comissão também quer amputar a Lei das Delações Premiadas. A proposta do deputado Wadih Damous, do PT, impõe barreiras que podem inviabilizar o instituto, na opinião dos investigadores.

Em novembro, uma testemunha disse à CPI que havia uma inversão de papéis: “Temos delatores presos e delatados soltos”. Parece que o objetivo da turma era esse mesmo.