Em matéria de torpezas e vilezas, Temer realmente é um especialista

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Charge do Nani (nanihumor.com)

Bernardo Mello Franco
Folha

Na era da comunicação instantânea, Michel Temer se mantém fiel às cartas. Há quase dois anos, ele escreveu uma para informar que não queria mais ser um “vice decorativo”. Agora enviou outra para avisar que deseja continuar presidente.  Na primeira correspondência, Temer enumerou suas mágoas com Dilma Rousseff. “É um desabafo que já deveria ter feito há muito tempo”, disse. Na segunda, ele repete a ladainha para os congressistas. “É um desabafo. É uma explicação para aqueles que me conhecem”, afirma.

Na missiva original, o peemedebista negou ser o chefe de uma “suposta conspiração”. “Não é preciso alardear publicamente a necessidade da minha lealdade”, escreveu.

VIROU VÍTIMA – Agora ele muda de papel e se diz vítima de conspiradores. “Jamais poderia acreditar que houvesse uma conspiração para me derrubar”, lamuria-se.

As citações em latim sumiram, mas o tom de lamentação continua. “Sei que a senhora não tem confiança em mim”, queixou-se o vice de 2015. “O que me deixa indignado é ser vítima de gente tão inescrupulosa”, chia o presidente de 2017.

Na nova carta, Temer faz um uso seletivo do que dizem os presos da Lava Jato. Quando eles o incriminam, repetem “mentiras, falsidades e inverdades”. Quando ajudam a sustentar a sua defesa, merecem ser levados ao pé da letra.

FUNARO E CUNHA – O presidente desqualifica o depoimento de Lúcio Funaro, a quem chama de “delinquente conhecido”. Ao mesmo tempo, recorre ao testemunho de Eduardo Cunha, que dispensa adjetivos. Os dois estão na cadeia pelos mesmos motivos, mas só o doleiro decidiu delatar os comparsas.

Em outra passagem, Temer se diz vítima de “torpezas e vilezas”. Nesta segunda, ele voltou a praticá-las para barganhar apoio na Câmara. O “Diário Oficial” publicou uma portaria que dificulta a fiscalização do trabalho escravo. A medida atende ao lobby da bancada ruralista, que promete votar em peso para enterrar a denúncia contra o presidente.

Ciro Gomes diz que prazo de validade da candidatura de Dória vai até dezembro

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Ciro afirma que Lula beijou a cruz conservadora”

Gabriela Sá Pessoa
Folha

“Os bancos obrigaram o PT a beijar a cruz. Eu não vou beijar. Se não der, vou ficar assistindo de fora.” Ciro Gomes, pré-candidato do PDT à Presidência em 2018, assim traçou a diferença de seu pensamento econômico com o dos governos Lula, de quem foi ministro da Integração Nacional (2003 a 2006) e Dilma. Ele falava, na segunda-feira (dia 16), a estudantes da Faculdade de Economia e Administração da USP sobre seu “antagonismo com o rentismo” e sobre a disposição em trazer os “juros para um padrão menor”.

Ex-governador do Ceará e ex-ministro da Fazenda de Itamar Franco, Ciro defendeu, além da diminuição dos juros, “um ciclo de reindustrialização forçada”. Sua agenda, diz, “converge iniciativa privada e Estado saneado”, oferecendo crédito e renúncia fiscal a setores que considera estratégicos: agronegócio, saúde, defesa e indústria de óleo e gás.

Em que pé está a candidatura do sr.? O sr. disse no início do ano que não tinha vontade de ser candidato concorrendo com Lula.
A Folha deformou minha declaração, nunca deixei de dizer isso: eu não gostaria de ser candidato com ele sendo, o que não quer dizer que eu não serei. Se o Lula for candidato, imediatamente se passionaliza o ambiente. Ódios, rancores, violência — e o país não vai ter um minuto para discutir o seu futuro. Minha candidatura só depende do PDT. Mas haverá sempre o direito do PDT não querendo, eu enfim.

Logo após a publicação da última pesquisa Datafolha, Carlos Lupi, presidente do partido, disse que sua candidatura é ‘imexível’.
Pois é, você veja. Forte isso [risos]. Eu não estou com tensão eleitoral nenhuma. Quero explicitamente criar uma corrente de opinião. Tenho dito claramente: não estou aqui para buscar simpatias, a divisão do Brasil entre coxinhas e mortadelas não cabe. Quero discutir enquanto é tempo ideias, pensares diferentes, exames. Portanto, não é a hora da simpatia. É a hora de pensar.

Lupi tem construído candidaturas estaduais, com palanques avançados para o sr.
A outra agenda é essa: estamos organizando nos Estados. E vai surpreender. A opinião publicada vai se surpreender. Do jeito em que as coisas estão, vou sair com a melhor estrutura de todos.

Que estrutura é essa?
É cedo. Temos já candidato pré-lançado no Rio Grande do Sul, é um quadro que saiu do PT e entra chapa pronta lá com dois senadores e tal. Estamos filiando o Odilon, juiz federal do Mato Grosso do Sul que prendeu os bandidos. Temos o candidato Osmar Dias está na frente das pesquisas do Paraná. E no Rio Grande do Norte, Distrito Federal, Espírito Santo com o PSB.

Seria um apoio nacional ao senhor, o do PSB?
Não sei, vamos ver. Eles têm o tempo deles. Eu quero muito.

Há um comprometimento da ala paulista do PSB com Alckmin.
Não, eles estão conversando. É natural desta fase, todos estão conversando com todos. Salvo alguns que têm algumas interdições, como eu, que não converso com o PMDB.

Fala-se em um vice para o senhor?
Não, não. Muito cedo, vou deixar para a última hora.

Como o sr. recebeu o resultado da pesquisa Datafolha? O sr. aparece em patamar semelhante ao de Doria e Alckmin.
Com uma diferença: ambos estão sediados em São Paulo, que é 28% do eleitorado. Ambos estão centralmente postos na mídia e eu sou absolutamente marginalizado. A ombudsman da Folha escreveu sobre isso — o que não me desagrada em nada. É normal, tá tudo certo. Porque pesquisa, para um homem vivido como eu, é um retrato de um momento. E a vida não é um retrato, é um filme. E, nesse momento, a pesquisa tem que ser lida com nível de conhecimento, nível de preferência espontânea, nível de preferência induzida, nível de rejeição específica. A dinâmica disso é que dá o potencial. E, mais do que tudo, eleição majoritária tende a ser resolvida de véspera. Ou seja: a tendência, mais ou menos, está definida de véspera e a campanha tenta identificar quem é o intérprete mais fiel identificado com aquela tendência que está posta de véspera. Se você ler a pesquisa, estão querendo um cara experiente, um cara que tenha ficha limpa. Aí eu estou brincando: esse cara sou eu [risos], frase que é do poeta, do Rei [Roberto Carlos].

Ao falar sobre economia aos estudantes, o sr. citou “meu governo” em alguns momentos. O que o sr. disse na palestra integrará sua plataforma de governo?
Não ainda. Porque o candidato interpreta médias. O que vou fazer: estressar essas médias em direção às minhas ideias. Que nesse momento, o combinado com o Lupi, estou propondo a minha contribuição ao debate. E tem coisas polêmicas.

Por exemplo a discussão sobre tributação de heranças, que o sr. colocou?
Por exemplo. Eu estou dizendo que no Ceará cobramos 8%, e não há razão para não se cobrar. Nos Estados Unidos é 40%. Na Europa, entre 32% e 47%. Evidentemente, quando eu for entrar numa aliança, os partidos consultados vão dizer: isso não é oportuno, isso não convém.

A proposta contrariaria interesses.
Contraria o interesse de 0,03% das pessoas. A questão básica é: a que senhor você quer servir? E eu quero servir às maiorias. Sem discriminar ninguém, mas eu quero governar para os pobres.

O sr. coloca a sua candidatura no campo da esquerda?
Acho que não cabe. A proposta minha é no campo da centro-esquerda. Acho que temos que montar uma concretude explícita que reúna os interesses práticos e futuros de quem produz com quem trabalha. Por exemplo, a esquerda tem uma crítica azeda ao agronegócio. Eu respeito profundamente o agronegócio. Evidentemente que não aceito as distorções que um ou outro produzem e que, muitas vezes, se generaliza por conjunto. Não é justa essa generalização. Mas eles, sob o ponto de vista de contas, estão pagando a conta do Brasil, há anos.

Em sua palestra, o sr. falou em sentimentos da população: a felicidade com a redução da inflação e com a melhoria econômica e, depois, o ódio quando o brasileiro perdeu poder aquisitivo.
Ele se sente enganado e fica com raiva mesmo, e com razão.

A campanha de 2018 será trabalhada, sobretudo, sobre o ódio?
Acho, sim. Mas pior do que isso, acho que essa direita que está orientada tecnicamente por interesses estrangeiros vai tentar substituir o temário de empregos, salários, saúde e educação por temários morais, temas de família, religiosos. Porque nesse temário que importa eles perdem o debate. E, nesse outro, eles alcançam alguma afinidade popular, porque nosso povo é cristão, é católico, é neopentecostal. E nessa armadilha eles não me levam.

Como vê o financiamento eleitoral para o ano que vem, com a proibição de doações empresarias? É um problema do Brasil. Você tem a ideia, da nossa moral dominante, de que o poder econômico não se relacionam com o poder político porque o tribunal [Supremo Tribunal Federal, em 2015] disse que não vai acontecer. É uma vã ideia que só prejudicará os homens de bem e as mulheres decentes que fazem política. Porque o poder econômico é um dado irremovível da realidade. E o poder político é um dado irremovível da realidade e onde se privilegiam interesses concretos. Esse poder econômico vai sempre se relacionar —a gente faz a opção de mandar isso tudo para o bastidor, para a clandestinidade. E aí é o paraíso dos picaretas. Trocam conta na Suíça por conta em Cingapura. Trocam conta nas Ilhas Caymann por mala de dinheiro em apartamento, como nós acabamos de assistir. E o presidente veta o limite à contribuição individual, de maneira que nós estamos oficializando que o poder no Brasil, hoje, quer que seja uma plutocracia no lugar da democracia.

E os efeitos da reforma política, com a aprovação da cláusula de barreira para o ano que vem?
Vai continuar tudo como está. A cláusula de barreira é mínima — ela vai deixar sem representação de sete a dez partidos e olhe lá. Não farão falta nenhuma ao país. E a grande mudança que poderia ter acontecido eles adiaram, que é a proibição de coligação proporcional. Eu ainda até imagino que o tribunal pode determinar ainda para esta eleição, porque este é o grande problema: você fazer um mercado de traficância de tempo de TV, eles estão terceirizando o fundo partidário.

Por que disse, na palestra, que Doria é “carta fora do baralho” da eleição presidencial até dezembro?
Porque ele não é do ramo. Torrou o orçamento de São Paulo, queimou as pontes todas. Perdeu o “timing” para fazer acordo por dentro e ser eventualmente candidato a governador. Colidiu com o cara que o inventou. E passou para a população a ideia de que é um carreirista, que só pensa em si, que não tem nenhum compromisso com nada e com ninguém. E saiu para fazer uma ilusão de ótica, passear por aí, receber título de cidadão não sei por onde, tudo factoide, deixando a grande e grave responsabilidade — que seria a decolagem dele— aqui, descuidada. Ele não é do ramo. Como eu sempre disse, é um farsante. Em dezembro, se o Datafolha fizer outra pesquisa, está completamente deslegitimado.

Quem serão os nomes em 2018?
Se o PSDB tivesse juízo, não cometeria esses erros que está cometendo, segurando nas alças do caixão de um governo Temer. E jamais deveria ter deixado esse desgaste em cima do Alckmin. Vai correr atrás do leite derramado, com uma ruptura lá na frente da eleição, quando parecer oportunismo. E o Alckmin terá todo esse desgaste para trás. Aécio está fora de combate, mais um defunto político insepulto dando as cartas no PSDB, que tem quatro ministros no governo. O programa [de TV] do partido faz delação premiada de presidencialismo de cooptação e quem que coopta o ministro do PSDB [Antonio Imbassahy, ministro-chefe da Secretaria de Governo]. Pelo menos funcionalmente, ele é o encarregado de fazer isso, embora quem faça mesmo é o Temer. São erros por cima de erros. Espero que Lula seja absolvido, mas entendo que a candidatura dele é um desserviço a ele e ao país. E acredito que ele é capaz de poder fazer isso. De, absolvido, liderando pesquisa, entender, sem qualquer tipo de constrangimento que ele deveria convocar um grande debate que unificasse as forças progressistas do país. E ele daria o maior exemplo de liderança, de preocupação com o país, e não com mero petismo frustrado com a onda antipetista.

Lula deveria apoiar o sr.?
Não digo necessariamente, senão perco a moral da tese. Evidentemente, não se inventarão candidatos. Mas eu me ponho como um dos possíveis. Não me ponho como “o” candidato. Digo que depende do PDT, só. Mas numa dinâmica grande dessa: imagina o Lula absolvido, pontuando 40% nas pesquisas, ou 35%, dizendo: “Olha, eu entendo que o bom para o país não é rachar. É abrir conversa para unificar o campo progressista, conversar com quem produz. Todo mundo sabe que eu fui presidente, que fiz o que pude fazer, talvez tenha sido imprudente na escolha que fiz dos aliados e tal”.

Na palestra, o sr. disse que ‘os bancos obrigaram o PT a beijar a cruz’ e que não iria beijá-la. Poderia falar sobre essa frase?
Em 2002, foi escrita a Carta ao Povo Brasileiro, por Luís Gushiken e Antonio Palocci. Depois conversei muito com o Lula sobre isso. Ali houve um beija-cruz, mesmo. E a política econômica do Lula foi criptoconservadora. Ele escapou porque pegou o elemento cambial que melhorou muito, e fez muito crédito dirigido para interesses específicos. Mas a política econômica do Lula foi rigorosamente a mesma que a do Fernando Henrique: câmbio flutuante, hostil à indústria —tanto que a desindustrialização continuou sob o Lula —, superávit primário, que foram os maiores do mundo. E a dívida só cresceu. E meta de inflação, inclusive reduzida. Estava numa política importante de melhoria do salário mínimo e, pelas tantas, parou e desregulou pro futuro. Ou seja, tudo o que é estrutural, o Lula beijou a cruz conservadora. Não adianta, se o esquerdismo é a doença infantil do comunismo. Você não é de esquerda porque fala que é. Você é de esquerda pela prática. E ele teve algumas coisas: o salário mínimo subiu de valor, até o limite em que ele congelou. O crédito subiu, mas ele não institucionalizou nada disso. E a rede de proteção social é política social compensatória. Num país de miséria de massa, de fome de verdade, isso não é trivial, é muito importante. Mas também nada disso foi institucionalizado, e nem é o futuro de uma nação como a nossa.

É inútil discutir Queermuseu e Masp, porque significa retroceder à Era Medieval

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As meninas caíram na gargalhada com a performance do homem nu no Masp

Carlos Newton

Por preguiça e para evitar problemas, eu tentara resistir e não entrar nessa polêmica sobre a exposição do “Queermuseu” em Porto Alegre, muito fraca, material exibido pobre, nem merecia discussão, e também sobre a perfomance nudista “La Bête” no Masp, também sem importância, chega a ser ridícula. Eu queria sair fora disso, focar no que realmente interessa, mas não é possível continuar assistindo inerte a esse teatro do absurdo, que está roubando um precioso espaço na mídia e causa uma discussão totalmente desnecessária e fora de época, uma coisa muito antiga, que vem dos primórdios da arte e já deveria ter transitado em julgado, como se diz no linguajar jurídico, mas a cada momento alguém apresenta um novo recurso e a polêmica não acaba nunca.

Como nos antigos anúncios fúnebres, cumpro o doloroso dever de comunicar aos polemistas o falecimento dessa preocupação com o futuro de nossas crianças, a propósito de terem sua pureza contaminada pela arte que se inspira em nudismo e sexo.

“ISSO NÃO ECZISTE” – Podem perguntar ao padre Óscar Quevedo, e ele responderá que “isso não ecziste mais”. O ilustre religioso  deve estar horrorizado com o que está acontecendo com as crianças modernas, mas com certeza sabe que se trata de uma realidade oriunda das novas tecnologias, nada tem a ver com antigas manifestações artísticas, tipo exposição de pinturas ou perfomance ao vivo.

É triste ter de exibir a realidade dos fatos aos dedicados pais, avós e bisavós que tentam defender a prole e perdem tempo em denunciar o que ainda consideram como “arte corrompida”. A ficha deles precisa cair, porque as crianças de hoje não são afetadas por exposições artísticas ou performances, a garotada vai apenas se divertir e dar risadas, como aconteceu no Masp, e uma imagem vale mais do que mil palavras, como dizia o sábio Confúcio.

Há adultos que ainda não perceberam que as crianças de hoje têm contato precoce com todo tipo de perversão. Enquanto pais, avós e bisavós fazem cara de paisagem, o público infanto-juvenil recebe nos celulares todo tipo de mensagens, fotos e filmes com aberrações as mais diversas, inclusive sexo com animais, é uma doideira. O mais curioso é os celulares foram dados aos pequeninos justamente pelos pais, avós e bisavós extremados que agora tanto se preocupam com a pureza dos descendentes, diante de exposições e performances presenciadas por reduzidíssimo público infanto-juvenil.

NADA A FAZER… – Como diz o engenheiro Paulo Lage, um dos construtores do Metrô carioca e que é meu interlocutor em assuntos da Inteligência Artificial e outros avanços da ciência, “estamos diante de uma realidade sem volta, porque ninguém pode tomar os celulares e deixar as crianças incomunicáveis. O resultado é que, nos dias de hoje, os futuros adultos têm acesso a tudo, ninguém sabe o que farão de suas vidas. É uma ilusão achar que poderemos protegê-los do que acontece à nossa volta”.

Portanto, a pureza infanto-juvenil já era… É uma realidade dura de aceitar, eu sei, e lamento transmiti-la. Talvez sejamos nós, os mais velhos, que precisamos todos rejuvenescer, seguindo o ensinamento do Belchior. E se ainda há quem pense que somos os mesmos e vivemos como nossos pais, mesmo assim não adianta querer proibir exposições de arte e performances nudistas. Isso significa um retrocesso, é uma atitude medieval, nesta depravadíssima Era da Informática. Desculpem a franqueza.

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P.S.Também sou um dos pais, avós e bisavós desnorteados com modernidade e que não sabem o que fazer. E quando não sei o que fazer, aprendi a não fazer nada. 

P.S. 2Aproveito a oportunidade para informar que passaremos a deletar todos os comentários que tenham palavrões. Será nossa modesta contribuição à preservação dos bons costumes. (C.N.)

Inventário de Marisa Letícia revela o invejável patrimônio do casal Lula da Silva

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Charge do Son Salvador (Charge Online)

João Amaury Belem

Longe de mim fazer pouco caso com o trabalho desenvolvido pelos líderes sindicais e políticos, haja vista que qualquer que seja o trabalho ele sempre é digno. No entanto, o que diz a mídia brasileira e circula na internet é que o inventário da finada Marisa Letícia mostra que o casal Lula da Silva acumulou um patrimônio muito superior a R$ 12 milhões, porque a avaliação dos bens imóveis é com base no valor de aquisição e os investimentos estão fixados em fevereiro deste anos, sem o rendimento obtidos nos últimos oito meses.

É certo que muitos executivos de grandes empresas estabelecidas no Brasil não conseguem acumular patrimônio semelhante ao do casal Lula da Silva, cuja riqueza demonstra que este país faliu ética e moralmente há muitos anos.

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PATRIMÔNIO MILIONÁRIO DE MARISA LETÍCIA
Deu no site Jornal da Cidade

A relação milionária do patrimônio de Marisa Letícia Lula da Silva já está juntada nos autos de inventário em São Bernardo do Campo. Para quem nunca trabalhou, nunca recebeu herança e nunca ganhou na loteria, o patrimônio é assustador. Quase R$ 12 milhões de reais, sem contar os que porventura está no nome de ‘laranjas’ como Glaucos CostaMarques.

De qualquer forma, os advogados fazem uma ressalva de que não tiveram acesso a todas as aplicações financeiras. Com certeza é alguma ‘jogada’ para esconder os valores maiores, que no futuro deverão arrolar. De todo modo, vejam o que por ora foi declarado:

1 – Apartamento residencial no Edifício Green Hill, em São Bernardo do Campo. Valor: R$ 602.435,01

2 – Apartamento residencial, número 92, no Edifício Kentucky, em São Bernardo do Campo. Valor: R$ 179.606,73

3 – Apartamento residencial, número 102, no Edifício Kentucky, em São Bernardo do Campo. Valor: R$ 179.606,73

4 – Fração do Sítio Engenho da Serra, em São Bernardo do Campo. Valor: R$ 413.547,57

5 – Direito de aquisição de uma fração do Sítio Engenho da Serra, em São Bernardo do Campo. Valor: R$ 130.000,00

6 – Automóvel Ford Ranger 2013/2013. Valor: R$ 104.732,00

7 – Automóvel Ômega CD 2010/2011. Valor: R$ 57.447,00

8 – Conta-corrente no Bradesco. Valor: R$ 26.091,51 (posição de fevereiro/2017)

9 – Crédito junto à Bancoop referente a sua demissão do quadro de sócios. Valor: R$ 320.999,20 (posição de fevereiro/2017)

10 – 98 mil cotas sociais da LILS Palestras, Eventos e Publicações. Valor: R$ 145.284,91

11 – Poupança na Caixa. Valor: R$ 126.827,43

12 – Poupança no Itaú. Valor: R$ 21.438,70

13 – Poupança no Bradesco. Valor: R$ 2.946,69

14 – Aplicação financeira Invest Plus, no Bradesco. Valor: R$ 16.605,25

15 – Aplicação financeira LCA, no Banco do Brasil. Valor: R$ 98.378,89

16 – Renda Fixa, no Banco do Brasil. Valor: R$ 191.926,45

17 – Renda Fixa, no Banco do Brasil. Valor: R$ 52.709,96

18 – Renda Fixa, no Banco do Brasil. Valor: R$ 39.929,24

19 – Previdência Privada VGBL, no Banco do Brasil. Valor: R$ 7.190.963,75

20 – Previdência Privada VGBL, no Banco do Brasil. Valor: R$ 1.848.331,34

TOTAL: 11.749.806,36

Votação será aberta e PSDB tenta inventar manobras jurídicas para salvar Aécio

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Último recurso de Aécio será tentar adiar a votação

Maria Lima
O Globo

O ministro Alexandre de Moraes, do STF (Supremo Tribunal Federal), decidiu nesta terça-feira (dia 17) que o Senado deve fazer uma votação aberta para decidir sobre o afastamento  do tucano Aécio Neves (PSDB-MG). Com quórum prejudicado e incerteza de maioria pró-Aécio Neves, o PSDB vai recorrer a estratégias jurídicas para questionar, na sessão prevista para esta terça-feira, a validade da decisão da Primeira Turma do Supremo Tribunal Federal (STF) que decretou o afastamento do mandato e a reclusão noturna do senador tucano. Há um entendimento entre aliados de Aécio de que ficariam nulas ações tomadas antes de o plenário do STF ter decidido que medidas cautelares contra parlamentares devem ser submetidas ao aval do Congresso.

“É um direito do PSDB entrar com um recurso no STF” (para tentar anular a decisão da Primeira Turma) — diz o líder do PMDB no Senado, Raimundo Lira (PB), acrescentando que há correntes entre os senadores que acham que Aécio foi alvo de uma decisão política na Primeira Turma, antes de o pleno do Supremo decidir a questão.

PRELIMINAR – O ex-líder do PSDB e vice-presidente do Senado, Cássio Cunha Lima (PB), vai levantar essa discussão em uma preliminar durante a sessão. Ainda nem foi publicado o acórdão do Supremo definindo que a possibilidade de aplicação de medidas cautelares só vale a partir do julgamento do plenário do Senado. O acórdão está a cargo do ministro Alexandre Moraes, autor do voto divergente.

“É um argumento preliminar para discussão sobre o tema. Tem que responder a seguinte pergunta: a suspensão do mandato parlamentar pode ser definida por uma turma do STF ou precisa de decisão do plenário? — diz Cássio Cunha Lima.

FALTAM VOTOS – Se não recorrer às instâncias jurídicas, Aécio precisa de 41 votos para derrubar seu afastamento do mandato. A perda de apoios do tucano foi agravada ainda pela ausência em Brasília de pelo menos 11 senadores, que estão em viagens oficiais ou de licença médica.

Com voto tido como certo contra Aécio, Ricardo Ferraço (PSDB-ES) integra uma missão oficial a Abu Dhabi com outros três senadores: Roberto Muniz (PP-BA), Cristovam Buarque (PPS-DF) e Armando Monteiro (PTB-PE). Já a senadora Ana Amélia (PP-RS) decidiu cancelar viagem a Roma, onde participaria de um congresso de diabetes. E já anunciou que votará pela manutenção do afastamento de Aécio, lembrando que a maioria dos senadores teve a coragem de votar pela cassação de Demóstenes Torres, Delcídio Amaral e até da ex-presidente da República, Dilma Rousseff.

O senador José Medeiros (Podemos- MT) disse que é melhor decidir logo o caso de Aécio, sem adiar: “Eu preferia que isso fosse resolvido lá no Supremo. Mas se não tem jeito, vamos enfrentar e decidir logo isso”.

CORRUPÇÃO E OBSTRUÇÃO – Em junho, Aécio Neves foi denunciado por corrupção passiva e obstrução de Justiça, revelados pela delação dos donos e executivos da JBS. O senador tucano foi gravado pelo empresário Joesley Batista, dono da JBS, pedindo R$ 2 milhões, alegando que seria usado em sua defesa na Lava-Jato. Dias depois, a Polícia Federal flagrou Frederico Pacheco, primo do senador, recebendo R$ 500 mil de um dos executivos da empresa.

Frederico chegou a ser preso, junto com a irmã de Aécio, Andrea Neves, na Operação Patmos. Segundo a Procuradoria-Geral da República, o pagamento foi feito em espécie, em quatro parcelas de R$ 500 mil cada, entre 5 de abril e 3 de maio, por meio de Frederico e Mendherson Souza Lima, assessor parlamentar do senador Zezé Perrella (PMDB-MG)

De acordo com a denúncia, Aécio também tentou atrapalhar as investigações da Operação Lava-Jato, na medida em que empreendeu esforços para interferir na distribuição dos inquéritos da investigação no Departamento de Policia Federal, pressionou para a substituição de Osmar Serraglio por Torquato Jardim no Ministério da Justiça e articulou a anistia do crime de caixa dois, que acabou não sendo aprovado, e a aprovação de projeto que trata do abuso de autoridade, como forma de constranger Judiciário e Ministério Público.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
Não faltam motivos para cassação de Aécio Neves, flagrado em condições piores do que Delcídio do Amaral. Mas acontece que no Senado os parlamentares são aparentemente iguais, porém alguns são mais iguais do que os outros. (C.N.)

Um grande abraço e muitas felicidades a Helio Fernandes, que completa 97 anos

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Helio escreve diariamente em seu blog  e no Facebook

José Carlos Werneck

Quero hoje aqui lembrar o aniversário do grande jornalista Helio Fernandes, que hoje completa 97 anos de idade. Sua vida profissional confunde-se com a própria história da Tribuna da Imprensa, título de que é proprietário desde 1962. Helio é pai dos jornalistas Rodolfo Fernandes e Helio Fernandes Filho e irmão do notável jornalista e humorista Millôr Fernandes, todos já falecidos. Tem mais três filhos: Isabela e Bruno, que trabalham em cinema , e a fotógrafa Ana Carolina.

Iniciou sua carreira aos treze anos, na revista O Cruzeiro, onde entrou a pedido do tio, gráfico de profissão, permanecendo lá por aproximadamente 16 anos, junto com seu irmão mais novo Millôr Fernandes. Depois foi para o Diário Carioca, onde foi chefe da seção de esportes chegando ao cargo de secretário, semelhante ao atual editor. Quando o jornal fechou, foi ser diretor da revista Manchete.

COM LACERDA – Com o fim da ditadura de Getúlio Vargas, em 1945, cobriu a Assembléia Constituinte de 1946, onde conheceu o jornalista Carlos Lacerda, com quem teve longa relação profissional e de amizade. Trabalhou no recém-lançado jornal Tribuna da Imprensa. É o único jornalista ainda vivo que participou da cobertura da Assembléia Constituinte de 1946.

Foi assessor de imprensa de Juscelino Kubitschek durante a campanha à presidência da República em 1955, quando viajou por todo o pais, em companhia do então candidato. Após a campanha, polêmico como sempre, volta ao jornalismo de oposição ao governo que ajudara a eleger. Trabalhou, também, na televisão, num programa líder de audiência, onde atuou brilhantemente, comentando o cenário político.

Carlos Lacerda, primo de meu pai,o jornalista Geraldo de Andrade Werneck,redator do “Correio da Manhã”, considerava Helio Fernandes um dos maiores jornalistas brasileiros,e nutria por ele grande admiração.

UM “GÊNIO” – Por ocasião das articulações para a famosa “Frente Ampla” de Lacerda, Juscelino e Jango,assisti a uma conversa de Carlos Lacerda com meu pai, em que o ex-governador da Guanabara disse que Helio era um verdadeiro gênio e desempenharia um importante papel no movimento que unia antigos adversários para tentar a derrubada do governo militar.

No início da década de 1960, Helio adquiriu o jornal Tribuna da Imprensa, fundado em 1949 por Carlos Lacerda, que era então o primeiro governador eleito do recém-criado estado da Guanabara. Vários jornalistas importantes dessa época ganharam destaque trabalhando com ele, como Paulo Francis e Sebastião Nery.

Sempre polêmico, foi perseguido por João Goulart e continuou a ser perseguido pelo regime militar de 1964. Depois, foi redator do manifesto pela Frente Ampla, lançado por Juscelino Kubitschek, Carlos Lacerda e João Goulart. Foi candidato a deputado federal pelo MDB, liderava as pesquisas, mas teve seus direitos políticos cassados em 1966.

PRISÕES E CENSURA – Com a censura à Imprensa imposta principalmente com o AI-5 em 1968, foi preso várias vezes, inclusive no DOI-CODI, e afastado compulsoriamente do Rio de Janeiro obrigado a passar períodos de confinamento em Fernando de Noronha, Pirassununga e Corumbá, no Pantanal de Mato Grosso. Ao contrário de outros proprietários de jornal, jamais aceitou a censura e nunca deixou de tentar publicar as notícias no período.

A Tribuna da Imprensa foi o jornal mais censurado do país, o único a sofrer intervenção militar de 1968 a 1978. A sede do jornal sofreu um atentado a bomba, poucos dias antes do RioCentro, no final do Regime Militar, em 1981, mas no dia seguinte o jornal já estava nas bancas.

A este brilhante jornalista, quero aqui deixar minhas sinceras homenagens, grande admiração e votos de muitas felicidades e plena saúde em sua notável trajetória de vida.

Grande abraço, Helio, um feliz aniversário e continue brilhando como sempre!

Desespero e êxtase na poesia extremada de Augusto dos Anjos

Resultado de imagem para augusto dos anjosPaulo Peres
Site Poemas & Canções

O advogado, professor e poeta paraibano Augusto de Carvalho Rodrigues dos Anjos (1884-1914) escrevia poesias com características marcantes de sentimentos de desânimo, pessimismo e sofrimento, conforme se constata no poema “Gozo Insatisfeito”.


GOZO INSATISFEITO
Augusto dos Anjos

Entre o gozo que aspiro, e o sofrimento
De minha mocidade, experimento
O mais profundo e abalador atrito…
Queimam-me o peito cáusticos de fogo,
Esta ânsia de absoluto desafogo
Abrange todo o círculo infinito.

Na insaciedade desse gozo falho
Busco no desespero do trabalho,
Sem um domingo ao menos de repouso,
Fazer parar a máquina do instinto,
Mas, quanto mais me desespero, sinto
A insaciabilidade desse gozo!

Se Bolsonaro privatizar o Supremo, resolverá todos os problemas do país

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Charge do Bier (Arquivo Google)

Francisco Vieira

Tomara que Jair Bolsonaro evolua até 2018. Sua declaração sobre vender a Petrobras, “menos para a China”, é uma tirada falsamente ideológica, porque os próprios americanos negociam abertamente com os chineses e grande parte do que a China exporta é para os Estados Unidos. Ou será que o candidato brasileiro quer ser mais “americano” do que os americanos e mais “chinês” do que os chineses? Será que o Brasil deixará de usar a pólvora por ser invenção chinesa? Ou será que Bolsonaro acha que o dinheiro e a dívida pública têm ideologia e que uma nota de 100 dólares recebida dos países capitalistas compra mais coisas do que uma nota de 100 dólares recebida dos países comunistas?

O segundo candidato nas pesquisas mostra desconhecer que, no Brasil de hoje, a farda do Exército e a borracha do lápis do neto dele são produzidas na China.

NACIONALISMO – A obrigação de Bolsonaro é proteger o produtor nacional, e não o produtor americano, pois ele não será candidato a presidente dos Estados Unidos.

Ao escolher cliente para vender/entregar o país, o candidato não percebe que se comporta como uma prostituta que acha que está sendo menos suja por escolher um certo cliente em detrimento de outro, quando, na verdade, o que é sujo mesmo é a profissão dela. E é isso mesmo que mantém nosso atraso – a prostituição dos nossos líderes.

O fato de uma empresa ser estatal ou privada facilitaria a existência da corrupção e a roubalheira do povo brasileiro? Isso já foi discutido exaustivamente aqui na “Tribuna da Internet” e a resposta todos já sabemos: – O que facilita a corrupção no Brasil é a falta absoluta de Justiça!

PORTO SEGURO – Nosso problema é o fato de o Supremo ser apenas um luxuoso cabide de emprego e um porto seguro para os arautos de criminosos! Em alguma gaveta dourada da Praça dos Três Poderes acumulam-se os processos dos maiores assassinos em massa deste país, enquanto o dono da toga, despreocupadamente, almoça em Roma e, pachorrentamente, janta em Paris com os bolsos cheios do nosso suado dinheiro.

Assim, a impunidade é adotada como hábito pelos nossos magistrados do “Tribunal Superior”, da mesma forma que o saque e o homicídio são tidos como rotina normal na vida diária dos piratas, traficantes e saqueadores do povo brasileiro.

Para o bandido, não faz diferença se é a empresa é estatal ou privada. O criminoso quer é roubar, levar vantagem. E cabe à Justiça dizer que não pode e que ele será punido se cometer algum crime. Mas isso não acontece.

GRANDE MENTIRA – A JBS não é estatal, mas se os proprietários soubessem que moravam em um país sério e que poderiam passar 30 anos na cadeia, duvido que eles tivessem usado dinheiro público irregularmente.

Privatize-se para arrecadar dinheiro, para tornar mais eficientes os serviços ou para incentivar concorrência. Até aí tudo bem. Agora, se a desculpa para privatizar for o combate à corrupção, qualquer discurso  adotado, qualquer justificativa – tudo será apenas uma grande mentira, uma enorme perda de tempo.

Nada acontecerá, a menos que privatizemos a “estatal” que causa toda a celeuma e que é o adubo da corrupção brasileira e da mortandade nesta “nação”. Ou seja, basta Bolsonaro privatizar o Supremo Tribunal Federal e tudo estará resolvido!!!

No desespero, Aécio Neves tenta adiar a votação para evitar ser derrotado

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Charge do Paixão (Gazeta do Povo)

Carlos Newton

Tudo indicava que o senador Aécio Neves (PSDB-MG) recuperaria seu mandato com facilidade. Mas em política as aparências enganam, e a gente vive falando nisso aqui na “Tribuna da Internet”, ao fazer a tradução simultânea dos supostos fatos. Nesta votação, o parlamentar tucano precisa do apoio de 41 dos 81 senadores, para derrubar a decisão do Supremo e retomar o mandato. Acontece que nesta terça-feira Aécio Neves já começa perdendo dois votos – o dele próprio e o do presidente do Senado, Eunício Oliveira, que votaria pela devolução do mandato, mas só pode se manifesta em caso de empate em 40 a 40.

As informações confirmam que, pelo menos, 12 senadores estarão ausentes da votação que hipoteticamente poderia derrubar a decisão do Supremo Tribunal Federal que afastou Aécio e lhe impôs medidas restritivas, como recolhimento noturno após 18 horas.

AUMENTA O RISCO – Somente 67 senadores poderão votar nesta terça-feira e Aécio precisa de 41 votos, repita-se. Entre os faltosos está o líder do governo, Romero Jucá (PMDB-RR), que é considerado um dos principais articuladores do Senado. Ele se recupera de uma operação de diverticulite e, segundo a assessoria de imprensa, só deve voltar às atividades parlamentares daqui a dois dias.

O líder do DEM, Ronaldo Caiado (GO), que votaria contra Aécio, pediu licença médica por ter sofrido uma fratura tentar domar uma mula em sua fazenda na cidade de Mara Rosa, na semana passada, vejam a que ponto chegamos.

Outros quatro senadores – Armando Monteiro (PTB-PE), Ricardo Ferraço (PSDB-ES), Ricardo Muniz (PP-BA) e Cristovam Buarque (PPS-DF) – também não estarão no Senado nesta terça-feira, pois se encontram em missão especial nos Emirados Árabes. E há mais cinco – Jorge Viana (PT-AC), Vanessa Grazziotin (PCdoB-AM), Gleisi Hoffmann (PT-PR), Sérgio Petecão (PSD-AC) e Roberto Muniz (PP-BA) – que estão na Rússia. O presidente do Senado, Eunício Oliveira (PMDB-CE), estava na mesma missão, mas antecipou o retorno para esta segunda-feira.

SEM CHANCES – Para haver quorum, é preciso que haja 43 senadores na sessão, incluindo o presidente Eunício Oliveira, que não vota. Se houver votação, tudo indica que Aécio Neves estará liquidado, a confirmação do afastamento significará para ele uma cassação antecipada, porque as provas são abundantes e até causaram prisão de sua irmã Andrea Neves e de seu primo Frederico Medeiros, filmado pela Polícia Federal ao receber da JBS uma mala com R$ 500 mil, destinada ao senador tucano.

Justamente por isso, os aliados de Aécio estão mobilizados para evitar que haja quorum e a sessão seja realizada. E nem importa se a votação será aberta ou secreta, a única opção do ainda presidente licenciado do PSDB é lutar pela adiamento. E la nave va, como se estivesse sendo conduzida por Federico Fellini.

Salários de novos empregados são 13% inferiores aos pagos aos demitidos

Charge do Nani (nanihumor.com)

Pedro do Coutto

Reportagem, muito boa, de Arícia Martins, no Valor desta segunda-feira, revela que os salários oferecidos aos trabalhadores que vão substituir os que foram dispensados são 13% menores. A pesquisa é da MB Associados que por sua vez extraiu dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados do país. O economista chefe da MB, Sérgio Vale considera a comparação muito importante porque o problema focalizado não é apenas com base no nível de emprego, mas sim numa equação entre esse nível de emprego e a remuneração.

A queda da remuneração implica também em menor receita para o INSS e também menor receita do FGTS. Isso sem falar na retração do consumo causado por um recuo pouco aparente na capacidade de compra.

MERCADO INFORMAL – Sérgio Vale incluiu em seu estudo o comportamento do mercado de trabalho dos últimos doze meses, especialmente no setor industrial que é aquele que recontrata mais rapidamente empregados formais para seu quadro de pessoal.

Nesse aspecto vale focalizar também o mercado informal de trabalho. Este pode ter reagido, como o IBGE divulgou, porém o Instituto esqueceu de considerar que tal mercado bloqueia as arrecadações do INSS e do FGTS. Trata-se assim de mais um fator contrário à receita da Previdência Social.

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DESENTENDIMENTO ENTRE TEMER E MAIA

Como focalizamos no artigo de ontem, o advogado do presidente Temer, Eduardo Carnelós, por sua absoluta inabilidade ao tentar defender o cliente, acabou detonando uma crise entre o deputado Rodrigo Maia e Michel Temer. Manchete principal de O Estado de São Paulo de ontem, uma reportagém de Tânia Monteiro, Igor Gadelha e Andreza Matais destaca reflexos da colisão.

Estilhaços no relacionamento entre Temer e Maia podem até atrapalhar o esforço do governo para barrar a segunda denúncia no roteiro do STF. Não que a oposição possa alcançar os 342 votos necessários à sequência do processo. Mas sim pelo fato de abstendo-se, poder obstruir a nova fuga de Michel Temer, agora acompanhado por Eliseu Padilha e Moreira Franco. Vamos ver.

A exemplo do que anunciei ontem, confirmo minha ausência desta coluna nos próximos dias. Mais uma vez até breve.

Esquizofrenias do Supremo favorecem a impunidade dos corruptos

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Charge do Aroeira (Portal O Dia/RJ)

Percival Puggina

Em artigo intitulado “Pantomima do STF fere a Lava Jato”, reproduzido pelo G1 em 12 deste mês, Helio Gurotivz comenta o voto da ministra Carmem Lucia que delegou ao Senado decidir sobre o retorno ou não do senador Aécio Neves à sua cadeira naquela Casa. Extraio desse texto o seguinte trecho:

“Apesar de todos os cuidados para preservar sua autonomia, o STF abriu mão da prerrogativa de instância maior na decisão de questões constitucionais, aquela que tem o direito a ‘errar por último’, como afirmou Ruy Barbosa, citado por Celso de Mello em seu voto. Evitou, é verdade, uma crise maior com o Congresso. No próximo dia 17, um Senado feliz deverá livrar Aécio das punições previstas no CPP.

Mas o STF abriu também uma avenida para livrar a cara dos políticos acusados na Lava Jato. O relator da operação, ministro Fachin, se vê limitado na possibilidade de impor punições aos corruptos. Sob o manto de preservar a imunidade garantida pela Constituição aos parlamentares, o Supremo acabou por ampliar a (já ampla) esfera da impunidade.”

FUNÇÕES DO STF -Para compreender as pantomimas em que o Supremo permanentemente se envolve, suas fraturas e animosidades internas, seus frequentes votos de Minerva em que questões seriíssimas são definidas por um voto, e seus pedidos de vistas que hibernam no aconchego das gavetas, é preciso estar ciente das funções que aquelas 11 pessoas exercem ao deliberar.

Ora como plenário completo, ora como grupos em que periodicamente 10 dos 11 se repartem, ora monocraticamente, os ministros integram um poder que acumula quatro importantíssimas funções: Tribunal Constitucional, última instância do Poder Judiciário, Tribunal Penal para autoridades com privilégio de foro e Poder Moderador.

Qualquer possibilidade de segurança jurídica e coerência entre decisões sucessivas esbarra nessa pluralidade de atribuições, notadamente quando – e sempre que – o dispositivo constitucional a ser custodiado esbarra com o bem comum ou com a melhor conveniência nacional num determinado momento. Nesses casos, se estabelece a esquizofrenia. Ora é o Direito que fala mais alto no Tribunal Constitucional, ora é a Política que se faz mais audível no Poder Moderador.

VAI DAR ERRADO – Enquanto as questões constitucionais e o bem do país, a cada feito, disputam entre si a atenção do plenário, a impunidade se espreguiça na rede da lassidão e do mais tarde a gente vê isso. Não tem como dar certo.

Na calçada oposta, o Congresso Nacional vive suas alucinações entre a PF que pode bater à porta e o pleito de 2018. Caberia e ele, Congresso, pôr ordem na casa retificando o modelo institucional para maior racionalidade. Afinal, o Congresso é o poder que representa o povo na Câmara dos Deputados e os Estados no Senado Federal. Mas qual!

Joesley e Wesley Batista agora são réus por crimes contra o mercado de capitais

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Ilustração reproduzida do site Sensacionalista

Deu em O Tempo
(
Agência Estado)

O juiz federal João Batista Leite, da 6ª Vara Federal, em São Paulo, aceitou nesta segunda-feira (DIA 16) denúncia do Ministério Público Federal contra os irmãos Joesley e Wesley Batista, principais acionistas do Grupo J&F, tornando-os réus. Os procuradores da República Thaméa Danelon e Thiago Lacerda Nobre, do Ministério Público Federal em São Paulo, denunciaram os empresários na Operação Acerto de Contas, desdobramento da Tendão de Aquiles, por uso de informação privilegiada e manipulação do mercado. Os executivos já estão presos, preventivamente.

A Tendão de Aquiles apura o uso indevido de informações privilegiadas em transações no mercado financeiro ocorridas entre abril e 17 maio, data da divulgação dos dados relacionados à delação premiada firmada pelos executivos e a Procuradoria-Geral da República.

TIVERAM LUCRO – Para o Ministério Público Federal, em São Paulo, os irmãos ‘minimizaram prejuízos mediante a compra e venda de ações e lucraram comprando dólares c base em informações que dispunham sobre o acordo de delação premiada que haviam negociado com a Procuradoria-Geral da República’.

“Juntos, Wesley e Joesley atuaram para reduzirem o prejuízo com os papeis e lucrarem com a compra da moeda americana, aproveitando-se da informação privilegiada e, como consequência, manipulando o mercado de ações”, diz a Procuradoria da República. Segundo a denúncia, ‘as operações ilegais’ de venda e compra de ações ocorreram entre 31 de março e 17 de maio.

Wesley foi preso em 13 de setembro, em sua casa, em São Paulo. Joesley havia sido custodiado dois dias antes por ordem do ministro Edson Fachin, do Supremo Tribunal Federal, por suspeita de violação de sua própria delação premiada.

INDICIAMENTO – Os irmãos foram indiciados pela Polícia Federal em 20 de setembro. Joesley foi indiciado pela suposta autoria dos crimes de manipulação de mercado e uso indevido de informação privilegiada, previstos na Lei 6.385/76, com abuso de poder de controle e administração, em razão do evento de venda de ações da JBS S/A pela FB Participações, controladora desta última. Wesley foi indiciado como autor do crime de manipulação de mercado e ‘como partícipe no crime de uso indevido de informação privilegiada praticado por Joesley com abuso de poder de controle e administração, em relação aos eventos relativos à venda e compra de ações da JBS S/A’.

O relatório final da PF na Tendão de Aquiles foi entregue ao Ministério Público Federal. Segundo o documento, com a assinatura do compromisso de delação premiada, os irmãos tiveram a certeza de que aquele documento ‘era impactante’ e a informação poderia ser utilizada no mercado.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
O Ministério Público Federal pediu a prisão de Joesley pelo conjunto da obra, que inclui obstrução à Justiça, mas Wesley nada tem a ver com isso. Sua prisão, no entanto, se justifica nos termos da chamada Lei da CVM, por crimes contra o mercado de capitais. A pena é de reclusão de uma a cinco anos e não há direito à fiança, que só beneficia infratores de crimes até quatro anos de detenção. Chega a ser crime ridículo em comparação aos cometidos pelos réus da Lava Jato, mas até agora os ministros Gilmar Mendes, Marco Aurélio Mello, Dias Toffoli, Ricardo Lewandowski e outros defensores da prisão somente após trânsito em julgado, nenhum deles apontou abuso de autoridade contra os irmãos Batista. Romero Jucá e Renan Calheiros também não disseram nada. Os advogados de Temer, idem. Isso significa que, na atual conjuntura, abuso de autoridade serve para uns, mas não serve para outros. Ah, Brasil…  (C.N.)

Pedro Corrêa revela que Cunha e Júlio Lopes eram mestres em arranjar propinas

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Lopes e Cunha vieram com sede ao pote, diz Corrêa

André de Souza
O Globo

Em 26 de abril de 2016, o ex-deputado Pedro Corrêa prestava um dos vários depoimentos de sua delação premiada. Em pouco mais de dez minutos, falou o que sabia do ex-presidente da Câmara Eduardo Cunha (PMDB-RJ). Disse, por exemplo, que Cunha fez um acerto para que o ex-diretor da Petrobras Nestor Cerveró pagasse propina de US$ 700 mil por mês ao PMDB. Como Cerveró não conseguiu cumprir a promessa, Cunha emplacou outra pessoa para o cargo. Mas foi já no final do depoimento, enquanto a câmera ainda gravava, que Corrêa soltou uma declaração, quase que de admiração, reconhecendo a capacidade de Eduardo Cunha arrecadar recursos, mesmo que de forma ilícita:

“O Cunha era uma máquina de arrecadar dinheiro. Um monstro. Impressionava todo mundo. Arrecadava dinheiro de todo o jeito. Tinha uma coragem imensa de fazer as coisas”- afirmou.

COM SEDE AO POTE – O depoimento faz parte da delação homologada em agosto de 2017 pelo ministro Edson Fachin, relator dos processos da Operação Lava-Jato no Supremo Tribunal Federal (STF). Corrêa também relatou o começo da atividade de Cunha como deputado federal, em 2003, quando ele chegou a Brasília para, pela primeira vez, exercer o cargo.

Na época ele era filiado ao PPB, hoje PP, partido que Corrêa presidia na época. Segundo o delator, Cunha e outro deputado da legenda, Júlio Lopes, também do Rio de Janeiro, o procuraram para pedir ajuda. Eles disseram que tinham gasto R$ 5 milhões cada um em suas campanhas e precisavam recuperar o que foi gasto na disputa.

“Na oportunidade, eu disse aos dois: “Olha, se vocês que acabaram de chegar a Brasília forem com tanta sede ao pote, vão acabar cassados, porque, cuidado, o cargo de deputado federal é muito visado. O partido evidentemente vai ajudar vocês durante a legislatura, mas nunca com um montante tão alto” — disse Corrêa.

FAZENDO MISÉRIA – O delator conta que Cunha deixou o PP ainda em 2003 e foi para o PMDB. No novo partido, diz Corrêa, ele conseguiu parte da propina de US$ 6 milhões repassada ao PMDB em 2006 pelo ex-diretor da Petrobras Paulo Roberto Costa. No caso de Lopes, Corrêa disse que o PP conseguiu emplacá-lo como secretário de Transportes do estado do Rio de Janeiro, e criticou: “Esse cara tem que ser investigado. Esse cara fez miséria na secretaria no Rio”.

O Globo não conseguiu entrar em contato com a defesa de Cunha para que pudesse se manifestar sobre as declarações de Corrêa. Em nota, Júlio Lopes disse que o delator faz “infundadas e levianas ilações” e afirmou que “sempre pautou sua atuação seja no parlamento, no executivo e na iniciativa privada pela ética, responsabilidade e cumprimento da legislação”.

Parte dos vídeos da delação de Corrêa e outros colaboradores foram enviados à Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Câmara, onde está o processo em que o presidente Michel Temer foi denunciado por organização criminosa e obstrução de justiça. Isso porque, em razão do cargo que ocupa, a denúncia do Ministério Público só pode ter prosseguimento se a Câmara der seu aval. No mesmo inquérito, foram denunciados outros políticos do PMDB, como o próprio Cunha, entre outros.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
Onde se lê que o PP conseguiu emplacar Júlio Lopes como secretário de Transportes, leia-se que Francisco Dornelles conseguiu fazê-lo. Dornelles, que é primo da primeira mulher de Sérgio Cabral (Susana Neves), é padrinho de Júlio Lopes na política. Lopes, membro da “Turma do Guardanapo”, era um dos principais cúmplices de Cabral na corrupção da Fetranspor. Quanto a Susana Neves, hoje ganha R$ 15 mim mensais para não fazer nada como assessora de Jorge Picciani na Assembléia. Como dizia Ibrahim Sued, em sociedade tudo se sabe. (C.N.)

Amigo de Aécio, o relator Moraes não se considera suspeito para julgá-lo

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Moraes é o relator dos sonhos de Aécio Neves

Deu no Estadão

O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), foi sorteado na tarde desta segunda-feira (16) para ser o relator do mandado de segurança de autoria do senador Randolfe Rodrigues (Rede-Amapá), que defende a votação aberta das medidas cautelares impostas pela Primeira Turma do STF ao senador Aécio Neves (PSDB-MG), presidente licenciado do PSDB nacional. A votação no Senado está prevista para ocorrer nesta terça-feira (17).

Em fevereiro deste ano, Alexandre de Moraes comunicou a Aécio Neves a sua desfiliação do PSDB, após ser indicado pelo presidente Michel Temer para assumir a cadeira de Teori Zavascki, morto em acidente aéreo em janeiro.

ARTICULAÇÃO – Ao recorrer ao STF, Randolfe menciona reportagem do jornal O Estado de S. Paulo, publicada na semana passada, que mostra a articulação de senadores para que seja secreta a votação sobre o afastamento de Aécio das funções parlamentares. Para Randolfe, os desdobramentos do caso Aécio “parecem estar longe de apontar para uma solução nos trilhos do combalido Estado Democrático de Direito pátrio”.

“Diante desse cenário de fundado receio de que a decisão se dê de modo secreto, ao arrepio da disciplina constitucional, até para que se evite a discussão posterior da validade de tal descalabro novamente junto a esta Suprema Corte, urge sindicar provimento acautelatório que ordene a votação ostensiva, com vistas a evitar que se radicalize a dramática crise de poderes que atravessa o país, onde a institucionalidade conquistada a duras penas é sacrificada em favor da torpeza egoística da manutenção do Senador Aécio Neves a salvo do império da Lei”, sustentou o senador da Rede ao STF.

CASO DELCÍDIO – No caso da prisão do senador cassado Delcídio Amaral (sem partido-MS), em novembro de 2015, o então presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), tentou realizar a votação de forma sigilosa. À época, Aécio Neves e outros senadores entraram com um mandado de segurança no STF contra a iniciativa.

“Não havendo menção no art. 53, § 2º, da Constituição à natureza secreta da deliberação ali estabelecida, há de prevalecer o princípio democrático que impõe a indicação nominal do voto dos representantes do povo, entendimento este que foi estabelecido pelo próprio Poder Legislativo, ao aprovar a EC nº 35/2001. Sendo assim, não há liberdade à Casa Legislativa em estabelecer, em seu regimento, o caráter secreto dessa votação, e, em havendo disposição regimental em sentido contrário, sucumbirá diante do que estatui a Constituição como regra”, decidiu o ministro Edson Fachin naquela ocasião.

IRONIA DO DESTINO – A ofensiva jurídica de Aécio no caso Delcídio é mencionada por Randolfe em seu pedido ao STF. “Aliás, as ironias da História merecem ser exploradas justo por evidenciarem a natureza contingente e recalcitrante das convicções dos homens públicos do país”, criticou Randolfe.

O senador Aécio Neves citou “Alexandre” em um dos áudios gravados por Joesley Batista e entregues como parte da colaboração premiada, em uma conversa em que o tucano falava que sobre o comando da Polícia Federal e dizia que “tem que escolher dez caras” para conduzir inquéritos de investigados.

A conversa estava relacionada às investigações originadas com as delações da Odebrecht. Este trecho foi interpretado pela Procuradoria-Geral da República (PGR) como demonstração dos esforços de Aécio Neves para obstruir a justiça. O tucano nega as acusações.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
Tudo dominado! Se tivesse havido combinação, não teria sido melhor. Foi sorteado um ministro-relator que era filiado ao PSDB e frequentava sua cúpula. Aliás, Alexandre de Moraes só saiu do partido porque foi obrigado, ao ser escolhido ministro do Supremo.  O mais curioso é o fato de Aécio ter defendido a votação aberta no caso Delcídio e agora mudou de ideia, repentinamente. O tucano Cassio Cunha Lima, pelo contrário, mostrou dignidade. É amigo de Aécio, mas não aceita o voto secreto. (C.N.)

Olimpíadas de sangue do povo sem saúde, educação e segurança

Charge do Son Salvador (Arquivo Google)

Sebastião Nery

Fernando Martins, jornalista, diretor da ANJ (Associação Nacional de Jornais) no Rio, conhecia o Salgueiro de “Chão de Estrelas” de Orestes Barbosa e Sílvio Caldas. Ia passando na boca do morro, um velho e um rapaz carregavam uma moça.

– O que é que ela tem?

– Está passando mal. Vamos levar para o hospital do INSS em Andaraí.

– Entrem aqui no meu carro.

E Fernando Martins saiu em disparada para o Hospital de Andaraí.

Branca como uma nuvem, os olhos enormes saltando das pálpebras roxas, a moça tossia desesperadamente. O rapaz apertava a cabeça dela contra o peito e pedia baixinho:

– Calma, Gracinha, calma.

Trânsito ruim, Fernando furava o sinal, dava contramão, guardas apitando, anotando.

Ligou o rádio para distrair a moça. Elisete Cardoso cantava “Chão de Estrelas”:

– “Minha vida era um palco iluminado / Eu vivia vestido de dourado / Palhaço das perdidas ilusões.”

E a moça tossindo, sufocada. E Elisete cantando:

– “Cheio dos guizos falsos da alegria / Andei cantando minha fantasia / Entre as palmas febris dos corações.”.

A moça deu um gemido fundo, grunhiu forte. O rapaz, desesperado, o rosto lavado de sangue que saia do peito dela, golfadas esguichando, ensopando o tapete do carro.

E Elisete cantando: – “A porta do barraco era sem trinco / e a lua furando nosso zinco / Salpicando de estrelas nosso chão. / Tu, tu pisavas nos astros distraída / sem saber que a ventura desta vida / é a cabrocha, o luar e o violão.”

O velho apenas bateu com a cabeça. E passou os dez dedos calosos na testa da filha. O rapaz ficou soluçando baixinho, contido, beijando as pálpebras roxas. Tinha nos olhos o espanto dos loucos. E Elisete cantando:

– “Meu barraco no Morro do Salgueiro / Tinha o cantar alegre de um viveiro. /Foste a sonoridade que acabou./ E hoje, quando do sol a claridade / Forra meu barracão sinto saudade / Da mulher, pomba-rola que voou.”

Depois da correria, Fernando Martins chega ao hospital do INSS, em Andaraí. A moça tinha recebido alta algum tempo antes naquele mesmo hospital. Voltava morta. Apenas 21 anos, uma filha de dois meses. Comida pela tuberculose, a doença da fome.

Elisete já não cantava “Chão de Estrelas”.

LEGADO OLÍMPICO – O jogo tem que mudar. O relativo sucesso esportivo e cultural das Olimpíadas e das Paralimpíadas no Rio de Janeiro, de 2016, não pode apagar os desmandos e as roubalheiras de autoridades e dos dirigentes das federações esportivas brasileiras. A governança das entidades e de muitos clubes no Brasil é um desastre. Uma vergonha!

Pelo menos duas ações devem ser imediatamente apoiadas diante de tão grande número de escândalos no COI, na CBF e outras entidades: primeiro a apuração total e irrestrita da malversação dos recursos financeiros. E, segundo, buscar uma lei que limite ao máximo em dois mandados cada cargo de dirigente de federação e de time de futebol. Nada melhor para a gestão do que alternância de poder.

É hora de fechar o ralo do desperdício e da roubalheira para realizar as Olimpíadas da Saúde, da Educação, da Segurança, do Saneamento e da Pobreza. A vida do povo está em jogo.

Neste período torto da vida, a salvação pode ser a Teoria do Caos…

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Charge do Laerte (laerte.com)

Eduardo Aquino
O Tempo

Para quem acha que o mundo está acabando, em meio a furacões, terremotos, aquecimento global, Trump, Temer e Lava Jato, tenho boas notícias. Tudo isso tem uma lógica divina. Como “Deus escreve certo por linhas tortas”, estamos apenas vivendo em um período torto da escrita divina. Somos meros fractais, partes ínfimas que alteram o todo. Um efeito “El Ninho” civilizatório.

Pequenos e insignificantes caracteres de uma tuitada de um presidente podem encher nosso céu de luzes crepusculares de morte atômica. Talvez, cumpra-se a profecia, e o fogo espalhará sua força, trazendo luz às trevosas relações humanas.

É A ENTROPIA – Não sei se é do conhecimento de todos, mas o universo tende a um fenômeno chamado “entropia”. Ou desorganização, para desespero dos perfeccionistas e organizados. Por isso, me interessei pela teoria do caos. Pois é um alento saber que atrás de uma rachadura na parede, movimentos da bolsa de valores, ou o desenho que as ondas deixam nas areias em suas marés, coisas altamente irregulares, podem ser matematizadas por equações chamadas “não lineares” (não se preocupem com esses detalhes, pois isso é coisa para o pessoal de ciências exatas).

Enfim, por mais caótico que algo pareça ser, encontraremos alguma fração, mesmo invisível aos nossos olhos, altamente organizada.

LÓGICA DIVINA – Ok, parece complicado, mas vamos no popular mesmo: tudo tem uma lógica divina. Somos uma experiência cósmica que tem tudo para dar certo, ainda que aparentemente dê errado.

Como na teoria de Gaia, em que nosso planeta é um ser vivido regido por leis próprias e, de vez em quando, congela por milhares de anos, vira vulcões que exala atmosfera de gases tóxicos, ou é habitado por dinossauros, ou deixa um ser narcisista, egocêntrico, metido a Deus, achar que é “o cara” e dando poder a ele, transforma-o em demônio vendedor de almas, com depósitos na Suíça e delata os demais parceiros de inferno, guiados por almas honestas, que passeiam de pedalinho em lagoa de empreiteiras.

Mas ainda bem que a sopa de letrinhas de partidos feitos do barro de santos ocos pode ser vomitada em ordem alfabética. E santos de vestais do Supremo dizem amém. Pensando bem, não entendi nada da Teoria do Caos…

Costamarques, o laranja, revela que teve de devolver R$ 650 mil ao Instituto Lula

Lula

A situação de Lula se complica cada vez mais

Deu em O Tempo

Em depoimento ao juiz federal Sergio Moro no dia 6 de setembro, o aposentado Glaucos da Costamarques – acusado de ser o “laranja” de Lula na compra do apartamento vizinho ao que mora em São Bernardo do Campo e na aquisição do terreno do Instituto Lula, em São Paulo – afirmou que “devolveu” R$ 650 mil em dinheiro vivo dos R$ 800 mil que recebeu pela participação nos negócios. Para o Ministério Público Federal (MPF), as compras foram feitas com propina da Odebrecht ao ex-presidente.

O dinheiro teria sido devolvido atendendo a um pedido por Roberto Teixeira, advogado e compadre de Lula, e foi retirado por dois emissários e transportado num um carro blindado com cofre, segundo contou Costamarques.

DEVOLUÇÃO – “Algum tempo depois de tudo resolvido (os negócios dos imóveis), eu estava já lá tranquilo, o Roberto Teixeira falou: ‘Ô Glaucos, você podia devolver esse lucro que você teve para o Instituto Lula”, disse ao ser interrogado como réu no processo em que Lula é acusado de corrupção e lavagem de dinheiro pelo acerto de R$ 12,4 milhões de propinas da Odebrecht.

O MPF sustenta que Costamarques recebeu R$ 800 mil em dezembro de 2010 por ter sido “laranja” de Lula nos negócios conduzidos por Teixeira. O valor embutia R$ 504 mil usados por ele quatro meses antes para comprar o apartamento 121 do edifício Hill House e ainda a comissão de R$ 172 mil por ter sido laranja, além dos gastos com impostos.

A defesa de Lula afirma que ele é locatário do apartamento 121 desde 2003 e que, a partir de 2011, passou a alugar o imóvel de Costamarques pagando aluguel regularmente. Lula afirma que tem os recibos originais dos pagamentos.

RECIBOS DO ALUGUEL – Na tentativa de verificar se os recibos do aluguel do apartamento 121 do edifício Hill House apresentados por Lula foram assinados no mesmo dia, O JUIZ Moro mandou o Hospital Sírio-Libanês verificar novamente se os registros de entrada apontam ingresso em suas dependências de Roberto Teixeira no segundo semestre de 2015, quando Costamarques estava internado na instituição. Interrogado pelo juiz, o próprio advogado relatou ter se encontrado com o aposentado no saguão do hospital, em São Paulo.

“Para dirimir por completo esta questão e considerando o requerido no evento 1.118, oficie-se novamente ao Hospital Sírio Libanês em São Paulo solicitando informação sobre eventuais registros de ingresso de Roberto Teixeira no Hospital Sírio Libanês no segundo semestre de 2015, a qualquer título, para internação ou tratamento”, ordenou Moro em despacho nessa sexta-feira (13).

Na última quarta-feira, o Sírio-Libanês entregou a Moro a relação de três visitas do contador João Leite Muniz a Costamarques em dezembro de 2015. O hospital informou também que não havia encontrado anotações sobre a visita de Roberto Teixeira.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
Não há contradição nas declarações, porque Teixeira disse ao juiz Moro ter encontrado Costamarques no saguão do hospital. Ou seja, não chegou a entrar, por isso não houve registro de sua presença. Quanto a Lula, no dia 30 de outubro ele prestará depoimento à Justiça Federal em Brasília, no inquérito a que responde na operação Zelotes, sobre a compra e venda de MPs, a aquisição dos caças da FAB e outras coisitas mais. (C.N.)

Carta de Temer pedindo apoio a deputados é um primor de desfaçatez

Charge do Duke (dukechargista.com.br)

Andreia Sadi
G1 Brasília

O presidente Michel Temer escreveu uma carta a parlamentares para se defender das acusações que sustentam a denúncia contra ele na Câmara dos Deputados. No texto, a que o Blog teve acesso, Temer usa declarações do deputado cassado Eduardo Cunha (PMDB-RJ) para atacar a delação de Lúcio Funaro, operador do PMDB preso pela Lava Jato que fechou uma delação premiada.

“Em entrevista à revista Época, o ex-deputado Eduardo Cunha disse que a sua delação não foi aceita porque o procurador-geral exigia que ele incriminasse o presidente da República. Esta negativa levou o procurador Janot a buscar alguém disposto a incriminar o Presidente. Que, segundo o ex-deputado, mentiu na sua delação para cumprir com as determinações da PGR. Ressaltando que ele, Funaro, sequer me conhecia”.

Segundo auxiliares do presidente, a carta está sendo entregue em mãos aos parlamentares e se trata de um “desabafo”.

Leia a íntegra da carta:

Prezado Parlamentar.

A minha indignação é que me traz a você. São muitos os que me aconselham a nada dizer a respeito dos episódios que atingiram diretamente a minha honra. Mas para mim é inadmissível. Não posso silenciar. Não devo silenciar.

Tenho sido vítima desde maio de torpezas e vilezas que pouco a pouco, e agora até mais rapidamente, têm vindo à luz.

Jamais poderia acreditar que houvesse uma conspiração para me derrubar da Presidência da República. Mas os fatos me convenceram. E são incontestáveis.

Começo pelo áudio da conversa entre os dirigentes da JBS. Diálogo sujo, imoral, indecente, capaz de fazer envergonhar aqueles que o ouvem. Não só pelo vocabulário chulo, mas pelo conteúdo revelador de como se deu toda a trajetória que visava a impedir a prisão daqueles que hoje, em face desse áudio, presos se encontram.

Quem o ouviu verificou uma urdidura conspiratória dos que dele participavam demonstrando como se deu a participação do ex-procurador-geral da República, por meio de seu mais próximo colaborador, Dr. Marcello Miller. 

Aquele se tornou advogado da JBS enquanto ainda estava na PGR. E, dela sendo exonerado, não cumpriu nenhuma quarentena prevista expressamente no artigo 128, parágrafo 6°, da Constituição Federal.

Também veio a conhecimento público a entrevista de outro procurador, Ângelo Goulart Vilela, que permaneceu preso durante 76 dias, sem que fosse ouvido. Nela, evidenciou que o único objetivo do ex-procurador-geral era “derrubar o presidente da República”.

Ele tinha pressa e precisava derrubar o presidente”, disse o procurador. “O Rodrigo (Janot) tinha certeza que derrubaria”, afirmou. A ação, segundo ele, teria dois efeitos: impedir que o presidente nomeasse o novo titular da Procuradoria-Geral da República, e ser, ou indicar, o novo candidato a presidente da República. Veja que trama.

Mas não é só. O advogado Willer Tomaz, que também ficou preso sem ser ouvido, registrou igualmente em entrevista os fatos desabonadores em relação à conduta do ex-procurador-geral.
  
Em entrevista à revista Época, o ex-deputado Eduardo Cunha disse que a sua delação não foi aceita porque o procurador-geral exigia que ele incriminasse o presidente da República. Esta negativa levou o procurador Janot a buscar alguém disposto a incriminar o Presidente. Que, segundo o ex-deputado, mentiu na sua delação para cumprir com as determinações da PGR. Ressaltando que ele, Funaro, sequer me conhecia.

Na entrevista, o ex-deputado nega o que o dirigente-grampeador, Joesley Batista, disse na primeira gravação: que comprara o seu silêncio.

No áudio vazado por “acidente” da conversa dos dirigentes da JBS, protagonizado por Joesley e Ricardo Saud, fica claro que o objetivo era derrubar o presidente da República. Joesley diz que, no momento certo, e de comum acordo com o Rodrigo Janot, o depoimento já acertado com Lúcio Funaro “fecharia a tampa do caixão”. Tentativa que vemos agora em execução.

Tudo combinado, tudo ajustado, tudo acertado, com o objetivo de: livrar-se de qualquer penalidade e derrubar o presidente da República.

E agora, trazem de volta um delinquente conhecido de várias delações premiadas não cumpridas para mentir, investindo contra o presidente, contra o Congresso Nacional, contra os parlamentares e partidos políticos.

Eu, que tenho milhares de livros vendidos de direito constitucional, com mais de 50 anos de serviços na universidade, na advocacia, na procuradoria e nas secretarias de Estado, na presidência da Câmara dos Deputados e agora na Presidência da República, sou vítima de uma campanha implacável com ataques torpes e mentirosos. Que visam a enlamear meu nome e prejudicar a República. 

O que me deixa indignado é ser vítima de gente tão inescrupulosa. Mas estes episódios estão sendo esclarecidos.

A verdade que relatei logo no meu segundo pronunciamento, há quase cinco meses, está vindo à tona. Pena que nesse largo período o noticiário deu publicidade ao que diziam esses marginais. Deixaram marcas que a partir de agora procurarei eliminar, como estou buscando fazer nesta carta.

É um desabafo. É uma explicação para aqueles que me conhecem e sabem de mim. É uma satisfação àqueles que democraticamente convivem comigo.

Afirmações falsas, denúncias ineptas alicerçadas em fatos construídos artificialmente e, portanto, não verdadeiros, sustentaram as mentiras, falsidades e inverdades que foram divulgadas. As urdiduras conspiratórias estão sendo expostas. A armação está sendo desmontada.

É preciso restabelecer a verdade dos fatos. Foi a iniciativa do governo, somada ao apoio decisivo da Câmara dos Deputados e do Senado Federal, que possibilitou a retomada do crescimento no país.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOGCaramba!!! A carta de Temer revela um indivíduo digno de pena, uma alma puríssima sendo manchada por um grupo de malfeitores… Em matéria de desfaçatez, trata-se de uma obra-prima. (C.N.)

Exemplos de Delcídio e Cunha mostram que Aécio já deveria estar preso

Charge do Duke (dukechargista.com.br)

Celso Rocha de Barros
Folha

O Supremo Tribunal Federal não conseguiu explicar à opinião pública por que Aécio não foi preso como foi Delcídio do Amaral. Tampouco conseguiu explicar por que suas decisões contra Aécio terão que ser referendadas pelo Senado, rota de fuga que foi fechada para Eduardo Cunha. Se as decisões sobre o candidato da direita na última eleição presidencial estiverem corretas, as decisões sobre Delcídio e Cunha estavam erradas. Se as decisões sobre Delcídio e Cunha estavam certas, Aécio deveria estar preso.

Não sou constitucionalista, não tenho a pretensão de saber qual é o caso. Mas é evidente que, se todas essa decisões foram constitucionais, o Brasil teve outra Constituição durante a guerra para derrubar Dilma Rousseff.

TENDÊNCIA GRAVE – Não se trata, apenas, de um político corrupto escapando da Justiça. O caso de Aécio é representativo de uma tendência muito mais grave: desde que o PT caiu, a maré anticorrupção virou.

Delcídio caiu porque era petista, Cunha caiu porque foi pego antes de a maré virar (e, mesmo assim, só depois de ter derrubado Dilma). Aécio é tucano, do grupo que subiu ao poder com Temer. Não é Aécio que tem mais capacidade de resistir à Lava Jato: é a coalizão conservadora que chegou ao poder após o impeachment.

Não é possível, portanto, descartar a hipótese de que a direita fisiológica regula a margem de ação das instituições brasileiras conforme sua conveniência.

NO SUPREMO – Depois da decisão, o mundo caiu sobre a cabeça do STF, que foi acusado de não estar à altura de sua função constitucional. Bom, tem o Gilmar, mas, mesmo assim, não acho que essa seja a melhor análise.

Se a ministra Cármen Lúcia deu seu voto em favor de Aécio por temer uma guerra contra o Senado, sua leitura da situação estratégica estava correta: no momento, o Supremo Tribunal Federal é muito mais fraco que o conjunto dos senadores.

Durante a breve vigência da Constituição de 2015, o Supremo conseguiu derrubar corruptos importantes porque, na luta para derrubar Dilma Rousseff, nenhum dos analistas que hoje se preocupam com equilíbrio institucional dava a mínima para isso. Os empresários, que hoje só querem estabilidade, inflavam patos e os ânimos. Os partidos de direita que bradavam contra Delcídio hoje são o governo e têm como prioridade se livrar da cadeia, nem que para isso tenham que livrar também os petistas que derrubaram.

NOVA DIREITA – E a opinião pública? Como dizia Millôr Fernandes, opinião pública é a que se publica. Se o mestre, no céu dos colunistas, nos permitir uma atualização, opinião pública é a que se posta em redes sociais. Desde a guerra do impeachment, a opinião postada está sob controle da chamada Nova Direita, essa turma que não consegue mais emprego como roqueiro, ator pornô, filósofo ou militar, e descobriu que falar mal da esquerda rende um trocado.

E onde estava a Nova Direita durante o período que antecedeu o julgamento de Aécio? Estava fechando exposições de temática LGBT. A indignação que, em 2015, teria se voltado contra Aécio, agora caiu sobre o peladão do museu. O que era, é claro, o plano.

Desde que o Senado perdeu o medo da opinião pública, voltou a ser forte o suficiente para quebrar o Supremo. E enquanto a opinião pública brasileira continuar sendo a Marcha do Orgulho Otário, não adianta reclamar.