A luta contra a velhice está cada vez mais vitoriosa, afirma o cientista David Sinclair

Capa do livro "Lifespan", de David Sinclair

Teorias do professor Sinclair são mensagens de otimismo

Hélio Schwartsman
Folha

Em tempos de politicamente correto, em que o etarismo desponta como a próxima bola da vez, é arriscado sugerir que a velhice seja algo deplorável. David Sinclair, porém, não apenas não enaltece a “melhor idade” como ainda a classifica como uma moléstia que precisa ser extirpada. O que separa Sinclair de um genocida ordinário é que ele não pretende eliminar os velhos, mas sim os processos biológicos que dão causa à senescência.

Sinclair, como o leitor já deve ter intuído, é um cientista. Na verdade, é um dos mais reputados especialistas em envelhecimento, comandando laboratórios de genética em Harvard e na Austrália. Seu mais recente livro, “Lifespan”, é uma daquelas obras em que o otimismo é tão denso que dá para tocá-lo.

PILULA DA VIDA – Para o autor, estamos muito perto de fabricar uma pílula que nos permitirá viver bem além dos cem anos e com muita saúde, isto é, sem as moléstias que hoje vêm com a idade, como cânceres e demências. Quem não quiser esperar já pode recorrer a mudanças de hábitos, que incluem passar fome e frio, e ao uso “off-label” de alguns medicamentos que já estão no mercado.

O que diferencia Sinclair de um charlatão ordinário é que suas recomendações estão baseadas em alguma ciência e que seu otimismo, embora acima da média, é partilhado pela maioria dos pesquisadores da área.

CONTROLAR A VELHICE  – O ponto fulcral é que a senescência é mais o resultado de um acaso estatístico do que de uma fatalidade biológica. Em tese, dá para controlar e até reverter o processo com poucas intervenções relativamente simples. Em modelos animais, já há resultados palpáveis.

Na primeira metade de “Lifespan”, Sinclair explica a ciência por trás do envelhecimento, com destaque para o papel das sirtuínas descobertas em seu laboratório, e, na segunda parte, faz considerações éticas e sociais sobre o que significará o rápido e iminente aumento de longevidade.

Quem viver verá —literalmente.

Maia fixa prazo para o deputado Wilson Santiago ser notificado pelo Conselho de Ética

Câmara reintegrou Santiago, que estava afastado por ordem do STF

Gioconda Brasil
G1 / TV Globo

O presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), afirmou nesta quinta-feira, dia 13, que, se até a próxima terça-feira, dia 18, o deputado Wilson Santiago (PTB-PB) não tiver sido notificado, o procedimento disciplinar ao qual responderá terá andamento mesmo sem notificação.

No último dia 5, o plenário da Câmara derrubou decisão do ministro Celso de Mello, do Supremo Tribunal Federal (STF), que havia determinado o afastamento definitivo de Santiago do mandato. O deputado estava afastado desde dezembro, depois de ter sido denunciado pela Procuradoria Geral da República por corrupção passiva e organização criminosa em razão de suposto desvio de recursos destinados à construção de uma adutora no sertão da Paraíba. Ele nega a acusação.

REINTEGRAÇÃO – A decisão da Câmara permitiu a reintegração de Santiago, mas, mesmo assim, o parecer do relator Marcelo Ramos (PL-AM), aprovado pelo plenário, recomendou que o deputado responda a processo por quebra de decoro parlamentar no Conselho de Ética da Câmara. Para encaminhar o caso ao Conselho de Ética, a mesa diretora da Câmara necessita de um parecer da Corregedoria da Casa.

A Câmara tem enfrentado dificuldades para notificar Santiago. “Se ele não estiver notificado até terça-feira, a Mesa vai encaminhar de qualquer forma”, afirmou Rodrigo Maia. Segundo o corregedor, deputado Paulo Bengston (PTB-PA), até esta quinta-feira, o parlamentar ainda não tinha sido localizado.

TENTATIVAS – “Vamos fazer mais duas tentativas. Uma na segunda e outra na terça. Se não for possível encontrar o parlamentar, vamos notificá-lo pelo ‘Diário Oficial'”, disse o corregedor. Procurada, a assessoria de Wilson Santiago informou que o deputado está em Brasília, no apartamento funcional, e que na próxima terça-feira ele estará na Câmara para acompanhar os trabalhos do plenário.

Segundo interlocutores, Santiago tem se ausentado da Câmara para fazer exames médicos e avalia entrar com pedido de licença médica, o que atrasaria o andamento do processo. A notificação é um passo necessário para que se abra o prazo de cinco dias úteis para o parlamentar apresentar defesa oral ou escrita à Corregedoria sobre o parecer que solicita a análise da medida cautelar que o afastou do mandato em dezembro.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG – É nessas horas que o cidadão-eleitor se pergunta se está tendo um pesadelo ou se a realidade está, de fato, cada vez mais revirada. Não há pudor algum no cenário político ou respeito à opinião pública. Um parlamentar que não é localizado, mesmo estando em Brasília e, conforme diz a sua assessoria, no apartamento funcional. E, para completar, esse mesmo deputado recorre ao artifício da licença médica para arquitetar subterfúgios e protelar ainda mais e vergonha instaurada. E fica tudo por isso mesmo. (Marcelo Copelli)

Procuradoria prorroga os trabalhos da força-tarefa Amazônia por mais um ano

Força-tarefa realizou grandes operações de combate ao desmatamento

Deu no Estadão

Portaria publicada no Diário Oficial da União desta sexta-feira, dia 14, – Portaria nº 116 -, prorroga por um ano os trabalhos da força-tarefa Amazônia. O documento também estica pelo mesmo período a designação da procuradora da República Ana Carolina Haliuc Bragança (coordenadora) e do procurador da República Rafael da Silva Rocha (coordenador-adjunto) como membros titulares do núcleo. O ato terá vigência a partir de 22 de fevereiro de 2020.

A força-tarefa foi criada em agosto de 2018 para atuar no combate à macrocriminalidade na região amazônica, à mineração ilegal, ao desmatamento, à grilagem de terras públicas, à violência agrária e ao tráfico de animais silvestres.

TROCA DE EXPERIÊNCIAS – A equipe é formada por procuradores da República de todos os estados da Amazônia Legal. Eles atuam para ‘promover a troca de experiências e aperfeiçoar’ o trabalho do Ministério Público Federal no combate aos crimes na Amazônia, além de articular e aprimorar o diálogo do órgão com instituições como Ibama, Polícia Federal e Exército.

Desde a criação, a força-tarefa foi responsável por seis grandes operações de combate ao desmatamento ilegal na Amazônia. Nesse período, pelo menos 30 investigados e oito madeireiras foram denunciados por crimes como invasão de terras indígenas, lavagem de dinheiro, organização criminosa, dano ambiental, e outros.

OUTRAS FRENTES – O grupo também atuou no enfrentamento dos incêndios registrados na floresta no ano passado, destaca informação divulgada pela Secretaria de Comunicação Social da Procuradoria-Geral. Outra frente de trabalho é o combate à mineração ilegal.

Nesta semana, a Câmara de Meio Ambiente e Patrimônio Cultural do MPF (4CCR) irá lançar um manual sobre o tema, elaborado por integrantes da força-tarefa Amazônia.

O documento reunirá marcos jurídicos e questões controversas ‘a fim de orientar os membros com atuação na temática sobre como agir diante desse tipo de crime ambiental’. O lançamento acontece durante o Seminário Amazônia: Desmatamento, Crime Organizado e Corrupção, na sede da PGR. O evento terá a presença de procuradores da força-tarefa Amazônia.

A orelha mordida na hora do casamento e as histórias de D. João VI no Brasil

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D. Joao Vi e Carlota Joaquina fizeram a diferença no Brasil colonial

Sebastião Nery

“Na hora do casamento, num incidente que daria o tom dos quarenta anos seguintes, dona Carlota deu uma mordida violenta na orelha de Dom João. No cerne dos problemas da família real portuguesa, estava um casamento tão desastroso que, em alguns momentos, suas consequências transbordariam para o domínio público.

Dona Carlota (Joaquina, infanta espanhola, filha do príncipe das Astúrias, futuro rei Carlos IV) fora convocada para desposar Dom João (príncipe  de Portugal), então com 18 anos, em 1785, quando contava apenas 10 anos (o casamento só se consumou em 1790, quando ela fez 15 anos). Selada por razões de Estado, a união deu continuidade a uma tradição de casamentos entre as cortes espanhola e portuguesa. O casal teve nove filhos”

NA PRAÇA XV – E foi assim, de uma mordida na orelha do noivo na hora do casamento, da demência da rainha-mãe louca e fugindo de Napoleão que invadia Portugal, que o “príncipe do Brasil”, Dom João (a partir de 1815, Dom João VI), desembarcou na Praça XV, no Rio de Janeiro, em 8 de março de 1808, e o Rio se transformou na capital do Império Português.

Foi uma aventura para humilhar qualquer Manoel Carlos ou Gloria Perez. Essa história “recheada de personagens extravagantes” é contada, dia a dia, “com notável maestria”, pelo jornalista australiano, radicado em Londres, Patrick Wilcken, que se baseou em documentos brasileiros e portugueses, além de pesquisas no ministério de relações exteriores britânico: “Empire Adrift – The Portuguese Court in Rio de Janeiro – 1808-1821” (“Império à Deriva – A Corte Portuguesa no Rio de Janeiro – 1808-1821”).

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ALGUNS TRECHOS DA OBRA DE WILCKEN

– “A família real dividiu-se entre quatro navios. O “Alfonso de Albuquerque” trouxe dona Carlota e quatro de suas seis filhas. As duas filhas do meio viajaram no “Rainha de Portugal”, enquanto os membros inferiores do cortejo real – a tia e a cunhada idosas de Dom João, ficaram a bordo do “Príncipe do Brasil”. Na nau capitânea, a “Príncipe Real”, embarcaram Dom João, a Rainha Maria Iª, a Louca, e os herdeiros varões Pedro e Miguel”.

– “Dona Carlota era minúscula, baixa, menos de um metro e meio, de feições andaluzas morenas e usando um curioso turbante para cobrir a cabeça raspada. Dom João, um homem baixo e corpulento, de cabeça grande e braços e pernas troncudos. A família real passou um mês descansando em Salvador. Em 8 de março, desembarcaram no Rio. Durante um curto período, dom João e Dona Carlota dormiam em quartos situados no mesmo corredor, um em frente ao outro. Mas esse arranjo não durou muito. Os dois não tardaram a morar em extremos opostos da cidade, com os familiares divididos entre eles”.

– “O Rio era menor do que Salvador: 60 mil habitantes na chegada da família real. O vice-rei invocou uma lei impopular que dava à coroa o direito de confiscar casas particulares. Funcionários percorriam a cidade, escolhendo arbitrariamente as residências adequadas e escrevendo a giz, em suas portas de entrada : “PR” (“Príncipe Regente”). O sinal indicava que os moradores deveriam desocupar prontamente as propriedades. Essas iniciais tornaram-se popularmente conhecidas pelos cariocas exasperados como “Ponha-se na Rua”.

– “Dom João saia com um cortejo de autoridades. Com pouco tempo, passou a cumprimentar muitos súditos pelo nome. Criou um sistema de concessão de honrarias, do qual nasceu a nobreza brasileira: fazendeiros, senhores de escravos e comerciantes ricos receberam títulos de marquês, conde, barão e cavaleiro, o que consolidou ainda mais a popularidade de Dom João. 

– O príncipe regente era venerado. Dona Carlota galopava pela zona rural. As excentricidades de dona Carlota viraram temas de mexerico na cidade: o habito pouco feminino de montar como um cavaleiro, com um rifle pendurado no ombro, suas expedições de caça pelas montanhas e o obvio afastamento do marido chocaram a sociedade colonial conservadora”.

– “Joaquim José de Azevedo, o funcionário da corte que havia supervisionado o embarque da família real, enriqueceu tanto no Brasil que acabou por se tornar o banqueiro da corte”. (E nasceu o Banco Central).

O que Dom João VI fez, administrativa e politicamente, ficou na História. Não foi um gordinho glutão e alienado, comedor de frangos. Foi um estadista.

Onyx Lorenzoni diz que fala de Guedes sobre empregadas na Disney foi “infeliz”

Lorenzoni disse que “adoraria poder dizer o contrário”

Isabella Macedo
O Globo

Oficialmente realocado da Casa Civil para o Ministério da Cidadania, o ministro Onyx Lorenzoni afirmou na última sexta-feira, dia 14, que o titular da Economia, Paulo Guedes, foi “infeliz” ao dizer que o dólar alto é “bom para todo mundo” e que “empregada doméstica estava indo para Disney, uma festa danada”, na última quarta-feira.

“Acho que a frase foi infeliz. Eu adoraria poder dizer o contrário, que bom que todas as pessoas no Brasil, independentemente de sua condição funcional, possam ter uma renda tão boa que os permita ir aonde eles quiserem. A gente tem que entender que felicidade, cada um tem a sua, (cada um) tem a sua diversão”, afirmou Onyx, em entrevista à Rádio Gaúcha nesta manhã.

“DELÍRIO” – Na quarta-feira, Guedes afirmou durante um evento que o dólar alto é “bom para todo mundo” e que, quando a moeda americana estava com valor mais baixo, “todo mundo” estava indo para a Disney.

“O câmbio não está nervoso, (o câmbio) mudou. Não tem negócio de câmbio a R$ 1,80. Todo mundo indo para a Disneylândia, empregada doméstica indo para Disneylândia, uma festa danada. Pera aí. Vai passear ali em Foz do Iguaçu, vai passear ali no Nordeste, está cheio de praia bonita. Vai para Cachoeiro de Itapemirim, vai conhecer onde o Roberto Carlos nasceu, vai passear no Brasil, vai conhecer o Brasil. Está cheio de coisa bonita para ver”, disse o ministro na ocasião.

INTERVENÇÃO – No dia seguinte, a moeda chegou a valer R$ 4,38 e só fechou em baixa após o Banco Central intervir, por meio de leilão de câmbio. Ao deixar o Palácio da Alvorada, na manhã de quinta-feira, o presidente Jair Bolsonaro Bolsonaro evitou comentar fala de Guedes, mas diz que o dólar está ‘um pouquinho alto’.

Ministro Sérgio Moro assegura que “não há excesso de prisão preventiva no Brasil”

Moro criticou “o surrado discurso de que se prende demais”

Jorge Vasconcellos
Correio Braziliense

O ministro da Justiça e Segurança Pública, Sergio Moro, foi ao Twitter, neste sábado, dia 15, para assegurar que “não há excesso de prisão preventiva no Brasil” e criticar “o surrado discurso de que se prende demais” no país.

Com essas afirmações, o ministro contraria diagnósticos do Supremo Tribunal Federal (STF), do Conselho Nacional de Justiça (CNJ) e de vários estudiosos do sistema carcerário brasileiro.

SEM EXCESSO – “São cerca de 33% de presos provisórios, ou seja, presos sem julgamento. O Brasil possui menos presos provisórios do que Mônaco (56,3%), Suíça (42,2%), Canadá (38,7%), Bélgica (35,6%) e Dinamarca (35,5%), por exemplo. Não há qualquer excesso de prisão preventiva no Brasil”, escreveu Moro, que publicou uma série de tuítes sobre o tema.

O ministro também negou que o número de presos em relação ao tamanho da população brasileira seja alto. “São 773.151 presos no Brasil. Número absoluto elevado. O número relativo, de 367,91 presos por cem mil habitantes, não é dos maiores em comparação com o mundo. De todo modo, o único meio de diminuir o número de presos é diminuindo o número de crimes, não há outra alternativa”, frisou.

CONSULTA – Moro abordou o assunto ao anunciar que o Departamento Penitenciário Nacional (Depen) do ministério liberou para consulta, na internet, os dados mais recentes da população carcerária brasileira, atualizados com base nos números de  junho de 2019.

Ele também escreveu que “Do atual MJSP, vc. não vai ouvir o surrado discurso de que se prende demais no Brasil”, indo em sentido contrário aos diagnósticos dos principais órgãos e autoridades que se debruçam sobre o tema. “Precisamos, sim, melhorar as prisões e a reabilitação dos presos. Mas não se resolve a criminalidade abrindo as portas das cadeias”, acrescentou o ministro.

MANIFESTAÇÕES – A superpopulação carcerária e a quantidade de presos aguardando julgamento foram dois pontos criticados por ministros do STF em setembro de 2015, quando o tribunal finalizou o julgamento de uma ação proposta pelo PSOL. Ela questionava “ações e omissões” do poder público em relação ao sistema penitenciário brasileiro.

No julgamento, o Supremo concluiu que as condições carcerárias do país violavam preceitos fundamentais dos presos e reconheceu o chamado “estado de coisas inconstitucional” em relação ao sistema penitenciário nacional.

SALDO ACUMULADO – Na oportunidade, o STF determinou que o governo federal liberasse todo o saldo acumulado no Fundo Penitenciário Nacional (Funpen), destinado à construção e reforma de presídios, e proibiu novos contingenciamentos da verba.

A Corte também decidiu que os tribunais e juízes do país teriam de adotar medidas para implantar as chamadas audiências de custódia, procedimento pelo qual presos em flagrante são levados a um juiz para determinar a necessidade ou não de permanecerem na cadeia antes do julgamento.

ALERTA –  O alto índice de presos provisórios é também uma antiga preocupação do Conselho Nacional de Justiça (CNJ). O órgão vem alertando que a população carcerária do país tem aumentado a um ritmo de 8,3% ano ano.

Nessa marcha, o número de presos pode chegar a cerca de 1,5 milhão em 2025, o equivalente à população de cidades como Belém e Goiânia. Atualmente, o Brasil tem a terceira maior população carcerária do mundo, atrás apenas dos Estados Unidos e da China.

Bolsonaro participa de evento evangélico no Rio e declara: “O Brasil é laico, mas o presidente é cristão”

Bolsonaro participou da comemoração da Igreja de RR Soares

Chico Otavio
O Globo

Com um discurso carregado de referências religiosas, o presidente Jair Bolsonaro participou da comemoração dos 40 anos da Igreja Internacional da Graça, do missionário RR Soares, na Enseada de Botafogo, Zona Sul do Rio. Bolsonaro agradeceu o apoio do povo evangélico nas eleições de 2018.

“O Brasil é laico, mas o presidente é cristão. O Brasil está mudando. Mais do que os números da economia, está mudando porque tem um governo que respeita a família. Deve a lealdade ao seu povo e acredita em Deus. Com fé, humildade, sabedoria (que sempre peço a Ele), nós mudaremos o destino do nosso Brasil”, declarou.

PRESENÇA DE BRETAS – No evento que também teve a presença do juiz Marcelo Bretas, titular da 7ª Vara Federal Criminal do Rio, o presidente chegou a participar de uma roda de oração e citou uma passagem bíblica (João 8.32, “conheceis a verdade e a verdade vos libertará”) para afirmar a sua religiosidade.

RR Soares também chamou ao palanque o prefeito Marcelo Crivella, que busca apoio de Bolsonaro para disputar a reeleição em outubro. Batizado de Ano da Unção Dobrada, o evento é a segunda agenda evangélica do presidente em uma semana.

No sábado passado, ele participou do “The Send”, no Estádio Mané Garrincha, em Brasília, evento ligado ao grupo de missionários do movimento internacional Jovens Com Uma Missão (JOCUM).

Bolsonaro repete “banana” a jornalistas ao ser questionado sobre desmonte da biblioteca do Palácio

Biblioteca perderá espaço para receber equipe de Michelle 

Vera Batista
Correio Braziliense

O presidente Jair Bolsonaro repetiu o gesto de “banana” para jornalistas, fazendo o sinal com os braços para os profissionais de imprensa que trabalhavam em frente ao Palácio Alvorada, neste sábado, dia 15.

Desta vez, a “banana” foi motivada por perguntas sobre o desmonte da tradicional Biblioteca da Presidência da República, no Anexo I do Palácio do Planalto, para abrigar a equipe do programa Pátria Voluntária, coordenado pela primeira-dama, Michelle Bolsonaro.

“DE GRAÇA” – “Vocês só se preocupam com besteira. Nenhum livro vai embora, vai ficar tudo lá. A primeira-dama faz um trabalho de graça para o Brasil. Então, em vez de vocês elogiarem, vocês criticam. Tenha paciência”, disse. “Quem age assim merece uma banana”, completou.

A biblioteca tem um acervo de 42 mil itens e 3 mil discursos de presidentes. Com a chegada da equipe de Michelle, serão ocupados os espaços de estudo, convivência e leitura. O local tem a função de preservar a memória dos presidentes do Brasil. 

SEGUNDA VEZ – Esta é a segunda vez que Bolsonaro dá uma “banana” para a imprensa este mês. No último dia 8, ele fez o gesto ao avisar que não daria entrevista devido à repercussão negativa a um declaração sua sobre pessoas com HIV representarem uma despesa.

A fala ocorreu na quarta-feira dia 5, quando o presidente saiu em defesa do programa de prevenção à gravidez na adolescência, lançado pela ministra da Mulher, Família e Direitos Humanos, Damares Alves.

Depois da repercussão negativa, Bolsonaro buscou esclarecer melhor sua declaração: “Eu falei de uma menina que deu à luz pela terceira vez aos 16 anos de idade sendo aidética. Foi isso que eu falei. O que faltou? Faltou uma mãe, uma avó, para não começar a fazer sexo tão cedo. Qualquer pessoa com HIV, além do problema de saúde dela gravíssimo, que nós temos pena, é custoso para todo mundo. Vocês focaram no que o aidético é oneroso para todo o Brasil. Estou levando porrada de tudo quanto é grupo de pessoas que têm esse problema lamentavelmente”.

REDUÇÃO – A tradicional biblioteca da Presidência da República, em Brasília fica em um prédio anexo ao Palácio do Planalto, ao lado da vice-presidência. Segundo reportagem publicada na edição de “O Globo” na internet, que o espaço será reduzido pela metade.

Essa é a segunda vez que o governo federal banca uma reforma para abrigar Michelle Bolsonaro e sua equipe na Esplanada. Há sete meses, foram gastos R$ 330 mil em obras no Ministério da Cidadania para adaptar salas para a primeira-dama e servidoras do Pátria Voluntária.

TRANSFERÊNCIA – O Programa Nacional de Incentivo ao Voluntariado – o Pátria Voluntária – foi criado em julho. Tem por objetivo promover, valorizar e integrar o trabalho voluntário no país. Era ligado ao Ministério da Cidadania, mas em dezembro passou para a Casa Civil. Por isso, a transferência para o Palácio do Planalto.

A biblioteca da Presidência foi criada no governo do presidente Wenceslau Brás, entre 1914 e 1918, quando a sede do governo ainda era no Rio de Janeiro. Com a construção de Brasília, primeiro foi instalada no prédio principal do Planalto, mas em 1979 foi transferida para o anexo.

O presidente do Conselho Regional de Biblioteconomia, Fabio Cordeito, conta que esteve na biblioteca. E que viu o andamento das obras. Ele disse que conversou com servidores e foi informado que o acervo está acomodado no novo espaço. Mas a área disponível ao público terá de ser reduzida. Para Fabio Cordeiro, a preocupação é com o futuro da biblioteca.

MEMÓRIA – “O risco de diminuir de tamanho é porque uma biblioteca é um organismo em crescimento, então ela tem que ter espaço para garantir que os acervos futuros caibam nesse espaço físico. Então, a medida que os governos forem passando, novas políticas vão sendo criadas, políticas precisam ser preservadas para a história do país e para memória institucional de todo o governo”, disse.

Em nota, a Secretaria- Geral da Presidência informou que “a biblioteca da Presidência da República, inclusive em razão de sua relevância institucional, vem passando por um permanente processo de modernização”, e que “no que se refere às recentes alterações do espaço físico destinado à biblioteca da Presidência da República, é importante registrar, primeiramente, que 100% do acervo físico será preservado, em condições técnicas adequadas.”

“Ainda a esse respeito”, diz a nota, “cabe esclarecer que havia em torno de 40% de espaço não utilizado nas estantes da biblioteca, de forma que, mesmo com as alterações promovidas, ainda restará margem para ampliação do acervo.”

OTIMIZAÇÃO –  A Secretaria informou também que “por outro lado, essas mudanças também visam otimizar os espaços físicos da Presidência, permitindo que outras atividades relevantes possam ser desempenhadas pelos seus servidores.”

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG – Mais uma vez, Bolsonaro perdeu o tom e a oportunidade de valorizar o cargo que ocupa.  Embevecido pelos gritos de “mito” e a euforia cegamente inexplicável dos seus fiéis apoiadores, se porta como se estivesse discursando para uma torcida organizada ou para os frequentadores de um bar, esquecendo-se que é gravado e está falando com a imprensa. Se surgem dúvidas, é preciso que ela as esclareça. Mas a cada “oposição”, rebate com piadas “marotas” ou faz beicinho e diz que não vai responder. (Marcelo Copelli)

Atraso nas reformas, ciumeiras e avanço militar estão desgastando Paulo Guedes

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Charge do Nani (nanihumor.com)

Fábio Pupo e Gustavo Uribe
Folha

O ministro da Economia, Paulo Guedes, vive dias estressantes. Publicamente, teve de contornar a repercussão de duas falas desastradas –ter chamado o servidor público de parasita e associar a festa do dólar barato à ida de domésticas à Disney. Nos bastidores, ainda precisou suportar mais um adiamento no envio da reforma administrativa para o Congresso e o avanço da influência dos militares nas decisões do Executivo.

Consolida-se a percepção de que o próprio presidente Jair Bolsonaro e o núcleo militar não querem a reforma que mexe com os servidores. Cogitou-se, a contragosto de Guedes, que a proposta até fosse para a gaveta.

VERSÃO DESIDRATADA – Após pressão do presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), o governo voltou atrás. Mas o texto vem sendo revisto desde a sua entrega a Bolsonaro, em novembro, e o que se espera é uma versão final desidratada.

O pano de fundo do vaivém é um realinhamento no jogo de forças do governo. Em termos de estrutura de comando, Guedes é um superministro. A Economia, que reuniu praticamente cinco pastas de governos anteriores, ficou ainda maior neste mês com a incorporação da secretaria especial do PPI (Programa de Parcerias de Investimentos, antes na Casa Civil).

A avaliação de assessores presidenciais é que, apesar de já ter tantas áreas, o ministro tenta elevar sua ascendência sobre outros ministérios para aumentar a rede de aliados e de se blindar de críticas.

QUIS A CASA CIVIL – Guedes tentou, por exemplo, emplacar Rogério Marinho na Casa Civil. Mas Bolsonaro preferiu o general Braga Netto, candidato defendido pelos generais Luiz Eduardo Ramos, ministro da Secretaria de Governo, e Augusto Heleno, do Gabinete da Segurança Institucional. Marinho ficou, então, com o posto de ministro do Desenvolvimento Regional.

Essa escalação, no entanto, também não foi serena. O ex-ocupante do Desenvolvimento Regional, Gustavo Canuto, que foi deslocado para a estatal Dataprev, era próximo do então ministro da Casa Civil, Onyx Lorenzoni, e tinha uma boa relação com o titular da Secretaria-Geral, Jorge Oliveira.

Na semana anterior à mudança ministerial, Guedes e Onyx tiveram outro desgaste, com a transferência do PPI da Casa Civil para a Economia.

VIAGENS INTERNACIONAIS – Na transição de governo, Guedes defendia a mudança, mas Bolsonaro resistiu por uma questão hierárquica, já que cabe à Casa Civil coordenar atividades interministeriais. Em janeiro, no entanto, o presidente se irritou com os custos de viagens internacionais feitas por assessores do programa e decidiu atender ao pleito da Economia.

Na época, auxiliares da Casa Civil acusaram Guedes de ter se aproveitado da crise para transferir a estrutura e se fortalecer com o presidente.

As críticas ao ministro da Economia são feitas ainda no Ministério do Meio Ambiente. A avaliação, também compartilhada pelo Planalto, é que Guedes errou ao ter querido ser o único protagonista da comitiva brasileira e não ter escalado o ministro Ricardo Salles para participar do Fórum Econômico Mundial, em Davos.

POBREZA DESMATA? – A presença de Salles poderia ter poupado Guedes de causar polêmica ao relacionar desmatamento e pobreza quando tentava sublinhar, de forma considerada desajeitada, que países ricos desmataram e poluíram mais do que os emergentes.

Mesmo sem Salles, a equipe econômica informou que o CBA (Centro de Biotecnologia da Amazônia), gerenciado pela Suframa (Superintendência da Zona Franca de Manaus), será transformado em um centro de negócios sustentáveis.

No Meio Ambiente, o diagnóstico é que o anúncio foi apressado, uma vez que a ideia é embrionária e que a meta de cumprimento em abril não deve ser atendida.

MAIS MUDANÇAS – Em meio a todos os questionamentos, Bolsonaro revelou, em janeiro, movimentos para separar a pasta da Economia. Segundo ele, a maior pressão é pela volta do Planejamento e da Fazenda. “Se isso [a pressão] se tornar público, vão dizer que estou querendo enfraquecer o Guedes”, disse.

A ideia da separação é cogitada pelo núcleo militar do governo, mas ainda está em estudo. Pesa na avaliação o fato de a campanha de Bolsonaro ter defendido redução da quantidade de ministérios.

No Ministério da Economia, os integrantes defendem a estrutura atual. Em 2019, afirmam, as equipes ainda estavam sendo formadas e se adaptando aos novos processos e funções. A visão é que a dinâmica tende a ficar mais fluida no segundo ano e conforme o tempo avança.

MAIS DISPUTAS? – Com a divisão de poderes entre várias pastas, avaliam, os embates na Esplanada poderiam ser ainda maiores e não contribuir para o avanço da agenda das reformas. Brigas em torno de medidas econômicas eram comuns, como aquelas entre Fazenda e Planejamento em decisões, por exemplo, do Conselho Monetário Nacional.

Também fonte de conflitos era o extinto Ministério da Indústria, que recebia demandas da iniciativa privada e travava embates com o titular da área econômica em torno de medidas para empresas.

Outro argumento da equipe econômica é que Guedes quer empreender uma profunda mudança no Estado, e, assim, o ministério deve ser do tamanho do desafio proposto.

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NOTA DA REDAÇÃO BLOG
A importante matéria deixa claro que há
diferenças de enfoque entre a equipe econômica e a ala militar. Os generais do Planalto sabem que não há planejamento neste governo, é tudo feito em cima da hora. Por isso, querem a volta do ministério, que foi criado por João Goulart para ser ocupado por Celso Furtado e depois foi importantíssimo no regime militar, com nomes como Roberto Campos, Helio Beltrão, Reis Veloso, Mário Henrique Simonsen, Delfim Netto e Golbery do Coutto e Silva.Mas quem se interessa? (C.N.)

Mourão diz que “eventuais erros” do governo não podem ser debitados na conta das Forças Armadas

Mourão ratificou que Forças Armadas estão “do lado de fora”

Pedro Henrique Gomes
G1

O vice-presidente da República, Hamilton Mourão, disse na última sexta-feira, dia 14, em entrevista à Rádio Gaúcha, que eventuais erros e acertos do governo “não podem ser debitados” na conta das Forças Armadas.

Ele deu a declaração ao ser questionado sobre a nomeação de mais um militar para chefiar um ministério, o general Braga Netto, novo ministro da Casa Civil. Com isso, todos os ministros que têm gabinete no Palácio do Planalto são militares. O próprio Mourão e também o presidente Jair Bolsonaro são militares da reserva.

ENTIDADES DIFERENTES – Mourão afirmou que a gestão do presidente tem a preocupação, desde o início, de deixar claro que as Forças Armadas e o governo são entidades diferentes.

“Essa é uma preocupação que a gente tem desde o começo do nosso governo. A gente tem que deixar claro que as Forças Armadas continuam do lado de fora, apesar de nós termos a presença de elementos do meio militar. Mas as Forças Armadas estão fora na mão dos seus comandantes. E isso a gente tem que deixar muito claro o tempo todo porque eventuais erros e acertos do nosso governo não pode ser debitados na conta delas”, disse o vice-presidente.

AGILIDADE – Na última quinta-feira, dia 13, Bolsonaro anunciou que Braga Netto assumiria no lugar de Onyx Lorenzoni, que foi para o Ministério do Desenvolvimento Regional. De acordo com o Mourão, o presidente entendeu que as trocas vão dar mais “agilidade” e “capacidade de negociação” nas conversas do governo com o Congresso.

O vice-presidente afirmou que o Executivo entregou “muita coisa” para ser votada no parlamento, porém recebeu pouca de volta. “As mudanças que o presidente Bolsonaro promoveu são mudanças que considerou necessárias no sentido de dar mais agilidade, mais capacidade de negociação. Digamos também que ele julgou que a articulação política não andou da forma necessária. Nós entregamos muita coisa para o Parlamento e recebemos muito pouca coisa de volta. Apesar do parlamento ter aprovado a reforma da previdência, que foi uma coisa extraordinária e ser um parlamento reformista”, disse Mourão.

DEMARCAÇÕES –  O vice-presidente, que assumiu a presidência do Conselho Nacional da Amazônia Legal na última terça-feira, dia 11, afirmou que as demarcações de terra indígenas foram “excessivas” no que diz respeito ao tamanho das áreas.

“O conhecimento de ter vivido na Amazônia e de ser filho de amazonense também, é em primeiro lugar, essa é a minha opinião, e do governo também, de que as terras foram demarcadas de forma excessiva em tamanho para cada uma delas e o grupo que ela engloba. Se você olhar o mapa, verá terras enormes”, analisa Mourão.

Entretanto, Mourão acredita que diminuir o tamanho das terras indígenas, possibilidade já levantada pelo presidente Bolsonaro, não é possível. “Isso não se pode mudar mais. Temos que entender que isso é dado do problema, faz parte da questão”, disse.

“DIGNIDADE” – O vice-presidente também foi questionado sobre o impacto que o projeto de regulamentação da exploração econômica das terras indígenas que o governo federal enviou ao Congresso Nacional teria nas comunidades indígenas. Mourão disse que que o governo quer oferecer “dignidade” para o indígena que quiser montar um negócio no seu território.

“Tem que haver alguma legislação para que o indígena tenha dignidade. Muitas terras podem ser exploradas, e os índios lá estão morrendo de fome, vivendo do Bolsa Família. Essa é a questão que o presidente coloca”, defende Mourão.

CRITÉRIO – O vice também foi questionado sobre o critério para a retirada dos governadores do Conselho da Amazônia. Mourão afirma que o objetivo do conselho é coordenar as ações dos ministérios voltadas para a Amazônia, e é, portanto, uma questão federal. Ele diz que vai ouvir os governantes locais para tomar as decisões.

“É algo de nível federal. Não estamos intervindo nos estados. Isso não significa que as administrações estaduais e municipais estão excluídas. Muito pelo contrário. Eu vou ir em cada estado, já fui em Roraima e na segunda irei ao Amazonas, para ouvir os governadores. Que eles me apresentem as formas como eles enxergam os problemas, como eles acham que podemos resolver e quais as demandas principais para que a gente possa alinhas as políticas do governo”, declarou.

Governo baiano não tem “laços de amizade” com bandidos, rebate Rui Costa após acusação de Bolsonaro

Governador diz que Estado “não vai tolerar milícias nem bandidagem”

André Vieira
Estadão

O governador da Bahia, Rui Costa (PT), disse na tarde deste sábado, dia 15, por meio de sua conta no Twitter, que o governo baiano “não mantém laços de amizade nem presta homenagens a bandidos nem procurados pela Justiça”.

Na rede social, o governador disse também que o Estado “não vai tolerar nunca milícias nem bandidagem” e que policiais têm direito de salvar suas próprias vidas quando atacados, “mesmo que os marginais tenham laços de amizade com a Presidência”.

REVIDE – A declaração foi dada em duas postagens, em referência às afirmações feitas pelo presidente Jair Bolsonaro, no Rio de Janeiro, que apontou a “polícia da Bahia, do PT”, pela morte do miliciano Adriano Magalhães da Nóbrega, o capitão Adriano, no domingo passado no município de Esplanada, a 170 km de Salvador.

Em 2005, o então deputado estadual e hoje senador Flávio Bolsonaro, filho mais velho do presidente, concedeu a Medalha Tiradentes, mais alta condecoração da Assembleia Legislativa, ao miliciano. Flávio também empregou a mãe e a mulher de Adriano.

“Tire o seu sorriso do caminho, que eu quero passar com minha dor…”

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Guilherme de Brito e Nelson Cavaquinho na roda de samba

Paulo Peres
Poemas & Canções

O pintor, escultor, cantor e compositor carioca Guilherme de Brito Bollhorst (1922-2006), na letra do samba “A Flor e o Espinho”, parceria com seu grande amigo Nelson Cavaquinho e Alcides Caminha, apresenta o oposto ao amor antes existente e passa a desprezá-lo. A primeira gravação do clássico “A flor e o espinho” foi feita por Raul Moreno, em 1957, pela Todamérica, mais tarde também gravada por Elizeth Cardoso e outros grande nomes da MPB.

A FLOR E O ESPINHO
Nelson Cavaquinho, Alcides Caminha e Guilherme de Brito

Tire o seu sorriso do caminho
Que eu quero passar com a minha dor
Hoje pra você eu sou espinho
Espinho não machuca a flor
Eu só errei quando juntei minh’alma à sua
O sol não pode viver perto da lua

É no espelho que eu vejo a minha mágoa
É minha dor e os meus olhos rasos d’água
Eu na tua vida já fui uma flor
Hoje sou espinho em seu amor

Tire o seu sorriso do caminho
Que eu quero passar com minha dor
Hoje pra você eu sou espinho
Espinho não machuca a flor
Eu só errei quando juntei minh’alma a sua
O sol não pode viver perto da lua

PT não se livra da Lava Jato e vem perdendo a guerra da comunicação contra Bolsonaro

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Charge reproduzida do site do PSDB-SC

Pedro do Coutto

O Partido dos Trabalhadores – reportagem de Fábio Zanini, Folha de São Paulo de sábado – está perdendo espaço na área da comunicação geral e por isso quer reforçar sua atuação nas redes sociais atribuindo o fato de perder para o governo Bolsonaro a formação de equipe que não estaria dando certo. Gilmar Tatto secretário da comunicação nacional do partido, afirmou que essa derrota preocupa e por isso sustenta que está faltando unificar a mensagem política da legenda.

Entretanto, na minha opinião, o problema de maior influência é o de que a legenda não está conseguindo se desvencilhar dos efeitos da operação Lava Jato que comprometeu o partido, abalando-o de forma muito profunda.

OUTRA ESTRATÉGIA – Assim, o Partido dos Trabalhadores terá, a meu ver, que partir para um tipo de comunicação gratuita capaz de motivar as forças que se perderam com a prisão de Lula e com as urnas nacionais de 2018.

Zanini revelou que nas redes sociais, enquanto o presidente Jair Bolsonaro reúne 5,9 milhões de seguidores, o ex-presidente Lula da Silva tem apenas 1 milhão e 400 mil adeptos. A diferença é bastante grande porém é preciso considerar a atração natural que o poder exerce sobre a população.

Assim. enquanto a caneta está nas mãos de Bolsonaro, Lula da Silva não está oferecendo qualquer perspectiva de recuperar o prestígio de outrora revelado nas suas vitórias de 2002 e 2006 e também a influência que elegeu duas vezes Dilma Rousseff. Mas isso pertence ao passado.

INTERESSES NACIONAIS – No presente o que está faltando sobretudo ao PT é colocar o debate em torno dos interesses sociais. É preciso, e o raciocínio vale por igual ao governo e a oposição, discutir temas concretos e, em matéria de assuntos não abordados existe um volume enorme de pontos a esclarecer, a começar pela questão do emprego e da redistribuição de renda, da qual através do tempo sempre se fala, mas não se passa do pensamento a ação, ou da retórica ao encadeamento concreto.

Agora mesmo, verificam-se contradições na área do governo, como no caso das empregadas domésticas. O governo reconheceu o erro de Paulo Guedes, mas a oposição perdeu a oportunidade de ampliar o foco na matéria que, afinal de contas, se referia a uma descriminação.

OPORTUNIDADE – As eleições municipais deste ano são bem uma oportunidade de unir o debate municipal e a política nacional, cujo panorama ressente-se de clareza e objetividade.

Na campanha o PT terá de assumir uma posição de mea culpa, sem o que a legenda não se livrará do peso que a operação Lava Jato atingiu as correntes partidárias. O escândalo da Petrobrás e sua divisão à base de blocos parlamentares tornou-se, penso eu, o maior símbolo de corrupção verificado até hoje.

O PT assim tem diante de si um desafio. Gilmar Tatto colocou bem o tema. Mas o partido precisa desatar o nó da sua própria história.        

Enquanto Paulo Guedes exibe seus preconceitos, a economia do país continua patinando

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Charge do Fraga (GaúchaZH)

Vicente Nunes
Correio Braziliense

Se não tem economizado nas absurdas demonstrações de preconceitos, o ministro da Economia, Paulo Guedes, até agora não conseguiu mostrar capacidade efetiva para tocar um processo de retomada mais forte da economia. Desde que ele tomou posse como superministro, em janeiro de 2019, só vem acumulando frustrações quando o assunto é crescimento econômico.

Guedes assumiu com um discurso de que, com a posse de um governo liberal, o país entraria em um ciclo contínuo de expansão do Produto Interno Bruto (PIB). Num tom ufanista, prometeu zerar o déficit público, superior a R$ 130 bilhões, em apenas um ano. Muita gente acreditou em tais promessas.

SEM OTIMISMO – A realidade que tem se imposto, porém, é totalmente diferente. A economia continua patinando e as contas públicas apresentam rombo próximo de R$ 100 bilhões ao ano. A incapacidade da equipe de Guedes de fazer o país crescer é tão grande, que nem a taxa básica de juros (Selic) no menor nível da história (4,25% ao ano) surtiu efeito.

Embalados pelo discurso otimista de Guedes, a maior parte dos economistas chegou a prever crescimento de até 3% em 2019. A euforia entre empresários e integrantes do mercado era tamanha que consultorias e bancos revisaram para cima suas projeções para o Produto Interno Bruto (PIB) por diversas vezes.

Aos poucos, porém, a ficha foi caindo e a realidade dando as caras. Agora, o Banco Central informa que a economia brasileira cresceu apenas 0,89% em 2019.

NÚMEROS ERRADOS – Quando se olha para os resultados mensais do IBC-Br, que funciona como prévia do PIB, o que se vê é o número de novembro revisado de alta de 0,18% para queda de 0,11% e o de dezembro apontando contração de 0,27%.

Esses dados ruins, que aumentam a desconfiança, vêm das quedas de 0,7% na produção industrial, de 0,1% no varejo e de 0,4% em serviços no último mês de 2019. Tudo isso mostra que, em vez de acelerar, como propagou Guedes, a economia perdeu força. Não por acaso, os especialistas estão revisando todas as estimativas de PIB de 2020 para baixo. Alta de 2% virou teto.

PARASITAS E DOMÉSTICAS – O falastrão Guedes, que já ofendeu a mulher do presidente da França, defendeu o AI-5, chamou os servidores públicos de parasitas e disse que não é aceitável que empregados domésticos viagem para a Disney. Mais preconceituoso, impossível.

Não custa lembrar que, depois de muitas tentativas e uma espera de mais de 30 anos, Guedes chegou ao posto mais alto da economia. Até agora, está sendo mais destaque pelas atrocidades que fala do que pela melhora efetiva da economia.

General Ramos admite que errou ao fazer ‘articulação política’ sem ouvir os partidos…

 Baptista Pereira, ministro-chefe da Secretaria de Governo, durante entrevista Foto: Jorge William / Agência O Globo

O general Luiz Ramos demonstra que é um estranho no ninho

Gustavo Maia, Naira Trindade e Thais Arbex
O Globo

Sete meses à frente da articulação política do governo, o ministro Luiz Eduardo Ramos, da Secretaria de Governo, precisou da calmaria do recesso parlamentar de janeiro para reconsiderar a maneira como dialoga com o Congresso. “Eu reconheço, e não tenho vergonha de falar, um dos erros foi que não tive interlocução com presidentes de partidos” — afirmou Ramos, admitindo ter dado início a uma rodada de conversas com líderes das legendas, começando por aqueles do chamado centrão — entre os quais Ciro Nogueira, do PP, Gilberto Kassab, do PSD, e Marcos Pereira, do Republicanos, contrariando uma a das premissas de Bolsonaro no início de seu governo.

Ramos nega, no entanto, que o movimento seja a porta de entrada para a retomada do chamado presidencialismo de coalizão com vistas à formação de uma consolidada base de apoio no Congresso.

Fortalecido no Palácio do Planalto após conseguir emplacar um amigo de longa data,  o também militar Walter Souza Braga Netto, no lugar de Onyx Lorenzoni na Casa Civil, Ramos recebeu O Globo em seu gabinete no quarto andar do Planalto, uma hora depois de o presidente Jair Bolsonaro er oficializado a troca na equipe ministerial pelas redes sociais.

O senhor está mais confortável hoje para lidar e negociar com o Congresso?
Muito mais confortável. O cara começa a namorar e não pode avançar o sinal no segundo mês. Primeiro são rosas. O Rodrigo Maia, outro dia, me ligou, era um domingo e me chamou para ir à casa dele com a sua esposa comer uma pizza. São coisas que não tinham. Eu converso com eles agora, eles são sinceros comigo. Sou muito sincero, e isso não é falsa humildade, ninguém me conhecia. Fomos no Rodrigo Maia mostrar os projetos importantes até junho. Fomos no Davi Alcolumbre. Eles estão com essa pauta. A Economia chegou hoje com a pauta dela. Coisa que eu não fiz ano passado. Eu cheguei aqui, era reforma da Previdência, não conseguia ver mais nada. Agora, não. A minha esperança é ter um ano mais sereno, mais organizado, porque nós estamos realmente preparados para o que vai vir. O presidente tem falado. Eu estava no almoço com ele lá no Palácio do Alvorada com os chefes de Poder. O presidente da República, os presidentes da Câmara e do Senado, o presidente do STF, do TCU, se quiserem, mudam o país. Não precisa ter toma lá, dá cá. Eles mudam o país.

Nas conversas com presidentes de partidos o senhor tem feito um discurso de mea-culpa? De admitir que errou ao não se aproximar deles antes?
É verdade. Errei. Quem manda? É o presidente do partido. Tem que continuar falando com os líderes, é importante, me dou bem com todos. Agora, não é quem manda, mas o cara importante é o presidente do partido. Quem teria que falar com os líderes é o líder do governo, Major Vitor Hugo (PSL-GO).

O senhor vai mudar a postura e parar de receber todo mundo? Lógico que não. Tem gente que acha ruim, inclusive aqui no Palácio, eu, como ministro sair daqui e ir andar lá no Congresso. Acham que é perigoso, que me apequeno e me exponho. Eu não acho. É minha característica.

E por que essa relação com os partidos se torna importante a partir de agora?
Para que nós tenhamos um ano diferente do ano de 2019.

Mas o ano de 2019 não foi bom?
Foi muito bom, só que (2020) é um ano mais curto, que vai acabar em junho (por causa das eleições municipais). Nós já estamos em março, vem o carnaval. Então, na realidade, eu tenho quatro meses no máximo. Preciso ter todas as ferramentas e os presidentes dos partidos são fundamentais para isso.

O senhor fará um governo de presidencialismo de coalizão? Não, não tem jeito. Vocês têm a prova maior: o Osmar Terra é do MDB. Ele saiu e o Onyx foi para lá. Qual é a coalizão? Seria coalizão se tirasse o Osmar Terra, mandasse o Onyx para a Câmara e colocasse o Wellington Roberto, líder do PL, para ser ministro. O discurso dele [presidente] não mudou. A prova é essa mudança, que não tem indicação política. Agora, eu reconheço, e não tenho vergonha de falar, um dos erros foi que não tive interlocução com presidentes de partidos. E estou tendo um retorno, surpreendentemente, positivo dos presidentes de partidos com quem tenho conversado. Não há nenhum pedido deles, nenhuma imposição minha, apenas precisamos dialogar.

Como ficou a promessa de liberar R$ 40 milhões de recursos para aprovar a reforma da Previdência?
Foi feita, dentro do previsto, uma previsão de créditos suplementares de acordo com o Orçamento. Não tem esse dinheiro para todo mundo, porque é um troço impossível R$ 40 milhões para cada parlamentar. Isso não aconteceu. Dentro do crédito suplementar, nós honramos algumas coisas dentro das políticas públicas. O toma lá, dá cá no passado era assim: o parlamentar pedia e o dinheiro saía. Não se sabia se tinha projeto, se a cidade precisava mesmo daquele hospital. Há até casos que o cara pedia para fazer ponte em uma cidade que não tinha rio. Esse tipo de descontrole no governo Bolsonaro acabou. Para entender como são ligeiros: três horas após noticiarem a exoneração do presidente da Funasa, já tinha partido me ligando para indicar deputado ao cargo. Mas não é toma lá, dá cá. Senão eu mandaria exonerar todo mundo e vamos ver quem dá mais.

Com Braga Netto, a Casa Civil vai continuar esvaziada? Como deve ser a relação?
Vai ser da mesma forma que foi com o Onyx Lorenzoni, com uma diferença: eu conhecia o Onyx desde 2003, o Braga Netto eu conheço desde 1976. Acredito que, pela relação que eu tenho com o Braga Netto, vai ser muito bom.

Mas haverá alguma modificação na estrutura da Casa Civil?
A função em que ele estava era chefe do Estado-Maior do Exército, o encarregado de coordenar, acompanhar e verificar tudo o que os departamentos estão fazendo, de engenharia e construção, de pessoal, do serviço militar, ou seja, ministérios. Então ele já tem a gestão administrativa que é necessária ter um rumo, uma coordenação. “Ah, o Onyx não fazia isso?” Fazia, mas sempre tem um pouco do viés político, é natural. O Braga Netto, como militar, tem essa capacidade e é mais analítico, mais frio.

A relação com Onyx estava desgastada?
Eu e Onyx nos damos muito bem. Eu já não diria no segundo, terceiro escalão. Tinha gente de lá que vazava. Várias vezes eu fui lá no Onyx, a gente se abraçou.

O Planalto não será mais serpentário?
Do Braga Netto? Não, do Braga Netto, não.

Como fica o Planalto só com militares no comando?
Nada. Não muda nada, sinceramente. Militar tem a característica de ser muito quadradinho, mais cartesiano. E é o que o presidente quer, né? É natural. O político tem que pensar em política […] Um vereador quer ser prefeito, o prefeito sonha em ser deputado federal. Ele pensa em política. Um militar é cumpridor de ordens. “Ah, mas o Onyx fazia isso?”. O Onyx, por ser político, tinha sempre esse movimento político, natural.

Teremos mais mudanças ministeriais?
Nenhuma, esquece. Enfiem na cabeça que o ministro da Educação [Abraham Weintraub] não sai. O ministro da Educação sabe que tem o apoio do presidente.

E o Marcelo Álvaro Antônio, do Turismo, continua?
Marcelo Álvaro continua, o presidente está muito satisfeito com o trabalho dele. E, realmente, ele tem dado atualmente resultados muito positivos.

O presidente pediu a Regina Duarte para seguir alguma orientação ideológica?
Não, o que ele diz é que não quer com o dinheiro público que a pessoa faça um filme sobre alguma causa de aborto ou LGBT. Não é que ele seja contra, mas ele acha que dinheiro público não é para isso. Nem para filme radical de direita. Ele quer investir em história, coisa que Regina também quer. Ele não vai bancar um filme pregando aborto. E a Regina me disse que nunca faria isso. Você acha que, com dinheiro público, dá para o governo fazer uma peça Porta dos Fundos, onde Nossa Senhora é prostituta e Jesus é homossexual? Eu morei em Israel dois anos. Vai fazer um negócio desse num país Árabe ou judeu. Tenta. É morte na rua. Isso não é liberdade de expressão. Isso é não respeitar a religião de grande parte da população.

Mas não há um temor de que isso seja considerado censura?
Não é censura. Estão dizendo para Regina que o presidente mandou proibir o filme do Marighella, que escreveu o Manual do Guerrilheiro Urbano, que orienta matar, sequestrar. Onde está escrito que não é para veicular o filme? Disseram que o presidente proibiu. Proibiu nada.

Quais são os novos planos para a comunicação e para o porta-voz?
O maior porta-voz do governo é o presidente Bolsonaro. O Rêgo Barros presta assessoramento à Secom (Secretaria de Comunicação da Presidência), mas ele se retraiu um pouco porque o maior megafone desse governo é o Bolsonaro. Em alguns termos específicos na Secom ainda tem usado o Rêgo Barros. E ele está bem, tem ajudado.

O secretário Fabio Wajngarten enfrenta processo de investigação por conflito de interesse. Ele continua à frente da Secom?
O Fábio não é bandido. Vocês ainda não perceberam o seguinte: não é o Fábio que está passando por um processo. Minha preocupação, como ministro, é que o sistema do governo, na seleção possa ter cometido algum erro. Quando um empresário quer fazer parte do governo, é orientado sobre o que tem de fazer. Não pode isso, não pode aquilo.

Mas ele sonegou informação ao Conselho de Ética?
Não sonegou. A Comissão de Ética disse que não podia estar à frente. Ele saiu. Mas antes ninguém falou sobre parentes. No dia que ele fez aquela declaração, eu fui assessorado, e ainda bem, porque as pessoas são muito leais: “Ô, ministro, o senhor vai ficar em pé aí, vai respingar no senhor”. Eu falei que a minha formação é nunca abandonar meus soldados até eles provarem o contrário. Eu fiz de propósito, fiz intencional, e até agora… Ele não precisa disso. Ele é rico, a família dele é judia, o pai dele é médico. Eu tenho certeza que ao final do processo a imprensa verá que o Fabio não tem nada a ver com isso.

Como a morte do ex-policial Adriano da Nóbrega, assunto que envolve Flávio Bolsonaro, filho do presidente, tem respingado no governo?
O que eu sei é pela imprensa. O que causa apreensão é que iam queimar rapidamente o corpo e mandaram segurar. Consta que ele foi assassinado. A polícia está chegando, o cara levanta o braço, e mesmo assim atiram nele. Não há uma condenação efetiva. Agora, o presidente Bolsonaro tira foto com muita gente. Ele corre o risco porque já tirou mais de mil fotos. Não existe milícia. Há uma obsessão, não é o Flávio, não é o Carlos, é o presidente Bolsonaro. Uma pessoa da mídia me falou que a imprensa ainda não digeriu, após um ano que se passou, a vitória de Bolsonaro.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
Desculpem a franqueza, mas o general Ramos não devia ter dado essa entrevista. Defende tudo o que os integrantes do governo fazem, como se fossem imunes a erros. O resultado é que a entrevista soa falso e mostra que o general não tem o menor jogo de cintura. Comparado ao general Santos Cruz, que o antecedeu, Ramos perde de 7 a 1.  No dia em que ele sair do cargo, ninguém sentirá a menor falta. (C.N.)

Bolsonaro diz que miliciano morto era um herói quando foi homenageado por Flávio

RJ: Bolsonaro inaugura trecho da Ponte Rio-Niterói

Bolsonaro e Flávio falaram sobre sua amizade com o miliciano

Ana Luiza Albuquerque
Folha

O presidente Jair Bolsonaro (sem partido) afirmou em entrevista neste sábado (15), no Rio de Janeiro, que o ex-capitão da PM Adriano Nóbrega, morto no domingo (9), era um herói na época em que foi homenageado pelo senador Flavio Bolsonaro (sem partido). Essa foi a primeira manifestação do presidente sobre a morte do miliciano ligado ao seu filho mais velho. Ele foi morto no município de Esplanada (BA), ao ser alvo de operação que envolveu as polícias baiana e fluminense.

Adriano foi homenageado por Flávio em 2005 com a Medalha Tiradentes, mais alta honraria da Assembleia Legislativa do Rio. Bolsonaro também disse que foi ele quem determinou que Flávio condecorasse o ex-policial militar.

DISSE BOLSONARO – “Não tem nenhuma sentença transitada em julgado condenando capitão Adriano por nada, sem querer defendê-lo. Naquele ano ele era um herói da Polícia Militar”, afirmou.

Adriano estava detido quando foi homenageado por Flávio Bolsonaro. Em janeiro de 2004, ele foi preso preventivamente, acusado pelo homicídio do guardador de carro Leandro dos Santos Silva, 24. O então policial chegou a ser condenado no Tribunal do Júri em outubro de 2005, mas conseguiu recurso para ter um novo julgamento, foi solto em 2006 e absolvido no ano seguinte.

O ex-policial foi citado na investigação do Ministério Público do Rio de Janeiro que apura se houve “rachadinha” no gabinete de Flávio quando ele era deputado estadual.

JUNTO COM QUEIROZ – Segundo o MP-RJ, contas de Adriano foram usadas para transferir dinheiro a Fabrício Queiroz, então assessor de Flávio e suspeito de comandar o esquema de devolução de salários.

Queiroz e Adriano trabalharam juntos no 18º Batalhão da PM. Foi por meio de Queiroz que familiares de Adriano foram contratados como assessores no gabinete de Flávio: a mulher do ex-capitão, Danielle Mendonça da Costa da Nóbrega, de 2007 até novembro de 2018, e a mãe dele, Raimunda Veras Magalhães, de abril de 2016 a novembro de 2018.

Em 2005, enquanto estava preso preventivamente pelo homicídio de um guardador de carros, Adriano foi condecorado por Flávio com a Medalha Tiradentes. Flávio já havia homenageado o hoje ex-policial dois anos antes. O então deputado estadual apresentou uma moção de louvor em favor de Adriano.

DISCURSO NA CÂMARA – Adriano também foi defendido por Jair Bolsonaro, então deputado federal, em discurso na Câmara dos Deputados, em 2005, por ocasião da condenação por homicídio. O ex-capitão seria absolvido depois em novo julgamento.

Na entrevista deste sábado, Bolsonaro também disse que conheceu Adriano em 2005, mas que nunca teve contato com ele. Acrescentou que quem o matou foi a PM da Bahia, “do PT”. Afirmou, ainda, que não tem relação com a milícia do Rio.

Questionado se também havia pedido que Flavio empregasse em seu gabinete na Alerj a mãe e a mulher de Adriano, Bolsonaro respondeu que encerraria a conversa. “Vocês estão passando para o absurdo”, disse. Flávio, em seguida, assumiu o microfone.

“Homenageei centenas e centenas de policiais militares e vou continuar defendendo, não adianta querer me vincular com a milícia, não tem absolutamente nada com milícia. Condecorei o Adriano há mais de 15 anos.”

E OS PARENTES? – A Folha, então, voltou a perguntar sobre os parentes de Adriano empregados no gabinete de Flávio. Bolsonaro rebateu: “Fica quieta, vai, deixa ele falar. Educação”.

A mãe do ex-PM, Raimunda Veras Magalhães, e a mulher dele, Danielle Mendonça da Costa da Nóbrega, deixaram o gabinete de Flávio, a pedido, no mesmo dia, em 13 de novembro de 2018. Elas ocupavam um mesmo cargo e ganhavam R$ 6.490,35 mensais cada uma.

Raimunda é um dos ex-servidores de Flávio citados em relatório do Coaf (Conselho de Controle de Atividades Financeiras) que identificou movimentações financeiras atípicas de seu ex-assessor Fabrício Queiroz. Ela repassou R$ 4.600 para a conta de Queiroz.

DISSE FLÁVIO – Depois da intervenção do pai, Flávio Bolsonaro continuou: “Como posso adivinhar depois de 15 anos o que ele [Adriano] vai fazer hoje?”. Afirmou que a imprensa insiste no assunto porque não tem o que falar de um governo que está dando certo.

O senador disse, ainda, que Adriano pode ter sido torturado. “Para falar o que? Com certeza nada contra nós, porque não tem o que falar contra nós. Não temos envolvimento nenhum com milícia”, afirmou.

Bolsonaro viajou ao Rio neste sábado (15), onde participou da inauguração da alça que liga a ponte Rio-Niterói à Linha Vermelha e de um megaevento da Igreja Internacional da Graça de Deus, em Botafogo, na Zona sul.

COM CRIVELLA – Na inauguração, o presidente esteve acompanhado do juiz Marcelo Bretas, do senador Flávio Bolsonaro (sem partido), dos ministros Augusto Heleno e Tarcisio Freitas e do prefeito Marcelo Crivella (Republicanos).

É a segunda vez em menos de um mês que o presidente vai ao Rio participar de uma solenidade com Crivella. O prefeito, que acumula altos índices de rejeição, tenta costurar o apoio de Bolsonaro à sua campanha pela reeleição. Por enquanto, o presidente ainda não se manifestou a favor de qualquer candidato. ​

A suspeita de que Adriano da Nóbrega tenha sido morto com tiros disparados a curta distância foi classificada como “infundada” pela Secretaria da Segurança da Bahia, enquanto a defesa do miliciano avalia ter sido reforçada a tese de “queima de arquivo”.

A CURTA DISTÂNCIA – A revista Veja obteve fotos feitas após a autópsia do corpo do ex-capitão, morto em Esplanada (BA) no último domingo (9) em operação policial. Dois especialistas ouvidos pela reportagem analisaram as imagens e consideraram haver indícios de que Adriano tenha sido atingido a curta distância.

Neste sábado (15), em uma rede social, o governador Rui Costa (PT) rebateu suspeitas levantadas sobre os agentes locais, disse que o Estado “luta contra e não vai tolerar nunca milícias nem bandidagem” e fez uma referência à Presidência da República.

“O Governo do Estado da Bahia não mantém laços de amizade nem presta homenagens a bandidos nem procurados pela Justiça”, afirmou o petista.

Sobre os generais no Planalto, Olavo de Carvalho diz que militares ‘vivem encostadinhos’

Resultado de imagem para olava de carvalho frasesNatália Portinari
O Globo

O escritor Olavo de Carvalho disse que não vê problema no fato de haver mais um ministro militar no governo Bolsonaro, com a indicação do general Braga Netto para a Casa Civil,  Inclusive, acha bom, já que militares ficam “encostadinhos no canto deles” no Brasil.

“Se você pega um cara do Exército e põe num cargo qualquer, ele não está exercendo uma função militar. Aqui nos Estados Unidos, todos os presidentes e todos os ministros têm carreira militar (exceto Clinton e Obama)” — afirmou, acrescentando: “Eu fico feliz com a participação do Exército na vida política e social porque o Exército brasileiro, ao contrário do americano, não tem presença na sociedade. Eles vivem encostadinhos no canto deles e viram pessoas tímidas. Agora os militares estão presentes, estão participando da vida social. Acho ótimo, tem que colocar mais militar, encher de militar”.

ESVAZIAMENTO – As mudanças recentes no Palácio do Planalto envolveram também a retirada das atribuições sobre política internacional do assessor Filipe Martins, um dos nomes mais fortes do “olavismo” no governo.

Sobre isso, Olavo diz que não faz juízo de valor e recomenda que seus alunos vão estudar e não dependam de cargos ou empregos públicos.

“Você acha que eu fico dando instrução pro pessoal que está lá no governo? A única instrução que eu dei para os meus alunos é que saíssem. Fossem para casa estudar, largassem dessa merda de ser funcionário público”.

CONSELHO A EDUARDO – Olavo diz que o único conselho que deu foi para o deputado federal Eduardo Bolsonaro, para que não fosse embaixador, e que acha que ele ouviu, já que desistiu de tentar o posto:

“Eu disse esqueça isso, você tem o que fazer no Congresso, vai ajudar seu pai no Congresso, você foi eleito pra isso. Os brasileiros votaram em você pra você estar lá no Congresso, não pra ser embaixador”.

Para ele, o primeiro ano de governo Bolsonaro foi “maravilhoso”, com redução da criminalidade e a economia indo bem e que o Bolsonaro pode ter “todos os defeitos do mundo”, mas ainda é “mil vezes melhor” do que o PT.

“BOSTA NENHUMA” – Sobre o ministro da Educação, Abraham Weintraub, não opinou: “Você acha que eu entendo alguma coisa de Ministério da Educação? Eu não entendo bosta nenhuma. O presidente me chamou para ser ministro da Educação e eu disse que para isso eu precisaria ao menos estudar o organograma do ministério, eu nunca vi o que tem lá dentro”.

Ele disse que o convite foi feito antes da posse do presidente e que também foi sondado para ser ministro da Cultura, e recusou.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
Em tradução simultânea, enfim Olavo de Carvalho e os três filhos de Bolsonaro estão cada vez mais afastados do governo. E assim os militares ampliam sua participação e sua influência no Planalto, como seria desejável, mas o ideal seria ter um ministro civil para fazer a Articulação Política, que é encargo da Casa Civil e da secretaria de Governo. É uma questão de incompatibilidade, na minha opinião. Posso estar errado, porém a entrevista do general Eduardo Ramos a O Globo comprova minha tese. Daqui a pouco vamos publicá-la. (C.N.)

Servidora do Itamaraty repudia os insultos de Paulo Guedes: “Parasita, senhor ministro?”

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Charge do Nani (nanihumor.com)

Rose Marie Romariz Maasri

Apresento-me: sou Oficial de Chancelaria, uma das duas carreiras de nível superior, típicas de Estado, que compõem o quadro do Ministério das Relações Exteriores. Aposentei-me há pouco mais de três anos, após servir ao Ministério por mais de 45. Tenho Bacharelado em Arquitetura e Urbanismo, Licenciatura em Desenho e Artes Plásticas -ambos pela Universidade de Brasília – UnB, e estou em fase de conclusão de uma tese de Mestrado em Arte Sacra Oriental, em conceituada Universidade libanesa.

Ensinei em algumas Universidades brasileiras e, concluída a tese, pretendo voltar a ensinar.  Falo bem três idiomas, dois outros razoavelmente. Este texto tem um pouco de minha estória.  Espero que outros colegas lhe façam conhecer a deles. Quem sabe, conhecendo as funções que desempenhamos e os riscos que corremos, tente entender que não somos parasitas.

UMA LONGA CARREIRA -Dos muitos anos de carreira, vivi 28 no exterior, em Missões provisórias ou permanentes:  Finlândia,  Grécia, Itália, Reino Unido, França, Alemanha, Estados Unidos, Argentina,  Chile, Líbano, Síria, Líbia, Moçambique. Como a grande maioria de meus colegas, no trabalho fiz um pouco de tudo: Administração, Pessoal, Contabilidade, Comercial, Comunicações, Consular, Cultural.

Em todos os setores aprendi e me desdobrei para desenvolver um bom trabalho, mas o Consular e o Cultural foram os que mais me marcaram.

Enquanto Vice-Cônsul visitei prisões e hospitais, atendi mulheres e crianças abusadas, raptadas, maltratadas, abandonadas; pessoas enganadas por falsos contratos de trabalho; enfrentei – pagando caro por isso, o submundo dos documentos brasileiros falsificados;  e muitas vezes chorei por não poder fazer mais por quem necessitava.  Parasita, senhor ministro ?

IMAGEM DO BRASIL – No setor Cultural, esforcei-me por divulgar a imagem do Brasil, ministrando  aulas  e conferências em  escolas e Universidades dos países onde atuei, além do trabalho desenvolvido na Embaixada.  Participei da equipe que organizou e fundou o Centro Cultural Brasil-Líbano e fui sua Diretora.  Em alguns dos Postos em que servi usei meus conhecimentos de arquiteta para propor reformas ou novos lay-outs dos escritórios.

Por haver trabalhado diretamente com o Arquiteto Olavo Redig de Campos, e conhecer bem seu projeto para a residência do Brasil no Líbano,  propus ao então Chefe do Serviço Cultural da Embaixada em Beirute a inclusão,  no Programa Cultural do Posto,  de uma publicação sobre a Residência, enquanto Próprio Nacional.

O projeto não apenas foi aceito pelo Itamaraty como, ampliado, deu vida a uma coleção que abrange todos os próprios nacionais do MRE.  A administração da preparação do livro sobre a Residência em Beirute ficou sob minha responsabilidade. O texto do livro que explica o projeto, embora não leve meu nome, foi escrito por mim.  Parasita, senhor ministro ?

EM PLENA GUERRA – Servi em país em guerra. Manter a Embaixada funcionando era um desafio diário.  Meus colegas e eu íamos para o trabalho com o rádio do carro ligado, buscando caminhos fora dos locais onde, naquele dia, caiam as bombas.  Por vezes dormia-se na própria Embaixada, porque as estradas não apresentavam condições de segurança.

Certa vez passamos um dia e uma noite no porão do prédio, ouvindo os bombardeios incessantes e inalando os vapores que saíam dos aquecedores a querosene com quem dividíamos o espaço. Tarde da noite, um cessar fogo foi estabelecido e  pude voltar para casa, onde estavam minhas filhas com a empregada. As ruas desertas tornaram a viagem curta.

Ao entrar no prédio em que morava as bombas voltaram a cair.  Passamos a noite no hall de entrada, local mais protegido.  Sentadas no cháo, as crianças dormiram com a cabeça em minha perna. Eu não pude dormir, pensando no marido que não havia conseguido deixar o  local de trabalho, e com o sentimento ilógico de que, enquanto mantivesse os olhos abertos,  protegeria melhor  minha família.

MAIS UM ABORTO – Pela manhã, novo cessar-fogo.  Ao me arrumar para voltar ao trabalho senti as primeiras dores do aborto que interrompeu minha gravidez de quatro meses.  Não foi a única. Dois anos mais tarde, grávida de seis meses e meio decidi viajar ao Brasil para que o bebê nascesse em paz, porque a guerra continuava a devastar o país em que eu servia.  Segui para o aeroporto com as duas crianças. Iamos no banco de trás, elas deitadas com as cabecas no meu colo, eu curvada sobre elas, escondendo-as dos franco-atiradores que ficavam nas ruas onde deveriamos passar.

As três sobrevivemos; a bebê, não. Após a chegada ao Brasil comecei  a sentir contrações.  Levada às pressas para o hospital, ocorreu o parto prematuro.  Irina não conseguiu sobreviver: deixou-nos poucas horas depois que nasceu. Um dos momentos mais tristes de minha vida, gerou uma depressão que levou muito tempo para ser curada.  Se é que o foi… Parasita, senhor ministro ?

FORA DA GREVE – Em 2012 eu servia na Embaixada em Damasco. A carreira a que pertenço decidiu iniciar uma greve por reinvindicações trabalhistas.  Embora concordasse e apoiasse cada uma das reinvindicações, não aderi fisicamente à paralisação.  E não o fiz porque o Posto em que estava lotada, diariamente confrontado com as sequelas da guerra na Síria, vivia em constante prontidão.

Não foi decisão fácil e espero que os colegas a tenham entendido. É que, para mim, interesses pessoais – mesmo os da classe a que pertencemos –, não podem se sobrepor ao daqueles que, vivendo em situaçõese emergência, necessitem da assistência que os funcionários públicos do Posto, como eu e os colegas, lhes podem  proporcionar.  Isto é, para mim, consciência profissional. Parasita, senhor ministro?

QUESTÃO SALARIAL – Quando entrei no Itamaraty, o salário de um Ofchan aposentado equivalia ao de um Conselheiro da Carreira de Diplomata.  Com o tempo essa relação foi-se deteriorando e hoje meu salário é menor do que o de um Terceiro Secretario em início de Carreira. Obviamente não gosto disso. É injusto.  Mas em nenhum momento deixei que tal injustiça prejudicasse o nível de trabalho que me propus a realizar.  Parasita, senhor ministro ?

De uma autoridade de seu calibre, que se propõe a resgatar o Brasil do caos,  espera-se um conhecimento detalhado do tecido administrativo do país.  Sua afirmação, desqualificando-nos, demonstra não ser este o caso.  O senhor pode ser um excelente economista – e o é; mas acaba de demonstrar que não entende nada de pessoas.  Quer encontrar parasitas dos recursos brasileiros?  Porque eles existem e são inúmeros.

Olhe na direçao certa: volte-se para os altos escalões dos Poderes da República;  para aqueles que recebem salários de marajás, complementados por seguro creche, educação e outros; veículo oficial com motorista, auxílio moradia, reformas principescas dos apartamentos funcionais; e uma miríade de possibilidades de exploração da máquina pública, como o uso de aviões da FAB para deslocamentos pessoais.  É contra esses, senhor Ministro, que o senhor deve voltar sua artilharia. Nós,  os funcionários públicos,  ofendidos  por sua declaração,  esperamos desculpas. Porque, entenda: não somos parasitas, senhor ministro.

(artigo enviado por Vicente Limongi Netto)

Time do Flamengo já demonstrou que existem maneiras mais eficientes de se jogar

Jogadores do Flamengo celebram gol sobre o Al Hilal na semifinal do Mundial de Clubes de 2019

A equipe do Flamengo aprendeu como preencher o meio do campo

Tostão
Folha

No futebol, na política, na economia, no meio ambiente e em tudo o que acontece no mundo, os conceitos, as discussões e as possibilidades são baseados somente no que pode ser previsto, calculado e programado. Não se pensa e não se planeja levando-se em conta o que não tem controle, mas que pode estar presente, como os dilúvios urbanos, diante da impotência e do desamparo humano. O acaso é também habitual.

Na Copa de 1958, o ponta Zagallo percebeu que o meio-campo era muito grande para apenas dois jogadores. Passou a ser o terceiro, formando um trio, com Zito e Didi. No Mundial de 1962, fez o mesmo. Em 1970, o meia Rivellino exerceu a mesma função de Zagallo, pela esquerda, ao lado de Gérson e Clodoaldo.

O MESMO PROBLEMA – Sessenta e dois anos depois da Copa de 1958, a maioria das equipes brasileiras tem o mesmo problema no meio-campo. Joga com dois volantes, três meias e um centroavante. Como os dois jogadores pelos lados costumam atuar encostados à lateral durante toda a partida, e o meia centralizado atua mais à frente, na intermediária do adversário, os dois volantes ficam sobrecarregados, ainda mais que são cobrados para jogar de uma intermediária à outra.

A maioria das equipes sul-americanas apresenta a mesma carência. No torneio sub-23 que definiu as duas seleções que disputarão a Olimpíada – Brasil e Argentina se classificaram –, havia, em todas as partidas, enormes espaços no meio-campo. Na vitória por 3 a 0 sobre a Argentina, o técnico André Jardine mudou o desenho tático e, em vez de três meias, escalou um meia ao lado de cada volante e dois atacantes. Deu certo. O meio-campo ficou mais preenchido, e a equipe ficou mais forte no ataque.

O Flamengo mostrou que existem maneiras mais eficientes de se jogar. Os outros técnicos de clubes brasileiros nem tentam. Acham que sabem tudo. Não por acaso, a soberba é considerada um pecado capital.