Colapso na saúde no Amazonas: Legendas culpam Pazuello e cobram de Aras investigação por ‘omissão’

Pazuello arca com as consequências do “obedece quem tem juízo”

Rayssa Motta
Estadão

A nova escalada da pandemia da covid-19 no Amazonas, que atingiu nesta semana um dos cenários mais críticos desde o início do surto da doença, promete aumentar a pressão sobre o procurador-geral da República, Augusto Aras. O chefe do Ministério Público Federal voltou a ser cobrado a investigar o ministro da Saúde, Eduardo Pazuello, por omissão na condução da crise sanitária.

Nesta sexta-feira, dia 15, enquanto o Amazonas transfere pacientes para outros Estados e começa a reabastecer os estoques de oxigênio, que chegaram a ficar zerados em alguns hospitais da capital Manaus, levando pessoas internadas com o novo coronavírus à morte por asfixia, duas representações contra Pazuello foram formalizadas na Procuradoria.

OMISSÃO – Uma delas, de autoria do deputado federal Marcelo Freixo (PSOL-RJ), atribui ao general omissão deliberada no enfrentamento da pandemia. Na avaliação do parlamentar, Pazuello deixou de tomar medidas de contenção ao avanço da doença no País ‘por corroborar sua crença pessoal e a do Presidente da República’.

“É possível cogitar o dolo na conduta omissiva de Eduardo Pazuello, quando o mesmo deixou de adquirir oxigênio para os hospitais de Manaus, sabendo com antecedência da escassez do insumo, e quando deixou de adotar medidas para aquisição da vacina e insumos necessários para sua aplicação, tendo em vista que é especialista em logística”, diz um trecho do documento.

A segunda representação é encabeçada pelo presidente nacional do Cidadania, Roberto Freire, e pede que o ministro da Saúde seja investigado por prevaricação e improbidade administrativa. A peça destaca que, como informou o procurador federal no Amazonas Igor da Silva Spíndola, Pazuello e sua equipe foram avisados de que faltaria oxigênio para atender os pacientes nos hospitais públicos de Manaus dias antes do colapso na capital amazonense. O ministro chegou a visitar a cidade na última segunda-feira, 11.

PREVENÇÃO – “Nenhuma medida preventiva foi adotada pelo Ministério da Saúde, permanecendo a pasta comandada pelo representado [Pazuello] inerte, aguardando o caos que era anunciado”, critica a representação.Na noite de quinta-feira, 14, a Justiça Federal do Amazonas determinou que a União e a Procuradoria-Geral do Estado se manifestem sobre as providências para o restabelecimento do fornecimento de oxigênio em Manaus e reforçou que cabe ao governo federal a transferência imediata dos pacientes da rede pública.

Também na noite de ontem, as bancadas do PCdoB e do PT enviaram uma petição ao ministro Ricardo Lewandowski, do Supremo Tribunal Federal, requerendo uma série de medidas para conter a explosão de casos de covid-19 no Amazonas.

O próprio Pazuello admitiu o ‘colapso’ na rede de saúde de Manaus. Após a declaração, o presidente Jair Bolsonaro afirmou nesta sexta-feira, 15, já ter feito a sua parte. Segundo ele, foram enviados recursos e outros meios ao Amazonas para o enfrentamento da covid-19. O vice-presidente, Hamilton Mourão, também saiu em defesa do governo, dizendo que não era possível prever a situação na capital e que estão fazendo ‘além do que podem’.

Bolsonaro ataca Doria, o chama de ‘moleque’ e diz que ele e Maia querem sua cadeira para ‘roubar’

Doria responsabilizou o governo federal pela situação de Manaus

Vinícius Valfré
Estadão

O presidente Jair Bolsonaro reagiu nesta sexta-feira, dia 15, a declarações de autoridades que o responsabilizam pela crise causada pela pandemia de covid-19 no País. Em entrevista ao apresentador José Luis Datena, da TV Band, o presidente atacou o governador de São Paulo, João Doria (PSDB), a quem chamou de “moleque”, e disse que ele se aliou ao presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), para o tirar do cargo.

“Eles querem essa cadeira (de presidente) para roubar, para fazer o que sempre fizeram. Estamos dois anos sem corrupção, isso incomoda Maia e Doria”, afirmou Bolsonaro. “Esse inferno que querem impor na minha vida não vai colar. E eu vou continuar fazendo meu trabalho. Não tem do que me acusar. Tem 40 a 50 processos de impeachment, não valem nada.”

RESPONSABILIDADE – Mais cedo, em entrevista após almoço com Maia em São Paulo, Doria responsabilizou o governo federal pelo cenário de falta de tubo de oxigênio em Manaus, em que pacientes estão morrendo por asfixia. Segundo o governador de São Paulo, a postura do presidente é de “genocida”. Desde o início da pandemia, Bolsonaro tem minimizado a doença, adotado posições contrárias a recomendações de autoridades sanitárias e já disse que não irá se vacinar.

Ao rebater a declaração de Doria, Bolsonaro voltou a distorcer uma decisão do Supremo que reconheceu a autonomia de Estados e municípios para adotar medidas de enfrentamento contra a doença, em parceria com o governo federal. Na versão do presidente, no entanto, a Corte o “proibiu” de fazer qualquer coisa.

ATRASO  – “O Supremo me tirou esse direito em abril do ano passado. Eu não posso fazer nada no tocante ao combate ao coronavírus, segundo decisão do STF”, afirmou Bolsonaro. O presidente voltou a negar atraso da vacinação no País, o que só deve ocorrer a partir do próximo dia 20, enquanto os principais países do mundo já vacinam há semanas.

“E se daqui 10 a 15 dias tivermos problemas? Eu vou ser responsabilizado? Temos que ter responsabilidade”, disse ele. Após dizer que o governo já fez a sua parte no enfrentamento à crise em Manaus (AM), o presidente Jair Bolsonaro disse nesta sexta-feira, 15, em entrevista ao Brasil Urgente, da Band, que as ações não estão restritas a discurso.

“Mais do que discurso, o nosso governo está em Manaus, está no Amazonas para ajudar o povo. Mesmo proibidos pelo Supremo Tribunal Federal (STF) temos levado alento”, disse. Na manhã desta sexta-feira, em conversa com apoiadores, Bolsonaro declarou que “o problema em Manaus é terrível. Fizemos a nossa parte, com recursos e meios”.

Doria sobe o tom e cobra ‘reação’ do Congresso e do povo contra Bolsonaro

Governador João Doria estaria resistente a um endurecimento radical da quarentena

Como não pode haver aglomeração, Dória sugere panelaços

Bruno Ribeiro
Estadão

Sem falar a palavra “impeachment”, o governador de São Paulo, João Doria (PSDB), cobrou nesta sexta-feira, 15, uma “reação” do Congresso e da sociedade à falta de ação do governo Jair Bolsonaro, a quem chamou de “facínora”, no enfrentamento da pandemia do coronavírus. As falas foram ao comentar a situação de falta de tubos de oxigênio para pacientes do Amazonas.

O presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM), que almoçou com Doria no Palácio dos Bandeirantes e deixa o cargo no mês que vem, disse que o afastamento do presidente “de forma inevitável, será debatido (pelo Congresso) no futuro”.

MUDANÇA DE TOM – As declarações representaram uma mudança de tom em relação à oposição que Doria vinha fazendo desde 2019 ao presidente. Pela primeira vez, ele defendeu uma ação para retirar presidente do cargo. “Se não fizermos isso, em dois anos o Brasil estará destruído pela incompetência.”

Em uma entrevista coletiva realizada nesta tarde, que também teve a participação do candidato de Maia à Presidência da Câmara, Baleia Rossi (MDB), Doria chegou a convocar a população para fazer panelaços contra o presidente.

“Está na hora de todo o Brasil reagir”, ao convocar a população para a reação: “Será que o Brasil que já se mobilizou nas ruas pela mudança, pelas Diretas Já, por movimentos cívicos importantes, de ordem popular, vai ficar quieto e não vai reagir?”

REAÇÃO DE TODOS – Ao ser questionado se a “reação” significaria aceitar um processo de impedimento contra o presidente, Doria respondeu que a reação deveria ser de todos. “Reaja, Brasil, reaja o Congresso Nacional. Cumpra seu papel, sim, a Câmara e o Senado. Aquele que lhe cabe. E cada parlamentar sabe seu papel, a força que lhe cabe e a sua representatividade. Reajam governadores, prefeitos, dirigentes sindicais e formadores de opinião”, disse, acrescentando:

“Ampliem a reação da imprensa, um dos poucos segmentos do País que tem se mantido na firmeza de contrapor-se a um facínora que comanda o País. Reajam os que podem reagir.”

Doria foi perguntado por jornalistas se estava convocando a população para ir às ruas contra o presidente – há convocações para uma manifestação para este domingo, 17, na Avenida Paulista, circulando em grupos de WhatsApp. Ele afirmou que não, por causa da pandemia.

AMOR PELA VIDA – “Por mais amor que eu tenha pelo meu País, tenho amor pela vida. Essa aliás é uma das razões para o presidente Bolsonaro entender a pandemia. Sem povo na rua, quem protesta contra Bolsonaro? Mas há outra maneiras de fazer isso”, disse Doria, dizendo que as pessoas podem fazer “panelaços” contra o governo.

Rodrigo Maia, questionado sobre o processo de impeachment, disse que o momento agora é de o Congresso voltar a trabalhar (o Legislativo está em recesso). Ele disse ter enviado ofício ao presidente do Congresso, Davi Alcolumbre (DEM) pedindo ao menos o retorno da comissão representativa que trabalha durante a pandemia, para que se discutam a vacinação e convocar o ministro da Saúde, Eduardo Pazzuello, para explicações. Maia, entretanto, afirmou que o afastamento do presidente do cargo, “de forma inevitável, será debatido no futuro”.

SEGUNDO A CONSTITUIÇÃO -Baleia Rossi, entretanto, foi mais comedido. Afirmou que a avaliação de pedidos de impeachment é atribuição da Câmara dos Deputados e que os pedidos já existentes e que venham a ser apresentados serão apreciados “de acordo com a Constituição”.

As falas foram feitas em uma entrevista coletiva em apoio à candidatura do deputado federal Baleia Rossi (MDB) para a Presidência da Câmara, realizada após um almoço que contou com a participação de 20 deputados, de partidos como PSDB, MDB, DEM, Cidadania, PV, Podemos, Novo e PSL. Rossi tem apoio declarado de 11 partidos do Legislativo, mas está atrás do adversário Arthur Lira (Progressistas) na disputa, segundo o Placar Estadão publicado nesta sexta.

Internautas culpam Bolsonaro por colapso na Saúde e aumenta a pressão por impeachment nas redes sociais

Charge do Aroeira (Portal O Dia/RJ)

Deu no Correio Braziliense

Com a repercussão do colapso no sistema de saúde em Manaus, que enfrenta um problema de escassez de oxigênio nas redes públicas e privadas de hospital provocadas pela pandemia do novo coronavírus, cresce a pressão nas redes sociais para que autoridades tomem providências contra o presidente Jair Bolsonaro, responsabilizado pelos internautas pelo problema devido ao seu discurso negacionista com relação ao vírus.

Nesta manhã de sexta-feira, dia 15, entre os dez assuntos mais comentados no Twitter, sete são referentes ao problema em Manaus, sendo o primeiro a hashtag”#ImpeachmentBolsonaroUrgente”. Também circula nas redes e em aplicativos de mensagens uma convocação de opositores do governo para um “panelaço” nesta noite às 20h30 em todo o país. O anúncio do protesto diz: “Sem oxigênio, sem vacina, sem governo.#brasilsufocado”.

“GENOCIDA” – O ex-governador do Ceará e candidato à Presidência da República em 2018, Ciro Gomes (PDT), classificou o presidente Jair Bolsonaro de “genocida” e comentou que “enquanto nossos irmãos e irmãs de Manaus morrem sem oxigênio, Bolsonaro insiste em indicar medicamentos sem eficácia comprovada”.

O líder do PT na Câmara, Enio Verri (PR), foi adepto da hashtag e afirmou que a ausência do presidente em Manaus “apenas confirma e reforça que ele não sabe mesmo o que fazer para o bem do Brasil”. A pressão nas redes também mira no presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), que também figura na lista dos dez assuntos mais comentados no país dentro da plataforma, para que o parlamentar paute o processo de impeachment do presidente Bolsonaro.

A deputada do PSOL, Talíria Petrone (RJ), escreveu que Maia “finge” fazer oposição ao governo pelo Twitter, enquanto “está sentado em mais de 60 pedidos de impeachment”. Na quinta-feira, dia 14, o presidente da Câmara apontou que a falta de oxigênio em Manaus é fruto de “uma agenda negacionista” e disse ser fundamental que o Congresso retome as atividades na semana que vem.

VENEZUELA – A ajuda da Venezuela ao Estado brasileiro, anunciada pelo ministro das Relações Exteriores daquele país, Jorge Arreaza, nesta quinta-feira, também é comentada por usuários. Na rede, usuários destacam a ajuda recebida do país vizinho, que é duramente criticado pelo presidente Bolsonaro devido a seu modelo de governo e econômico.

Durante uma de suas “lives” semanais, em outubro do ano passado, Bolsonaro criticou Venezuela, Cuba e Argentina. Segundo o presidente, as economias dos três países vão mal por terem optado pelo socialismo. “Tudo por optarem por um regime que não dá certo em lugar nenhum do mundo, o socialismo. O Brasil correu sério risco há pouco tempo, no meu entender”, afirmou.

“Imposição de disciplina em cima do brasileiro não funciona muito”, minimiza Mourão sobre lockdown

Piada do Ano ! Mourão diz que governo federal faz “além do que pode”

Pedro Henrique Gomes
G1

O vice-presidente Hamilton Mourão disse nesta sexta-feira, dia 15, que medidas mais restritivas de isolamento social para reduzir o contágio da Covid-19, como as adotadas por governos de países como França e Inglaterra, não teriam resultado no Brasil por que a “imposição de disciplina em cima do brasileiro não funciona muito.”

Mourão deu a declaração ao ser questionado por jornalistas se o novo aumento dos casos e das mortes por Covid-19, registrado nas últimas semanas, poderia exigir o fechamento do país. Em Manaus, o recrudescimento da doença levou ao colapso do sistema de saúde, com falta de oxigênio para tratamento de pacientes.

“A REALIDADE” – “A questão é que aqui nós não fechamos nunca, né? Essa é a realidade. E aí você tem que entender, vamos dizer assim, a característica do nosso povo. O nosso povo não tem, vamos dizer assim, essa imposição de disciplina em cima do brasileiro não funciona muito. Então a gente tem que saber lidar com essas características e buscar informar a população no sentido de que ela se proteja”, disse Mourão a jornalistas.

O vice afirmou ainda que o governo federal está fazendo um trabalho que vai além de suas capacidades no socorro ao sistema de saúde de Manaus.

O ministro da Saúde, Eduardo Pazuello, reconheceu o colapso no sistema de saúde da capital amazonense. Segundo o ministro, 480 pessoas que contraíram Covid-19 esperam por um leito hospitalar na capital do Amazonas.

“FAZENDO ALÉM” – “O governo está fazendo além do que pode dentro dos meios que a gente dispõe. Agora, eu já falei aqui para vocês várias vezes a respeito de Amazônia. Na Amazônia as coisas não são simples,” afirmou o vice-presidente.

De acordo com Mourão, a localização da cidade, dentro da floresta amazônica, dificulta operações de envio de suprimentos. O vice também apontou problemas de orçamento da Aeronáutica.

“Você só chega lá de barco ou de avião. Qualquer manobra logística para você, de uma hora para outra, aumentar a quantidade de suprimentos lá requer meios que, vamos colocar aí, a Força Aérea até alguns anos atrás tinha, Boeings”, disse Mourão, se referindo a aeronaves de transporte. “Por problemas aí de orçamento, ela (FAB) teve que se desfazer dessas aeronaves”, afirmou.

NOVA CEPA –  Questionado se não faltou planejamento logístico, o vice-presidente declarou que não se era possível prever o colapso no sistema de saúde em Manaus que, na avaliação dele, está associado à aparição de uma nova cepa do coronavírus.

Na manhã desta sexta, começaram a Força Aérea Brasileira (FAB) começou a transferir, de avião, pacientes graves de Covid-19 de Manaus para hospitais em outros estados. Ao todo, 235 pacientes de Manaus deverão ser deslocados.

O Ministério da Defesa informou que há voos programados ainda nesta sexta para Maranhão, Piauí, Rio Grande do Norte e Paraíba. Hospitais de Goiás, Pernambuco, Ceará e Distrito Federal também deverão receber os pacientes. As transferências ocorrem em meio ao colapso do sistema de saúde amazonense, após recorde das internações por Covid-19 no estado. Sobrecarregados, os hospitais ficaram sem oxigênios para pacientes.

O G1 registrou nesta quinta-feira, dia 14, cenas de médicos transportando cilindros nos próprios carros para levar ao hospital e familiares tentando comprar o insumo. Cemitérios estão lotados e instalaram câmaras frigoríficas.

William Bonner critica o árduo trabalho de combate à desinformação: ‘Estamos esgrimando com loucos’

Bonner comentou sobre ‘irresponsáveis que espalham mentiras’

Deu no O Tempo

O jornalista e apresentador do Jornal Nacional (Globo) William Bonner, fez um desabafo ao vivo no noticiário a respeito da disseminação de fake news por aplicativos como o WhatsApp. Antes de passar a palavra para o repórter Alan Severiano, que daria as atualizações com relação aos casos de Covid-19 em todo o Brasil, Bonner comentou que toda a imprensa faz um trabalho minucioso para trazer as notícias para o público e é atrapalhada com as informações falsas que circulam na internet.

“Queria lembrar que se nós fazemos isso é por um dever profissional, nós e todos os jornalistas do planeta Terra. Nós estamos esgrimando com loucos, com irresponsáveis que entram no WhatsApp e espalham as mentiras mais absurdas, crendices. Tem gente que faz isso investido de cargo público e sistematicamente. Nós não vamos desistir, estamos aqui para defender a sociedade”, disse ele em um dos trechos.

PROPAGAÇÃO NAS REDES – Rapidamente, o nome de Bonner foi alçado ao Twitter como um dos temas mais comentados da rede social. Foram muitos os comentários de apoio a ele e de identificação por parte do público.

“Discurso extremamente necessário para a situação atual que vivemos”, publicou um seguidor. “Meus cumprimentos ao jornalista William Bonner que presta um serviço a todos os brasileiros com informações verídicas sobre a pandemia da Covid-19”, disse um outro.

“O que eu tenho ouvido absurdos propagados tanto pelos brasileiros quanto pelas autoridades é de sangrar os ouvidos. Quando o Bonner fala ‘esgrimando’, chego a arrepiar”, postou um terceiro.

— Gabriel Almeida (@ameidagabriel_) January 14, 2021

Não há o que temer ao despachar figuras nefastas como Donald Trump e Jair Bolsonaro

NYT liga Bolsonaro a agravamento da pandemia na América Latina | Notícias e  análises sobre os fatos mais relevantes do Brasil | DW | 27.10.2020

Trump e Bolsonaro mostraram que são pessoas nefastas

Fernando Gabeira
O Globo

Às vezes, é preciso escrever com simplicidade, sem o rigor das páginas editoriais ou a complexidade das teses dos cientistas políticos. Escrever apenas isto: há um homem sentado sobre o destino do Brasil, e suas pesadas e incômodas nádegas não permitem avanço e provocam mortes.

Nem sempre é fácil se livrar desse fardo. Nos Estados Unidos, finalmente, Trump será despachado, como um desses espíritos que se recusam a desencarnar.

FIM DE UMA ÉPOCA – Muitos viram na invasão do Capitólio apenas um problema para Biden. Não perceberam que se viviam ali os estertores de uma época, num dia cheio de boas-novas, como as eleições na Geórgia, que garantem aos democratas a maioria no Senado.

Manifestações às vezes enganam. Já participei de centenas na vida. Nem todas sobrevivem na balança da história. Sua fumaça confunde o que sobe e desce, o que nasce e morre no instante.

Não há o que temer no processo de despachar essas figuras nefastas, desde que, é claro, se façam previsões corretas e preparações adequadas.

RESPOSTA NACIONAL – Quando o coronavírus era uma realidade apenas em Wuhan, escrevi um artigo sobre ele. Previ que, em caso de chegada ao Brasil, a única resposta teria de ser nacional e solidária.

Bolsonaro sabotou essa resposta. Como se não bastasse, demitiu os ministros da Saúde que a aceitavam. Fomos reduzidos a reações atomizadas que, embora fiéis à orientação científica, não têm a mesma eficácia de uma coordenação central.

Ultrapassamos os 200 mil mortes. Não podemos dizer que Bolsonaro seja responsável por todas. Mas algumas, várias delas, devem-se a sua escolha e já bastariam para pesar eternamente na consciência de um homem do bem.

OPÇÃO ERRADÍSSIMA – Desde o princípio da pandemia, a vacina apareceu como única saída estratégica, e o mundo científico se dedicou a ela. Bolsonaro preferiu remédios e desconfiou abertamente da vacina, inibindo uma planificação. O atraso que isso significa representa vidas perdidas e energia produtiva paralisada.

Há trilhões de dólares no mundo, de fundos de pensão, bancos, governos, prontos para ser investidos em projetos ambientais e socialmente responsáveis.

Mas todo esse dinheiro não pode vir para cá. Bolsonaro estimula a destruição das florestas e dos bichos com uma política do século passado. Ele e alguns apoiadores acham que americanos e europeus destruíram seu meio ambiente, agora é hora de destruir o nosso: dane-se.

IMPEACHMENT – Muitos políticos recusam o impeachment porque acham que podem fortalecer a quem se quer derrubar. Não foi assim nos EUA. Trump sobreviveu ao processo, mas acabou perdendo as eleições.

O problema agora é a existência da pandemia. Se Bolsonaro estivesse sentado apenas sobre o progresso econômico, o nível de gravidade seria menor. No momento, estamos lutando desesperadamente para salvar vidas, num contexto social em que a fome ronda milhões.

Definido como o grande obstáculo, um homem sentado sobre o destino do país, a resposta simples seria removê-lo. Mas as circunstâncias exigem um esforço combinado, de tal forma que a luta pela vida seja também um passo para afastá-lo. Os dois fatores estão entrelaçados.

CONDIÇÕES INTERLIGADAS -Um movimento pela vacina universal e gratuita não pode perder de vista a substância que imuniza, nem o responsável pela sua inexistência a esta altura da pandemia.

Estão dadas as condições para uma ampla articulação para salvar o país da morte. Assim como, guardadas as proporções, quando o Reino Unido se viu diante da ameaça de uma invasão hitlerista, todos os esforços do país convergiram num só sentido de proteção à ilha.

Escrevi: guardadas as proporções.

UM BOM DEBATE – Muitos brasileiros acham que o país está no caminho certo, e não há o que defender. Nada como o bom debate numa atmosfera democrática. Muitos americanos achavam que Trump era o caminho.

No entanto lá se foi o Trump para o espaço sideral, amplo e aberto para receber terráqueos como ele.

Com trabalho e tolerância, poderemos construir nossa nave e também lançar aos ares o pesado corpo sentado sobre nosso destino.

Eu conto ou vocês contam ao ministro Paulo Guedes que o projeto dele já acabou?

Ministro Paulo Guedes. Charge: Charge Online, Aziz

Charge do Aziz (Charge Online)

Míriam Leitão e Alvaro Gribel
O Globo

O projeto de Paulo Guedes nunca teve viabilidade com o atual presidente. Na verdade, Guedes embarcou numa canoa na qual não havia espaço para as ideias liberais. Ele sofre vetos diários às suas propostas e tem engolido em seco. Não privatizou, não reduziu barreiras ao comércio, exceto de armas, não diminuiu o tamanho do Estado. Seus assessores, ou gestores nomeados por ele, de vez em quando ficam no dilema entre a demissão ou ser humilhado pelo presidente Bolsonaro. Tudo o que conseguir agora será prêmio de consolação.

Não interessa mais se o presidente do Banco do Brasil fica ou não. André Brandão já foi informado que não tem qualquer autonomia de gestão, apesar de presidir um banco que tem acionistas privados e que atua num mercado que passa por imensas mudanças e aumento da competição.

BRAÇO DE PROPAGANDA – A Caixa Econômica Federal, que é inteiramente estatal, virou um braço da propaganda política bolsonarista. Pedro Guimarães, com seus 11 revólveres e seus litros de cloroquina, faz qualquer papel que agrade ao chefe. Virou ajudante de lives e animador de auditório. A última agência que abriu foi por ordem do presidente, e não por ser bom ou não para a Caixa.

A intervenção na CEF já ocorreu em outros governos, mas agora virou o quintal da presidência. O presidente do Banco Central tentava ontem à tarde convencer o governo de que era preciso segurar Brandão no cargo. Se ficar, terá perdido qualquer liberdade de ação.

Paulo Guedes dá aos interlocutores sempre a mesma resposta quando é perguntado sobre suas derrotas. “O presidente é que foi eleito, ele é que tem os votos.”

GOVERNO LIBERAL – O ministro, porém, garantiu que este seria um governo liberal na economia. Para acreditar era preciso ignorar tudo o que Bolsonaro havia dito antes. Bolsonaro disse que o presidente Fernando Henrique merecia ser fuzilado por ter privatizado, só para citar um eloquente sinal. O mercado financeiro comprou a tese de que o ministro dobraria o presidente. Ocorreu o oposto.

A lista da intervenção de Bolsonaro nos assuntos do Ministério da Economia é enorme. Nesses dois anos, Bolsonaro vetou propaganda do Banco do Brasil, revogou um aumento da gasolina, avisou que nem a Ceagesp será privatizada, criou e capitalizou estatais militares, sepultou o projeto de fusão dos programas sociais, demitiu o presidente do BNDES, o secretário da Receita Federal. O secretário da Fazenda teve que sumir para não perder o cargo. A reforma administrativa dormiu na gaveta do presidente até ficar bem aguada, irreconhecível.

BRASIL QUEBRADO – Na semana passada, o presidente disse que o Brasil havia quebrado e não podia fazer mais nada. Só isso já deveria ser o suficiente para o ministro, que chegou acusando de incompetentes todos os antecessores, pegar o seu boné. Mas ele, que estava de férias, preferiu sair do seu descanso e, mais uma vez, justificar a declaração do presidente.

O Tesouro terá que rolar mais de R$ 600 bilhões de dívida nos primeiros quatro meses. Se o presidente diz que o país está quebrado, o que os financiadores da dívida podem pensar? O ministro, quando tenta justificar tudo o que o presidente diz, erra. Nesse caso ele disse que Bolsonaro só se referia ao setor público. Piorou a declaração.

No Chile de Pinochet, os Chicago Boys impuseram reformas liberais num projeto ditatorial que deixou milhares de mortos. Liberalismo deveria ser o oposto de autoritarismo, mas muitos que se definem como “liberais” não são necessariamente democratas.

PROJETO DITATORIAL – O grupo que foi ao poder com Bolsonaro nunca se incomodou com a defesa que ele faz da ditadura e da tortura. Nunca se incomodou que ele disse, quando deputado, que a ditadura deveria ter matado 30 mil. Para eles, o importante é que iriam reduzir o tamanho do Estado, abrir a economia, privatizar, vender imóveis públicos, acabar com os subsídios. No 25º mês da administração, tudo o que têm para mostrar é uma reforma da Previdência que foi feita pelo Congresso e na qual o presidente só entrou para defender vantagens corporativas para a sua clientela.

Paulo Guedes já sabe que não deu. Mas tentará terceirizar a culpa para o Congresso, a oposição, Rodrigo Maia, a imprensa, a social-democracia. Vai fazer vistas grossas para todo o autoritarismo do governo. Inclusive na economia.

“É uma prioridade vacinar todo mundo logo”, afirma a presidente da Fiocruz

“Temos que ter pesquisas continuadas”, afirma Trindade

Carinne Souza
Correio Braziliense

Para a doutora em sociologia e presidente da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), Nísia Trindade, 2021 só começa depois que a vacinação contra a covid-19 tiver início, e é por causa disso que a instituição está trabalhando para “vacinar todo mundo logo”.

O primeiro passo disso foi dado, há poucos dias, com a solicitação à Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) para o uso emergencial do imunizante produzido pela Universidade de Oxford e pela AstraZeneca que, em breve, será reproduzido em solo nacional.

MANDATO – “Vamos poder vacinar o mais rapidamente possível, seguindo todos os requisitos impostos pela Anvisa”, disse Nísia, que, na última segunda-feira, dia 11, foi reconduzida à presidência da Fiocruz para mais três anos de mandato. 

Com a aprovação da Anvisa para uso emergencial, qual o próximo passo?
Muito tem sido feito de forma simultânea para pouparmos tempo. Fizemos as aquisições das doses, estamos analisando com o laboratório (Instituto Serum, da Índia) a possibilidade de essas doses virem o mais rapidamente possível –– a previsão é para o dia 20. Estávamos trabalhando para trazer a vacina antes mesmo da aprovação. A partir disso, vai depender dos movimentos do Ministério da Saúde, que coordena o Programa Nacional de Imunização (PNI), e distribui de acordo com aquele critério de priorização de grupos que já foi apresentado. A nós cabe cuidar da vacina, entregar e contribuir para o início da vacinação. E vale lembrar que essa iniciação pode começar de forma convergente com outros imunizantes, como é o caso da CoronaVac.

O presidente Jair Bolsonaro enviou à Índia um pedido para antecipar a chegada dessas doses. É possível que chegue antes do dia 20 ao país?
Nossa meta é que chegue até o dia 20. Acredito que esse (pedido de Bolsonaro) é um procedimento para mostrar a importância da vacinação do ponto de vista do governo. Todo mundo está preocupado com prazos e nós também estamos. É uma prioridade vacinar todo mundo logo, mas é importante ter uma sustentação dessa vacinação, e isso só é possível com produção nacional. Também é importante chamar a atenção para os aprendizados com a pandemia. Nem todas as doenças têm vacinas. Temos que ter pesquisas continuadas e, no caso de entregas de vacinas à sociedade, uma estrutura de oferta. Daí a importância dos laboratórios nacionais, como a Fiocruz e o Butantan.

A produção da vacina foi rápida?
Muitas pessoas falam isso e se questionam se não existem riscos, já que foi produzida de forma muito rápida. Precisamos considerar algumas coisas. Primeiro, essas vacinas não estão surgindo do nada; vêm de pesquisas que estavam em desenvolvimento para outros coronavírus. Existe uma história de ameaça de novas doenças emergentes, como dizemos, que tem pelo menos 20 anos. Mas o fato de ter essa pesquisa desenvolvida na Universidade de Oxford, com essa tecnologia nova de vetor viral para outros coronavírus, permitiu o rápido desenvolvimento. O Brasil tem avançado muito nisso e existem grupos de excelência no país que desenvolvem esses ensaios. Além disso, aqui é quase que um laboratório para testagem dessas vacinas, devido à quantidade de infectados. Mas não é só isso: o país possui instituições com experiência, que podem participar dessas pesquisas de Fase 3, como é o caso da nossa vacina, que tem tido essa etapa coordenada pela Unifesp (Universidade Federal de São Paulo) junto com vários parceiros que apoiam a iniciativa. É uma grande esperança. Para mim, e acredito que para grande parte dos brasileiros, o ano só vai começar depois da vacinação.

Para a produção aqui no Brasil, o que se pode esperar?
A incorporação dessa tecnologia que, a partir do segundo semestre, estamos dominando. Outro dado é que ela é uma vacina muito adequada, se pensarmos pela política de saúde pública: mostrou-se eficaz e segura, de baixo custo, e isso é um elemento muito importante não apenas para o Brasil, mas para outros países em desenvolvimento e para os de baixa renda e sem estrutura de produção, como nós temos. É a vacina que mais possui acordos firmados no mundo. Também considero importante que, além de dominarmos a tecnologia, o imunizante tem uma eficácia de 73% com a primeira dose e uma melhor resposta das pessoas com um intervalo entre 8 e 12 semanas, tempo de produção de anticorpos e células imunes. Vamos entregar, ainda este ano, 210,4 milhões de doses. Nossa expectativa é de que as primeiras entregas aconteçam em fevereiro. O início é sempre mais difícil, temos testes e ajustes para fazer, mas, até abril, nossa previsão é de uma entrega de 50 milhões de doses.

Em vez de cortar a palavra de Trump, o certo é ter leis que combatam incitação à violência

Bloqueio de Trump nas redes sociais pode ser considerado censura? Não é bem assim - Gizmodo Brasil

Ilustração reproduzida do portal UOL

J.R.Guzzo
O Estado de S.Paulo

Todo mundo tem direito hoje em dia a seus quinze minutos de fama como herói da esquerda internacional, mas em geral é mais ou menos só isso que se consegue. O mais recente desses heróis foi o Twitter, que proibiu o presidente Donald Trump de mandar mensagens pela sua plataforma – acompanhado por seus companheiros Facebook e Instagram – depois da violenta invasão do Congresso norte-americano por grupos de militantes trumpistas.

Criou-se, rapidamente, um clima de esperança no chamado “campo progressista”: as empresas-gigante que controlam a comunicação através das redes sociais estariam assumindo a liderança da luta mundial contra a “direita”, e ninguém tem força para resistir a elas. Mas não rolou.

DISSE MERKEL – Logo em seguida a chanceler da Alemanha, Angela Merkel, denunciou a decisão das redes americanas como uma “séria violação do direito fundamental à liberdade de expressão”.

Em vez de cortar a palavra de Trump, o certo é ter leis que combatam o incitamento à violência, como na Alemanha. Não se pode admitir, disse o porta-voz de Merkel, que “o Twitter e o Facebook façam as regras”. Não há como achar que a chanceler da Alemanha seja uma extremista de direita pró-Trump – ela é justamente o contrário disso. E agora?

A mesma reação aconteceu na França, onde o ministro das Finanças, Bruno Le Maire, declarou-se “chocado” pela censura à Trump – e disse que “a regulação da arena digital não pode ser feita pela própria oligarquia digital”. Isso, segundo o ministro do governo de Emmanuel Macron, tem de ser decidido “pela soberania do povo, através de suas instituições e de sua justiça”. Também não se pode dizer que haja alguma coisa direitista no governo da França.

CENSURA INACEITÁVEL – Outras vozes protestaram – inclusive o principal dissidente da Rússia, Alexander Navalny, para quem houve “um ato de “censura inaceitável, que vai ser aproveitado pelos inimigos da liberdade através do mundo.”

Essas reações, na verdade, refletem a divergência fundamental entre as visões que Europa e Estados Unidos têm sobre a questão. Na Europa, a tendência é que as redes sejam reguladas por lei. Nos Estados Unidos, a ideia é deixar isso a cargo das próprias redes. Para o governo da Alemanha, é perigoso entregar ao Twitter ou Facebook todas as decisões “Um direito de importância vital”, disse o porta-voz do governo alemão, “só deveria ser restrito pela justiça – e não pela gerência das redes”.

A mensagem que a Alemanha, a França e outros estão passando ao Twitter, Facebook o Instagram é bem clara: “Não tentem fazer a mesma coisa por aqui. Não vamos deixar.” É pouco provável que o chamado “Big Tech” compre essa briga.

Após optar por agenda negacionista, Bolsonaro pede “calma” à população e nega atraso na vacinação

Governo tenta convencer que país segue a “cronologia correta

Ingrid Soares
Correio Braziliense

Em meio à expectativa para o início do programa de vacinação nacional contra a covid-19, o presidente Jair Bolsonaro pediu “calma” à população. Em transmissão de live, nesta quinta-feira, dia 14, o chefe do Executivo negou que o Brasil esteja atrasado e voltou a dizer que os fornecedores do insumos interessados na venda é que devem procurar o país. Ele disse, ainda, que alguns laboratórios não procuraram o governo por conta das exigências às normas da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa).

“Alguns reclamam que o Brasil está atrasado. ‘O governo está atrasando’. ‘O governo não tomou providência para a vacinação’. Calma. Nós somos um mercado aqui de 210 milhões de pessoas. O mundo, são quase 8 bilhões de pessoas. Então, os laboratórios, as empresas que querem vender vacinas, procuram os grandes centros, que somos nós. Agora, por que não vieram? Porque reconhecem que a Anvisa é um obstáculo para o bem? Aqui não é uma republiqueta. O cara vai checar aqui, vai fazer uma negociata, e o pessoal da agência lá ‘toca o barco, quantos bilhões é, vamos comprar, não interessa o preço, não sei o quê, tudo justifica, não tem licitação’. Não é assim que funciona”, apontou.

“CRONOLOGIA” – O ministro da Saúde, Eduardo Pazuello, que também participou da live, apontou ainda que o país segue a “cronologia correta” e que, até o fim do mês, o país poderá ultrapassar os EUA e ser a nação que mais vacinou no mundo.

“Hoje, claro que os EUA é o mais forte. A última vez que eu vi o quadro, estava entre seis e sete milhões de pessoas vacinadas. Somando todas as vacinas do mundo, China, Estados Unidos e todos os países, é a cidade de São Paulo. No mundo. O que é que a gente precisa compreender? Há uma estratégia do governo federal com o SUS, que já foi desenhada a seis meses atrás. Nós estamos na cronologia correta dessa estratégia e nós vamos, em janeiro, iniciar essa vacinação”, destacou.

EXPECTATIVA – Pazuello relatou que a imunização brasileira pode ultrapassar a norte-americana em fevereiro. “E, a partir do início, com 2, 6 ou 8 milhões de doses, já em janeiro, nós já vamos nos tornar o segundo, talvez o primeiro, dependendo dos Estados Unidos, o país que mais vacinou no mundo. Apenas, talvez, atrás dos Estados Unidos ao final de janeiro. E, quando nós entrarmos, em fevereiro, com a nossa produção em larga escala e com o nosso PNI (Plano Nacional de Imunização), que tem 45 anos, nós vamos ultrapassar todo mundo, inclusive os Estados Unidos”, concluiu.

Segundo o Ministério da Saúde, o novo coronavírus vitimou fatalmente, até hoje, 207.095 brasileiros. Em 24 horas, foram contabilizados 1.131 óbitos.

 

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOGO dublê de presidente, após manter uma agenda perigosamente negacionista, agora pede “calma” à população, que assiste aterrorizada aos milhares de casos de infecção, as filas de espera e os fatídicos casos diários. Além disso, o governo federal, mesmo sem ter iniciado o cronograma de vacinação, tenta convencer que está tudo dentro do previsto e que fornecedores de insumos é que devem correr atrás para vender ao Brasil. O que falta para o mandatário ser impedido, amarrado e internado ? Esta gestão deveria criar um dia simbólico para o País, o “Dia do Não Fico”, pedir as contas e bater em retirada. (Marcelo Copelli) 

Tornou-se um aborrecimento fazer qualquer ponderação acerca dos problemas do Brasil

Bora Pensar: A IGNORÂNCIA POR TODOS OS LADOS!

Charge do Laerte (Arquivo Google)

Duarte Bertolini

Tenho me mantido afastado das discussões da Tribuna, basicamente por cansaço e desencanto por perceber que a ignorância e a desonestidade são praticamente invencíveis e tenho poucos argumentos e capacidade para acrescentar alguma coisa útil ao cenário.

Por isso, nem sempre leio a Tribuna e dificilmente faço comentários e participações, para não ficar ainda mais desapontado com as notícias arrasadoras sobre o Brasil e do mundo.

Hoje, por acaso, li na “Zero Hora”, uma coluna do David Coimbra que representa muito do que penso e que complementa o que escrevi acima. E estou enviando o texto à nossa TI.

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DESABAFO DE UM HOMEM CANSADO

David Coimbra       /      Zero Hora

Eu sou um homem cansado. E mais: um homem que volta cansado das férias. Porque se trata de um cansaço ancestral, antigo, longínquo, um cansaço de cerne e seiva. O mundo me cansou. Essa discussão toda, sobre todas as coisas, essa irresolvível animosidade. É isso…

Não foi sempre assim. As pessoas não sentiam tamanho apreço por suas próprias opiniões, antes das redes sociais. No máximo havia uma militância de mesa de bar, as opiniões evaporavam com o álcool do chope, se esfumavam na madrugada. Mas, no novo mundo, as opiniões passaram a ser registradas. Você imortaliza o que pensa numa rede social.

ESCRAVO DA OPINIÃO – E, depois dessa publicação, ainda que para grupo restrito, você não é mais dono da opinião, ela é que é sua dona. Você terá de defendê-la contra os que a atacam, como a leoa defende o filhote. Então, não interessa mais o que é certo, interessa é vencer a discussão.

Essa necessidade de vitória no debate tornou as pessoas maldosas – elas querem destruir os que identificam como oponentes. Tornou-as, também, desonestas, vale tudo pelo campeonato de quem tem razão.

É o que me cansa, essa desonestidade. Porque acredito na busca da honestidade pura. É uma baliza que me guia. E duvido, duvido mesmo, que um analista honesto possa dizer que sou comunista ou liberal ou seja o que for, baseado no que falo ou escrevo.

MERCADO E ESTADO – Até porque tenho a convicção, fundamentada na experiência da História, de que, dependendo das circunstâncias, às vezes é preciso fortalecer o Mercado e, noutras, o Estado. O que dita o rumo é a contingência, fecha mais hoje, abre mais amanhã. Um país tem de ser flexível.

A capacidade de adaptação é a maior qualidade evolutiva, não a força. Não sou, portanto, direitista nem esquerdista. Sou jornalista, e um jornalista que repudia o jornalismo ativista, o jornalismo militante, o jornalismo de salvação do mundo.

Assim, me cansa quando vejo dedos apontados, quando deparo com análises que partem do preconceito da crença do analista, me cansa quando chego à conclusão de que nenhum argumento racional vai fazer diferença.

SÃO INVENCÍVEIS – Juntas, as ignorâncias são poderosas, impermeáveis, praticamente invencíveis. É esse o mundo pastoso do século 21: o mundo em que a lógica foi trocada pelo sofisma.

É uma espécie de volta à Idade das Trevas. Por que, por exemplo, o terraplanismo cresce, entre tantos outros obscurantismos menos inofensivos? Você vai responder que sempre houve ignorantes, só que não os conhecíamos. Errado. A diferença é que, hoje, as ignorâncias se conectam, ligam-se por um amálgama de argumentos e crenças, e intumescem feito abscessos. Juntas, as ignorâncias são poderosas, impermeáveis, praticamente invencíveis.

IDEOLOGIAS E BANDEIRAS – Se esse processo funcionasse apenas entre os menos iluminados, como os terraplanistas, tudo bem. Seria só um exotismo. Mas o terrível é que boas cabeças são tomadas por ideologias e bandeiras, e aí a força do grupo produz o mesmo efeito: elas rejeitam a honestidade em nome da causa, a verdade em nome da justiça.

Por isso, tornou-se um aborrecimento fazer qualquer ponderação acerca de certos assuntos. É inútil. É vazio. É, sobretudo, cansativo. Eu sou um homem cansado. Estou precisando de férias.

‘Constituição Cidadã’ expandiu as castas privilegiadas e garantiu a impunidade dos corruptos

TRIBUNA DA INTERNET | Para reeleger Maia e Alcolumbre, é preciso mudar a  Constituição ou então desobedecê-la

Charge do Sponholz (sponholz.arq.br)

Celso Serra

Nossa primeira Constituição, após a independência de Portugal, data de 1824 e vigorou por 65 anos, até 1889 com a Imposição da República. Sim, escrevi “imposição” pois o marechal Deodoro não “proclamou” coisa nenhuma, foi um traiçoeiro golpe de estado sem o menor apoio do povo.

Só em 1891, dois anos depois da imposição é que a Constituição foi parida, com ferros e pólvora, tendo Ruy Barbosa como parteiro da principal legislação de nossa suposta “república” – que o tempo, o senhor da razão e pai da verdade, se encarregou de provar que essa Constituição não passava de uma “lei transitória”.

UMA ATRÁS DA OUTRA – Eu a considero “lei transitória”, porque depois dela veio a de 1934, que foi revogada com o golpe do Estado Novo e a imposição da Constituição de 1937. Depois dessa “lei transitória” de 1937 veio a de 1946. Em seguida, surgiu a de 1967. Depois veio a Constituição Federal de 1988, apelidada por Ulysses Guimarães de “Constituição Cidadã” (será?), que está em vigor até hoje, mais remendada do que fantasia de caipira.

No entanto, que ninguém espere que seja feito um remendo necessário para consertar o país. Isso jamais acontecerá. A “Cidadã”, além de ter estimulado a expansão de castas privilegiadas, permitiu que fosse implantada no Brasil a corrupção impune por decisão judicial, através da redação contraditória de diversos dispositivos, fato que permitiu a “interpretação” de que criminoso condenado só possa ser preso após a quarta instância, permissividade que só existe no Brasil entre os 193 países-membros da ONU.

CULPA DO EXÉRCITO – Esses fatos mostram que vivemos a pior fase da República brasileira desde que foi proclamada – sim, apenas proclamada, pois jamais foi implantada – em 1889 através de histórica quartelada, ou seja, a Ditadura da Corrupção Impune.

O grande culpado de tudo é o Exército que, comandado por Deodoro da Fonseca, em um autêntico golpe de estado, impôs uma falsa “república”, sem o apoio do povo brasileiro, que amava D. Pedro II e nele confiava.

Hoje, devido a essa imposição, qualquer quadrúpede disfarçado de bípede pode chegar a presidente.

Calote de estados e de municípios cresceu 59,6%, em 2020, e bateu seu novo recorde

Tribuna da internet: "O esquema internacional das dívidas públicas  transforma os países em reféns", por M.L.Fattorelli - Auditoria Cidadã da  Dívida

Charge do Paixão (Gazeta do Povo)

Rosana Hessel
Correio Braziliense

Em 2020, o calote no pagamento de empréstimos de estados e municípios com garantias da União somou R$ 13,3 bilhões, o maior da série histórica do Tesouro Nacional, iniciada em 2016, conforme relatório divulgado nesta quinta-feira (07/01).  Segundo o órgão, o valor do volume de dívidas com garantias da União não pagas pelos entes federativos, no ano passado, é 59,6% superior aos R$ 8,35 bilhões honrados pelo governo federal em operações de crédito no ano anterior.

De acordo com o Tesouro, cinco estados foram responsáveis por 94,6% do valor pago pela União, que é o fiador dos entes federativos, no ano passado: Rio de Janeiro (R$ 8,25 bilhões, ou 61,9% do total), que está incluído no Regime de Recuperação Fiscal (RRF), Minas Gerais (3,18 bilhões, ou 23,8%), Goiás (R$ 553,18 milhões, ou 4,1%), Pernambuco (R$ 354,85 milhões, ou 2,7%) e Maranhão (R$ 280,16 milhões, ou 2,1%).

CALOTES EM ALTA – Apenas no mês de dezembro, a União saldou R$ 5,539 bilhões em dívidas dos entes subnacionais, “sendo R$ 4,942 bilhões relativos a inadimplências do Estado do Rio de Janeiro, R$ 557,85 milhões de Minas Gerais e R$ 39,12 milhões do Rio Grande do Norte”.

De acordo com o órgão, o valor honrado para o Estado do Rio de Janeiro inclui o pagamento de R$ 4,28 bilhões do contrato da Companhia Estadual de Águas e Esgotos do Rio de Janeiro (Cedae).

“Desde 2016, a União bancou R$ 32,95 bilhões em dívidas garantidas dos entes subnacionais”, informou o comunicado do Tesouro.

SEM GARANTIAS – O órgão destacou ainda que a União está impedida de recuperar as contragarantias dos estados que obtiveram liminares judiciais suspendendo o pagamento à União e também as relativas ao Estado do Rio de Janeiro, que está sob o Regime de Recuperação Fiscal, os valores honrados no ano aumentaram a necessidade de financiamento dívida pública federal e amplia o rombo das contas públicas, que, de janeiro a novembro, somou quase R$ 700 bilhões, o maior da história.

Com isso, o montante gasto pela União e que não foi recuperado, em 2020, somou R$ 12,4 bilhões, o que corresponde às dívidas dos estados do Amapá, do Rio de Janeiro, de Goiás, de Minas Gerais, do Rio Grande do Norte e do Maranhão.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOGPense nisso: a União está quebrada e a maioria dos Estados e Municípios, também. Em tradução simultânea, no Brasil há algo de errado, mas muito errado mesmo, nas contas públicas. Mas ninguém quer fazer auditoria de nada. (C.N.)  

Um retrato caprichado do Nordeste, na criatividade de Geraldo do Norte, o “Poeta Matuto”

TRIBUNA DA INTERNET | Um nordestino diplomado, como Geraldo do Norte

Geraldo mantém as tradições nordestinas

Paulo Peres
Poemas & Canções

O radialista, declamador, letrista e poeta Geraldo Ferreira da Silva, nascido em Parelhas (RN), mais conhecido como Geraldo do Norte, “O Poeta Matuto”, em suas poesias aborda sempre temas regionais, como a vida no sertão, o trabalho do vaqueiro, as festas religiosas, além de denunciar problemas sociais, como a fome e o preconceito contra o nordestino, e homenagear grandes nomes da região, como neste poema “Diploma de Nordestino”.

DIPLOMA DE NORDESTINO
Geraldo do Norte

Deus quando criou o mundo, fez uma obra completa,
como um poema matuto, feito pelo Deus poeta.
Destes que sai redondo, metrificado profundo, que nem precisa de teste.
Fez rios, vales e serras, Terra e sementes da Terra: fez uma obra de mestre!

O planisfério terreno, com todos os continentes.
Vales grandes e pequenos, regiões frias e quentes!
Oceanos Pacífico e Ártico. Atlântico, Índico e Antártico.
Ecossistema perfeito, com tudo quanto é vivente.
Lavas, girinos, sementes; a essência do bem feito.

No curso da natureza vieram os conquistadores.
Manipularam riquezas, dilapidaram valores.
Pelo mar plantaram, pela terra escravizaram
e, em nome do progresso, poluem, desmatam,
agridem, prostituem, matam e denigrem, virando o mundo do avesso!

Sei que Deus pensou em tudo na hora de fazer o mundo.
O Seu pequeno descuido foi dar asas a vagabundo.
Que expulso do paraíso, fez tudo que foi preciso para pagar sua parcela
e é através dos humanos, que continuam cobrando, juros e juros em cima dela!

Faz parte da Natureza, desde Caim e abel.
Por gozo, fama e riqueza nosso limite é o céu.
Deus fez o mundo perfeito: o povo veio desse jeito para ver se passa no teste,
mas deixo neste segundo, a grande história do mundo, para falar do meu Nordeste!

É um mundo dentro d’outro, como se fosse a maquete.
O que há de mais profundo; podem fazer uma enquete,
que as raças mais resistentes, e eu falo de bicho e gente,
sem desmerecer ninguém, mas nas outras religiões,
ninguém tem as privações, que o nordestino tem.

Em toda a velha glamura, tu não verás nada igual.
Lendas, costumes, bravuras, para o bem o para o mal.
Tem que nascer na miséria para ser Maria Quitéria, Padim Ciço ou Lampião;
porque Deus fez o Nordeste para oficina de teste e vestibular de sertão.

O Brasil sem o Nordeste, é um time sem goleiro;
um aluno sem seu mestre ou um galo sem terreiro;
uma casa sem criança, um povo sem esperança,
um vaqueiro sem cavalo. Uma noite sem estrela,
um rio sem cachoeira ou uma flor sem orvalho!

É como um divisor de águas; difícil até de falar;
tem a beleza da lágrima, a bravura do marruá!
É pedra de fazer aço, cozida pelo mormaço de caldeira de sol quente;
é a saga de um povo, que nem Deus fazendo de novo, fazia tão resistente!

Diploma de nordestino não se compra em faculdade:
se arranca do destino com luta, força e vontade,
afrontando a própria sorte e troféu de cabra forte, que levanta quando cai,
não aceita desaforo e nem põe anel de ouro, em dedo de papagai .

As trovas de Zé Limeira, as rimas de Patativa,
são cultura de primeira e sertaneja nativa.
Leonardo Motta Cascudo, deixaram para ser estudo, livros e livros de história
e Catulo fez canção, como Luar do Sertão para ficar na memória.

Às vezes tentam mostrar, outro nordeste que existe:
feio, violento e vulgar, mas as tradições resistem.
Elomar, Vital Farias, os congressos de poesia,
nossas festa de São João e não vai ser uns infelizes,
que vão podar as raízes, plantadas por Gonzagão.

Cultura não é quinquilharia! Rapina não é conquista.
Dom não se compra em padaria: Gigolo não é artista,
política não é negócio, vendas não é sacerdócio, vício nunca foi virtude!
Mentira não tem verdade, esmola não é caridade nem religião, plenitude!

E quando o povo acordar, droga não der inspiração.
Vagabundo não mandar, o herói não for ladrão.
Prostituição sucesso. Promiscuidade progresso
e Deus tiver absoluto, eu vou estar no meu cantinho,
fazendo com muito carinho, mais um poema matuto!

No Senado, maior defeito de Simone Tebet é ser favorável à luta contra a corrupção

MDB define Simone Tebet como sua candidata à presidência do Senado - Diário  do Poder

Simone Tebet é uma senadora honrada, algo muito raro

Carlos Newton

Está difícil acreditar no futuro do Brasil quando se depara com a realidade da política atual, dividida em dois grupos suprapartidários, que pairam acima de ideologias – os que são a favor da Lava Jato e os que estão contra.

É justamente essa realidade que explica a posição do PT, um dos partidos mais nauseabundos do país, que fechou apoio à candidatura de Rodrigo Pacheco (DEM-MG) à presidência do Senado, porque ele é contra a Lava Jato e promete, por baixo dos panos, tudo fazer para sepultar a luta contra a corrupção.

SORRATEIRAMENTE – Ou seja, a senadora Simone Tebet (MDB-MS) foi preterida pelo PT porque defende abertamente o prosseguimento da Lava Jato e a luta contra a corrupção, enquanto o melífluo Pacheco faz o contrário, sorrateiramente, por baixo das asas do Planalto.

O pior é o objetivo que move o PT, submisso a Bolsonaro e Alcolumbre. A luta do partido contra a Lava Jato visa a anular as condenações do ex-presidente Lula da Silva, para que ela possa ser candidato em 2022.

Na semana passada, aliás, o petista Fernando Haddad deixou de escrever artigos na Folha, porque o jornal se recusa a defender a anulação dos julgamentos de Lula, vejam a que ponto chegamos.

TRÊS PODERES – Como se sabe, essa campanha para destruir a Lava Jato e o ex-juiz Sérgio Moro tem apoio entusiástico dos três Poderes da República, cujos marqueteiros até criaram uma expressão depreciativa para desmoralizar a luta contra a corrupção – o “lavajatismo”.

Essa campanha abjeta e vergonhosa já conseguiu tornar o Brasil o único país da ONU a prender criminosos somente após julgamento em quarta instância, enquanto a maioria das nações tem apenas três instâncias.

Agora, o novo capítulo é evitar que a senadora Simone Tebet chegue à presidência do Congresso e possa contribuir para desemporcalhar a política deste país.

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P.S. – O PDT também decidiu apoiar Pacheco, o candidato da Bancada da Corrupção, sabe-se lá por quê. Ah, Brizola, que falta você faz… (C.N.)

Bolsonaro não pode recuar e presidente do BB já perdeu condições de ficar no cargo

Mais Informações sobre Licitações Banco do Brasil

Equipe econômica quer fechar 361 agências do Banco do Brasil

Pedro do Coutto

Dizendo-se fortemente contrariado pelo projeto de demitir 5 mil funcionários do Banco do Brasil e o fechamento de agências no país, embora o Planalto tenha sido informado previamente do programa, o presidente Bolsonaro anunciou a demissão de André Brandão do BB.

Depois do destaque que a matéria alcançou na imprensa, especialmente no Globo e no O Estado de São Paulo, nas edições de quinta-feira, criou-se uma situação que deslocou a questão social para o plano político, sobretudo porque as reportagens informam também que o ministro Guedes estava tentando dissuadir Bolsonaro do ato.

SEM RECUO – Mas penso que não pode haver recuo. Nem por parte de Bolsonaro nem de André Brandão. Politicamente, ele perdeu as condições de exercer o comando do BB.

No Globo a reportagem é de Manoel Ventura e Giulino Maia. No Estadão assinam a matéria Adriana Fernandes e Tânia Monteiro.

O presidente da República sentiu-se afetado pela iniciativa de Brandão e também porque o Palácio do Planalto não foi consultado a respeito do assunto, mas o Correio Braziliense revela que houve essa informação prévia ao Planalto. De toda forma, Bolsonaro afirmou  ser contrário as demissões e ao fechamento de agências.

PRIVATIZAÇÃO – André Brandão foi indicado pelo ministro Paulo Guedes e pelo presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto, para o projeto de privatização do BB. Mas a privatização já havia sido ponto de discordância de Bolsonaro. Além disso o BB é uma empresa de economia mista com ações na Bolsa de Valores. Assim os acionistas só ontem foram informados da decisão de dirigentes.

Há também o aspecto no que se refere ao valor das ações na Bovespa. A desestatização de uma empresa como o Banco do Brasil encontrará fortes resistências no sistema bancário do país e também nos créditos que se encontram em liquidação.

AÇÕES EM BOLSA – A diferença entre o BB e a Caixa Econômica é justamente essa, porque a CEF não possui ações em bolsa, não sendo assim empresa de economia mista.

Jair Bolsonaro, acrescentam os dois jornais; que vinha considerando bom o desempenho do presidente da Caixa, Pedro Guimarães, agora não mantém o mesmo julgamento quanto a André Brandão.

Penso ter se tornado impossível tanto o recuo do presidente da República, quanto a continuidade de André Brandão, apesar da interferência de Guedes.

HELIO FERNANDES – Nesta semana, Helio Fernandes completou 100 anos de idade. É o jornalista de maior permanência em atividade no mundo, escrevendo diariamente no blog que mantém na internet.

Helio cobriu a Constituinte de 1946. Sua história inclui também as três vezes de confinamento determinadas pela ditadura militar que se instalou em 1964. Foi proprietário da Tribuna da Imprensa jornal, que adquiriu de Nascimento Brito, à época presidente do jornal do Brasil. Carlos Lacerda em 1962 vendeu o jornal para Nascimento Brito, que quinze dias depois revendeu para Helio Fernandes.

A Tribuna fez cerrada oposição à ditadura militar e foi o único jornal a ficar 10 anos sob censura prévia.

Lewandowski determina que DF e estados informem total de seringas e agulhas em estoque

Saúde informou ao STF que sete estados não têm seringas e agulhas

Rafael Moraes Moura
Estadão

O ministro Ricardo Lewandowski, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinou  nesta quinta-feira, dia 14, que o Distrito Federal e os 26 Estados do País informem ao tribunal, em até cinco dias, o estoque de seringas e agulhas que possuem em seus estoques para a vacinação contra o novo coronavírus.

O Ministério da Saúde apontou, em ofício enviado ao Supremo na última quarta-feira, dia 13, que sete Estados – Acre, Bahia, Espírito Santo, Mato Grosso do Sul, Paraíba, Pernambuco e Santa Catarina – “não teriam estoque suficiente” para suprir demanda inicial, caso houvesse disponibilidade imediata de 30 milhões de doses.

O DIA “D” E A HORA “H” – Em reunião com prefeitos de todo País nesta quinta-feira, o ministro da Saúde, Eduardo Pazuello, afirmou que a vacinação contra a covid-19 em todo o País começará no próximo dia 20, às 10h, em todo o País, se a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) der o aval para o uso emergencial de imunizantes no País.

Lewandowski quer que o DF e os Estados informem ao tribunal qual a quantidade de agulhas e seringas que possuem em seus estoques, discriminando o número daquelas que estão destinadas à execução do Plano Nacional de Vacinação; ao atendimento das ações ordinárias de saúde pública local; e à participação no recente Plano Nacional de Operacionalização da Vacinação Contra a Covid-19.

Segundo o governo, “diversas ações” estão sendo realizadas pelo Ministério da Saúde para a aquisição de insumos, como 7 milhões adquiridas em um pregão; aumento do quantitativo a ser adquirido pela Opas em compra internacional (que passou de 40 milhões para 190 milhões), bem como a reedição dos processos de licitação que será republicado com o quantitativo de 290 milhões de unidades.

LIBERAÇÃO –  A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) decidirá no domingo, dia 17, se libera ou não o uso emergencial destes dois imunizantes. Após este aval, as doses poderiam ser aplicadas na população.

Pazuello disse aos prefeitos que as doses da vacina de Oxford/AstraZeneca devem chegar aos Estados na segunda-feira, 18. Um avião sairá na noite de sexta-feira, 15, do Brasil para buscar as doses na Índia.  A carga é estimada em 15 toneladas.

A aeronave partirá do Recife às 15h e a previsão de retorno é no próximo sábado. A volta será pelo aeroporto do Galeão, no Rio, cidade onde as doses ficarão armazenadas. “É o tempo de viajar, apanhar e trazer. Já estamos com todos os documentos de exportações prontos”, disse o ministro da Saúde, Eduardo Pazuello, ontem em Manaus.

“OBSTÁCULOS”Na última quinta-feira, o ministro Ricardo Lewandowski, do STF, deu um prazo de 5 dias para que o ministro da Saúde, Eduardo Pazuello, informasse à Corte sobre os insumos necessários à vacinação contra a covid-19. A decisão do ministro foi tomada após o partido Rede Sustentabilidade alegar ao Supremo que o governo federal, “além de não ter iniciado a vacinação, está lançando obstáculos ao adequado emprego das vacinas que devem ser adquiridas”.

O partido quer que o governo comprove o estoque de seringas e agulhas da União e dos respectivos Estados para a condução especificamente da vacinação da covid-19, ao menos para os quatro grupos prioritários conforme detalhado no plano nacional de vacinação.

Caso não haja estoques suficientes dos insumos, a Rede quer que o Supremo obrigue o governo a apresentar, em 48 horas, o planejamento de novas aquisições de seringas e agulhas para o cumprimento das primeiras fases do plano.

No radar de Bolsonaro, Alcolumbre poderá assumir Desenvolvimento Regional ou Secretaria de Governo

Bolsonaro e Alcolumbre tratam o assunto de forma reservada

Ingrid Soares e Augusto Fernandes
Correio Braziliense

A poucos dias de terminar o mandato no comando do Senado, Davi Alcolumbre (DEM-AP) está no radar do presidente Jair Bolsonaro para assumir uma das pastas do Executivo em fevereiro, na provável reforma ministerial que o chefe do Planalto deve promover na Esplanada para tentar aumentar a governabilidade. O nome do parlamentar agrada a Bolsonaro porque ele poderia fortalecer a articulação política com o Congresso.

Desde o fim de dezembro, Bolsonaro e Alcolumbre têm tratado sobre o assunto de forma reservada. Ao senador, o presidente ofereceu, pelo menos, o Ministério do Desenvolvimento Regional ou a Secretaria de Governo. O democrata já revelou a assessores e parlamentares mais próximos que gostaria de assumir a pasta atualmente chefiada por Rogério Marinho.

DE OLHO – A ambição dele é fortalecer a carreira política e permanecer em evidência, e o Desenvolvimento Regional pode auxiliá-lo, por se tratar de uma pasta que entrega resultados para o governo e que administra boa parte das emendas parlamentares.

A Secretaria de Governo, apesar de colocada em segundo plano, por enquanto, também interessa a Alcolumbre porque há uma insatisfação de parte do Congresso com o trabalho do ministro Luiz Eduardo Ramos. Caso assuma a pasta, o senador teria a chance de melhorar o ambiente e, principalmente, tentar avançar na tramitação de duas reformas estruturais que, até o momento, carecem de atenção do governo federal: a tributária e a administrativa.

A definição do destino de Alcolumbre, contudo, não deve ocorrer antes do fim de janeiro. Primeiro, porque ambas as pastas em negociação são lideradas por ministros benquistos por Bolsonaro. O presidente não abriria mão de Marinho e Ramos com tanta facilidade e teria de quebrar a cabeça para reorganizar a Esplanada com um dos dois em um ministério diferente, tarefa que lhe demandaria um tempo considerável.

CAMPANHA DE PACHECO – Segundo, porque, por agora, Alcolumbre prefere centrar esforços na campanha de Rodrigo Pacheco (DEM-MG), parlamentar escolhido por ele para sucedê-lo na Presidência do Senado e que tem o apoio de Bolsonaro. O democrata teme contaminar o processo eleitoral da Casa, caso opte por priorizar questões pessoais e, por isso, vai aguardar o resultado para decidir se aceita ou não ser ministro.

A bancada do DEM no Senado avalia que, de fato, esse não é o melhor momento para Alcolumbre tratar de uma incorporação ao alto escalão do Executivo. “O Davi está empenhado na eleição do Pacheco para a Presidência. Acho que, neste momento, o foco tem de ser a transição. A eleição das duas Mesas é importante para o Parlamento e para o governo, também. Qualquer discussão paralela, agora, envolvendo algum tipo de acomodação, não acho que seja adequada”, observa o vice-líder do governo no Congresso, senador Marcos Rogério (DEM-RO).