Estratégia de Lula é alegar que era dona Marisa que cuidava da reforma do sítio

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Depoimento de Bumlai também culpa a mulher de Lula

Deu em O Tempo
(Estadão Conteúdo)

O pecuarista José Carlos Bumlai, amigo do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, afirmou na quarta-feira, dia 14, que não pagou “nem um real” pela reforma do sítio Santa Bárbara, em Atibaia. Em depoimento à juíza federal Gabriela Hardt, sucessora de Sérgio Moro nas ações penais da Lava Jato em Curitiba, Bumlai reafirmou a tese apresentada por outros delatores que o sítio seria uma “surpresa” de Marisa Letícia para o ex-presidente.

Bumlai é réu por lavagem de dinheiro na Lava Jato e acusado de repassar R$ 150 mil em propina do Grupo Schain, por meio da reforma do sítio que posteriormente foi assumida pelas empreiteiras Odebrecht e OAS.

COM BITTAR – O pecuarista afirmou que ouviu sobre o sítio de Atibaia pela primeira vez durante um encontro com a família Lula e Jacob Bittar no Palácio da Alvorada, em agosto de 2010. À época, Bittar, amigo de Lula e fundador do PT, afirmou que “procurava na internet um sítio para comprar onde ele e a família do presidente pudessem desfrutar após saída (de Lula) da Presidência”.

“Ela (Marisa) me procurou e me perguntou se eu tinha pedreiros para arrumar um muro que estava por cair e algumas ampliações que ela queria fazer”, afirmou Bumlai.

Segundo ele, a ex-primeira-dama, morta em fevereiro de 2017, queria expandir o sítio para abrigar o acervo presidencial de Lula e afirmou que obra seria “surpresa” para o presidente.

ENCONTRO – O pecuarista disse que agendou um encontro no sítio entre ele, Marisa Letícia, Fernando Bittar – filho de Jacob Bittar e proprietário formal do sítio -, o engenheiro Reinaldo Bertin, sócio de Bumlai, e o engenheiro Emerson Cardoso Leite, que iria trabalhar na reforma.

“Naquele momento não se discutiu pagamento nem custo, pois não sabia o que iria fazer. Se foi discutido depois, eu não participei”, afirmou. “Não paguei nem um real”.

Bumlai afirmou à juíza Gabriela Hardt que não se envolveu mais na reforma do imóvel e que soube apenas que a obra mudaria de mãos após ligação de Rogério Aurélio, ex-assessor de Lula. “O Aurélio me ligou dizendo: ‘O pessoal que você indicou, nós vamos estar dispensando. Vamos botar uma firma maior para fazer (a reforma), pois temos pressa'”, relatou o pecuarista.

DISSE ALEXANDRINO – Na semana passada, o empresário da Odebrecht e delator Alexandrino Alencar afirmou que foi abordado por Marisa Letícia, que havia reclamado da demora na entrega do sítio por parte de Bumlai, prevista para até o fim do mandato de Lula, em dezembro de 2010.

O encontro entre os dois teria ocorrido na antessala da Presidência, no Palácio do Planalto, no início daquele mês e, poucos dias depois, a Odebrecht assumiria a reforma e entregaria o sítio em janeiro de 2011.

O advogado Cristiano Zanin Martins, defensor de Lula, divulgou  nota dizendo que o depoimento de Lula mostra arbitrariedade da acusação, porque teria rebatido ponto a ponto as infundadas denúncias do Ministério Público, “reforçando que durante o seu governo foram tomadas inúmeras providências voltadas ao combate à corrupção e ao controle da gestão pública e que nenhum ato de corrupção ocorrido na Petrobras foi detectado e levado ao seu conhecimento”.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOGDizer que Lula não sabia nada sobre a corrupção na Petrobras merece disputar a Piada do Ano, sem a menor dúvida. E todos mentem nos depoimentos, tentando colocar a culpa em dona Marisa, que já morreu e se livrou da culpa e da punibilidade. Se ela estivesse viva, seria engraçado assistir a um depoimento da ex-primeira dama. (C.N.)

Reflexões sobre o mito Lula, criado por Golbery para evitar a vitória de Brizola

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Ilustração reproduzida do Acre Notícias

Antonio Santos Aquino

Os mal informados ou mal intencionados fingem não saber que a ideologia do PT é baseada no Sindicalismo norte-americano da central AFL-CIO. Esquecem que o PT foi patrocinado pelos militares. Lula desde jovem foi protegido do general Golbery do Coutto e Silva. Tinha como finalidade se contrapor a Leonel Brizola, que depois de 15 anos voltava do exílio. Foi Lula que impediu Brizola de chegar à presidência do Brasil. O crime de Lula e seu partido não é ideológico. Os crimes são de corrupção. O PT, com raríssimas exceções, tornou-se corrupto.

Lula nunca foi de esquerda. Tem livro e gente viva que sabe da trajetória de Lula inclusive o curso de sindicalismo feito em 1972/73 na John Hopkins University. Só saiam do Brasil para cursar com aval dos militares.

BUSH VEIO APOIAR – Na época do mensalão, Bush filho e todo seu governo aqui estiveram e Lula chegou a dar nacos de churrasco na boca do presidente dos EUA. Condoleezza Rice mandou, por intermédio de Dirceu, uma caneta para Hugo Chávez. Isso tudo saiu na mídia.

Perguntem quem é Lula a Almir Pazzianoto, ministro aposentado do Tribunal Superior do Trabalho que ainda está vivo. Perguntem sobre as reuniões para acertar greves que Golbery sabia com antecedência. Perguntem que é Lula a Mário Garnero, ex-representante das montadoras, Perguntem a Sarney, que ainda está vivo, qual a razão de ele e o General Leônidas Pires Gonçalves terem vindo ao Rio de Janeiro em 2002 para avalizar no Clube Militar a eleição iminente de Lula. Duvidam? Perguntem. Mandem um jornalista entrevistá-los.

JANGO INJUSTIÇADO – É preciso registrar fatos históricos que são muitos, sobre a figura política de João Belchior Marques Goulart. Desde os 24 anos quando faleceu o pai Vicente Goulat, rico estancieiro, Jango assumiu o espólio que era muito grande e cheio de dívidas, isso no governo Dutra. Talando as terras do Rio Grande do Sul a cavalo, Jango foi fazendo negócios de compra e venda de gado. Arrendando terras do Exército para invernar até 40.000 cabeças de gado. Pagou todas as dívidas do espólio e ainda sobraram cinco fazendas para cada um dos herdeiros.

Jango sempre foi um homem muito trabalhador e de mãos limpas. Todo dinheiro que ganhou sempre aplicou no Brasil. Nem um tostão aplicou no estrangeiro. Foi de sua ideia que surgiu o acordo binacional entre Brasil e Paraguai para construção da Usina Hidrelétrica de Itaipu, depois construída pelos militares. A Eletrobrás iniciada por Getúlio foi terminada por ele. O décimo terceiro salário que a todo povo beneficia foi ele, Jango, quem assinou. Muito ainda aqui falarei sobre Jango e as injustiças que sofreu.

Bolsonaro errou, ao não apoiar a tese desenvolvimentista do general Ferreira

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Ferreira bateu de frente com Paulo Guedes e pediu o boné

Flávio José Bortolotto

No caso do general engenheiro Oswaldo Ferreira, que desistiu de participar do governo, deve ter havido foi uma disputa acerca da forma de financiar as obras importantíssimas do Ministério da Infraestrutura, especialmente muitas já iniciadas e paralisadas. O general Ferreira seria o futuro ministro. Tocador de obras, queria um financiamento como faz a China, via Letras de Crédito do Tesouro, mas o economista e banqueiro Paulo Guedes, futuro ministro da Fazenda, vetou, propondo financiamento que é mínimo, conforme o ortodoxo Orçamento Federal, que é a mixaria de cerca de 0,25% do PIB.

Nessa disputa ganhou a ortodoxia do futuro Ministério da Fazenda. O sistema de financiamento de sua infraestrutura e rearmamento nacional que a China usa, com Letras de Crédito do Tesouro Chinês, é uma forma heterodoxa geradora de uma dívida em moeda nacional, na qual o devedor é o Tesouro chinês, e o credor é o mesmo Tesouro chinês.

DÍVIDA NULA – Ora, uma dívida na qual o governo deve para ele mesmo, só existe na contabilidade porque na prática é nula. Desde que essa emissão de Letras de Crédito do Tesouro seja toda usada em obras que não exijam importações (nas quais seriam necessários US$ Dollares), que também é o caso Brasileiro, e desde que a quantidade de Letras de Crédito do Tesouro não desequilibrem demais a balança da oferta e demanda de bens em geral, o que geraria inflação quando não existisse mais capacidade ociosa na economia, o que não é o caso da China e muito menos do Brasil onde temos 30% a 40% de capacidade ociosa e desemprego/subemprego.

A nosso ver, o presidente Bolsonaro escolheu o caminho pior, especialmente nesta época de alto desemprego, ao seguir a ortodoxia financeira do Ministério da Fazenda, ao invés de optar pela boa ideia do general Oswaldo Ferreira, que seria muito mais produtiva para a economia nacional.

NOVO CHANCELER – Completamente exagerado o artigo da jornalista Eliane Oliveira em O Globo, dizendo que é “estarrecedora” a escolha do novo Chanceler, diplomata Ernesto Araûjo.

Ora, o novo Chanceler, em seus escritos, defende a tese de que a globalização reduz em muito a autonomia das nações, desindustrializa nivelando os salários para baixo, e só beneficia as gigantescas corporações, especialmente as financeiras, que são as maiores de todas, prejudicando o povo das nações industrializadas que se transformam em rust belts (cinturões de ferrugem), e principalmente países como o Brasil que necessitam progredir , amarrados que são por ONGs xiitas ecológicas que impedem o desenvolvimento socioeconômicos.

Isso não tem nada que ver com utilizar inteligentemente os recursos finitos da espaçonave Terra, evitar poluição, etc. Se cortarmos uma árvore e plantarmos dez, o meio ambiente ganha, mas os ecólogos xiitas das ONGs não entendem assim.

Votei em Jair Bolsonaro e acho péssimas as suas escolhas (com raras exceções)

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É certo que Bolsonaro vem escolhendo as pessoas erradas

Armando Temperani Pereira

Sempre me vi na esquerda! Nasci em berço getulista e de pai professor de economia e um dos maiores conhecedores da obra de Marx. Nunca esposou paixão política em aula, fato de que se orgulhava. Como dizia ele, sua obrigação era ensinar e traduzir as versões dos clássicos seja de que tendência fossem. O conhecimento não pode sofrer preconceitos e tabus. Para ter raízes, o conhecimento precisa ter profundidade e universalidade. Assim, sempre convivi bem com aqueles que pensam de forma adversa.

O idealismo é sempre bom, seja de que lado for, forma o pensamento dinâmico. Já as doutrinas criam paixões e formam dogmas estáticos e cruéis.

ATRASO MACARTHISTA – Digo isto porque mesmo de esquerda e tendo sofrido no golpe militar de 1964 com prisão, com cassação e tortura na família e nos amigos, vi a estupidez da pretensão militar no atraso da doutrina macartista do pós guerra e xenófobos degenerados e antissociais.

Negar a ditadura militar e seus atropelos e roubalheiras é desconhecimento histórico. E apoiar suas torturas é ignorância humana e desequilíbrio mental.

Votei em Bolsonaro. Mas por uma causa melhor. Acabar com a esquerda de merda que se apresentou após a abertura. Lula surgiu como um meteoro nos espaços sindicais consentido e apoiado por inteligência militar. Não tenho dúvidas!

APARELHAMENTO – Como continuar com um Estado que não instrui doutrina e está aparelhando um partido que quer se perpetuar no poder às custas de um povo cada dia mais ignorante e pedinte Os programas do PT, não tem um que não seja para cargos, distribuir dinheiro aos seus sectos e a escravizar seus militantes a troco de pouco troco como esmola.

Um partido de trabalhadores que desprezava e despreza Getúlio Vargas. Um partido de gente sem qualificação e degenerados sociais, formado por grupos de complexados e despeitados.

Acredite, o racismo negro é oficializado com as cotas raciais. Os sem terra ganharam diploma de vandalismo, mas não a reforma agrária. Os Índios conseguiram enormes reservas para permitir o extrativismo das riquezas nacionais em roubalheiras ainda não apuradas.

LULOPETISMO – Nunca fui e nunca serei petista. Tenho muitos amigos nesta “agremiação”, mas sempre soube de seu pecado original ou pecado mortal de ser filho biológico do SNI e filho do engano paterno de um povo engando e amargurado. Que não quer acreditar na verdade!

Não sou contra Bolsonaro, ele faz o que prometeu. Sou oposição às idéias dele. Sou inimigo dos traidores da esquerda, do petismo e da prepotência medíocre.

Bolsonaro acredita que governará com homens que têm a mesma ideia retrógrada de Estado e que governam acreditando em milagres. Mas suas escolhas tem sido péssimas, com raras exceções.

Sem cubanos, 600 municípios podem ficar sem médico na rede pública

Cuba enviava profissionais para atuar no Brasil desde 2013

Fernanda Calgaro
G1

Com a saída dos cubanos do programa Mais Médicos, cerca de 600 municípios brasileiros podem ficar sem nenhum médico da rede pública a partir do dia 25 de dezembro, segundo o Conselho Nacional de Secretarias Municipais de Saúde (Conasems). De acordo com o presidente da entidade, Mauro Junqueira, nessas cidades há apenas médicos cubanos, que começam a deixar o programa federal em 25 de novembro – a data já constava de um comunicado do governo cubano a médicos que atuam no Paraná. Os últimos cubanos deverão deixar o país até o Natal.

Na última quarta-feira, dia 14, o governo de Cuba anunciou a decisão de deixar o Mais Médicos, citando “referências diretas, depreciativas e ameaçadoras” feitas pelo presidente eleito Jair Bolsonaro à presença dos médicos cubanos no Brasil. Bolsonaro afirma que o governo cubano deixar o programa por não concordar com o teste de capacidade. Para ele, é “desumano” dar aos mais pobres atendimento médico “sem garantia”.

EDITAL – Cuba enviava profissionais para atuar no Brasil desde 2013, quando o programa foi criado durante o governo da ex-presidente Dilma Rousseff. Pouco mais da metade dos atuais 16 mil participantes do Mais Médicos são de Cuba. Como medida emergencial para suprir as vagas que serão abertas, o Ministério da Saúde disse que lançará um edital nos próximos dias. Na segunda-feira, dia 19, representantes do Conasems e do Ministério da Saúde vão se reunir para discutir detalhes do edital. Junqueira explica que o objetivo é tentar encurtar ao máximo os prazos de convocação dos novos médicos para preencher o quanto antes as vagas.

“O ministério se comprometeu a publicar o edital e aí tem os prazos legais para a primeira chamada. Queremos ver se é possível diminuir os prazos para os primeiros médicos já começarem a trabalhar em fevereiro [de 2019]”, afirmou. Na avaliação dele, a situação nesses cerca de 600 municípios deverá ficar mais crítica em janeiro, quando os médicos cubanos já terão partido e os brasileiros ainda não estarão aptos a trabalhar.

“Se for apenas um mês, dá para passar, mas ficará muito complicado se demorar três ou quatro meses para preencher essas vagas”, disse. Segundo ele, a situação se agrava porque atualmente já há cerca de 1.600 vagas dentro do programa não preenchidas.

CHAMADAS – Pelas regras do Mais Médicos, os médicos brasileiros e estrangeiros formados no Brasil têm prioridade para ingressar no programa. Depois, são convocados médicos formados fora do Brasil que tenham revalidado o diploma no país, com o exame chamado Revalida. Na sequência, são chamados médicos brasileiros formados no exterior. Depois, a regra prevê que sejam convidados médicos estrangeiros formados no exterior.

Somente depois dessas etapas é que governo brasileiro oferecia as vagas aos médicos cubanos. Segundo Mauro Junqueira, nos últimos editais, só médicos brasileiros ingressaram no programa. Para substituir os cubanos, uma das alternativas estudadas pelo Ministério da Saúde é chamar médicos brasileiros que se formaram usando recursos do Fundo de Financiamento Estudantil (Fies). Em troca, eles teriam parte da dívida do financiamento abatida. Os detalhes da proposta, que será levada à equipe de transição de Bolsonaro, ainda não estão fechados, segundo o ministro da Saúde, Gilberto Occhi.

Bolsonaro precisa de um certo isolamento para conseguir planejar seu governo

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Jair Bolsonaro precisa se recolher para depois emergir 

Waldemar Valim

É preciso sedimentar o terreno para os brasileiros que confiam e acreditam em Jair Bolsonaro e também para aqueles que não votaram no candidato do PSL, mas continuam a torcer a favor do Brasil, não importa quem esteja à frente do governo. Na esteira da continuidade dos resultados obtidos nas urnas, agora é preciso oferecer ao futuro presidente um voto de confiança de que continuamos a acreditar e estamos certos de que novos rumos benfazejos este país irá usufruir.

Para que isso ocorra, é necessário promover um certo isolamento do novo chefe do governo, para que tenha paz e tranquilidade no planejamento de sua administração, não tendo que se preocupar com os problemas da China, da capital de Israel e dos médicos cubanos que ainda estão entre nós.

QUESTÃO DE OPÇÃO – O presidente Bolsonaro precisa se ver como um bom estrategista, como ficou provado em sua vitoriosa campanha, feita sem espaço na TV e sem os generosos recursos públicos oferecidos aos grandes partidos políticos.

Haverá tempo para que Bolsonaro se dedique à política externa, para elevar o país a um patamar acima da situação atual, em que se procura fazer do Brasil um mero quintal, aniquilando suas potencialidades e colocando o país numa atitude de subserviência, com seu povo em baixa estima e complexo de inferioridade.

No momento, porém, é hora de concentrar esforços para resolver os principais problemas internos do país. Por isso, faria muito bem ao presidente eleito conquistar seu isolamento das mídias impressas e televisivas.

ÉTICA E MORAL – Os dois principais problemas do Brasil são de ordem ética e moral, que provocam desigualdade de renda, falta de hospitais, criminalidade, insegurança e todas as mazelas que nem é preciso citar. Quando o governo mostrar sua disposição para moralizar a administração pública e a política, o presidente não precisará temer a ninguém. Se explicar ao povo os meandros da política, os partidos serão pressionados a colaborar e nada impedirá a retomada do desenvolvimento socioeconômico há muito esperado.

Nesta escalada, teremos sempre em tempo real a informação através da nova mídia que elegeu o presidente, e daí saberemos das tentativas de fisiologismos, achaques e manobras nada republicanas, se assim ocorrer, o que é muito provável.

Com a verdade coadunada com o povo, que fará sua principal armadura, o governo Bolsonaro tem tudo para ser bem sucedido, inclusive porque conta com apoio das Forças Armadas, cujas equipes especializadas podem colaborar com o governo de uma forma mais direta. E assim o Brasil será um grande país acordado e nunca mais um país inconsciente e corrompido.  

PSL dará ‘curso’ a novatos eleitos para fortalecer Bolsonaro no Congresso

Terminada a eleição, Bivar retomou o comando da legenda

Marianna Holanda,
Pedro Venceslau e
Cecília do Lago
Estadão

Nanico até março deste ano, o PSL terá a missão de dar sustentação no Congresso ao presidente eleito, Jair Bolsonaro. O partido saltou de um parlamentar eleito em 2014 para a segunda maior bancada da Câmara na próxima legislatura, com 52 deputados. Destes, segundo um levantamento do Estadão Dados, 47 nunca haviam sido eleitos para prefeito, governador, assembleias legislativas ou o próprio Congresso.

Com uma bancada cuja diversidade varia de youtuber a coronel, o desafio será dar unidade ao grupo parlamentar. Para isso, o partido pretende capacitar seus parlamentares com uma bateria de “aulas” sobre temas como regimento da Câmara, economia e saúde. Segundo o presidente da sigla, Luciano Bivar, as palestras devem acontecer em janeiro, após a posse de Bolsonaro. Filho do presidente, o deputado federal Eduardo Bolsonaro (SP), no final de seu primeiro mandato, é um dos mais experientes na bancada. No entanto, existe apenas um projeto de lei aprovado com a sua assinatura – que liberou para a venda a chamada “pílula contra o câncer”.

Recentemente, ele se envolveu em polêmica, ao dizer que o novo presidente da Câmara deveria “tratorar” os projetos da oposição.  A legenda recebeu neste ano R$ 6,2 milhões de Fundo Partidário, que saltará para a maior fatia, com R$ 110 milhões em 2019, segundo estimativa do Estado. Há ainda uma chance de a bancada aumentar, com a incorporação de partidos ou deputados de siglas que não ultrapassaram a cláusula de barreira.

REUNIÃO – O desafio a partir de agora será estruturar o partido para a nova estatura e tornar a bancada a mais coesa possível, como disse Bivar ao Estado. A primeira reunião dos parlamentares eleitos desde o fim do segundo turno foi antecipada em uma semana – será na próxima quarta-feira, dia 21. No encontro, a sigla deve discutir encaminhamento de bancada, escolha de líder e prioridades do governo no Congresso, especialmente as reformas econômicas.

“A ideia é dar boas vindas e ter uma palestra sobre o liberalismo do Partido Social Liberal. Os deputados são eleitos e são colegas, mas não se conheciam antes. Tem deputado que nem eu conheço”, disse Bivar. As aulas serão organizadas, segundo ele, pela Fundação do partido, o Instituto de Inovação e Governança (Indigo). Atualmente, a fundação continua sob o comando do filho de Bivar, Sérgio, que deixou o partido em fevereiro com outros membros do Livres, depois que o clã Bolsonaro migrou para a legenda.

RETRIBUIÇÃO – No próximo ano, quem deve comandar o braço teórico da legenda é Marcos Cintra, o economista responsável pela área tributária na equipe de Paulo Guedes, futuro ministro da Economia. O professor da FGV também deve ministrar as aulas para a bancada do PSL, ao lado de Eduardo Bolsonaro. Há ainda a possibilidade de o partido pleitear a presidência da Câmara. O apoio do DEM ao governo Bolsonaro está vinculado à retribuição dos bolsonaristas em dar suporte à manutenção de Rodrigo Maia (DEM-RJ) no comando da Casa. Parlamentares do PSL, no entanto, ainda relutam em apoiá-lo.

O PSL existe desde 1994, mas se projetou com a entrada de Bolsonaro neste ano. Para abrigar a família, o partido realizou algumas mudanças no estatuto e Bivar abriu mão da presidência para dar lugar a um dos assessores de Bolsonaro durante a campanha, o advogado Gustavo Bebianno. Terminada a eleição, o pernambucano de 73 anos, fundador do PSL, retomou o comando da legenda. Até a última sexta-feira, dia 16, apenas dois dos 27 diretórios estaduais não eram provisórios. Foi feita uma votação que homologou os presidentes interinos e reconduziu Bivar, oficialmente, para a presidência da sigla.

ALTERAÇÕES – “O Bivar é o mais experiente ali. Sabe o que faz. Se ele achar que deve compor a executiva nacional com eleitos, ok. Se o critério for número de votos ou experiência, ok. Eu assino embaixo”, disse a deputada federal eleita por São Paulo, Joice Hasselmann. Segundo apurou o Estado, o estatuto da sigla deve sofrer algumas alterações. O presidente do PSL admite mudanças para adaptar o partido a algumas questões técnicas estabelecidas pelo TSE, mas um interlocutor afirmou que outros pontos também podem ser modificados.

Questionado se avalia que deveriam haver mudanças no partido, o deputado eleito Carlos Jordy (RJ) lembra que quando entrou para o PSL, no início do ano, o nome foi um dos pontos mais polêmicos. “Quando pegamos o partido, se questionou muito a sigla ‘partido social liberal’ porque nosso grupo é muito mais conservador nos costumes e liberal na via econômica. E social liberal tende muito mais para liberalismo libertário.”

O vereador de Niterói, egresso do PSC, disse que está mais focado em estudar para sua estreia na Câmara do que se envolver em questões partidárias. Para ele, seria “bacana mudar o nome mais para frente, mas isso está a cargo da nacional”.

“Mais Médicos” é uma crise política que pode ser resolvida com facilidade

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Charge do Cazo (Arquivo Google)

Merval Pereira
O Globo

A crise que pode afetar milhões de brasileiros com a saída imediata dos médicos cubanos deve ser atribuída, em primeiro lugar, ao governo de Cuba, que decidiu usar os carentes brasileiros para retaliar um governo de direita que venceu a eleição presidencial com críticas ao programa e a Cuba. Ficou claro que o governo Bolsonaro iria exigir que os médicos cubanos fizessem o teste para revalidação do diploma, com o que Cuba não concorda. A exigência nem é uma decisão ideológica, mas as críticas ao que seria “trabalho escravo” dos médicos, sim, e com razão.

A forma de pagamento do trabalho, com o governo cubano ficando com a maior parte do salário, e a proibição de que as famílias dos médicos viajem junto, representam uma atitude de governo que não se coaduna com os hábitos e costumes de uma democracia, com uma ameaça implícita aos que deixaram suas famílias por lá.

SOLUÇÃO FÁCIL – A saída poderia ter sido anunciada com antecedência, para não deixar desamparados os milhões de brasileiros atendidos pelos médicos nos rincões do país. A solução, porém, é mais fácil do que parece.

No lugar dos cerca de 8 mil médicos cubanos que deixarão o país, basta convocar imediatamente os cerca de 8 mil médicos que se candidataram na mais recente seleção para o programa, para apenas 983 vagas oferecidas aos brasileiros.

O programa, na verdade, pode ser feito integralmente por médicos brasileiros, pois o fato é que o país não tem falta de médicos, mas o problema é a má distribuição deles pelo território nacional. Mais da metade está no eixo MG, RJ, SP, PR, SC E RS.

MAIS DO DOBRO – Segundo o médico Marco Lages, do hospital Miguel Couto no Rio, temos mais que o dobro da recomendação da Organização Mundial de Saúde, em vez de um mínimo de 1 médico para cada mil habitantes, temos 2,18.

O problema começa por um dos princípios do SUS, transferir a responsabilidade da gestão da saúde para cada município ou estado. Um médico que aceita proposta de uma prefeitura para trabalhar em outra cidade, larga tudo para se transferir para essa região, não tem garantias e pode se dar mal quando muda o prefeito ou acaba a verba. Lages diz que essa situação é comum.

Com a chegada do Mais Médicos, diversos desses brasileiros foram demitidos para a contratação de cubanos. A fonte do pagamento passou a ser o Governo Federal, os estados e municípios ficam sem esse gasto. Além disso, o Governo Federal tinha o interesse político de usar o programa cubano, que é uma das maiores fontes de recursos de Cuba, a exportação de mão de obra médica.

PLANO DE CARREIRA – O médico Marco Lages diz que a alocação de médicos brasileiros poderia ser organizada com um Plano de Carreira de Estado que Bolsonaro prometeu na campanha presidencial. A formação desse médico cubano que se transformou em um produto de exportação tão ou mais importante que a cana-de- açúcar e o tabaco, é criticada pelo Conselho Federal de Medicina, que os vê como técnicos preparados para emergências, mas não com a formação completa, e por isso o Revalida deveria ser um filtro.

O médico Francisco Cardoso, perito previdenciário em São Paulo, escreveu um artigo no portal do Conselho Federal de Medicina no início do programa Mais Médicos contando a origem desses médicos cubanos, profissionais formados em “saúde básica”, que trabalham em áreas remotas, rurais e periferias, com base em experiências bastante antigas feitas na Alemanha e na antiga União Soviética. São, segundo ele, práticos de saúde, ou paramédicos como são chamados hoje em dia, e exerciam cuidados básicos junto às populações dessas regiões.

OUTROS EXEMPLOS – Lages relembra que não somos o único país continental com problemas de acesso à saúde no interior. Canadá e Austrália passam por isso também. E como eles resolveram? Com médicos estrangeiros, mas com uma diferença: todos são avaliados em 2 ou 3 fases antes de assumir o emprego no Yukon ou no Outback, ambientes tão inóspitos quanto a caatinga ou a selva amazônica. 

Seria até possível usar paramédicos ou técnicos médicos para uma ação de emergência em áreas carentes nos rincões brasileiros. Seria possível também fazer trabalhos sociais em regiões inóspitas, dentro do espírito de pagar o financiamento do FIES estimulado pelo governo, como está em estudos. Já sabemos que no momento existem pelo menos 8 mil médicos brasileiros querendo trabalho.

No jardim da fantasia, a saudade de um amor que já não se encontra

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Paulinho, em show com Rogério Flausino, do Jota Quest

Paulo Peres
Site Poemas & Canções

O cantor, compositor e poeta mineiro Paulo Hugo Morais Sobrinho nasceu na cidade de Pedra Azul, a qual adotou como nome artístico. É tido como um dos cantores mais conhecidos de Minas Gerais. Sua música registra influências que vão desde os Beatles e o samba até o mineiro Clube da Esquina. A música “Jardim da Fantasia” foi composta em Pedra Azul, numa época em que ele estava voltando pra lá, depois de morar um ano em Vitória, no Espírito Santo, antes mesmo de sair de lá pra morar em São Paulo. “ Ela foi feita pra uma namorada, digamos, a minha primeira namorada séria. Sei que às vezes o pessoal comenta que a música é pra alguém que morreu”.

Paulinho Pedra Azul salienta que, acabou fazendo essa canção, inspirado realmente na relação com essa namorada, na separação. “Onde estás? Voei por esse céu azul…”. A música fala de alguém que sonha e, quando acorda, não acha a outra pessoa. E muita gente interpreta que esse “Onde estás?” é porque a outra pessoa morreu. “Eu tento explicar que não, mas não tem jeito. A força do povo é maior, isso virou folclore mesmo (risos)… Então, deixa o povo. Já que ele se apoderou dessa música, deixa cada um interpretar da sua forma”, acrescenta Paulinho. A música intitulou o LP “Jardim da Fantasia” gravado por Paulinho Pedra Azul,  em 1982, pela BMG/Ariola.

JARDIM DA FANTASIA
Paulinho Pedra Azul

Bem te vi, bem te vi
Andar por um jardim em flor
Chamando os bichos de amor
Tua boca pingava mel
Bem te quis, bem te quis
E ainda quero muito mais
Maior que a imensidão da paz
Bem maior que o sol
Onde estás?
Voei por este céu azul
Andei estradas do além
Onde estará meu bem?
Onde estás?
Nas nuvens ou na insensatez
Me beije só mais uma vez
Depois volte prá lá.

Governo americanófilo de Bolsonaro já conseguiu ressuscitar Roberto Campos…

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Campos era liberal, mas também sabia ser nacionalista

Carlos Newton

É dura a vida de analista político brasileiro, por ter de destrinchar situações verdadeiramente inexplicáveis, que levariam à loucura qualquer observador estrangeiro. E agora, como a chegada da Era Bolsonaro, a política fica ainda mais complicada e surrealista, é uma surpresa atrás da outra. Por exemplo, julgava-se que haveria uma forte influência dos militares no futuro governo, para garantir a defesa dos interesses nacionais, mas parece que foi um rio que passou em minha vida. E de repente surge a informação de que “Roberto Campos será presidente do Banco Central”. Como na série “Walking Dead”, o presidente eleito americanófilo teria conseguido ressuscitar o velho economista, que aliás foi pioneiro em sofrer atentado a facada…

Mas depois veio a explicação. Trata-se de um neto do economista Roberto Campos, que tem especialização pela Universidade da Califórnia em Los Angeles (Ucla) e uma carreira de quase 18 anos no Santander, só interrompida por uma curta passagem pela gestora de recursos Claritas. Nada a ver com “Walkind Dead”.

LEMBRANÇAS – Essa esculhambação político-institucional que caracteriza o Brasil desperta muitas lembranças no Editor da Tribuna da Internet, inclusive lembra um trabalho importante que foi feito para o verdadeiro Roberto Campos, em 1984, ainda no governo militar.

Na época, Campos tinha assumido o mandato de senador pelo PDS (ex-Arena) de Mato Grosso e eu fazia a cobertura do Congresso pela revista “Manchete”. Viajávamos sempre no mesmo voo da Varig nas terças-feiras, 9h15m, e fiz amizade com seu principal assessor, o excelente jornalista Nelson Teixeira, que morava na Av. Vieira Souto, num apartamento cedido por Roberto Marinho, vejam como o mundo é pequeno.

Discutia-se então o projeto da reserva de mercado para a informática, que era defendido pelos parlamentares do chamado MDB autêntico, liderado por Ulysses Guimarães, e meu nome foi sugerido para redigir o discurso a ser lido em plenário pelo relator do projeto, deputado Gustavo de Faria (MDB-RJ).

NA CASA DE CAMPOS – Quando acabei o discurso, fui convocado para apresentá-lo numa reunião no apartamento do senador Roberto Campos. Estranhei, mas fui até lá. Quando cheguei, havia em torno de 15 parlamentares, que se sentaram espalhados pela sala. Entreguei o texto ao senador que estava tomando um chá e se encarregou de ler em voz alta. E foi uma cena incrível ouvir Roberto Campos defendendo uma tese altamente nacionalista, que fustigava implacavelmente as multinacionais da informática.

O movimento pela defesa de mercado saiu vencedor, a lei foi aprovada e o que mais me chamou atenção foi o fato de o próprio Roberto Campos ter apresentado ao Supremo a representação 1.349, para arguir a inconstitucionalidade da lei.

Depois, entendi que essa manobra fez Campos ficar bem com os dois lados, porque o governo Ronald Reagan, que na época impôs pesadas retaliações ao Brasil, julgou que o parlamentar continuava sendo um americanófilo de confiança.

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P.S. 1
Tive de tirar o chapéu para Roberto Campos e mudei de ideia sobre ele. Passei a achar que era um agente duplo, mas que, na hora da verdade, defenderia os interesses nacionais.

P.S. 2 – O mais impressionante foi sua jogada de mestre, ao encaminhar um recurso ao Supremo que sabia ser inaplicável e incabível no caso. Campos apresentou uma Reclamação (para ser recusada), quando deveria ter impetrado uma Ação Direta de Inconstitucionalidade (para ser aceita). Genial, verdadeiramente genial. (C.N.)

Confiança dos brasileiros cai 20% e evidencia a importância de ser honesto

Resultado de imagem para honestidade desenhoPedro do Coutto

Reportagem de Silvia Colombo, edição de ontem da Folha de São Paulo, destaca a importância de pesquisa realizada pelo Barômetro Latino, que registrou nos últimos anos uma queda de 20% da confiança nos governos e satisfação da sociedade com suas condições de vida. O período em confronto é de 2010 aos dias de hoje.

A professora chilena Marta Lagos, diretora do Barômetro Latino, considera a queda bastante elevada e acentua que esse foi um dos motivos principais que explicam a eleição de Jair Bolsonaro por longa margem de votos. O impulso de mudar o panorama principalmente contra a corrupção acionou a grande maioria do eleitorado nas urnas.

OSCAR WILDE – O título desta matéria, a necessidade de ser honesto, inspirou-se no título de peça teatral de Oscar Wilde, escrita na segunda metade do século XIX cujo título era A importância de ser Hernesto, colocando um toque de humor na homofonia de Hernesto e honesto (lingua inglesa). Mas a meu ver retrata bem a realidade brasileira que revela não confiar nos governos. Motivos não faltam e por isso a sensação de esperança com a chegada de Jair Bolsonaro ao Planalto.

Para a pesquisadora Marta Lagos, Bolsonaro é, ao mesmo tempo, causa e consequência de um processo que colocou parte da sociedade brasileira numa posição de medo e a necessidade de encontrar uma proteção.

VIOLÊNCIA – Essa sensação decorre também, acentuo eu, de uma exposição bastante alta à violência urbana que tomou conta das comunidades e da população em geral.

De fato a corrupção contaminou praticamente todos os setores de atividade do Brasil. Paradoxalmente de uns tempos para cá a honestidade passou a se tornar um defeito e a malandragem no sentido de esperteza, uma qualidade.

Eis aí uma síntese do que se passa nos órgãos dirigentes da administração brasileira. Coloco aqui uma piada sombria, mas capaz de retratar uma verdade. “Alguém indica um homem ou uma mulher para um cargo de direção. Os assessores de sempre, entre eles os aspones, falam em tom baixo para o dirigente: “O senhor vai escalar um homem ou uma mulher para um cargo de confiança? Pense melhor: eles são honestos? Vão atrapalhar todo o nosso jogo”.

TENTÁCULOS – O que fazer diante de tal circunstância que como um polvo estendeu seus tentáculos unindo empresários, políticos e administradores?

É profundamente necessária uma mudança nessa rede de conceitos. A competência importa pouco. Importa muito são os contratos que geram comissões e vantagens financeiras aos contratantes.

Lewandowski nega pedido do PSOL que questionava reajuste do Judiciário

Alegação do PSOL é que houve vício na tramitação do projeto

Karla Gamba
O Globo

O ministro Ricardo Lewandowski , do Supremo Tribunal Federal ( STF ), negou, nesta sexta-feira, DIA 16, um pedido do PSOL que questionava o aumento de 16,38% no salário dos ministros do próprio STF. A alegação principal do partido é que houve vício na tramitação do projeto no Congresso.

O aumento foi aprovado no Senado no último dia 7 e no dia seguinte o líder do PSOL na Câmara, deputado Chico Alencar, protocolou um mandado de segurança na Corte.  No pedido o PSOL argumentava que, como houve uma alteração do texto no Senado, ele deveria voltar para a Câmara, onde já havia sido aprovado em 2016, o que não aconteceu pois o texto seguiu direto para a sanção do presidente Michel Temer.

A expectativa é de que Temer sancione o reajuste até o dia 28, último dia de prazo. Lewandowski aplicou entendimento já pacificado na Corte de que os supostos vícios apontados pelo PSOL tratam de interpretação de normas do regimento interno do Congresso, sendo assim, questões internas do Poder Legislativo, onde o Judiciário não pode avançar.

TETO – O reajuste aprovado pelo Senado é de 16,38% nos rendimentos dos ministros do STF. Os contracheques passarão de R$ 33,7 mil para R$ 39,2 mil. Esse percentual incide nos salários de toda a magistratura do país. A medida implica, ainda, no aumento do teto dos servidores públicos. O impacto do reajuste é bilionário e incidirá no orçamento do presidente eleito Jair Bolsonaro. Segundo cálculos de técnicos da Câmara, o rombo para os cofres públicos será de R$ 4 bilhões.

Brasil tem enorme potencial turístico, mas não sabe como atrair os visitantes

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Charge do Nani (nanihumor.com)

Vanderson Tavares

Vejo com bons olhos que o futuro Presidente tem excelentes ideias para alavancar o turismo nacional. É notório que nosso país é repleto belezas naturais, porém sem estímulo ao turismo, o setor está muito aquém ao seu potencial. Particularmente falarei de minha área. Moro em Araruama-RJ, e a chamada Região dos Lagos é um polo turístico muito extenso, impulsionado por cidades como Búzios, Cabo Frio, Arraial do Cabo, Maricá e Saquarema. No entanto, poderíamos ter uma qualidade turística muito maior do que temos, se pudéssemos oferecer melhor infraestrutura a essas cidades.

Para começo de conversa, o ministério do turismo deveria fazer parceria com o MEC ou alguma instituição, no intuito de oferecer curso de idiomas (inglês, entre outros), aos garçons e profissionais da rede hoteleira, pois a grande parte de turistas estrangeiros não consegue ter um bom atendimento decorrente da falta de comunicação.

DIFICULDADE – Na maioria das cidades turísticas dificilmente se encontra algum restaurante ou pousada que tenham profissionais que falem inglês. Isso de fato desestimula muito a malha turística brasileira.  

Trabalhei por 18 Anos com noruegueses, e essa questão de idiomas era a maior dificuldade (em hipótese alguma deveríamos perder turistas como esses, que possuem grande poder aquisitivo). Essa nossa deficiência faz com que eles busquem países onde não terão problemas para se comunicarem.

SEGURANÇA – Outro ponto abordado é a questão da segurança. Por que não criar zonas turísticas nas cidades, conforme existe em Amsterdã? Lá, na chamada “red light zone”, existe uma grande quantidade de atuando em forte esquema de policiamento, tipo 24 horas, oferecendo segurança aos turistas. Isso é difícil fazer? Não! Basta que possamos delimitar esses polos turísticos e oferecer ronda policial constante, pois inibiria haver assaltos, furtos e violências brutais.

E OS CASSINOS? – Uma outra fonte de turismo que poderíamos oferecer seria a abertura de cassinos. Temos o exemplo de Las Vegas, Atlantic City, Punta del Este e tantas outras que têm uma enorme presença turística de pessoas com alto poder aquisitivo.

Poderíamos fazer isso em cidades litorâneas do Nordeste, pois teria o atrativo das belas praias e com seus grandes cassinos, impulsionando o mercado imobiliário e a economia local.

Araruama (onde moro), tem uma lagoa enorme, onde poderia ser incentivado a prática de esporte aquáticos como “StandUp Paddle” dentre outros, oferecendo campeonatos nacionais e internacionais, impulsionando o turismo local.

SEM LUZ – Com relação a infraestrutura, gostaria também que fosse analisado por que a Rodovia Amaral Peixoto (RJ-016) e a Rodovia dos Lagos (RJ 124) têm centenas de postes que custaram uma fortuna e estão instalados há mais de 5 anos, sem que uma única lâmpada tenha sido acesa, tornando muito perigoso o acesso à Região dos Lagos à noite, sem contar que as estradas estão em péssimo estado de conservação, e a pista privatizada (Via Lagos) cobra, covardemente, o pedágio mais caro do Brasil.

O Ministério do Turismo terá que se inventar para contornar todos esses temas e nos colocar na roda do turismo mundial.

Senadores eleitos gastaram até R$ 26 por cada voto que conquistaram

Charge do Arionauro (www.arionaurocartuns.com.br)

Gabriela Caesar
G1

O custo do voto dos 54 senadores eleitos para compor a Casa, junto aos demais eleitos em 2014, variou de R$ 0,03 a R$ 26,21. Mecias de Jesus (PRB-RR) teve o custo do voto mais alto entre os eleitos para o Senado. Ele declarou ao TSE despesas de R$ 2,2 milhões e conquistou 85.366 votos. Cada voto do senador eleito saiu, portanto, por R$ 26,21. O menor custo do voto foi de Major Olímpio (PSL-SP), que informou gastos de R$ 278,9 mil e recebeu 9.039.717 votos. Cada voto ficou por R$ 0,03. No levantamento do G1 com os dados dos 513 deputados federais eleitos, a média do custo do voto foi de R$ 10,10.

Os dados são do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), que deve notificar, no prazo de cinco dias, os candidatos que não apresentaram as contas até 6 de novembro. Após a notificação, os candidatos têm um prazo de 72 horas para regularizar a situação. Depois de Mecias de Jesus, os votos saíram mais caro nas candidaturas de Márcio Bittar (MDB-AC) e Confúcio de Moura (MDB-RO). Bittar gastou R$ 10,97 a cada voto que recebeu, e Confúcio desembolsou R$ 10,18.

LIMITE – A partir deste ano, há um limite de gastos na disputa ao Senado de acordo com o número de eleitores no estado. O valor do teto varia de R$ 2,5 milhões a R$ 5,6 milhões. Nas eleições de 2010, quando 2/3 do Senado também foram renovados, o custo de voto mais alto foi registrado por Ivo Cassol (PP-RO). Na época, Cassol informou gastos de R$ 7,9 milhões e conquistou 454.087 votos – ou seja, cada voto custou R$ 17,39.

Dos 54 senadores eleitos, a campanha mais cara foi registrada por Mara Gabrilli (PSDB-SP). A tucana informou gastos que totalizam R$ 5,3 milhões. O valor é bem superior ao registrado pela segunda campanha mais cara, a do senador eleito Rodrigo Pacheco (DEM-MG). Pacheco informou ao TSE gastos de R$ 3,7 milhões. Os senadores que também gastaram mais de R$ 3 milhões na disputa ao Senado foram Eduardo Girão (PROS-CE), Professor Oriovisto Guimarães (PODE-PR), Weverton Rocha (PDT-MA) e Vanderlan Cardoso (PP-GO).

Quatro senadores eleitos informaram despesas abaixo de R$ 100 mil. São eles: Capitão Styvenson (Rede-RN), Soraya Thronicke (PSL-MS), Delegado Alessandro Vieira (Rede-SE) e Marcos do Val (PPS-ES). A campanha com o menor volume de recursos foi a de Capitão Styvenson, com R$ 35,6 mil.

CAMPANHA MILIONÁRIA – Nas eleições de 2010, 29 dos 54 senadores eleitos (53,7% do total) gastaram mais de R$ 3 milhões na campanha. A campanha mais cara entre os eleitos foi de Lindbergh Farias (PT-RJ), que informou despesas de R$ 14 milhões.

Outros três senadores também tiveram gastos acima de R$ 10 milhões em 2010; Aécio Neves (PSDB-MG), Marta Suplicy, então filiada ao PT de SP, e Itamar Franco, que concorria pelo PPS de MG. Jorge Viana (PT-AC) foi quem declarou o valor mais baixo em despesas (R$ 54 mil). Os dois senadores eleitos por São Paulo são os líderes no número de votos entre os eleitos para o Senado. Major Olímpio (PSL) conquistou 9.039.717 votos, enquanto Mara Gabrilli (PSDB) ficou com 6.513.282 votos.

São Paulo é também o maior colégio eleitoral do país, com 33 milhões de eleitores, e concentra 22,4% do eleitorado apto a votar. O terceiro senador eleito mais bem votado foi Flávio Bolsonaro (PSL-RJ), com 4,4 milhões de votos. Em seguida, vêm os dois senadores eleitos pela Bahia: Jaques Wagner (PT), com 4,3 milhões de votos, e Angelo Coronel (PSD), com 3,9 milhões de votos.

MENOS VOTOS – Os senadores com menos votos foram eleitos por Roraima, estado com 333,5 mil eleitores aptos a votar (0,2% do total). São eles: Mecias de Jesus (PRB), com 85.366 votos, e Chico Rodrigues (DEM), com 111.466 votos. Nas eleições de 2010, o senador mais votado foi Aloysio Nunes (PSDB-SP), com 11,2 milhões de votos. Marta Suplicy e Aécio Neves também ficaram entre os mais bem votados, com 8,3 milhões e 7,6 milhões de votos, respectivamente.

Novamente, os senadores que conquistaram menos votos estavam em Roraima: Angela Portela, então filiada ao PT, com 110 mil votos, e Romero Jucá, que concorreu pelo PMDB (atual MDB), com 118 mil votos.

Eliseu Padilha pede que seja extinta a investigação sobre propina no Trensurb

Defesa alega ‘ausência de provas e prescrição etária’

Agência Estado

A defesa do ministro-chefe da Casa Civil, Eliseu Padilha, solicitou à ministra Rosa Weber, do Supremo Tribunal Federal, o fim da tramitação do inquérito que o investiga por suposto recebimento de propina na execução das obras da Linha 1 da Empresa de Trens Urbanos de Porto Alegre S.A. Trensurb (São Leopoldo Novo Hamburgo), no Rio Grande do Sul. No documento enviado à ministra Rosa Weber, relatora do inquérito, a defesa afirma que não há provas do que foi narrado pelos ex-executivos da Odebrech em seus depoimentos.

“Por isso mesmo a investigação, que dura quase dois anos, nada produz de material que confirme a hipótese acusatória”, escreveu o advogado criminalista Daniel Gerber na peça. À Operação Lava Jato, delatores da empreiteira apontaram que, em 2008, políticos e agentes públicos pediram vantagem indevida para a empresa após ter vencido uma licitação para a construção da linha que ligaria as cidades de Novo Hamburgo e São Leopoldo.

PROPINA – Segundo ex-executivos, Padilha teria recebido propina da Odebrecht “entre o fim de 2008 e o início de 2009”. Valter Lana, que trabalhava na empreiteira, contou às autoridades que, durante um encontro, Padilha teria afirmado que tinha ajudado a Odebrecht a vencer a licitação em 2001. À época, o agora ministro-chefe da Casa Civil chefiava a pasta de Transporte do governo Fernando Henrique Cardoso. Em razão disso, teria demandado algo em torno de 1% do valor do contrato.

A defesa pediu ainda a “declaração imediata de extinção de punibilidade do investigado”. O advogado lembrou à ministra Rosa Weber que Padilha é maior de 70 anos, “motivo pelo qual já teve dois inquéritos com pedido de arquivamento solicitado pela própria PGR, em virtude da prescrição etária”. Na semana passada, a procuradora-geral da República, Raquel Dodge, pediu o arquivamento de um inquérito que investiga Padilha por suposta prática dos crimes de prevaricação ou advocacia administrativa, porque entendeu que houve prescrição da pretensão punitiva estatal devido à idade do ministro.

PRESCRIÇÃO – “O caso em concreto demanda solução idêntica, na medida em que se passaram dez anos entre a data do suposto fato e o momento atual, lapso este que, coroado pela regra do artigo 1152, do Código Penal e combinado com os prazos do artigo 1093, do mesmo diploma, acarreta a extinção do poder de punir do Estado”, escreveu o advogado na petição.

“Nem há que se dizer que suposta solicitação possa ter ocorrido em ‘início de 2009’ como obstáculo ao presente requerimento, pois a investigação está ‘estacionada’ há meses sem nenhuma espécie de movimentação probatória e, sem dúvida, inviável de ser concluída no ‘início de 2019’, “, acrescenta. No início de agosto, a procuradora-geral da República, Raquel Dodge, pediu a Rosa Weber a prorrogação do prazo para a conclusão do inquérito por 60 dias por entender que restavam pendentes diligências necessárias à conclusão das investigações.

“Ora, se Vossa Excelência deferir o requerimento da PGR, o limite de ‘início de 2019’ estará automaticamente vencido e a prescrição resta concretizada; caso Vossa Excelência não o defira, o Inquérito será arquivado por falta de provas”, concluiu o advogado.

Esse escandaloso cavalo de Troia chamado Enem

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Charge do Alpino (Yahoo Brasil)

Percival Puggina

O Enem, desde que caiu em mãos petistas em 2003, virou um cavalo de Troia do tipo que chega relinchando, fazendo sujeira no calçamento, recheado de invasores, braços para fora, acenando bandeiras vermelhas. Pensado, originalmente, com o intuito de avaliar a aprendizagem dos alunos de ensino médio, uma vez confiado ao PT a partir de 2003, virou componente de relevo na máquina totalitária que o partido montou no MEC.

É tão útil como instrumento de propaganda, tão alinhado com as estratégias do partido que se pode intuir nele o dedo mágico dos publicitários da legenda e sua inspiração na Agitprop (agitatsiya propaganda) soviética.

PAUTAS POLÍTICAS – Imagine o contexto: de um lado, uma prova que habilita os bem colocados, num sistema de cotas e notas, a ingressar na universidade sem custo no tempo presente; de outro, um inteiro temário de questões onde as pautas políticas do partido aparecem como textos de motivação, objeto de interpretação, ou respostas a serem assinaladas como corretas. Se estudantes cubanos, venezuelanos, ou nicaraguenses fossem submetidos a algum certame nacional, ele certamente seria assim.

O cavalo de Troia tem o poder de agir nacionalmente e de influenciar a quase totalidade dos estabelecimentos de ensino médio do país, mobilizando algo entre 5 e 7 milhões de estudantes por edição. O atrativo que oferece e a pressão de demanda que determina, leva as escolas a condicionarem seus conteúdos às pautas do ENEM.

TOM IDEOLÓGICO – Desse modo, a burocracia do MEC dá o tom ideológico que devem entoar as salas de aula de todo o país. E depois – imenso paradoxo! – esses cavalheiros que impõem regras a todos, agitam suas bandeirinhas vermelhas em defesa da liberdade de cátedra e da autonomia do professor… Dá-me forças, Senhor!

O Enem dá continuidade a um conjunto de procedimentos que há muito tempo se espalha como inço renitente. É uma praga, do tipo que se infiltra até em rachadura de piso, e envolve provas em concursos públicos, atividades escolares e acadêmicas, critérios para concessão de verbas à atividades culturais, critérios para seleção de estudantes para cursos de pós graduação. E por aí vai.

CARRAPATO IDEOLÓGICO – Quem se surpreendeu com a inclusão de vocabulário pajubá na prova deste ano possivelmente não conhece a música nem metade da letra tocada pela militância de esquerda agarrada no MEC como carrapato ideológico. Imagine o efeito desse e de tantos outros enxertos da prova sobre milhões de alunos que a elas compareceram levando-as a sério. Nenhuma dessas questões estava ali por acaso, nem por falta de assunto útil, mas para dar mais algumas marteladas no processo de desconstrução da nossa cultura e de seus valores.

Espera-se que o governo Bolsonaro esvazie o cavalo de troia, acabe com o Enem, e ponha o sistema a trabalhar em coisa séria, sob gestão qualificada, que tenha em vista a promoção humana de nossa juventude numa cultura de valores para uma vida digna.

Supremo gastará até R$ 3,2 milhões com carros blindados para ministros

STF gasta R$ 24 milhões por ano com empresas de segurança privada

Lorenna Rodrigues
Breno Pires
Estadão

O Supremo Tribunal Federal (STF) se prepara para licitar a compra de carros blindados para o transporte dos ministros da Corte. Depois de o tema da violência ganhar destaque na campanha eleitoral, o órgão, sob orientação da área de segurança, decidiu adquirir 14 veículos blindados para uso dos 11 ministros. O contrato deverá ter teto de R$ 3,206 milhões – vence a proposta de menor valor na concorrência, que será feita por pregão eletrônico.

O edital, que deve ser lançado na próxima semana, prevê a compra de carros sedã de grande porte, sem especificar marca – os R$ 3,2 milhões são uma estimativa baseada em preços do mercado. Os ministros não costumam utilizar carros blindados para se locomover no Distrito Federal, mas apenas no Rio de Janeiro e São Paulo, onde têm à disposição veículos alugados à prova de balas. Brasília tem índices de violência menores na comparação com as duas cidades.

SEGURANÇA – Segundo uma fonte ouvida sob reserva, o STF já dispõe de alguns blindados, mas em baixa quantidade, e não necessariamente para ministros. Ao assumir a presidência do STF, o ministro Dias Toffoli nomeou como assessor de seu gabinete o agora indicado pelo presidente eleito, Jair Bolsonaro, para o ministério da Defesa, general Fernando Azevedo e Silva. Na época da nomeação, uma das responsabilidades atribuídas ao militar era a área de segurança.

Ao longo do ano, foram registradas ameaças a alguns dos magistrados. Em abril, o Supremo ampliou de cinco para sete o efetivo à disposição no Paraná para a segurança do ministro relator da Lava Jato, Edson Fachin, após ele relatar ameaças a familiares. Em outubro, a ministra da Corte e presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), Rosa Weber, também foi alvo de ameaças, que motivaram a abertura de investigação.

Segundo dados de maio, o Supremo gasta R$ 24 milhões por ano com empresas de segurança privada – R$ 12 milhões com guarda-costas armados dos 11 ministros e o restante com um contrato de vigilantes da sede em Brasília.

Béja e Belem impetram habeas corpus no Supremo para os médicos cubanos

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Médico cubanos podem ter direito a receber asilo político

Carlos Newton

Os advogados cariocas Jorge de Oliveira Béja e João Amaury Belem impetraram neste sábado, dia 17, habeas corpus preventivo em favor do 8.332 médicos cubanos que se encontram regularmente no Brasil prestando serviços profissionais instituídos pelo programa “Mais Médicos” (Lei nº 12.871, de 22.10.2013) e em favor também de outros tantos cubanos que, eventualmente, se encontrem na mesma situação dos médicos aqui indicados.

Explicam os advogados que o habeas corpus foi impetrado contra o presidente da República, não porque a ameaça da violação de Direitos Fundamentais dele parta, e sim por encarnar e representar a autoridade máxima do Estado Brasileiro, a quem compete “manter relações com Estados estrangeiros e acreditar seus representantes diplomáticos” (Constituição Federal, artigo 84, VII)  e decidir sobre a situação dos estrangeiros no Brasil, tal como ocorreu recentemente.

SEM ÓBICES – Na justificativa, Béja e Bem argumentam que a ausência da individualização e localização dos beneficiários não constitui óbice à impetração do habeas “Isto porque a autoridade aqui apontada como impetrada, o Excelentíssimo Senhor Presidente da República, sabe quem são todos eles, possui suas completas identificações e conhece o lugar onde os mesmos se encontram. Ele, o Excelentíssimo Senhor Presidente da República, seus ministros de Estado, seu staff e instituições que integram o governo brasileiro e prestam seus serviços institucionais à presidência, todos sabem”, assinala o pedido, acrescentando:

“E não podem negar que sabem. É de seu dever e de sua obrigação saber. E o Direito aqui defendido em favor dos pacientes é de tal ordem de grandeza que supera o que poderia ser empecilho à sua postulação, caso em que, cumpre, então, ao Chefe do Estado Brasileiro (e a seus auxiliares), trazer aos autos a relação individualizada de todos aqueles”.

RISCO DE DANO – Além disso, os advogados salientam que “o periculum in mora (risco de dano) é latente, é presente, é concreto”, como fato público, notório e do conhecimento internacional, porque começa em poucos dias o retorno a Cuba dos cidadãos que estão no Brasil dentro do programa “Mais Médicos”.

“Aviões cubanos pousarão nos aeroportos brasileiros e apanharão todos eles de volta a Cuba, deixando parecer como se fosse uma operação sequencial de resgate de pessoas sequestradas. Ou uma ação de um Estado que vai a outro Estado buscar mercadoria que estragou, que perdeu a validade, ou recusada pelo Estado adquirente. Mas não é nada disso. Estamos tratando, sim, de pessoas humanas. De vidas. De profissionais da saúde que aqui estão aos milhares atendendo a milhões de brasileiros”, diz o habeas.

ASILO TERRITORIAL – Na fundamentação do pedido, os advogados salientam que o Brasil ratificou a Convenção Sobre Asilo Territorial, cujo artigo III é taxativo e cogente: “Nenhum Estado é obrigado a entregar a outro Estado ou expulsar de seu território pessoas perseguidas por motivos políticos ou delitos políticos”. Além disso, destacam que o Estado Cubano submete seu povo a um regime ditatorial, com absoluta negação de Direitos Humanos reconhecidos pela Assembleia Geral das Nações Unidas desde 1948.

Com base nesta argumentação, solicitam o Habeas-Corpus Preventivo não para impedir que os cubanos retornem a Cuba, mas sim para lhes garantir, evidentemente antes do embarque, o direito de solicitar ao governo brasileiro, se assim desejarem, seja a transformação do visto temporário em definitivo, seja o asilo. “É esta a ordem que se pede e se persegue”, concluem Béja e Belem.

Para o futuro chanceler, a Europa já se tornou “um espaço culturalmente vazio”

Jair Bolsonaro e Ernesto Araujo

Araújo não revela a menor vocação para a Diplomacia

Jamil Chade
Estadão

Textos acadêmicos escritos pelo futuro chanceler brasileiro, Ernesto Araújo, passaram a circular pela comunidade diplomática em Bruxelas nesta quinta-feira, 15, deixando autoridades da União Europeia preocupados com a postura que o novo governo brasileiro adotará em relação aos europeus. Num desses textos, o novo ministro diz que a Europa significa hoje “apenas um conceito burocrático e um espaço culturalmente vazio regido por ‘valores’ abstratos”.

Suas críticas foram publicadas nos Cadernos de Política Exterior, do Instituto de Pesquisa de Relações Internacionais (IPRI), no segundo semestre de 2017. No texto, o futuro ministro indicado pelo presidente eleito Jair Bolsonaro sai em defesa das políticas de Donald Trump e seu papel em “salvar” o Ocidente. No Parlamento Europeu, a notícia sobre o novo ministro também foi recebida com “cautela”.

ALIANÇA COM EUA – Nos bastidores da Comissão Europeia, o Estado apurou que a escolha do novo chanceler foi recebida como uma confirmação de que o governo brasileiro buscará uma aliança estratégica com os Estados Unidos. Diante da vitória de Bolsonaro, Bruxelas passou a tentar avançar nas negociações para a criação de um acordo comercial com o Brasil, antes do final do governo de Michel Temer.

Oficialmente, porém, a ordem é a de mostrar o compromisso com Brasília. “A UE e o Brasil tem uma parceria de longa data na esfera internacional em muitas áreas, tais como paz e segurança, comércio, ciência e tecnologia, energia, clima e direitos humanos”, indicou a Comissão em um comunicado. “Não prejulgamos as ações que o futuro ministro de Relações Exteriores tomará uma vez no trabalho e trabalharemos para fortalecer nossa parceria com o novo governo”, declarou.

Mas trechos de seu texto chamaram a atenção nos corredores em Bruxelas, principalmente diante das críticas em relação à construção da UE. Nele, o futuro chanceler aponta que “a fundação da União Europeia anulou, pasteurizou todo o passado”.

SEM HISTÓRIA? – “Os europeus de hoje podem até estudar sua história, mas não a vivem como um destino, muito menos a celebram, nem a entendem como ‘sua’, não veem nela um sentido nem um chamado”, escreveu Araújo.

“É interessante ler lado a lado os historiadores europeus que escrevem hoje sobre a Grécia e Roma, por exemplo, ou sobre qualquer outro assunto, e aqueles que escreviam no Século XIX, antes do grande cataclisma, da grande desnacionalização do Ocidente a partir da Primeira Guerra”, disse. “Aqueles de então viam‐se claramente dentro da História que contavam, participavam, falavam com a paixão e o empenho de quem sente, de quem conhece as pessoas de que fala, eram íntimos de Péricles e Godofredo de Bulhões”, apontou.

“Os de hoje escrevem uma história fria, seus personagens não têm vida, são meras figuras esquemáticas, parece que estão escrevendo história por obrigação, nenhum sentimento do destino ou do mistério os conduz, não têm imaginação, não conseguem ver‐se a si mesmos empunhando uma lança na falange macedônia ou içando as velas na Santa Maria”, destacou o futuro ministro.

NOS ESTADOS UNIDOS – “Já os historiadores norte‐americanos de hoje – pelo menos alguns deles, os que escrevem para o grande público e não para a academia – parecem‐se àqueles europeus do século XIX, pois ainda contam a história americana como uma história de carne e osso, uma história que consegue comunicar o presente com o passado”, comparou.

“A Europa pós‐moderna – junto com os Estados Unidos que, até Obama, cada vez mais se assemelhavam à Europa – viviam ultimamente numa espécie de tanque de isolamento histórico, viviam já fora da história, depois da história, num estado de espírito (ou falta de espírito) onde o passado é um território estranho”, escreveu.

ANTEPASSADOS – “Os europeus de hoje não sentem mais que façam parte da mesma história que seus antepassados, como sentiam até o começo do século XX”, disse.

“Já não se percebem como atores do mesmo drama que colocou em cena os cretenses e seu minotauro, os aqueus às portas de Troia, Eneias caindo de joelhos ao entender que o Lácio era sua terra prometida (salve fatis mihi debita tellus), Salamina e as Termópilas, Alexandre em busca da imortalidade, Aníbal com seus elefantes às portas de Roma, as legiões chegando à Lusitânia e maravilhando‐se ao contemplar pela primeira vez as ondas majestosas do Atlântico”, escreveu.

“Nada disso significa mais nada para um europeu – é como se ele houvesse deixado o palco e sentado‐se na plateia, ‘já não é comigo’”, apontou o futuro chanceler. “Só quem ainda leva a sério a história do Ocidente, só quem continua sendo ator e não mero espectador, são os norte‐americanos, ou pelo menos alguns norte‐americanos. Hoje, é muito mais fácil encontrar um ocidentalista convicto no Kansas ou em Idaho do que em Paris ou Berlim”, completou.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOGSinceramente, o futuro chanceler está na carreira errada. Não  tem a menor vocação para Diplomacia, mas revela invulgar talento para a Sociologia.  Deveria trabalhar no Instituto FHC, para cultuar mais à vontade seu americanismo, que domina o seu ego como se fosse uma espécie de furor uterino intelectual. (C.N.)