Obscuros e desconhecidos

Carlos Chagas

Nove são os candidatos à presidência da República. Outros nove vão acompanhá-los como penduricalhos, indicados para a vice-presidência, mas excluídos da votação individual desde a Constituição de  1967. Porque  na República Velha, exceção da eleição de Floriano Peixoto, isolada de Deodoro da Fonseca,  ambas pela Assembléia Constituinte de 1893,  os vices eram indicados junto com os candidatos a  presidente, inexistentes  as votações em separado.

Getúlio Vargas, desde 1930 presidente provisório, depois presidente constitucional  e por fim ditador, teve a cautela de não dispor de vice-presidentes.

Foi com a Constituição de 1946 que se estabeleceu a votação individualizada  para presidente e vice, em duas cédulas distintas, ainda que o substituto do marechal Eurico Dutra, Nereu Ramos,  tivesse sido votado  pelo Congresso.

Getúlio elegeu-se pelo voto popular em 1950, seu companheiro de chapa foi Café Filho, eleito separadamente.Depois Juscelino Kubitschek, que  em 1955 aceitou João Goulart para vice,  também com votações distintas, elegendo-se ambos.Em 1960 Jânio Quadros teve como companheiro Milton Campos, do seu grupo  político,  mas por  baixo do pano  mandou votar em João Goulart, que venceu como adversário.

Com  o  golpe  militar de 1964 o marechal Castello Branco foi eleito  pelo Congresso, junto com  José Maria Alckmin para vice. Pelo mesmo processo o marechal Costa e Silva teve como substituto, que  aliás não  pôde substituí-lo, o deputado Pedro Aleixo. Com o general Garrastazu Médici baniram-se os civis da vice-presidência,  pela indicação conjunta,  também indireta,  do almirante Augusto Rademaker.  O general Ernesto  Geisel, novo presidente, voltou a ser votado pelo Congresso tendo  o general Adalberto Pereira dos Santos de vice.

O último dos generais-presidentes,  João  Figueiredo, voltou à prática de contar com um vice civil, Aureliano Chaves.

Instalada a Nova República, Tancredo Neves, mesmo escolhido por um Colégio Eleitoral, viu mantida a regra do vice sem voto, apenas indicado: no caso, José Sarney.

Restabelecidas as eleições diretas em 1989,  nem por isso voltou-se a votar isoladamente para vice-presidente. Fernando Collor elegeu-se com Itamar Franco a tiracolo. Depois,  duas vezes Fernando Henrique Cardoso,  acompanhado de Marco Maciel, e agora, também em dois mandatos, Luiz Inácio Lula da Silva e José Alencar.

Porque entupimos a paciência do leitor com tantas situações inusitadas  e  tantos nomes ilustres?  Para  concluir, com todo o respeito, que no Brasil  o dia seguinte sempre consegue ficar um pouquinho  pior do que a véspera.

Menos por continuarmos a votar apenas nos candidatos a presidente da República, sem escolher os vices, mais por  demonstrar a História que  até  agora os  indicados  para a vice-presidência  eram  políticos ou militares de expressão, conhecidos nacionalmente, felizes ou infelizes em suas trajetórias  na vida pública.

Pois em outubro, exceção do companheiro  de chapa  de Dilma Roussseff, o presidente da Câmara, Michel Temer, de experiência política reconhecida, estão  indicados à vice-presidência ilustríssimos e obscuros  desconhecidos que a Providência Divina fará o favor de jamais permitir cheguem à chefia do governo,  por algum inusitado da vida ou descuido do eleitorado.

Vale citá-los com o desafio correspondente à memória do eleitor comum e à paciência de todos nós:

Índio da Costa, vice de José Serra; Guilherme Leal, vice de Marina Silva; Hamilton Assis, vice de Plínio de Arruda Sampaio; Claudio Durans, vice de José Maria Almeida; Edmilson da Costa, vice de Ivan Pinheiro; Edison Dorta, vice de Rui Pimenta;J osé Paulo Silva Neto, vice de José  Maria Eymaiel; e Luis Eduardo Duarte, vice de Victor Fidelix.

Não dá para resistir  à tentação de observar que tão obscuros e desconhecidos quanto os vices são  também pelo menos cinco dos candidatos a presidente da República. Como vivemos numa democracia, melhor assim do que não ter eleições…

A Taça do Mundo rumo a Madrid

Pedro do Coutto

Foi brilhante, sob todos os aspectos, a vitória da Espanha sobre a Holanda, ontem no belo estádio repleto de Johanesburgo, fazendo a Taça do Mundo runar para Madrid.

De onde, daqui a quatro anos, viaja para o Brasil, quando será disputada sua vigésima edição. A da África do Sul foi a décima nona de uma série que começou em 1930. Pela primeira vez a Espanha conquista o título mundial. Pela terceira vez a Holanda perde uma final.

Dramática, como todas as finais, emocionante, extremamente nervosa, dividida por momentos em que o destino parecia pender ora para um lado, ora para outro. No balanço do tempo de 120 minutos, entretanto, os espanhóis chegaram mais perto do gol holandês do que os holandeses da cidadela espanhola. O desfecho foi justo, marcado inclusive por ótimas atuações dos goleiros que evitaram sucessivamente o ponto decisivo dadas as características do confronto.

O treinador Vicente Del Bosque manteve a armação e o estilo que consagrou a equipe na vitória contra a Alemanha: extremas abertos quando o time estava de posse da bola, extremas recuados quando das ações defensivas. O desempenho tático foi mais uma vez firme e brilhante com poucas variações. Bloqueio móvel e tríplice em cima de Robben quando ele atacava pela direita, situação em que, como canhoto, o obrigava a virar o corpo.

A cobertura defensiva foi bem feita, o mesmo se verificando quanto a Holanda. Na prorrogação o melhor estado atlético espanhol se fez sentir de forma acentuada. No apito final, os jogadores carregaram Del Bosque. O comportamento do técnico foi exemplar. Sereno, afável, civilizado.

Na África do Sul, virou-se mais uma página da eterna história do futebol, o esporte mágico, emocionante, das multidões em todo o universo. Pelos cálculos da Fifa, ontem, cerca de 4 bilhões de seres humanos assistiram a final. A vitória não foi só da Espanha. Foi do futebol arte, do futebol técnico, do futebol tático, da equipe de melhor estado atlético. A Jabulani voou da África para a Europa. O chute de Iniesta foi o desfecho heróico de uma jornada que começou com uma derrota para a Suiça e terminou com a consagração do um a zero.

Poderia ter sido uma diferença maior do que aquela decidida num lance de ataque. Mas a história da bola, de suas retas e curvas se escreve assim: de um ritmo que se faz constante para o improviso e o imprevisto de um momento. Surpresa? Não. Esse é o destino das partidas que arrebatam e assinalam as grandes decisões. São inúmeras as que assistimos e com elas as emoções se renovam. No amargor de derrotas. Nas lágrimas das vitórias. Futebol é isso mesmo. O entusiasmo rejuvenesce nas arquibancadas, na medida em que as gerações se renovam nos gramados brasileiros e do planeta.

Não estivemos bem este ano. A Espanha foi melhor. É a campeã do mundo. Temos que aprender com nossos insucessos e partir para novos sucessos. O Brasil é pentacampeão. O sonho alado do hexa tem que esperar mais quatro anos, pelo menos. Hoje, a Taça viaja para Madrid. Chegará a nosso país em 2014. Esperemos até lá que ela fique aqui. Amém, como costumava dizer Nelson Rodrigues que, melhor do que ninguém, expressou a alma do torcedor brasileiro.

Conselho Nacional de Justiça precisa coibir atos lesivos ao direito trabalhista

Roberto Monteiro

Pelo que se viu até  o momento, partindo do principio de que o novo Código de Processo Civil (CPC), em curso no Congresso, não possuirá ingredientes para melhor subsidiar a manietada CLT, data permissa, visivelmente superada no processo de execução, por absoluta ausência de dispositivos avançados que a modernidade vem exigindo. O fato é que o direito do trabalho, sem as reforma, pelo que se avalia continuará permitindo que seus principais atores, (juízes e advogados) continuem transgredindo a regra processual e violando direitos positivos, optando por temas do direito avesso a doutrina sócio laboritivista do trabalhismo, a ponto da sociedade apontar este jurisdicionado, data venia, composto por seus integrantes e dos demandantes que fomentam este império de ações (são 2,6 milhões a cada ano), como os principais vilões da malfadada morosidade,conforme refletido nas milhões de ações travadas neste jurisdicionado.

E não são poucas as questões que agridem o processo trabalhista, entre elas, a violação do artigo 620 do CPC, manda que a execução seja realizada da forma menos gravosa para o devedor, preceito de lei maldosamente execrado e banido da cartilha jurídica dos magistrados do trabalho.

Ainda no processo de execução, há muito vem sendo aplicada no seio da JT, outra regra estranha a CLT, que tem o provisão legal, quanto a adoção subsidiária (esposando o CPC), para o pagamento do titulo executivo, sob pena de aplicação da multa de 10%. Este intruso importado para a JT acabou, fulminado pelo Tribunal Superior Trabalho (TST), o que confirma a tese, aqui exposta, cuja trajetória deixa um legado de injustiça e nulidades.

Convém esclarecer que no julgamento do agravo em questão, o relator dos embargos, ministro Brito Pereira, sustentou que o artigo 769 da CLT só permite a aplicação subsidiária da norma processual civil no processo do trabalho quando houver omissão da legislação sobre o tema e compatibilidade das normas. Assim, na medida em que a CLT tem dispositivos específicos para tratar de liquidação, e execução de sentença (artigos 876 a 892), a aplicação do artigo 475-J, nessas situações, afronta o comando do artigo celetista.

A questão é que a regra do artigo 475-J do CPC fixa prazo de 15 dias para o executado saldar a dívida sob pena de ter que pagar multa de 10% sobre a quantia da condenação, e o artigo 880 da CLT impõe prazo de 48 horas para que o executado pague o débito ou garanta a execução, sob pena de penhora.

No debate sobre o (E-RR-38300-47.2005.5.01.0052), nas considerações à tese vencedora do relator, o ministro João Oreste Dalazen, vice-presidente do TST, argumentou que “a aplicação do artigo 475-J do CPC contribui para retardar a satisfação do crédito trabalhista, uma vez que abre espaço às partes para apresentação de outros recursos, por exemplo, em torno da própria aplicabilidade da norma”. Esta manifestação, “habet pro veritate” é justamente a mesma que temos apontado em nossas matérias, alertando sobre está carnificina protagonizada no processo de execução, onde acontecem as maiores violações de direito.

A bem da verdade, já que a reforma trabalhista está adormecida no Congresso, é preciso que o Conselho Nacional de Justiça (CNJ), que é um órgão voltado entre outros, a melhores praticas de celeridade, mediante ações de planejamento, à coordenação, ao controle administrativo e ao aperfeiçoamento no serviço público da prestação da Justiça, busque de alguma forma, junto as corregedorias, a segurança necessária recomendável para que os juízes do trabalho, em consonância a tese do ministro Dalazem, não mais cometam atrocidades jurídicas.

O festival de decisões incoerentes e não são poucas, recente a Seção II Especializada em Dissídios Individuais do Tribunal Superior do Trabalho (TST) considerou inválida citação, que, por ter sido encaminhada ao endereço incorreto, resultou na condenação à revelia da Caixa Econômica Federal, num processo em que a Vara e o TRT12 não reconheceram a nulidade. A execução alcançava o valor atualizado de R$ 4 milhões, quando a SDI-2 julgou procedente ação rescisória da Caixa e anulou todos os atos processuais a partir da citação.

Na petição inicial, não se sabe se convenientemente o reclamante informou incorretamente o endereço da Caixa Econômica. Ao entregar a citação do juiz do trabalho, o carteiro constatou que não havia no endereço indicado agência da CEF e, por iniciativa própria, resolveu procurar o endereço correto,  entregando a notificação, colhendo a assinatura, que continha apenas o primeiro nome de quem a recebeu.

A CEF foi condenada à revelia por não ter comparecido à audiência, na sentença o juiz da VT determinou que a Caixa fosse informada da decisão por meio de notificação postal, sendo que esta, também, foi destinada ao endereço errado. Dessa vez, o carteiro dirigiu-se ao endereço que entendia ser o correto.

Porém, diferentemente do que ocorrera na notificação anterior (citação), ele colheu a assinatura de funcionário devidamente identificado com o nome completo, número da matricula e carimbo da CEF. Esse posicionamento levou a CEF a ingressar com Recurso Ordinário no TST, reafirmando a tese de cerceamento de defesa. Hoje de acordo com a lei n° 12.275/10 já sancionada pelo presidente Lula, ela teria que depositar 50% para poder recorrer, (RO-AR-23.700-06.2007.5.12.0000).

11 de julho, comentário sobre erros e acertos, Holanda e Espanha, incompetência de Portugal, Brasil perdeu para Ricardo Teixeira, Dunga, Organização Globo. Dois estarão em 2014. A Espanha conquista a Copa, mas dessa maneira?

O zero a zero do primeiro tempo, correspondeu à falta de categoria das duas seleções. Todo em câmera lenta, não se justificava qualquer modificação no placar. E por que haveria sensação se não houve durante toda a Copa?

A surpresa foi a violência, principalmente da Holanda, embora a Espanha tivesse revidado algumas vezes num tom maior. O árbitro poderia ter dado mais cartões do que deu, mereciam.

O que comentaristas compenetrados (?) tanto discutiam, futebol de RESULTADOS ou futebol ESPETÁCULO, não existiu. 45 minutos iniciais monótonos, desconfio que o príncipe da Holanda, que olhava muito para a rainha da Espanha, era para pedir desculpas. Constrangido, envergonhado, mas consciente.

(Aos 10 minutos do segundo tempo, a seleção da Holanda tinha 5 jogadores com cartões. Com os 2 da Espanha, muitos começaram a se perguntar; qual a primeira seleção que terá um jogador com o VERMELHO?

20 minutos do segundo, Holanda e Espanha pareciam querer demonstrar; “Não apenas Brasil, Portugal, Coreia do Norte e Costa do Marfim, a falsa “chave da morte”, podem exibir tão decepcionante chatice?”

O relógio vai avançando, os jogadores não. E quando passam do meio do campo, se aproximam da área adversária, perdem lamentavelmente.

(Helio Fernandes, com 20 minutos desse segundo tempo, você ainda quer a vitória da Espanha? Tem que haver um vencedor, mas antes de eu responder, o corvo grita, “nunca mais”).

Aos 33 minutos, os dois treinadores cobrem o rosto com as mãos, envergonhados, mas na verdade devem estar com o mesmo desespero do repórter e igual angústia: “Prorrogação? Ninguém suporta”. Os jogadores se empurram, se abraçam, Hobben é um cracaço nas reclamações. Aos 37 perde o gol da vitória. Casillas tira dos seus pés.

40 minutos, 43, 45 e os descontos, o zero a zero, continua impávido, altivo e altaneiro. O árbitro de futebol, nesse caso, deveria ter o poder dos árbitros de boxe: desclassificar os lutadores por FALTA DE COMBATIVIDADE.

14 minutos do terceiro tempo (prorrogação), Fabregas vai driblando os holandeses, chuta para fora, o treinador da Holanda se esconde. Agora, termina a primeira fase, torço para que o zero a zero permaneça.

Aí, iremos para os pênaltis. Peço a Deus que castigue a todos e a decisão repita o que houve nas quadras de Roland Garros: no quinto set, ficou em 59 a 59, decidiram em 70 a 68, mereciam o castigo.

Heitinga, da Holanda, “brilhante” exibição de violência, leva um cartão retardado. Devia ter sido expulso antes. Xavi não aproveita, joga para fora. Só três holandeses não têm cartão amarelo, qualquer descuido pode ser fatal.

Aos 10 minutos do segundo tempo da prorrogação, todo o time da Espanha participa e Iniesta abre o placar que pode fechar o drama da Holanda. Jogadores da Holanda choram, estão com a razão, o que jogaram merece todas as lágrimas.

Finalmente termina essa tragédia grega em ritmo de comédia sem maior interesse. Mas vale, assim mesmo. A Holanda não merecia chegar à final, e muito menos vencer.

***

PS – O momento mais bonito do jogo de hoje, e de toda a Copa, foi a entrada de Mandela. Não no estádio, mas atravessando todo o campo num carrinho, rindo, ovacionadíssimo, todos reconheciam: é o ESTADISTA do nosso tempo.

PS2 – Os que conseguem ver um pouco mais longe, tentam localizar o futuro da África do Sul, a partir de amanhã. E mais grave ainda; e num dia em que Mandela não estiver mais presente?

PS3 – Com Mandela, os brancos dominam tudo, os negros continuam coadjuvantes, e com a sensação de que são personagens. É difícil acreditar que essa transformação acontecerá.

PS4 – O ridículo e até hilariante: Joseph Blatter, querendo ficar na tribuna de honra, com a rainha da Espanha, o príncipe da Holanda, o presidente da África do Sul. Há 12 anos, Blatter era um burocrata, se julga importante, só porque a Fifa se constitui num Poder paralelo.

Ricardo Teixeira, o apogeu da derrota, o senhor da paixão nacional, presidente da CBF por 21 anos, prorrogando por quantos outros 21 anos bem entender

Jorge Figueiredo:
”Helio, você pode responder à pergunta que não quer calar? Qual é a data da eleição da CBF. E até quando vai o mandato do senhor Ricardo Teixeira?”

Comentário de Helio Fernandes:
Jorge, tem a duração que ele quiser, vai também até quando decidir. Veja só. Faltam exatamente 4 anos para a próxima Copa. Pois com tanta antecedência, ele já dita regras e normas para 2014, sem consultar ninguém.

Garante publicamente: “Quero que a seleção de 2014, seja jovem e ganhe, porque vamos jogar em casa”.

O inocente Ricardo Teixeira não teve nada a ver com a eliminação da seleção, e essa eliminação não o atingiu de maneira alguma. Bem ao contrário, lhe deu oportunidade de aparecer “fervorosamente” na mídia amestrada e domesticada.

Seu linguajar tatibitate é imposto e empurrado pela garganta, mente e coração do povo brasileiro, que não tem nem o direito de protestar.

Zagallo disse de forma esplêndida: “Vão ter que me engolir”. Mas ele é o Zagallo, conquistou tudo que tem. Vencedor de duas Copas como jogador, passou pouco tempo e logo, como treinador, dirigiu a poderosa e fulgurante seleção de 70. Que entra, sem a menor dúvida, na relação das maiores seleções de todos os tempos.

E participou intensamente da seleção de 94, e teria ganho a de 1998, se não fosse a convulsão dentro do campo, e o desinteresse fora do campo, do mesmo corruptíssimo “dono” da paixão nacional.

A organização Globo montou um circo para o presidente da CBF, (e grande sócio e amigo) na televisão por assinatura. Alertados e convencidos de que a maior audiência é da TV aberta, repetiram no dia seguinte, na própria TV Globo.

Impressionante, Teixeira pediu “paciência ao povo brasileiro”. Disse que a de 2014 “será outra seleção, vamos mudar tudo”. Ha!Ha!Ha! Queria o quê? Apresentar dentro de 4 anos a mesma seleção perdulária de agora?

Teixeira deixou bem claro que não teve nada a ver com a seleção e com a derrota. Quer dizer: Dunga surgiu do nada? Quem o indicou? Quem avaliou e reforçou seu estilo? Quem poderia passar por cima do país inteiro, apresentando e garantindo um  TREINADOR QUE NUNCA TREINARA TIME OU SELEÇÃO?

Já tenho dito, e não sobre esta Copa. Não é possível que um homem EXCLUSIVAMENTE, “dirija” a seleção que representa a paixão nacional.

***

PS – “Teremos uma seleção de novos, ao contrario da seleção de agora, a de maior média de idade”. Zomba de todos, lê as maiores barbaridades que o assessor de cavalaria “passa” para ele.

PS2 – Em 2006 aconteceu a mesma coisa. Ricardo Teixeira não tinha nada com a seleção. Não indiciou, não convocou, não escalou, isso é COM O TREINADOR. Mas quem impõe esse TREINADOR?

PS3 – Ao mesmo tempo em que exibe seu devaneio, seu orgulho, sua vaidade, mostra também o inatingível prestígio. E garante: “Até o fim do mês já terei escolhido o novo treinador”.

PS4 – Portanto, dentro de 20 dias, no máximo, já se saberá qual o nome da repetida Era Ricardo Teixeira. Ninguém vai interferir, mas “alguém” saberá na frente de todos.

PS5 – Portanto, Jorge Figueiredo, você, eu, todo o povo brasileiro, saberemos quem será o novo treinador, quase imediatamente. Por quê? É que no dia 10 de agosto, com jogadores que não foram convocados, por um treinador que não se conhece, terão um COMPROMISSO para satisfação dos patrocinadores.

PS6 – Dizem que o mestre da Medicina, Hipócrates (todos os médicos fazem o juramento com seu nome), deixou apenas uma receita, simples e insuperável: “Mantenha sempre os pés quentes e a cabeça fria”. Como viveu antes de Cristo, como iria saber que existiriam Ricardo Teixeira, Dunga e a TV Globo?

Mais detalhes da briga entre Ciro Gomes e Tasso Jereissati

Rosamaria Carvalho: “Tasso não foi ao casamento da filha do Ciro Gomes, manda a mulher representâ-lo. Caro editor, leia o que diz Cid Gomes: “Tasso é como uma mangueira, nada cresce debaixo dela”. Já um deputado tassista disse que “os Ferreiras Gomes são uns cupins”. Você não acha que o Senador Tasso só tem a perder politicamente? Além do que, como um casamento de 25 anos, fica mal Tasso e Ciro falarem mal um do outro”.

Comentário de Helio Fernandes:
Rigorosamente verdadeiro, Rosamaria. O Tasso perdeu um caminhão de votos. O Ciro não perde nada, não disputará nenhum cargo. Podem dizer que ele se desgastou no apoio ao irmão governador, candidato à reeeleição. É possível, mas como eu havia dito, Cid ia se eleger mesmo sem o apoio do irmão.

Quanto ao comentário de Mateus Silva, no mesmo assunto, estamos democrática e civilizadamente divergentes, mas só em parte.

Nos fatos, estamos de acordo, eu digo que o Cid (que nem conheço), “ganha no primeiro turno, pode ser que haja o segundo por pequena diferença de votos”, é uma prática concordância.

Concordamos que o Tasso deveria ter ido ao casamento, mas só eu revelo.

Diferença mesmo entre o repórter e o Mateus, é em relação a Tasso, Pimentel e Eunicio, e as duas vagas para o Senado. Ele leva vantagem, é mais um voto para o Tasso. O que não impede que em 3 ou 4 de outubro, estejamos conferindo os votos (e as análises), perguntando, eu ou ele: “Onde é que errei na análise ou fui mal informado?”.

Outro Fernandes torce pela Espanha

Augusto Fernandes Coelho:
Helio, deixemos de lado os desencontros sobre a eleição do Ceará, hoje sou Espanha na final da Copa do Mundo. Meu avô, de Portugal, abrasileirou o nome, passei de Fernandez para Fernandes. Assim, tenho que torcer”.

Comentário de Helio Fernandes:
Puxa, Augusto, eu também tive o Z trocado para S, mas muito mais tarde. Meu pai nasceu na Espanha, veio para cá, a mudança era obrigatória e a vitória da Espanha, também.

Depois, voltamos ao Ceará, agora tem até voo direto de Portugal.

Rigorosamente verdadeiro: a disputa de cargos no governo que Dona Dilma ainda não conquistou. Conquistará?

Convencidos de que Dona Dilma já está no Planalto-Alvorada, trava-se luta por cargos. Principalmente na área econômica e financeira, e dos “direitos humanos”. (Neste caso, representando exatamente o contrário).

Em relação ao presidente do Banco Central e ao ministro da Fazenda, costumam ocupar cargo executivo de um grande banco. Não pela competência, mas pelo acúmulo de informação.

Para Mantega, o destino parece ser esse mesmo, não existem muitas outras possibilidades, sua penetração e prestígio na área econômica, não é muito grande.

Quanto a Meirelles, se desenvolve uma espécie de conflito de Poder, que se localiza dos dois lados. Procuram manter sigilosa e silenciosamente, para conseguir o objetivo.

Dona Dilma pretende colocar no Banco Central, uma pessoa de sua absoluta e total confiança. Só não sabe quem. Não gostaria de manter Meirelles e ter que dizer como o seu grande eleitor: “Espero o Meirelles me dar sinal verde para poder baixar os juros”.

Já sugeriram a ela nomear Palocci. Mas além de não agradar muito, considera que Palocci não tem o perfil para o cargo. Acha ele mais adequado para ministro da Agricultura. Sabe que tem que dar algum cargo a ele. (Pode surpreender, mas é esse o comportamento de Dona Dilma, em relação ao setor).

***

PS – Meirelles não se convenceu do que acontecerá no futuro. Se Dona Dilma vencer, acha que continua. Também não quer ir para um grande banco, que paga magnificamente e com mordomias suculentas. Mas seu problema não é esse.

PS2 – Se tiver que ir para um banco, Meirelles prefere no exterior, onde aprofundará os contatos que o mantiveram 8 anos no Banco Central, inédito. O governo tem vários desses cargos.

PS3 – Ficaria 2 anos no exterior, voltaria para retomar a carreira política . Não quer, como dizem, ser nomeado em português e demitido em latim.

PS4 – Para terminar por hoje, Carlos Minc, que se destacou no governo Lula, não tem nenhuma chance de voltar com Dilma. Isso reabriria a discussão sobre “o roubo do cofre”. Minc era deputado estadual com Lula, será reeleito com  grande votação.

PS5 – E nem quer ser presidente da Alerj, cargo nos últimos anos ocupado a quatro mãos (quatro?) por cabralzinho e piccianizão.

A necessidade de propostas revolucionárias

Carlos Chagas

Menos por conta das pesquisas, mais em função das farpas trocadas  na campanha, por Dilma Rousseff e José Serra,  parece claro estar empatada a sucessão presidencial. Fossem realizadas hoje as eleições e a vitória de um dos candidatos  seria decidida no olho mecânico. Até outubro as coisas poderão mudar e a pergunta feita nos dois comitês é como. De que maneira superar o adversário, sensibilizando o eleitorado?

Tem uma saída, até agora ignorada por eles:  apresentar planos e projetos revolucionários,  capazes de exprimir mudanças radicais para  a solução de  problemas até hoje não resolvidos pelos sucessivos governos nacionais.  Propostas que entusiasmariam a maior parte da sociedade, mesmo polêmicas.

Tome-se a questão da segurança pública.  Não basta anunciar a criação de um  ministério específico. O país inteiro quer saber de medidas concretas, como a mudança nas leis penais,  extinguindo recursos e benesses que, em pouco tempo,  põem na rua criminosos de alta periculosidade. Senão a pena de morte, por que não a prisão perpétua? Ou o cancelamento da redução de penas para crimes hediondos? A ocupação de pontos de tráfico de drogas até pelas  forças armadas. A criminalização do uso continuado de drogas através de penas de prestação de serviços comunitários. A punição implacável dos crimes de colarinho branco, da lavagem e do envio de dinheiro irregular para o estrangeiro.

Quantas iniciativas a mais permitiriam ao cidadão comum deixar  de ser um prisioneiro dentro de sua própria casa? Educação, saúde, infraestrutura e outros setores também  exigem propostas claras e efetivas, vale repetir, até revolucionárias. E os candidatos?

Reivindicação justa

Coube ao senador Mozarildo Cavalcanti, do PTB de Roraima, apelar para seus colegas, para  as autoridades e os meios de comunicação no sentido de retificarem a verdade absoluta e secular de que as fronteiras do Brasil vão dos rios  Oiapoque, no Amapá, ao Chuí, no Rio Grande do Sul. Porque está  provado cientificamente localizar-se no Monte Caburaí, em seu estado,  o ponto mais ao norte do país. Fica registrado o  apelo do senador.

Em busca da felicidade

Numa de suas várias constituições, já se vão mais de  cem anos, a Espanha  estabeleceu,  num de seus primeiros artigos: “todo cidadão espanhol tem a obrigação de ser feliz”.

O direito à felicidade foi referido esta semana pelo senador Cristóvam Buarque, do PDT de Brasília. Quer mudar a Constituição, como disse,  para humanizá-la.  Propôs acrescentar, no artigo que define os  direitos sociais,  o adendo de que eles  “são essenciais à busca da felicidade”.

Avanço significativo

Nos idos do século XVI a  Holanda, então conhecida como Nederlândia, era dominada pela Espanha. Massacres se repetiam, sob a forma de lutas religiosas, pois os espanhóis eram católicos e os holandeses, em maioria, protestantes. O Duque de Alba ficou famoso pelo número de cabeças que mandou cortar e de pescoços que enforcou, tudo em nome de um mesmo Deus,  mas,  na verdade,  por conta da competição comercial.

Dá gosto a gente  ver que,  hoje, Espanha e Holanda resolverão  suas diferenças  dentro de um campo de futebol, em torno de uma bola…

Visão do PT sobre meios de comunicação é absurda

Pedro do Coutto

Reportagem – aliás muito boa – de Gabriel Manzano, O Estado de São Paulo de 8 de julho, focaliza pontos polêmicos. Alguns, equivocados, outros, contidos no programa de governo do PT entregue, conforme a lei prevê, ao Tribunal Superior Eleitoral acompanhando o registro da candidatura Dilma Rousseff. Entre os pontos  equivocados, destaca-se a visão do Partido dos Trabalhadores sobre os meios de comunicação. Transcrevo literalmente o parágrafo acentuado por Manzano: jornais, rádio e TV são pouco afeitos  à qualidade, ao pluralismo, ao debate democrático. É preciso compensar o monopólio e a concentração dos meios de produção.

Vamos por etapas. Em primeiro lugar, como é muito comum acontecer na vida, uma falta de registro histórico, uma ingratidão. Pois foram os jornais e as emissoras de televisão que destacaram a imagem de Lula, o metalúrgico, comandando a greve de 79 no ABCD paulista, transferindo-a do campo trabalhista para o político. Veicularam intensamente a onda nacional de protestos contra sua prisão naquele momento, primeira reação sindical depois do fim do ciclo do arbítrio absoluto.

Em segundo lugar, não é verdade que não sejam os órgãos de comunicação afeitos ou que não se preocupem com a qualidade. Pelo contrário. Basta examinar as edições de O Globo, O Estado de São Paulo, Folha de São Paulo, Correio Braziliense, Zero Hora de Porto Alegre, do Estado de Minas, para se constatar o absurdo da afirmativa, que desqualifica a ideia formulada.

Não é fato, também, que não se ajustem ao debate democrático. Sustentação falsa. É só ler os artigos, as matérias, as entrevistas publicadas, as seções de cartas aos leitores. O pluralismo está caracterizado todos os dias. Mais um absurdo total.

Em terceiro, o que significa a frase é preciso compensar o monopólio e a concentração dos meios de produção? No caso, meios de produção só podem ser os do sistema de comunicação, já que este é o capítulo ao qual a afirmação se refere e focaliza. Como compensar o monopólio? Simplesmente impossível, a não ser que fossem aplicados investimentos estatais no setor. O que não tem cabimento. Há cinqüenta e seis anos, o financiamento do Banco do Brasil ao jornal Última Hora, acabou levando diretamente a uma CPI de grande repercussão política, e indiretamente o presidente Getúlio Vargas ao suicídio. Não existe tal possibilidade no panorama de hoje.

Quando Dilma Rousseff – que assinou, segundo ela própria, sem ler direito – recorre à palavra monopólio, só pode estar se referindo às Organizações Globo. Pois não existe outro grupo empresarial tão forte e abrangente no Brasil. Caso da Rede Globo, líder absoluta em audiência, do Jornal O Globo, da Rádio Globo, AM e FM, da CBN, da NET, de canais a cabo como o Sport TV, a Globo News. Há uma contradição nítida. Existe ainda, ia esquecendo, o jornal Valor, líder absoluto na área econômica, em sociedade coma Folha de São Paulo, que, por seu turno possui o controle acionário do portal UOL, o maior do país. Casos de concentração, sim, mas decorrentes da qualidade de cada um deles. Isso é inegável. Mas a sequência de equívocos do PT não termina aí. Fala em desconcentração.

Como fazê-la? Como tornar a ideia na sombra em exeqüível na prática? Não existe como. Não há forma possível de se promover projeto tão absurdo. Impressionante a visão destorcida. Uma pergunta: quem tem destacado para a opinião pública a enorme aprovação do governo Lula?

Basta dizer isso.

O fim da hora do “clic”

José Carlos Werneck

A Comissão de Ciência e Tecnologia do Senado, atendendo ao parecer, do senador Antonio Carlos Magalhães Júnior, aprovou o fim da obrigatoriedade das emissoras privadas de rádio de todo o país de transmitirem o programa “A Voz do Brasil”

O referido boletim radiofônico, atualmente elaborado pela Empresa Brasil de Comunicação (EBC),foi criado em 1935 e é uma das últimas excrescências da ditadura de Getúlio Vargas. Quando o jornalista Lourival Fontes foi chefe do famigerado DIP (Departamento de Imprensa e Propaganda),do regime ditatorial,o programa foi usado para vender a imagem de “Pai dos Pobres” do caricato e cruel Getúlio Vargas.

Lourival Fontes era um homem muito culto e inteligente, mas declaradamente um admirador de Benito Mussolini, chefe supremo da Itália fascista, e trabalhava muito bem a imagem de Vargas.

Durante a ditadura o programa chamava-se “Hora do Brasil”, pois tinha a duração de sessenta minutos e só transmitia as notícias do Executivo, pois os dois outros Poderes haviam sido dissolvidos pelo nosso “Mussolini dos Pampas”.

Neste período o programa conseguia ser ainda pior que atualmente, pois transmitia os monótonos discursos de Getúlio, que invariavelmente começava seus enfadonhos pronunciamentos com a frase: ”Trabalhadores do Brasil”, seguido de um infindável rol de baboseiras e expressões demagógicas tão ao gosto dos chefes de governos totalitários. E enquanto Getúlio falava, sua polícia, comandada por Filinto Muller, espancava e torturava todos aqueles que ousavam discordar do Chefe.

Nos dias de hoje, com o País vivendo em plenitude democrática e com uma Imprensa livre, não é admissível que as emissoras de rádio sejam obrigadas, todas elas, às sete da noite interromper sua programação e transmitir o anacrônico noticiário. Um sistema de comunicação social eficiente deve ser deixado a cargo da iniciativa privada e estar nas mãos de muitos, para que uma saudável concorrência evite o risco de monopolizar a informação e “amestrar” o público.

No que depender do presidente Luiz Inácio da Silva, o Executivo não se opõe ao fim da obrigatoriedade da transmissão da Voz do Brasil, pelas rádios privadas. Justiça seja feita ao presidente da República. Lula não precisa de nenhum aparato de comunicação Ooicial para divulgar sua imagem. Ele é o tipo de político que só precisa de um caixote de madeira para subir, falar ao povo e ser aplaudido. Dispensa os marqueteiros. Sua popularidade não precisa de retoques. E ainda por cima é como massa de pão. Quanto mais lhe sovam seu prestígio aumenta.

Dizem que a dificuldade da aprovação do projeto está na resistência de alguns deputados do chamado “baixo clero”, que veem na Voz do Brasil mais uma tribuna para chegar a seus eleitores. Mas creio que isso não se justifica, pois a Câmara Federal conta com um serviço de imprensa bem aparelhado e dispõe de uma emissora de rádio e um canal de televisão.

Se o fim da obrigatoriedade da transmissão da Voz do Brasil for aprovado, os ouvintes vão agradecer se livrarem do tormento, que começa às dezenove horas, de segunda a sexta-feira. Assim acaba-se de vez com a “Hora do Clic”,quando a maioria dos aparelhos de rádio são desligados,logo que o moribundo programa começa.

A Alemanha foi terceiro, injustamente, com dois gol de impedimento, e duas falhas do goleiro. O Uruguai também merecia, no último lance, bola na trave.

Os narradores e comentaristas falaram em jogo “emocionante, esplêndido, devia ser a final”. Ha!Ha!Ha!

Quase ia para a prorrogação, e merecia mesmo uma decisão por pênaltis. Nas duas falhas do goleiro, dois gols IMPEDIDOS. No PRIMEIRO, o atacante estava sozinho, recebeu o rebote do goleiro, uruguaios reclamaram, o juiz não viu.

No SEGUNDO, o goleiro uruguaio saiu mal, ficou bem na frente. Quando o jogador da Alemanha marcou, só havia na sua frente um adversário. O árbitro, na confusão, não viu.

A finalíssima de amanhã

Termina, sem ter sido um grande espetáculo. Pode ser comparada com a Copa de 1994, mediocríssima. Esta não é muito melhor. O único ponto favorável é o fato de ter premiado um país que ainda não fora campeão.

O vencedor é imprevisível. Aberta e ostensivamente, torcerei pela Espanha, por três razões. 1 – Foi a melhor seleção, sem ter sido sensacional. 2 – Meu pai era espanhol, veio para o Brasil com 8 ou 9 anos, morreu aos 33, numa congestão inesperada. 3 – Nasceu em Barcelona, que deu 6 jogadores para a seleção.

Conversa com leitores: a estranha “coincidência” nas mortes de Jango, Lacerda e Juscelino na ditadura militar

José Carlos Werneck:
Helio, você poderia explicar a morte de Jango, Juscelino e Carlos Lacerda, chamadas de “coincidência”. Acredita nisso?”.

Comentário de Helio Fernandes:
Jamais alguém poderá esclarecer essas mortes, realmente importantes e apesar de abusarem muito da palavra, rigorosamente HISTÓRICAS. Pode ser tudo, Werneck: coincidência, premeditação, planejamento do grupo dentro do Poder da ditadura, que não admitia de maneira alguma o fim desse regime desvairado.

Você examina a época e as circunstancias, e cabe qualquer interpretação, sem nenhuma credibilidade, mas com aparência de realidade.

***

PS – Por outro lado, cabem todas as dúvidas e são compreensíveis todas as controvérsias. Nenhum deles estava doente, Lacerda tinha 63 anos, morreu de um dia para outro, em maio de 1977.

PS2 – O médico Guilherme Romano (diretor da Casa de Saúde Santa Lucia), era amicíssimo de Juscelino e de Lacerda. Estava viajando quando Lacerda morreu. Ao voltar, disse em entrevista pública: “Se eu estivesse aqui, o ex-governador não teria morrido”.

PS3 – João Goulart morreu em 6 de dezembro de 1976, quase com a mesma idade de Lacerda, 58  anos. Não tinha nada, queria vir para o Brasil, (textual) “correndo todos os riscos”.

PS4 – Juscelino era o mais velho, morreu com 74 anos, nasceu em 1902, foi embora em 1976. Deixou a Presidência da República em 1961, lançou a candidatura para um novo mandato (que nunca mais houve) em 1965, estaria com 63 anos.

PS5 – JK adorava viajar de avião, detestava carro, a não ser para viagem curta. Durante a campanha, viajamos quase um ano num Constelation alugado.  JK dormia profundamente, num trajeto tipo Rio-São Paulo. Por que morreria num acidente de carro, com uma passagem de avião no bolso?

PS6 – Você vê, Werneck, que as interpretações são todas válidas.  Com um  fato IRRESPONDÍVEL: os três eram candidato a presidente, o que não interessava á ditadura, que pretendia o que aconteceu: A ABSOLVIÇÃO DA TRANSIÇÃO.

PS7 – Por outro lado, não há uma só testemunha. Tudo é estranho, surpreendente, favorecendo o grupo que queria mais ditadura, chamado ora de DURO, ora de INSENSATO, mas capaz de tudo.

PS8 – Minha conclusão é obvia: desde 1976, a primeira morte, até agora já se passaram 34 anos. Por que acreditar que alguma coisa será esclarecida?

A verdadeira história de Arraes e Francisco Julião. O primeiro, servindo a si mesmo no “exílio dourado”. O segundo, só à coletividade, sem qualquer mordomia

Por sugestão do leitor Charles J. Heidorn, fui procurar no arquivo deste Blog o que saiu sobre Miguel Arraes e Francisco Julião, no dia 5 de janeiro deste ano. Decidi então fazer nova postagem deste artigo, (motivado à época por um comentário do leitor Valdir Stédile), em função das importância das informações, altamente elucidativas sobre esses dois personagens da História Contemporânea, e incluindo também outro personagem, Leonel Brizola, que era admirador de Julião e desprezava Arraes. então, vamos rever meu diálogo com o leitor Stédile:

Valdir Stédile:
“Hélio, a respeito das tuas notas sobre Arraes e Francisco Julião, tive a honra de conhecer o Líder das Ligas Camponesas, Dr. Francisco Julião, um dos maiores brasileiros do século passado. Participei com ele de algumas reuniões e organizei no Paraná uma palestra na Casa do Estudante Universitário. Essa palestra serviria para a apresentação de Francisco Julião. Só que o Reitor vetou a reunião, com o vil argumento de que “um comunista não podia falar para universitários”.

Mais tarde, na casa de uma sua filha, Dona Anatilde, doutor Julião nos confidenciava suas decepções com Arraes. E contou que Arraes, junto com outros, tramou para que brizola não voltasse do exílio. Essa é a História, Helio”.

Comentário de Helio Fernandes
Excelente, Stédile, é depoimento de quem participou, se envolveu, não fugiu de coisa alguma.

Fui muito amigo de Julião, nunca, nem uma vez que fosse, falei com Miguel Arraes. Podem dizer que os 15 anos em que fiquei no Brasil e Arraes e Julião foram para o exterior, criaram uma barreira de relacionamento intransponível. Mas antes disso, tivemos outros 15 anos de participação, (antes do golpe) fiquei muito amigo de Julião e jamais quis me aproximar de Arraes.

O depois governador de Pernambuco várias vezes, não admitia concorrência com a liderança de Julião. Quando este criou as Ligas Camponesas, Arraes já governador, montou o que chamou de Sindicato Rural. Visível, ostensiva e perseguidora ação contra Julião. Este, desprendido, generoso, construtivo, não protestou, continuou na luta, só muito mais tarde revelou a trama contra a coletividade, na verdade um golpe contra os que não o apoiavam.

O que você conta, Stédile, essa revelação de Julião, era do conhecimento de Brizola há muito tempo. O governador do Rio Grande do Sul e da Guanabara costumava fazer comparação com o comportamento da ditadura, em relação a ele, Brizola e na proteção, (como ele dizia) a Arraes.

Brizola, textual, nas suas conversas que não paravam nunca: “A ditadura deixou Arraes escolher para onde ir, eu tive que fugir para Montevidéu, ou seria assassinado”. Totalmente verdade. E continuando: “Dias depois de chegar a Montevidéu, a ditadura pediu o meu INTERNAMENTO numa praia deserta, longe da capital”.

E insistia, aí no que era público e notório: “Arraes teve um asilo maravilhoso, tendo a Argélia à sua disposição, amigo do ditador comunista, passava fins de semana em Paris e em outros lugares praticamente vizinhos”.

“Sofri na carne o fato de ser oposição mesmo, fomos governadores, (Arraes também), mas sem diálogo, não podia esquecer das manobras dele contra mim”. Brizola gostava de informação, não havia nada, em matéria de política, que desconhecesse. Não espalhava nem admitia intrigas, mas tomava conhecimento do que se passava nos bastidores.

Todos respeitavam Brizola, ninguém ou poucos se aproximavam de Arraes. Vejam o que Brizola realizou, principalmente no Rio Grande do Sul. Em Pernambuco, Arraes foi o Campeão Mundial do NADA.

* * *

PS – A última vez que vi Julião, na inauguração da Linha Vermelha. Fui com Brizola, ele fez questão de convidar o fundador das Ligas Camponesas, não admitia de maneira alguma, que algum protocolo, botasse o nome de Arraes. Se colocassem, ele tiraria, muito justamente.

PS2 – Eu e Julião trocamos longo e emocionado abraço. Como demorasse a inauguração, (o atraso foi inexplicável, Brizola cobrava muito), ali no asfalto, em pé, nós três, em algumas horas, bastaria que tivéssemos a conversa gravada e poderíamos editar um livro de História. Vivida, sofrida, escolhida pela convicção de cada um.

PS3 – Se fosse um livro individual, poderia ter o mesmo título que Pablo Neruda colocou no seu: “Confesso que vivi”.

Este artigo recebeu város comentários
e dois deles me chamaram a atenção

Antonio Rubem César:
Jornalista Hélio Fernandes, o grande arquiteto Oscar Niemeyer, em seu Curvas da Vida, lança também a suspeita estranha a respeito de Miguel Arraes, de quem não quis fazer nenhum comentário quando esteve na Argélia”.

Antonio Santos Aquino:
“Hélio, todos nós conhecemos o ex-ministro Jarbas Passarinho; não temos dúvida sobre quem ele seja. Assim sendo, temos que levar em consideração o que foi dito pelo ex-ministro em entrevista à TV Senado. Finalizando a entrevista, foi-lhe perguntado porque as esquerdas não se uniram. Disse Passarinho que das esquerdas só Brizola era adversário, todos os outros tinham feito acordo com os militares (dando a entender a meu juizo, que teria havido compromisso de não se unirem). Encerrando, um jornalista perguntou: “Até o Arraes”? Resposta de Passarinho: “Sim, até o Arraes”. Não estou reproduzindo “ipsis litteris” o que foi dito, mas foi este a meu juizo, o teor da entrevista.Está registrado na TV Senado”.

Comentário de Helio Fernandes:
A posição de Niemeyer é compreensível, e o que Antonio Santos Aquino falou sobre a entrevista do “coronel” Passarinho sobre Arraes, é rigorosamente verdadeiro. Mas eu já contado, integralmente. Um general foi procurá-lo em Fernando de Noronha, com a proposta de acordo, de ir LIVREMENTE para o exterior. Que Arraes aceitou na hora.

Foi direto para a Argélia, onde se tornou riquíssimo e poderoso. Era a maior influência ao lado do CORRUPTO DITADOR Boumediene, com quem repartia (?) os fabulosos lucros da EXPORTAÇÃO e IMPORTAÇÃO, não apenas de petróleo.

Por que, para a inauguração da Linha Vermelha, Brizola convidou Julião e não chamou Arraes, governador como ele? Muito antes, escrevi bastante sobre Arraes e sempre revelando sua atuação na Argélia contra brasileiros.

***

PS – Os artigos publicados na Tribuna da Imprensa, no momento estão inacessíveis. Mas continuam disponíveis na Biblioteca Nacional. Fui o primeiro e único repórter a contar a fundação das Ligas Camponesas, gloriosa e positiva iniciativa de Julião.

PS2 – E a vingança de Arraes, criando o Sindicato dos Trabalhadores Rurais, para combater e destruir o que Francisco Julião plantara.

PS3 – Ninguém pode ter dúvida sobre o caráter e a atuação de Arraes, são fatos e mais fatos, embora algumas pessoas se iludam. O grande Abraham Lincoln já chamava a atenção sobre isso, no belo e emocionante discurso de Gettysburg, no fim da Guerra Civil.

O surpreendente delegado do caso Bruno

Em vez de criminalmente, ele é o personagem mais hilariante. Sabe tudo, jamais se viu um policial com esse “conhecimento”.

1 – “A amante do jogador sofreu muito”. Se não acharam o corpo, como saber? 2 – Vi pelos olhos da testemunha, que era culpada”. 3 – “Bruno agiu friamente”. Bem, se ficar provado que é culpado, não precisa muita inspiração para saber que tudo foi feito FRIAMENTE.

4 – Mas não cabe ao delegado, adivinhar e se RENDER à sedução das câmaras de televisão. Não será afastado, ou obrigado a cumprir suas funções de chefe da investigação?

5 – O magistrado e o policial, tumultuam e complicam a questão, favorecendo os possíveis criminosos.

***

PS – Em vez de estar deslumbrado com a televisão, não seria melhor que estivesse concentrado na descoberta do corpo?

No Ceará, não se fala em outra coisa: por que Tasso não foi ao casamento da filha de Ciro Gomes?

Mateus Silva:
“Helio, quem casou foi a filha – Livia – e não o filho de Ciro Gomes. Agora, fique certo que vou cobrar-lhe a “premonição” para a eleição do Senado, pois a realidade aqui é Tasso eleito e José Pimentel (homem sério) brigando com Eunício “bebeto” Oliveira, o genro mais querido do clã Paes de Andrade.”

Comentário de Helio Fernandes:
Desculpe, eu sabia que era filha, na digitação saiu filho, nenhuma importância. Pode me cobrar à vontade, só que não existe premonição, e sim muita informação.

Tratei de tudo, Mateus, não deixei um ponto sem ser analisado. (Em outras oportunidades, ressaltei a honestidade do ex-ministro, não fiz nenhum favor).

Curiosamente, você QUESTIONOU a questão da filha ser chamada de filho. Quanto ao resto, silêncio. O mais importante de tudo, o fato de Jereissati não ter ido ao casamento da filha do até então grande amigo, não interessou a você? Pois o que mais se comenta em Fortaleza e no Ceará, é precisamente isso.

E foi este repórter que publicou o fato com exclusividade.

***

PS – Com um abraço, Mateus, a curiosidade, você não duvidou de nenhuma informação?  Só não acredita na análise. E é tão difícil acontecer alguma coisa diferente do que analisei.

PS2 – Como examinei, Cid deve ganhar no primeiro turno. Se passar para o segundo, será por pouco. Minha análise é tão correta que elogiei o adversário, Lucio Alcântara.

PS3 – Quanto ao Eunicio, não perderia nem mesmo se quisesse. Com votação própria, apoiado pelo governador e pelo presidente, como seria derrotado pelo Tasso?

Dificuldades

Carlos Chagas

Esta semana, em Porto Alegre, Dilma Rousseff  declarou não ter compromisso com a totalidade das  propostas do PT. Depois da trapalhada da apresentação  e retirada  do programa dos companheiros junto à Justiça Eleitoral, a candidata deixou claro que sua campanha, como provavelmente o seu governo, se for eleita, constituem uma federação de idéias e propósitos situados acima e além da  visão de um só partido.

É aqui que embola o meio campo. Aliás, fenômeno que tem marcado os sete anos e meio do presidente Lula. Ele  conseguiu mostrar-se maior do que o PT.  O partido é um dos pilares de sua sustentação, mas não o  único. Seu governo tornou-se eclético, formando um espectro que foi  de Henrique Meirelles a Mangabeira Unger,  de Marina Silva a Antônio Palocci.

Conseguirá a criatura repetir a estratégia do criador? Ou estarão as partes  prontas para contestar o todo?  Afinal, o Lula é o Lula.  Dilma vem conseguindo unir as diversas correntes dispostas a apoiá-la na campanha,  até pela perspectiva de vitória eleitoral, mas sabe das dificuldades de projetar para o próximo mandato a experiência e o sucesso conquistados pelo atual presidente. As forças organizadas ao  redor da candidata já se assanham com vistas à disputa pelas benesses do  futuro.

Tome-se o PMDB, que para ficar com ela impôs Michel Temer como seu vice.  Na hora da composição do ministério,  vale repetir, se ela for eleita, o maior partido nacional exigirá vastas fatias de poder.  Aceitará o PT continuar no papel de filho mais ou  menos  enjeitado que representa no período Lula? Ou dará o grito de “basta!” diante de alguém com menos representatividade do que o primeiro-companheiro? Essa poderá ser apenas a primeira fissura num hipotético governo de continuidade. Em especial se o PT continuar exercendo papel secundário no novo Congresso.

Mudanças

Sonhar, assim como especular, ainda não foi proibido. No Itamaraty, as expectativas são de que no caso de vitória de Dilma Rousseff, o chanceler Celso Amorim receba  convite para continuar por pelo menos mais  um ano. Sedimentaria de vez as diretrizes da atual política externa brasileira, além de influir na escolha de um sucessor crescido à sua sombra, senão à sua semelhança, ao menos à sua imagem.

Uma das conquistas do atual ministro de Relações Exteriores, no plano interno, foi ver todas as embaixadas e organismos internacionais preenchidos por diplomatas de carreira. Ninguém de fora ocupa esses postos e missões, sequer continuaram  os três nomeados no início do primeiro governo do Lula: Itamar Franco, em Roma, Tilden Santiado, em Cuba, e Paes de Andrade, em Lisboa. Hoje, são todos oriundos dos quadros do ministério.

Em nenhum outro governo anterior  prevaleceu essa rigidez profissional, incluindo a figura principal do próprio ministro. A pergunta que se faz é se a regra será mantida pelo futuro presidente, Dilma ou Serra. No caso do ex-governador de São Paulo, ouve-se falar nos embaixadores já retirados,  Rubens Barbosa ou Sérgio Amaral para chanceler.

Espanha e Holanda, tática vai decidir a copa

Pedro do Coutto

Tenha a impressão que o desfecho da Copa 2010 será decidido pelo melhor desempenho tático das seleções espanhola e holandesa. Esta minha visão, inclusive, foi reforçada com base no que li na coluna de Tostão na Folha de São Paulo de sexta – feira, ontem, e também com base nas entrevistas dos treinadores Vicent Del Bosque e Bert Van Marwizk, igualmente publicadas no Caderno de Esportes daquele jornal.

A matéria sobre as declarações de Marwizk está assinada por Fábio Zanini. A que reproduz a opinião de Del Bosque é de autoria da equipe da FSP na África do Sul. As entrevistas ocorreram em clima civilizado, especialmente a do espanhol, sempre muito elegante na comunicação com a imprensa. Daí a simpatia maior em torno de si que o seu selecionado alcançou na opinião pública mundial. Muito importante este aspecto. Forma uma corrente positiva, que se torna também aditiva. Mas esta é outra questão.

Pelo que vi jogar das seleções da Espanha e Holanda, acho que Del Bosque vai manter amanhã em Joanesburgo o mesmo estilo que marcou a vitória incontestável sobre a Alemanha. Dois comportamentos: um quando a equipe estiver com a bola; outro quando a bola se encontrar nos pés dos adversários. Os dois extremos avançam e abrem espaço no ataque, recuam quando se tornam necessárias ações defensivas. Por isso, o meio campo estará sempre bastante ocupado. Dificilmente poderá haver acentuada desenvoltura por ali, da mesma forma que lançamentos de larga distância. Os dois lados vão atuar à base da marcação na saída da bola e troca de passes curtos, em sua maioria.

Como a Espanha, na média global, apresenta mais acentuadas ações ofensivas, deve partir dela a iniciativa do combate. O carrossel versão 2010 provavelmente abre algum espaço para iniciar a marcação e, no contra-ataque, tentar os caminhos que levam ao gol. Aliás, como se diz que todos os caminhos levam a Roma, todas as estradas do futebol conduzem inevitavelmente ao gol adversário. Não é novidade, ao contrário, é uma frase que o conselheiro Acácio, personagem eterno dos fatos feitos, assinaria.

O problema, assim, é a forma de movimentar o processo. Melhor dizendo: os processos, já que cada seleção amanhã terá o seu. Para nós, brasileiros, a simpatia maior pende para a Espanha, até porque perdemos há poucos dias para a Holanda. No placar. Na realidade, perdemos para nós mesmos. Quando Felipe Melo, como lembrou Tostão hoje, pisa um atleta holandês caído, o que podemos dizer? Nada. Nunca aplaudi (e olha que acompanho futebol desde o Fla-Flu da Lagoa de 1941) qualquer jogador expulso de campo. Tal atitude termina sempre revertendo em favor do adversário, além de, em muitos casos, colocar sob risco a integridade física de um colega de profissão.

Falei da tática, da técnica, mas não falei ainda da arte. Falo agora. O time espanhol, sob este ponto de vista, é mais criativo, improvisa mais, é mais bonito de ver. Por isso, creio que, em matéria de arte, leva a melhor. Porém não se pode de modo algum subestimar a aplicação mais intensa da laranja mecânica. Há movimentos oblíquos e cruzados da esquerda para a direita, que se tornaram, até esta véspera de decisão, instrumentos muito poderosos. Craques dos dois lados, como Davi Villa e Xavi, e Sneijder e Renner, vão percorrer os enigmas das trilhas criadas no campo. Uma delas levará à vitória. Nós, brasileiros, vamos aplaudir a decisão, seja qual for. Nossa meta está em 2014.

Os bancos e a abusiva cobrança de juros

Jorge Folena

Os bancos foram derrotados nos tribunais pela indevida apropriação de valores emprestados a título de limite de crédito, por meio do cheque especial, que abatiam diretamente das contas-salário dos devedores, constituindo-se em verdadeiras penhoras de vencimentos e pensões, o que é ilegal. Nestes casos, as instituições financeiras foram condenadas a pagar danos morais e a repor, de forma corrigida, tudo de que se apossaram indevidamente dos assalariados, sendo até mesmo, em algumas hipóteses, obrigados a devolver em dobro o que cobraram dos trabalhadores.

Os bancos, em uma reiterada prática abusiva, muitas vezes cobram juros remuneratórios de seus clientes sem que o percentual ou taxa aplicado estejam previamente definidos em contrato bancário firmado pelo consumidor.

Esta postura se caracteriza como violação aos direitos básicos dos consumidores, além de constituir-se em apropriação indevida de quantia superior à devida pelos correntistas, na medida em que deve prevalecer a taxa combinada com o cliente ou, então, ser cobrada a taxa média do mercado divulgada pelo Banco Central do Brasil (BACEN), salvo se o percentual exigido for mais vantajoso para o correntista.

A propósito, a Segunda Seção do Superior Tribunal de Justiça (STJ), no julgamento do recurso representativo de controvérsia (REsp 1.112.879-PR, relatora Ministra Nancy Andrighi), pacificou sua jurisprudência ao considerar ilegal a “cobrança dos juros remuneratórios decorrente do contrato bancário, quando não há prova da taxa pactuada ou quando a cláusula ajustada entre as partes não tenha indicado o percentual a ser observado, reafirmando a jurisprudência do STJ de que, quando não pactuada a taxa, o juiz deve limitar os juros remuneratórios à taxa média  de mercado divulgada pelo Banco Central do Brasil, salvo se menor a taxa cobrada pelo próprio banco (mais vantajosa para o cliente)”

Portanto, se o banco cobrou do correntista juros superiores ao contratado ou à média do mercado, pode o consumidor reaver em dobro o valor pago a maior, por meio de repetição de indébito, com a incidência de correção monetária e juros sobre o que foi indevidamente exigido.

TV Globo, Band, Record, SBT, tudo igual no sensacionalismo

Pedro:
“Helio, concordo inteiramente com tua análise sobre o sensacionalismo da Globo a respeito do crime envolvendo o goleiro do Flamengo, mas veja a Band, Record, SBT, tudo igual.”

Comentário de Helio Fernandes:
Você acertou mais do que eu, Pedro. Não existe a menor dúvida de que todas as outras fazem o mesmo sensacionalismo da Globo, tentam “apanhar” um pouco da audiência dela. Mas não conseguem, ficam longe.

E passam recibo na incompetência, nenhuma outra televisão faz JORNAL em cima do NACIONAL. Nos EUA, todos os canais, das mais variadas emissoras, apresentam telejornal no mesmo horário, 18 horas, (De lá).

Isso é reconhecido, que quando acontece um fato de repercussão, o cidadao diz: “Quero ver no JORNAL DAS 6”. Aqui, comentam: “Vou ver no Jornal Nacional”. É o pânico da concorrência e a certeza de que não terão audiência competitiva.

Muitos e muitos leitores e seguidores indagam sobre o crime de Bruno

Yuri Sanson (e outros):
Helio, você ainda não escreveu sobre o crime do goleiro do Flamengo. Não vai tratar desse crime que está assustando o Brasil?”

Comentário de Helio Fernandes:
O que está assustando o Brasil é a cobertura sensacionalista da Globo, televisão aberta e por assinatura. Nos últimos três dias, começando às 7 e meia da manhã, (Bom dia, Brasil”), passando por todos os jornais de hora em hora, dominando o carro-chefe da casa, (“Jornal Nacional”) e ultrapassando a madrugada, não tem outro assunto.

É uma campanha sensacionalista e capenga. Como o que existe é um acontecimento não esclarecido e que a televisão Globo não colabora para esclarecer, vão repetindo de manhã até a noite e madrugada, indícios e não certeza. Antes de mais nada, se tudo isso se transformar em FATO, aí não haverá dúvida: será um CRIME HORROROSO, HEDIONDO, MONSTRUOSO, possível e passível das maiores condenações.

A Globo faz sensação mas não fornece o mínimo em matéria de informação. Um só exemplo entre muitos. Leva para entrevistas, vários advogados, nenhum do primeiro time. Os que aparecem, mal sabem falar, a cada pergunta, respondem invariavelmente: “Com certeza”, e ficam repetindo, “com certeza”.

Não conseguem explicar para o cidadão que está assistindo, a diferença entre prisão PROVISÓRIA, ou então PRISÃO PREVENTIVA, quando estas se transformam (ou pode se transformar) em PRISÃO DEFINITIVA.

Se entrevistassem um grande criminalista, aí sim, poderiam obter informações autorizadas, corretas e elucidativas. Por exemplo, o que tantos me perguntam, e nem advogados nem a TV Globo (ou Globonews) conseguem esclarecer: “Porque a mulher do goleiro Bruno está presa? Por dedução, conclui que foi conivente com o marido. Mas a mulher verdadeira ajudando a assassinar a amante?

Por que nessas 24 HORAS DIÁRIAS da cobertura, não desvendaram essa questão? Outra: inicialmente quem defendia o goleiro, era o advogado do Flamengo. 48 horas depois do SENSACIONALISMO da Globo, o Flamengo retirou seu advogado de campo, apareceram dois advogados, sem títulos maiores.

O Flamengo se convenceu de que seu jogador é REALMENTE culpado? Ou foi o contrário, o clube achou que Bruno precisava de advogados mais famosos e competentes? Tudo bem, mas por que a defesa foi entregue a desconhecidos?

Também não explicado: advogados competentes, nas reportagens esclarecedoras, esclareceriam: por que o juiz do Estado do Rio (vá lá, do Rio capital) mandou prender o jogador, e menos de 24 horas depois “mandava o processo para Minas”, afirmando estarrecedoramente: “Eu não podia ter atuado no processo, sou incompetente, a jurisdição é de Minas, estou mandando o processo para lá”. Inacreditável.

Esse juiz do Rio teria “decidido” por influência do sensacionalismo da Globo? Nem seria surpreendente. Qualquer juiz, com qualquer formação, teria visto imediatamente, que a jurisdição para julgamento não era de onde mora o acusado e sim onde o crime (ou suposto crime) foi praticado. Voltou atrás? Não, foi o juiz de Minas que chamou a atenção das autoridades judiciárias, para o absurdo que estava sendo praticado.

Por que a Globo não mostrou imediatamente que estavam burlando a lei com esse procedimento? A Globo não estava tecnicamente aparelhada, quem conhece esses advogados ouvidos? O interesse era apenas o de conquistar e manter audiências?

***

PS – Existem ainda muitos ângulos a serem esclarecidos, na TV Globo ninguém sabe, e os ADVOGADOS convidados para ASSESSORAR a televisão, e DESVENDAR o que aconteceu, também não sabem.

PS2 – Foi dito ligeiramente nessa enxurrada de sensação: “Existe a possibilidade do corpo não aparecer, por causa das condições do local onde teria sido jogado”. Isso mudaria completamente a questão.

PS3 – Se tivesse contratado ou simplesmente CONVIDADO um criminalista (ou vários) do primeiro time, poderiam, com AUTORIDADE, CONHECIMENTO e COMPETÊNCIA, ter esclarecido se pode HAVER CONDENAÇÃO no caso de CRIME SEM APARECIMENTO DO CORPO.

PS4 – Há muitos anos, foi assassinada uma personagem chamada Dana Teffé, de família ilustre, pertencente à elite. Na investigação, apareceu como criminoso, Leopoldo Heitor (também advogado), que negou o tempo todo que tenha sido o autor do crime.

PS5 – Assim mesmo foi julgado, absolvido pelo Tribunal do Júri. Justificativa: “Não havia corpo, como saber que havia crime?” O promotor recorreu, novo julgamento e nova absolvição.

PS6 – Assessorada por um criminalista de alto nível, a Globo teria marcado “um gol de placa”, esclarecendo a questão.

PS7 – Fica a pergunta para a própria Globo, que sensacionaliza, pode também elucidar: essa PRELIMINAR QUE MUDARIA TUDO, ainda está em vigor ou a lei foi modificada? Isso é fundamental, até mesmo para que as INVESTIGAÇÕES SE APROFUNDEM (a palavra exata) na descoberta do corpo.

PS8 – O que está aqui, não passa de esclarecimento ou tentativa de esclarecimento. Se tudo se confirmar, se o corpo aparecer, se o goleiro for mesmo o criminoso, é evidente que não se livrará de maneira alguma.

PS9 – Por enquanto é tudo sensação. E ainda está em tempo de a Globo apresentar ao público um criminalista de respeito e tradição. Darei os parabéns à Globo, não vou ficar tolamente repetindo, “ eu não disse, eu não disse?”