A fascinante NBA

A NBA é a parte mais rica e imprevisível do esporte. Costumam mesmo dizer: “Não há resultado garantido enquanto o relógio não para”. E Lebron James provou isso, ontem, ao dar a vitória ao seu Cleveland, no “último minuto”. Não é força de expressão: o Orlando Magic vencia o Cleveland por 96 a 94, faltando um minuto. A bola era do Cleveland na lateral. Só uma cesta de 3 pontos daria a vitória. Lógico, a bola foi jogada para LeBron, marcado por três. Estava na zona de 2 pontos quando a bola saiu do companheiro, se deslocou para a zona de 3 pontos, recebeu e lançou quase em olhar. Cesta e vitória.

Os “comentaristas amadores” disseram logo: “É o Pelé da NBA”. Exagero, é grande jogador, mas Michael Jordan e outros da mesma geração, anterior, é que merecem a comparação.

Fórmula Indy, sensacional

Helio Castro Neves largou muito bem, era pole. Mas os comissários disseram que “avançou”, na nova largada saiu em segundo. Corrida muito tumultuada, diversos acidentes, alguns atingindo todos os corredores brasileiros.

Todos, não. Helio Castro Neves ultrapassou tudo e, altivo, impávido e altaneiro, conseguiu a sua terceira vitória nas 500 Milhas de Indianópolis. Sendo que esta terceira tem aspectos verdadeiramente memoráveis.

Foi um maio maravilhoso para Castro Neves. Há 15 dias ele poderia ser condenado a uma prisão que poderia oscilar entre 25 e 35 anos. Mas a Justiça reconheceu que o sistema de pagamento dessas provas caríssimas é realmente complicado.

Castro Neves foi absolvido, havia ainda a possibilidade de recurso por parte do promotor. Este, 72 horas antes de corrida, reconheceu que não existiam provas, não apelaria.

Helio Castro Neves, vencedor fora e dentro das pistas.

Corintians, Cruzeiro, Internacional

Aparentemente, são três candidatos ao título do Brasileirão. O Corintians ganhou mal, explicaram: “Ronaldo não jogou”. Da forma como vem jogando, não fez falta.

O Cruzeiro venceu bem o Vitória, que vinha de duas vitórias em 2 jogos. E o Internacional, o verdadeiro favorito do campeonato, só fez um gol, não precisava mais.

Fluminense, Botafogo, Náutico, Atlético-PR, Santos e mais

No primeiro tempo, Botafogo-Grêmio fizeram o “joguinho” que suas posições prometiam: zero a zero. O Botafogo teve pouca chance, o Grêmio, muitas possibilidades, desperdiçou todas. Surpreendentemente, o defensivista Fluminense fez logo um gol, mas não resistiu, deixou o Santos empatar. Palmeiras e São Paulo não fizeram gol, o Atlético do Paraná dominou e fez dois gols contra o Náutico.

No segundo tempo, dois jogos mereceram comentários especiais. O Fluminense (do Parreira) ia perdendo sem reação. A partir de determinado momento, reagiu com violência. Teve dois jogadores justamente expulsos, perdeu de 4 a 1. O Santos conseguiu a primeira vitória, foi para 5 pontos. o Fluminense ficou nos 4. O massacre contra Neymar, vergonha nacional.

Honra, brilho e consistência do Náutico. No primeiro tempo, perdia por 2 a 0. Reagiu, fez 3 gols, ganhou o jogo. estava com 4 pontos, foi para 7.

Palmeiras e São Paulo podiam jogar mais 150 dias, não fariam gol. O Botafogo não sai de onde está. Três jogos, nenhuma vitória, 2 pontos.

Regulamentar a Constituição?

Carlos Chagas

A sempre discutível moda do “Plano B” atingiu a sucessão presidencial depois da doença da ministra Dilma Rousseff, fazendo emergir das profundezas, onde se encontrava, a tese do terceiro mandato. Ou da prorrogação de todos os mandatos.

Como a demonstrar que o “Plano B” não envolve necessariamente manobras pouco éticas, vale registrar um deles que começa a tomar corpo no Senado, esta semana.

Tendo em vista o previsível fracasso da reforma política, onde ninguém se entende, decidiram os integrantes da Comissão de Constituição e Justiça colocar em pauta um trabalho alternativo, mantido engavetado desde a promulgação da Constituição de 1988: regulamentar os mais de noventa artigos enunciados mas por enquanto inócuos da Carta Magna, precisamente por falta de regulamentação. O vazio de vinte e um anos deveu-se a uma dessas características tão brasileiras em tudo, até na legislação: o jeitinho. Havia chegado a um impasse a Assembléia Nacional Constituinte, depois de ano e meio de funcionamento. Dividida em dois grupos principais, o “Centrão”, conservador, e os ditos “Progressistas”, que não tomavam decisões fundamentais por falta de entendimento, coube ao dr.Ulysses dar a solução, mesmo invertendo princípios fundamentais de Direito. Ficaria para a lei ordinária, e não para a lei maior, dispor sobre grande número de impasses ideológicos e políticos. Coisas do Brasil, mas necessárias a que os trabalhos constituintes não se prolongassem indefinidamente, caindo no ridículo.

De lá para cá, pequena parte desses artigos viu-se regulamentada, pois permaneceram sem efeito prático os mais polêmicos. Aquilo que o Poder Constituinte Originário, da Assembléia, não havia resolvido, dificilmente resolveria o Poder Constituinte Derivado, inerente ao Congresso, a menos que deputados e senadores tomassem vergonha e enfrentassem a questão.

Não tomaram nem enfrentaram, coisa que pode acontecer agora, com início na Comissão de Constituição e Justiça do Senado. Noventa regulamentações encontram-se em vias entrar em pauta.

Vale citar apenas um exemplo das dificuldades que fatalmente virão: o artigo 220, do Capítulo da Comunicação Social, estabelece que a lei ordinária definirá os mecanismos para defender a indivíduo e as famílias dos excessos da programação do rádio e da televisão. Uma batata quente que os constituintes não seguraram e que, até agora, nem os parlamentares. Menos por estar proibida na própria Constituição qualquer espécie de censura prévia, já que os excessos poderiam ser punidos a posteriori, depois de acontecidos, com multas, suspensões e até cassações de concessões. Mais pelo medo de Suas Excelências enfrentarem as grandes redes e os barões da imprensa. Caso estabelecessem punições para as baixarias e para o lixo que todos os dias recebemos das telinhas e dos microfones, quem garante que não seriam boicotados, banidos do noticiário, tornando-se ilustres desconhecidos incapazes de ser reeleitos?

Por conta disso, nada fizeram. Farão agora, quem sabe até incluindo a defesa da família e do indivíduo numa necessária nova Lei de Imprensa?

Multiplicam-se os exemplos de artigos constitucionais carentes de regulamentação. Pode ser que vingue esse novo “Plano B”, destinado a ocupar o espaço da inalcançável reforma política…

A espuma e as ondas

Ao retornar a Brasília depois de curto internamento num hospital de São Paulo, Dilma Rousseff comentou estar a imprensa fazendo muita espuma com sua doença, que, afinal, vem sendo tratada. Tem razão, mas é preciso olhar debaixo da espuma, onde estão as ondas. Delas é que deveria ocupar-se a candidata, porque já são grandes e poderão crescer mais ainda.

Ou não procede dos partidos aliados do governo, até do PT, a onda do terceiro mandato para o Lula? Ou a onda de que a chefe da Casa Civil perderá a eleição para José Serra, tornando-se necessária sua substituição?

É bom que Dilma tome cuidado, tanto quanto cuida de sua doença, porque para manter o poder, boa parte de seus detentores mostra-se disposta a sacrifica-la. Aí está o PMDB que não deixa ninguém mentir. E como se trata do maior partido nacional, o risco é de a onda virar um tsunami…

Briga de foice

Toma características de uma briga de foice em quarto escuro o confronto entre o governo e o PT, de um lado, e o PMDB, de outro. Mais do que o poder, jogam a própria sobrevivência.

O palácio do Planalto acusa o PMDB de fazer corpo mole e ter permitido a constituição da CPI da Petrobrás. O PMDB acusa o governo e o PT de pretenderem engolir tudo, a começar pelos governos estaduais, não aceitando alianças em torno de candidatos peemedebistas como contrapartida do apoio à candidatura presidencial.

O último episódio dessa novela de paixões aconteceu dias atrás, quando a Polícia Federal invadiu a sede do PMDB do Ceará, em Fortaleza, atrás de supostos bonés e camisetas de propaganda da candidatura ao Senado de seu presidente, Eunício Oliveira. Nada foi encontrado, mas quem é Eunício Oliveira? Além de ex-ministro das Comunicações e líder de seu partido na Câmara, é o futuro presidente nacional do PMDB, já escolhido por Michel Temer e outros caciques para assumir no segundo semestre.

Dirão alguns ingênuos e outro tanto de malandros que a Polícia Federal agiu por determinação de um juiz, por sua vez acionado pelo Ministério Público. Pode até ser, mas alguém duvida de que o ministério da Justiça e a presidência da República foram previamente informados da operação, inclusive autorizando-a?

Depois da demissão de parentes e amigos de líderes do PMDB na Embraer, acontece a invasão da sede do partido no Ceará. Qual será o próximo capítulo?

Flamengo, Sport, Atlético, Coritiba e mais

O domingo esportivo termina exatamente às 20,33, com um toque favorável: a vitória do Flamengo, único time carioca a vencer (Sem falar noVasco, espetacular, 100 por cento na Série B, e nas semifinais da Copa Brasil). E com direito a um gol sensacional de Josiel, cobrindo o goleiro de fora da área, com categoria. A primeira vitória foi para o grupo dos que estão com 4 pontos. O Santo André ficou na mesma pontuação.

Bom resultado o do Atlético de Minas: 3 a 2 sobre o Sport, no Recife. Mas sofreu no fim. Ganhava por 3 a 0, o Sport reagiu e quase empatou. O time de Minas vai para os 7 pontos, e Sport ficou em 1. O Coritiba que não tinha nenhum, empatou, foi para 1. O Avaí, para 3 em 3 jogos

Inédito, textual e entre aspas

Muricy Ramalho, discreto, sem o estardalhaço e o marqueting eterno do Parreira, foi interrogado sobre a nota que daria ao futebol-arte. Quase gritando: “Dou 10, dou 10, também gosto de filé mignon”.

Lula, presidente, referendado pelo bom senso: “O PSDB faz tentativa de desmoralizar a Petrobras para privatizá-la”. Certíssimo. FHC DOOU-PRIVATIZOU uma parte enorme do patrimônio do Brasil, quer completar o “trabalho sujo”.

Ponto, raríssimo, para o Conselho de Justiça, foi criado para isso: “A nova sede do Tribunal Regional Federal (Brasília) não será construída, mais de 500 milhões economizados, numa obra inútil”.

De um líder importante de Brasília, falando com o repórter: “O governo concorda em entregar posições na CPI ao DEM, mas nada ao PSDB”. Como o repórter esperasse, ele terminou, guardando rapidamente o telefone (que assusta a todos): “Se pudesse, o governo tiraria todas as posições do próprio PMDB”. Impossível, ninguém caminha com mais velocidade na lama do que o PMDB.

Dona Dilma – José Alencar – Serra – Lula

Muita gente escrevendo sobre a ligação da doença de Dona Dilma e a ligação do seu cancer com uma possivel tentativa presidencial. Essa possibilidade já era dificil eleitoralmente, se complicou ainda mais. E não só eleitoralmente. Ela enfrentava tremendo problemas politicos, dentro do seu proprio partido, o PT-PT.

Sua possivel (e até previsivel ou provavel) candidatura à sucessão (?) do presidente Lula, só vivia e sobrevivia por dois motivos. 1) A insistencia de Lula, “O senhor dos anéis do partido”, e a ausencia de lideranças para constesta-lo. Todos se recolhiam quando aparecia a palavra de ordem: “E a candidata do Lula?”

2) Essa submissão mesmo que não seja subserviencia, se afirmava e se consolidava diante da pergunta sem resposta, muitas vezes feita pelo proprio Lula nos bastidores, irritado: “Está bem, não é a Dilma. Será quem?”. Não havia e não há por enquanto, quem possa ser colocado (com chance ou sem chance) no caminho a ser percorrido e transitado até chegar ao Planalto-Alvorada.

O proprio Lula está, logico, claro e evidente, diante de uma problema crucial e fundamental. Não adianta ele dizer “Dilma está curada”. O que ele poderia falar? A eliminação do nome da Chefe da Casa Civil traz às manchetes impressas ou não, o nome dele para continuar. Ninguem pode dizer se haverá ou não haverá o terceiro mandato que já foi o grande sonho de Fernando Henrique, derrubado e destruido pelo fracasso do retrocesso de 80 anos em 8 do seu governo infeliz, ineficiente, inutil, incompetente.

Assim como a candidatura Dilma só ficará ou sairá na hora e que não existirem controversias, o mesmo ocorrerá com o possivel terceiro mandato de Lula. Dilma e Lula dizem o que têm a dizer. Ela: “Não sou mais candidata, esse cancer me destroi”. Inviavel, impossivel, e não só pela propria candidatura, mas porque isso envolve questões cpm efeitos colaterais de enorme repercussão.

Da mesma forma, Lula não pode vira publico: “Sou candidato ao terceiro mandato, minha popularidade continua altissima”. A politica não é conduzida dessa maneira. E pode ser queLula não queira mesmo, a debandada vergonhosa do PMDB pode ter feito o proprio Lula perceber que será dificil obter PLEBISCITO.

A diferente entre a POSSBILIDADE de Lula agora, e a de FHC em 1988, é que Lula só precisa de AUTORIZAÇÃO para disputar. Se conseguir, ganha o novo mandato sem sair de casa. FHC teve de comprar a REELEIÇÃO e garantir a “vitoria” pelo fato de já estar dentro do Planalto-Alvorada. E tinha Sergio Motta como conselheiro-executivo-do-mercado-comprador.

Voltando ao problema medico, o mais importante, pois influenciará e decidirá o problema inicialmente politico e depois eleitoral. A doença tem um indice de rejeição que não pode ser ignorado. Muitos comparam (e me escrevem, pedindo opinião) a doença de Dona Dilma com a de José Alencar. O vice conquistou a opinião publica pelo estoicismo, otimismo, esperança, grandeza diante da doença, uma clareza como consequencia de tudo, que é hoje uma das unanimidades nacionais, especialmente na luta contra o cancer.

Entra e sai do hospital e da propria sala de cirurgia com uma tranquilidade que deixa o povo em suspense total. Em 2010, terá votação consagradora para senador, é vice-presidente, por que não concorre a presidente? Porque senador é uma coisa, presidente outra completamente diferente. Naturalmente há tambem o fator idade.

Na Historia brasileira, existem duas mortes de presidentes que alteraram o jogo politico e a propria consequencia para o país. Afonso Pena era contestado em 1906, assumiu em 1907, morreu em 15 de junho de 1909. Assumiu Nilo Peçanha, inimigo terrivel de Rui Barbosa, já lançado candidato para 1910 (A coincidencia dos 100 anos). Com Afonso Pena no Poder, Rui estaria eleito. Com Nilo, apesar de sua formidavel “campanha civilista”, Rui não pôde ganhar do Exercito (o candidato foi o general Hermes da Fonseca, sobrinho de Deodoro), da Igreja, do Partido da Republica.

Em 1918 foi muito pior, e com a mesma origem.Rodrigues Alves, “presidente” estadual de São Paulo, (no Imperio), presidente da Republica e novamente governando São Paulo, foi lançado candidato a presidente, apesar de resistir muito. Estava com 70 anos (na epoca quem chegava até aí era “velhissimo”), tão doente que nem podia andar, exigiram sua candidatura com a explicação: “O senhor é o unico que pode ganhar de Rui”.

Ganhou com a maquina, sem sair de sua chacara, mas não tomou posse, criando terrivel crise politica. 67 anos depois, o fato se repetia, Tancredo Neves sabia da doença, “vou me hospitalizar depois da posse”. Não chegou lá, a crise só não foi maior porque o objetivo principal era não fortalecer a ditadura, que enfraquecera, mas continuava no Poder, e alguns generais queriam continuar.

PS- Esta é a analise isenta, completa, politica, medica, eleitoral e historica, que tem de ser enfrentada. Sem temor e com toda a coragem.

PS2- Felizmente para o Brasil, o prazo dado pelos medicos coincide com o prazo politico-eleitoral: 4 meses. Em setembro, tudo terá que estar resolvido, decidido, estabelecido. Seja medico, politico, e na ultima e irrecorrivel instancia, eleitoral.

Não dá para enquadrar José Serra

Carlos Chagas

Para fugir um pouco do noticiário atual, pleno de escândalos e lambanças praticadas no Congresso e fora dele, melhor tema não há do que prospectar o futuro. Claro que por nossa conta e risco, sem compromisso com o que poderá acontecer daqui a quinze minutos.

Vamos supor que José Serra seja eleito presidente da República, coisa que as pesquisas continuam indicando. Será, o retorno dos tucanos, uma volta às profundezas do neoliberalismo, das privatizações, da supressão dos direitos sociais que restaram, da prevalência das elites financeiras, mais ainda do que Luiz Inácio da Silva realizou?

De início, é bom ressaltar que a ascensão de nossos presidentes da República vem tendo, como característica, a frustração de quantos votaram conscientemente neles. Afinal, o país elegeu Tancredo Neves e acabou assistindo José Sarney no poder, alguém que pelo menos ideologicamente representava o oposto. Pulando Fernando Collor, eleito por medo da classe média diante do Lula, veio Fernando Henrique. Acreditava-se não apenas em seus dotes intelectuais, mas, em especial, no fato dele exprimir a esquerda consciente, não radical, disposta a dar alguns passos adiante no processo de aprimoramento social. Infelizmente, foi o que se viu: a adesão do novo presidente aos mais conservadores postulados elitistas.

A solução parecia levar os seus contrários ao poder, ou seja, votar no Lula para mudar tudo. Votamos, pela quarta vez, e o novo chefe do governo indignou mais da metade dos seus eleitores, adotando a mesma política econômica anterior, ainda que respingada pelo assistencialismo.

Pois agora pode estar se repetindo o mesmo fenômeno, só que ao contrário: por que imaginar que José Serra exprimirá o retorno do neoliberalismo integral? Só porque é tucano e integrou o governo de FHC? Ele pode surpreender, ou, ao menos, fornecer expectativas opostas. Jamais a volta aos tempos em que presidiu a União Nacional dos Estudantes, exilou-se no Chile e foi considerado um perigoso agitador marxista. Nunca o orador inflamado do comício do dia 13 de março de 1964, mas, quem sabe, alguém capaz de mudar o jogo econômico-financeiro. Um presidente em condições de obstar a política praticada em favor do andar de cima, através de favores e benesses aos bem aquinhoados, mas, ao menos, voltado para as agruras da classe média, sem abandonar as conquistas do andar de baixo.

Dada a característica singular da personalidade do governador de São Paulo, sempre fechado e sem humor, ranzinza a vida inteira, jamais será possível entrever suas verdadeiras concepções.

Há quem pense, assim, que a imaginária posse de Serra no primeiro dia de janeiro de 2011, deixará muita gente de calças na mão.

Formigas e formigueiros

Até agora, a arrogância não era incluída nos defeitos de Sergio Gabrielli, presidente da Petrobrás. Passou a ser. Em Nova York, semana passada, referindo-se à CPI que no Senado investigará a empresa, saiu-se com a afirmação de não ser verdadeira a máxima do “o que vem debaixo não me atinge”. Disse que atinge sim, como, por exemplo, o cidadão ficar de pé sobre um formigueiro.

Nem é preciso traduzir. Gabrielli sente-se atingido pela CPI da Petrobrás, comparando os senadores a formigas e o Senado, a um formigueiro. Pior não poderia ter falado, devendo cuidar-se, porque se as formigas ficarem bravas, podem morder para valer.

Ainda no tema Petrobrás, um registro oportuno. Os senadores Pedro Simon e Jarbas Vasconcelos bateram firme no próprio partido, o PMDB, diante de rumores sobre seus líderes andarem pleiteando a diretoria da Petrobrás que cuidará da extração no pré-sal. A ser verdadeira a pretensão, disse o gaúcho, será o escândalo dos escândalos, em especial se na barganha estiver inserido o apoio ao terceiro mandato.

O problema é que de certos setores do PMDB espera-se tudo. E não adianta dizer que até o palácio do Planalto ficou indignado, porque a sede do poder encontra-se em obras e, até agora, todas as reivindicações fisiológicas dos partidos aliados vem sendo religiosamente atendidas.

O milagre e o santo

Denunciamos dias atrás que junto com as manobras do terceiro mandato emergiam algumas alternativas, como a da prorrogação de todos os mandatos até o primeiro dia de 2013. Presidente da República, governadores, senadores, deputados federais e deputados estaduais teriam seus períodos prorrogados até a eleição dos novos prefeitos e vereadores, sob o pretexto da coincidência de mandatos. Uma vergonha, um casuísmo cabeludo. Vale, agora, depois de referido o milagre, citar o santo: é o deputado Sandro Mabel.

Para ele, o país economizaria bilhões e todos ficariam felizes, porque o Lula permaneceria mais dois anos no poder, os governadores também, até José Serra e Aécio Neves, além de todos os senadores e deputados, bem como suas mordomias.

Convenhamos, o dia seguinte sempre consegue ficar um pouquinho pior do que a véspera, como sempre vem dizendo mestre Hélio Fernandes.

É preciso fulanizar

Na Turquia, o presidente Lula denunciou empresários brasileiros como responsáveis pelos efeitos da crise econômica. Pretendendo ganhar mais, desviaram suas especulações para setores críticos, prejudicando o bom desempenho da produção. Revê toda razão, o companheiro-mór, mesmo tendo escolhido uma singular cenário para a acusação, às margens do Bósforo e sob a sombra da igreja de Santa Sofia. Poderia ter feito a denúncia em território nacional, mas o vazio que fica é outro: que tal o Lula fulanizar sua indignação? Que empresários valeram-se da crise para engordar suas contas bancárias, mesmo às custas da economia nacional? Generalizar, no caso, significa lançar sobre empresários honestos a pecha de bandidos. Pode ser que de novo no Brasil o presidente se anime a dar um passo adiante e até a mobilizar a Receita Federal, a Fazenda Nacional e o Ministério Público para um acerto de contas…

Três coisas, só uma vez

O senador Mão Santa virou personagem nacional, tanto por sua presença permanente no debate das grandes questões políticas quanto por obra da TV-Senado. Passou a ser conhecido no país inteiro e não tem papas na língua. Critica o governo, apesar de pertencer ao PMDB, como também vibra tacape e borduna nas oposições. Semana passada, saiu-se com uma de suas máximas que fazem a alegria ora de uns, ora de outros. Disse que três coisas só se faz uma vez na vida: nascer, morrer e votar no PT. Nem o líder dos companheiros, Aloísio Mercadante, ousou contraditar…

CPI da Petrobras

Nenhuma novidade, a razão é simples: a traição não tem explicação. Todos se sentem traídos ou traidores. E as marcas são eternas. O PSDB completamente arrependido. O PMDB achando que foi longe demais nas exigencias, o Planalto-Alvorada concedeu muito na chantagem. (Como fez com o lobista-chefe Eduardo Cunha, desse PMDB chantagista).

Assim os nomes só sairão não no ultimo esforço ou acordo, mas numa “golfada de sangue”, que a opinião publica não aceitará. Um dia, na distanciados tempos, a CPI será constituída. Para que mesmo?

Fechamento da jogatina na semana

Todos os 4 grandes indices do “mercado” financeiro dos EUA fecharam rigorosamente iguais: estaveis, sem alta ou baixa. O que mostra que jogam com as mesmas fichas, nos mesmos cassinos.

A Bovespa teve movimento mediocre, tanto na cotação como no volume da jogatina. Desde às 13 horas até agora, no fechamento, a Bolsa de São Paulo oscilou entre mais 1% e menos 1%. Ligeiramente, em ambos os casos. O total de negocios, o menor do ano, mas os amestrados não pode comentar: 3 bilhões e 600 milhões, menos da etade da segunda-feira, jogatina de 8 bilhões.

Fiquem preaparados: segunda-feira, feriado nos EUA, banqueiros no Brasil não jogarão, farão o memo que Ronaldo Fenomeno.

Tribuna da Imprensa vai voltar

A leitora Mariana escreveu:
Foi com surpresa que descobri por acaso o seu blog. Mas queria saber se o jornal não vai voltar a sair? Sinto muita falta da Tribuna da Imprensa. Fiquei alegre no dia que li em sua coluna que a indenização à Tribuna ia sair, mas agora não encontro nem mais a Tribuna online. Por favor, não deixe de me responder.

Comentário de Helio Fernandes:
Obrigado, Mariana, pela pergunta, e a resposta vale para todos os que carinhosamente perguntam pela volta do jornal, impresso e nas bancas. O compromisso que assumimos voluntariamente (mas que era obrigatório) foi o de usar a indenização, que já ultrapassou os 30 anos de espera (um inacreditável desprezo pelo direito reconhecido), era e continua sendo: o de pagar as DIVIDAS contraidas por causa da DESTRUIÇÃO pela ditadura e voltar com o jornal. Nada se modificou.

Leia Helio amanhã sobre o câncer de Dilma

Não deixem de ler, este sábado, considerações e reflexões de Helio Fernandes sobre as consequências do câncer de Dona Dilma. Ele não tem nada a ver (como dizem vários leitores) com o câncer de José Alencar. Nem com o TERCEIRO MANDATO de Lula. Este sempre existiu, todos podem protestar, menos FHC e o PSDB, que INVENTARAM A REELEIÇÃO.

Também não adianta responderem: “O próprio Lula diz que não quer”. Pretendiam o quê? A afirmação do presidente, “sou candidato”, podendo até ser processado por estar em campanha? E como já provei, Lula está indo menos contra a Constituição do que foi FHC. Para esclarecer: já que aqui tudo é baseado em INFORMAÇÃO e OPINIÃO, o que escrevemos é INFORMAÇÃO IRREFUTÁVEL.

Atualizando a jogatina

Pasmaceira na “cassinização”. Os bancos, que faturam na alta e na baixa, pararam mais cedo, hoje é sexta-feira, os banqueiros vão para suas fazendas “descansar”, afinal, o “mercado” só tem 20 dias para seu faturamento certo.

Às 13 horas movimentaram 1 bilhão e 400 milhões, duas horas depois ainda estava em 2 bilhões e 400 milhões. A essa hora, o mais baixo dos ultimos anos. Faltam duas horas de pregão, não vai muito longe.

No momento, 50.586 pontos, alta de 0,90, caiu um pouco. Vejamos como estará às 5 da tarde, fechamento do dia e da semana.

Inedito, textual e entre aspas

Lula, corretissimo: “Os bancos são os grandes responsaveis pela crise economica”.

Do FMI, comprometidissimo: “Os bancos vão precisar de ainda de muita ajuda para que a crise chegue ao fim”.

Henrique Meirelles: “Hoje, mais da metade da população do Brasil pertence à classe media”. Sua Excelencia podia explicar o que é CLASSE MEDIA?

Do economista turco-americano Nouriel Roubini, citado pela Folha: Recessão está perto do fim, mas crise economica, não”. Ha!Ha! Ha! Esse deve ser um dos economistas de aluguel, descartaveis. Como a recessão é consequencia da PERDULARIA CRISE ECONOMICA, como pode acabar e a crise continuar?

José Sarney, quem diria: “Não será surpresa se em breve lançarem um novo indice de sexo como indicador da saude economica no lugar do PIB”. Por favor, presidente, gozação ou humanização?

O gato comeu

Carlos Chagas

Depois de um ano de debates, primeiro o Senado, depois a Câmara, aprovaram projeto do senador Paulo Paim estendendo a todos os aposentados o reajuste anual de 16%, igual ao que recebem os aposentados de salário mínimo. Nada mais justo para com velhinhos que durante a vida inteira trabalharam e descontaram índices maiores para a Previdência Social. O diabo é que quando o projeto chegou ao palácio do Planalto, foi vetado pelo presidente Lula, sob a alegação de que levaria a Previdência Social á falência.

A grita foi geral e todos os esforços se fizeram, este ano, para que o Congresso votasse a aceitação ou a rejeição dos vetos presidenciais, mais de mil, que vem desde os tempos de Itamar Franco. Tudo marcado para o passado 13 de maio quando, por pressão do governo, os líderes dos partidos da base adiaram a votação. Sem mais aquela, sem dar satisfações à opinião pública, simplesmente adiaram. Para quando? Só Deus sabe, porque apesar dos protestos do senador Paulo Paim, o presidente do Congresso, José Sarney, não marcou data. Pode ser na próxima semana, por ser pelo Natal ou ficar para as calendas.

Que o governo neoliberal de Fernando Henrique agisse assim, tudo bem. Afinal, foi o sociólogo que criou o tal fator previdenciário, estabelecendo as diferenças de reajuste. Dizem que para promover, em poucos anos, o nivelamento por baixo de todas as aposentadorias, que ficarão iguais às de salário mínimo. Agora, imaginar que o governo dos trabalhadores fosse pelo mesmo caminho desperta, além de indignação, perplexidade. Porque para reduzir impostos da indústria ou liberar dezenas de bilhões de reais para o sistema bancário em situação falimentar, o dinheiro apareceu. Para os aposentados, o gato comeu…

Será que o Supremo barra?

No Congresso, cresce o número de parlamentares dispostos a votar de mentirinha a emenda do terceiro mandato ou um sucedâneo qualquer, sob o pretexto de que agradariam ao governo na certeza de que o Supremo Tribunal Federal, em seguida, consideraria a proposta inconstitucional. Pode não ser bem assim, apesar da opinião contrária de certos ministros. Afinal, o presidente Lula já nomeou sete dos onze integrantes da mais alta corte nacional de Justiça e poderá nomear mais dois, antes que a questão se coloque. Mesmo se um dos novos vier a substituir Ellen Gracie, também nomeada pelo atual presidente, o escore ficará em oito a três. Porque indicados por anteriores presidentes, só Gilmar Mendes, indicado por Fernando Henrique, Celso Mello, dos tempos de José Sarney, e Marco Aurélio Mello, apresentado por Fernando Collor. Deles se espera posição contrária ao terceiro mandato.

Mas na hora em que a decisão se colocar, como se comportariam os demais ministros? Claro que todos, sem exceção, em busca do Bom Direito, sem se deixar influenciar pelo responsável por suas indicações. Isso na teoria, porque na prática as coisas são diferentes. Afinal, se o Congresso tiver aprovado a emenda constitucional respectiva, não será fácil argumentar contra.

Assim, deveriam meditar deputados e senadores interessados em apenas fazer média com o presidente Lula. Deles depende o futuro das instituições.

A honra alheia

Carlos Lacerda, então deputado, debulhava mais uma de suas diatribes, pela tribuna da Câmara, quando um colega paulista o aparteou: “Vossa Excelência é um ladrão da honra alheia!” Resposta imediata de um dos maiores tribunos de nossa história parlamentar: “Então Vossa Excelência não tem nada a perder…”

O episódio se relembra por conta das acusações feitas a montes de representantes do povo, relativamente a seu lamentável comportamento congressual. Não tem nada a perder quantos justificam benesses, mordomias, falcatruas e sucedâneos. O grave é que quando o diálogo aconteceu entre Lacerda e o deputado paulista, este preferiu ficar calado. Hoje, os acusados de haver perdido a honra estrilam, protestam e investem contra a imprensa, por ser ela a abrigar as acusações. Passaram da defesa ao ataque…

Enxugando gelo

Adianta muito pouco os presidentes da Câmara e do Senado ficarem jogando para a platéia e reunindo líderes, constituindo grupos de trabalho e comissões especiais para impulsionar a reforma política. No fundo, José Sarney e Michel Temer sabem que nada será aprovado, do elenco apresentado pelo governo. Muito menos em termos de outras propostas nascidas no próprio Congresso. As mudanças prejudicam interesses variados, apesar de servirem para aprimorar as instituições. A conversa que corre nos corredores parlamentares é de que reformas desse tipo só podem ser promovidas no primeiro ano de cada nova Legislatura. Salvo engano, Suas Excelências estão enxugando gelo.

O homem que enganou Roberto Marinho

O maior sucesso da internet, no momento, é um documentário com esse título, publicado por mais de 60 sites, alguns importantíssimos. Baseado numa AÇÃO que o doutor Luiz Nogueira tem na Justiça, representando os herdeiros da antiga TV Paulista (hoje, TV Globo de São Paulo), tudo noticiado aqui.

Absurdo

Cristovam Buarque é (ou era) candidato a executivo máximo da Unesco. Tem todos os títulos, até a simpatia do presidente Lula, falta o apoio do Itamaraty. Esse é o Brasil. (Exclusiva)

Editora Mondadori

Triste, melancólico e lamentável. Essa editora, das maiores da Itália, tem como sede um belissimo projeto de Oscar Niemeyer. Pois agora essa Mondadori é propriedade de Berlusconi, o maior corrupto da Itália, garantem que do mundo. (Exclusiva)

E no Brasil?

Um grande personagem que conhece a política da Itália a fundo me dizia: “Na política da Itália são 186 mil políticos”. Pergunto o número exato de habitantes, responde: “50 milhões”. Nada mais parecido, politicamente, do que Itália-Brasil. (Exclusiva)