Todas as vitórias são santas, dizia Nelson Rodrigues

Pedro do Coutto

Nelson Rodrigues, que como ninguém, interpretou tão bem a paixão do torcedor pelo futebol, em sua coluna no Globo, tinha razão. Todas as vitórias são santas. Quando vencemos, no gramado ou na própria vida, devemos agradecer a Deus e receber o êxito com humildade. Nunca deslumbrar. Claro que não foi uma boa partida a vitória da Seleção Brasileira sobre a Coreia do Norte, em nossa estréia na Taça do Mundo 2010, na tarde de terça-feira, mas o importante é que iniciamos nossa caminhada.

O time se encontrou mal em campo, Kaká esteve sem ritmo, revelando também não estar em plena capacidade atlética. Luís Fabiano impediu-se demais, com isso desperdiçando uma série de ataques. Meio campo muito lento na saída de bola, a equipe, como um todo, deslocou-se pouco, e lentamente, desta forma dificultando as jogadas e, pode-se dizer assim, marcando a si mesma. Temos que melhorar, e muito, na partida contra a Costa do Marfim que, no empate de zero a zero, esteve mais perto do gol do que Portugal.

Portanto, domingo voltamos a campo e na sexta, dia 20, enfrentamos os portugueses. Vamos torcer para o escrete melhorar e atuar mais rapidamente. O estado de uma equipe mede-se pelo número de passes que troca para chegar à área adversária. Na tarde da terça-feira trocávamos passes em excesso e custávamos a penetrar na defensiva nortecoreana. Jogando lento nossa atuação não despertou entusiasmo e facilitou o bloqueio da defesa contrária. A Seleção de Ouro, em síntese, estava sem cadência e, talvez por isso, as entregas de bola eram excessivamente curtas. Mas tudo isso passou, vamos lutar pelo hexa com o orgulho de quem já conquistou o pentacampeonato. Mantenhamos a corrente acesa através do pensamento positivo. Todas as vitórias são santas.

Não é a primeira vez em Copas do Mundo que começamos fora de nossa plenitude. Em 58, por exemplo, iniciamos mal e o técnico Feola fez quatro substituições  no time. Saiu Joel, entra Garrincha, sai Mazola entra Vavá, saiu Dino Sani entrou Zito, do Santos, saiu Dida entrou Pelé. Conquistamos a Taça. Em 62, começamos mal, problema agravado com a distensão do rei do futebol, na primeira partida, contra a Tchecoslováquia: zero a zero. Pelé foi substituído por Amarildo. O panorama contra a Espanha não estava nada bom. Vencemos por dois a um, com Amarildo acertando um chute incrível, quase sem ângulo algum. Alcançamos o bicampeonato, no final da ópera.

Em 70, na campanha do tri, surgiram problemas em série nos jogos preparatórios, culminando com a substituição do treinador João Saldanha por Zagalo. Era a Copa do México. Possamos vinte e quatro anos sem um novo título mundial. O que acabou acontecendo nos Estados Unidos, com a providencial convocação de Romário, que terminou prevalecendo. Sem ele, não teríamos ganhado. Devemos ter este reconhecimento para com o craque. Na brilhante vitória de 2002, sob o comando de Felipe Scolari, custamos a engrenar. Quase perdemos para a Turquia, nos salvou um erro do juiz que marcou um pênalti a nosso favor numa falta ocorrida quase a um metro fora da área.

São esses exemplos que devemos ter em mente no momento em que decolamos em busca do sexto campeonato do mundo, nesta décima nona Copa. Devemos recordar que nas dezoito disputas, vencemos cinco e estivemos sete vezes na final. Vamos acreditar, pois com Dunga, nas eliminatórias nos classificamos em primeiro lugar e conquistamos a Copa das Confederações e a Copa das Américas. Vitórias, todas elas são santas. Inclusive a de terça-feira.

África do Sul, dona da casa, eliminada e fora de casa

Dois jogos, um empate e uma derrota, não deixam chances para a anfitriã. Mas na verdade, já estava a perigo, e praticamente sem esperança, ao contratar o exibicionista Parreira.

Tendo dirigido três seleções árabes, sem classificar nenhuma, e mais importante, sem vencer um só jogo, o que iria conseguir com a África do Sul? Só por ser a dona da casa?

O Uruguai não foi muito melhor, e diga-se com toda segurança: nessa Copa, ninguém parece ser melhor do que ninguém. Ou empatam e não saem disso, ou ficam no 1 a 0, com a única esperança de empatarem num lance final.

Para terminar: não foi pênalti, que resultou no segundo gol. O goleiro raspou ligeiramente no atacante, que deixou o pé e fez a costumeira encenação. Mas o Uruguai ganharia, mesmo sem o pênalti, perdão, o Bafana Bafana perderia.

A favorita Espanha não sabia. A Suíça não tem apenas relógios, chocolate e contas numeradas

Nenhuma injustiça: a Suíça mereceu, a Espanha cumpriu o roteiro habitual. Jogo que interessa fundamentalmente ao Brasil. A seleção do “misterioso” Dunga terá que enfrentar o primeiro ou segundo dessa chave. E tem que se classificar.

PS – Nessa Copa, quem faz 1 gol, já é herói e vencedor. Até agora, nenhuma reviravolta.

Garotinho no TRE e no TSE

Nos círculos da Justiça, não se fala noutra coisa. O ex-governador está com dois recursos, e garante (como revelei com exclusividade) que se perder no pleno do TRE, “não disputa sub-judice”.

O presidente do Tribunal de Justiça, preocupado com o fato do CNJ (Conselho Nacional de Justiça) poder investigá-lo. A denúncia ainda não foi apresentada, nem sei se será. Se for, Zveiter não se salva.

“Passione” não apaixona

Essa novela obteve os menores índices dos últimos tempos, segundo o Ibope. Não passou de 30 pontos, a média é de 37. O “Jornal Nacional” caiu 6 pontos, veio para 26, tem estado muito chato, o público percebe.

A novela da Record, “Beth, a feia”, conseguiu 14 pontos, que maravilha viver. Sensação continua sendo “Pânico na TV”. Manteve os 10 pontos da semana passada, uma façanha para um canal que não tem audiência própria.

Dunga para Maicon: “Teu gol, sensacional”

O treinador da seleção está sempre na contramão do bom senso. Elogiar abertamente o primeiro gol do Brasil, tão ridículo quanto seu comportamento. Maicon não chutou nem podia chutar, não tinha ângulo. O árbitro devia registrar como “gol do goleiro”.

Em 1974, um
gol igualzinho.

Copa da Alemanha, último jogo da chave, Brasil-Zaire. O Brasil precisava de mais 1 gol para superar a Escócia e ir para a segunda fase. Só que o gol não saía de modo algum.

Em determinado momento do segundo tempo, Waldomiro, ponta-direita, (naquela época existia isso) recebe a bola ainda mais sem ângulo do que Maicon ontem. Chutou despretenciosamente, a bola entrou por baixo das pernas do goleiro. Este, com a cabeça enterrada na grama, me provocou enorme tristeza.

Naquele tempo, menos concorrentes, o Brasil ganhou mais 1 jogo, chegou à semifinal com a Holanda. Apavorada em enfrentar a seleção de Cruijff, perdeu sem resistência. Depois, disputaria o terceiro lugar com a Polônia, perderia novamente.

A presidente (ex) do Chile
aplaudiu a seleção medíocre

Sem futebol como em toda a Copa. Abrindo a sexta rodada, apenas um golzinho, o que valeu para a vitória. Dona Bachelet, feliz, cumprimentando os jogadores e abraçando até o “louco” Bielse, treinador (argentino).

No final da tarde,
os donos da casa

A África do Sul entra em campo para enfrentar o decadente Uruguai. Expectativa. Pela simpatia dos súditos de Mandela, e o exibicionismo e “idolatricismo” de Parreira. Que ainda não ganhou nenhum jogo dirigindo (?) seleções estrangeiras.

O que fazemos aqui, eu e os leitores, é debater fatos históricos que mudaram o futuro do Brasil. Muitos opinam. Outros, como o repórter, viveram, é diferente.

Respondendo a alguns ou muitos que desejavam que eu contasse fatos entre 1955 e 1964, tive que sumarizar e sintetizar, pois é um espaço de tempo muito grande. Haroldo (que deve ser oficial) e Antonio Santos Aquino (que é), voltaram, o que achei excelente. Não me causa o menor aborrecimento o fato de discordarem de mim, civilizadamente, como fizeram.

Apenas como complemento, devo dizer que em todos esses episódios, eu estava jornalisticamente na primeira fila, vi tudo privilegiadamente. Isso não quer dizer que minhas análises sejam impecáveis, irrefutáveis e irrevogáveis. Muita gente assiste e não sabe dissecar, seja um episódio golpista, uma peça de teatro, um filme. Pelos comentários, a impressão é de que duas pessoas que estavam juntas, viram coisas diferentes.

Os militares sabem muito bem (e o repórter não ignora) que o Exército (e as FAs, assim, como escreveu o Haroldo) se baseia na hierarquia. E mais, complementando: na hierarquia e na disciplina. Sem isso não pode haver Exército, Marinha ou Aeronáutica, (embora o Exército sempre seja o dominador, não houve nenhum episódio com predominância da Marinha ou da Aeronáutica).

É lógico que essas duas armas, a Marinha, a primeira a ser criada, a Aeronáutica, a última, tiveram participação importante em vários episódios, mas jamais chegaram ao Poder. Duas revoltas em 1892 e 1893, chefiadas pelo almirante Custódio. A primeira, chamada de “Revolta da Marinha”, contra o “presidente” Floriano. A segunda, comandada pelo mesmo almirante, intitulada “Revolta da Armada”, surpreendentemente a favor de Floriano. E outros lances não tão  históricos. (Como os dois do Tamandaré, um com bombardeio da cidade, outro sem).

A FAB, criada em 1941, com um ministro civil, como Epitácio Pessoa já fizera, teve grande destaque na “República do Galeão”, e mais tarde nos episódios de Aragarças e Jacareacanga, com Carlos Lacerda envolvido, mas aí inteiramente injustiçado. Fez tudo para evitar as explosões. Mas pelo passado conspirador, não teve força para provar sua ausência e inocência.

Quanto à participação do general Lott na posse de Juscelino, desculpem, foi igual a zero. Por que insistem tanto em dar o crédito ao general Lott e esquecem inteiramente de Denys? Os dois moravam perto de onde é hoje o Maracanã, em residências oficiais.

Por volta das 4 da manhã, Lott acordou para ir ao banheiro, viu luz na casa de Denys, ligou para ele pelo telefone de campanha, recebeu o convite, “venha para cá”. Foi.

Quando enfim saíram de lá, mais tarde, tudo já estava resolvido, articulado por civis, junto com os coronéis gêmeos que citei, José Alberto e Alexinio Bittencourth. Sei que é atípico, mas também é atípico o fato de um cidadão (Juscelino) ser candidato a presidente, ganhar e ter a posse negada ou ameaçada.

Uma pergunta que confirma minha revelação, e que duvido possa ser explicada ou até contestada: porque o presidente eleito e ainda não empossado convidaria o coronel para viajar com ele. A comitiva tinha o presidente e mais 4 pessoas, sendo uma este repórter, e dois representantes do Itamarati. Por que incluir o coronel?

Eu mesmo não conhecia os dois irmãos, fui saber da existência deles na hora dos acontecimentos. Quando Denys e Lott se encontraram, Nereu Ramos, às 6 horas da manhã (em ponto) era eleito presidente da República. Seria o substituto constitucional. (Café já era o vice, Carlos Luz viajava no Tamandaré, Nereu deveria assumir interinamente, preferiram que ficasse efetivo até 31 de janeiro de 1956, posse de JK, o que aconteceu).

***

PS – As réplicas (no bom sentido) do Haroldo e do Aquino, trazem fatos inteiramente separados desses da posse de Juscelino. Como eu disse, nunca existe apenas um golpe, geralmente são dois.

PS2 – O único golpe exclusivo que conheço, ocorreu na Bulgária em 1932. 38 oficiais do Exército, tomaram a localização física do poder (o palácio presidencial), começaram a enviar “ordens radiofônicas para todas a unidades”, foram atendidos e exerceram o Poder se um tiro.

PS3 – De uma certa maneira, foi o que aconteceu no Brasil em 1889, no que chamam de PROMULGAÇÃO da República. O que houve foi a IMPLANTAÇÃO, com dois marechais no comando de tudo, até se desentenderem. (O que aliás já acontecera na estranha Guerra do Paraguai, quando eram coronéis).

PS4 – Ninguém se conformou com a posse de Juscelino, o seu próprio PSD estava em pânico. Mas Juscelino governou os 5 anos, embora as contusões de 1955, reabrissem em 1961, 1963 e finalmente em 1964.

PS5 – Muitos amigos me cobravam livros sobre esses fatos que lembro, inteiramente de memória. Alguns chegam a dizer: “Helio, se você tivesse começado a contar esses fatos em livros, a partir de 1960, de 4 em 4 anos, já teria publicado pelo menos 10 depoimentos”.

PS6 – É possível, é possível. Mas sempre tive, digamos, um certo cuidado a respeito, de relatar fatos e mais fatos, com os nomes dos personagens que participaram em primeiro plano, desses episódios.

A decisão ficará com Marina?

Carlos Chagas

Bola de cristal que funcione,  ninguém tem. Mesmo assim, pelas pesquisas efetuadas até agora, tudo indica que haverá segundo turno nas eleições presidenciais. O empate entre Dilma Rousseff  e José Serra acabará resolvido em favor de um deles, mas, tudo indica, por pequena margem. De público os comandos de campanha não reconhecem porque seria  sinal de fraqueza aceitar que seu candidato não vencerá no primeiro turno, mas a verdade é que tanto no PT quanto no PSDB já se cuida da estratégia para o segundo.

“Bebe água limpa quem chega primeiro na fonte”, diz o provérbio árabe. Começam tucanos e companheiros a alinhar os fatores que marcarão a segunda disputa: mais movimentação,  agressividade adicional  diante do  adversário, atenção maior  ao programa de governo, aproximação acelerada com a mídia, recolhimento de recursos  suplementares, preparação para os dois debates cruciais e Marina Silva.

Marina Silva? Sem dúvida alguma, a senadora se constituirá num dos principais fatores decisórios. Dificilmente ela se inclinaria por José Serra,mas poderia, muito bem, ficar alheia à disputa, coisa que não  favoreceria Dilma Rousseff.  Por isso os dois candidatos mais fortes tratam a candidatura de Marina com respeito e até carinho.

E ela? Ela tem contas a ajustar com o PT. Apesar de  declarações  sempre sentimentais com relação ao  antigo  partido, falando até  em dorzinha no coração, seu caminho não tem volta. Valerão ouro os prováveis 10% ou pouco   mais  que receberá no primeiro turno. Seriam decisivos para Dilma, se carreados em maioria para ela. Para Serra, é aqui que mora o perigo,valendo menos a decisão que o PV tomará,  como partido, e muito mais o posicionamento da própria Marina. Não deixa de ser fascinante especular a respeito.

Para a História

Ficam para a História os dois pronunciamentos do senador Pedro Simon, no fim de semana. Um na sessão matutina do Senado, sexta-feira,  outro  no  plenário da convenção do PMDB, sábado. Raras radiografias tão perfeitas tem sido apresentadas sobre o outrora aríete que derrubou a ditadura.  Ainda o maior partido nacional, o PMDB dissolveu-se como sorvete ao sol, não tendo sido poupado pelo senador  gaúcho. De Ulysses Guimarães a Tancredo Neves e a Teotônio Vilela, virou um partido de… (bem, deixa para lá).

Pobreza só diminui se salário derrotar inflação

Pedro do Coutto

Reportagem muito clara, muito bem feita, de Fernando Canzian, Folha de São Paulo de 13 de junho, com base em dados fornecidos pelo economista Marcelo Neri, chefe do Centro de Pesquisas Sociais da Fundação Getúlio Vargas, acentua que o número de pessoas que vivem na miséria no Brasil, hoje na escala de 30 milhões de pessoas, vai cair à metade em 2014. Cinquenta por cento num período de quatro anos, apenas, representa um salto de gigante. Muito difícil de ser atingido, um sonho. Só existe um caminho: o nível de desemprego baixar 8% atuais para 5 e os salários superarem as taxas de inflação do IBGE. Hoje, o índice inflacionário dos últimos doze meses, também de acordo com o Instituto Brasileiro de geografia e Estatística, é de 5,3%.

Há sintomas quanto ao recuo do desemprego, de acordo com informações do ministro Carlos Lupi, mas não existem sintomas capazes de conduzir à afirmação de que os assalariados estejam derrotando a inflação. Entretanto, o professor Marcelo Neri sustenta que, no governo Lula especialmente nos últimos quatro anos, a velocidade dos que conseguiram escapar da carência absoluta é de 10% a cada doze meses. Será fato? Francamente não parece, inclusive porque, de acordo com a professora Lena Lavinas, da UFRJ, igualmente citada na matéria, 90% dos empregos formais criados no mercado de trabalho incluem remuneração até  – disse ela – três salários mínimos. Portanto o até três salários mínimos é indicativo de que a média setorial é menor do que este patamar.

Em matéria de mercado de trabalho, aliás, não basta levar em conta somente o número de novos postos. Não. É indispensável confrontar-se os novos empregos com o total das demissões sem justa causa. Até o exercício de 2008, o relatório anual do FGTS publicava esses números, cerca de 1 milhão e 200 mil dispensas por ano. Custavam inclusive algo em torno de 26 milhões de reais em saques. Entretanto, o relatório de 2009, já publicado no Diário Oficial, omitiu tais informações. Importante que tal divulgação seja feita para podermos comparar as admissões e as demissões. Quanto ao desemprego, segundo o IBGE na escala de 8%, representa a existência de aproximadamente 7,5 milhões de desempregados, pois a mão de obra ativa brasileira, metade da população, reune em torno de 95 milhões de homens e mulheres. Um pouco mais de homens que mulheres: 56 a 44%. Mas esta é outra questão.

O essencial é elucidar o problema como um todo, de forma global e lógica, já que sem lógica não se chega a lugar algum. E para isso temos que obrigatoriamente observar também a taxa demográfica, no ritmo anual de 1,2%, assinala O IBGE. Assim, nascem em nosso país cerca de 2 milhões de pessoas por ano. Como a força de trabalho representa a metade do total de habitantes, verifica-se por este dado a necessidade de serem criados anualmente 1 milhão de novos empregos. Para empatar. Mas nós não podemos empatar, pois o empate nos desclassifica. Precisamos vencer, ultrapassar a carga demográfica. Estamos conseguindo isso, além de recuperar os pontos perdidos? Não. Os salários estão vencendo as taxas inflacionárias? Não, exceto o salário mínimo. Porém o piso abrange apenas 27% da mão de obra. Dessa forma, como poderemos então reduzir a pobreza à metade no espaço de quatro anos?

Avanço e retrocesso no Oriente Médio, onde a política se confunde com religião e até o verdadeiro amor pode ser proibido.

A Tribuna da Imprensa, que já contava com a colaboração de Carlos Chagas, Pedro do Coutto, Roberto Monteiro Pinho e Edson Khair, entre outros, a partir de hoje volta a publicar também a coluna do embaixador Sergio Nogueira Lopes, ex-presidente da Sociedade Pestalozzi do Brasil.

Nogueira Lopes tem prestado grandes serviços ao Rio de Janeiro, e por isso já foi agraciado pela Alerj e pela Câmara Municipal com as medalhas Tiradentes e Pedro Ernesto.

Graduou-se em 1974, em Ciências Sociais, no Instituto de Filosofia e Ciências Sociais, da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), e licenciou-se em Ciências Sociais, pela Faculdade de Educação da UFRJ, em 1976.

Cursou a Escola Superior de Guerra, em 1977. Iniciou-se no magistério neste mesmo ano, na própria ESG. A partir daí, foi diretor da Faculdade de Educação e Letras e professor de Sociologia da UFRJ.

Em 1993, como presidente da Fundação Municipal Francisco de Paula (Funlar), foi responsável por uma reforma conjuntural que, além de dotá-la de nova estrutura administrativa, resultou na duplicação de vagas, deu-lhe novas funções e impulsionou a criação da primeira filial: a seção de Campo Grande.

Devido ao trabalho comunitário desenvolvido no bairro de Santa Tereza e à experiência como professor-colaborador da Escola Angel Viana, em 1994 assumiu a presidência da Sociedade Pestalozzi do Brasil, que sob sua gestão vem aprimorando expressivamente suas atividades, tendo criado 32 postos avançados da instituição beneficente.

Em 1996, tornou-se membro do Conselho Estadual de Defesa da Criança e do Adolescente, tendo participado de congressos, seminários, simpósios, conferências e debates em instituições universitárias e profissionais do Rio de Janeiro e também em entidades internacionais no Brasil e no exterior.

Graças à troca de experiência e ao conhecimento adquirido, escreveu os livros “Projeto Escola” e “Educação para a Prosperidade”, e se tornou colaborador de alguns dos principais jornais do Rio de Janeiro.

Hoje, em sua volta à Tribuna, Nogueira Lopes traz a debate dois assuntos de primeira: o acirramento da tensão no Oriente Médio e a longevidade com cada vez saúde.

Relações de amor e ódio no Oriente Médio.
E o Brasil? O que temos a ver com isso?

Nogueira Lopes

O caso da frota humanitária atacada por militares israelenses continua tendo desdobramentos na Europa, e agora um grupo de pacifistas de vários países prepara a expedição “Um barco judaico para Gaza”, visando a levar ajuda humanitária aos palestinos no fim do próximo mês.

A iniciativa é da organização “Judeus Europeus por uma Paz Justa”, e a embarcação vai levar jornalistas dos canais 2 e 10 da televisão israelense, para testemunhar que há judeus que querem “justiça para os palestinos”.

O comandante do barco, Glyn Secker, já adiantou ao jornal português “Público” que um sobrevivente do Holocausto da Segunda Guerra Mundial, de 85 anos, vai juntar-se a ativistas alemães, britânicos e de outras nacionalidades, para protestar contra o bloqueio de Israel.

“Somos gente não violenta, que considera que o bloqueio é um castigo coletivo e ilegal para toda uma população”, afirmou o comandante do barco, que durante a segunda quinzena de julho deverá zarpar de um porto no Mar Mediterrâneo, em direção a Gaza.

A iniciativa da organização “Judeus Europeus por uma Paz Justa” é um avanço, não há dúvida, mas esbarra com um incrível retrocesso nas relações entre Egito e Israel, apesar da paz assinada há mais de 30 anos entre os dois países.

A Alta Corte Administrativa do Cairo acaba de confirmar um veredicto que cancela a nacionalidade dos egípcios casados com mulheres israelenses. O juiz Mohamed al Husseini, da Alta Corte Administrativa, considerou que o Ministério do Interior deve pedir ao governo para tomar as medidas necessárias e cassar a nacionalidade de egípcios casados com israelenses, bem como de seus filhos.

No ano passado, o tribunal de primeira instância já havia pedido ao ministério do Interior que examinasse o caso de um egípcio casado com uma israelense, e de seus filhos, para “tomar as disposições necessárias e retirar-lhes a nacionalidade”.

O advogado que apresentou o processo no tribunal, Nabil al Wahsh, argumentou que “a lei sobre a nacionalidade egípcia adverte contra todo casamento com pessoa considerada sionista”. Segundo o advogado, o número de egípcios casados com israelenses chega a 30 mil, dos quais “a grande maioria com sionistas e apenas 10% com árabes-israelenses”.

Como o veredicto dessa Alta Corte Administrativa do Cairo não é passível de apelação, a decisão é um retrocesso grotesco e perigoso, principalmente porque mistura interesses políticos e relações conjugais, numa região do mundo onde a política desgraçadamente insiste em se confundir com religião.

Nesse particular, o Brasil é exemplo de convivência pacífica de árabes e judeus, como ocorre no centro comercial do Saara, aqui no Rio, mas fica meio ridículo (e até grotesco) nosso governo dar força á corrida armamentista no Oriente, pois estão mais do que óbvio os objetivos do Irã no tocante à sua insistência em obter urânio enriquecido. Aliás, será que nosso governo sabe para que serve urânio enriquecido?

Clint Eastwood aos 80 anos

Depois de Alain Delon, que já chegando aos 85 anos, agora é o ator e diretor Clint Eastwood que completa 80 anos, em plena forma, filmando e interpretando. Eles são um exemplo, não somente às novas gerações, mas a todas elas. Delon e Eastwood comprovam que, exercitando corpo e mente, a vida pode ser prolongada em muitos, muitos anos.

Eastwood, por exemplo, sempre interpretando heróis em seus filmes, tornou-se um herói na vida real. É um homem correto, simples, que não liga para estrelismos e já foi até prefeito da cidadezinha onde mora, Carmel, no litoral da Califórnia.

Aqui no Rio, temos o exemplo do mestre Helio Fernandes, que tem mais idade do que Delon e Eastwood, também continua se exercitando diariamente, às margens da Lagoa Rodrigo de Freitas, e trabalha no Blog 7 dias por semana.

Que esses nossos super-heróis tenham saúde e vida cada vez mais longa.

Um leão meio desdentado

Essa seleção do Dunga parece um leão velho, já meio desdentado, que nao assusta mais ninguém. Não conseguiu assustar nem mesmo a Coréia do Norte. Vamos torcer, conscientes de que o Brasil pode até ganhar a Copa, mas exclusivamente em função da fraqueza dos adversários.

Outro detalhe: na estréia, Dunga apareceu vestido com aquela roupa do marinheiro Popeye, lembram? Como já tem a boca torta, ficaram faltando apenas o quepe e o cachimbo.

O presidente Lula agiu corretamente ao sancionar o reajuste de 7,7%

José  Carlos Werneck

O presidente Lula agiu corretamente ao sancionar o reajuste de 7,7 por cento, aos aposentados e pensionistas da Previdência Social. Para tomar tão sábia e inteligente decisão, o presidente da República teve de contrariar os arautos do Apocalipse e os embaixadores da tragédia, que o cercam e afirmavam que o reajuste, aprovado pelo Congresso Nacional irá quebrar a Previdência.

Posso, desde já, afirmar, com toda certeza, que acontecerá justamente o contrário. Com milhões de brasileiros ganhando um pouco melhor a Economia do País vai crescer. Mais gente irá às compras, dívidas serão pagas, o Governo vai arrecadar mais, empregos formais serão criados, mais contribuições serão feitas à Previdência. Enfim a Economia vai girar.

Não adianta o País exibir belos índices para o FMI e para os banqueiros internacionais e haver tantos brasileiros ganhando mal e passando por sérias dificuldades.

Dar aumento de salários, principalmente aos mais pobres é redistribuir riqueza. É democratizar o capitalismo. É melhorar o padrão de vida do povo. É fazer o País crescer e principalmente

Nivelar por cima

Só os agiotas e os fazendários é que gostam de ver o povo na miséria para se aproveitar, principalmente, dos menos favorecidos. Aos usurários interessa sempre que nossa cruel desigualdade social e nossa perversa distribuição de renda sejam mantidas.

Lula ao sancionar o aumento dos aposentados, voltou a ser o Lula do passado. O homem que se preocupava e tinha compromissos com o povo e ouvia com atenção o clamor das ruas.

Quanto a veto do fim do fator previdenciário, o assunto merece mais atenção e estudos detalhados. Essa criação hedionda, que, aliás, não foi idéia de Lula, contraria e violenta todos os princípios de direito adquirido. Deve vigir somente para aqueles que começarem a contribuir agora para à Previdência e nunca para os que já pagaram de acordo com as leis vigentes, na ocasião em que entraram para o mercado de trabalho. Sei que para tratar desse tema não haverá tempo hábil para atual presidente..Mas é assunto que merece ser tratado,com a atenção e respeito,por quem for eleito para o próximo período de Governo,pois foi um verdadeiro calote naqueles que pagaram corretamente suas contribuições previdenciárias e foram surpreendidos com uma quebra unilateral das regras do jogo.

Presidente, a Previdência não vai quebrar, pode estar certo disso. Ela vai crescer e o senhor verá isso ainda nos poucos meses, que lhe restam no Governo. Tenha certeza que o Brasil vai exibir índices econômicos ainda mais pujantes. Seu gesto,ao contrário,do que lhe disseram,os tecnocratas de bobagem que o cercam,vai fazer do Brasil, um lugar melhor e mais bonito de se viver!

A Coréia do Norte foi o que se esperava, o Brasil não, mas conquistou os três pontos

Finalmente o Brasil estreou. Estreou? Aqueles 45 minutos,  contabilizados ou têm que ser desconsiderados? Que decepção para o repórter e para a sua confiança. Depois de 9 Copas assistidas nos países onde se realizaram, som e imagem comprometidos, mas desinteressados.

As 5 redes e as inúmeras televisões abertas, recitando a mesma ladainha: “Venha torcer conosco”. De que adiantou? Com 1 minuto e pouco, Robinho deu a impressão de que havia seleção. Dois dribles, uma bola passada entre as pernas, perigo de gol. Aos 7 minutos, novamente Robinho, a esperança era ele.

E assim o primeiro tempo não passou disso. Michel Bastos foi o que mais chutou e o que mais desacertou. Kaká perdeu todas as divididas, não acertou um passe, mas pode renascer. A Coréia do Norte não deu para saber se Julio César se recuperou.

Aos 22 minutos, Dunga tranqüilo e imperturbável. Aos 27, os primeiros sinais para o campo. Aos 30, levanta os braços, bebe água. Aos 36, gestos desalentados, acaba o tempo, vai andando lentamente para o vestiário.

Parecia que tudo ia se repetindo no segundo tempo, até os 10 minutos, quando sem ãngulo, Maicon chuta violentamente. Na posição em que ele estava, a impressão era de bola na rede, pelo lado de fora. Mas quando o goleiro se joga no chão, desesperado, a certeza: o Brasil abriu o placar.

Aos 17, lance estranho: 4 jogadores brasileiros sozinhos na área coreana, sem impedimento. O impedimento foi “técnico” de Juan, que inexplicavelmente joga a bola pela alto e para fora. Aos 20 minutos, apesar da Coréia não chegar, Dunga começa a falar com ele mesmo, o que acontece muito com tenistas mas não com treinadores de futebol.

Aos 26 minutos, Dunga, depois de conversar com Jorginho, chama Daniel Alves para entrar no lugar de Elano, que não fazia nada. Entre a decisão de tirar Elano e colocar Daniel Alves, Robinho dá um passe maravilhoso, e Elano faz o segundo gol do Brasil. Assim mesmo Elano sai, não devia ter entrado.

Aos 32 minutos sai Kaká, sem tristeza ou saudade. Ia sair Robinho, que se machucou, mas mesmo com 2 a 0, por que tirar o grande destaque do jogo? Quase aos 39, Felipe Mello vai embora, entra Ramires, essa é uma seleção sem segredos ou mistérios.

Aos 40, Luis Fabiano continua mais “coreano do que brasileiro”, desperdiça a oitava bola. Não existe nenhum perigo, a expectativa e até a esperança é de um 3 a 0, mas surpreendentemente é a Coréia que faz seu gol, numa falha clamorosa e previsível de Gilberto Silva.

Dunga dá a impressão de não ter entendido, antes esbravejou contra o árbitro que deu cartão amarelo a Ramires. É que na Copa, dois cartões geram automaticamente a suspensão por um jogo.

Acabou na hora exata, todos os narradores e comentaristas vibram: “O Brasil estréia com vitória, foi um bom começo”. Menos para este repórter, que “sabia” que o Brasil ganharia, mas não assim. Agora, só domingo.

Dossiê do Pimentel, que está “prestigiado”

No PT, diziam como quem atirasse em alguém no “paredón”, que o culpado das ações contra José Serra era o ex-prefeito de Belo Horizonte. Foi o maior “empurrão” dado na candidatura Helio Costa.

Passados alguns dias, Dona Dilma veio a púlico: “O Pimentel não tem nada com isso, continua prestigiado”. Parece técnico de futebol. Deixou a campanha e não é mais candidato a governador.

Para onde irá Celso Amorim?

Surpreendente permanência no Ministério das Relações Exteriores. Da sua turma no Rio Branco, ninguém apostava nele. Agora, ao deixar de ser chanceler, nova aposta: será embaixador no Zimbábue ou na Tanzânia? Conseguirá?

Paulo “Skariotes” desistirá

Ninguém sabe a razão de ter se lançado a governador de São Paulo. Tem recursos de mais e votos de menos. Há meses digo que ele desistirá. Está chegando a hora. E por que um  empresário-reacionário, se candidata pelo Partido Socialista?

Agradecimento aos jornalões

Terminada a quarta rodada, decepcionado com o que acontecia na África do Sul, escrevi: “Até agora o futebol não entrou em campo”. Hoje, na Primeira, dois jornalões repetem o que comentei, e terminam como terminei: “O Brasil vai mostrar o futebol verdadeiro”.

Hoje, terça, a Nova Zelândia empatou com a Eslováquia quando o juiz já ia acabar o jogo. Aproveitou o gol, apitou também o fim.

Portugal e Costa do Marfim entraram a seguir, fizeram 45 minutos sem futebol, sem resultados, e como não fizeram gols, sem espetáculo. Voltaram parece que por obrigação, e jogaram também por obrigação.

Outros 45 minutos, novo 0 a 0, poderiam jogar 45 horas ou 45 dias sem marcar. Embora nos últimos 10 minutos, a Costa do Marfim não saísse da porta do gol de Portugal. Este, supervalorizado, sentiu a “falta” de Cristiano Ronaldo e Deco.

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PS – No momento, 13 horas. Dentro de 2 horas e meia, o Brasil vai golear a Coréia do Norte. Não pode nem haver surpresa.

Jereissati ficha-limpa. Faliu o Banco do Ceará, indiciado pela Polícia. Senador em 2002, o processo passou para o Supremo. Já se foram quase 8 anos, vai se reeleger, e o julgamento?

Virou lugar-comum: “O Supremo decidirá imediatamente processos a respeito de parlamentares que estejam respondendo no mais alto tribunal do país”. Não precisava da aprovação desse projeto, era obrigação do Supremo não deixar processos ou ações, engavetados nos seus gabinetes ou em lugares majestosos.

Esse ficha-limpa é uma heresia. Podíamos usar também a palavra hipocrisia, na verdade não precisava de rótulo, e sim de decisão, convicção, determinação. Quando resolveram que a ideia deveria ser transformada em realidade, admitiram logo alguns “preservativos” para proteger amigos, camaradas e correligionários.

Proteção inicial: sentença de primeira instância não vale, violentaria a “presunção de inocência”, garantida pela Constituição. De uma certa forma, poderia haver perseguição, embora os corruptos sejam sempre poderosos e até agora inatingíveis.

Veio outra argamação para proteção individual: “Quem estiver condenado por tribunais colegiados, ficará inelegível”. Depois viram que não era suficiente, houve divisão no Congresso, surgiram novas propostas, para uns prejudicando, para outros facilitando.

Depois de muito tempo, queriam o habeas corpus total, que seria absolvição para os que estavam manipulando e mobilizando as coisas. Essa ficha-limpa só entraria em vigor em 2012. Parecia demonstração de grandeza, era exatamente o contrário.

Como em 2012 só há eleição municipal, e os que estão discutindo e votando o ficha-limpa, são deputados e senadores, todos federais e distantes do município, fixaram essa data. Mas surpreendentemente, o TSE fez a intervenção regeneradora; “Essa decisão vale para a eleição de agora”.

É evidente o absurdo: não tem sentido aprovar uma lei para 2010, com a ressalva de que só valerá para 2 anos depois. A interpretação (sem recurso) atingiu muita gente. Já publicaram listas e mais listas de parlamentares condenados em diversas ocasiões, e sem qualquer efeito prático.

O projeto também determina: quem estiver condenado por tribunais colegiados e com recursos, devem ter esses recursos julgados imediatamente. Isso irá atingir muita gente, pois os parlamentares, com foro privilegiado, têm que ser julgados imediatamente.

Entre muitos, dois casos são emblemáticos, sintomáticos mas não midiáticos: dos senadores Tasso Jereissati e Eduardo Azeredo. Ambos esperam julgamento no Supremo Tribunal Federal, e pela Lei têm que ser julgados antes da eleição, já que pretendem a reeleição. São diferentes, mas igualmente indefensáveis.

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PS – Jereissati era governador do Ceará, faliu o banco do Estado, indiciado pela polícia. Em 2002 foi eleito senador, o processo passou para o Supremo, parado até hoje.

PS2 – Em 2008, o processo começou a andar, não querendo falar por telefone, o presidente do Supremo, Gilmar Mendes, foi ao Ceará avisar Jereissati que “seu processo está andando”. Ficou hospedado no luxuoso hotel da família. Foi dar uma andada, roubaram seu cordãozinho do pescoço, saiu em todos os jornais, não se incomodou. “eu sou Gilmar Mendes”.

PS3 – O senador Azeredo, fortemente acusado num “mensalão”, era presidente do PSDB, (todos imaculados) demitiram o senador. Está sendo julgado, o relator, Joaquim Barbosa, no seu voto, data vênia, foi duríssimo.

PS4 – Se puder ser candidato (será), Jereissati deve ser reeleito. (Duas vagas, uma para ele, outra para o deputado Eunicio de Oliveira).

PS5 – Já o senador de Minas, se conseguir sinal verde para a tentativa de reeleição, não tem chance. São duas vagas, e na frente dele estão Aécio, Itamar, Fernando Pimentel.

A relação entre a Copa e os presidentes

Carlos Chagas

A saraivada de entrevistas concedidas pelo presidente Lula a jornalistas especializados em esporte, ocupando redes de televisão e emissoras de rádio, faz lembrar episódio singular de tempos atrás. O presidente era o general Garrastazu Médici, entusiasmado por futebol. Na véspera da partida final entre os selecionados da Itália e do Brasil,  no México, a assessoria palaciana anunciou que o presidente daria uma entrevista  coletiva, coisa rara naqueles tempos bicudos. Havia muito o que perguntar, mas na portaria do palácio da Alvorada os repórteres foram avisados de que Sua Excelência  só falaria sobre futebol. Apesar da frustração, aceitaram.

Logo apareceu um daqueles espécimes que nenhum veículo de comunicação deixa de ter, o sabujo, com a pergunta na ponta da língua: “então,  presidente, vamos  ganhar amanhã? O senhor arrisca um placar?”

Começavam os idos do “milagre brasileiro”, do desmedido ufanismo do “Brasil grande potência”  e do  “ame-o ou deixe-o”.  O general não se fez de rogado, prenunciando  que Pelé, Tostão e companhia venceriam por 4 a 1.

Dia seguinte os jornais abriam as primeiras páginas para a grande decisão e, também com destaque,  para as previsões de Médici. Começa o jogo, pela primeira vez transmitido  pela televisão, e depois de um primeiro  tempo tenso, passa a predominar a categoria do  nosso  time. Minutos antes do apito final, já  éramos campeões do mundo, tranquilamente vencíamos por   3 a1.

O país estava rachado de alto a baixo, diante das telinhas. Metade da população, quando Pelé pegava na bola, gritava entusiasticamente “mais um, mais um!” A outra metade não  continha a exortação: “chuta para trás!”, “joga  a bola pela lateral!”

A explicação era simples: mais um gol e haveria a consagração  do  ditador, confirmando o resultado por ele previsto na véspera. Pois não é que o Pelé dribla dois ou três adversários e, cercado por muitos outros, escorre a  bola  para a lateral direita, de onde surge Carlos  Alberto feito um tanque de guerra, marcando o quarto gol.

A festa durou meses, com as devidas honrarias ao general-presidente, “gente como a gente” como alardeavam seus partidários. Antes, ele costumava frequentar o Maracanã em dias de grandes jogos, mas ia escondido, para não ser vaiado, ficando numa das cabinas destinadas às emissoras de rádio. Depois da conquista da copa, ocupava a tribuna de honra e fazia questão que os altos falantes anunciassem: “acaba de dar entrada no estádio Sua Excelência o Senhor Presidente da República, Emílio Garrastazu Médici”.

Pasmem todos, tantos anos depois: cem mil pessoas se levantavam nas arquibancadas, aplaudindo delirantemente o ditador…

É claro que  não durou muito aquela aberração. A ditadura continuava prendendo, perseguindo, censurando e até torturando.

Conta-se essa história a propósito da relação  entre as copas do mundo e os presidentes da República. Por mais que se diga não haver relação alguma entre eles, a verdade é  que há. E o presidente Lula percebeu, concedendo múltiplas entrevistas sobre futebol…

Temer e Sarney traíram Cabral e o RJ

Pedro do Coutto

Aceitando e dando curso a uma emenda à lei complementar absolutamente inconstitucional, e portanto ilegítima, primeiro na Câmara dos Deputados, agora no Senado, Michel Temer, presidente da primeira casa do Congresso, José Sarney, presidente da segunda, traíram ao mesmo tempo o governador Sérgio Cabral e o interesse legítimo do Estado do Rio de Janeiro. A Constituição Federal determina, em um de seus artigos, a participação de 6,3% do RJ no produto da exploração do petróleo na Bacia de Campos e Macaé. Em outro dispositivo, emenda Nelson Carneiro, a participação dos municípios fluminenses e também da Cidade do Rio de Janeiro.

Reportagem de Gustavo Paul, Isabel Braga e Renan Setti, O Globo de 11 de junho, focalizou clara e objetivamente a violação constitucional quanto o montante dos prejuízos para nosso Estado. Para se ter uma ideia, com base no preço do petróleo na escala de 75 dólares o barril, o governo estadual, já a partir de agora, perderia em torno de 5 bilhões de reais por ano, as prefeituras envolvidas no sistema atual de receita aproximadamente 2,6 bilhões. Na opinião do senador Francisco Dorneles, em entrevista a Lúcia Hipólito na rádio CBN, manhã de quinta-feira, o rombo poderá atingir 10 bilhões de reais. A parcela de 5 bilhões, perda estadual, significa praticamente dez por cento do orçamento deste ano.

Mas eu disse que houve traição política. Claro. Na Câmara, quando a matéria foi aprovada, a base foi emenda inconstitucional do deputado Ibsen Pinheiro. No Senado, madrugada de quinta-feira, a iniciativa partiu do senador Pedro Simon. Não poderiam ser votadas nem uma, nem outra. Além da inconstitucionalidade, já por si excludente, existia a ilegitimidade na medida em que, principalmente a emenda do senador gaucho, a alteração distributiva dos royalties do petróleo abrangia contratos já licitados e em plena execução. Surpreende que esta iniciativa tenha partido de Pedro Simon. Uma simples leitura dos textos constitucionais e legais o levaria a rever sua posição, já que é um homem honesto e ético. A emenda, de fato, rompe os limites tanto da honestidade de propósitos quanto da ética. Uma ruptura absoluta.

E o que é pior: Simon deveria estar informado da situação, uma vez que a emenda Ibsen Pinheiro quando votada na Câmara provocou a mesma indignação. Se todos os Estados e Municípios recebem igualmente o produto dos royalties da exploração do petróleo, qual a vantagem de ser produtor ou não?  Esta simples pergunta revela a absoluta falta de lógica contida no episódio, independentemente de rompimento da legislação. A maior dose de culpa, a meu ver, pertence ao Senador José Sarney. Em primeiro lugar, como presidente do Senado teria que estar atento à lei e ao regimento Interno da Casa. Não esteve. Em segundo, permitiu que uma votação de tal importância fosse feita às pressas, em plena madrugada, sem maior reflexão. Em terceiro, deveria ter indeferido a tramitação por vício inicial de inconstitucionalidade. Lei complementar não pode mudar a Constituição.

O governador Sergio Cabral lembrou o acordo com o presidente Lula de só alterar a divisão dos royalties depois do pré-sal entrar em operação. Não antes. O presidente da República sinaliza que vai vetar a emenda Pedro Simon. Mas, por via das dúvidas, o governador, que é do PMDB, não compareceu à convenção de seu partido que homologou apoio a Dilma Roussef. Acusou diretamente o golpe. Apontou indiretamente a traição.

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Juízes querem botar a conta da morosidade no Código de Processo Civil

Roberto Monteiro Pinho

O representante do judiciário na elaboração do novo CPC, ministro do STJ, Luiz Fux, afirmou em recente entrevista, que os recursos são os principais causadores da morosidade, vez que esta tarefa de recorrer é do advogado, cabendo ao juiz decidir na matéria imposta, sendo assim a demora na prestação jurisdicional (disse jurisdicional e não jurídica), é a principal causa da morosidade. É preciso ficar claro para a sociedade que este nexo causador, é também reflexo da demora em muitos casos, de mais de um ano para simples publicação de acórdão, liberação de alvará, despachos cartoriais e simples decisões de aspecto jurídico. Pouco se pode esperar de um texto “reformado”, onde membro da magistratura em explicito interesse corporativista, faz a indicação de coadjuvantes causadores da demora, se esquivando do conjunto de ocorrências, que reúne entre outros, férias de 60 dias, recesso de mais 30, cursos infindáveis, licenças não questionadas, licenças para cursos, expedientes de três dias na semana, horários de três horas na jornada e a desculpa, da lavratura de sentenças fora do tribunal, quando muitos (isso é incontestável), porque contam com o auxilio de servidores na elaboração de despachos e sentenças, algumas que exige profundo conhecimento jurídico.

Após oito meses de trabalho o anteprojeto do novo Código de Processo Civil (CPC), elaborado por uma comissão de onze juristas no Senado, chega à fase final, nele estão as sugestões da Associação de Magistrados Brasileiros (AMB), e da Ordem dos advogados do Brasil (OAB). Segundo os idealizadores do substituto do antigo CPC de 1973, o novo vai reduzir o expressivo volume de disputas judiciais e acelerar o julgamento das ações em curso. Para os juristas, é um caminho viável e eficaz para combater a morosidade da Justiça porque se constitui como incidente de resolução de demandas repetitivas. Por esse instrumento, tanto o juiz quanto as partes envolvidas em ações de massa – quando um mesmo direito é reivindicado em uma quantidade significativa de processos – poderão invocar o incidente junto aos tribunais estaduais ou superiores para que haja uma decisão mais rápida e uniforme para a questão. A exemplo apontam as demandas repetitivas, que na opinião da relatora da comissão, Teresa Wambier, considerou ser muito chato e decepcionante que uma parte litigante perca e a outra ganhe em disputas judiciais similares, com o mesmo interesse, isso faz com que o direito se transforma em loteria, apontando ainda a uniformização da jurisprudência medida importante para encurtar o andamento dos processos.

Para o consultor-geral legislativo do Senado e também membro da comissão de juristas, Bruno Dantas, a contribuição principal do anteprojeto do novo CPC é  introduzir racionalidade no processo judicial. Exemplos da simplificação de procedimentos, – em comparação com o código em vigor, que é de 1973 – são a possibilidade de um advogado intimar o advogado da outra parte pelo correio, da testemunha ser levada à audiência pela parte interessada, da audiência de conciliação se tornar o primeiro passo do processo judicial. Com relação ao prazo o legislador incluiu dispositivo (que será mantido) que prevê perdas e danos, no Art. 133 – “Responderá por perdas e danos o juiz, quando: I – no exercício de suas funções, proceder com dolo ou fraude; II – recusar, omitir ou retardar, sem justo motivo, providência que deva ordenar de ofício, ou a requerimento da parte. Parágrafo único. Reputar-se-ão verificadas as hipóteses previstas no II só depois que a parte, por intermédio do escrivão, requerer ao juiz que determine a providência e este não lhe atender o pedido dentro de 10 (dez) dias”. Quanto ao novo código o trade trabalhista pouco se manifestou, até porque os juízes do trabalho esposam seus artigos, e no tocante a execução, o novo artigo que se refere à multa, (cujo valor vai para os cofres da União), será utilizado para punir ideologicamente o empregador, que habitualmente perde o processo, o que no meu entender vai dar mais ênfase a já existente xenofobia.

Ao concluir o texto do novo CPC no âmbito do Senado, o presidente da comissão, ministro Luiz Fux, declarou: “Se aprovarmos os instrumentos que estamos propondo, vamos reduzir a duração de um processo usual em 50% e em 70% num processo de massa”. Na entrevista falou dos pontos nevrálgicos do texto a exemplo do que institui uma seqüência de multas, (…) “o código reserva uma bela surpresa, a cada recurso manifestamente infundado. Perde em primeiro grau, paga custas e honorários. Perde em segundo grau, paga novamente. Perde no STJ, paga custas e honorários. Se a parte mesmo assim quiser recorrer para ganhar tempo, pode vir a sofrer um prejuízo material”. Um dos pontos vitais é o respeito à jurisprudência, que vem sendo banalizada pelos juízes de primeiro grau, com decisões contrárias, (principalmente na JT), neste aspecto, o ministro salientou que “O juiz vai ser obrigado a respeitar a jurisprudência”. O legislador criou dispositivo onde o código prevê que no rito ordinário, a parte se incumbe de levar suas testemunhas ao juízo (o que já existe nos juizados especiais), ocorre que da mesma forma que no processo criminal as testemunhas são peça fundamental, no trabalhista, será adotada o mesmo critério, com exceção se for prova do empregador, este e outros “aberratio júris”, nunca serão superados através de leis tuteladas pelos juízes para juízes.

É preciso ficar claro para a sociedade de que existem na JT, os apontamentos contrários a regra jurisprudencial, e se constituem em fatos reais, dos quais, recente decisão do STF, no Hábeas Corpus, em que uma ex-proprietária de farmácia impetrou contra o presidente do TST, porque teve a ordem de prisão decretada em processo movido por ex-empregados da farmácia. O mandado de prisão foi então expedido pelo juiz sob o argumento de que C.R. tornou-se depositária infiel. Foi impetrado hábeas corpus preventivo no TRT15 (SP), que suspendeu a ordem de prisão. Mas o TST restabeleceu a ordem de prisão, no HC ao Supremo, a defesa alegou que a decisão do TST violou a Convenção Americana de Direitos Humanos, também conhecida como Pacto de San José da Costa Rica, que não permite a prisão por dívida, exceto alimentícia. Além disso, a defesa afirma que se os bens arrestados ainda existissem, a acusada os teria apresentado. Ocorre que eles foram entregues no pagamento de outras dívidas, já que a empresa sofre inúmeros protestos na praça. O HC ressalta que, embora a CF (art.5º, LXVII) ainda admita a prisão do depositário infiel, o STF reformulou sua jurisprudência no sentido de que a prisão civil se aplica somente para os casos de não pagamento voluntário da pensão alimentícia, isentando os casos do depositário infiel. (HC 104232). Convém assinalar que a jurisprudência foi renegada pelo juízo de primeiro grau, e pelo TST, levando em conta, data vênia que a tramitação do processo é célere, a parte sob constrição, tem que esperar meses para uma decisão final do processo.

Luiz Zveiter-Garotinho

Tiveram duro atrito. O ex-governador acusou PESSOALMENTE o presidente do Tribunal de Justiça, pelo veto à sua candidatura. Textual: “Você se aliou ao governador Sergio Cabral para obter a decisão de 4 a 3 impedindo a minha candidatura”.

Zveiter respondeu com veemência, quase passando do limite, as pessoas ficaram apreensivas. Daí Garotinho disse a Zveiter: “Você é um  ingrato, eu agi para evitar o escândalo, quando tua filha foi aprovada em primeiro lugar no concurso para juiz. Concurso que depois foi fartamente contestado”.

Garotinho está com recurso no TSE, mas vai também recorrer ao pleno do TRE. E garante que, “se perder, desisto da candidatura, não quero concorrer sub-judice”.

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PS – Garotinho deixou entrever ameaças físicas a Zveiter: “Se eu perder no pleno do TRE, vou atribuir isso à tua influência, e não esquecerei”.

PS2 – O ex-governador está com a razão, nada se faz ou se acredita no Tribunal, sem que passe por Zveiter. Foi o grande informante do “Globo” na campanha contra o ex-amigo, desembargador Wider.

PS3 – Luiz Zveiter ainda não sabe, mas está na linha de tiro do Conselho Nacional de Justiça. A acusação (denúncia) está sendo considerada. A posição de Zveiter é indefensável. Poderá perder a presidência e ter que se aposentar.

PS4 – Iria “por água abaixo”, a bravata que tanto apregoa, de se transferir para o STJ ou STF.

A Itália estreou ou se despediu?

À 1 da tarde, depois da medíocre atuação da Holanda, anotei aqui: “Até agora, só um possível campeão”. E acrescentei que isso valia até o jogo da Itália, que começaria às 16,30. Começou?

O primeiro tempo foi do Paraguai, 1 a 0. No segundo, aos 15 minutos, a constatação de que esta Copa não é dos goleiros. Num córner, pulou feito um saltador sem paraquedas, o atacante da Itália cabeceou, triste de estar tão sozinho e isolado.

Mais 33 minutos sem garra e competência, a Itália satisfeita em não perder, o Paraguai achando bom ter empatado. Parecia a Guerra do Paraguai, sem Solano Lopez mas com Berlusconi.

Esta terça entra em campo a segunda seleção, candidatíssima, que sairá ainda com melhor cotação. Nessa chave, o Brasil está OBRIGADO a três vitórias com facilidade.

No mata-mata, é outra história.