Franklin Martins torna-se o homem que sabia demais

Helio Fernandes

Ontem falei aqui que o ministro da Comunicação Social está fora do governo Dilma, e com grandes dificuldades para trabalhar na imprensa que pretendia censurar. Recebi telefonema, importante, com pedido de sigilo. “Helio, uma revista e uma televisão, grandes, querem contratar o ex-ministro”.

Perguntei o motivo, a resposta: “Não é pelos serviços que pode prestar, mas pelo perigo que representa. Acumulou muita informação perigosa e assustadora”.

Tem tudo para ser verdade. Mas a confirmação só dentro de algum tempo.

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DISCURSO DE POSSE DE DONA DILMA

Está preocupadíssima com a primeira fala, mais do que natural. Mas como diz e repete, “quero tudo com a minha cara”, a fala presidencial entra nessa cota. Mas como a matriz é a mesma e continuará no Alvorada, pode estar sendo criado um impasse.

Dona Dilma não escreve nem o endereço. O ghost-writer nada a ver com ela. Chegaram a falar no nome do ministro Joaquim Barbosa para redigir, não tenho a menor ideia da razão. Mais compreensível seria pedir ao ministro Lewandowski, intimíssimo do Alvorada.

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A PROPÓSITO DO SUPREMO

A ausência do 11º componente do mais alto tribunal do país, está criando dificuldades. Por duas vezes houve votação empatada em 5 a 5, o que pode se repetir. O tribunal está dividisíssimo, e não apenas numa questão ocasional.

Lula queria nomear para a vaga, o ministro do STJ (Superior Tribunal de Justiça) Asfor Rocha. Depois que saiu aqui o ABECEDÁRIO com as irregularidades praticadas pelo ministro, seu nome desapareceu.

No próprio Supremo ele é desconsiderado. Lula não tem outro nome. (Se Asfor Rocha tivesse desmentido pelo menos uma das irregularidades, vá lá). Agora surgiu uma dificuldade. Dona Dilma pediu a Lula, “eu queria preencher essa vaga”, muito justo.

Só que Lula não é tão desprendido assim. De qualquer maneira, escolhido por ele ou por ela, vai demorar. O Senado está longe, houve mudança de muitos senadores, e a posse dos novos e a escolha do presidente da “casa” só no dia 31 de janeiro. A posse deles não coincide com a do presidente.

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MANCHETES ERRADAS

Jornalões disseram na Primeira, logo depois da eleição de Dilma: “Lula elege Dilma e aliados já articulam sua volta em 2014. É muito cedo, só podem acertar com 4 anos de antecedência, se usarem de adivinhação.

Belluzzo: nem presidente do Palmeiras nem ministro

Hélio Fernandes

No final de 2009, início de 2010, era tido e havido como ministro da Fazenda ou presidente do Banco Central, na desincompatibilização de março. Acontece que Mantega e Meirelles não saíram.

Era presidente do Palmeiras, teve que se licenciar por causa de uma operação no coração. Como a eleição é agora, deve reassumir apenas para passar o cargo. Diziam que Belluzzo era conselheiro de Lula. Ha!Ha!Ha!

Em 1987, esteve em Cuba no seminário sobre Dívida Externa que relembrei ontem, a pedido de uma seguidora. Não sei se era convidado de Lula, mas na época, antes de qualquer candidatura presidenciável, Lula nao tinha cacife para convites. Embora estivessem lá, muitos personagens do PT. Do antigo, do antigo.

Conversa com os leitores-comentaristas, sobre dívidas do país, Lula na ONU, nomes para o ministério e mais e mais.

S. Lemos: “Apenas uma pergunta sobre as dívidas do país. Por que a grande mídia, que sente orgasmo em combater o Lula, não trata desse assunto?”

Comentário de Helio Fernandes:
Não é apenas com Lula que abandonam os grandes assuntos do interesse nacional. DÍVIDA interna, EXTERNA, DOAÇÃO, privataria, nada disso frequenta o dia a dia dos jornalões. Por que contrariar os próprios negócios e enriquecimento?

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IMITEMOS A ARGENTINA

Silvio da Rocha Correa: “A sua sugestão de como lidar com a dívida não é o que foi feito na Argentina por Kirchner? Esse pessoal que governa o país é cúmplice, subserviente, jamais faria o que deve ser feito”.

Comentário de Helio Fernandes:
Kirchner assumiu o governo com a Argentina numa das maiores crises de sua existência. Investigou, localizou, atuou: congelou 75 por cento do chamam de DÍVIDA DE HONRA, o país ficaria desmoralizado?

A Argentina se recuperou rapidamente, no ano seguinte, o PIB já subia 8,25%. E se manteve, o país saiu da estagnação e retrocesso. Hoje a situação não é ideal, mas é dezenas de vezes melhor.

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LULA VAI PARA A ONU?

Antonio Aurelio: “O senhor considera que o ainda presidente Lula pode ir mesmo para a ONU, como embaixador? Aqui em Brasília falam muito nisso. Às vezes acredito, outras não”.

Comentário de Helio Fernandes:
Aurelio, diria que existem 50 por cento de ir, e igual percentagem de não ir. Depende dos rumos do relacionamento entre eles. Acho que seria ótimo para Lula e para Dilma. Como este obteve sua maior vitória no plano externo, ficaria no centro dos acontecimentos. E ele mesmo decidiria quanto tempo interessava ficar.

De qualquer maneira, tentar fixar os rumos de Lula e Dilma com 4 anos de antecedência, quase impossível. O passado está cheio de exemplos negativos e conflitantes. E há o tempo, imprevisível. Temos que esperar.

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DILMA ENCONTRARÁ NOMES

Beth: “Estou torcendo, embora o senhor não goste da palavra, para Dona Dilma dar certo. Mas não consigo imaginar como ela formará o ministério”.

Comentário de Helio Fernandes:
Realmente motivo de preocupação. PMDB, PT, PDT, PSB e outros, indicarão dois terços do governo. Apesar do que ela tem dito, não poderá nem examinar nomes. Faltam 50 dias para a posse, ninguém sabe coisa alguma.

Jereissati presidente do PSDB. Ha!Ha!Ha!

Helio Fernandes

Apressados, jornalões nem confirmam informações. Jogam tudo na Primeira. Agora surgiu essa ideia. “Aecio vai lançar Jereissati para a presidência do PSDB”. Isso só pode acontecer por milagre, são muitos os pontos desfavoráveis.

1 – O cearense foi estrepitosamente derrotado. 2 – Para colocar um derrotado, seria melhor manter o ainda senador Sergio Guerra, que pelo menos “sentiu” que não ganharia, mudou para deputado. 3 – Jereissati se julgava franco favorito, tirou terceiro.

4 – Além do mais, Jereissati é do grupo Serra-FHC, nada a ver com Aecio. 5 – Não tem o menor trânsito dentro do partido. 6 – Duas vezes tentou ser líder do PSDB no Senado.  7 – Preferiram reconduzir Artur Virgílio, vetaram seu nome.

A hora de acabar com vigarices e malandragens

Carlos Chagas 

Vão  para o  economista Paulo Rabello de Castro os primeiros aplausos da semana. Sem ser radical, muito menos sem pertencer à corrente esquerdista de seus companheiros, ele denunciou ontem uma das mais abomináveis heranças do governo Fernando Henrique Cardoso, mantida pelo governo Lula e agora, quem sabe, capaz de  ser corrigida pelo governo Dilma Rousseff.

Quando um especulador estrangeiro procura o Brasil, formando no grupo dos tais investidores responsáveis pelo apregoado sucesso de nossa economia, recebe de 25 a 30% de lucro sobre o seu capital, tanto faz o tempo em que  permaneça aqui. Podem ser meses ou até um simples  fim de semana, compondo o chamado capital-motel, aquele que chega de tarde, passa a noite e vai embora de manhã depois de haver nos  estuprado um pouquinho mais.   O  diabo, para nós, é que o especulador estrangeiro não paga imposto de renda. Sem mais aquela, leva o seu dinheiro de volta acrescido da maior taxa de juros do planeta, muitas vezes sem ter contribuído para criar um emprego ou forjar um parafuso. 

Podemos acrescentar que quando o investidor é brasileiro, preferindo aplicar aqui o seu capital, vê-se atropelado pelo imposto de renda, na base dos 20%. Se for  malandro, dá um jeito de primeiro mandar o dinheiro para fora, repatriando-o depois para especular como se estrangeiro fosse, ou seja, sem pagar imposto de renda, estabelecendo uma ciranda cruel para nossa economia.

O sociólogo criou essas e outras aberrações, como a de liberar plenamente as multinacionais para quantas remessas de lucro pretendam fazer. O que chama a atenção e,  mais do que ela, a indignação, é que o presidente Lula não se  moveu  para conter tamanho crime de lesa-pátria. Antônio Palocci, Henrique Meirelles e Guido Mantega  mantiveram os privilégios dos tempos do neoliberalismo mais descarado, apesar de a imensa maioria dos países em desenvolvimento ter criado mecanismos de defesa de seus interesses.

Vem agora Dilma Rousseff e a pergunta é se manterá essa mesma vigarice. Pode ser que não, ainda que venha a  preservar  a referida trinca do barulho  no ministério. Porque ministros existem para seguir diretrizes de presidentes da República. Quem sabe?

 DO TORTO OU DO DIREITO?

Quando estava para tomar posse, nos idos de 1979, o general João Figueiredo mudou-se para a Granja do Torto, como fará agora Dilma Rousseff assim que retornar da Coréia.  Guilherme Figueiredo, irmão do presidente, reconhecido poeta, intelectual e dramaturgo, saiu-se com uma das mais belas exortações  do período: “quem sabe ele muda o nome da residência e passa a chamá-la de Granja do Direito?”

Até que o  conselho continua aplicável, apesar de a democracia haver sido instalada no país, justiça se faça, graças a certas medidas adotadas pelo último general-presidente, como a anistia para presos políticos e para exilados e o retorno integral à liberdade de imprensa.

Hóspede permanente  ou para ocupar a residência alternativa  apenas nos fins de semana,  a verdade é que Dilma Rousseff  ainda teria condições de homenagear Guilherme Figueiredo. Algumas correções fazem-se  necessárias para que as instituições democráticas venham a funcionar em sua plenitude, completando o Estado de Direito entre nós.  Para começar, a reforma política,  em condições  de afastar de uma vez por todas a sombra do poder econômico no sistema eleitoral. E o restabelecimento dos direitos trabalhistas surripiados no governo Fernando Henrique Cardoso. Como a própria presidente eleita já declarou, também o fim da impunidade que assola o Brasil em progressão geométrica.

ENCONTRO EM PARIS

 José Serra está em Paris, onde fica pelo menos uma semana. Aécio Neves também viajou para capital francesa. Na noite da derrota, em São Paulo, bem que Serra aguardou a chegada do ex-governador de Minas para assistir seu pronunciamento final. Aécio não foi, abrindo espaço para Geraldo Alckmin, que não se afastou um só instante do companheiro frustrado. Pode ser que agora os dois se encontrem, quem sabe passeando nos Champs-Elisées ou visitando o  Louvre. Quando voltarem, porém, estarão em lados opostos, ambos empenhados em chefiar  a oposição ao governo Dilma Rousseff. Seria bom que não esquecessem Geraldo Alckmin, governador e  fiel da balança para decidir entre dois ex-governadores.

FUSÃO OU CONFUSÃO

 Nesse interregno entre a eleição e a posse de Dilma só se fala na composição de seu ministério, ainda que algumas especulações transcendam  até os partidos. Seria bom que a mídia sem assunto buscasse outros estuários, porque nada mais ridículo do que supor a fusão entre o PT e o PSB, ou entre o DEM e o PMDB. Muito menos a formação de um bloco unindo os partidos de esquerda. Faz muito  a experiência demonstra que partidos, no Brasil,  nascem e morrem conforme performances, tendências e boa ou má sorte. Jamais, porém, através de equações esotéricas. No caso das referências acima, fica óbvio  que, em período de crescimento, o PSB jamais admitiria tornar-se acólito do PT, ao tempo em que se o DEM tiver de desaparecer, será de morte morrida, não de morte matada…

Estruturalismo de Dilma choca-se com estilo Meirelles

Pedro do Coutto 

Numa excelente reportagem publicada na edição de domingo de O Estado de São Paulo, o jornalista João Domingos, com base em informações que colheu e sintomas que percebeu, sustenta que a presidente eleita Dilma Rousseff deve afastar Henrique Meirelles do Banco Central e substituí-lo por alguém sintonizado com a política desenvolvimentista que pretende colocar em prática. Novamente, ao longo do tempo, antevê-se um novo choque entre estruturalismo e monetarismo, a exemplo do ocorrido na segunda fase do período Juscelino. Além disso, enquanto o presidente Lula – acentua João Domingos – deu carta branca às medidas antinflacionárias do Banco Central, Rousseff volta-se, ela própria, para comandar mais diretamente o processo econômico financeiro.

Dilma, como já afirmou em suas primeiras entrevistas, tem como alvo fixar os juros para rolagem da dívida interna, que atinge 2,3 trilhões de reais, em 2% (reais) ao ano. Ou seja: 2 pontos acima da taxa inflacionária calculada pelo IBGE. Na escala de  hoje, com a inflação de 5% para os últimos doze meses, os juros desceriam de 10,75 anuais para 7%. Fácil avaliar o efeito da diferença de 3,75 pontos sobre um montante de 2,3 trilhões de reais. Dilma Roussef projeta atingir o progresso pela caminho do incentivo direto à produção de bens, deixando para segundo plano  o aspecto de conter a inflação.

Meirelles, pelo que se pode sentir, é um homem de visão mais financeira conservadora, sua atuação repousa na defesa da moeda, em primeiro lugar. A diferença entre ambos reflete a divergência de rotas para alcançar o desenvolvimento. A contradição começou a tomar um corpo mais nítido a partir do governo constitucional de Vargas.

Diante da crise financeira e cambial, em 53, resultante da suspensão de financiamentos estrangeiros, represália à criação da Petrobrás, Getúlio Vargas reincorporou Osvaldo Aranha, seu amigo de tanto tempo, nomeando-o ministro da Fazenda. Foi no dia 24 de agosto, um ano antes de sua morte. Aranha designou Marcos Souza Dantas para a então SUMOC, que antecedeu o Banco Central. Aranha e Souza Dantas instituíram a Instrução 70 que implantou a categoria dos ágios para importações. Eram 5. Os dólares mais baixos para importações essenciais, de valor mais alto para os considerados supérfluos. Os resultados foram positivos. Reduziram o déficit externo e legaram a JK os recursos para tocar seu governo no rumo do desenvolvimento. Foi o primeiro embate entre as duas correntes.

O segundo aconteceu no governo Kubitschek, quando este rompeu com o FMI. A dívida externa era somente 1 bilhão e 600 milhões de dólares, mas as torneiras se fecharam. A Petrobrás era novamente o alvo. As tentativas eram fortes para privatizá-la. O general Lott, entretanto, em palestra no Clube Militar, em 58, afirmou que a empresa era intocável.

O capitalismo internacional representado pelo Fundo Monetário decidiu apertar o cerco. O ministro da Fazenda, Lucas Lopes, e o presidente do BNDES (na época BNDE), Roberto Campos, propuseram a JK suspender as obras de Brasília e várias outras que ele impulsionava. Neste ponto cito o livro Luz e Trevas, do deputado Hermógenes Príncipe.

Juscelino demitiu Lucas Lopes e Roberto Campos. Afirmou: não vou passar à história como construtor de elefantes brancos, obras inacabadas. Rompeu totalmente com Roberto Campos, anunciando sua demissão em abril de 59, quando realizou conferência, exatamente sobre petróleo, no Clube Militar. O choque de ontem entre estruturalismo e monetarismo agora se repete entre Dilma e Meirelles. Versão 2010.

Complexidade em excesso asfixia as relações de trabalho

Roberto Monteiro Pinho

A tentativa de solucionar a questão laboral fora da tutela do estado, quando submetidas às Comissões de Conciliação Prévia – CCPs (Lei n° 9.958/00), embora gere complexa situação de procedimentos extrajudiciais, e quando tidos como ilegais, acabam sendo fulminados, quando submetidos ao judiciário trabalhista. Pode o trabalhador tratar dos seus interesses legais, na Delegacia Regional do Trabalho, no sindicato da categoria, nas Comissões de Conciliação Prévia e por último na Justiça Trabalhista, mas somente esta última sacramenta o fim da relação contratual, porque esta tem o poder de chancelar homologação.

Decisões vertem dos termos que o juiz entender, gerando nulidades, discriminação, até mesmo o dano material aos cofres da Previdência Social, quando reconhece vínculo de período não anotado, sem ouvir testemunhas e produzir decisão com base tão somente em elementos comprobatórios sem credibilidade, além “é claro”, tendo como base tão somente à garantia do edital publicado, causando efeito maléfico ao permitir que trabalhadores alcancem período para aposentadoria, sem ter laborado a jornada reconhecida em sede da justiça estatal trabalhista.

Por todos os meios e formas, “cum maiore ratione”, está evidente que o processo trabalhista precisa ser separado em dois módulos, (os inegociáveis, esses sim tutelados pelo Estado e o negociável, que se destina à vontade das partes), “melius est, pauca dividere quam totum perdere”, eis que sob a vigia do estado juiz sua execução será prática e sem o empecilho dos famigerados protelativos recursos. Dessa forma a reforma trabalhista é imperativa, porque é incontestável a razão da existência do Juizado Especial do Trabalho, e da Vara de Execução Trabalhista, ambas esmeradas no funcionamento desses mecanismos já existentes nas justiças federal e estadual.

É justo que uma boa lei obrigue que este mal empregador pague com seu patrimônio, o malogro do seu negócio que acabou atingindo empregados, mas para isso é preciso o devido processo legal, que passa por um período de esperada execução. A utilização do texto do CPC pode gerar controvérsias, é o caso do art. 475-J do CPC, fulminado na Sessão Especializada de Dissídios Individuais do TST, (SEDI – I), porque segundo o relator ministro Brito Pereira, (…) “o artigo 769 da CLT só permite a aplicação subsidiária da norma processual civil no processo do trabalho quando houver omissão da legislação sobre o tema e compatibilidade das normas”. (Proc. nº 38300-47.2005.5.01.0052).

Para que a tutela jurisdicionada da JT, seja válida e justa, seus integrantes, precisam conduzir a execução trabalhista, com zelo e organização, operando com maior clareza a caça aos bens, sem que isso, estimule o executado procurar seu direito. Um desses exemplos é o direito de preservação do patrimônio familiar, a moradia protegida pela lei 8.009/90, comumente violado na especializada, obrigando o atingido buscar seu direito nos tribunais superiores. 

Ainda existe uma corrente de juristas que defende a extinção, não da justiça trabalhista, mas do texto laborativista (CLT), migrando seus artigos consolidados de proteção real ao trabalho para o Código de Processo Civil, onde o jurisdicionado laboral garimpa subsídios para aplicar suas decisões. Isso ocorre não só por força de lei que permite, mas também pela adoção voluntária, da Lei Fiscal e o Código de Defesa do Consumidor (CDC). A JT através de seus juízes vem cometendo mais um de seus sacrilégios, quando utiliza texto do art. 475-J do CPC, ferramenta jurídica cabível, que segundo uma corrente favorável a sua aplicação, porque dá margem a interpretação.

Calamandrei ensina que (…) “Sólon, no dizer de Aristóteles, redigiu as suas leis propositalmente obscuras, a fim de darem lugar, a muitas controvérsias, permitindo dessa forma ao estado o meio de aumentar, pelo julgamento, a sua autoridade sobre os cidadãos”, é exatamente, data máxima vênia, o que o julgador da especializada utiliza no trato da relação capital/trabalho. As regras do Código de Processo Civil somente são aplicáveis ao Processo Trabalhista quando houver omissão e se forem compatíveis com as normas nele estabelecidas, mas o que se tem que analisar dos autos é a aplicação do dispositivo legal no presente momento processual.

Vejamos o que dispõe o art.475-J do CPC: Caso o devedor, condenado ao pagamento de quantia certa ou já fixado em liquidação, não o efetue no prazo de quinze dias, o montante da condenação será acrescida de multa no percentual de dez por cento e, a requerimento do credor e observado o disposto no art. 614, inciso II, desta Lei, expedir-se-á mandado de penhora e avaliação. (Incluído pela Lei nº 11.232, de 2005) A multa estabelecida no artigo 475-J do CPC é aplicável quando o devedor for condenado ao pagamento de quantia certa ou já fixada em liquidação.

Dilma, antes de ser empossada, sinaliza: não vai radicalizar em ponto algum. Por isso, deixou bem claro na entrevista sobre nomes, que não nomeará radicais como Franklin Martins e o pessoal ligado a ele.

Helio Fernandes

Quando a presidente eleita deu sua primeira entrevista, citou nomes que integrariam seu ministério. Não falou em Franklin Martins, poderoso Ministro da Comunicação Social, ou em qualquer um pertencente ao grupo dos “direitos humanos”, que provocaram tremenda radicalização no meio do segundo mandato de Lula.

O “esquecimento” do nome de Franklin Martins não repercutiu na mídia, apesar dele ser tido e havido como ministro certo e garantido. Demitido da GloboNews, foi levado para o governo precisamente por Dona Dilma.

Em pouco tempo foi elevado ao primeiro time do Planalto, a ponto de vários deputados e senadores me dizerem: “Helio, fique atento. Hoje, no Planalto, a voz mais ouvida é a do Ministro da Comunicação Social”.

Atento,confirmei, era isso mesmo. Discreto, silencioso, arrogante e sempre radical, era ouvido quando presente, chamado (pelo próprio Lula) quando ausente, e ouvidíssimo.

O motivo de Franklin não ter sido aproveitado: foi radicalíssimo na “questão da censura à imprensa”, e Dona Dilma quer marcar posição rigorosamente a favor da Liberdade de Expressão. O que se pergunta: tendo fechadas as portas do governo, Franklin terá que ir para um órgão de imprensa que pretendia censurar.

Quem contratará o jornalista? Fala-se que encontrando dificuldades e desempregado, seria nomeado embaixador num pequeno país da África ou Ásia. Se isso acontecer, sua carreira terminará como começou: aprisionando um embaixador e aprisionado como embaixador.

O pessoal dos “direitos humanos” ficará desempregado mesmo. A nova Dilma não quer o menor contato com eles.

CELSO AMORIM 

Futuro duvidoso. Queria ser senador, mudou para deputado, desistiu de tudo por falta de repercussão. O que se diz: ficará no cargo mais ou menos 1 ano, até vagar a embaixada que ocupará. Ocupará mesmo?

MARCO AURELIO GARCIA

Os petistas não lulistas (por represália) e não dilmistas (por enquanto) não têm muita admiração e nenhum respeito pelo polêmico assessor internacional. Seu destino é incerto e duvidoso. Menos para ele, que se diz e se julga insubstituível.

GUIDO MANTEGA

Num país como o Brasil, que surpreendentemente importa pneus usados, o ministro da Fazenda pode ser utilizado como um estepe quase jogado fora. Sem saber o que fazer com ele, pode continuar ministro, dentro da “filosofia” da nova presidente: “Quero mandar na economia e na Fazenda. Puxa, “inventaram” o Mantega.

O QUE FAÇO?

Dona Dilma vai viajar com Lula e está ansiosa pela viagem. É a última como presidente eleita e ainda não empossada. Depois já será o inverso. Agora vai se queixar com ele: não sabe quem o PT e o PMDB indicarão para o ministério, tem receio de que os nomes não estejam à altura. Vai perguntar a Lula: “O que faço?”

Serra desmente Serra, fatos são fatos

Helio Fernandes

Durante a campanha presidencial (a segunda, que desde a primeira eu dizia que ele não ganharia) o ex-governador tinha uma predileção: exaltar a própria dignidade, honestidade, “não podem me acusar de coisa alguma”. Não era bem assim.

Serra não tinha a credibilidade que apregoava, como também estavam envolvidos nas maiores tramóias, com formidáveis “lavagens” de dinheiros ganhos ilegitimamente, sua filha e seu genro.

E mais: Serra estava e esteve sempre mais ligado ao aventureiro financeiro Daniel Dantas do que Gilmar Mendes. E ele e a família (a filha e o genro), sócios de empresas de Dantas e também de sua irmã Veronica Dantas. Que complô.

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PS – Serra sempre fez questão de dizer e repetir: “Fui muito pobre, meu pai era quitandeiro”. Nada contra, é evidente, louvação para quem consegue se elevar, e não apenas financeiramente.

PS2 – Mas a “ascensão” de Serra foi uma farsa e uma fraude, o enriquecimento inexplicável e sem origem, perdão, com a origem mistificadora que está assombrando o país. E o mais grave é que Serra “não se despediu”. Disse: “É APENAS UM ATÉ LOGO”.

PS3 – Serra no momento está na França numa das propriedades do genro, que era pobre quando veio para o Brasil, agora é tão rico quanto o sogro.

PS4 – O ex-governador enquanto “descansa”, traça e projeta a forma de voltar do “até logo”, pronunciado por ele mesmo. Só que não pode mais iludir a opinião pública, enganar o cidadão-contribuinte-eleitor.

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LIÇÃO DA ELEIÇÕES

Marcílio: Caríssimo Helio Fernandes. Obrigado pela existência deste blog nas eleições. Que debate maravilhoso proporcionou aos eleitores. Apesar de alguns principiantes, com certeza saíram mais amadurecidos, não importando o lado vencedor”.

Comentário de Helio Fernandes:
Excelente tua colocação, Marcílio. O objetivo era debater, nao importando, como você disse, o lado vencedor. Eu mesmo desde o início declarei que nao votaria nem em Dilma nem em Serra. Alguns (poucos) não entenderam, mas o principal foi atingido.

A traição da volta da CPMF

Helio Fernandes

Vergonhosa a idéia de ressuscitar a CPMF. Liquidada em 2007, volta agora, referendada por Dona Dilma. Lutaram desvairadamente para restabelecer esse imposto que era para a saúde, foi usado em tudo, menos para a saúde.

O mentor de agora, é o mesmo derrotado líder da manutenção de 2007, o lobista-chefe Eduardo Cunha.

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PS – É possível que não seja aprovada essa nova CPMF. Cunha, que tem impressionante falta de constrangimento, está tentando convencer governadores da situação e da oposição. “Sem a CPMF vocês não conseguirão governar”.

PS2 – Pura mistificação. Sem a CPMF, quase todos os governadores se reeelegeram tranquilamente.

Perseguindo Monteiro Lobato

Ivana Lucena: “É enriquecedor fazer leitura dos textos e comentários deste blog. Quanto a mim, embora tenha lido alguma coisa a respeito de Monteiro Lobato, o que ficou marcado foi a relação dele com o público infantil, graças ao programa da Rede Globo, o “Sítio do Pica-Pau Amarelo”.

Comentário de Helio Fernandes:
Na verdade, Monteiro Lobato ficou inesquecível pelas histórias e a ligação com o público infantil. Só que ele teve uma outra vida, de desprendimento e de luta, que muitos (até bem intencionados) condenam, só pelo fato dele ter sido perseguido pelo ditador Vargas.

Seminário sobre dívida em Cuba

Suzana Oliveira: “Magnífico artigo. Colocou tudo no devido lugar. Pela primeira vez consegui entender a questão da falsa dívida brasileira, crime de lesa-pátria. Tanto dinheiro saindo para especuladores. Li que em 1988, foi realizado um congresso em Havana e que o senhor foi um dos participantes. Agradeço e parabenizo”.

Comentário de Helio Fernandes:
Foi o único seminário sobre dívida, embora quase todos os países sejam extorquidos e roubados. Fidel Castro falou 6 minutos na abertura, 8 horas no encerramento. Explicou que eram 4 mil convidados dos mais diversos países, inclusive empresários reacionários, capitalistas, defensores da dívida. O objetivo era debater.

Do Brasil foram 61 convidados, em 1987, você falou 1988, nenhuma importância. Entre esses 61 brasileiros, o próprio Lula, que ainda estava longe de ser a personalidade em que se transformou. Dois anos depois, disputaria a primeira eleição para presidente.

Só dois brasileiros falaram. Este repórter e Luiz Carlos Prestes. Quando fui convidado, coloquei minha posição através do brilhante jornalista Argemiro Ferreira: “Conheço muito Cuba, só vou se for para falar”. Veio a resposta afirmativa.

Na mesa, presidindo intercaladamente, Gabriel Garcia Marques, Isabel Allende (filha de Salvador Allende, assassinado pelos americanos quando presidente do Chile), Peres Esquivel, argentino, Prêmio Nobel da Paz, encontro inesquecível.

O falso conselho do Lula

Carlos Chagas

Em época de formação de governos acontece sempre a mesma coisa: boatos, entreveros entre grupos ávidos de galgar o poder, estultices, ambições,   baixarias e invenções. Nos últimos dias  vem freqüentando a mídia uma versão que reúne todas as características acima relacionadas: a de que o presidente Lula teria aconselhado Dilma Rousseff a não aproveitar Antônio Palocci na chefia da Casa Civil ou na Fazenda, evitando que o ex-ministro  se tornasse um poder  paralelo ofuscando a nova presidente da República.

Nada mais canhestro. Primeiro porque o Lula jamais  deu esse conselho à  sucessora. Depois, porque se ela admitisse o raciocínio, estaria demonstrando incapacidade para o exercício de suas funções. Ninguém faz sombra a um presidente da República, no sistema presidencialista.  Vivêssemos o parlamentarismo e seria possível, até   provável, a presença de um primeiro-ministro prevalecendo sobre o presidente ou até sobre o  rei, no caso da Monarquia. No presidencialismo não há lugar para complexos de inferioridade.

Dilma demonstrou não temer nem o Temer, quanto mais o  Palocci. Senão, não os teria feito coordenadores da transição, com espaços amplos para cotejar os governos atual e futuro.  Repousa nas mãos dela o exercício do poder, em sua plenitude. Se  a capacidade do ex-ministro  supre as necessidades da  futura administração federal,  melhor para todo mundo.

Se Palocci vai para a Casa Civil, se volta à Fazenda ou se irá para a Saúde ou para a  Petrobrás, trata-se de uma decisão  da nova presidente,   já tomada ou por tomar.   Torna-se  impossível  aceitar, no entanto,  a mentira a respeito do falso conselho atribuído ao Lula.    

LAMBANÇA EM BIARRITZ

Mostrou-se pequeno o candidato derrotado, José Serra,  ao discursar em Biarritz, na França, num seminário sobre as relações entre a América Latina e a União Européia. É claro, a serem verdadeiras as informações transmitidas de lá, porque até agora a mesquinharia não fazia parte das características do ex-governador. Ele  teria acusado o presidente Lula de desestruturar o Brasil e de adotar um populismo  de direita. Falou da alta carga tributária que nos atinge, da falta de investimentos do governo na economia e de uma política externa distorcida.

Roupa suja se lava em casa, diz o refrão  popular, tornando-se injustificáveis as análises atribuídas a Serra. Como contraponto sobra a singular intervenção de um mexicano que, interrompendo o brasileiro, falou por todos nós: “por que não te calas?”

Parece melhor aguardar o retorno do ex-candidato para que se esclareça o noticiário vindo da Europa. Não será por aí que ele se credenciará para conduzir a oposição,  nos   próximos  anos.

O  PASSADO E O FUTURO

Trava-se singular embate no PSDB, pela conquista da liderança a conduzir o partido daqui para a frente. De um lado estão Fernando Henrique Cardoso, José Serra, Tasso  Jereissati e outros derrotados, falando em redirecionar o partido.  De outro, também empenhados na reconstrução, mas vitoriosos nas urnas, Aécio Neves, Geraldo Alckmin e  Beto Richa.

Tudo indica que os artífices do futuro não serão os cultores do passado, mas garantir, ninguém garante. Ficou provado que bater no Lula não dá dividendos. Nem votos, pelo menos em número suficiente para ganhar eleições.

Governadores desconhecem a lei: nunca tiveram nada com a CPMF

Pedro do Coutto

Uma verdadeira comédia de não senso, típica dos Irmãos Marx, que no passado tanto sucesso fizeram em filmes da Metro. Governadores de vários estados se reuniram, tendo à frente Cid Gomes, do Ceará, e Eduardo Campos, de Pernambuco, para defender o retorno da Contribuição Provisória Sobre a Movimentação Financeira, a CPMF, o imposto do cheque. Reportagem de Gerson Canaroti, O Globo de 5 de novembro, retratou muito bem  tema e o encontro. Teve o surpreendente apoio do presidente nacional do PT, José Eduardo Dutra.

Este, como ex-senador, em vez de fazer coro à proposta, deveria ter assinalado que a CPMF, ao longo de sua existência, do governo Itamar que a criou, a 2007, quando extinta pelo Senado, jamais foi estadual ou teve receita destinada às unidades da federação. Ao contrário. Sempre foi federal.

No início era de 0,2% sobre os movimentos financeiros. No governo Fernando Henrique, a percentagem foi elevada em 90% passando a 0,38. E assim permaneceu até três anos atrás. No início, teoricamente eram recursos exclusivamente para aplicação através do Ministério da Saúde. FHC reduziu a participação do MS em 80% do produto gerado pela receita específica. A parcela de 20% seria reservada para cobrir o déficit da Previdência Social, incluindo o seguro desemprego. Do dinheiro produzido, muito pouco investiu-se na saúde. Caso contrário seria outro o estado dos hospitais brasileiros. Seria outro, muito diferente do que é, o atendimento a milhões de pessoas.

Para se ter uma ideia, em 2007, a CPMF ainda rendeu algo em torno de 50 bilhões. Conforme matéria de Cristiane Junglut, na mesma edição de O Globo. O orçamento da Saúde, para este ano, dados do Secretário do Tesouro, Hugo Arno Augustin, publicados no D.O. de 30 de setembro, pag. 51, é de 65,4 bilhões. A previsão para 2011 situa-se na escala de 74,2 bilhões de reais. Uma diferença de aproximadamente quinze por cento. Em 2008, a lei de meios deve ter reservado mais ou menos 50 bilhões. Ora se 80% do produto da CPMF fossem destinados ao setor, a rubrica não teria ficado nos 50 bilhões, e sim em 90 bilhões de reais. Os recursos foram para girar a dívida interna do país.

Os governadores estão aproveitando o pretexto da volta da CPMF para que seja aprovado – isso sim – um novo imposto à base de 0,1% sobre movimento financeiro, que se chamaria Contribuição Social para a Saúde, CSS. Em tal hipótese, entretanto, teriam que agir para aprovar no Congresso uma lei que permitisse o repasse de uma parte do dinheiro obtido para os Estados. Como se verifica, os governadores estão se dedicando a uma manobra financeira capaz de abastecer principalmente os tesouros estaduais. Tais recursos, esperam eles, seriam adicionados àqueles que seus orçamentos, por princípio constitucional, têm que reservar tanto à Educação quanto à Saúde. Mas esta é outra questão.

Sob o prisma político, o encontro dos eleitos e reeleitos, em Brasília, objetivou, no fundo, além do lado financeiro, estender uma ponte à presidente Dilma Rousseff, na medida em que assumiram a iniciativa impopular de impor novamente ao país um tributo que desapareceu há três anos. Querem deixá-la em posição confortável transferindo a autoria cujos reflexos imediatamente far-se-iam sentir no custo de vida, na inflação. Sim, porque os que movimentam as maiores parcelas do sistema financeiro nacional têm meios de repassar a cobrança para os consumidores. E os consumidores repassar para ninguém.

Reforma trabalhista não será prioridade no governo Dilma

Roberto Monteiro Pinho                                                                                                      

A Reforma Trabalhista que tramita há 16 anos no Congresso, não está na pauta do novo governo como assunto prioritário, e deve ser relegada ao segundo plano nos próximos quatro anos de mandato da presidente eleita Dilma Rousseff. Não é surpresa, já que durante a campanha eleitoral Dilma não fez menção a reforma trabalhista, da mesma forma que o candidato derrotado José Serra, sequer dedicou uma linha sobre o assunto. A partir dessa indubitável constatação, os articuladores da reforma, mais à frente, mesmo estando sob o teto do Fórum Sindical do Trabalho, excepcionalmente, terão que utilizar o canal do Partido dos Trabalhadores – PT, (via CUT), para levantar a questão no próximo governo.

Aproveitando, já que Dilma sinalizou na sua primeira entrevista depois de eleita, que Lula será seu consultor, este é o caminho para os sindicalistas conversarem com o presidente Lula da Silva, cuja origem sindical o torna afeto a este segmento. Ainda assim a premência da reforma se justifica diante da substituição do anacrônico processualismo, praticado nos tribunais, que apesar de avanços na cultura jurídica, se perde na deturpação de textos legais, e por isso, entre outros senões, a Justiça do Trabalho não atinge o mister da entrega da prestação jurisdicional célere. 

Embora a nova presidente tenha dedicado ao segmento um ponto no seu anunciado programa de governo, sob o titulo “Cidadania e Emprego”, algumas questões são vitais para dar estabilidade e lastro para a  nova administração federal, – a redução da jornada de trabalho de 44 para 40 horas semanais, a reserva de mercado de trabalho para brasileiros nos empreendimentos ligados ao Petróleo (leia-se pré-sal), recolocação do desempregado no mercado formal, o emprego para os jovens e por último, o mais latente dos problemas sociais do País, a informalidade que segundo dados da FGV reúne 65 milhões de pessoas.

Por outro existe uma tensa discussão no habitat do trabalho sobre o contrato temporário, cujas cláusulas se forem modificados, alteradas ou criadas novos dispositivos, podem se tornar um escape para a livre contratação protegida da vigilante CLT, jurisprudências, súmulas e das decisões dos juízes trabalhistas. Muito embora sejam esses últimos vistos como vilões pelos empregadores, a reforma se faz urgente, e uma das suas flagrantes anomalias é de que dos 922 artigos da CLT, apenas 400 são autenticamente trabalhistas. Convém lembrar que está em curso o  PL 1987/07, de autoria do deputado Cândido Vaccarezza (PT-SP), que reúne em único texto o teor de toda a legislação material trabalhista brasileira, num total de 206 leis referentes à C.L.T., e revoga 195 dessas leis, pergunta-se, a matéria será votada? 

Outra questão fundamental, agregada ao laborativismo, é a carga tributária, onde o Brasil comparado a outros países, é o recordista mundial absoluto em encargos trabalhistas, 102,76%, mais que do que o próprio salário, enquanto nos Estados Unidos, a percentagem que o empregador pago de encargos sobre a folha de pagamentos é de 9,03%, na Dinamarca, 11,6%, no vizinho Uruguai o custo é de 48,05% e na Alemanha atinge 60%. Isso significa que o salário pago ao trabalhador é pouco mais que o dobro que ele ganha, mas só recebe uma parte, outra fica no FGTS, INSS, PIS, Imposto Sindical, Rais e outros, assim se este valor fosse revertido diretamente na conta do trabalhador, o salário seria maior e o empregador por sua vez, não sofreria tanta pressão fiscal e trabalhista.

Se de um lado pende a questão tributária, no outro temos o massacre de micros e pequenos empregadores, que não dispõe de assessoria trabalhista de nível para enfrentar a complexidade do novo tema laboral (dano moral, trabalho a distância entre outros) julgados na JT. Ao que parece o ideal do trabalhismo, na concepção do magistrado trabalhista, acabou ficando no meio do caminho, a simplicidade, oralidade, foi substituído pela retórica jurídica, com a usinagem de textos aplicados nas decisões das Varas Trabalhistas (primeiro grau) e dos Tribunais (segundo grau). 

Ao contrário do que seus integrantes e os comprometidos com o sistema estatal do judiciário trabalhista sustentam, que a JT é por excelência uma justiça social, numa análise sem comprometimento com os dois segmentos que litigam neste judiciário, se pode constatar que o ideal do trabalhismo acabou ficando no meio do caminho, capitulado, pelas invencionices. Das decisões das Varas Trabalhistas e dos Tribunais, cabem recursos, muitos deles com base em texto esposado de outros códigos, isso porque dos 922 artigos da CLT, apenas 400 são trabalhistas.

A lei trabalhista na verdade, foi elaborada numa época em que o trabalhador era totalmente desprotegido, e sequer existia a JT, muitos de seus artigos foram se dissipando, ao passo que a voracidade do Estado tutelador aperfeiçoou seus mecanismos, extraindo compulsoriamente da força laboral tributos (o FGTS por exemplo) que deveriam ir direto para o bolso do trabalhador. Uma série de injunções produziu maléfico efeito nas questões do trabalho, mais que a própria falta de postos de trabalho, o desemprego, atrelado ao seguro desemprego, que tanto corrompe a rescisão contratual, a ausência de preparo técnico (ensino profissionalizante), remeteu o trabalhador para a clandestinidade. A JT acabou abrindo um hiato entre o preconizado social do trabalho, no binômio salário/alimento, por não atender os que batem as suas portas (atraídos compulsoriamente pela falsa garantia de que seus direitos serão quitados), para exigir o cumprimento da legislação trabalhista.

Livro de Amaury Junior desnuda a relação de Dantas com Serra, revela a ligação entre os dois e mais a IRMÃ de Dantas, a FILHA do ex-governador e o próprio GENRO. A bomba explodiu no seu colo.

Helio Fernandes

Um grande amigo, escritor, memorialista, com enorme arquivo, e mais do que tudo, independente, revendo papéis, encontrou um correio eletrônico de Paulo Henrique Amorim. Dizia que recebera do jornalista Amaury Ribeiro Junior a introdução do livro que iria lançar, “Os Porões da Privataria”.

(Interrupção para atualização. Essa mensagem foi enviada no final de setembro, alguns dias antes da eleição. Amaury não lançou o livro, encontrou dificuldades (chamemos de impecilhos). A eleição passou, mas o próprio Amaury considerou importantíssimo publicar o livro, mesmo depois da eleição e da derrota de Serra);

Continuando. O livro incluiria muita coisa apurada e comprovada por Amaury, e como sairia antes do primeiro turno (sem saber se haveria o segundo), derrubaria anda mais o ex-governador de São Paulo. Derrubaria seus votos, a empáfia e a incompetência travestida de experiência.

Amaury é repórter glorificado, começou no Globo, se aprofundou na IstoÉ com uma série de reportagens sobre a PRIVATIZAÇÃO do Banestado, um dos grandes escândalos da época. “Os Porões da Privataria”, é um trabalho de 10 anos, mesmo saindo agora, depois da eleição, fará tremendo estrago, e deixará muita gente de sobreaviso, com o lembrete: “Não posso esquecer de comprar esse livro”. (Mostraremos aqui quando estiver para sair).

Não são documentos surgidos com espionagem, como crer fazer crer o PIG (Partido da Imprensa Golpista, royalties para Paulo Henrique Amorim), na sua feroz defesa de Serra. São documentos oficiais, recolhidos em minucioso trabalho.

Deus protege quem trabalha. Uma parte muito grande da documentação, Amaury Ribeiro Jr. obteve por ter sofrido um processo, digamos logo, que ganhou na Justiça. Ricardo Sérgio de Oliveira, a grande potência do Banco do Brasil, processou-o. Amaury ganhou a exceção da verdade, um processo onde estavam muitos documentos chegou ao seu conhecimento.

Esse processo foi mandado à Justiça pelo notável e extraordinário tucano Antero Paes e Barros e pelo relator da CPI do Banestado, o petista também merecedor de elogios, José Mentor.

Amaury mostra pela primeira vez a prova concreta de COMO, QUANDO, QUANTO e ONDE Ricardo Sérgio recebeu pela PRIVATIZAÇÃO.

Meus parabéns a Amaury Ribeiro Jr. pela coleção de documentos. Durante os 8 anos do RETROCESSO, da DOAÇÃO e da TRAIÇÃO de FHC (e de Serra), escrevi muito sobre o assunto e o ENRIQUECIMENTO dos membros dessa Comissão de DESESTATIZAÇÃO. Obtive documentos, mas apenas, digamos, 10 por cento do que Amaury obteve.

Nos últimos dois meses, muitos comentaristas deste blog me enviaram mensagens, pedindo que eu abordasse o assunto de “Os Porões da Privataria”. Assim, como homenagem a Amaury Junior e  ao jornalismo de investigação, publico a seguir a introdução do livro dele, que circula na internet. Não sei quando sairá o livro (e acho que nem ele sabe). Mas vamos colocá-lo no AUGE antes mesmo da publicação. É preciso que todos os blogs da internet o divulguem.

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OS PORÕES DA PRIVATARIA

Quem recebeu e quem pagou propina. Quem enriqueceu na função pública. Quem usou o poder para jogar dinheiro público na ciranda da privataria. Quem obteve perdões escandalosos de bancos públicos. Quem assistiu os parentes movimentarem milhões em paraísos fiscais. Um livro do jornalista Amaury Ribeiro Jr., que trabalhou nas mais importantes redações do País, tornando-se um especialista na investigação de crimes de lavagem do dinheiro, vai descrever os porões da privatização da era FHC. Seus personagens pensaram ou pilotaram o processo de venda das empresas estatais. Ou se aproveitaram do processo. Ribeiro Jr. promete mostrar, além disso, como ter parentes ou amigos no alto tucanato ajudou a construir fortunas. Entre as figuras de destaque da narrativa estão o ex-tesoureiro de campanhas de José Serra e Fernando Henrique Cardoso, Ricardo Sérgio de Oliveira, o próprio Serra e três de seus parentes: a filha Verônica Serra, o genro Alexandre Bourgeois e o primo Gregório Marin Preciado. Todos eles, afirma, têm o que explicar ao Brasil.

Ribeiro Jr. vai detalhar, por exemplo, as ligações perigosas de José Serra com seu clã. A começar por seu primo Gregório Marin Preciado, casado com a prima do ex-governador Vicência Talan Marin. Além de primos, os dois foram sócios. O “Espanhol”, como Marin é conhecido, precisa explicar onde obteve US$3,2 milhões para depositar em contas de uma empresa vinculada a Ricardo Sérgio de Oliveira, homem-forte do Banco do Brasil durante as privatizações dos anos de 1990. E continuará relatando como funcionam as empresas offshores semeadas em paraísos fiscais do Caribe pela filha – e sócia — do ex-governador, Verônica Serra, e por seu genro, Alexandre Bourgeois. Como os dois tiram vantagem das suas operações, como seu dinheiro ingressa no Brasil…

Atrás da máxima “siga o dinheiro!”, Ribeiro Jr perseguiu o caminho de ida e volta dos valores movimentados por políticos e empresários entre o Brasil e os paraísos fiscais do Caribe, mais especificamente as Ilhas Virgens Britânicas, descoberta por Cristóvão Colombo em 1493 e por muitos brasileiros espertos depois disso. Nestas ilhas, uma empresa equivale a uma caixa postal, as contas bancárias ocultam o nome do titular e a população de pessoas jurídicas é maior do que a de pessoas de carne e osso. Não é por acaso que todo dinheiro de origem suspeita busca refúgio nos paraísos fiscais, onde também são purificados os recursos do narcotráfico, do contrabando, do tráfico de mulheres, do terrorismo e da corrupção.

A trajetória do empresário Gregório Marin Preciado, ex-sócio, doador de campanha e primo do candidato do PSDB à Presidência da República, mescla uma atuação no Brasil e no exterior. Ex-integrante do conselho de administração do Banco do Estado de São Paulo (Banespa), então o banco público paulista, nomeado quando Serra era secretário de Planejamento do governo estadual, Preciado obteve uma redução de sua dívida no Banco do Brasil de R$448 milhões(1) para irrisórios R$4,1 milhões. Na época, Ricardo Sérgio de Oliveira era diretor da área internacional do BB e o todo-poderoso articulador das privatizações sob FHC. (Ricardo Sérgio é aquele do “estamos no limite da irresponsabilidade. Se der m…”, o momento Péricles de Atenas do Governo do Farol – PHA)

Ricardo Sérgio também ajudaria o primo de Serra, representante da Iberdrola, da Espanha, a montar o consórcio Guaraniana. Sob influência do ex-tesoureiro de Serra e de FHC, mesmo sendo Preciado devedor milionário e relapso do BB, o banco também se juntaria ao Guaraniana para disputar e ganhar o leilão de três estatais do setor elétrico (2).

O que é mais inexplicável, segundo o autor, é que o primo de Serra, imerso em dívidas, tenha depositado US$3,2 milhões no exterior por meio da chamada conta Beacon Hill, no banco JP Morgan Chase, em Nova Iorque. É o que revelam documentos inéditos obtidos dos registros da própria Beacon Hill em poder de Ribeiro Jr. E mais importante ainda é que a bolada tenha beneficiado a Franton Interprises. Coincidentemente, a mesma empresa que recebeu depósitos do ex-tesoureiro de Serra e de FHC, Ricardo Sérgio de Oliveira, de seu sócio Ronaldo de Souza e da empresa de ambos, a Consultatun. A Franton, segundo Ribeiro, pertence a Ricardo Sérgio.

A documentação da Beacon Hill levantada pelo repórter investigativo radiografa uma notável movimentação bancária nos Estados Unidos realizada pelo primo supostamente arruinado do ex-governador. Os comprovantes detalham que a dinheirama depositada pelo parente do candidato tucano à Presidência na Franton oscila de US$17 mil (3 de outubro de 2001) até US$375 mil (10 de outubro de 2002). Os lançamentos presentes na base de dados da Beacon Hill se referem a três anos. E indicam que Preciado lidou com enormes somas em dois anos eleitorais – 1998 e 2002 – e em outro pré-eleitoral – 2001. Seu período mais prolífico foi 2002, quando o primo disputou a Presidência contra Lula. A soma depositada bateu em US$1,5 milhão.

O maior depósito do endividado primo de Serra na Beacon Hill, porém, ocorreu em 25 de setembro de 2001. Foi quando destinou à offshore Rigler o montante de US$404 mil. A Rigler, aberta no Uruguai, outro paraíso fiscal, pertenceria ao doleiro carioca Dario Messer, figurinha fácil desse universo de transações subterrâneas. Na operação Sexta-Feira 13, da Polícia Federal, desfechada no ano passado, o Ministério Público Federal apontou Messer como um dos autores do ilusionismo financeiro que movimentou, por intermédio de contas no exterior, US$20 milhões derivados de fraudes praticadas por três empresários em licitações do Ministério da Saúde.

O esquema Beacon Hill enredou vários famosos, dentre eles o banqueiro Daniel Dantas. Investigada no Brasil e nos Estados Unidos, a Beacon Hill foi condenada pela justiça norte-americana, em 2004, por operar contra a lei.

Percorrendo os caminhos e descaminhos dos milhões extraídos do País para passear nos paraísos fiscais, Ribeiro Jr. constatou a prodigalidade com que o círculo mais íntimo dos cardeais tucanos abre empresas nestes édens financeiros sob as palmeiras e o sol do Caribe. Foi assim com Verônica Serra. Sócia do pai na ACP Análise da Conjuntura, firma que funcionava em São Paulo em imóvel de Gregório Preciado, Verônica começou instalando, na Flórida, a empresa Decidir.com.br, em sociedade com Verônica Dantas, irmã e sócia do banqueiro Daniel Dantas, que arrematou várias empresas nos leilões de privatização realizados na era FHC.

Financiada pelo Banco Opportunity, de Dantas, a empresa possui capital de US$5 milhões. Logo se transfere com o nome Decidir International Limited para o escritório do Ctco Building, em Road Town, ilha de Tortola, nas Ilhas Virgens Britânicas. A Decidir do Caribe consegue trazer todo o ervanário para o Brasil ao comprar R$10 milhões em ações da Decidir do Brasil.com.br, que funciona no escritório da própria Verônica Serra, vice-presidente da empresa. Como se percebe, todas as empresas têm o mesmo nome. É o que Ribeiro Jr. apelida de “empresas-camaleão”. No jogo de gato e rato com quem estiver interessado em saber, de fato, o que as empresas representam e praticam é preciso apagar as pegadas. É uma das dissimulações mais corriqueiras detectada na investigação.

Não é outro o estratagema seguido pelo marido de Verônica, o empresário Alexandre Bourgeois. O genro de Serra abre a Iconexa Inc no mesmo escritório do Ctco Building, nas Ilhas Virgens Britânicas, que interna dinheiro no Brasil ao investir R$7,5 milhões em ações da Superbird.com.br que depois muda de nome para Iconexa S.A. Cria também a Vex capital no Ctco Building, enquanto Verônica passa a movimentar a Oltec Management no mesmo paraíso fiscal. “São empresas-ônibus”, na expressão de Ribeiro Jr., ou seja, levam dinheiro de um lado para o outro.

De modo geral, as offshores cumprem o papel de justificar perante ao Banco Central e à Receita Federal a entrada de capital estrangeiro por meio da aquisição de cotas de outras empresas, geralmente de capital fechado, abertas no País. Muitas vezes, as offshores compram ações de empresas brasileiras em operações casadas na Bolsa de Valores. São frequentemente operações simuladas tendo como finalidade única internar dinheiro nas quais os procuradores dessas offshores acabam comprando ações de suas próprias empresas… Em outras ocasiões, a entrada de capital acontecia pelos sucessivos aumentos de capital da empresa brasileira pela sócia cotista no Caribe, maneira de obter do BC a autorização de aporte do capital no Brasil. Um emprego alternativo das offshores é usá-las para adquirir imóveis no País.

Depois de manusear centenas de documentos, Ribeiro Jr. observa que Ricardo Sérgio, o pivô das privatizações – que articulou os consórcios usando o dinheiro do BB e do fundo de previdência dos funcionários do banco, a Previ, “no limite da irresponsabilidade”, conforme foi gravado no famoso “Grampo do BNDES” –, foi o pioneiro nas aventuras caribenhas entre o alto tucanato. Abriu a trilha rumo às offshores e às contas sigilosas da América Central ainda nos anos de 1980. Fundou a offshore Andover, que depositaria dinheiro na Westchester, em São Paulo, que também lhe pertenceria…

Ribeiro Jr. promete outras revelações. Uma delas diz respeito a um dos maiores empresários brasileiros, suspeito de pagar propina durante o leilão das estatais, o que sempre desmentiu. Agora, porém, existe evidência, também obtida na conta Beacon Hill, do pagamento da US$410 mil por parte da empresa offshore Infinity Trading, pertencente ao empresário, à Franton Interprises, ligada a Ricardo Sérgio.

(1) A dívida de Preciado com o Banco do Brasil foi estimada em US$140 milhões, segundo declarou o próprio devedor. Esta quantia foi convertida em reais tendo-se como base a cotação cambial do período de aproximadamente R$3,2 por um dólar.

(2) As empresas arrematadas foram a Coelba, da Bahia, a Cosern, do Rio Grande do Norte, e a Celpe, de Pernambuco.

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PS – Aqui termina o resumo-introdução do livro de Amaury. Mas ficou tanta coisa, tanta nota para comentar, que irei usando. Para deixar o livro sendo lembrado até sair.

PS2 – Se tiverem qualquer dúvida em relação a operações off shore, consultem Eike Batista, mestre no assunto. Sua espantosa fortuna foi feita com INFORMAÇÕES MINERAIS do pai, Eliezer, e operações off shore.

PS3 – Perda de tempo procurar bens de pessoas ligadas a Serra e Dantas. Monica Serra, Verônica Dantas, Borgeois, Mendonça de Barros e TODOS os que integraram a Comissão de DESESTATIZAÇÃO,  não têm BENS aqui, declarados à RECEITA.

Há monstros nos serviços secretos de inteligência

Pedro do Coutto

Ótima a matéria de Cristina Fibe, correspondente da Folha de São Paulo em Nova Iorque, sobre a série de reportagens do Washington Post a respeito dos monstros e sombras que habitam os porões dos serviços secretos de inteligência. O Post concentra-se mais, é claro, nos Estados Unidos, mas estende sua pesquisa em torno do que emerge da espionagem russa e inglesa.

Em todos os casos, as indagações transformam-se em mergulhos no abismo da percepção humana. Nos EUA, trabalham 854 mil pessoas nos rumos de acesso a arquivos de alta confidencialidade. Basta alguém falhar e todo um sistema pode cair por terra. E falhará. Porque – ninguém explicou concretamente até hoje, nem Freud – porque não existe garantia de um segredo resistir a pouco mais de um mês. Alguém falará. Passar uma informação é um impulso que só encontra paralelo no sexo. Aliás do sexo, a história comprova, saem sempre revelações preciosas. É da espécie humana. Homens e mulheres não são robôs. Têm emoções. Uma delas a de passar um conhecimento à frente. Ou ao lado.

Na América do Norte, narra Cristina Fibe, existem 1271 organizações estatais a serviço da inteligência e, como se isso não fosse suficiente, 1931 empresas privadas igualmente especializadas atuam no setor. Todas trabalham para o governo.

O orçamento para atividades de inteligência, para este ano, eleva-se a 75 bilhões de dólares. Quase três vezes mais do que se gastava antes do 11 de setembro de 2001, o maior atentado da história. De todos os tempos. Uma tragédia praticada por assassinos alucinados. Na minha opinião, ainda na foi – talvez não seja nunca – contada toda a verdade sobre as explosões no World Trade Center, edifício mais alto do que o Empire States, que, em companhia de Elena, minha mulher, e minhas filhas Tatiana e Vanessa, visitei na década de 90. Mas esta é outra questão.

O fato é que há, e haverá sempre, monstros e sombras, além de enigmas nos subterrâneos dos serviços de inteligência, informação secreta e espionagem. Como os diamantes são eternos, e os desencontros também, existem muitos agentes duplos e até triplos infiltrados nos vários lados da noite. Philby, por exemplo, era um agente inglês, na época da guerra fria, a serviço tanto dos EUA quanto da antiga União Soviética. Um exemplo que se transformou em livro e num filme de sucesso. Fascinante narrativa, fascinante o mistério e o risco a que sempre estão expostos os pesquisadores da penumbra. Dos espiões em tempo de guerra, dos agentes da espionagem industrial e científica. Pensemos, por exemplo, no que aconteceria se o serviço secreto alemão, na segunda guerra, tivesse descoberto o segredo da bomba atômica – Projeto Manhattan – chefiado, diante da recusa de Einstein, pelo ítalo americano Enrico Fermer e integrado por cientistas como Oppenheimer? Uma catástrofe.

Os serviços de inteligência estão sempre a um passo de uma grande descoberta. Mas seus integrantes, falíveis como todos os seres humanos, às vezes caem em armadilhas. Indispensável distinguir uma informação de outra. Só por sensibilidade. E o perigo se estende aos governos aparece quando o informante nada tem a informar, mas teme perder o emprego. Aí inventa. Aconteceu muito no Brasil com o SNI, época da ditadura militar que começou em 65 e acabou em 85. A informação falsa, ou romanceada, é um risco as mais em todo esse labirinto de sombras que o Washington Post e a Folha de S. Paulo começam a percorrer e desvendar. Imperdível.

Mensagem aos jovens jornalistas

Carlos Chagas

Existem momentos, raros, na vida de todos nós, em que o tempo  parece interromper-se.O que era, deixou de ser. O que será, ainda não é. O passado terminou e o futuro  não começou. O presente, assim, adquire as características do eterno. As formaturas exprimem esses momentos.

Ao entrar neste auditório, vocês deixaram de ser alunos da UnB. Quando saírem, depois de diplomados, serão jornalistas, publicitários, cineastas – enfim, comunicadores sociais.

Importa, então, aproveitar estes instantes eternos para, pela última vez,  em conjunto, praticarmos aquilo que alunos e professor praticaram nos últimos anos.

Vamos continuar questionando. Vamos cultivar a dúvida. Vamos erodir as teorias.  Vamos contestar os mitos. Vamos  implodir os modelos. Vamos desfazer verdades absolutas. Porque esta é a função primeira do jornalismo: opor os fatos às ilusões.

No exercício de nossa profissão, do princípio ao fim,  nosso trabalho deve ser pautado pela realidade. É ela o deus que devemos adorar. As ilusões, as verdades absolutas, os modelos, os mitos e as  teorias, são o demônio que precisamos  exorcizar.

Comecemos pelo nosso próprio mundo, a universidade. Ao contrário do que muitos pretendem,  a universidade não é uma simples matriz produtora de mão de obra para a sociedade. Jamais, apesar  das tentativas, a universidade será reduzida a um forno produtor de pão para o banquete das elites.

É claro que vocês se prepararam para trabalhar nos jornais, nas revistas, no rádio, na televisão, nas agências de notícias e nas assessorias de imprensa. Vocês estão preparados para ingressar nesse estranho universo cibernético de sites, blogs, e-mails, portais e equivalentes.

No entanto, muito mais do que preparados para ganhar salários nessa variada gama de atividades e de serviços, vocês estão preparados para questioná-los. Vocês estão em condições de renová-los, reformá-los e até, se preciso for, de revolucioná-los.

Porque uma universidade não é uma instituição destinada a servir aos detentores do poder, seja esse poder político, econômico, sindical, esportivo, artístico ou cultural. Uma universidade existe para contestar o  mundo á sua volta. Até para rejeitá-lo, repeli-lo e modificá-lo.

Uma universidade também existe para revolver as entranhas do mundo situado dentro de nós  mesmos. Significa, uma universidade, um centro permanente de não aceitação de postulados, programas, doutrinas e ideologias de qualquer espécie. Somos,  por isso, uma fonte inesgotável de resistência ao que acontece à nossa volta. Um arquipélago de divergências em  meio a um oceano de dúvidas.

Será preciso, assim, humildade para compartilharmos essa última trincheira de resistência, esse derradeiro refúgio da liberdade. No ano de 1900, na Sorbonne, o mais famoso dos  catedráticos de Física, o professor Lipmann, iniciava sua aula inaugural dizendo-se com dó de seus alunos. Com pena deles porque haviam decidido estudar Física. Porque a Física, dizia o  catedrático, já estava pronta, acabada, definida e empacotada. Nada  mais  haveria a descobrir e a pesquisar.

Pobre professor Lipmann, que para sorte dele morreu antes de saber da existência de Einstein e da teoria da relatividade, da Física Quântica e de quanta fascinação veio e continuará a vir.

Não é a oportunidade, agora, mas não resisto à tentação de questionar a mais nova  das verdades absolutas, o  mais cruel dos  mitos  de nosso tempo,  a chamada  globalização.

Para uns tantos  ingênuos e outro tanto de malandros, globalização significa o fim da história. Depois da globalização não existe mais  nada.

Argumentam esses patetas a prevalência absoluta do capitalismo, só porque o dinheiro consegue circular de um extremo a outro do planeta em questão de segundos, num digitar de teclas. Fosse assim e globalizado estava o mundo quando o primeiro troglodita conseguiu dominar o fogo e  fez com que  sua aldeia se comunicasse com as outras através de sinais de fumaça, não mais pelos decibéis de sua garganta.

Mas globalizado o mundo não ficou quando  nossos  ancestrais aprenderam a utilizar o jumento como  meio de transporte? Ou quando os navegadores descobriram o caminho das Índias, levando madeira da Espanha para o extremo oriente e de lá trazendo especiarias?

Ou globalizados  não  se sentiram nossos avós quando da invenção do telégrafo? Quem garante que daqui a 50 anos nossos netos  não rirão de nossas pretensões globalizantes porque eles, sim, estarão globalizados,  trazendo  água de Vênus e minério de Marte?

Mas com  certeza os  netos dos nossos netos rirão deles, porque globalizados aí sim estarão, ao buscar o elixir da longa vida em Andrômeda e cérebros descartáveis na Ursa Maior.

Já me alongo. Ainda uma referência à universidade, que nos diz respeito diretamente.  Outro mito a destruir. Volta e meia ressurge a campanha contra esse canudo que vocês receberão dentro em pouco. A campanha contra  o diploma de jornalista, porque, dizem, o dom de escrever nasce com o indivíduo, não se adquire na universidade.

É a mesma coisa do que permitir ao “seu” Manoel, do açougue aqui na esquina, um craque na arte de cortar carne, de tirar costelas e filés, que ele troque o avental pelo jaleco, entre no hospital e vá operar alguém de apendicite. Ou  imaginar que o camelô da rodoviária, um mestre na palavra, que vende tudo o que apresenta em sua bancada, vista a beca e vá defender uma causa no Supremo Tribunal.

O dom de escrever faz o escritor, e o escritor não está proibido de escrever nos  jornais. Apenas o fará como colaborador, não como jornalista. Porque o jornalista não é  nem  melhor  nem pior do que o escritor. Apenas, é  diferente.

Além de saber escrever, para exercer a profissão o jornalista necessita saber editar, diagramar, selecionar,  diferenciar estilos e conhecer o  mundo à sua volta, até para questioná-lo. Precisa, o jornalista, de conhecimentos ordenados de história, geografia, sociologia,  ética e filosofia, entre outros.

As  escolas de jornalismo apresentam falhas e deficiências? Que sejam modificadas, aprimoradas,   melhor   elaboradas. Jamais extintas. Se estão formando mais professores de jornalismo do que jornalistas,  que se modifiquem seus currículos, mas retirar o sofá da sala para acabar com o adultério, como na  velha piada, trata-se de um velhaco raciocínio.

O diploma é essencial, expresso  pelo que vocês representam aqui,  nesta noite: vocês formam um conjunto forjado nos bancos universitários, um conjunto capaz  de lutar pela melhoria de seus padrões de vida, tanto quanto pela liberdade da notícia e pela verdade  da informação.

É isso que incomoda muita gente. Chegou a hora de dizer adeus. Mesmo aposentado,  é nesta casa que me abrigo, é para esta casa que volto  nos  momentos permanentes de dúvida. Afirmo o oposto do que afirmava o professor Lipmann. Porque eu invejo vocês.

Vocês enfrentarão desafios e realizarão mudanças muito maiores do que aquelas que tentei realizar e enfrentar. Não deixo mensagem alguma. Nos anos em que convivemos, espero haver demonstrado que, como vocês, fui e continuo sendo uma fonte permanente de dúvidas.

Ficam apenas algumas exortações: Rebelem-se contra o preconceito dos que pretendem resumir a vida a um sistema, qualquer que seja esse sistema. Insurjam-se diante de doutrinas, ideologias ou modelos que apregoam dispor de respostas para todas as perguntas. Sacudam a poeira da intolerância dos que apresentam o ser humano como mero conjunto químico dotado de inteligência.

Releguem ao lixo da história a afirmação oposta, de que precisamos nos  conformar com a injustiça, a fome,  a miséria e o sofrimento para recebermos a recompensa na outra vida. Levantem-se contra a teoria das ditaduras tanto quanto contra a ditadura das teorias.

Cultivem o senso grave da ordem e o anseio irresistível da liberdade. Creiam, acima de tudo, no poder da razão, porque da razão nasce a liberdade, da liberdade a justiça, da justiça o bem comum, e do bem comum o amor.

O amor,  a derradeira oferta do indivíduo à sociedade. E de um professor aos seus alunos.

(Discurso de paraninfo aos formandos em Jornalismo)

Ministério de Dilma não pode ser o de Lula

É isso que está no título. O ministério da presidente Dilma Rousseff – salvo uma exceção ou outra – não pode ser o que acompanhou o presidente Lula ao longo de seus dois mandatos. Não faria o menor sentido. Descaracterizaria a passagem do poder, pois a continuidade de uma política não significa, tampouco   poderia significar, a permanência da equipe. Cada pessoa tem o seu estilo, suas afinidades, suas distâncias, simpatias e antipatias. Além do mais, se uma parcela expressiva de auxiliares fosse mantida, estabelecer-se-ia uma dualidade de poder absolutamente indesejável tanto para Lula, quanto para Rousseff. Pessoas ou grupos não atendidos por esta, inevitavelmente iriam procurar aquele.

Não tem sentido, sobretudo  sentido político. O poder não se divide, nem se exerce por delegação. O exercício do poder será eternamente um gesto solitário do governante. Ele é o responsável por tudo, em última análise. Sua luta é para ser solidário com as forças que o elegeram, no caso a elegeram, e também em relação à sociedade de modo geral. Tem que governar para todos, mas nem todos os partidos podem estar representados no seu esquema parlamentar de sustentação.

Aliás, Dilma Rousseff no seu primeiro pronunciamento depois de vencer nas urnas, disse clara e diretamente que vai governar com as forças que a levaram à vitória, mas não cogitando incorporar à equipe pessoas envolvidas em processos judiciais e as que não demonstrarem competência suficiente para o desempenho das funções indicadas. Assim, tudo leva a crer que ela naturalmente pedirá listas tríplices que analisará dentro das colocações partidárias. Assim, as agremiações indicam alternativas, porém cada escolhido ficará a dever sua nomeação à presidente, não totalmente à legenda.

Em alguns casos, já ocorreram exclusões prévias, uma vez que as opiniões manifestadas por alguns colidem com a criação que traçou no primeiro lance, depois das urnas. É o caso, por exemplo, dos que defenderam o controle da mídia. Ela afirmou ser contrária a qualquer medida que implique censura ou restrição à liberdade do jornalismo.

Reportagem de Simone Iglesias, Sheila Damorim e Márcio Falcão, Folha de São Paulo de 5/11, focalizou o tema, levantado pelo próprio Lula na véspera, acrescido de sua disposição de se empenhar por uma reforma política em 2011. A primeira parte do espaço na FSP está melhor e bem mais nítido do que o segundo. Sobretudo porque o segundo encontra-se em choque com o primeiro. Pois se ele, Lula, não vai interferir no governo, no que está certo, como poderá atuar na reforma política? Sobretudo porque, ao longo de seus oito anos de Planalto, o presidente que encerra seu período jamais se voltou para a reforma política, muito menos para as eleições distritais, sistema misto alemão de listas partidárias, exigência de percentagem de votos para que as legendas menores sobrevivam. Aliás este último aspecto é ocioso e desnecessário, uma vez que é livre a criação de agremiações políticas. Desta forma, os que submergissem nas urnas, emergiriam no episódio da criação de novos partidos. É trocar seis por meia dúzia.

Assim, para evitar qualquer perspectiva de dualidade Lula deve ser nomeado por Dilma – opinião minha – para um posto no exterior, mais provavelmente embaixador do Brasil junto à ONU. Cargo de altíssimo relevo, dependendo, claro, da pessoa que o exerce. Já foi ocupado, basta dizer, por homens como Oswaldo Aranha, Afonso Arinos e Santiago Dantas. É suficiente citar os três vultos para que se alcance facilmente a dimensão do posto. Lula em Nova Iorque, Dilma Rousseff em Brasília e está resolvida a primeira parte da questão política, que começa daqui a menos de dois meses.

A segunda etapa vem depois.

Ou Dona Dilma estanca o desperdício da DÍVIDA, inicialmente interna, ou será devorada por ela, não adianta sonhar com a REEELEIÇÃO, mesmo com aval de Lula. O total assusta, o juro, assombra.

Helio Fernandes

Dias antes do segundo turno e da ratificação do nome de Dona Dilma, o secretário do Tesouro (corretíssimo) publicou no Diário Oficial e revelou em entrevista, os números das DÍVIDAS: a interna e a externa. Ninguém escreveu, elogiou, protestou, analisou ou debateu esses números. Parece que não têm importância, na verdade é a altura deles que impede o investimento, compromete nosso desenvolvimento, mantem o país enganado em “berço esplêndido”.

Apenas um reparo ou esclarecimento: vou repetir os números publicados, não são os meus (muito mais altos e convincentes), mas de qualquer maneira, são os oficiais, manejados, manipulados e mobilizados pelo governo. Não importa se é o que está saindo ou entrando. Pela forma como estão acontecendo as coisas no Brasil, é uma fusão de quem está saindo e de quem está entrando.

E nem se sabe quem vai mandar no futuro (que está logo ali na esquina), pois Lula, o senhor dos anéis, a cada dia afirma uma coisa. Anteontem, consagrou a REEELEIÇÃO de Dona Dilma, ontem já aparecia com uma nova enciclopédia em punho. E nessa enciclopédia, ele mesmo aparecia, destacado em todas as páginas. Mas deixemos Lula “fazer e acontecer”, examinemos o “legado financeiro deixado por ele”.

Dívida interna revelada pelo secretário: 2 TRILHÕES E 300 MILHÕES. Dívida externa: 262 BILHÕES. Vejamos inicialmente a “DÍVIDA” interna, com as aspas que o governo não usa, para melhor iludir a opinião pública, que fica mais real e verdadeira, chamada de cidadão-contribuinte-eleitor. Cidadão desprezado, contribuinte cada vez mais sofrido, eleitor obrigado a votar apenas em 1 ou 2 nomes.

A juros de 10,75%, essa “Dívida” de 2 TRILHÕES e 300 BILHÕES, exige um pagamento anual de 250 BILHÕES, mais ou menos isso. Esse pagamento anual (que não verdade não é pagamento e sim AMORTIZAÇÃO) obrigou os governantes (primeiro, FHC, depois o próprio Lula, e agora Dona Dilma, que na certa cumprirá o mesmo trajeto) a inventarem o que chamaram de DEFICIT PRIMÁRIO.

Isso não existe em país algum do mundo. Nos mais diversos, ricos ou pobres, o ano fecha do SALDO ou DEFICIT. Mas como os “CREDORES” exigem o pagamento (amortização) dos juros, os “DEVEDORES” criaram o déficit primário, que é farsa, mentira, mistificação, fantasia, desperdício que atinge diretamente o povão, que tem que pagar, DIRETA ou INDIRETAMENTE.

Também como consequência da DÍVIDA elevada e naturalmente dos juros correspondentemente altos, o governo Lula inventou o que comunica à opinião pública como ECONOMIA. Todo ano vem a explicação, como aconteceu em 2009 e aparecerá agora como um pouco mais alto: “ECONOMIZAMOS 90 BILHÕES DE REAIS”. Não dizem, mas é para entregar aos “CREDORES”.

90 BILHÕES não dá nem para a metade, mas como esses “CREDORES” são generosos e compreensíveis, aceitam que a diferença entre o total dos juros a serem pagos e os 90 BILHÕES efetivamente disponíveis, aumentem o total da DÍVIDA.

Nas duas últimas reuniões do Banco Central, os juros ficaram em 10,75%, os “CREDORES” compreenderam, era véspera de eleição, a continuação dos que estavam no Poder seria excelente, “por que mexer em time que está ganhando?” (É para agradar a Lula, que adora fazer comparação com futebol).

Ainda em 2010 ou logo no início do novo governo, haverá aumento dos juros. É do jogo, qualquer coisa que dê a impressão de mudança provocará gritaria, protesto de todos os lados, referendados pela grande mídia que não tem pátria, apenas formidáveis interesses, dela e do sistema.

Mas vou apresentar um raciocínio diferente, favorável à Dona Dilma e ao país, mas que tenho certeza, antecipadamente, que não será cumprido. Digamos que os juros, em vez de serem AUMENTADOS, sejam REDUZIDOS, venham de 10,75% para 5% ao ano. Puxa, queda violenta, inimaginável, mas que vamos admitir.

A “DÍVIDA” interna estará miseravalmente em 3 TRILHÕES, aumento “pequeno” de 25 por cento. Com os juros em 5 por cento (sonho alucinação do repórter) para uma DÍVIDA DE 3 TRILHÕES, estaremos obrigados a dispor anualmente de 150 BILHÕES. Como só conseguimos, com ENORME esforço, “economizar” 90 BILHÕES, a “DÍVIDA” aumentará anualmente, 60 BILHÕES.

A solução correta, digna, saudável, progressista, não é portanto essa que foi colocada aqui com a maior descrença do mundo, afinal conheço os personagens do meu país. O que precisa ser feito dá a impressão de radicalização, mas é apenas sistematização, é satisfação, normalização, humanização, preservação dos dinheiros e dos recursos do cidadão.

1 – Deixaríamos de amortizar, criminosamente, a DÍVIDA que não DEVEMOS. 2 – Negociaríamos amigavelmente esses 2 TRILHÕES E 300 BILHÕES, com uma forma não hostil, desde que a DÍVIDA DESAPARECESSE.

3 – Surgiriam logo os que protestariam, gritariam, retumbariam: “Isso é CALOTE, ficaremos desmoralizados”. 4 – Só se coloca a palavra CALOTE, quando se deixa de pagar uma DÍVIDA verdadeira. 5 – Quando se negocia para NÃO PAGAR UMA DÍVIDA QUE NÃO DEVEMOS, é apenas a recuperação do bom senso, da dignidade, aí sim, teremos CREDIBILIDADE.

Como podem “argumentar” que sem a colocação de bônus no mercado, ficará faltando dinheiro, que é realmente indispensável, preencheríamos o vazio, injetaríamos esse dinheiro, mas invertendo o processo.

Eliminaríamos a VENDA de bônus, pagando (por enquanto) 10,75% aos tomadores. O governo passaria a emprestar a empresários e aos que necessitam de recursos para investir, recebendo, digamos, 3 ou 4 por cento. Vejam que satisfação: em vez de pagar 250 BILHÕES, receberíamos 15 BILHÕES.

(Esse cálculo é feito com 3 por cento em cima de 500 BILHÔES, soma que o governo poderia colocar imediatamente e inicialmente em circulação. Com isso, todos sairiam vencedores. Pois os grandes, médios e pequenos empresários, (apesar de serem ligadíssimos aos bancos), são reféns deles. Vejam os lucros deles, cada vez TRIMESTRALMENTE mais altos. E tentando provar em caminhões de publicidade, que “1 + 1 NÃO É IGUAL A 2, É MUITO MAIS DO QUE ISSO”. Ha!Ha!Ha!

Com isso, o dólar continuaria flutuante sem a influência dos fabricantes de lucros. E o governo que há anos vem comprando dólar desde que estava em 3 reais, para manter o preço, vem desperdiçando fortunas, e o dólar, neste momento, está em 1,679.

O que Dona Dilma, principiante nesse quesito, chama de “guerra fiscal”, é apenas o resultado de manipulação de dinheiro e utilização da margem aberta, visível e escancarada.

“Arranjam” dinheiro lá fora a 1, 2 ou no máximo 3 por cento, trazem para cá, empregam a 10,75%, façam os cálculos, constatem quanto ganham.

Fechada essa torneira calamitosa, os dólares não entrarão escandalosamente no Brasil, a moeda subirá naturalmente. Como esses “investidores” (Deus me perdoe a blasfêmia) dizem que o “Brasil é confiável e é ótimo mandar dólar para cá”, continuaremos querendo e recebendo esses dólares, para EMPREENDIMENTOS OU INVESTIMENTOS sólidos e a longo prazo. É o chamado capital-motel que inflaciona o dólar.

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PS – Reconheço que é preciso coragem para fechar essa “fábrica” de dólares falsos, que não FAVORECEM o Brasil em nada, PREJUDICAM em tudo.

PS2 – Deixo para depois, a análise sobre a dívida externa. O governo Lula MENTIU tanto, enganou de tal maneira a opinião pública, que estou envergonhadíssimo.

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NÃO PERCA AMANHÃ:

Livro de Amaury Junior desnuda a relação de Dantas
com Serra, revela a ligação entre os dois, e mais a IRMÃ de
Dantas, a FILHA do ex-governador, e o próprio GENRO.
A bomba explodiu no seu colo.