Dificuldades adiam definição da candidatura de Meirelles às vésperas da desincompatibilização

Denise Rothenburg e Luciano Pires

Nem a vice de Dilma nem o sucessor no Banco Central. Nas conversas palacianas que manteve nos últimos dias, Henrique Meirelles não obteve do presidente Lula o que mais desejava e ainda viu crescer o risco de não emplacar o Diretor de Normas, Alexandre Tombini, como futuro presidente do BC.

Nas últimas 24 horas, Dilma Rousseff defendeu a nomeação do secretário de Política Econômica do Ministério da Fazenda, Nelson Barbosa, para substituir Meirelles. Assim, sem a  garantia de que Lula moveria montanhas para fazer dele, Meirelles, companheiro de chapa de Dilma, e sem Tombini no Banco Central, Meirelles arremeteu e sua saída do BC vai tentar nas próximas horas demover Lula de nomear Barbosa.

Na dúvida, Meirelles foi ao gabinete do presidente ontem à tarde. Mas Lula não o recebeu, porque estava reunido com o senador Osmar Dias (PDT-PR), tentando atraí-lo para a montagem do palanque de Dilma no Paraná.


Mario Filho, o maior jornalista esportivo de todos os tempos, morreu sem ninguém saber

Esse, sim, eterno, escrevendo, criando, (os Jogos da Primavera), com um livro extraordinário e insuperável, devia ser reeditado, para distribuir entre os jovens, “O negro no futebol brasileiro”. É a maravilhosa história das nossas raízes no futebol.

O Estádio do Maracanã só saiu por causa dele, o prefeito Mendes de Moraes queria construir dois: um público e outro privado, nas suas contas pessoais. Merecidamente o Maracanã tem o nome dele, por favor, substituir ou trocar o nome, de maneira alguma.

Chegando da Copa de 66 na Inglaterra, (a única na qual o Brasil foi eliminado na primeira fase) Mário Filho morreu, quase que ignorado. E era dono do Jornal dos Sports, que informou e formou gerações e gerações.

O primeiro serviço de Armando Nogueira, já não muito moço, aos 23 anos, foi cobrir a chegada da seleção da Iugulsávia para a Copa de 50. Deu trabalho para o copidesque, que então dominava as redações.

Verdade seja dita, ele não sabia que era tão genial quanto o descreveram ou exaltaram. Até um título tolo e sem qualquer mérito, foi desenterrado quando ele morreu: “O homem que driblou a morte”. Quanta besteira, Armando Nogueira. Títulos altamente criativos, vou citar dois, poderia lembrar uns 100.

Joel Silveira, o maior repórter de todos os tempos, aos 19 anos chegava de Sergipe e escrevia, “Os grã-finos de São Paulo”, não parou mais. Fez entrevista com o deputado Domingos Velasco, socialista e católico, colocou o título inesquecível: “Na esquerda, com Deus”. Ou então na Tribuna da Imprensa, durante a ditadura, quando o “governador” de São Paulo e o do Rio almoçaram: “Chagas e Maluf se encontram, a polícia não aparece”.

Não foi poeta, e genial poucos são. Não escrevia, com dificuldade alinhavava as palavras, soletrava, se empolgava e se deslumbrava. Ao contrário de Mario Filho, viveu na época da televisão. Soterraram-no de impropérios que pretendiam consagradores, mas esqueceram precisamente a televisão.

Dois dos episódios jornalísticos mais vergonhosos da televisão, levam a marca de Armando Nogueira. Não era por maldade, (nada a ver com o filme, “A marca da maldade”, de Orson Welles) e sim por ser impossível para ele e para muitos, ultrapassa o que estava dentro dele, a convicção de ser sempre servo, submisso e subserviente.

Em 1982 cumpriu tudo o que seu mestre mandava, tentou de todos os modos e maneiras fraudar o resultado das eleições, convencer a opinião pública de que Brizola não ganhara a eleição. O próprio Brizola, indomável, foi à sede da “Vênus Platinada”, recuperou a eleição que havia ganho nas ruas. Espertíssimo, Roberto Marinho devolveu a eleição para Brizola, nem consultou “seu diretor”.

Não teve coragem de pedir demissão, a subserviência foi sempre maior do que a consciência. Ficou diretor sem mandar nada, com Roberto Marinho ninguém mandava, esqueceram disso. Até que chegou o fim em 1989.

Com a eleição direta para presidente, (depois da ditadura, surgiu o primeiro debate, copiando o de Kennedy-Nixon em 1960) entre Lula-Collor, no segundo turno. Até hoje o fato é lembrado. A TV Globo repetia 1982, se julgava, como se julga até hoje, invencível, inviolável e imperturbável. Editou o debate, de forma vergonhosa, espantosa e até delituosa.

Perdeu, mas era comum em Roberto Marinho, jogou toda a culpa em Armando Nogueira, o que era pelo menos 70 por cento verdadeiro. Ficou vagando por aí, divagando nas palavras que nem imaginava que fossem geniais, só vai saber agora, já está sabendo, surpreendidíssimo. Devia haver um limite para elogio póstumo, principalmente disparatado e inverídico.

Já contei: o grande poeta (esse, verdadeiro e dos maiores) Manuel Bandeira, gostava de escrever conversando com ele mesmo. Perfeccionista, quando não gostava, rasgava e dizia: “Quanta besteira, Manuel Bandeira”. Com ele em vida, comparei, criei, repeti: “Quanta besteira, Armando Nogueira”.

Conheço meus personagens. Coisa que não acontece com os exibicionistas, que na fúria de aparecerem, enterraram o jornalista, chamando de genial. Se fosse em Portugal, diriam apenas: “Bestial, pá”.

***

PS – Respondendo a muitos que perguntam (justamente) se o fim de Armando Nogueira foi em 1982 ou em 1989. A queda e o desgaste começaram com o fiasco e o fracasso de 1982, Brizola tomou posse, Roberto Marinho acreditava que ele fosse se vingar.

PS2 – 1982, “foi a primeira ruga na face do personagem”. Como disse antes, foi mantido, apesar de execrado. 1989 foi o envelhecimento e o envilecimento, nenhum jogo de palavras, Roberto Marinho se cansara de servos, submissos e subservientes.

Não deixe de ler amanhã:
A elegante, educada e até espirituosa
entrevista de Brizola a Armando Nogueira, depois
de ter abortado a fraude da Globo/Proconsult

Palavras de Lula ao passar o cargo

Será cerimônia tristíssima para ele, alegríssima para os outros, que só podem ser Dilma ou Serra.

(Lula poderia fazer como Floriano, que não entregou a faixa a Prudente. Copiando Figueiredo, que saiu pelos fundos do Planalto para não encontrar com o ex-amigo Sarney. Ou Lacerda, que renunciou para não ver o inimigo Negrão).

Lula entregará o cargo, quer aparecer mais uma vez. Para Serra, dirá: “Nos vemos dentro de 4 anos”. Para Dilma: “Enfim, sós”.

‘Los tres hermanos”

Lula não gostou da capa da revista “Brasília em Dia”, onde aparece caricaturado pelo excelente William, ao lado de Fidel e Raul Castro. Tentou protestar e reclamar, no fim de governo não é boa idéia.

Remédios mais caros

20 mil remédios terão os preços aumentados. Como quanto mais velho, menos dinheiro da aposentadoria e mais necessidade de medicamentos, e fácil descobrir quem será atingido. E Lula, fica em silêncio?

Fogaça, dois palanques

Senador não reeleito, se elegeu e se reeelegeu prefeito. Agora, candidato a governador, sobe no palanque de Dona Dilma, ao mesmo tempo que desce no de Serra.

A governadora em exercício, não se reeelege nem que a eleição vá para o terceiro turno.

Campanha eleitoral na internet

Terá enorme importância na internet. O PT e o PSDB estão recrutando pelo menos duas mil pessoas (cada um) para utilizar essa ferramenta. Ficarão encarregados de plantar notas e responder ao que bem entenderem.

A grande vantagem, e ao mesmo tempo desvantagem da internet, é o anonimato ou a possibilidade de esconderem o nome. José Serra e Dilma Rousseff podem aparecer como Osvaldo Horatio ou Madalena de Jesus. Muito cuidado, total fiscalização, nenhuma censura.

Maluf e o Procurador de Nova Iorque

Tendo seu nome entre os procurados em 181 países, o “governador” de São Paulo anunciou: “Vou processar esse procurador”. Ele soube, mandou recado, que estava “estudando com a Interpol, incluir seu nome entre os procurados, também no Brasil”. Maluf rapidamente desistiu do processo.

Em campo o time reserva

Carlos Chagas

Com todo o respeito aos dez secretários-executivos e chefes de gabinete  ontem transformados em ministros, a pergunta que se faz é contundente: alguém, fora da Esplanada dos Ministérios, já ouviu falar deles? Os nomes relacionados pelos jornais não dizem nada, em termos políticos. E os ministérios, desde o Império, são organismos eminentemente políticos.

O resultado é que o presidente Lula, na reta final de seu governo, acaba de compor um miniministério.  Botou em campo o time reserva, mesmo ciente de que os minutos finais da partida são os mais importantes para a vitória ou a derrota no campeonato.

As devidas desculpas, mesmo sem citações nominais, também vão para os ministros que ficaram, com raras exceções, da mesma forma carentes de expressão política.

A gente se pergunta o porquê desse ato final do primeiro-companheiro. Será porque fica mais fácil para o técnico orientar auxiliares ainda não consagrados pela crônica esportiva? Senão pernas-de-pau, ao menos um conjunto  inexperiente que põe um olho na bola e outro no treinador.

Quando deputados ou senadores consagrados pedirem audiência para forçar benesses, favores e nomeações, terão os novos ministros condições de rejeitar? Sempre será possível que revelações apareçam, mas fácil não parece.

Poderia ser diferente? Claro. Mesmo sabendo que os políticos profissionais disputarão a reeleição, impedidos por isso de integrar o ministério, bem que o presidente Lula poderia, até para coroar seu governo, lançar mão de luminares, de cidadãos apolíticos com destaque  nas diversas atividades a que se dedicam. Formaria uma seleção digna de ganhar a Copa do Mundo. Como preferiu, mesmo, escalar um time de  reservas, corre o risco de enfrentar arquibancadas vazias no fim da partida.

O rolo compressor

Tem gente sem dormir, em Brasília, em especial depois que o delator Durval Barbosa ameaçou metade dos políticos locais  com um rolo compressor. Locais e nacionais, ressalta-se, porque a boataria envolve até altos  dirigentes  de partidos supostamente brindados com regalos pecuniários do ex-governador José Roberto Arruda. Enquanto habitava o mundo dos vivos, ele imaginava altíssimos vôos, como tornar-se companheiro de chapa de José Serra, indicado pelo DEM. Também tratava do “Plano B”, que seria sua reeleição, necessitando para isso do apoio do PMDB. Que se cuidem os donos desses dois partidos. E de outros, porque Durval Barbosa mostra-se disposto  a jogar barro no ventilador.

Marmita requentada

Marina Silva chegou à perigosa conclusão de que só crescerá nas pesquisas caso venha a bater  firme no governo. Sua definição sobre o PAC II é contundente: “marmita requentada”. Desfaz-se aos poucos o ameno clima que marcava o relacionamento da candidata com o presidente Lula. Como Ciro Gomes vem poupando cada vez menos o PT, e José Serra logo assestará sua metralhadora sobre os detentores do poder, Dilma Rousseff ficará  sozinha na trincheira, com a função de rechaçar a invasão.

Aquilo que o governador Aécio Neves sustenta ser exclusiva característica de Minas, onde não existem inimigos, mas apenas adversários, ameaça desfazer-se na sucessão presidencial. Daqui até outubro chumbo grosso cruzará o céu da disputa. Tomara que ninguém saia mortalmente ferido.

Primeiro de abril

Hoje é primeiro de abril. Que tal imaginarmos a realização em Brasília da mais formidável reunião de líderes mundiais, sob a presidência do Lula, para a celebração da paz e da concórdia no Oriente Médio? Ou o compromisso dos presidentes dos Estados Unidos e da Rússia de destruírem em quinze minutos todo o seu arsenal atômico? Por que não se supor um pacto mundial pela extinção do terrorismo? Mais a destinação de metade da riqueza mundial  para a recuperação dos países pobres e miseráveis?

Aqui no Brasil, então, nossa imaginação não teria limites: a prisão de todos  os implicados no mensalão; a devolução dos recursos destinados pelo governo às ONGs fajutas; a realização de todas as promessas contidas no PAC I;  a dissolução dos partidos políticos cujos dirigentes se envolveram em maracutaias; a utilização em escolas e hospitais dos bilhões carreados pelo governo em publicidade e propaganda… E quanta coisa a mais?

Lula afasta-se mais de Cabral

Pedro do Coutto

As declarações do prefeito Lindberg Farias – O Globo de 30 de março – anunciando que, no Estado do Rio de Janeiro, o presidente Lula pedirá votos para sua candidatura a senador e também para a reeleição de Marcelo Crivella, reportagem de Cássio Bruno, evidentemente garante a reeleição do representante da Igreja Universal, que sempre alcança 20 por cento nas votações de que participou. E deve também assegurar a vitória de Lindberg Farias, escolhido candidato único do PT, quando pela lei a legenda pode concorrer com dois nomes, já que são as duas vagas em jogo.

Isso de um lado. De outro, a afirmação de Lula o aproxima mais de Anthony Garotinho e o distancia de forma acentuada do governador Sérgio Cabral. Por que isso? Simplesmente porque Cabral apóia Jorge Picciani, do PMDB, para o Senado, o principal atingido pela afirmação do presidente. Os votos que Picciani vai perder em conseqüência da opção de Lula vão se refletir é claro, não apenas nele, mas na chapa que integra como companheiro inseparável do governador, desde o tempo em que o primeiro presidia a Assembléia Legislativa e o segundo ocupava o cargo estratégico de primeiro secretário em matéria de administração interna da Casa.

Lula pedindo votos para Lindberg atinge Sérgio Cabral de forma indireta, quebrando a base de Picciani no interior do Estado. Base das mais possantes, uma vez que, com ela, conseguiu que seu filho Leonardo alcançasse 170 mil para deputado federal. Ter 170 mil votos não é brincadeira. O milionário Ronaldo Cesar Coelho elegeu-se com 50 a 60 mil votos. Portanto, o esforço em favor de Leonardo foi quase três vezes maior. Dose para dinossauro.

Sem o apoio de Lula, os recursos eleitorais de Picciani não valem nada. Não serão suficientes para elegê-lo nem em segundo lugar, porque inclusive existe ainda a candidata do Partido Verde, Aspásia Camargo, que, a meu ver, deveria ser substituída por uma pessoa mais afirmativa como a vereadora Teresa Bergher, muito mais disposta ao combate do que a postura fria e defensiva de Aspásia. Mas esta é outra questão.

O principal é que o apoio de Lula a Marcelo Crivella, que por sua vez já tem o apoio de Wagner Montes, para quem trabalha na TV Record, deixará o bispo forte demais, praticamente imbatível. Picciani, sem Cabral, ou com Cabral enfraquecido, não representa nada.

O poder econômico pode pesar para as eleições proporcionais. Mas nenhum efeito produz em disputas majoritárias. Se fosse assim, Ermírio de Moraes não teria perdido o governo de São Paulo para Orestes Quércia em 86. E perdeu. O que provavelmente aconteceu foi de Lula ter se irritado com Sérgio Cabral com a sua infeliz declaração de que não votaria em Dilma Rousseff se a chefe da Casa Civil subisse no palanque de Garotinho. Ora, um presidente da República não pode receber ameaça e menos ainda ultimatos desse tipo. O resultado aí está: o apoio a Lindberg, que é do PT, mas paralelamente o apoio a Crivella que pertence aos quadros do PR.

No episódio – que para Noel Rosa foi um palpite infeliz – Sérgio Cabral pode ter jogado fora, pela janela do destino, a sua reeleição ao Palácio Guanabara. Inclusive porque ele lidera o páreo até agora, mas o segundo turno contra Gabeira ou Anthony Garotinho passou a ser ainda mais certo agora.

Política é como a vida humana. Os episódios nunca se encerram em si. Continua, produzem reflexos, projetam-se no espelho dos fatos que, como todos os reflexos, trocam as imagens de um lado para outro. Marcelo Crivella surge como o primeiro vitorioso nas eleições do Rio. E, claro, vai apoiar Dilma Rousseff. Antes de Cabral fazê-lo. O governador cometeu um gol contra si mesmo terrível.

Roberto Marinho, Armando Nogueira, a Proconsult

(Trecho do livro “Brizola Tinha Razão”,
do jornalista FC Leite Filho)

“No dia 18 de novembro de 1982, inconformado com a demora na divulgação dos resultados da eleição, em que era tido por todos como candidato vitorioso ao governo do Rio de Janeiro, Leonel Brizola procurou a imprensa internacional para denunciar uma tentativa de fraudar a apuração e declarar eleito o candidato do PDS Moreira Franco.

Mais tarde, o candidato do PDT foi à sede da Rede Globo de Televisão, no Jardim Botânico, no Rio, e exigiu espaço para falar. Ele via na emissora o braço direito da conspiração, pelo modo faccioso com que se comportou, ao desconhecer os resultados favoráveis a Brizola, que eram corretamente projetados pelo Jornal do Brasil; e a Rádio Jornal do Brasil.

Como se verificou depois, segundo denúncias que também partiram de funcionários da própria Rede Globo, as Organizações Globo, juntamente com o SNI estavam envolvidas naquilo que mais tarde se tornou conhecido como a Operação Proconsult.

Esta operação, que levava o nome da empresa encarregada de proceder à apuração do Rio de Janeiro, a Proconsult-Racimec – de propriedade de antigos oficiais de informação do Exército – tinha como objetivo virar na marra os resultados em favor do candidato do Governo federal na época, Moreira Franco.

A estratégia consistia em sonegar os resultados da capital, a cidade do Rio, que reúne mais de dois terços do eleitorado do Estado, e onde Brizola obteve cerca de 70% dos votos, e só divulgar uma média das apurações do interior, onde Moreira era majoritário, com as da periferia e parte da capital, de modo que situasse sempre Moreira Franco à frente dos votos. Isto era para infundir no público a convicção de que Moreira Franco e não Leonel Brizola ganharia a eleição.

Da contenção dos resultados da capital, a Proconsult passaria para a inversão pura e simples dos mapas eleitorais, em favor de Moreira .Franco, na proporção que o público fosse trabalhado subrepticiamente pela Rede Globo a achar que o candidato do PDS, que já fazia declarações nas emissoras de rádio e televisão na qualidade de virtual governador, tinha sido mesmo o vitorioso.

As denúncias de Brizola, que logo chegaram à opinião pública nacional acabaram provocando grande impacto popular, com reações nas ruas do Rio contra os veículos das Organizações Globo, que não incluam somente a televisão, mas o jornal O Globo e a Rádio Globo.

Pressionada por aquilo que ameaçava se transformar numa rebelião popular de proporção nacional contra a Globo, a emissora não teve outra saída, senão conceder espaço a Brizola para fazer a denúncia e abortar a conspiração contra as urnas, em plena cidade do Rio de Janeiro. E isto foi feito no horário de depois das 22 horas daquele dia 18 de novembro de 1982.

Ali mesmo, Leonel Brizola assegurou a verdade eleitoral. Logo depois de sua entrevista, á tarde, aos correspondentes estrangeiros, a Globo passou a admitir que Brizola encaminhava-se para chegar à frente dos votos e não mais Moreira Franco, como a emissora vinha insinuando, desde o início da apuração, que tentou esconder, juntamente com o SNI.

Até à noite de 18 de novembro, os resultados chocavam-se violentamente com os da Rádio Jornal do Brasil;, que projetou a vitória de Brizola sobre Moreira Franco, com mais de 100 mil votos de vantagem, desde o término da votação, no dia 15 de novembro.

A fala de Brizola na Rede Globo teve um efeito tão fulminante que a emissora se viu obrigada a suspender, no outro dia, 19 de novembro de 1982, toda a programação eleitoral, que incluía inserções quase de hora em hora sobre a marcha da apuração, a partir de um grande aparato, em que havia até computadores dentro do estúdio, para manuseio dos apresentadores. Os resultados eleitorais passaram então a ser divulgados, agora com correção, dentro dos telejornais.”

Comentário, rigorosamente verdadeiro, de Helio Fernandes:
Na TV Globo, o comando era de Roberto Marinho, através de Armando Nogueira. No Jornal do Brasil e Rádio Jornal do Brasil, o trabalho jornalístico era feito por Pedro do Coutto e Paulo Henrique Amorim, que mais tarde passou para a própria Globo.

Como não gostava de perder, Roberto Marinho demitiu Armando Nogueira, que era Diretor de Jornalismo da televisão, ficou no ostracismo. Anos mais tarde, entrou na SporTV, cuidando apenas de fatos esportivos.

***

PS – Quem lançou Armando Nogueira no jornalismo foi este repórter. Dei a ele o primeiro emprego, na seção de esportes do Diário Carioca. Eu era chefe de Redação, acumulando com o comando da página de esportes.

PS2 – Eu e o Horacinho de Carvalho (dono do jornal), íamos fazer uma revista de esportes, eu já havia até registrado do título, XUTE, assim mesmo, sempre gostei de revistas com 4 letras no título: Life, Time, por aí.

PS3 – Tenho os dois livros do Armando Nogueira, com dedicatórias enormes, “Meu mestre, meu máximo mestre”, e vai por aí. O que aconteceu com ele, e com outros, (como Evandro Carlos de Andrade), é que entravam para a Organização Globo, me evitavam, com receio do doutor Roberto Marinho, que eu combati a vida inteira.

PS4 – Basta isso, poderia ir muito mais longe, não entro nesse Maracanã de lamento sem lamentação mas lamentável.

Gabeira de guaiabeira

Sempre discreto, mesmo na época de ações arriscadas, na vestimenta, agora utiliza o mesmo comportamento na campanha. Não vai a lugar algum, não tem palanque, desapareceu. Quanto à guaiabeira (roupa leve e típica da região do Caribe), o primeiro que vi com essa roupa foi o Marcio Moreira Alves, em Cuba, 1960.

A propósito: o Marcio Moreira Alves, sempre participante, se arriscando e combatendo, morreu ignorado, não foi canonizado. Aos 20 anos já levava um tiro de metralhadora na coxa, quem mandou ir fazer reportagem em Alagoas, onde estavam os irmãos Goes Monteiro? Se tivesse tentado IMPEDIR BRIZOLA de ser governador, teria a GLÓRIA DA GLORIFICAÇÃO.

Serra aplaude Serra

Modesto, inibido, constrangido, o governador de São Paulo, não podia deixar passar a oportunidade. E disse: “Tenho INFINITA alegria pelo meu governo”. Falava no celular, andava de trem, (vazio) e posava para o excelente fotógrafo João Brito.

Sarney, tudo no lábio

É uma cirurgia labial, que o ex-presidente sempre usou para mistificar sua carreira. “É simples”, disse ele, mas não vai fazer nem no Maranhão nem no Amapá. Prefere o majestoso Sírio-Libanês, em São Paulo.

Mais Sarney

O Fernando, que sempre administrou as “empresas” da família, é vice-presidente da CBF. Ricardo Teixeira diz sempre: “É o meu braço direito”. Pensei que os dois fossem canhotos.

Mão Santa

Sempre do PMDB, governador e senador. Seu mandato termina agora, Lula deu ordem ao partido da base: “legenda para ele se reeleger, de maneira alguma”. Ordem dada , ordem cumprida.

O médico que ganhou o apelido por causa das operações que fazia, teve que deixar o PMDB, antigamente a vaga era garantida e privativa. Está na frente, será o mais votado.

Quando a história se repete

Carlos Chagas

Geralmente é como farsa, diziam Marx e Lênin sobre as repetições da História. Exemplo mais recente é o PAC II.  Os mais velhos lembrarão que o marechal Castello Branco quis fazer tudo num curto espaço de tempo, já que apenas completaria o mandato surripiado de João Goulart. Mesmo tendo prorrogado seu período de governo por um ano, ficou no poder apenas de abril de 1964 a março de 1967.

Faltando dois dias para passar a faixa presidencial ao marechal Costa e Silva, o primeiro militar daquele ciclo de 21 anos deixou-se seduzir por seu ministro do Planejamento, Roberto Campos, e divulgou um Plano Decenal. Foi ridículo, além de inusitado, porque o segundo presidente não era, propriamente, das boas graças do antecessor. Muito pelo contrário, Castello engoliu seu ministro do Exército mais ou menos como um imenso sapo.

Informado de que estavam tentando engessá-lo, Costa e Silva não perdeu o bom humor, que parte de seus auxiliares teimava em demolir. Disse apenas ao ministro da Fazenda já escolhido, Delfim Neto, que colocasse aquele Plano Decenal no fundo de uma gaveta e só abrisse no último dia de seu governo. Assim foi feito, para horror de Roberto Campos.

Pois vem agora o presidente Lula e lança o PAC II, antes mesmo de o PAC I ter realizado a  metade de suas promessas. Um elenco mal detalhado de realizações que, imagina o primeiro-companheiro, serão seguidas à risca pelo sucessor.

Mesmo se vier a Ser Dilma Rousseff, não vai dar fora das pranchetas. Um trilhão e meio de reais não se disponibilizam assim tão facilmente. Quantas vezes o inusitado baterá à porta do futuro presidente, na forma de surpresas da natureza ou de trapalhadas verificadas no funcionamento da economia mundial e nacional?

Pior ainda se o futuro presidente chamar-se José Serra. Por que estaria ele obrigado a ficar sufocado num  modelo ilusório? Melhor teria feito o presidente Lula se dedicasse os últimos nove meses de seu mandato a viabilizar o PAC I, sem sonhos de grandeza ou megalomania. O programa é que, para ajudar Dilma Rousseff, parece valer tudo. Até transformar a História numa farsa.

PMDB oxigenado

Com a divulgação da mais recente pesquisa eleitoral da Datafolha, ganhou o PMDB mais um tempo de oxigênio. Ficou demonstrado, até prova em contrário, que o PT precisa do maior partido nacional para emplacar Dilma Rousseff no palácio do Planalto. Operação que tem um preço. No caso, a possibilidade de o presidente Lula ter que aceitar Michel Temer como companheiro de chapa da candidata.

Nenhuma operação parece concluída, é claro. Dezenas de outras pesquisas serão feitas e divulgadas. Mas mudou o volúvel quadro eleitoral, com  a ascensão de José Serra depois que Dilma dava a impressão de havê-lo alcançado. Recusar a indicação de Michel Temer poderá ser fatal para a eleição da mãe do PAC. Em São Paulo, Santa Catarina e Rio Grande do Sul, pelo menos, os dirigentes locais do PMDB já se encontram comprometidos com José Serra. Humilhar o presidente nacional do  partido com a negativa de sua aceitação equivalerá a romper o instável equilíbrio de forças partidárias.

Alguma coisa melhorou

Não dá para esquecer o que aconteceu no final do governo Fernando Henrique, quando boa parte de seus ministros tratou de cuidar da vida.  Muitos integrantes  da  equipe econômica e penduricalhos deixavam  o governo para fundar bancos singulares, daqueles que não  tinham clientes nem agências. Dedicavam-se a utilizar conhecimentos adquiridos no segredo da burocracia para especular, ganhar dinheiro e amealhar clientes em grupos econômicos interessados em multiplicar seu patrimônio a qualquer custo.

Agora, pelo menos, não está sendo assim. Os ministros que pedem para sair antes da hora o fazem por razões eleitorais, para disputar as eleições de outubro. O próprio presidente do Banco Central, Henrique Meirelles, sonha com a vice-presidência na chapa de Dilma Rousseff ou na senatoria por Goiás. Não lhe passa pela cabeça fundar uma arapuca  de investimentos ou voltar à presidência  de bancos internacionais. Menos mal.

Não quer nem ouvir falar

O já quase ex-governador de São Paulo recusa-se a discutir qualquer referência a quem poderá ser seu companheiro de chapa.  Desconversa, na primeira sondagem, enfatizando que apenas em junho o tema será colocado para decisões. Há quem suponha a razão principal: Serra ainda confia em que o governador Aécio Neves acabará cedendo às imposições da lógica e concorrendo à vice-presidência.  Em especial quando ficar claro que o casamento entre São Paulo e Minas será penhor da vitória. Qualquer outra  hipótese, se não diminuir,  nada acrescentará.

Não há lugar para Ciro em São Paulo

Pedro do Coutto

A pesquisa do Datafolha publicada na edição de 29 de março e comentada por Fernando Canzian na Folha de São Paulo, revela que não existe lugar possível para uma eventual candidatura de Ciro Gomes ao governo paulista. Foram realizadas duas alternativas: Geraldo Alckmin, do PSDB, contra Aloísio Mercadante, do PT deu 53 a 13. A outra confrontando Alckmin com Eduardo Suplicy. O PT melhora um pouco. Em vez dos 13 de Mercadante, 19 para Suplicy.

Nos dois levantamentos, Celso Russomano, do PP, surge com dez pontos. O presidente da Fiesp, entidade de classe economicamente mais forte do país, depois, é claro dos bancos, registrou somente 2 por cento das intenções de voto. Vai desistir rápido, evidente. O percentual obtido é ridículo.

O PT revelou estar fraco em São Paulo. Se assim é, imaginem os leitores, como estaria Ciro Gomes. Provavelmente junto com Skaf. Não acrescenta nem retira votos de ninguém. Alckmin parece consolidado com o sucesso de Alberto Goldman que, no dia 2, substitui José Serra que deixa o governo para se desincompatibilizar. Eduardo Suplicy, em dúvida, apesar da separação de Marta, ainda é o nome mais forte ao governo paulista pelo Partido dos Trabalhadores. Os demais candidatos, como Skaf, vão retirar-se do plano. Afinal de contas não fica bem a um presidente da Fiesp ter somente 2 por cento da votação. Parece até que nem os próprios funcionários da Federação das Indústrias se dispõem a votar nele.

A base paulista é importante para Dilma Rousef. A mim parece que deverá terminando escolhendo Suplicy para que a margem de derrota não seja gigantesca em São Paulo, que concentra 21 por cento de todos os eleitores do país. Foi pena que o Datafolha não incluísse o nome de Ciro Gomes entre as hipóteses. Tenho a impressão- apenas a impressão, – que Ciro Gomes tenha dado zero por cento e, por isso, tenha sido retirado da lista. De qualquer forma, ele nada acrescenta a Dilma Roussef.

Em São Paulo, a preocupação de Lula e Dilma é diminuir ao mínimo a diferença de votos, já que as coisas não estão muito boas em Minas Gerais, e tampouco no Rio de Janeiro, neste caso em função da confusão criada pelo governador Sérgio Cabral, em vetar que Dilma Roussef suba no palanque de Anthony Garotinho. Afinal de contas, a inabilidade foi interpretada como um ultimato. E nenhum presidente da República, no caso Lula, pode reagir bem a ultimatos.

O governador precipitou e terminou ampliando o campo de Garotinho. Somados os votos de Gabeira e Garotinho, Gabeira contando com uma pequena parcela proporcionada por Marina Silva, o segundo turno ficou assegurado. Ou entre Cabral e Garotinho ou entre Cabral e Gabeira. Gabeira oferece mais perigo. Em primeiro lugar porque é um debatedor intelectualmente muito acima de Sérgio Cabral; em segundo, se puder contar com o apoio do ex-governador, forte nas áreas pobres do Rio e no interior do estado. Talvez com sua colocação infeliz tenha jogado fora sua reeleição, que a primeira vista pareceria tranqüila, mas se complicou com os royalties do petróleo.

Cabral revelou conhecer muito pouco do assunto e meteu os pés pelas mãos. O debate, no caso do petróleo, ultrapassou seu nível de competência, inclusive não leu nem a legislação complementar nem a própria Constituição do Estado, artigo 20. O artigo 20 define taxativamente a distribuição dos royalties. Alguém, por favor, forneça uma Carta de 89 do Rio de Janeiro para que ele, pelo menos, leia esse ponto da questão.

Brasileiro quase chega às quartas de Miami

3 sets, 43 games, 2 horas e 37 minutos, o jogo terminando às 14,56 no Brasil, derrotado, mas Bellucci fez a sua melhor exibição. Ganhou de dois jogadores “ranqueados” abaixo dele (Blatter e Rochus), enfrentou o terceiro.

Este era Almagro, número 33, enquanto Bellucci é 27. Perdeu o primeiro set, ganhou o segundo, tinha tudo para vencer o terceiro. Em 3 a 2, com  Almagro sacando. Duas “deixadinhas” fora de hora, levaram o jogo para o tie-break.

Só que aqui, cometeu 4 erros e uma dupla falta. É muito para um set curto.

Hoje, Lula e Meirelles se encontram, decidem se ele será vice ou senador

Hoje à tarde o presidente Lula terá um encontro importante com o presidente do Banco Central, Henrique Meirelles. Oficialmente, Meirelles informará ao presidente da República, que está deixando o BC para ser candidato ao Senado por Goiás. Mas do cardápio constam temas muito mais apetitosos, tais como o nome do novo presidente do Banco Central e os acertos para a candidatura de Meirelles a vice-presidente, na chapa da ministra Dilma Rousseff.

Aliás, segundo um veterano político, a candidatura de Meirelles a vice, na chapa de Dilma, é uma nomeação para o cargo. Já a candidatura a senador por Goiás tem os riscos de qualquer disputa eleitoral. Explica-se: segundo esse político, no quadro atual, Lula fará sua sucessora e o “crescimento” de Serra, nas pesquisas, não passa de uma grosseira manipulação de dados, coisa que, há muito tempo, não ocorria no Brasil.

Forte, porque vetado pelo PT

O  nome mais provável para suceder Meirelles no Banco Central é do economista Alexandre Tombini, atual diretor de Normas e Organização do Sistema Financeiro do BC. Contraria toda a cúpula do partido, por isso ganha mais força. Até com Lula.

Piada definição

Corre em Brasília a seguinte piada. Se o pessoal que tem seus nomes na agenda da “agenciadora de encontros” Jeany Mary Corner, resolver falar, para atenuar sua participação no esquema do Mensalão, a coisa restará mais para “felação premiada”, do que para delação premiada. (Sobre que acontece e vai acontecer em Brasília, ninguém mais bem informado do que o advogado José Carlos Werneck).

Desincompatibilização

É a palavra-chave. Para alguns, como Requião e Aécio, já reeeleitos, obrigatória. E têm o mesmo destino-objetivo: a candidatura a vice ou nomeação para o Senado. Deixam os governos e esperam.

Itamar Franco

Dos políticos atuais, já foi tudo, alternadamente: presidente, governador, 16 anos senador, embaixador. Nenhuma acusação, apenas uma infelicidade: ter indicado e eleito FHC. Disso ninguém se livra.

Alfredo Nascimento: ministro-senador-ministro, pode não ser governador

Já foi favorito, não é mais, embora ainda possa ganhar. Para o Senado, a candidata era (ou ainda é) Vanessa Graziotin, do PCdoB. Teve grande votação para deputado federal, mas não repete na majoritária. Mocíssima, pode voltar à Câmara e esperar.

Política familiar

Acontece que o marido de Dona Vanessa, também do PCdoB, secretário (deixa o cargo hoje), quer ser federal, é estadual. Não têm votos para os dois candidatos.

Eduardo Braga, senador já eleito, registrou como vice sua própria mulher. Está pensando no futuro. De qualquer maneira, o estado onde se desperdiça mais dinheiro é o Amazonas.

É uma batalha terrível, uma guerra verdadeira. O governador Eduardo Braga quer eleger seu vice, porque ele, já reeeleito, será senador. Junto com ele, voltará ao Senado, Artur Virgilio, que vem subindo de forma espetacular.

Sempre financiado pela Fiesp e Febraban, Serra é um felizardo da Bolsa-Fuga e da Bolsa-Exílio, 16 anos sem COMBATER, é o seu forte

Todo presidente da Fiesp pretende dominar o Estado. Apoiaram a ditadura, nem assim conseguiram. São sempre riquíssimos, privilegiados, poderosos.

Quando o presidente da Fiesp era um Klabin Segall, seu pai financiou Serra para o Senado. Este que vinha de duas derrotas seguidas, se elegeu, mas não ocupou o cargo, ficou pouquíssimo tempo, o “senador era o suplente-financiador”.

Por causa disso, o senador-não-suplente da Bahia, Jacques Ornellas, como atual governador se dizia Filantrópico, trocou a primeira letra da palavra, identificou-o como Pilantrópico. Nenhuma contestação do ridicularizado e até acusado senador.

Serra custou a se declarar presidenciável, ele é a versão feminina de Dona Dilma, não tem o que mostrar, o que apresentar, ou a palavra que adora: se exibir. Custou a se definir como presidenciável, ocupou muitos cargos, não marcou sua presença em nenhum deles.

Não tem o que apresentar, é claro que não pode dizer que foi sempre apoiado pela Febraban e pela Fiesp, não é louco. Perdeu duas vezes para prefeito, pois em eleições municipais esses órgãos não têm penetração. Bancos, seguradoras, empresários que vivem de subsídios eternos, sempre estiveram com Serra, mas ele não pode nem irá relembrar nada disso.

A grande jogada da vida de Serra foi a Bolsa-Fuga ou a Bolsa-Exilio, que lastreou tudo o que pretendia. Foi para a França, depois para o Chile, finalmente para os Estados Unidos, 16 anos financiados pelos mais diversos grupos empresariais, apenas estudando, vivendo sem problemas ou dificuldades.

Veio para o Brasil em 1978, a ditadura estava no chão, tentou um cargo eletivo, sua candidatura não foi registrada. Alegação: “ainda estava cassado, não podia ser candidato”. Mas aí vem a confirmação do que eu sempre escrevi e falei: FHC, que se dizia CASSADO E NO EXÍLIO, foi registrado e ficou como suplente de Franco Montoro, garantiu a suplência e a vaga, em 1982, quando Montoro foi eleito governador.

(Portanto, fica mais uma vez público e notório, que o intelectual (?) FHC, desvirtua e desagrega seu próprio passado, e nisso se equipara a Dona Dilma).

Com essas deturpações da verdade, FHC começou a carreira, chegou a presidente, comprou a reeeleição e agora blasfema: “Só a História pode me julgar”. A História somos nós, que alguns depois copiam de jornais da época e imprimem um livro: sem FHC e a DOAÇÃO de 4 ou 5 trilhões do nosso patrimônio, não haveria Serra, que concordou com tudo.

Autoritário, arbitrário, atrabiliário, tem o perfil exato do ditador. Nunca trabalhou na vida particular, e na pública, poderia muito bem ser o autor de “O Zero e o Infinito” (de Arthur Koestler). Só que com Serra seria autobiografia.

Ao se lançar como presidenciável, fez a frase que pode ter surpreendido a muitos, mas não a este repórter: “Meu adversário não é Lula, ele não é candidato”.

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PS – Serra mostrou e até provou, política se faz sem caráter, sem convicção, sem constrangimento. O importante, sabe muito bem disso, é induzir, conduzir, regredir, desde que afague com muito carinho, a tão afagada (não é redundância) ambição. O governador de São Paulo tem a dose certa da idolatria, hipocrisia e egolatria.

PS2 – Idolatria, lógico, por ele mesmo, e em dose anestésica, para compensar o que os outros não têm por ele. Hipocrisia, enganando adversários e correligionários, sem a mínima visão de que está diante de um espelho, e a imagem refletida não necessita de reflexão. Nem de reflexo.

PS3 – E egolatria elevada à potência máxima, para constatar que a admiração que alimentou numa grande parte dos 68 anos que completou agora, podem ser tão aumentadas, que admiração e ambição, não sejam mais do que palavras e sim objetivos. Para isso, no entendimento de Serra, basta continuar no caminho que começou a percorrer em 1964, e precisa percorrer mais um pouco. Com ou sem solavanco.

Brasília não viu JK chorar

Carlos Chagas

Em janeiro de 1972, recém-chegado a Brasília, saído de  “O Globo”,  do Rio,  para assumir a direção da sucursal  de “O Estado de S. Paulo”,  na capital federal,  busquei identificar-me com seus personagens e seu ritmo de vida. Eram os tempos bicudos do regime militar, sob a presidência do general Garrastazu Médici.

Senti, nos primeiros dias, haver um denominador comum entre os jornalistas de Brasília, mesmo aqueles que se dedicavam a bajular o governo. Pairava sobre todos a aura de Juscelino Kubitschek, criador da cidade, naqueles idos perseguido e abominado pelos donos do poder, bem como ignorado pela maioria de  quantos  haviam  sido seus seguidores no passado.

Raros eram os políticos que admitiam fidelidade ao ex-presidente,  como Israel Pinheiro, Tancredo Neves, Ulysses Guimarães e mais uns poucos. A maior parte  optava por esquecê-lo, mesmo sabendo que se instalara no Planalto Central, numa fazendinha em Luziania, a poucos quilômetros de Brasília, para onde vinha todos os meses, na infrutífera tentativa de tornar-se fazendeiro. Não conseguia, era um ser político por excelência.

Todo mundo sabia que estava proibido de entrar na capital, sequer de  chegar pelo aeroporto. De Belo Horizonte, vinha num teço-teco que aterrissava em Formosa, do outro lado do Distrito Federal, obrigando-o a contornar sua criação para chegar às terras onde inutilmente tentava cultivar batatas, tomates e verduras.

Uma amiga,  a escritora e empresária Vera Brandt, comentava de quando em quando haver visitado o presidente, voltando sempre com sentimentos de tristeza, dado o abandono de JK.

Lá para março daquele meu primeiro ano na capital, Vera contou-me um segredo. Juscelino havia entrado escondido em Brasília, não resistindo à tentação de treze anos depois de cassado, ver os resultados de sua criação.

Mesmo tendo começado a trabalhar num jornal conservador, ferrenho adversário de JK nos tempos da democracia, animei-me a procurá-lo. Tinha seu telefone no Rio, onde ele passava parte do tempo. Já o conhecia, como repórter, dos tempos mais amenos antes de golpe militar. E, mesmo depois, quando de passagem por Lisboa, fui visitá-lo num de seus exílios.

Atendeu-me com alegria. Indaguei se havia mesmo descumprido as ordens da ditadura e entrado em Brasília. Relatou com emoção a aventura, desde a  tempestade violenta que caía sobre a capital, levando-o a insistir com o amigo que dirigia o pequeno caminhão, para que entrassem. Entrou e concedeu-me a oportunidade de escrever um dos mais sinceros artigos que já escrevi, e que o “Estadão” publicou, ainda que nas páginas internas. Reproduzido em seguida pela maior parte da imprensa nacional.  Marcou o  início de uma convivência que muito me honrou.

O crescimento de Serra não quer dizer muita coisa

Pedro do Coutto

O crescimento da candidatura José Serra sobre Dilma Roussef, apontado na pesquisa do Datafolha publicada no sábado e comentada por Fernando Rodrigues, não representa qualquer mudança substancial no comportamento do eleitorado em matéria de intenções de voto. A diferença no início das pesquisas era muito maior e, em relação à última representou um avanço de cinco pontos. Efeito típico de finalmente ele ter se decidido a anunciar sua candidatura, posta sob dúvida em face de suas vacilações.

O quadro não mudou. Ciro Gomes ficou com 11%, Marina Silva em 8%. Desceu o número de indecisos que há um mês era de 22% para 18 pontos. Está neste patamar o avanço de Serra. Tanto é assim que não se registrou recuo de Dilma. Ela estava no 27º andar e nele permaneceu. Na simulação para o segundo turno, a vantagem de 9 pontos para Serra, 48 a 39, conseqüência do fenômeno registrado na pesquisa para o primeiro turno.

Eleitores de Serra, apesar do apoio de FHC, finalmente decidiram marchar com o candidato na fase inicial da campanha. Afinal, no próximo dia 2, o primeiro deixará o governo de São Paulo, a segunda a chefia da Casa Civil. Não houve qualquer afirmação nova. Tudo ficou como dantes, exceto a disposição de Serra de novamente enfrentar as urnas.

Não se conhece a plataforma de nenhum dos dois. Serra não se sabe. Em seu governo, ele tentou vender a Cesp e não conseguiu. Quanto à política de terceirização, as posições de Dilma parecem infinitamente mais claras. Pois a desestatização leva à demissão dos terceirizados que na Petrobrás são 192 mil. Um milhão de votos.

No caso de distribuição das cestas básicas, as afirmativas de Serra não têm o poder de convencimento quanto à continuidade de programa. Não quero dizer com isso que o programa seja excelente. Estou querendo dizer que ele rende votos na urna e sem votos na urna ninguém chega ao poder.

Relativamente à política salarial, a de Lula, que não é das melhores, é menos ruim do que a de Fernando Henrique, que foi das piores. Além disso, FHC se passa como autor do plano Real, quando a autoria efetivamente pertence a Itamar Franco. O setor elétrico do PSDB foi uma calamidade, culminando com uma elevação de 20% nas tarifas. Um desastre.

Mas estes são outros assuntos. Sobretudo porque nem Lula nem FHC são candidatos. Mas estão, Serra e Dilma vinculados às suas origens. O primeiro deixou o governo embaixo de enorme impopularidade. O segundo apresenta uma aprovação de 76 pontos contra uma rejeição singular de apenas 4%. A transferência de votos será inevitável quando a campanha esquentar.

De qualquer forma, porém, o avanço de Serra foi positivo para esquentar o embate e mostrar que Ciro Gomes tira mais votos de Serra do que de Dilma. Isso talvez o mantenha na campanha para adicionar reforços que impeça a decolagem do candidato do PSDB. Apenas esta é  sua importância no pleito. Ele não terá outra função. Será mais um aliado de Dilma num embate que parece previamente decidida. Não mais do que isso. Os tucanos já avaliaram o quadro. Pela primeira vez, em minha opinião, uma mulher, pelo voto chegará  à presidência do Brasil.

Ora direis, “ouvir” pesquisas

Na última, Serra apareceu (?) com mais votos, sem a menor explicação. Dona Dilma estacionou (em local proibido?) também inesperadamente. Como os votos não são dela, e sim do Lula, e como ele continua inatingido e inatingível, “nada mudou entre nós”.

Perguntinha ingênua, inócua, inútil

Esses 30 por cento de votos que surgem como sendo de Dona Dilma, já representam a herança ou a transferência do patrono? Como acredito que existem opiniões diversas sobre o assunto, eis um tema para meditação, constatação e opinião.

Meirelles sai ou fica?

Tem até a madrugada de quarta para quinta. Sua vontade é ser vice de Dona Dilma. Lula já esteve entusiasmado com a idéia. Depois, “pensou bem” ou foi aconselhado, achou perigoso. Se ele não sair, Dona Dilma ficará obrigada a mantê-lo, afinal é exigência do FMI, banqueiros, seguradoras, automobilísticas, estaleiros, todos os donos das trevas financeiras.