Na Paraíba, sem eleição, mas com reeeleição

José Maranhão disputou o governo da Paraíba. Perdeu. Dois anos depois, o TSE lhe deu o governo, demitindo o vitorioso. Agora, quer ser reeeleito, com  o apoio de Lula. Destrói o sistema político-eleitoral e violenta até o vernáculo: se REEELEGE sem ter sido ELEITO, o mesmo que aconteceu com Dona Roseana.

No caso dela, “justíssimo”, ela é Sarney de nascimento e de métodos. Não sou contra que o TRE e depois o TSE, investiguem e punam governadores com perda de mandato. Mas por que não legitimam a decisão fazendo ELEIÇÃO DIRETA?

Nova derrota de Helio Costa

Já perdeu o governo antes, mesmo sendo representante e prestigiado da TV Globo. Derrotado, foi agraciado, que palavra, com um ministério. Onde serviu à Globo, na questão da televisão digital. E pagou 253,9 milhões a uma empresa amiga, a VT-Um, que tinha capital de apenas 1 mil. I-N-A-C-R-E-D-I-T-Á-V-E-L.

PS – Nem a Globo acreditava que Aécio Neves enfrentasse e derrotasse a Organização. Agora, a Globo e Lula, tentam salvar o ex-ministro.

PS2 – Lula recebe apelos e mais apelos, a vantagem de Anastasia ainda não é tão grande ou conclusiva.

Os mais votados do Estado do Rio

Deputado federal: Garotinho, Vladimir Palmeira, Romário, que não fez concessão à politicalha, é candidato pelo PSB. Para senador, está pintando, não o ideal, mas o menos pior: eleição de Crivella e Lindberg Farias. Derrotando César Maia e Picciani, i-r-r-e-g-u-l-a-r-í-s-s-i-m-o-s, a-c-u-s-a-d-í-s-s-i-m-o-s, c-o-m-p-r-o-m-e-t-i-d-í-s-s-i-m-o-s, e-n-r-i-q-u-e-c-i-d-í-s-s-i-m-o-s.

VARIADAS, com TV Globo, Ricardo Teixeira e Nuzman, Mercadante e Lula, William da Rocinha, Nadal e o US Open

A TV Globo está organizando um seminário com o título: “A limitação dos mandatos no comando do futebol, depois de Ricardo Teixeira”.  XXX  Para demonstrar a isenção, informação e discernimento, o coordenador desse seminário, será o presidente da CBF (21 anos) Ricardo Teixeira.  XXX  Quase com o mesmo tempo à frente do COB (Comitê Olímpico Brasileiro), Nuzman defende que o seminário não seja restrito ao futebol. E “exige” a sua indicação para um dos lugares de coordenador. Faz sentido.  XXX  Derrotadíssimo em SP, Mercadante “escolhe” o cargo ministerial que, acredita, ocupará a partir de 2011. Para ele, “irrevogável”, Lula concordará?  XXX  Anular o voto, não escolhendo apenas entre dois personagens, quando somos quase 200 milhões e 129 milhões de eleitores, não é omissão.  XXX  é protesto, revolta, exigência mais ou menos silenciosa, mas exigência, de que não nos confinem nesse campo ideológico, eleitoral e político. Ainda conseguiremos isso.  XXX  As realizações do William da Rocinha, aqui mesmo, merecem meditação. A libertação das favelas, tem que ter o apoio e a responsabilidade de DENTRO e não de FORA. Os governos têm que participar como obrigação.  XXX  Nadal, no Open de NY, enfrentou um desconhecido do Uzbequistão. Ganhou o primeiro set fácil (6 a 2), no segundo foi para o tiebreak, perdia de 5 a 1, levou um susto, se libertou no final, e depois fechou o terceiro em 7 a 5.  XXX  Djokovic, também passou por dificuldades, enquanto Murray foi surpreendido pela zebra suíça Stanislas Wawrinka. Federer, sem nenhum problema. No momento em que escrevo, à exceção de Murray, os primeiros do ranking estão nas oitavas.  XXX  Sem a Serena, no feminino, a irmã Vênus (número 3) segue impacta. Mas enfrentou uma jovem de 18 anos, que veio da classificação. “Adotada” pelo público, pela beleza e simpatia. A competência só dentro de algum tempo.

As lendárias e poderosas empreiteiras

Todas são. É impressionante: duram para sempre. Vivem de obras dos governos, se dão bem com todos. Dizem: “empreiteiras não têm ideologia e sim projeto, aprovação e custo”. (Com a indispensável “concordância”).

Há 30 anos ou mais, estão todas aí, o que as transforma de lendárias em legendárias.

Outro fato comum a todas: já sofreram acusações gravíssimas de superfaturamento, de ligações espúrias com prefeitos, governadores e presidentes, todos se relacionando de forma rotineira no capitalismo. E todos ficam satisfeitos, a intimidade é cada vez mais promissora, enriquecedora, animadora.

Só que a Odebrecth, não é nem mais nem menos prestigiosa do que as outras, resolveu inovar em três pontos. 1 – Vai fazer DE GRAÇA, o estádio do Corintians, só porque o ainda presidente Lula pediu. 2 – Confessou, “esse estádio custará MUITO MAIS BARATO, do que as obras que costuma fazer para governos”. 3 – Confessou: “Será inteiramente DE GRAÇA”. Ha!Ha!Ha!

***

PS – Há muito tempo, (tanto que esqueci até o nome da empreiteira), o empresário dormia tranquilo. Às duas da madrugada, tocou o celular. Seu engenheiro responsável, comunicava: “Desculpe acordar a essa hora, mas três operários morreram SOTERRADOS”.

PS2 – O empreiteiro tranquilo mas com veemência: “SOTERRADOS, NÃO, morreram EMPEDRADOS”. É que fazia movimentação de TERRA, mas cobrava de PEDRA, muito mais caro.

PS3 – Essas empreiteiras, TODAS, têm tanto prestígio e força, que José Sarney, (como presidente da República) negociou com um governo do Oriente, para salvar Murilo Mendes. Fez obras lá longe, quando ia receber, mudou o governo, ficou em pânico. Apelou para o presidente da República, recebeu tudo

Lembranças do Riocentro

Carlos Chagas

O  fim de semana terminou sob o impacto da declaração do ministro da Fazenda, Guido Mantega, de que “vazamentos sempre ocorrem”. Pode até estar certo na observação, mas seu diagnóstico fica ridículo quando se atenta para o fato de que punição para os vazadores raramente aconteceu no governo Lula. Mais ainda, que  Mantega é  o responsável direto pela punição, no caso da Receita Federal. Sob o pretexto de “blindar” Dilma Rousseff, com o apoio do presidente Lula, vai permanecendo no cargo o secretário da Receita Federal, assim como protegidas ficam as funcionárias de cujas senhas e  computadores partiram os vazamentos.

Em suma, uma operação lamentável que só faz confirmar outras parecidas, do mensalão à quebra do  sigilo do caseiro e aos  aloprados de 2006. A regra é de acobertar quantos se encontram sob o guarda-chuva da administração federal, como se a punição de cada culpado  atingisse a imagem do governo e de seu chefe.

Já era para o secretário da Receita Federal ter sido demitido pelo  menos há quinze dias. E se não foi, a bola da vez teria que ser o ministro da Fazenda.

Guardadas as proporções, a situação lembra o caso do “Riocentro”, no governo João Figueiredo. Não puniram o capitão, nem o coronel, muito  menos o general. Resultado: o presidente carregou o peso da decisão complacente até sofrer o enfarte responsável pelo desmonte de suas boas intenções e por  um agonizante   resto de governo.

Jogada de risco

O presidente Lula parece  tão convencido da vitória de Dilma Rousseff, e tem razões para isso, que anda arriscando cacifes altos demais nos palanques. Sábado, em Guarulhos, depois de descer tacape e borduna em José Serra e na campanha tucana, desafiou todo mundo afirmando: “cadê  esse tal de sigilo que não apareceu? Cadê o vazamento?”

Que houve vazamento, confirmou o ministro Guido Mantega, na véspera, ao declarar “que isso sempre acontece”. Para não falar nos depoimentos  do secretário da Receita Federal, nos documentos e procurações falsificadas e nas entrevistas   do contador Antônio Carlos Atella, pivô da lambança divulgada por todos os jornais. Esse cidadão chegou a dar nomes de integrantes de sua quadrilha, mas fez pior: ofereceu o  material à Folha de S. Paulo, por 10 mil reais.

Imagine-se o estrago que se verificaria no governo e na campanha de Dilma caso cópias do vazamento de declarações de renda da filha de José Serra e de outros tucanos  começassem a pipocar nos meios de comunicação. Falta pouco para tanto, se é que não está na imprensa de hoje.

Confiança demais enfraquece quantos se encontram num entrevero da dimensão da atual campanha presidencial. Não se  duvida de que José Serra anda exagerando em sua defesa, mas se o presidente Lula faz o mesmo, quem se prejudica é  a sua candidata.

As causas mais profundas

Cientistas políticos, sociólogos e diletantes andam buscando as razões de porque o presidente Lula elegeu-se duas vezes e ostenta popularidade ímpar na história da República. Bastaria trocarem a complicada terminologia acadêmica e seus raciocínios esotéricos pela simples observação do comportamento das massas.  Depois de Getúlio Vargas, quem senão  o Lula dirigiu-se às majoritárias categorias menos favorecidas?

Ainda que iludido e  frustrado pela pregação de tantos presidentes, apenas os dois deram ao povão motivos para insurgir-se contra as elites retrógradas encasteladas no poder desde nossa formação como nação.  E não se dirá que Getúlio e  Lula  fizeram tudo o que deveriam ou poderiam para resgatar o sacrifício e o  sofrimento das maiorias.  Não raro também contemporizaram com as elites, como demonstra agora a política econômica do governo dos companheiros.

Mesmo assim, ficam evidentes a pregação e as realizações do fazendeiro gaúcho e  do torneiro-mecânico pernambucano que virou paulista. A maior parte do eleitorado sensibiliza-se por quem sinceramente  volta-se  para suas agruras.  O voto a ser dado daqui a menos de um mês não será pró-Dilma, mas anti-elites. Depois, fica tudo nas mãos de Deus…

A divisão do poder, de Eurico Dutra a Lula da Silva

Pedro do Coutto

Na edição da Folha de São Paulo de 26 de agosto, Renata Lo Prete, autora da entrevista com Roberto Jeferson que abalou o país em 2005, crise do mensalão, publicou artigo partindo do princípio de que Dilma Rousseff será vitoriosa nas urnas. Com base nessa provável perspectiva, já que no mesmo o Datafolha apontou vinte pontos de diferença sobre José Serra, a jornalista sustenta que a aliança de hoje, entre PT e PMDB, vai se desfazer amanhã, tão logo a primeira mulher a ser presidente do Brasil chegue ao Palácio do Planalto. A ruptura, a seu ver, ocorreria logo na alvorada do futuro governo em conseqüência da divisão do poder.

É difícil fazer previsões na política. O biólogo inglês Malthus, em 1798, previu fome no mundo achando que o aumento populacional superaria o ritmo da produção de alimentos. Errou. Em 1848, quando lançou o Manifesto Comunista, Karl Marx previu uma revolução do proletariado universal contra o peso do capital. Errou. O sonho dos assalariados, todos nós, é elevarmos nosso padrão de vida.

Em 1945, Einstein achou que sua teoria que proporcionou a bomba atômica levaria à destruição do planeta. Errou. Foi o equilíbrio de poder que evitou o confronto EUA-URSS no tempo da guerra fria que antecedeu a queda do muro de Berlim em 1989. Há uma série infindável de exemplos.

Voltemos ao texto de Renata Lo Prete. Não se deve estranhar as composições políticas em torno do poder. São normais. Incluem as forças vitoriosas, sem esquecer as que foram derrotadas mas que possuem representatividade política. Pois quem fala em política, fala em acesso ao poder. Não faz sentido alguém participar da vitória e não do poder. E, tanto é assim, que até no cotidiano, quando tal acontece, nos vem um sentimento de repulsa à ingratidão, tão eterna quanto a esperança.

A divisão de cargos é fonte do equilíbrio de poder, prática natural, inerente à política. O presidente Eurico Dutra (PSD) foi eleito com o apoio direto de Vargas (PTB), mas rompeu com o trabalhismo e firmou acordo com a UDN. Nomeou Clemente Mariani para a Educação, Maurício Joppert para os Transportes. Getúlio Vargas que o antecedeu e sucedeu, formou um ministério à base do PSD e PTB, mas incorporou parte da UDN. José Américo nos Transportes, João Cleofas na Agricultura. Perdeu a maioria no Congresso, foi devorado pela CPI do Jornal Última Hora, financiado pelo Banco do Brasil, e sobretudo pelo atentado ao jornalista Carlos Lacerda na noite de 5 de agosto. Suicidou-se dezenove dias depois, ao receber ultimato do comando militar para que deixasse o Palácio do Catete.

O vice Café Filho assumiu. Formou o executivo à base da UDN. Em 1955, entretanto, antes do infarte que o afastou do governo e da estrada do golpe contra a posse de Juscelino, apoiou a candidatura de Juarez Távora. Obteve a adesão de Jânio Quadros, então governador de São Paulo. Mas Jânio exigiu os ministérios da Fazenda e dos Transportes. Café Filho atendeu. Saiu Eugênio Gudin, entrou José Maria Whitaker. Saiu Lucas Lopes, entrou Marcondes Ferraz.

JK assumiu em janeiro de 56. Seu governo era à base da aliança PSD-PTB. As pastas do Trabalho e Agricultura eram preenchidas por indicação do vice João Goulart. Jânio Quadros, eleito em 60, dividiu os postos com a UDN, o PR e os dissidentes do PSD. Clóvis Pestana, PSD-RS, foi nomeado para  os transportes. Renunciou. João Goulart assumiu. A UDN recebeu dois ministérios: Virgílio Távora nos Transportes, Gabriel Passos em Minas e Energia, Afonso Arinos de Melo Franco, foi nomeado embaixador brasileiro na ONU. No governo Lula, o PMDB possui cinco ministérios. A divisão do poder não deve causar espanto. A busca do equilíbrio institucional é um fato histórico e eterno.

Sempre foi e será assim.

No mundo do faz de conta, quando é feita a medição da audiência das TVs ou a propaganda eleitoral, ninguém leva em consideração a existência de 20 milhões de antenas parabólicas no país.

Nogueira Lopes

Sem querer desestimular os candidatos que confiam no horário gratuito para sensibilizar o eleitorado, é bom esclarecer que a distribuição da TV por satélite não pode continuar ignorada no setor de mídia. O Brasil tem 20 milhões de antenas parabólicas, que levam sinais de TV a cerca 40% da população, mas este importante item não é levado em consideração, nem na medição do Ibope nem na propaganda política.

As parabólicas são usadas por pessoas que moram na periferia das grandes cidades ou no interior, onde os sinais das TVs abertas chegam muito fracos e não existe TV por assinatura. Grande parte desses eleitores na verdade nem assiste ao horário gratuito de suas regiões, pois as parabólicas transmitem o sinal gerado nacionalmente pelas emissoras, enquanto a propaganda política é estadual.

Traduzindo: os candidatos que dependem da audiência desses eleitores para ganhar as eleições, podem esquecer.

R$ 26,5 mil por um aparelho sanitário

Um vaso sanitário usado por John Lennon e Ringo Starr foi arrematado num escraboso leilão por 9,5 mil libras (R$ 26,5 mil), durante a 33ª Convenção Anual dos Beatles em Liverpool, cidade onde surgiu a lendária banda.

A peça de porcelana foi usada por Lennon quando viveu com Yoko Ono em Tittenhurst Park, numa casa de campo no Sul da Inglaterra, de 1969 a 1971, e que depois foi comprada por Ringo Starr.

E qual é a diferença para outra privada comum? Nenhuma.

Plástica já aprimora também o queixo

O Dr. Hugo de Castro, um dos melhores cirurgiões plásticos do país, revela que um recurso pouco conhecido vem atraindo cada vez mais pacientes – a mentoplastia, ou cirurgia que projeta o queixo do paciente.

A intervenção pode resultar numa projeção do queixo de até 1,2 cm. Ela pode ser feita de duas maneiras: cortando-se o osso e puxando-o mais para frente ou colocando uma prótese de silicone. A primeira é mais agressiva e tem recuperação mais difícil. Já o implante pode ser feito por dentro da boca ou embaixo do queixo.

“A cicatriz resultante é quase imperceptível e em poucos dias o paciente pode retomar sua rotina”, afirma o cirurgião plástico, Dr. Hugo de Castro, assinalando que, se vivesse nos dias de hoje, Noel Rosa poderia se tornar um galã.

Rita Lee agora é “atração” na internet

A cantora Rita Lee está se divertindo na internet. Sua primeira vítima no Twitter foi o plano de saúde. Depois de xingar a empresa algumas vezes, ela desabafou sobre sua situação financeira familiar. “Tem gente que pensa que todo artista é rico. Numa época eu até fui, mas fumei, cheirei e bebi tudo. Hoje moro no mato e ‘trampo’ para pagar as contas”, escreveu Rita.

Ela realmente é um belo exemplo do mal que as drogas fazem e também um bom exemplo de pessoa que vence as drogas.

Fundos de pensão vivem na caixa-preta

O projeto mais importante dos últimos tempos está parado na Câmara. Destina-se a colocar os fundos de pensão sob crivo do Ministério Público. É um passo gigante para moralizar essas entidades, que movimentam mais de R$ 300 bilhões/ano. Elas operam numa espécie de caixa-preta impenetrável, sem transparência alguma.

Compreensivelmente, o projeto não anda. Interessa a todos os brasileiros, especialmente os associados aos fundos, mas parece não interessar aos parlamentares.

Ratinho promete purificar seu programa

Nem tudo está perdido. O tristemente famoso “Programa do Ratinho”, do SBT, está em processo de reformulação e não mais de dedicará aos casos policiais. Resta saber quais são as atrações que ele nos reserva, já que é um dos maiores especialistas em baixarias na TV brasileira.

Marido de Demi Moore sai “aprontando”.

O ator Ashton Kutcher, marido da atriz Demi Moore  (15 anos mais novo do que ela, que tem 47 anos) é o novo protagonista dos escândalos de traição de Hollywood, segundo o site Pop Crunch. Um repórter da “Star Magazine” viu o marido de Demi Moore aos beijos com uma jovem modelo em um restaurante de Los Angeles. O site destaca que o pior é que o ator não se preocupa em esconder o caso, exibindo a amante “por toda Hollywood”.

É um enredo que pode dar um bom filme.

Essa multinacional de Francis é imbatível

Em tempo de campanha eleitoral e às vésperas da eleição mais complicada do planeta (nenhum país elege tantos políticos ao mesmo tempo), é sempre bom lembrar o jornalista Paulo Francis, que dizia: “A ignorância é a maior multinacional do mundo”.

1967, O PODER MILITAR NO BRASIL: análise, exame da situação, conclusão apenas temporária. Os civis sempre se submeteram aos militares, até que a partir de 1964, perderam o comando mas mantiveram as mordomias

Foi o general Góes Monteiro (com quem fiz a minha primeira entrevista assinada, lá se vão 20 anos), que classificou o Exército como o “grande mudo”. Góes Monteiro, que era um dos intelectuais formados pela famosa Missão Gamelin (o mesmo general que por incompreensão de métodos e por não perceber que o tempo passa inexorável e torna obsoletas até as armas e as técnicas da guerra, levou a França à melancólica derrota diante dos Exércitos modernos de Hitler) era irreverente, autoritário, mas inegavelmente inteligente, e sabia o que dizia.

E por ser sempre o “grande mudo”, o Exército brasileiro continua iludido por alguns militares que falam demais ou almejam demais, e que falam pelo Exército, sem procuração e muitas das vezes sem títulos para isso.

Mas se formos pesquisar na História brasileira, sem precisar ir muito longe, veremos que na maioria das vezes, esses que falam pelo Exército (alguns mais pomposos ou mais ambiciosos chegam a falar pelas Forças Armadas) não passam de blefadores, de aproveitadores, e algumas vezes de ingênuos que pensam mesmo que representam o Exército, e que o que estão dizendo reproduz mesmo o pensamento da maioria dos seus camaradas.

Em 1930, quando Getulio Vargas, Osvaldo Aranha e seus companheiros desceram do Rio Grande numa revolução que nem eles mesmos sabiam a projeção que alcançaria e as vitórias e as frustrações que seriam semeadas igualmente no seu caminho, o general Sezefredo Passos, Ministro da Guerra de Washington Luiz, entregou ao presidente um relatório oficial (portanto, uma informação e não um informe) dizendo que o Exército estava coeso em torno do seu chefe, que não havia a menor discrepância nem descontentamento, e que “a unidade do Exército não se abalaria com inconsciência de um grupo de jovens imaturos”.

Antes de travar a primeira batalha séria, Washington Luiz já estava deposto e a caminho do exterior, os revolucionários instalados  no Catete, e o relatório oficial sobre “a unidade do Exército em torno do Presidente”, um papel sem a menor importância, sepultado em algum arquivo empoeirado.

Muitas vezes esses relatórios e essas conclusões sobre a unidade do Exército como um bloco monolítico, são feitos até com a maior boa fé.

Mas o problema é que os homens que fazem esse levantamento, têm também as suas fragilidades e fraquezas, sofrem as deformações profissionais do meio, têm que enfrentar a rigidez natural de uma profissão onde o superior pode tudo e o inferior obedece ou é punido, mesmo que essa obediência se faça com constrangimento e debaixo da mais completa inibição.

Em suma: esses relatórios valem apenas o que vale o poder de observação de quem os faz, a sua capacidade de conhecer e sentir os homens, e até a autonomia que lhe dão para se movimentar dentro de um meio que é condicionado por tantas coisas, sendo principais delas, a disciplina, a hierarquia e o respeito quase místico ou medieval ao superior.

Um só exemplo: quando mais ativa era a disputa militar entre o presidente Castelo Branco e o seu ministro da Guerra Costa e Silva, o primeiro despachou observadores para vários pontos do país, para saber se, no caso de uma rutura do sistema, com quem ficaria o Exército. Um dos observadores foi o então coronel Reinaldo de Almeida (hoje general, filho do grande José Américo, uma das maiores figuras da vida pública brasileira), que voltou eufórico e com informações inteiramente favoráveis ao presidente Castelo Branco.

Quando no dia 5 de outubro de 1965, finalmente houve o choque de bastidores entre o dispositivo Castelo e o dispositivo Costa e Silva, toda aquela região visitada pelo então coronel Reinaldo de Almeida, foi uma das mais firmes e categóricas a favor de Costa e Silva. É lógico que, sendo castelista ferrenho, as suas informações e informes era sinceras e corretas, mas apenas do seu ponto de vista pessoal de observador. Não representavam verdades matemáticas, mas sim observações recolhidas mais um menos precariamente, que as circunstâncias ou as necessidades do momento elevavam até inconscientemente à categoria de verdades irrevogáveis.

A campanha da FEB na Itália exerceu uma influência enorme sobre o Exército brasileiro, renovando-o, reformulando-o, livrando-o da influência perniciosa das Missões Francesas. Antes da FEB, o Exército brasileiro vivia exclusivamente em função de dois fatores: ordem unida pela manhã, e depois do almoço, o monótono e inútil esforço de montar e desmontar um antiquado fuzil FM.

A FEB modificou tudo isso, impôs uma nova mentalidade, modernizou (tanto quanto era possível) seus armamentos, seu fardamento (então estupidamente inadequado para um país tropical), introduziu novas formas de comportamento. Mas mesmo a FEB, não pôde livrar o Exército brasileiro da insegurança psicológica natural de um Exército de país subdesenvolvido. Essa segurança material e psicológica, só a independência econômica pode trazer.

E tudo isso influía e influi muito ainda hoje (talvez ligeiramente menos) no comportamento dos militares em relação a eles mesmos e em relação aos civis. Há uma desconfiança surda entre eles, há uma disputa tremenda em torno da marcação de pontos para a promoção por merecimento, e aí, concordo, é o sistema, erradíssimo, que estimula essa concorrência.

Por exemplo: um oficial que sirva em Cáceres, na Clevelandia, em Fernando de Noronha e em outros lugares como esses marca mais pontos do que os companheiros que sirvam em lugares não tão distantes nem tão desertos. E que mérito pode ter o fato de servir num lugar desses? Por que um oficial há de ser promovido na frente de outro apenas porque acumulou pontos dessa maneira inútil e sem nenhum valor?

Nos Exércitos dos paises subdesenvolvidos, onde durante gerações e gerações não acontece uma só guerra, a frustração é muito grande, pois a profissão de militar é a guerra, e não fazê-la equivale à inutilidade quase total. Daí o derivativo para a vida civil, as ambições, o desaguar para a política, que é pelo menos uma forma de realização.

Além do episódio citado acima, de Washington Luiz, a História brasileira está cheia de outros episódios semelhantes. Em 1945, quando já estava praticamente deposto, Getulio ainda falava “na unidade do Exército, que está firme comigo”. Foi preciso que o general Cordeiro de Farias, então seu amigo e um homem que manteve a lucidez que fez dele general aos 40 anos, tendo permanecido na ativa como general durante 24 anos (ambos os fatos rigorosamente inéditos no Exército Brasileiro) lhe dissesse: “Presidente, o senhor já está deposto, todos os generais estão contra o senhor”. Foi só então que Getulio compreendeu que estava abandonado por todos e que teria que voltar para São Borja.

Mas foi novamente a ingenuidade dos principais chefes do Exército, que transformou essa deposição numa ligeira viagem não somente de ida, mas com volta triunfal apenas 33 dias depois, pois deposto a 29 de outubro, Getulio, em 2 de dezembro se elegia deputado por 7 estados e senador pelo Rio Grande do Sul.

Os políticos ligados a Getulio, (todos os Interventores também depostos no 29 de outubro se elegeram governadores, deputados ou senadores, sem nenhuma exceção) tinham iludido mais uma vez os líderes militares e haviam ficado com o Poder, fingindo apenas terem concordado com a deposição de Vargas.

Ficam 33 dias no ostracismo, e com a matreirice, a habilidade e a tradicional falta de escrúpulos, acrescentaram inconscientemente (o hábil é sempre inconsciente em relação ao futuro, só sabe ver e preservar o presente) mais uma gota no copo que iria transbordar finalmente em 1964.

O golpe  não teria sido feito se o Sr. Jango Goulart tivesse atrás de si, enfileirados, e não apenas no papel como simples e duvidosos dados estatísticos, os 95% do Exército que Assis Brasil e os outros conselheiros diziam que ele tinha. Só olhando para trás e vendo não apenas meia dúzia de generais e de coronéis, mas todo o Exército formado a perder de vista e pronto para lhe dar apoio e segurança, aí então, e só então, é possível que o Sr. João Goulart pudesse cometer as loucuras que cometeu. Mesmo assim, eu pessoalmente ainda acharia discutível, porque conhecendo a História como conheço, sei que pelo menos depois da implantação da República, só uma vez o Exército deu um cheque em branco a alguém: foi em 1937 a Getulio Vargas, para implantar a ditadura.

Mas aí, era a situação internacional de pré-guerra que dominava os acontecimentos, e pouco mais de 1 ano depois a guerra estourava mesmo, só terminaria em 1945. E tão certas estavam as Forças Armadas nesse episódio, que terminada a guerra, dias depois do regresso da FEB, o Exército retirava o apoio dado a Getulio e ele tinha que voltar melancolicamente para São Borja.

A derrubada de Getulio em 1945 é obra exclusiva do Exército, ajudado logicamente por alguns civis corajosos. Agora, acontece exatamente o contrário: alguns civis apavorados e subservientes amedrontam o Exército, em nome do combate ao comunismo, agradam e servem aos americanos.

Em 1961, foi a vez de um frívolo peralta se enganar com o Exército: o Sr. Janio Quadros. Eleito com a maior votação já obtida por um candidato, esperança de um povo e um país, mas dominado por sonhos loucos e ambições desvairadas, fingiu que renunciava para que as Forças Armadas o carregassem no colo, e o recolocassem no governo com os poderes discricionários que ambicionava.

Num abrir e fechar e olhos, os políticos envolveram o Exército, e o sr. Janio Quadros, que havia sido eleito legitimamente, viu-se de uma hora para outra mergulhado no ostracismo do qual não se livrará nunca mais, pois a decepção que os homens provocam no povo está exatamente na proporção da esperança que despertam. E poucas vezes na História brasileira um homem provocou tanta esperança quanto Janio Quadros.

O ex-presidente foi outra vítima dos péssimos observadores, que depois de conversarem com três ou quatro generais, depois de percorrerem 5 ou 6 regiões militares, chegam e dizem para o governante, sigilosamente: “Olha, Presidente, 95% do Exército está com o senhor…”

O último que acreditou nesses  levantamentos feitos às vezes na melhor das intenções, foi o Sr. João Goulart. Quando Assis Brasil, Osvino, Albino Silva, Jair Dantas Ribeiro e outros, lhe diziam que “95% do Exército está conosco”, e Jango acreditava, era mais um passo que ele dava para o ostracismo, para o caos, para a derrubada do regime dito democrático.

Quando ele achava que o Exército estava a seus pés, pronto a apoiar todas as suas maluquices, foi derrubado, e nossa História se “enriqueceu” com uma nova frase que a posteridade guardará para sempre: “Quer dizer, Assis Brasil, que 95% do Exército estava comigo?”

Era um amargo e amargurado desabafo, era uma censura, mas era também uma constatação, e uma advertência para futuros ocupantes do Poder: o Exército não dá cheque em branco a ninguém, sejam civis ou militares os ocupantes do Poder.

Mas as lições da História pouco frutificam, principalmente no Brasil, e não se passará muito tempo antes que novos dispositivos, que no papel se mostram invencíveis e monolíticos, sejam destroçados pelos acontecimentos que têm mais força do que qualquer prognóstico.

O maior e mais formidável Exército já formado nos tempos modernos (a Werhmacht de Hitler) estacou diante de Stalingrado e de Moscou, paralisado por obstáculos que nenhum general poderia prever. Quando a capital russa já estava à vista, quando os poderosos Exércitos de Hitler estavam a 45 km de Moscou e já enxergavam as altas torres do Kremlin, um punhado de heróis cismou de não entregar as duas cidades, e todos os planos minuciosamente estudados e reestudados pelos cérebros da OKM, esbarraram em detalhes que ninguém podia não só prever como sequer imaginar. E isso na guerra, que é uma arte mais comum aos militares do que a política. (Embora eu esteja convencido, depois de ler e reler cuidadosamente as autobiografias de Rommell e de Guderian, que a guerra é muito mais complexa e difícil até mesmo do que imaginam os mais famosos generais).

A rigor, que eu saiba, só um homem nos últimos 40 anos no Brasil, acertou no julgamento que fez sobre a força do dispositivo militar que o apoiava e a extensão desse dispositivo: foi o então Ministro da Guerra Arthur da Costa e Silva. Tão seguro era o seu julgamento, que podendo depor o Sr. Humberto de Alencar Castelo Branco na madrugada de 5 para 6 de outubro de 1965, esperou um ano, convencido da invencibilidade do seu dispositivo militar.

Podendo ficar com o Poder na hora, como ditador, preferiu dar um ultimatum para que o Poder lhe fosse entregue um ano depois, e foi para casa dormir, que afinal já eram 5 horas da manhã e ele passara a noite acalmando seus camaradas, que não só queriam como até exigiam que ele ficasse com o Poder na mesma hora.

Costa e Silva acertou em cheio, e nesse particular temos que render as nossas homenagens à capacidade de previsão e à paciência (uma ligada à outra) do ex-Ministro da Guerra. E um ano depois, por mais que esperneasse, por mais que manobrasse, por mais que exercitasse o seu reconhecido gênio político, o então “presidente” Castelo Branco teve que se contentar em ser sucedido por Costa e Silva, sabidamente a última coisa que desejava.

Agora, curiosamente (a História tem dessas coisas), o então Ministro da Guerra é “presidente” da República, e novamente se fazem cálculos sobre a força do dispositivo militar que o sustenta. Eu diria a S. Exa, que não deixasse de atentar para um “detalhe” precioso: um Ministro da Guerra pode ser sustentado por um dispositivo militar, mas um Presidente da República não. Por mais canhões e tanques e metralhadoras que tenha um Presidente, ele não se sustenta se não tiver o apoio popular. Mesmo nas ditaduras declaradas, os ditadores não desprezam o contato e o diálogo com o povo.

Portanto, em vez de se dedicar à tarefa de contar efetivos militares para saber se tem maior ou menor apoio, o que o “presidente” da República deveria fazer com urgência era promover a união do Exército com o povo, restabelecendo um diálogo que é indispensável, que está dentro da melhor tradição brasileira, vem desde o Império.

S. Exa. tem condições excepcionais para isso, se não se deixar levar (como no episódio do meu desterro, que acabou causando uma comoção nacional, e no controvertido e nada lisonjeiro confinamento do Sr. Juscelino) por observadores que não sabem observar, e por conselheiros, que estão mais interessados na discórdia do que na união geral.

Só existem duas espécies de poder: o militar e o civil. Se o “presidente” quer ficar tutelado pelo Poder militar, faça logo a opção, instale a ditadura no Brasil (pois Poder militar é sinônimo de ditadura) e veja onde vai acabar. Ms se quiser fazer a abertura legítima e indispensável para o Poder civil, precisa primeiro se convencer que governar não é uma arte solitária, que governar exige diálogo, que diálogo exige partidos, opinião pública, oposição organizada validamente, em suma, redemocratização do país, não nas bases antigas, não em forma de revanchismo, mas para que exista um governo politicamente forte, consciente, objetivo, sabendo o que quer.

Para terminar: tenha o dispositivo militar que tiver (e quem é que tem capacidade para avaliar a sua extensão, a sua solidez e em que direção ele caminha?), o “presidente” não irá muito longe se tentar consolidar o seu governo apenas em bases militares. Ao contrário, se caminhar na direção do povo, se formar um governo política e civilmente válido, o dispositivo militar terá que acompanhá-lo, haja o que houver.

Esta é a opção que se oferece ao Sr. Costa e Silva. Mas como tentar convencê-lo disso, se ele parece querer fazer tudo ao mesmo tempo (e portanto não fará nada), cercou-se do vazio em matéria de inteligência e lucidez, parece convencido da eficácia do exercício solitário do Poder? Ao cercar-se do vazio, ao desprezar a inteligência, logo no início do seu último governo, em 1951, Getulio Vargas ditou a sua própria sorte política. A História parece que se repete, 16 anos depois.

VARIADAS, com Pedro Simon e Marco Maciel, preterido por um índio que ninguém sabia sequer se estava “aculturado”.

O senador Pedro Simon, como outro senador qualquer, tem o direito de elogiar quem quiser. E ele ainda mais, pela extraordinária contribuição que deu à vida pública, em todos os momentos.  ***  Mas gastar um dicionário inteiro para exaltar Marco Maciel, que desperdício, senador. Ninguém tão carreirista, tão subserviente e tão serviçal, quanto o senador de Pernambuco.  ***  Só não roubou dinheiro, é preciso registrar a honestidade exclusivamente “em espécie”.  ***  Mas o tipo de prejuízo que a honestidade impura traz ao país, não justifica nenhum dos elogios que Simon utilizou nos 6 minutos que usou.  ***  Poucos homens públicos desgastaram tanto a democracia, a esperança em dias de dignidade política, quanto Marco Maciel.  ***  Fortaleceu a ditadura, em troca de todas as concessões e a certeza de que receberia todos os cargos que pretendia, e recebeu.  ***  E se bem me lembro, só não foi presidente da República, ficou a uma batida de coração, no último degrau antes de subir até o fim.  ***  Mas gostou tanto, que agora, quando o PSDB não encontrava um vice, se ofereceu (ele sempre se oferece) para voltar ao cargo.  ***  Seu partido, o DEM, não o indicou. O aliado, PSDB, preferiu um índio qualquer, que ninguém sabia sequer se estava “aculturado”.  ***  Como “aculturado” da dignidade estava Marco Maciel.  ***  E finalmente “aculturado” da intelectualidade (?), devia ouvir (ou saber?) o que dizem dele na Academia. Um acadêmico que sustenta “ghost writer”? Ha!Ha!Ha!

MAIS VARIADAS, com Garotinho, Romário, Cabral, Álvaro Lins, Gabeira e a jornada de trabalho dos jornalistas federais

Pesquisa do Ibope realizada para deputado federal aponta Anthony Garotinho disparado na frente. Deve alcançar em torno de 400 mil votos. O segundo na lista, com um terço disso, é o ex-jogador Romário, do PSB, mesmo fazendo uma campanha fria. já pode mandar fazer o terno da posse na Câmara.  ***   Se colocasse no horário eleitoral um dos gols que fez na Copa de 94, subiria muito mais. Poderia até ser o lance do penalti que bateu contra a Itália no jogo final.  ***  Slogan de Romário: “Tudo que prometo eu faço”, referindo-se, é claro, à Copa. Quando às eleições, não promete nada.  ***  Exibida com destaque no horário político da TV e reproduzida pelos jornais, a gravação em que Sérgio Cabral exalta Álvaro Lins aponta a hipocrisia nos pronunciamentos do governador. Acredita-se que o episódio possa influir no rumo das eleições, não invertendo as atuais posições apontadas nas pesquisas, mas remetendo a decisão final para o segundo turno, contra Gabeira.  *** A Secretaria de Recursos Humanos do Ministério do Planejamento emitiu nota técnica, 762/2010, definindo: a jornada de trabalho dos jornalistas em órgãos de comunicação da administração federal é de 5 horas diárias, com o máximo de 25 semanais.

Situação ainda inconclusa

Carlos Chagas

Há que aguardar as novas pesquisas eleitorais a ser divulgadas nas próximas horas, promovidas depois de conhecido o escândalo da quebra de sigilos fiscais,  promovido no âmbito da Receita Federal. Salvo engano, os números não  deverão variar, quer dizer, Dilma Rousseff manterá folgada vantagem sobre José Serra.

Lembram os tucanos aquele ditado popular, de que “água mole em pedra dura tanto  bate até que fura”. Mesmo sem repetir que nada pega no Lula e consequentemente em Dilma,  replicam os companheiros estar o eleitorado consciente das determinações feitas pelo presidente à Polícia Federal para que tudo seja apurado, “doa a quem doer”.

O episódio parece ainda inconcluso, tantas são as dúvidas. Por certo que uma quadrilha atuava para promover o vazamento da documentação de montes de  cidadãos protegidos pelo sigilo fiscal.  Agiam assim para ganhar dinheiro, em busca de compradores. Estão  identificados alguns bandidos  que ofereciam o produto a muita gente, inclusive grupos políticos e partidários. Ou até poderiam receber encomendas.   Ao contrário da lambança  dos aloprados de 2006, em São Paulo, destes até agora não surgiram nomes.  Parece prematuro dizer que são do PT, como  aqueles  de quatro anos atrás, ou que pertencem a setores dissidentes do PSDB, ambos os lados interessados em atingir José Serra.

O grave na história é que ninguém foi afastado, na alta administração federal. Continuando as coisas sem conseqüências palpáveis e imediatas, logo a própria Dilma Rousseff  irá  cobrá-las.

Desta vez ele tem razão

Temos protestado sempre que o presidente Lula investe sobre a imprensa,  por falta de assunto ou de conhecimento, alegando que os meios de comunicação só divulgam coisas ruins, evitando notícias positivas, em especial de seu governo. Jornalismo não é publicidade, tornando-se verdade secular que a mídia existe  para divulgar o inusitado. Aquela velha história de que se um cachorro  morde um  homem, não sai no jornal, mas se um homem morde um cachorro, sai.

Esta semana, em Foz do Iguaçu, porém, o presidente teve razão ao sustentar que conta na sua mão de quatro dedos as vezes em que a televisão transmite programas educativos. Acrescentou ser apenas sexo o que se vê nas telinhas, das sete horas da manhã ao meio-dia e à meia-noite. Noves fora os exageros, o Lula tem razão. Aumenta em progressão geométrica o lixo oferecido à população.

Só que o problema  é mais complicado. As emissoras são empresas comerciais, ainda que desempenhando uma função  pública. Precisam dar lucro, senão fecham e desempregam. Para isso necessitam publicidade, aferida em função dos índices de audiência. Muitas  apelam para o noticiário policial, ,  transformando em verdadeiros espetáculos a desgraça alheia. Outras optam pelo caminho mais simples, do sexo desproporcionado.

Fazer o quê? Os programas educativos geralmente dão traço. Apelar para o poder público será sempre um perigo. Educar os telespectadores levará um tempo  enorme.  Estrilar, talvez seja a solução, como fez o presidente.

Partido único no Brasil é impossível

Pedro do Coutto

Repercutiu intensamente, mais em razão do estilo primoroso ao autor do que de seu conteúdo, o artigo de Élio Gáspari (O Globo e Folha de São Paulo de quarta-feira) colocando a hipótese de prevalecer no país um sistema político quase de partido único, a partir da vitória de Dilma Rousseff nas urnas de outubro. Lula, sem dúvida com mais este êxito, nesta altura dos acontecimentos, deixará consagrado o Palácio do Planalto em janeiro. Mas daí a tese de um quadro partidário como o que vigorou no México durante décadas e só interrompido com a eleição de Vicente Fox, na passagem do século, vai uma distância muito grande.

Luis Inácio venceu em 2002, foi reeleito em 2006, e agora vence com Rousseff neste ano de 2010. A oposição atual de PSDB, DEM e PPS desaparece na névoa do tempo. Das urnas surgirá outra.

Sobreviverá Aécio Neves, provável candidato dos que se opõem ao PT, a enfrentar Dilma ou o próprio Lula daqui a quatro anos. Além disso, vão se evidenciar divergências entre o Partido dos Trabalhadores e o PMDB. Não se pode prever quais, mas surgirão. Surgem sempre na história política universal. Não existe sistema de poder – nunca existiu – capaz de contentar integralmente todos os seus integrantes durante muito tempo. As dissidências aparecem. São inevitáveis e eternas. Veja-se o exemplo da Segunda Guerra Mundial. Inglaterra e Estados Unidos, duas potências supercapitalistas, uniram-se com a União Soviética de Stálin para enfrentar o inimigo comum, o nazismo de Hitler. Com a rendição alemã assinada na madrugada de 8 de maio na cidade francesa de Reims, confirmada à tarde em Paris. Já no dia seguinte começaram os desacertos. A  aliança foi para o espaço. Winston Churchill atritou-se fortemente com o ditador comunista, a URSS fechou o caminho terrestre para Berlim. A Alemaha passou a ter duas capitais. A outra, a ocidental, na cidade de Bonn. Mas esta é outra questão.

Serve de exemplo, entretanto. Não é isolado. Aqui, entre nós, em 1945, o apoio de Vargas levou o general Eurico Dutra à vitória nas eleições de 2 de dezembro. Mas o mandato começou em janeiro de 46, Dutra rompeu com o trabalhismo e formou seu governo na base da coligação PSD-UDN. A União Democrática Nacional havia apoiado o brigadeiro Eduardo Gomes contra o presidente eleito. Em 1960, Lacerda foi fundamental para a vitória de Jânio Quadros na convenção udenista, Palácio Tiradentes, no Rio, quando derrotou Juraci Magalhães. Logo no início do mandato, Jânio rompeu com Lacerda. Em São Paulo, pleito de 50, Ademar de Barros elegeu o professor Lucas Nogueira Garcez, sem militância partidária, governador do Estado. Produziu com isso um de seus dois maiores inimigos políticos. Na sucessão de 54, Garcez empenhou-se a fundo pela vitória de Jânio Quadros sobre o mesmo Ademar.

Para não estender demais os episódios que acentuam as contradições do poder, lembro que, em dezembro de 68, o ex-governador Carlos Lacerda foi preso e cassado pelo movimento político militar que liderou e que quatro anos antes, derrubou o presidente João Goulart. Leonel Brizola, em 61 foi o principal líder do movimento democrático que garantiu a posse de Jango. Em 63, tornou-se  o principal fator de sua queda no ano seguinte. O futuro a Deus pertence, acentua a cultura popular.

Partido único só com o terror do estado e no Brasil, felizmente, não há campo para tal viagem antidemocrática. Nem campo, nem clima. A tese do partido único é somente um lance intelectual. Não tem reflexo na realidade. O tempo vai dizer.

Cabralzinho pode e deve ser cassado. Pelo que falam e pelo que ele tenta esquecer.

Custou mas o governador cabralzinho, foi denunciado perante o TRE (Tribunal Regional Eleitoral). Foi eleito em 2006, desviando surpreendentemente de acusações mais do que provadas. Enriquecimento ILÍCITO, como seu parceiro de 16 anos, Jorge Picciani, (só que cabralzinho não foi acusado de exploração de trabalho escravo), irregularidades de todos os tipos.

Como é um leviano e aproveitador contumaz, desculpem, mas que palavra, foi driblando as acusações, obteve o registro e mais grave ainda, foi eleito. O povo do Estado do Rio jamais se livrou desse descuido ou leviandade. (A desculpa JUSTA do cidadão daqui, é que com essa legislação partidária e eleitoral, qualquer cabralzinho se elege, e pior, se reelege).

Para impedir a primeira eleição de cabralzinho, não precisava nenhuma investigação, bastava seguir lauda a lauda, o dossiê organizado pelo então governador Marcello Alencar, quando rompeu com o então deputado estadual cabralzinho, “dono” da Alerj, em condomínio com Picciani.

(Podem dizer que Marcello Alencar não é cidadão para ser citado, estão aí os filhos, MILIONÁRIOS SEM NUNCA TEREM TRABALHADO. Um esbanja dinheiro no exterior, há 11 anos vive lá fora, 6 anos nos Estados Unidos, e agora 5 em Portugal. Responde no Brasil a vários crimes de ENRIQUECIMENTO ILÍCITO, e apropriação indébita. O outro, enquanto “vigia” e “aprova” (aprovou) as contas do pai, se diverte praticando hipismo em várias hípicas luxuosas em cidades vizinhas. Que República.

O TRE garante que investigará cabralzinho, e que ele pode não só ficar inelegível para a reeeleição, mas perder o atual mandato, precisa correr para IMPEDI-LO. É um serviço relevante prestado à coletividade.  Como eu disse, basta utilizar o dossiê organizado pelo então governador Alencar, que tinha todos o poderes para confeccionar esse dossiê.

Reconheço que é sufocante e asfixiante, manusear um documento como esse. Só em ficar perto dele, já se sente um cheiro insuportável. Mas o Ministério Público e a Procuradoria do TRE, podem fazer o que os comunistas fizeram na eleição de 1965, para a sucessão de Lacerda na então Guanabara.

Não queriam que o governador Lacerda, elegesse seu sucessor. Consideravam que quem podia derrotá-lo era Negrão de Lima. Mas reconheciam que recomendar o voto em Negão, era coisa que não podiam admitir. Deram então a fórmula: “Vote em Negrão com um lenço no nariz, mas vote. Votaram e ganharam.

Basta que o Tribunal Eleitoral, o Ministério Público e até a Polícia, nao tenham medo de se asfixiar com o dossiê. E recebam a gratidão, o reconhecimento e a solidariedade do povo do Estado do Rio. Que não suporta mais a arrogância, a prepotência e a incompetência de cabralzinho.

E podem enquadrá-lo também pela afirmação que repete constantemente: “Minha mulher é a maior advogada do Brasil”. Não é, claro, mas apesar de não ser, seu escritório tem um quantidade enorme de processos do estado. E mesmo se fosse INVENCÍVEL, não poderia defender o estado, “casada” com o governador.

Em meio à denúncia contra cabralzinho,  por incrível que pareça, ocorreu um episódio sensacional, anteontem, no horário da propaganda eleitoral gratuita. Uma bomba. Ao utilizar o espaço que cabe ao PSOL, seu candidato a governador, Jeferson Moura exibiu nada mais, nada menos, que um vídeo muito bem gravado focalizando encontro do governador Sérgio Cabral com um plenário de policiais, como ele candidatos às eleições de 2006.

Cabral discursou, defendendo ardorosamente a eleição de Álvaro Lins, ex-chefe da Polícia Civil, para a Assembleia Legislativa. Textualmente, afirmou que destacava com muita satisfação, e até orgulho, a candidatura de Álvaro Lins à Alerj.  “Eleito, não posso prescindir de sua colaboração no meu governo, Alvaro Lins, um homem honesto, íntegro, de grande capacidade profissional. Um homem exemplar”.

Aí  Jeferson Moura interrompe, volta-se para a câmera, portanto, aos olhos dos telespectadores, e indaga:  “Um homem honesto o Álvaro Lins, governador?” A seqüência volta com Sérgio Cabral confirmando: “Um homem honesto, um exemplo para a Polícia deste Estado. Fundamental para o meu governo”. E repetiu esse FUNDAMENTAL várias vezes.

***

PS – Ampliando o impacto forte da matéria, depois do PSOL entra o PMDB com Jorge Picciani e Cidinha Campos. Diz Cidinha:  “Voto em Picciani para senador porque ele teve a coragem de cassar o mandato de Álvaro Lins, um desonesto, de vários vereadores corruptos, e de mandar para a prisão policiais e ex-policiais milicianos e extorquidores”.

PS2 – Fechando o surpreendente episódio, aparece Picciani presidindo a sessão da Alerj em que Álvaro Lins foi cassado. Finalmente aparece o próprio Picciani falando diretamente: “Moralizamos a Assembleia. Aqui não teve colher de chá para bandidos”.

PS3 – O programa do PMDB se encerra como? Com Sérgio pedindo votos para Picciani. Uma tragicomédia.

PS4- O Estado do Rio inteiro, aguarda, esperançoso, que o TRE declare cabralzinho INELEGÍVEL para novo mandato, e CASSE o resto do que falta.

PS5 – Não interessa que digam que, derrotado no TRE, cabralzinho será vitorioso no TSE. Não é verdade, espalham isso para desmoralizar a Justiça.

PS7 – Roriz também dizia, depois de perder no TRE de Brasília: “Ganho no TSE”. Esse Roriz, versão nova de Daniel Dantas, já ficará feliz em PRESERVAR A LIBERDADE.

NÃO DEIXEM DE LER AMANHÃ:

O Poder Militar visto com os óculos e os
binóculos de 1967. Durou MENOS do que esperavam
e MAIS do que devia. Terminou?

VARIADAS, com Vlamir Marques, Muricy, Helio Costa e Anastasia, Lula, Pimentel, Vanessa, Agripino Maia e Roseana.

Assisto o Mundial de Basquete, pelo canal ESPN. É uma satisfação ver o ouvir o comentarista Vlamir Marques. Conhece tudo de basquete.  ***  Foi bicampeão mundial, tem um poder de análise, competência de ver o jogo e transmitir tudo para o público, que o transforma numa atração.  ***  Muricy fez modificações bobas. Como bom retranqueiro, fez 1 gol antes dos 10 minutos de jogo, e passou os outros 80, se defendendo. Sofreu o empate, deixou dois pontos pelo caminho, quando já estava nos últimos segundos dos descontos. ***  Helio Costa “passa recibo” todo dia: Anastasia sobe cada vez mais, ele desce em velocidade Fórmula 1. Apela para Lula, este, furioso com a derrota de Fernando Pimentel, (seu ex-Ministro), finge que não ouve.  ***  Desespero da ótima deputada Vanessa Graziotin, candidata ao Senado no Amazonas. Devia continuar na Câmara , conquistar o terceiro mandato.  ***  No primeiro, teve 180 mil votos, no segundo, 120 mil, agora não se elege. E o marido, também do PCdoB, será deputado tranqüilo.  ***  No Rio Grande do Norte, mais uma derrota de Lula. Se elege Agripino Maia, do DEM, o presidente fez tudo para derrotá-lo ao Senado. Não conseguiu.  ***  Falam que Dona Roseana (lógico, Sarney) pode ser tornada inelegível. Só que o TRE do Maranhão não tem a menor credibilidade, contaminado pela subserviência.

Que saudades do Guga

Só dois brasileiros no circuito de tênis, os dois no mesmo Open, perdendo à mesma hora. Ricardo Mello, derrota de 3 a 0, fácil para o espanhol Ferrero. E Mello deu entevista tola, “perdi uma bola que mudaria tudo, não consegui me recuperar”. Ha!Ha!Ha! Quase centésimo no ranking, não ganha de ninguém.

Bellucci, número 28, lutou mais, foi para o quinto set, quase 4 horas de jogo. Mas perdeu para o único sul-africano do circuito, branco e mal-ajambrado. Ainda assim, os comentaristas dos dois canais, montanha de elogios.

Volta, Guga, mas não para “amistosos” com Kafelnikov.

Os filhos dos presidentes

Carlos Chagas

Getúlio Vargas tinha filhos  quando tomou o poder, em 1930.  Cresceram com ele, mesmo  na ditadura de 37, mas em momento algum valeram-se dos privilégios do pai. Alzira tornou-se sua secretária particular, acompanhou a trajetória do “patrão”, como o  chamava. Getulinho morreu de poliomielite e o pai não pode comparecer ao funeral: viajou em segredo para Natal dizendo que o futuro o compreenderia. Era 1942 e foi encontrar-se com o presidente Franklin Roosevelt, que voltava do Norte da África, quando acertaram o ingresso do Brasil  na Segunda Guerra Mundial. Lutero, médico  ortopedista de renome, alistou-se na Força Aérea Brasileira e foi lutar na Itália. No governo constitucional iniciado em 1951, teve o apoio de todos, sem que nenhum se valesse de sua liderança para fazer negócios.  Maneco  cuidava da fazenda, no Rio Grande do Sul, sem apelar para  créditos do Banco do Brasil, enquanto Alzira, casada com Amaral Peixoto, governador do Estado do Rio, só atravessava a baía da Guanabara em momentos de crise.

Café Filho tinha um filho adolescente. Quando afastado da presidência, retirou o menino do Colégio São José, dos melhores do Rio, por impossibilidade de  continuar  pagando as mensalidades. Sabendo disso, os Irmãos Maristas passaram a não cobrar, até a formatura.

Juscelino Kubitschek buscava manter as  meninas Marcia e Maristela sob controle, mas certo dia, irritado  porque elas exigiam freqüentar bailes, mostrou-lhes a faixa presidencial dizendo: “com esse “trem” aqui eu controlo o Brasil, mas vocês são  incontroláveis”.

Jânio  Quadros deixava a “Tutu” por conta de dona Eloá,  mas rompeu com a filha, recém-casada, porque o jovem marido aceitara o lugar de relações públicas na Volkswagen.

João Goulart era capaz de interromper reuniões ministeriais no palácio Laranjeiras quando  o pequeno João Vicente exigia que fossem para o sítio da família, em Jacarepaguá. Denise, menor ainda, gostava quando o  pai levava a família para acampar e pescar  em Mato Grosso, ele mesmo cuidando das refeições.

Castello Branco, ao assumir o governo, nem por isso chamou para sua assessoria o filho mais velho, comandante da Marinha de Guerra. A filha substituía a falecida mulher, dona Argentina, nos banquetes e recepções.

Costa e Silva adorava os netos, mas o filho, major Álcio, continuava em suas funções no Exército, sem ser privilegiado com comissões e promoções.

Garrastazu Médici trouxe os dois filhos, engenheiros, de Porto Alegre para o Rio, um para secretário particular, Sérgio,  outro assessor especial, Roberto. Terminado o governo, ambos retornaram à capital gaúcha, como professores universitários.

Ernesto Geisel era tão rigoroso com a filha única, Amália Lucy, a ponto de exigir que não faltasse a nenhuma refeição em família.

João Figueiredo não gostou quando viu a empresa de publicidade de seus dois filhos crescer no ranking pela abundância de novos  clientes, mas alertou para a queda no faturamento assim que deixasse de ser presidente, coisa que aconteceu.

Tancredo  Neves não nomeou o Tancredinho para nada, limitando-se a aproveitar o neto, Aécio, como seu secretário particular, sem poupar-lhe reprimendas geradas pelo açodamento da juventude.

José Sarney estimulou Zequinha e Roseana a entrarem para a política, reservando ao terceiro filho o comando dos  negócios da família.

Fernando Collor manteve os dois filhos do primeiro casamento afastados do Brasil, estudando na Suíça.

Itamar Franco, divorciado, era cheio de cuidados para com as duas filhas já  casadas, que  em momento algum valeram-se da influência do pai para alavancar carreira e negócios dos maridos.

Fernando Henrique não conseguiu evitar que o filho  Paulo Henrique fosse seduzido por empresários ávidos de participar das privatizações, abrigando-o em suas diretorias.  Desiludiu-se ao nomear um genro para a Agência Nacional de  Petróleo e assistir o fim do casamento com uma de suas filhas.

Da penca de filhos do Lula,  melhor será aguardar para ver como retornarão com ele ao apartamento em São Bernardo, “menor do que uma só sala deste palácio”, como tem repetido.  Estas curtas notas servem  para lembrar que filhos, é bom tê-los, para presidentes da República. Mas imprescindível,  vigiá-los.

Episódio Verônica abala Mantega e Cartaxo

Pedro do Coutto

O reflexo político administrativo do estúpido crime praticado através do contador Antonio Carlos Atella Ferreira, profissional suspeito e pouquíssimo responsável, sobretudo pelo impacto que o episódio causou, é inevitável. A culpa pela pratica sórdida tem que recair sobre alguém. Pelo menos um, o secretário da Receita Federal, Otacílio Cartaxo. Talvez dois. O segundo, o ministro da Fazenda, Guido Mantega. Não que este vá ser demitido agora. Cartaxo sim. Mas provavelmente Mantega perdeu a chance de vir a ser aproveitado pelo governo Dilma Rousseff, caso ela chegue ao Palácio do Planalto como todas as pesquisas de intenção de voto sinalizam como certa.

Pois o que aconteceu agora com a Sra. Verônica Serra, filha do candidato José Serra, foi demais. Não houve somente – o que já seria gravíssimo – o vazamento de dados fiscais absolutamente garantidos por sigilo que só poderia ser quebrado por decisão da Justiça. Ocorreu também a falsificação de sua assinatura, o reconhecimento fraudulento de procuração forjada, como denunciou o próprio Fábio Tadeu Bisognin, titular do cartório que foi escolhido como fonte de ação coletiva criminosa. Criminosa e torpe.

O contador Antonio Carlos, sombrio personagem, em entrevista ao repórter de O Globo, Roberto Maltchik, disse não conhecer os solicitantes da declaração de Verônica. E que considera tal prática comum. Está no corpo do jornal de 2 de setembro. Aliás, a melhor cobertura de todas editadas na imprensa, disparado, foi a de O Globo.

O essencial é indagar se é possível alguém utilizar uma procuração para extrair informações confidenciais e não saber – ele disse isso – o nome de quem lhe pediu tal trabalho. O nome ou os nomes. Essa não. É muito cinismo. Dose para dinossauro.

Igual à desfaçatez da Receita Federal e de seu titular, Otacílio Cartaxo. Este, então, por suas próprias declarações, deixou no ar a existência de uma descoordenação total dos  órgãos regionais subordinados.

Primeiro foi o vazamento da delegacia de Mauá, São Paulo. Agora na unidade Santo André. Ora, porque cargas d’água alguém iria obter cópias das declarações de Imposto de Renda de Mendonça de Barros, Ricardo de Oliveira e Jorge Eduardo Caldas Pereira em Mauá? Pela mesma razão, qual o motivo que levou um personagem de mistério apoderar-se da declaração de renda de Verônica Serra? Não faz o menor sentido. Tampouco o envolvimento da analista tributária Lúcia Gonçalves Milan, que entregou as informações de Verônica a Carlos Atella, nesta altura o homem que sabia demais, de Alfred Hitchcock. Enfim mais um desastre, mais uma derrota dos falsários.

A primeira foi no episódio do mensalão, que culminou com a queda do ministro José Dirceu e a cassação de seu mandato parlamentar. A segunda culminou com a demissão do ministro Antonio Palocci da Fazenda, e do presidente da Caixa Econômica, Jorge Matoso, pela violação da conta bancária do caseiro Francelino Pereira. A terceira teve como desfecho a prisão dos que Lula chamou de aloprados, efetuada num hotel de São Paulo, com malas cheias de dinheiro. A quarta começou com a ruptura do sigilo de Eduardo Jorge, Mendonça de Barros e Ricardo Oliveira, este diretor do Banco do Brasil. Acabou com a imunda investida contra a filha de José Serra.

Se os autores de todas essas tramas sinistras queriam prejudicar a campanha de Dilma Rousseff não poderiam ter escolhido uma teia melhor. O maucaratismo humano já é eterno e enorme. Mas a burrice não tem limites. É capaz de tudo.

***

Entrevistado por um repórter de “A Tarde” de Salvador, sobre o aspecto político da quebra de sigilo bancário e fiscal da filha de José Serra, o ex-presidente e conselheiro aposentado do TCE-RJ, Humberto Braga, afirmou que “tudo faz crer que Verônica Serra, filha do candidato do PSDB é tão honesta quanto ele. Se não fosse e houvesse acumulado fortuna ilícita, graças às posições ocupadas pelo pai, não a depositaria em bancos. Valer-se-ia dos vários paraísos fiscais que há no exterior”.

“Então” – acrescentou indagando – “que proveito poderia colher Dilma com a quebra do sigilo bancário daquela senhora? Armou-se um escândalo, isso sim. A quem ele aproveita?” – concluiu.

A Fazenda Pública tem 360 dias para julgar seus processos

Jorge Folena

No artigo postado no dia 21/08/2010, repercutimos a manifestação do Presidente da Comissão de Reforma do Código de Processo Civil, que tramita no Senado Federal, de que o prazo razoável para conclusão de um processo judicial deveria ser de um ano.

A morosidade para decidir um processo não está limitada ao âmbito judicial, mas esbarra também na administração pública, quando cabe a ela restituir valores aos contribuintes ou decidir questões no âmbito de sua competência, como autos de infração, ou ainda resolver controvérsias existentes, seja com os administrados ou com seus servidores, num prazo de razoável duração, como determinou a Emenda Constitucional 45/2004 (artigo 5º, inciso LXXVIII, da Constituição).

É comum também que trabalhos de fiscalização nas empresas durem mais de um ano, sem que os agentes públicos comuniquem aos seus superiores.

Tribunais da vida e direito de todos

A Primeira Seção do Superior Tribunal de Justiça (STJ), no julgamento do recurso representativo de controvérsia (REsp 1.138.206-RS, relator Ministro Luiz Fux),  pacificou sua jurisprudência para determinar que os processo administrativos fiscais devem ser concluídos em até 360 dias, conforme estabelece o artigo 24 da Lei 11.457/2007 (“é obrigatório que seja proferida decisão administrativa no prazo máximo de 360 dias a contar do protocolo de petições, defesas ou recursos administrativos dos contribuintes”).

Fiscalizações que duram anos

A decisão do STJ deverá ser empregada igualmente para as fiscalizações, que, iniciadas pelo Fisco, duram mais de 360 dias.

A legislação prevê que o procedimento fiscal tem início com o primeiro ato de ofício, escrito, praticado por servidor competente, cientificando o sujeito passivo da obrigação tributária, sendo que este ato valerá pelo “prazo de 60 dias, prorrogável, sucessivamente, por igual período, com qualquer outro que indique o prosseguimento dos trabalhos (art. 7º, § 2º, do Decreto Federal 70.235/72, que regula o processo administrativo fiscal).

O artigo 196 do Código Tributário Nacional (CTN) diz que a autoridade fiscal deverá fixar prazo máximo para conclusão da diligência de fiscalização. Contudo, esta regra não é observada, o que deverá conduzir à nulidade da fiscalização por inobservância da lei.

Portanto, a Fazenda Pública deverá decidir todos os seus processos administrativos e concluir as fiscalizações no prazo de 360 dias, sob pena de nulidade e responsabilidade para os servidores envolvidos, em respeito aos princípios constitucionais da eficiência, moralidade, razoabilidade e  legalidade.

No Mundial de Basquete, o Brasil muda e massacra

Depois de dois jogos que não DEVIA perder, mas insistiu na mesma tática errada, o Brasil, ontem, substituiu tudo, ganhou lindamente da Croácia. No 3° set, botamos 25 pontos de frente. Os que entraram ontem, Murilo, Nezinho e Marcelinho Machado (este o grande nome do jogo), fundamentais. Vitória do Brasil 92/74, 18 pontos de frente. No final facilitou, natural.

Agora, vejam o jogo de xadrez da segunda fase. 1 – O Brasil precisava ganhar da Croácia, para não enfrentar a Argentina. 2 – Como a Argentina perdeu para a Sérvia, jogaremos exatamente contra a Argentina. 3 – O próximo jogo do Brasil, portanto, será com a Argentina. 4 – Mas já perdemos precisamente para a Sérvia. 5 – É bem verdade que perdemos por 1 ponto. 6 – Mas quem “adivinhou” que perderíamos “na certa” para a Argentina? 7 – Essa era uma possibilidade, a derrota para a Servia, realidade.

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PS – Portanto, é muito melhor que tratem da escalação e da tática do jogo.

PS2 – Deixem os palpites não para as quadras e sim para as casas lotéricas ou para as empresas (?) do Eike Batista.

Dentro de 30 dias, um outro 3 de outubro. Há 80 anos, conhecemos o primeiro 3 de outubro, que não respeitou o calendário. Surgiram duas ditaduras. E agora, o que virá? O Supremo não pode referendar o corruptíssimo Roriz. Lula tentou destruir Jereissati, ele vai ganhando.

Hoje, 3 de setembro, fica faltando exatamente um mês para um novo 3 de outubro. Só se fala em eleição, se comenta eleição, como costumam dizer, “se vive e se respira eleição”. Só que aquilo que deveria ser a expressão da vontade popular, é uma nova mistificação, também podendo ser identificada como farsa, fraude, constatação do que pretendem, pode ser tudo, menos expressão da manifestação do eleitor.

Vejam só, e constatem se esse novo 3 de outubro tem ou terá qualquer coisa a ver com o que pensa ou imagina o povo brasileiro. Numa demonstração de burrice inominável e inédita (não acontece em nenhum país) iremos às urnas (eletrônicas, mas “sem papel para confirmar”, como pedia Brizola), para votar em massa, preencher os mais diversos cargos.

Só não votaremos agora e em todos os 3 de outubro, nas eleições municipais. “Escolheremos” presidente e vice, governador e vice, dois senadores, deputados federais e estaduais. É muita coisa. Nos mais diversos países, vota-se ISOLADAMENTE para Presidente (ou Primeiro-Ministro, se for o caso) depois então se realizam as eleições gerais.

Obama, que como tinha que acontecer, viu sua popularidade cair bastante, enfrentará eleições gerais antes do fim do ano, pode perdê-las, como acreditam especialistas. Mitterrand, quando era todo-poderoso presidente eleito e reeleito da França, perdeu a eleição geral para o medíocre Chirac, teve que dividir o governo com ele no que se chamou de COABITAÇÃO.

Agora no 3 de outubro que avança SOBRE NÓS, somos quase 200 milhões, (o censo definirá o total) 129 milhões de cidadãos obrigados a votar, mas temos como referência (leia-se referência medíocre, lamentável, melancólica e mais do que isso, catastrófica) apenas duas pessoas, dois nomes, duas candidaturas. Quem não quiser votar em Serra ou Dilma (o caso deste repórter) faz o quê? Anula, vota em branco, não comparece? Não são opções dignas, mas sim a falta de partidos coletivos e de credibilidade individual.

A República nasceu viciada, contaminada, controlada e dominada por grupos, que se aproveitaram de tudo, não tomaram conhecimento do povo, por mais longe (ou perto) que ele estivesse. E além da corrupção, da irregularidade, do desperdício do dinheiro público, sem nenhuma consideração com investimento ou desenvolvimento, fez o país prisioneiro de duas datas.

Surgiu com o 15 de novembro, mudou para 3 de outubro. Não é que o calendário tenha importância inexpugnável, mas a verdade é que as datas só mudavam para piorar. O primeiro 15 de novembro, todo indireto, com os dois marechais PROVISÓRIOS por 1 ano, e depois, “eleitos” indiretamente, sem povo, sem voto e sem urna.

Essa calamidade durou 41 nos, até que foi imposto o primeiro 3 de outubro (de 1930), que durou 15 anos (até 1945), mas nunca soube o que era eleição. Tivemos então um período sem data, surgido da Constituinte de 1946, que deu ao Brasil uma bela Constituição.

Infelizmente, essa Constituição, que não tinha nada a ver com 15 de novembro ou 3 de outubro, morreu muito moça. Foi assassinada em 1º de abril de 1964, quando iria completar 18 anos em 18 de setembro desse ano 1964. Voltou o 15 de novembro, mas com o perfil ditatorial do 3 de outubro de 1930. Só que essa ditadura se manteve “apenas” por 15 anos, a do 15 de novembro, por 21.

Agora, 129 milhões de cidadãos, desligados das duas ditaduras, alguns que não conheceram nem a primeira nem a segunda (muitos já estão com 25 anos, completados a partir do fim da segunda ditadura), poderiam votar com discernimento, vontade e convicção.

Mas como fazer tudo isso, obrigados a “escolher” entre o ruim e o pior? Dona Dilma apregoa, que “devem votar em mim, serei a primeira mulher a ser presidente”. E daí? Existem grandes mulheres e outras que não alimentam a menor esperança. Dona Dilma é uma dessas mulheres. Mas será eleita, tomará posse e será “a primeira mulher sub Lula”.

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PS – Vivemos a Era Lula, que ele mesmo tenta “vender” como democrática. Que democracia é essa, na qual o presidente em fim de mandato, aposta tudo na sua “sucessora”? E mais: intervém nas eleições dos mais diversos estados, quase todos.

PS2 – Lula quer “fazer” governadores e senadores, por interesses financeiros, para favorecer correligionários ou se vingar de adversários. Não vou citar todos, deixo para depois. Mas não posso ficar sem examinar alguns, onde a “ingerência” de Lula é mais vergonhosa e ditatorial.

PS3 – No Ceará, houve reviravolta por causa da intervenção de Lula, que quer, por tudo, derrotar Tasso Jereissati. Este, quase derrotado, cresceu por causa dos ataques de Lula, Mas por que não enquadram o senador no projeto Ficha Limpa? Desde 2002 ele responde a processo no Supremo, por causa da “falência” do Banco do Estado do Ceará. Quem “segura” o processo contra Jereissati, é o Ministro Gilmar Mendes.

PS4 – A outra vaga sendo disputada por Eunício Oliveira (PMDB) e José Pimentel (PT), ambos apoiados por Lula, um será derrotado, mesmo apoiados por Lula.

PS5 – No Amazonas, Lula APOIA desesperadamente Alfredo Nascimento para governador. E Vanessa Graziotin, para o Senado. Vai perder os dois. Nascimento, duas vezes Ministro de Lula, perde para Omar Aziz, ensaiam um dossiê contra ele.

PS6 – Artur Virgilio se reelege com certa vantagem. Lula foi ao Amazonas, “pedir” votos contra ele”, e não está conseguindo.

PS7 – E no Pará, Lula quer reeleger a incompetente Ana Julia Carepa, que está inscrita no PT, e como é de praxe nesse partido, não fez nada, 4 anos de vazio.

PS8 – Lula quer derrotar Jader Barbalho, candidato ao Senado. Por que não “empurra” o Ficha Limpa em cima dele? Renunciou ao mandato no Senado para não ser cassado, agora quer voltar? Imoralidade que está sendo combatida de forma errada.

VARIADAS, com a “generosidade” da Odebrecth, o corintiano Lula, o enriquecido Cabral, Requião e o Paraná, Picciani, Crivella, Maia e Lindberg

Quando o Real Madri fez a grande seleção que assombrou o mundo, esses jogadores foram chamados de GALÁTICOS. Os candidatos do presidente podem ser chamados de LULÁTICOS.  ***  O novo estádio do Corintians tem tudo para ser considerado um escândalo colossal. Será uma construção feita pela Odebrecth a pedido de Lula.  ***  Curiosidade, quase crime financeiro. Essa Odebrecth é quem faz mais obras para o governo Lula.  *** Também faz estádios que servirão para a Copa de 2014. Todos esses estádios, TODOS, com certeza, custarão ao governo mais, MUITO MAIS, do que esse que a Odebrecth vai fazer por GENEROSIDADE. Que República.  ***  O Clube dos 13 ofereceu homenagem ao presidente Lula. O governador de São Paulo e o prefeito não foram convidados. Tiveram que pedir, através de amigos. Aí, lógico, receberam convite. Ha!Ha!Ha!.  ***  A propósito: esse mesmo “governador” e esse mesmo “prefeito” (não foram eleitos) na Primeira da Folha. Estão querendo saber onde será o maior estádio de São Paulo. Ainda não disseram nada a eles.  ***  A situação complicou para valer no Paraná. Não para o lado de Requião, mas para alguns aliados dele.  ***  O que muita gente me pergunta, nas mais diversas oportunidades: “De onde vêm a arrogância e a prepotência de Sergio Cabral?”. Sinceramente não sei. Mas acredito e admito que deve ser do enriquecimento ilícito e a consequente impunidade.  ***  Picciani diz aos amigos: “Já me recuperei, estou eleito”. Acho que ele deve apostar mesmo numa vaga no TCE, Tribunal de Contas daqui, mais seguro.  ***  Quem vota em Picciani para senador?  ***  Por outro lado, Crivella, Maia e Lindberg, garantem que estão eleitos. Quatro “eleitos” para duas vagas.