Ex-mulher de Lira o acusa de agressão e coação; deputado diz que declarações são “requentadas” e que foi absolvido

“Lira me esganou, fez ameaça e me usou como laranja”, diz Jullyene

Constança Rezende
Folha

Ex-mulher do deputado Arthur Lira (PP-AL), Jullyene Lins, 45, afirma, em entrevista à Folha, que o parlamentar, candidato à presidência da Câmara, a agrediu fisicamente e depois a ameaçou para que mudasse um depoimento sobre acusações que ela havia feito contra ele. Jullyene foi casada por dez anos e tem dois filhos com Lira. Ela recebeu a reportagem nesta quarta-feira-dia 13, e pediu para que o local não fosse revelado.

Em outubro passado, ela solicitou à Justiça de Alagoas medidas protetivas contra o deputado. Conforme mostrou a Folha, o ministro Luís Roberto Barroso, do STF (Supremo Tribunal Federal), decidiu enviar à Vara de Violência Doméstica do Distrito Federal acusações feitas por ela sobre Lira em uma ação de injúria e difamação de 2020.

MARIA DA PENHA – Jullyene pede o enquadramento de Lira na Lei Maria da Penha e necessidade de proteção urgente. Ele recorre da decisão de Barroso, baseada em pedido da Procuradoria-Geral da República para que o caso fosse enviado a um juizado de Violência Doméstica.

Na entrevista, ela chorou quatro vezes e disse que Lira, hoje candidato ao comando da Câmara com o apoio do presidente Jair Bolsonaro, a fez mudar o seu depoimento no processo em que afirmou ter sido agredida pelo deputado, em 2006. Após esse recuo, Lira foi absolvido em 2015.

“Me agrediu, me desferiu murro, soco, pontapé, me esganou”, disse. “Ele me disse que onde não há corpo, não há crime, que ‘eu posso fazer qualquer coisa com você’”, afirmou. “Aquilo era o machismo puro, o sentimento de posse.” Ela afirmou ainda ter sido usada como laranja. “Ele abriu uma empresa com meu nome e até hoje não tenho vida fiscal.”

A senhora entrou com um pedido de medida protetiva contra o deputado em outubro do ano passado. Por que fez isso?
Por causa de ofensas que ele me fez, por pessoas me procurando pedindo para eu mudar depoimentos, meus filhos [que estão com 14 e 21 anos] sendo usados contra mim. Ele fez alienação parental com os meninos. Não foi uma violência só física, como aconteceu anos atrás, foi psicológica, o que passo até hoje. É muito constrangedor.

Neste caso e no que acusa Lira de injúria no STF, a senhora anexou novamente as fotos do processo de lesão corporal que moveu contra o deputado, de 2006. Por que esse movimento só agora?
Porque existe uma coisa chamada consciência. Posso ter feito aquilo [mudar depoimento] na época porque, se não o fizesse, ele disse que iria tomar meus filhos de mim, porque quem tem o poder é ele e faz o que quer e desfaz. Ele disse: se você não desmentir isso, tiro os meninos de você. E agora eu estou sem os meus filhos porque ele tomou isso de mim.

O que aconteceu em 2006?
É muito doloroso lembrar. Porque ele era o pai dos meus filhos, saiu de casa porque já estava com uma pessoa há anos e aguentei aquela situação. De repente, saiu de casa, meu filho com 23 dias de nascido.

Ele foi à minha casa, quando abri a porta, me agrediu, me desferiu murro, soco, pontapé, me esganou. A minha sorte foi a babá do mais velho, que ouviu meus gritos e ligou para a minha mãe, que apareceu lá, mas eu estava desfalecendo já. Muito apanhada. Ele me chutou no chão, mas não queria falar disso porque dói tanto lembrar.

A situação toda durou 40 minutos. Ele parava, me xingava, me chamava de vagabunda e de outros nomes horríveis. Aquilo era o machismo puro, o sentimento de posse, que acho que tem até hoje. Tudo tem que estar no domínio dele, no comando dele, a arrogância e a prepotência. Ele é assim.

Houve testemunhas?
Minha mãe e meu irmão viram tudo. Fui na delegacia e no IML, que não estava funcionando nesse dia. Tive que ir no dia seguinte, logo cedo quando abriu. Foram a babá, o médico, e as pessoas que estavam lá [no IML]. É muito constrangedor, nenhuma mulher merecia passar por isso.

O deputado já tinha tido esse tipo de comportamento?
Só gritos, xingamentos, isso sim. Ele sempre foi destemperado, explosivo, mas nunca pensei que pudesse chegar a isso. A gente acha que vai acontecer, aí você recua, ou se cala, se tranca, corre, vai para o banheiro para não chegar às vias de fato. Porque ele é muito estúpido, quem conhece sabe, é ignorante. A sensação de que o poder dá mais força a ele.

E por que a senhora mudou o seu depoimento depois?
Porque fui ameaçada, coagida. Se depusesse dizendo o que tinha acontecido, ele ia tirar os meninos de mim. Ele foi muito claro. Depois disso, fiquei péssima. Imagina uma mulher ter que se calar diante de tudo o que falou e ser passada de mentirosa. Eu posso hoje até responder pela minha mentira e estou aqui. Mas prefiro ter a minha consciência limpa do que carregar isso que carrego até hoje. Da minha família contra mim, defendendo ele. Ninguém quer mais falar mais nada. Eu perdi meus filhos do mesmo jeito. Hoje não tenho mais nada.

Como foi feita essa ameaça?
Ele sempre manda alguém dar um recado ou fazer alguma coisa, dar um telefonema. Mas nesse caso ele foi lá na minha casa, entrou sem eu saber, acho que ninguém nem sabe disso, vai saber agora, em primeira mão, e me chamou para conversar e disse: “Veja bem o que você vai dizer, que eu resolvo a sua vida, mas você tem que me livrar disso”. Eu disse não, mas é o certo. Eu vou mentir? Aí ele deu um tapa na mesa e disse “ou você fala o que eu quero ou você vai perder os meninos porque quem manda aqui sou eu, o que eu quiser eu faço e aconteço. Ou você faz isso, ou nunca mais você vai ver seus filhos”.

Quando foi isso?
Uns dias antes de eu ser ouvida. A partir disso, meu advogado sumiu. E aí foram me buscar em casa, o motorista com o segurança e fui até lá. Eu fui levada. O advogado que me acompanhou foi do escritório dele, que defendia ele, disse o que era para eu falar ou quando falar. Eu era cutucada por debaixo da mesa. Depois disso, fiquei destruída porque não era eu ali. Foi muito constrangedor. Então não vou mais mentir em relação a isso. Entrei em depressão, fiquei sem norte.

Meses depois desse caso, a senhora registrou outro boletim de ocorrência contra o deputado por ameaça. O que aconteceu?
Ele disse que ia pegar os meninos de qualquer jeito e acabou, e não era dia de visita dele. Disse: “Você sai da minha frente que eu vou entrar”. Liguei para a polícia e denunciei de novo. Depois, consegui uma medida protetiva na Justiça, de não poder frequentar o mesmo local, ficar distante tantos metros.

A senhora também enviou um pedido de ajuda em janeiro do ano passado ao Ministério da Mulher.
Comecei desde 2019 a mandar vários emails denunciando, relatando o que estava passando, violência psicológica, física, patrimonial. Eu não saía de casa, quando saía era com uma turma de pessoas mais velhas. Porque eu tinha medo de andar na praia se chegasse algum sujeito, um flanelinha e me esfaqueasse. Como ele [Lira] disse, onde não há corpo não há crime, né?Ela devia se ater aos fatos e ao processo para poder falar alguma coisa. Ela está sendo leiga e desumana. Se isso está vindo a tona agora, não posso fazer nada. Então ela me respeite e, quando ela quiser saber da verdade, se atenha a ouvir os dois lados. Eu estou à disposição dela. Só não aceito usar o meu nome e dos meus filhos nacionalmente. Se tem acordo com ele, não me interessa, mas não use meu problema para alavancar nada.

Ele disse isso?
Ele me disse que onde não há corpo, não há crime, que “posso fazer qualquer coisa com você”. Nos auges da ira dele, ele fala isso. Isso foi logo quando a gente se separou e me agrediu. Eu também não dirigia carro, tenho medo. E batida de trânsito? Um acidente? Vem um cara, se estranha comigo e me mata? É o que mais a gente vê hoje em dia. Eu sou refém da minha própria casa. Não tenho mais paz.

E o que o ministério da ministra Damares [Alves] fez?
Fui ouvida numa audiência virtual em setembro do ano passado, para ver que não é coisa de agora. Disseram que iriam mandar a documentação necessária a cada setor, como PGR [Procuradoria-Geral da República], MP [Ministério Público] de Alagoas, voltar para a Vara de Família, que a gente sabe que não resolve nada e ficou por isso mesmo. Disseram que iriam entrar em contato e ficou por isso mesmo.

Por que a senhora diz que ele lhe tirou os seus filhos?
Ele não me deu mais condições de criar os meus filhos financeiramente a partir do momento em que corta a pensão. Fiquei com dívidas. Não queria esse tipo de confusão, só que infelizmente quando chega algum cargo que ele vai ocupar, todo mundo vai em cima. Luto para isso não é de agora, não é porque ele vai ser candidato a presidente da Câmara. Há anos que estou pleiteando isso. Ele me deve pensão de quase R$ 600 mil, que não é de agora.

A senhora também testemunhou em processos de corrupção envolvendo Lira, como o da Taturana, que mirou em esquemas de desvios na Assembleia Legislativa de Alagoas quando ele era deputado estadual. O que disse?
Que eu via os malotes de dinheiro chegando, via tudo. As reuniões, tudo que rolava, mas ele mandava eu sair. Ele dizia que o dinheiro vinha de venda de fazendas, gados, ou que era para ele comprar fazenda, que tinha recebido dinheiro de fulano. Às vezes ele me mandava contar para ver se estava certo.

A senhora também já afirmou que foi usada como laranja por Lira. Como foi isso?
Fui usada como laranja por ele. Foi uma empresa que ele me colocou como laranja junto com a esposa de outro deputado na época. Depois disso, eu não tenho mais vida fiscal, tributária. Respondo a causas trabalhistas, não posso ter conta em banco, nada.

E o esquema na Assembleia, como foi?
Foi um esquema que a gente recebia, como várias pessoas, e ninguém ia trabalhar. Ele que me colocou lá, era o primeiro secretário. Eu estava lotada no gabinete dele e já era casada com ele. Ele tirou empréstimos inclusive usando nomes de outras pessoas, como o meu, usando como pagamento o meu salário.

Reportagem da Folha sobre o seu processo ter sido enviado à Vara de Violência Doméstica de Brasília foi criticada por uma deputada da base do governo, Carla Zambelli (PSL-SP), que chamou de fake news.
Ela devia se ater aos fatos e ao processo para poder falar alguma coisa. Ela está sendo leiga e desumana. Se isso está vindo a tona agora, não posso fazer nada. Então ela me respeite e, quando ela quiser saber da verdade, se atenha a ouvir os dois lados. Eu estou à disposição dela. Só não aceito usar o meu nome e dos meus filhos nacionalmente. Se tem acordo com ele, não me interessa, mas não use meu problema para alavancar nada.

Em nota assinada por seu advogado, o deputado Arthur Lira (PP-AL), candidato à presidência da Câmara, afirma que o conteúdo das declarações de sua ex-mulher Jullyene Lins é “requentado” e que ele foi absolvido das acusações dela pelo STF (Supremo Tribunal Federal).

“O resultado deste processo é de conhecimento público, inclusive, por parte deste veículo de comunicação, de forma que, a repetição e veiculação da falsa acusação, atrai a responsabilidade penal e cível não só de quem a pratica, mas também de quem a reproduz, ante a inequívoca ciência da sua falsidade”, disse nota assinada pelo advogado Fábio Ferrario.

CAMINHO DA JUSTIÇA – “Quanto à questão de aspecto familiar, o deputado Arthur Lira não se pronuncia, uma vez que buscou o caminho da justiça para dissolver quaisquer dúvidas sobre o assunto, até porque o único fórum competente para dirimir dúvidas tais e não as páginas de jornais”, ressaltou o advogado.

A nota diz ainda que o deputado “jamais cometeria a indelicadeza de atrasar pensão e, sendo senhor de sua consciência e atos, não se dobra à publicidade opressiva, praticada como forma de intimidação para submetê-lo ao indevido”.

Procurado pela Folha sobre as declarações de Jullyenne, o Ministério da Mulher, da Família e dos Direitos Humanos afirmou que em “atenção ao disposto na Lei de Proteção a Dados Pessoais (nº 13.709/2018), não é possível confirmar, negar ou prestar qualquer esclarecimento sobre a situação mencionada”.

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ÍNTEGRA DA NOTA DO ADVOGADO DE LIRA:

“O deputado Arthur Lira surpreende-se com o conteúdo requentado da matéria, já por vezes publicada. Assinala que se defendeu da infundada acusação de violência doméstica perante o Supremo Tribunal Federal e foi absolvido, com trânsito em julgado. O resultado deste processo é de conhecimento público, inclusive, por parte deste veículo de comunicação, de forma que, a repetição e veiculação da falsa acusação, atrai a responsabilidade penal e cível não só de quem a pratica, mas também de quem a reproduz, ante a inequívoca ciência da sua falsidade. Por igual, declara que foi absolvido das acusações outras tratadas no corpo do e-mail, sendo decorrente a atração da responsabilidade penal de quem o acusa por fato que já inocentado ante a justiça. Quanto à questão de aspecto familiar, o Dep Arthur Lira não se pronuncia, uma vez que buscou o caminho da justiça para dissolver quaisquer dúvidas sobre o assunto, até porque o único fórum competente para dirimir dúvidas tais e não as páginas de jornais. Assinala por fim, que jamais cometeria a indelicadeza de atrasar pensão e, sendo senhor de sua consciência e atos, não se dobra à publicidade opressiva, praticada como forma de intimidação para submetê-lo ao indevido”

Bolsonaro finge surpresa, mas foi informado previamente sobre demissões no Banco do Brasil

Bolsonaro reforça fritura de Guedes, mas ministro deve insistir no cargo -  26/08/2020 - UOL Economia

Bolsonaro mandou demitir e Guedes fingiu não ter ouvido

Vicente Nunes
Correio Braziliense

Além do ministro da Economia, Paulo Guedes, integrantes do alto escalão do Palácio do Planalto tiveram acesso ao projeto de reestruturação do Banco do Brasil, que prevê a demissão voluntária de 5 mil empregados e o fechamento de 361 pontos de atendimento. Não foi a surpresa, portanto, para ninguém do governo, o enxugamento pelo qual a instituição passará.

A repercussão negativa do anúncio da reestruturação do Banco do Brasil, no entanto, incomodou a ala política do Palácio do Planalto e o presidente Jair Bolsonaro, que, agora, se diz surpreso e ameaça demitir o presidente do BB, André Brandão.

NÃO HOUVE SURPRESAS – “Sabíamos que, quando a reestruturação fosse anunciada, haveria reações negativas tanto no campo político quanto no sindical. Mas que fique claro: todas as propostas seguiram os trâmites exigidos por lei. Não há motivo para alguém do governo se dizer surpreso”, afirma um executivo do BB.

Para ele, ficou claro, com todas as justificativas apresentada, que o Banco do Brasil precisa passar por mudanças profundas para se adaptar às mudanças pelas quais o mercado bancário está vivendo. O BB sofre muito com as amarras de ser um empresa com controle estatal. Por isso, precisa ser mais agressivo.

REESTRUTURAÇÃO – A perspectiva é de que, se nada mudar no meio do caminho, o processo de reestruturação do Banco do Brasil ocorra ainda neste primeiro semestre do ano. A economia prevista somente em 2021 é de mais de R$ 350 milhões. O BB já avisou que outras medidas para a sua modernização estão a caminho.

O Palácio do Planalto confirmou que o presidente Jair Bolsonaro pediu a demissão do presidente do Banco do Brasil ao ministro da Economia, Paulo Guedes. Porém, não haverá demissão no momento, já que a equipe econômica está tentando reverter a medida.

AÇÕES DESABAM – A ameaça de demissão fez as ações do Banco do Brasil desabarem quase 5% no pregão de quarta-feira, pois foi vista pelo mercado como uma interferência política na instituição financeira. Por isso, tem sido alvo de protestos do ministro Paulo Guedes e do presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto, que indicou Brandão para o comando do BB.

O Planalto confirmou que a equipe econômica está tentando reverter a demissão de Brandão. Porém, deixou claro o impasse entre Guedes e Bolsonaro nesta questão. “O ministro tem que vir aqui, ainda não veio”, comentou uma fonte, ao ser questionada sobre a possibilidade de o chefe da equipe econômica conseguir fazer o chefe do Executivo mudar de ideia.

Como é réu, Lira não entra na linha sucessória da Presidência se vencer a eleição na Câmara

Arthur Lira é um candidato sem ficha de bons antecedentes

André de Souza
O Globo

Se for eleito presidente da Câmara em fevereiro, Arthur Lira (PP) não poderá ocupar um posto na linha sucessória da Presidência da República e assumir o cargo temporariamente em caso de ausência de Jair Bolsonaro e do vice, Hamilton Mourão.

A Constituição determina que o presidente da Câmara é o sucessor seguinte, mas, em julgamento ocorrido em 2016, o plenário do Supremo Tribunal Federal (STF) deliberou que réus não podem assumir a Presidência da República. Lira responde a duas ações penais no Supremo.

FORA DA SUCESSÃO – Em 7 de dezembro de 2016, o STF definiu que políticos que são réus podem assumir a Presidência da Câmara ou do Senado, mas ficam fora da linha sucessória da Presidência. À época, houve duas ações no STF questionando os casos de Eduardo Cunha e Renan Calheiros, que presidiram Câmara e Senado naquele ano.

No caso de Renan, o ministro Marco Aurélio Mello chegou a dar uma liminar afastando o senador da presidência da Casa após virar réu. Renan recusou-se a receber e cumprir a liminar, e recorreu à Corte. O plenário então definiu, de forma liminar, a regra que vigora até hoje: um político réu pode ser presidente de Casa Legislativa, mas não ocupar a Presidência da República.

Essa decisão também é liminar, ou seja, é provisória. O julgamento definitivo ainda não ocorreu.

NÃO É SUBSTITUTO — “Pela dicção do Supremo, [réu] pode estar na cadeira de presidente da casa legislativa, só que aí não substitui [o presidente da República]. Não substituindo, passa-se ao seguinte, no caso o presidente do Senado. Se o presidente do Senado também estiver a responder processo, passa-se ao presidente do Supremo” — diz Marco Aurélio.

O advogado de Lira, Pierpaolo Bottini, já em 2016 criticou a decisão do STF. Ele mantém sua opinião:

“O presidente da República, realmente, se tiver uma ação penal recebida, fica afastado do cargo. Mas se tiver uma ação penal recebida por um ato praticado no exercício das funções. No caso de Arthur Lira, a ação penal é recebida por um fato evidentemente sem nenhuma relação com eventual sucessão do presidente da República”.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
Somente uma nação sem vergonha na Câmara pode eleger um presidente da Câmara que seja réu de processo criminal. São 513 deputados, presume-se que haja um ou outro livre de ação que possa assumir o cargo, sem esse vexame. (C.N.)

Sob a “justificativa” de precariedade do modelo, PGR inicia transição para extinção das forças-tarefas da Lava Jato

Charge do Zé Dassilva (Arquivo do Google)

José Marques
Folha

Sete anos após o início da Lava Jato, o modelo de forças-tarefas deve deixar de ser utilizado nas investigações da operação ainda em 2021, sob entendimento da PGR (Procuradoria-Geral da República) de que ele é instável e frágil institucionalmente. A ideia é que a partir deste ano as decisões sobre as equipes que tocarão as investigações oriundas da operação fiquem mais descentralizadas, geridas nos próprios estados, e menos dependentes da chefia do Ministério Público Federal em Brasília.

Na prática, a extinção dessas forças-tarefas também pode diminuir a eficiência das apurações ligadas à Lava Jato e a abertura de novos flancos nas investigações, cujo ritmo já vem reduzindo no último ano. Procuradores que integram os grupos têm dito que o modelo das forças-tarefas e a dedicação exclusiva foram essenciais para desvendar esquemas complexos de crimes de colarinho branco e para a recuperação em escala inédita de dinheiro desviado dos cofres públicos.

NOVO MODELO – No entanto, a PGR tem avaliado que a manutenção dessas equipes de procuradores por um longo tempo pode ser institucionalmente prejudicial ao Ministério Público Federal e tenta restabelecer uma organização similar ao período pré-2014. Primeiro, porque considera que o formato tem precariedades. A forças-tarefas têm tempo e estruturas pré-determinadas e acabam dependendo do procurador-geral para serem adiadas ou expandidas.

Por isso, há a avaliação de que elas poderiam atuar de maneira artificial, incorporando investigações diversas, para estender o seu período de atuação. A intenção é evitar que conjuntos de procuradores com o objetivo de atuar em apurações específicas acabem quase virando setores próprios dentro do MPF.

“DESFALQUE” – Além disso, parte dos integrantes que compõem as forças-tarefas são procuradores lotados originalmente em municípios de pequeno ou médio porte, que se voluntariam e podem acabar desfalcando seus locais de trabalho. Os sucessivos adiamentos de investigações pode atrasar o retorno desses procuradores.

Outro argumento é que procuradores insatisfeitos podem renunciar às suas funções nas forças-tarefas sem ter concluído seus trabalhos, o que criaria mais instabilidade ao modelo.

A PGR tem avaliado ainda que os constantes esforços para manter as forças-tarefas atuando pode implicar em desconfiança dos acusados sobre o trabalho do Ministério Público Federal —por exemplo, se estão sendo acionados porque os procuradores têm convicção das acusações ou só querem justificar a manutenção das forças-tarefas.

DECLARAÇÕES – Essas insatisfações têm aparecido tanto em despachos como em declarações públicas do procurador-geral da República, Augusto Aras, como do vice-procurador-geral, Humberto Jacques de Medeiros.

Paulatinamente, as investigações sobre crimes de colarinho branco que estão sob a responsabilidade das forças-tarefas serão absorvidas por Gaecos (grupos de atuação de combate ao crime organizado), estruturas de investigação permanentes.

Normalmente, os procuradores que atuam nesses Gaecos não têm exclusividade nas investigações, embora isso possa acontecer em casos excepcionais. A decisão para isso, porém, fica mais ligada ao comando do MPF nos estados do que à PGR.

RESULTADOS – As forças-tarefas, por outro lado, têm afirmado repetidamente que conseguiram produzir resultados inéditos no Ministério Público Federal e que suas investigações podem acabar nas mãos de procuradores que só querem “sanear o estoque” — ou seja, se livrar das investigações mais complexas sem fazer análise profunda delas.

O modelo atual começou a ser esvaziado após Aras se tornar procurador-geral da República, em 2019, indicado pelo presidente Jair Bolsonaro (sem partido).

Bolsonaro rompeu uma tradição que vem desde 2003, de escolha de um PGR que conste na lista tríplice votada pela ANPR (Associação Nacional dos Procuradores da República), da qual Aras não fazia parte. Em 2020, as forças-tarefas da Lava Jato e também da Greenfield, que atua em Brasília e investiga desvios bilionários em fundos de pensão, começaram a serem esvaziadas.

IMPLOSÃO – Em São Paulo, uma mudança interna levou à implosão da Lava Jato no estado, que investigava principalmente suspeitas de irregularidades em governos do PSDB no estado. A saída do grupo aconteceu por insatisfações com uma colega, a procuradora Viviane Martinez. Apesar de ser oficialmente a titular do setor que cuida dos casos da Lava Jato (chamado de 5º Ofício), ela não fazia parte da força-tarefa e não trabalhava nas investigações relacionadas à operação.

No entanto, os procuradores disseram que ela vinha interferindo nos trabalhos.Os procuradores esperavam apoio da PGR para que pudesse haver a troca de Viviane por outro procurador, mais alinhado às investigações, o que não ocorreu. Eles pediram desligamento da força-tarefa e não foi formado um novo grupo para analisar os casos que ficaram pendentes.

Em Curitiba, a força-tarefa original da Lava Jato teve os seus trabalhos estendidos até outubro de 2021, mas foi retirada a exclusividade da maioria dos procuradores que atuam no caso. Apenas 3 dos 13 continuam se dedicando integralmente à operação e os demais acumularão funções. Na avaliação de procuradores, isso é prejudicial às apurações em curso. A Lava Jato do Paraná investiga casos relacionados à Petrobras e foi responsável pelas acusações que levaram o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) à prisão.

REDE DE DOLEIROS – No Rio, principal desdobramento da Lava Jato, que entre outras investigações desmontou uma rede de doleiros que atuava no país, a força-tarefa foi prorrogada até 31 de janeiro. Já em relação à Greenfield, a coordenação da força-tarefa passou a ser do procurador Celso Três, após Anselmo Lopes se afastar do cargo, justificando que havia falta de apoio de Aras.

Ao assumir, Três enviou uma proposta à PGR que na prática encerraria as investigações em andamento e concentraria os casos na Polícia Federal, segundo o jornal O Globo. Na proposta, ele disse que não estava lá “para trabalhar muito” —depois justificou que era uma ironia.

Bolsonaro “reclama” e diz que é hora de “parar de politizar” tratamento precoce à Covid-19

Bolsonaro disse que trabalha muito e que é um desafio ser presidente

Ingrid Soares
Correio Braziliense

O presidente Jair Bolsonaro afirmou nesta quinta-feira, dia 14, que o tratamento precoce contra a covid-19 está sendo politizado. A declaração foi feita a apoiadores na saída do Palácio do Alvorada “Estamos com problema sério em Manaus. Tratando à noite, de madrugada. Agora tivemos a informação, não sei se é verdadeira, vou confirmar se é verdadeira ainda. O PSOL teria entrado com uma ação na Justiça para que os prefeitos não deem tratamento precoce ao pessoal que procurar a saúde. Se for verdade isso aí, pelo amor de Deus. Acho que está na hora de parar de politizar esse negocio, aí”, apontou, completando que recebeu no começo da manhã a visita do ministro da Saúde, Eduardo Pazuello.

O mandatário defende o uso de medicamentos sem comprovação científica como ivermectina, Annita e hidroxicloroquina no surgimento inicial de sintomas do novo coronavírus.Em um ofício enviado à Secretária de Saúde de Manaus, o Ministério da Saúde pressionou a gestão municipal a utilizar medicamentos antivirais orientados pela pasta contra a covid-19.

SEM COMPROVAÇÃO – A Sociedade Brasileira de Infectologia (SBI) já afirmou que não há comprovação de eficácia das medicações citadas acima no tratamento contra a covid-19. Em novembro, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) apontou que as substâncias mencionadas são indicadas apenas para o tratamento dos males e sintomas especificados na bula.

A apoiadores que pediram que Bolsonaro gravasse vídeos para familiares, o presidente que costuma ser solícito com a claque, visivelmente incomodado, se desculpou, mas rebateu que “estava com pressa” e com “muita coisa para fazer”. “Estou com muita pressa. Estou com muita coisa para fazer. Vai demorar se eu gravar. Não vai dar tempo”, justificou.

O chefe do Executivo também falou sobre o desafio de ser presidente da República. “Tem gente que acha que ser presidente, ser governador, prefeito, é para comemorar. Não é para comemorar. É um tempo que você vai passar trabalhando, se você quiser, obviamente, trabalhando para o próximo. Não é fácil”, apontou.

BANCO DO BRASIL –  Bolsonaro evitou responder a um outro apoiador durante a manhã. O homem questionou o mandatário sobre a veracidade a respeito da demissão do presidente do Banco do Brasil, André Brandão que tomou posse há menos de quatro meses.

“Presidente, é verdade que o presidente do Banco do Brasil vai ser demitido?”. No entanto, o mandatário se limitou a lançar um olhar sério ao bolsonarista e decidiu ignorar a questão.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG 
Realmente, ser presidente não é mole. Mas isso pode ser dito por um mandatário que tenha responsabilidade em tentar, ao menos, equacionar as demandas diuturnas. O que não é o caso de Bolsonaro e sua trupe. O trabalho que tem há mais de três décadas consiste em espalhar falsas narrativas, criar imbróglios, culpar terceiros pela sua incapacidade ou fazer gol contra. Fora isso, nada mais o ocupa. Desafio, na verdade, é entender como Bolsonaro foi parar na cadeira presidencial. Tinha opção menos pior e o Brasil não merecia passar por isso. (Marcelo Copelli)

Nova condenação de Cabral outros corruptos mostra que a Lava Jato ainda está viva

Ex-governador do Rio| VEJA

Desta vez, Cabral foi condenado a mais 11 anos de prisão

Deu no Correio Braziliense
Agência Estado

O juiz Marcelo Bretas, da 7ª Vara Federal Criminal do Rio de Janeiro, condenou o ex-governador Sérgio Cabral a mais 11 anos e 3 meses de prisão por corrupção passiva no processo aberto a partir das investigações da Operação C’est Fini, desdobramento da Lava Jato fluminense.

A decisão incluiu ainda o ex-secretário de Governo, Wilson Carlos (14 anos e 2 meses de prisão), o ex-presidente do Departamento de Estradas de Rodagem do Rio (DER-RJ), Henrique Ribeiro (20 anos, 9 meses e 25 dias de prisão), o chefe de gabinete dele, Lineu Martins (16 anos, 6 meses e 25 dias de prisão) e o suposto operador financeiro do grupo, Luiz Carlos Bezerra (7 anos e 9 meses de prisão).

OBRAS RODOVIÁRIAS – De acordo com a denúncia da Lava Jato, os agentes públicos receberam R$ 18,1 milhões em propina para beneficiar a empreiteira União Norte Fluminense Engenharia em obras de rodovias estaduais administradas pelo DER-RJ.

Segundo a força-tarefa, o dinheiro foi pago em espécie em troca de contratos para a pavimentação da RJ 230 e de estradas no norte fluminense, para a conservação do município de São Fidélis e para obras da RJ 220 e RJ 186.

A empresa fechou acordo de leniência com a força-tarefa e admitiu o esquema, que teria funcionado durante os dois mandatos de Cabral.

RECORRER EM LIBERDADE – Nos termos da sentença, os condenados que estão soltos poderão recorrer em liberdade. Preso desde novembro de 2016, Sérgio Cabral acumula 17 sentenças que somam mais de 332 anos de cadeia.

O advogado Márcio Delambert, que defende Sérgio Cabral, disse que “a sentença reconheceu a condição do ex-governador como colaborador da justiça, mas a defesa vai recorrer pois não concorda com as penas aplicadas.”

Até a publicação desta matéria, a reportagem buscou contato com as defesas dos demais réus, mas sem sucesso. O espaço permanece aberto a manifestações.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
Como se vê, a Lava Jato ainda não morreu, apesar da campanha dos três Poderes para destruí-la. A Lava Jato é como o Samba, na genial criação do mangueirense Nelson Sargento: “Samba, agoniza mas não morre, alguém sempre te socorre, antes do suspiro derradeiro”. Todos os brasileiros que ainda têm um mínimo de dignidade precisam lutar pela Lava Jato, como fazemos aqui na Tribuna da Internet. (C.N.)

Interlocutores do governo afirmam que demissão do presidente do BB está indefinida: “Não há decisão tomada”

Bolsonaro quer demitir Brandão após proposta de enxugamento

Valdo Cruz
G1

Apesar do fato relevante encaminhado pelo Banco do Brasil ao mercado, dizendo que a direção da instituição não recebeu nenhum comunicado oficial do seu acionista controlador sobre uma possível demissão de André Brandão, a situação dele segue indefinida.

Assessores presidenciais ouvidos pelo blog disseram que “não há uma decisão tomada” sobre o assunto e que o presidente Jair Bolsonaro realmente não gostou do anúncio de medidas de enxugamento, com corte de agências e de funcionários, neste momento de alta do desemprego.

PRESSÃO – Segundo um auxiliar presidencial, Bolsonaro pressiona para que o plano seja suspenso, ou pelo menos adiado, para evitar coincidir, inclusive, com esse momento de negociações para as eleições dos novos presidentes da Câmara e Senado. Parlamentares estão reclamando do fechamento de agências em suas bases eleitorais. Caso contrário, o presidente quer a troca no comando do banco.

A reação do presidente desgasta a equipe do ministro da Economia, Paulo Guedes, que deu aval às medidas anunciadas pelo presidente do BB, André Brandão, que assumiu a instituição exatamente com a missão de tornar o banco mais competitivo e mais rentável, o que passaria por um enxugamento de sua estrutura.

NOS BASTIDORES – Guedes age nos bastidores para evitar a demissão de André Brandão, que foi mal recebida pelo mercado. Afinal, mostraria uma interferência política do presidente nas decisões do banco público e mais um enfraquecimento da agenda liberal do governo.

Isso, por sinal, havia sido prometido pelo presidente como algo que não iria acontecer no seu governo, que ele não iria interferir politicamente nas decisões das estatais federais. A reação de Bolsonaro vai exatamente no sentido contrário, o que contraria a equipe econômica.

Juiz anula provas contra investigados por propinas a Guido Mantega e Antônio Palocci

Provas foram colhidas pela Lava Jato no âmbito da Carbonara Chimica

Rayssa Motta e Fausto Macedo
Estadão

O juiz Marcus Vinicius Reis Bastos, da 12ª Vara Federal Criminal do Distrito Federal, anulou as provas colhidas pela força-tarefa da Lava Jato no âmbito da Operação Carbonara Chimica. Fase 63 da Lava Jato aberta em agosto de 2019, a ação mirou suspeitas de propinas aos ex-ministros Antônio Palocci e Guido Mantega (Fazenda/Governos Lula e Dilma) em troca da edição de Medidas Provisórias favoráveis a Odebrecht e ensejou a formalização de uma denúncia contra os petistas e executivos da empreiteira.

Na avaliação do magistrado, como o juízo da 13ª Vara Federal de Curitiba, responsável por processar a investigação, foi declarado incompetente pelo Supremo Tribunal Federal para cuidar do caso, o material não pode ser compartilhado com outras apurações em curso, como pleiteava o Ministério Público Federal.

ILÍCITAS – As provas colhidas com supedâneo em decisões judiciais cuja nulidade fora reconhecida pelo Supremo Tribunal Federal, por isso que proferidas por Juízo incompetente, são ilícitas, não produzindo efeito algum”, diz um trecho do despacho expedido na última sexta-feira, dia 8.

Na mesma decisão, o magistrado liberou bens e valores do ex-ministro Guido Mantega, dos ex-executivos da Odebrecht, Maurício Ferro e Newton Souza, do advogado Nilton Serson e do ex-presidente da Braskem, Bernardo Gradin. Para o juiz, a manutenção do bloqueio constituiria constrangimento ilegal. Os documentos e objetos apreendidos na operação também devem ser devolvidos.

Em dezembro, Marcus Vinicius Reis Bastos já havia rejeitado a denúncia apresentada contra parte do grupo na esteira da investigação.

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COM A PALAVRA, O ADVOGADO CELSO VILARDI, QUE DEFENDE NILTON SERSON

“A referida Operação foi inequivocamente excessiva, atingindo inapropriadamente direitos individuais. Não havia qualquer razão para a decretação de medidas extremas, máxime por um Juízo que não detinha a competência nos termos legais. Dessa forma, a correta decisão do Magistrado, anulando todas as medidas, inclusive a própria busca e apreensão, começa a reestabelecer o Estado de Direito.”

Empresário reafirma acusações de corrupção contra Witzel e menciona reunião com Mandetta

Torres prestou depoimento nesta 4ª feira ao Tribunal Especial Misto

Fabio Grellet
Estadão

O empresário Edson Torres, que confessou à Justiça ter participado de desvios de verba durante a gestão do governador afastado do Rio de Janeiro, Wilson Witzel (PSC), prestou depoimento nesta quarta-feira, dia 13, ao Tribunal Especial Misto responsável pelo processo de impeachment contra o governador afastado.

Torres reafirmou acusações de corrupção contra Witzel e mencionou uma reunião entre o então ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta, e o então secretário estadual de Saúde do Rio, Edmar Santos, em que teria sido feito um pedido para que uma entidade que gerenciava um hospital estadual e era alvo de muitas reclamações não fosse afastada da função. Witzel nega as acusações. Procurado, Mandetta não se manifestou sobre essa suposta reunião.

REUNIÃO –  “No início de 2019, falávamos da incapacidade de gestão do Iabas no (Hospital Estadual) Adão Pereira Nunes, que seria necessário retirá-lo. Depois de 15 dias, (o então secretário estadual de Saúde) Edmar voltou de uma reunião em Brasília com o (então) ministro Mandetta. Ele disse que lá, no gabinete do Mandetta, foi apresentado ao (Roberto) Bertholdo (advogado do Iabas), e que pediu para poder fazer uma gestão para manter o Iabas”, disse Torres.

O Estadão procurou o ex-ministro Mandetta para ouvir sua versão a respeito da afirmação de Torres, mas até a publicação desta reportagem ele não havia se manifestado. A reportagem não conseguiu localizar representantes de Roberto Bertholdo, que foi preso durante a Operação Tris In Idem, realizada em agosto de 2020 e que afastou Witzel do cargo.

Os problemas na administração do Hospital Adão Pereira Nunes, gerenciado pelo Iabas, foram denunciados por vários profissionais, e mesmo assim a organização social foi escolhida sem licitação, no início da pandemia de covid-19, para gerir sete hospitais de campanha, recebendo por isso R$ 835,8 milhões.

ESQUEMA – Segundo Torres, a entidade não participava de esquema de corrupção antes disso, mas após a contratação para gerenciar os hospitais de campanha ela seria procurada para ingressar no esquema. O empresário diz ter ouvido essa informação do então secretário Edmar Santos. “Na época ficou acertado que iria conversar com o Iabas para uma possível participação de propina neste grande contrato. Logo depois eu adoeci e fiquei afastado. Quando voltei, tudo estava sendo falado pela imprensa”, disse nesta quarta-feira.

Witzel é acusado de envolvimento nas fraudes para a contratação do Iabas. Após problemas na construção dos hospitais de campanha, ele afastou a entidade da gestão dessas unidades de saúde, e nega ter participado de qualquer esquema de corrupção.

PROCESSO – O processo de impeachment contra Witzel, que começou em novembro de 2020, teria que terminar até maio próximo, mas o prazo está interrompido porque o governador afastado precisa ser ouvido, e ele só quer falar depois de conhecer os termos da delação premiada firmada pelo seu ex-secretário de Saúde Edmar Santos.

O conteúdo dessa delação, no entanto, ainda não liberada para conhecimento público pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ). Por enquanto não há previsão para que o processo contra Witzel termine.

Legendas indecisas são alvos de Bolsonaro e Maia em disputa acirrada pela em sucessão na Câmara

Bolsonaro e Maia atuam em busca de voto no PTB e no Solidariedade

Gustavo Uribe, Daniel Carvalho e Julia Chaib
Folha

Em uma disputa cada vez mais acirrada pelo comando da Câmara dos Deputados, os presidentes Jair Bolsonaro (sem partido) e Rodrigo Maia (DEM-RJ) iniciaram uma queda de braço pelo apoio de duas siglas que ainda não anunciaram posição oficial.

O PTB, de Roberto Jefferson, e o Solidariedade, de Paulinho da Força, pretendem anunciar na próxima semana se apoiarão Arthur Lira (PP-AL), aliado de Bolsonaro, ou Baleia Rossi (MDB-SP), candidato de Maia. As duas bancadas têm, juntas, 25 integrantes.

TRAIÇÕES – Apesar do número não ser alto, o apoio delas, na avaliação dos dois blocos partidários, tornou-se crucial diante da expectativa alta de traições na disputa legislativa, já que a votação para a sucessão de Maia é secreta.

Nesta quarta-feira, dia 13, a convite de Bolsonaro, cinco parlamentares do PTB foram ao Palácio do Planalto. O presidente intensificou o contato com deputados e senadores a duas semanas das eleições para o comando das duas Casas.

Segundo relatos de presentes, o presidente fez questão de abordar no encontro a sucessão de Maia e reforçou que seu candidato é Lira. Ele, no entanto, não chegou a fazer um pedido direto de apoio fechado da bancada da legenda ao seu candidato.Nesta quarta-feira, também, Bolsonaro falou pelo telefone com Jefferson e tratou do tema. O presidente nacional do PTB é favorável ao apoio a Lira, mas a bancada federal, segundo integrantes do partido, está dividida entre os dois candidatos.

PRESSÃO – Desde o início da semana, Bolsonaro tem feito pressão pública por apoio a Lira, principalmente sobre a bancada ruralista da qual o deputado federal Paulo Bengston (PTB-PA), que participou do encontro com o presidente nesta quarta-feira (13), faz parte.

Na reunião no gabinete presidencial, os deputados presentes reforçaram convite para que Bolsonaro ingresse no PTB, sugestão já feita por Jefferson. Em tom de brincadeira, o mandatário disse que, diante da pressão, acabaria se filiando à legenda.

O bloco de Baleia também tem conversado com deputados do PTB na tentativa de convencê-los a apoiar o candidato do MDB. Segundo relato feito à Folha, Maia também chegou a discutir com integrantes da legenda o assunto.

ALVO DE DISPUTA – Além do PTB, outra sigla que também tem sido disputada é o Solidariedade. O partido marcou reunião na próxima segunda-feira, dia 18, para definir uma posição. Hoje, a cúpula da legenda é favorável a um apoio a Baleia, mas a bancada federal está dividida.Na terça-feira, dia 12, Maia e Baleia tiveram uma conversa com Paulinho para discutir o assunto. Em sentido contrário, auxiliares palacianos têm procurado deputados do Solidariedade para convencê-los a endossar a candidatura de Lira.

As conversas oficiais com o Solidariedade têm sido conduzidas, no bloco de Lira, pelo próprio candidato e pelo deputado federal Marcelo Ramos (PL-AM), aliado do líder do centrão. A ordem, no entanto, é para que não seja feito nenhum movimento que crie animosidade com Paulinho.

O bloco de Lira acredita que, apesar da posição da cúpula da sigla a favor de Baleia, a maioria da bancada federal tende a se posição a favor de Lira na reunião da próxima semana. Para eles, um anúncio do PTB também é questão de tempo.

RESPALDO – Hoje, Baleia conta com o apoio de um conjunto de partidos que soma 278 parlamentares. Já Lira tem o respaldo de siglas que totalizam 206 parlamentares. A sinalização de apoio, no entanto, não significa a adesão completa da bancada da sigla à chapa eleitoral.

Isso porque elas só se tornam oficiais após o registro da candidatura, na véspera da votação, e podem mudar de postura até lá. Além disso, pode haver traições de deputados à decisão oficial da bancada.Os cálculos dos blocos de Lira e de Baleia é de que, hoje, há um percentual de risco de defecção de pelo menos 20%.

Ou seja, que no mínimo 1/5 dos deputados federais que formam cada grupo partidário podem votar no candidato adversário. Para evitar traições, tanto Lira como Baleia têm trabalhado para reduzir esse percentual a 10%.

No meio da mediocridade, surge o nome de Simone Tebet para dar um alento aos brasileiros

Simone Tebet: governo falar em imposto novo polui o debate da reforma  tributária – ES Brasil

Simone Tebet sofre restrições por defender a Lava Jato…

Vicente Limongi Netto

Em artigo do dia 6, aqui na “Tribuna da Internet”, fiz uma triste constatação. Infelizmente nada para alterar – a politicalha grassa e emporcalha o Brasil. O ano novo chegou anunciando que logo seria quebrado assustador recorde de 200 mil mortos pela covid. Amarguras e decepções do ano velho insistem em perdurar em 2021.

Mas há uma notícia positiva. O MDB decidiu lançar Simone Tebet para disputar a presidência do Senado e do Congresso. Ela tem o DNA da boa política. Filha do ex-senador Ramez Tebet, que presidiu com galhardia e respeito o Senado da República. Simone é qualificada para a missão. Mas precisa correr contra o tempo.

PODEMOS E PSDB – Não acredito que o Podemos de Alvaro Dias, e o PSDB, de Tasso Jereissati, adotem a política do entreguismo e da vassalagem decidindo apoiar Rodrigo Pacheco, candidato do obscuro Alcolumbre e do sábio de barro, Bolsonaro.

O MDB tem gloriosas vitórias em memoráveis lutas políticas. É preciso unir forças com Simone Tebet, para o Senado voltar a ser altivo e firme. Apoiando projetos do governo que sejam do interesse coletivo. Decisão que valoriza a atividade política. Sem respingar jamais na subserviência.

ANÁLISES SÓRDIDAS –  Evidente que Trump pegou pesado, incitando o quebra-quebra e a invasão do Capitólio. Mas é inacreditável o arsenal de sordidez, torcida, ódio, rancor e destempero dos notáveis analistas de meia pataca da Globonews. Nesta quarta-feira, o jornalismo isento foi jogado no lixo, por editores, apresentadores, repórteres, tradutores e analistas.

Armaram uma arquibancada colossal e tome paulada no ainda presidente. Inacreditável. Jornalismo de esgoto. Trump pagará por seus pecados. Mas foi um presidente que lutou pela soberania dos Estados Unidos. Deixou a economia em ordem. Combateu terroristas. Valorizou a cidadania. O jogo ainda não acabou para Trump.

No Senado ele dobrará aqueles que o querem ver pelas costas. A verdade é que o legado político de Donald Trump incomoda seus desafetos e adversários. Pode ser até que Trump pegue leve, seja ponderado com eventuais erros do seu sucessor. Apesar dos traidores do Partido Republicano, na Câmara dos Deputados, Trump não pode ser considerado carta fora do baralho na política norte-americana.

MUNDO JOVEM – O novo livro do pensador italiano, Domenico de Masi, ” O mundo ainda é jovem”, chega em boa hora. O título da obra é sugestivo e estimulante para o Brasil e para os brasileiros: “É importante ter coragem”, exorta De  Masi. 

Saiba ele que milhões de brasileiros  dormem vestidos de coragem para enfrentar as adversidades do dia seguinte. Coragem para enfrentar a covid; coragem para tentar conseguir emprego; coragem para enfrentar a bandidagem e a insegurança que tomaram conta do país; coragem para sofrer e ser humilhado nos postos de saúde e hospitais em busca de atendimento médico; coragem para repudiar o racismo e a homofobia; coragem para viver em barracos que são destruídos  pelas enxurradas; coragem para enfrentar o assédio moral e sexual; coragem para andar em ônibus imundos e caindo aos pedaços; coragem para multiplicar diariamente o alimento escasso para os filhos; coragem para se indignar com os governantes ruins e corruptos; e, por fim, ter força e  coragem para, através do voto, mandar para o inferno, de uma vez por todas,  a cambada  de maus políticos que, com a maior cara lambida,  mentem,  desapontam e infelicitam os brasileiros.

ENEM E GERSON – Milhares de estudantes passaram o ano se “matando” para as provas do ENEM. E o MEC insiste pela realização dos exames. Pelo jeito o governo quer que a covid mate literalmente os jovens, aumentando o assustador e trágico número de mais de 205 mil mortos no Brasil.

Por fim, enquanto a maioria dos jornais, digitais e impressos, e televisões se omitiu, mostrando desrespeito, ingratidão e injustiça com o ex-atleta e cidadão, o programa “Bem,amigos”, no canal SporTV deu exemplar lição de bom jornalismo, homenageando os 80 anos de idade do cerebral Gerson Nunes, o “canhotinha de ouro” do tri. Pobre e melancólico Brasil que não tem apreço e não cultiva seus legítimos ídolos.

Organização internacional diz que Bolsonaro tentou sabotar medidas para conter Covid-19

Bolsonaro usa a máscara da ignorância e do negacionismo propositalmente

Camila Zarur
O Globo

O presidente Jair Bolsonaro tentou sabotar as medidas para conter o contágio do novo coronavírus. Esse é o entendimento da organização internacional Humans Rights Watch (HRW) em seu relatório anual sobre os direitos humanos no mundo, divulgado nesta quarta-feira. Além da resposta à pandemia, o documento critica ainda a conduta do governo brasileiro em relação à preservação ambiental e às liberdades individuais:

“O governo Bolsonaro promoveu políticas que contrariam os direitos das mulheres e os direitos das pessoas com deficiência, atacou a mídia independente e organizações da sociedade civil, e enfraqueceu os mecanismos de fiscalização da legislação ambiental, na prática dando carta branca às redes criminosas envolvidas no desmatamento ilegal na Amazônia e que ameaçam e atacam os defensores da floresta”, diz o relatório.

MÁ CONDUTA – Em relação à Covid-19, a HRW criticou a conduta que Bolsonaro teve ao longo de toda a crise sanitária — desde as declarações que minimizavam a doença, chamando-a de “gripezinha”, até a tentativa de impedir os estados de imporem o isolamento social, passando pela troca de seus ministros da Saúde. No entanto, segundo a organização internacional, os esforços do presidente foram frustrados pelas demais instituições brasileiras.

“O presidente Bolsonaro expôs a vida e a saúde dos brasileiros a grandes riscos ao tentar sabotar medidas de proteção contra a propagação da Covid-19”, diz a diretora adjunta da HRW no Brasil, Anna Livia Arida. “O Supremo Tribunal Federal e outras instituições se empenharam em proteger os brasileiros e em barrar muitas, embora não todas, as políticas antidireitos de Bolsonaro. Essas instituições precisam permanecer vigilantes”, acrescenta.

POPULAÇÕES AFETADASAté o momento, o coronavírus já matou mais de 204 mil pessoas no Brasil e infectou outras 8,1 milhões. A organização ressalta que a população negra teve maior probabilidade de ser afetada pela doença e morrer em hospitais do que outros grupos raciais. Entre os motivos para isso, o relatório cita as taxas mais altas de informalidade entre trabalhadores negros, o que os impedia de trabalhar de casa, e a maior prevalência de doenças preexistentes.

A Humans Rights Watch cita outras duas populações impactadas pela Covid-19 e que foram alvos de tentativas do governo federal de frear os esforços contra a pandemia: os povos indígenas e a população carcerária.

De acordo com a Articulação dos Povos Indígenas do Brasil (Apib), mais de 44 mil casos do coronavírus foram confirmados e houve 917 mortes pela doença. O número de etnias afetadas é de 161. A população é considerada mais vulnerável devido ao acesso insuficiente a cuidados de saúde e à prevalência de doenças respiratórias ou crônicas.

VETO – Ainda assim, Bolsonaro vetou parcialmente um projeto de lei aprovado pelo Congresso, em junho, que obrigava o governo a fornecer atendimento médico emergencial e assistência à população indígena. Em agosto, o Congresso derrubou os vetos presidenciais. O STF também obrigou o governo a elaborar um plano de enfretamento da Covid-19 para os indígenas.

Já em relação à população carcerária, o presidente vetou, em julho, um artigo de um projeto de lei que exigia o uso de máscaras em unidades prisionais e centro socioeducativos. Segundo o último boletim do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), de 23 de dezembro, 129 mortes e mais 41 mil casos da Covid-19 foram confirmados entre presos. Os agentes e servidores do sistema prisional também foram afetados: mais de 12 mil foram infectados e 93 morreram.

Esse veto de Bolsonaro também foi derrubado depois, desta vez pelo STF, que concluiu que ele não atendeu ao trâmite processual e restabeleceu o artigo da lei.

MEIO AMBIENTE – Pelo segundo ano seguido, a Humans Right Watch critica a política ambiental de Bolsonaro, que segundo a organização  dá “carta branca às redes criminosas envolvidas no desmatamento ilegal” ao enfraquecer a fiscalização de leis e multas, além de transferir responsabilidades de órgãos de combate para Forças Armadas, que carecem de experiência na área e de treinamento para evitar a destruição da fauna e da flora brasileiras.

De acordo com o relatório, as políticas do governo e a retórica do presidente contra a proteção do meio ambiente “contribuíram com a destruição de cerca de 11.000 quilômetros quadrados de floresta amazônica entre agosto de 2019 e julho de 2020 — a maior taxa em 12 anos”.  O documento afirma ainda que, no ano passado, o número de focos de incêndio na Amazônia aumentou 16%.

ILEGALIDADES – Já no Pantanal, outro bioma brasileiro afetado pelas queimadas, mais de um quarto de sua planície foi destruída pelo fogo — a maior devastação em mais de duas décadas. De acordo com a HRW, as queimadas são causadas intencionalmente, em grande parte de forma ilegal, com o objetivo de suprimir a vegetação.

“As políticas do presidente Bolsonaro têm sido um desastre para a floresta amazônica e para as pessoas que a defendem”, diz Arida, que continua: “Ele culpa indígenas, organizações não governamentais e moradores pela destruição ambiental, em vez de agir contra as redes criminosas que impulsionam a ilegalidade na Amazônia”.

Teoria de Olavo de Carvalho explica ascensão da China como potência capitalista e socialista

O que nos impede de usar o que há de melhor no capitalismo e no comunismo? - Flávio ChavesMário Assis Causanilhas

Na parte final de seu estudo, o antropólogo Flávio Gordon explica como o filósofo Olavo de Carvalho insere a China como peça fundamental da Nova Ordem Mundial, na qual o grande capitalismo se utiliza das práticas socialistas para garantir a supremacia do capital nas relações sociais, políticas e trabalhistas.

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ENTENDA POR QUE BILIONÁRIO CAPITALISTAS INVESTEM EM TESES ESQUERDISTAS

Flávio Gordon          Gazeta do Povo

Ora, se o objetivo já não é apenas o de enriquecer, mas o de dominar o Estado, e, mais amplamente, as consciências, qual modelo de regime político levou esse domínio às raias da perfeição, desenvolvendo uma tecnologia de controle da sociedade e do indivíduo jamais vista em outros contextos históricos? O modelo socialista, por óbvio.

E é também óbvio que os metacapitalistas (bilionários capitalistas que financiam a nova esquerda) só apoiam medidas socializantes por saberem que, em termos estritamente econômicos, um regime socialista pleno é uma impossibilidade lógica e prática. Sabem disso, aliás, como a Nomenklatura bolchevique sempre soube, ao menos desde que Lenin lançou a Nova Política Econômica.

ECONOMIA DE MERCADO – A estatização completa da economia é inviável, e, para se manter de pé, todo governo de tipo socialista precisa tolerar algum grau de economia de mercado, ainda que de maneira clandestina (ver, sobre isso, “USSR: The Corrupt Society – The Secret World of Soviet Capitalism, de Konstantin Simis”).

É precisamente esse misto de economia capitalista e governo socialista que tem fundamentado a nova ordem mundial surgida com o fim da Guerra Fria. Numa espécie de acordo tácito com os comunistas, os metacapitalistas do Ocidente chegaram à conclusão de que seria preciso criar alguma forma de síntese entre o dinamismo econômico do capitalismo liberal e a eficiente tecnologia de controle social e imposição de consenso manejada pelos regimes socialistas.

EXEMPLO DA CHINA – Não é à toa que, como protótipo dessa síntese, a China esteja se alçando à posição de potência hegemônica na ordem mundial contemporânea.

Com a tolerância, quando não mesmo o endosso, dos metacapitalistas. Como sugeriu o intelectual chinês Di Dongsheng, que mencionei em artigo anterior, Pequim sempre exerceu forte influência sobre Wall Street, e voltará a exercer a partir da posse de Joe Biden.

E, muito embora tudo isso ainda soe inconcebível para a maioria das pessoas (a exemplo dos meus amigos liberais), a verdade é aquela que, há 100 anos, escreveu o grande romancista britânico H. G. Wells (um notório socialdemocrata): “O grande negócio não é, de forma alguma, antipático ao comunismo. Quanto mais cresce, mais se aproxima do coletivismo”. Bingo!

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
Trata-se de enésima versão da teoria conspiratória mais conhecida – a Nova Ordem Mundial. Como suas antigas previsões – iniciadas séculos atrás – jamais se concretizaram, os teoristas foram providenciando alterações através dos tempos. As mais recentes fizeram um contorcionismo danado para incluir a China. Até então, quando me falavam da tal Nova Ordem, eu perguntava, lembrando Garrincha: “Já combinaram com os russos e chineses?”. E isso desmontava qualquer teoria. Mas agora deram um jeito de incluir a China, para dar mais lógica.

Mas a teoria do terraplanista Olavo de Carvalho  começa com uma falsa premissa. A de que bilionários capitalistas financiam as esquerdas para se livrarem da submissão ao mercado. O que acontece é que os grandes empresários são pessoas preparadas e de visão ampla. Chegam ao final da vida, sentados sobre aquela montanha de dinheiro e têm a consciência pesada de nada terem feito para melhorar o mundo. Por isso, as fundações investem em teses de esquerda, porque são mais humanitárias. É uma forma de aliviar um pouco a consciência, apenas isso, como acontecia antigamente, quando os velhos ricos doavam seus bens à Igreja, tentando comprar o perdão divino.

Quanto à China, não é protótipo de nada. Tem de ser uma ditadura sangrenta, porque é formada por várias nações que se odeiam, como na antiga União Soviética. São países e povos que têm tradições, línguas, hábitos e religiões diferentes. Se houver democracia, a China se desmembra em várias nações. Ela só cresceu assim, aceleradamente, porque aceitou acolher as indústrias poluidoras proibidas em seus países de origem e que lá foram remontadas. O famoso Rio Amarelo mudou de cor e não é mais perene, Morrem cerca de 20 milhões de pessoa/ano, por causa da poluição, mas o Comitê Central do Partido Comunista não está nem aí.

O Brasil agravou a atual crise por causa dessa teoria maluca. O terraplanista Olavo de Carvalho tentou inoculá-la na cabeça de Bolsonaro, dos filhos, do chanceler Ernesto Araújo etc., e foi um desastre. Queimou os neurônios deles, que hoje estão em outra galáxia, todos são novos normais, completamente baratinados.

O vice Hamilton Mourão e os generais do Planalto escaparam por enquanto, porque tinham sido vacinados previamente na Escola Superior de Guerra. Mas a teoria é contagiosa e alguns militares já apresentam sintomas. É aí que mora o perigo, sem novidades no front ocidental. (C.N.) 

Um poema em homenagem póstuma a Vilanova Artigas, um arquiteto verdadeiramente genial

Gastão homenageou o genial Artigas

Paulo Peres

Site Poemas & Canções

O designer gráfico, editor, professor, advogado, jornalista, contista e poeta pernambucano Gastão de Holanda (1919-1997) escreveu este poema após visitar o Edifício da FAU USP “Faculdade de Arquitetura de São Paulo”, em 1977, prestando uma homenagem póstuma ao arquiteto Vilanova Artigas, que projetou o prédio da instituição e foi um de seus criadores e professores.

FACULDADE DE ARQUITETURA DE SÃO PAULO
Gastão de Holanda

O arquiteto abrange o espaço com seus braços
e que se esculpe nesse espaço?
Ubiquidade, instrumentos
de música,
o auto-retrato do arquiteto: olhos, língua,
testa,
a serena contemplação de um claro
organizado
lugar de encontros.

A laje pulsa.
A mão risca a proporção do homem,
decalca o pensamento, o andar, o ir-e-vir
cotidiano e diz:
– Podeis trabalhar tranquilos: aqui é o Teto do povo.

O voo existe antes do espaço desenhado.
A alma do arquiteto recortada pelo espectro da
coluna
vigia nossos passos
e o gesto em flor
é uma opção bifurcada em artérias.

O sangue do arquiteto está coagulado ali,
sepulto e vivo nas veias do ferro,
na carne do cimento
semente diluída no voo
de estudantes/abelhas, no mel e na medida do tempo.

Tempo? ou luz que tudo enlaça?
Que diferença há entre o edifício e a árvore?
Entre a árvore e esse homem debruçado?
Entre esse homem e seu edifício vivo?
O seu fazer alcança teto e galho.
Viaja o quintal das plataformas e colhe
na Primavera, o fruto de um desígnio,
o capricho do vivo silêncio
que amadurece as formas
antigas
Artigas.

Bolsonaro imitou Lula, traiu seus eleitores e se aliou aos maiores corruptos deste pais

TRIBUNA DA INTERNET | Estratégia vitoriosa de Bolsonaro só está valendo para o primeiro turno

Charge do Thomate (Arquivo Google)

Carlos Newton

A situação do país está cada vez mais clara. Pode-se até conceder a Jair Bolsonaro o benefício da dúvida, alegando que talvez o novo presidente pretendesse agir de outra forma e apoiar o movimento contra a corrupção, à época liderado pelo juiz federal Sérgio Moro, cujo trabalho era reconhecido internacionalmente, tendo sido transformado numa das mais importantes personalidade do mundo.

É possível acreditar nisso, julgar que Bolsonaro realmente pretendia atender a seus eleitores e passar o país a limpo, após a trágica experiência do PT, um partido sem quadros, que incentivou a corrupção e entregou o comando da economia a um médico sanitarista sem a necessária capacitação.

A SURPRESA DA RACHADINHA – No entanto, antes mesmo de assumir, o novo presidente Bolsonaro foi surpreendido por um ponto fora da curva. Um poderoso órgão federal, o Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) havia flagrado grande número de deputados estaduais da Assembleia do Rio em lavagem de dinheiro, e um deles era seu filho Flávio. E pior, fora incentivado a essa forma de enriquecimento ilícito pelo próprio pai.

Foi assim que saiu de cena o presidente anticorrupção e surgiu em cena uma nova versão de Bolsonaro, que entusiasticamente aceitou o suposto “pacto de governabilidade” proposto em maio de 2019 pelo presidente do Supremo, Dias Tofolli, com apoio dos presidentes da Câmara, Rodrigo Maia, e do Senado, Davi Alcolumbre, ambos interessadíssimos em abafar o movimento da Lava Jato.

Em consequência, o ministro da Justiça, Sérgio Moro, ficou sozinho e teve de assistir seu projeto de medidas contra o crime ser transformado num pacote a favor da impunidade da corrupção, que incluiu a Lei do Abuso de Autoridade, para amordaçar juiz, membros do ministério Público e delegados.

LIBEROU GERAL – O Supremo também cumpriu sua parte no “pacto” e aprovou a prisão somente após condenação na quarta instância, levando o Brasil a ser o único país da ONU a garantir a impunidade nesse nível absurdo. E assim foram colocados em liberdade muitos criminosos condenados por corrupção, como Lula da Silva, José Dirceu, Eduardo Cunha e muitos outros.

Na verdade, insuflado por Dias Toffoli, Gilmar Mendes e Ricardo Lewandowski, o Supremo desfechou uma verdadeira guerra contra a Lava Jato e também tirou da Justiça Criminal o Caixa Dois, que virou irregularidade meramente eleitoral, vejam a que ponto chegamos.

Hoje, a Lava Jato, os procuradores e o ex-juiz Moro são atacados diariamente na mídia e na internet por representantes dos três Poderes que nesse sentido continuam “pactuados”. Há algo de errado, evidentemente, mas é isso que está acontecendo, como se o país estivesse de cabeça para baixo.

TRADUÇÃO SIMULTÂNEA – O presidente Bolsonaro preferiu trair seus eleitores e proteger os filhos, que seguiram seu exemplo rachadista para enriquecerem ilicitamente.

Resultado: o país está sem comando. Rompido com o vice-presidente Hamilton Mourão sem o menor motivo, hoje Bolsonaro tornou-se uma figura caricata, que mostra não ter dignidade, responsabilidade, capacidade nem hombridade.

Há alguns muitos anos o economista Edmar Bacha se notabilizou ao chamar o Brasil de “Belíndia”, uma mistura de Bélgica e Índia. E a Bélgica realmente é um bom exemplo para nós. Acaba de sair de seu mais longo período sem governo.Desta vez, o país ficou 650 dias acéfalo, desde a queda do premier Charles Michel. Para o Brasil, também seria melhor ficar sem governo do que continuar aturando Jair Bolsonaro.

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P.S. –
Como o Brasil é presidencialista, não é possível ficar sem governo. Mas o vice Mourão, comparado a Bolsonaro, até parece ser um estadista do porte de Roosevelt, Churchill ou De Gaulle. É claro que Mourão não está com essa bola toda, como se diz atualmente, nem devemos ter expectativas exageradas, mas Mourão é muito melhor do que Bolsonaro, sem a menor dúvida. (C.N.)

Inflação alta, medida por IBGE e FGV, sufoca os segmentos sociais de renda mais baixa

Acidente de Harrison Ford e inflação nas charges deste sábado - Região - Jornal VS

Charge do Tacho (Arquivo Google)

Pedro do Coutto

Num editorial da edição de sábado, a Folha de São Paulo focalizou muito bem o problema da inflação, tanto a calculada pelo IBGE quanto a medida pela Fundação Getúlio Vargas, destacando a diferença essencial entre a dança dos números para os grupos de menor e maior renda. Isso porque o item mais afetado pelo aumento de preços sem dúvida alguma foi a alimentação.

Ocorre que o grupo de menor renda está mais exposto ao aumento de custo de vida, porque a maior parte de suas despesas é com o consumo de alimentos. Para as classes de renda mais alta, o percentual com alimentação é menor.

MAIORIA DO POVO – Então, para mim, a disparada de produtos alimentícios sufoca a maior parte da população. A FGV e o IBGE entretanto, dizem que houve o inverso. Na minha opinião, os cálculos do IBGE e da FVG não refletem a realidade. Os preços subiram muito mais do que os índices apontados pelas duas instituições.

As pesquisas de preços se baseiam nos preços mínimos dos supermercados, mas isso não significa que a população possa praticá-los. Porque num supermercado o feijão está mais barato e o arroz mais caro. Em outro supermercado acontece exatamente o contrário. Os consumidores navegam nas ondas dos preços na estratégia utilizada largamente pelas vendas no varejo.

Mas o que dizer do preço dos remédios? Do reajuste dos alugueis, das tarifas de transporte coletivo? Não acredito que o real fator inflacionário tenha fechado 2020 na convergência entre o IBGE e a FGV.

CRÍTICAS À FOLHA – Em artigo também na Folha de S. Paulo, o ex-prefeito Fernando Haddad despediu-se da coluna semanal que escrevia e criticou duramente a linha editorial do jornalão.  Disse que a Folha estava publicando matérias para evitar que Lula possa ser candidato nas eleições de 2022.

Ou seja, Haddad não leva em consideração a sequência de fatos que impedem o retorno do ex-presidente ao Palácio do Planalto. A própria bancada do PT na Câmara Federal, por maioria de votos, decidiu apoiar a candidatura de Baleia Rossi. A diferença de votos foi pequena, mas seguramente significou uma derrota para Lula, que sempre isolou o PT em qualquer acordo político com o MDB, PSOL e com qualquer outro partido. Salvo quando estava no poder, quando se aliou aos segmentos políticos mais corruptos do país.

Em francês, Mourão rebate as críticas do presidente Emmanuel Macron à soja brasileira

Hamilton Mourão

Mourão demonstra que a acusação de Macron foi leviana

Emilly Behnke
Estadão

Em reação a declarações do presidente da França, Emmanuel Macron, sobre o desmatamento na Amazônia e a produção de soja no Brasil, o vice-presidente Hamilton Mourão disse nesta quarta-feira, 13, que o mandatário francês desconhece a produção de soja brasileira. Como presidente do Conselho Nacional da Amazônia, Mourão destacou que a produção agrícola da região amazônica é “ínfima” e que Macron apenas “externou interesses protecionistas dos agricultores franceses”.

Na terça-feira, 12, em suas redes oficiais, o presidente francês afirmou que “continuar a depender da soja brasileira seria apoiar o desmatamento da Amazônia”.

PRODUZIR NA EUROPA – No vídeo publicado em sua conta oficial do Twitter, o presidente francês fala em “não depender mais” da soja brasileira e produzir o grão na Europa. “Nós somos coerentes com nossas ambições ecológicas, estamos lutando para produzir soja na Europa”, afirmou.

Questionado sobre as declarações nesta quarta, Mourão afirmou, em francês, que Macron não estava bem. “Monsieur Macron? Monsieur Macron n’est pas bien (O Sr. Macron não está bem). Monsieur Macron desconhece a produção de soja no Brasil. Nossa produção de soja é feita no Cerrado ou no Sul do País. A produção agrícola na Amazônia é ínfima”, declarou Mourão para jornalistas na chegada à sala da vice-presidência.

Ele destacou que o Brasil tem menos de 8% da sua área dedicada à agricultura, enquanto a França tem mais de 60%. Apesar disso, avaliou que o país europeu não tem condições de competir com o Brasil na produção de soja. “Nesse aspecto, na questão da produção agrícola damos de 10 a 0 neles (franceses)”, disse.

FAZ PARTE DO JOGO – “Nada mais, nada menos, Macron externou interesses protecionistas dos agricultores franceses, faz parte do jogo político”, opinou. Na avaliação do vice-presidente, a fala do presidente francês não deverá influenciar outros líderes mundiais. “Acho que foi discurso interno.”

Segundo dados da Secretaria de Comércio Exterior do Ministério da Economia consultados pelo Estadão/Broadcast, quase 20% das exportações para a União Europeia, bloco do qual os franceses fazem parte, são de soja e farelo de soja produzidos pelo Brasil.

No ano passado, o Brasil exportou US$ 27,1 milhões em soja para a França, além de US$ 544 milhões de farelo de soja, de um total de US$ 1,983 bilhão em embarques para o país europeu. A quantidade recebida pela França pode ser ainda maior considerando dados agregados da produção recebida por portos da Espanha e Países Baixos e depois escoada para demais países europeus.

SEM COMENTÁRIOS – Procurados pela reportagem na terça, os ministérios da Economia e da Agricultura disseram que não comentariam as declarações de Macron. Questionada nesta quarta, a Secretaria Especial de Comunicação Social (Secom) orientou procurar novamente o Ministério da Agricultura, que até a publicação deste texto não havia respondido ao pedido de manifestação.

Em nota, a Frente Parlamentar da Agropecuária disse que acompanhou com “constrangimento” a fala de Macron, ligando a produção de soja ao desmatamento. “Somos sustentáveis, cumprimos regras sanitárias e ambientais mais rígidas do que os países competidores e estamos alcançando um padrão de qualidade nunca visto antes, sem aumentar nossa área de plantio. Para a França alcançar o patamar do Brasil, vai precisar conquistar novos territórios, o que a modernidade e a civilidade não permitem mais”, afirmou o deputado Alceu Moreira, presidente da frente.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
– Como se vê, Mourão dá de 10 a 0 em Bolsonaro, que devia pedir para sair e ficar administrando seu patrimônio imobiliário. (C.N)

CNJ cobra explicações de juíza que defendeu aglomerações e ‘ensinou’ tática de andar sem máscara

Ludmila Lins Grilo é aluna devota de Olavo de Carvalho

Samuel Costa e Rafael Moraes Moura
Estadão

O Conselho Nacional de Justiça (CNJ) determinou que a juíza Ludmila Lins Grilo, da comarca de Unaí, no interior de Minas, a 605,4 km de Belo Horizonte, preste informações sobre publicações que incentivam a aglomeração na pandemia e atacam o CNJ. A magistrada ficou conhecida neste final de ano, quando fez publicações que desestimulavam o isolamento social.

Em um dos conteúdos, ela expunha uma foto de pessoas em uma praia assistindo à queima de fogos, que era acompanhada de uma legenda com a hashtag “#AglomeraBrasil”. Ela também teria insultado o CNJ, que adotou diretrizes que defendem o isolamento social, uso de máscaras e a vacinação.

NA CONTRAMÃO – No dia 15 de dezembro, a juíza participou de uma live com a Dra.Nise Yamaguchi, cotada para assumir o Ministério da Saúde após a demissão de Luiz Henrique Mandetta. Nessa data, o STF votava a pauta sobre a obrigatoriedade da vacinação contra a Covid-19, o que Lins Grilo considera “imprudência médica e jurídica”.

No dia 3 de janeiro, após a repercussão de seus posicionamentos contrários ao isolamento social, ela publicou imagem em que se lia “vo chama o cenejota” (sic) ao lado de um boneco chorando. A reclamação destaca que essa conduta da juíza não é recente e apresentou outra publicação de 2018 em que ela afirmava que as audiências de custódia eram como um “SAC”, sendo o “mais atual retrato da bandidolatria”.

A reclamação solicitava, dessa forma, uma liminar que impusesse abstenção à juíza de proferir posicionamentos contrários às medidas de prevenção à Covid-19, previstas por órgãos de saúde. A corregedora nacional de Justiça Maria Thereza de Assis Moura, no entanto, entendeu que tal demanda se configura em censura prévia, algo que seria “incompatível com o regime democrático vigente”. Sendo assim, Assis Moura intimou a juíza Ludmila Lins Grilo a prestar informações ao CNJ dentro de dois dias.

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COM A PALAVRA, A JUÍZA LUDMILA LINS GRILO

A Juíza Ludmila Lins Grilo informou que recebeu apenas um e-mail da Corregedoria do Tribunal de Justiça de Minas Gerais, mas que ainda não o leu, e que não foi notificada pelo CNJ. A magistrada declarou que só irá se posicionar após a leitura da decisão.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG 
Conforme já dito nesta Tribuna, Ludmila,  denunciada ao CNJ por publicar vídeos nas redes sociais exaltando o desrespeito às orientações sanitárias, é aluna aplicada de Olavo de Carvalho, tendo já sido elogiada pelo “guru” e também o visitado nos Estados Unidos, em 2018. (Marcelo Copelli)

Câmara aprova impeachment de Donald Trump por incitação à violência, falta o Senado

A sete dias do fim do mandato, Câmara dos EUA aprova impeachment de Trump |  GZH

Nancy Pelosi, presidente da Câmara, anuncia o resultado

Thays Martins
Correio Braziliense

A Câmara dos Representantes dos Estados Unidos aprovou, nesta quarta-feira (13/1), o impeachment do presidente Donald Trump, a apenas seis dias do fim do seu mandato. Em um momento histórico, 10 deputados republicanos, partido de Trump, votaram a favor do impeachment. Outros 222 deputados democratas apoiaram o afastamento do presidente. Foram 232 votos a favor do impeachment e 197 votos contra.

A acusação é de “incitamento à insurreição” pela postura do presidente na invasão ao Capitólio. Cinco pessoas morreram durante a ação incitada pelo presidente. A invasão ao Congresso norte-americano ocorreu durante a sessão que confirmaria a vitória de Joe Biden na eleição presidencial de 2020. 

DIRIETOS POLÍTICOS – Essa é a segunda vez que Donald Trump passa por um processo de impeachment. Dessa forma, ele se tornou primeiro presidente da história do país a sofrer dois processos de impeachment. Para ser aprovado, ele ainda precisa passar no Senado.

Caso seja aprovado, Trump perde os direitos políticos e não poderá voltar a ser presidente. Mas dificilmente o processo será votado no Senado antes do término do mandato, pois o democrata Joe Biden toma posse na próxima quarta-feira (20/1). No primeiro processo de impeachment, Trump foi absorvido no Senado, onde a maioria é de republicanos.

A retirada de um presidente do cargo por impeachment exige maioria de dois terços (67 de 100 senadores). Em caso de condenação, haverá a realização de uma outra votação para julgar a perda de direitos políticos, que podem ser retirados via aprovação por maioria simples (51 senadores).

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
Já vai tarde. Agora só falta embalsamar (digamos assim )o Bolsonaro, que insiste em se tornar um caricato imitador do pior presidente que os Estados Unidos já elegeram. (C.N.)