Suplicy marquetismo mágico

O senador de São Paulo não poderia imaginar que o CARTÃO VERMELHO que deu para o ex-presidente da República e insistente presidente do Senado, fosse render tanta publicidade. Televisão, celular, internet e principalmente, as Primeiras dos mais diversos jornais. Inexplicável apenas o descontrole. (Exclusiva)

Sahione CONVOCADO, aceita ser candidato a presidente do Flamengo

Há mais de 1 mês revelei: o criminalista famoso e respeitado, que estava afastado por não concordar com a politicalha que dominava e domina o clube, concordara em voltar e disputar a presidência.

Não acreditavam

Revelei até a data do lançamento do seu nome no Hotel Sofitel, quase no fim da Avenida Atlântica. Acharam que era figuração. Agora, com o aparecimento do impresso, intitulado, PAIXÃO E COMPETÊNCIA, surpresa e susto. Grandes beneméritos e conselheiros apóiam o criminalista. Vamos ver o comportamento dos OUTROS 8 CANDIDATOS. (Exclusiva)

A internet teleguiada

Tem pontos positivos e negativos, serve para exploração geral. Um exemplo: colocaram que o marido de Dona Lina teria sido ministro interino do governo FHC. Até o nome: Alexandre Firmino de Melo Filho. O governo FHC foi destruidor, mas nem todos contribuíram para a DESTRUIÇÃO.

A “renúncia” de Jânio

José Aparecido (o saudoso Zé, como me dizia semana passada o ex-presidente Itamar) era o homem forte do governo Jango. Foi receber a medalha de Caxias no dia 25. Quando voltou, encontrou o fato inacreditável: a RENÚNCIA de Jânio. Não era para valer. Caiu na mão de José Maria Alckmin e Auro Moura Andrade, valeu. (Exclusiva)

Bolsas: a rotina das “menas” verdades

Wall Street é um rio que passou (ou passa) diariamente pela Bovespa. O que acontece na Matriz se repete aqui, na Filial. Não falha. Aí dizem sem nenhum constrangimento: “Está acabando a crise NO MUNDO”.

Desemprego na UE, EUA e Brasil

A criação de emprego não depende do movimento ou do volume das bolsas. Mas fingem que é importantíssimo. Hoje, às 14 horas, 4 horas de jogatina, 1 bilhão e 8 milhões. 57 mil 495 pontos, zero a zero. O dólar em alta de 0,37% em 1,867, alta ou baixa da moeda, realmente importante.

Só na ditadura a Receita sofreu intervenção

O Brasil não é uma democracia tão grande ou autêntica como imaginam. Demitiram Superintendente e Chefes de conduta ilibada, apenas por vingança ou represália. Nenhuma acusação contra os DEMITIDOS.

ORLANDO TRAVANCAS, a Receita contra a Tribuna da Imprensa

No auge da P-E-R-S-E-G-U-I-Ç-Ã-O para eliminar o jornal indomável que lutava de forma intransigente, usaram a Receita. Mobilizaram o secretário geral, cujo nome está no subtítulo, em maiúscula.

Aposentado por CORRUPÇÃO

Ele procurava as empresas que anunciavam na Tribuna, ameaçava-as, todas desistiam, claro. 10 anos de censura e sem um anúncio. Poderoso, esse ORLANDO TRAVANCAS resolveu AGIR POR CONTA PRÓPRIA. Apanhado em flagrante de chantagem, extorsão e intimidação, não quiseram DEMITI-LO, foi aposentado LUXUOSAMENTE.

Os outros? Cumpriram o PROJETO DESTRUIDOR DA DITADURA.

Gabeira governador

Comunicou ontem à direção do PPS que aceita ser candidato à VAGA de Cabral (Em 2008, foi apoiado para a Prefeitura pelo mesmo PPS). Seu partido é o PV, bastante fortalecido no Estado do Rio. (Exclusiva)

Análise do panorama

Amanhã examino os candidatos do Estado do Rio para governador, vice e às duas vagas do Senado. São pelo menos 12 nomes, tentando conseguir essas quatro vagas.

Como já fiz com o Amazonas por causa da influência lá, do Planalto-Alvorada, protegendo o amigo (João Pedro) e prejudicando um inimigo (Artur Virgílio) para que não vote no senador. (Exclusiva)

Sarney e a audácia dos desesperados

Vicente Limongi
“Hélio, Patética, burra, insolente, inoportuna e demagógica, a intervenção do senador Eduardo Lexotan suplicy ao discurso de Sarney, sobre Getúlio Vargas e Euclides da Cunha. Suplicy teve todo o tempo e chances do mundo para retrucar Sarney e defender as representações contra ele, todas arquivadas e julgadas improcedentes pelo conselho de ética. Suplicy fez colossal papelão. De repente, tomou-se por um torpe furor denunciatório e atropelou, com absoluta falta de educação parlamentar, o discurso de Sarney homenageando Vargas e Euclides. Francamente. Tem eleitor que gosta. Fazer o que.”

***

“Hélio, Depois de participar da sórdida orquestração contra Sarney e o filho, Fernando, e, perder de goleada, o Estadão de SP agora, quer mostrar serviço ao Palácio do Planalto, bajulando Antônio Palocci. É um marcante e melancólico exemplo do jornalismo brasileiro. Breve, outro jornalão, do Rio de Janeiro, entrará na disputa para ver quem é mais vassalo a favor de Palocci. Antes, bajulavam Dilma. como “pensam” que a ministra perdeu pontos, partem para descobrir “novos rumos e novas atrações”. Ridículos. Mas não perdem a pose.”

Comentário de Helio Fernandes
Todos têm direito à opinião, incluindo Sarney. Só que o (ainda) presidente do Senado devia ter estudado os episódios de Euclides da Cunha e de Vargas. Você sabe muito bem, Limongi, que Sarney não é estudioso, sua escola, “risonha e franca”, é a adesão. Serviu à ditadura, num golpe de habilidade, passou de pretendente a vice de Maluf a efetivo vice de Tancredo.

Discursou sobre essas figuras históricas, sem qualquer conhecimento, com montanhas de erros e equívocos, apenas para fingir de historiador e desviar o assunto da cassação.

Quando Vargas se matou (o que venho chamando desde aquela época de “gesto genial que o imortalizou”), Sarney era segundo suplente de deputado, ignorado e ignorante. Assumiu em 1956. Não tocou no assunto nos 55 anos transcorridos até agora. Por que discursar agora e sobre um episódio rigorosamente HISTÓRICO?

Sobre Euclides então, Sarney não sabe nada

Lamentável a fala sobre Euclides da Cunha. Confesso que, ouvindo o ex-presidente, tive pena dele. Não sabia rigorosamente nada sobre o episódio de Canudos e da participação de Euclides da Cunha. Este ficou lá menos de 15 dias, escrevendo para o jornal Estado de São Paulo, mas logo foi embora, sem participação maior.

A grande cobertura foi feita pelo Jornal do Comércio, do Rio, mas então o mais importante jornal brasileiro. O repórter José Carlos Vasconcellos (mais tarde diretor do jornal) ficou lá do primeiro ao último instante, desde que o Exército tinha lá apenas um destacamento, até que TRÊS QUARTAS PARTES DO EFETIVO DO EXÉRCITO HAVIAM SIDO TRANSFERIDAS através do Morro da Favela.

(Não tem a menor importância, mas Sarney devia saber que os morros do Rio passaram a serem chamados por esse nome a partir do momento em que o Exército montou seus canhões nesse Morro).

Mais tarde, já tendo saído do Exército, engenheiro e continuando no Estado de São Paulo, Euclides foi visitar o interior, principalmente o Norte/Nordeste.

Aí, Euclides escreveu e publicou “Os Sertões”, acabou toda e qualquer controvérsia. Foi uma sensação, um trabalho realmente magistral, consagrado como o maior livro já escrito NO BRASIL E SOBRE O Brasil.

Sem saber de coisa alguma, com a audácia dos desesperados, Sarney afirma, revelando sua prodigiosa tolice: “Euclides NÃO É O MAIOR ESCRITOR BRASILEIRO, fica entre os 10 MAIORES”. E querendo mostrar intimidade com a literatura e os valores intelectuais, pergunta, afirmando: “E o NOSSO MACHADO de Assis?”.

Respondendo para terminar: O “nosso” Machado (de Assis) é um escritor, ponto. Produto do “marquetismo avassalador”, que atravessou os tempos, vive das dúvidas da Capitu. Euclides viverá para sempre, por causa das certezas que REVELOU SOBRE O Brasil. Euclides é um ESCRITOR DESBRAVADOR e não se sabe até onde iria, se não fossem os episódios particulares, que tentam desvirtuar. Mesmo morrendo muito moço, Euclides chegou mais longe do que todos os outros. Principalmente o tão ENDEUSADO “NOSSO” Machado.

Lula preocupadíssimo com o Senado

Desgastado, desprestigiado, arriscando seus 80 por cento (nas pesquisas, nas pesquisas) para defender, manter e garantir Sarney na presidência, não teve a palavra de ninguém quando foi violentamente atacado.

Nem Sarney ajuda o protetor

Jarbas Vasconcellos fez o discurso mais violento desde que chegou ao Senado. Não recebeu o menor e mais tímido aparte contestando as acusações arrasadoras que fazia a respeito do presidente da República.

O presidente do Senado, presente, em silêncio

O ex-presidente da República não deu uma palavra, não só para contestar o ex-governador de Pernambuco, mas também em relação aos outros oradores implacáveis.

Providência de Sarney: fugir

Quando soube que Suplicy ia discursar duríssimo contra ele, o presidente do Senado jogou o senador para o fim da fila (como se o plenário do Senado fosse um ambulatório do INSS) e rapidamente deixou a presidência. VIU O CARTÃO VERMELHO de um dos seus gabinetes, mas soube da repercussão terrível.

Cartão vermelho “amarela” a base

Não havia um único senador do PT no plenário. Especulavam e examinavam: “Só iriam ao plenário se o líder do partido, Mercadante, também fosse”. Como ele não foi. Os liderados (?) não foram.

Senador do Piauí, “cartão para Lula”

Sua fala foi inteiramente equivocada, na verdade, o grande atingido foi o presidente da República. De todas as maneiras. O que se diz, vindo do Planalto-Alvorada: “Lula vai se afastar de Sarney”.

Isolado, Sarney renuncia ou é derrubado

Foi um erro do ex-presidente da República não DEFENDER Lula. Agora, revoltado, o presidente (da República) terá que abandonar o presidente (do Senado) que será então REFERENDADO (ou não) pelo plenário.

Os 49 votos dispersados

Eleito com esse número, Sarney sabe que, abandonado por Lula, terá (se tiver) no máximo 20 votos, ou nem tanto.

Pânico: multiplicação do cartão vermelho

O presidente do Senado entrou em pânico, chamou Renan e os suplentes, pediu providências para garanti-lo. Pela primeira vez, Sarney foi ofensivo, agressivo e intimidativo.

Dona Dilma sabe que o candidato de Lula se chama Luiz Inácio Lula da Silva

Mas não há nada a fazer, como protestar? Se ele não conseguir, prefere um adversário. Então, glorioso e orgulhoso, voltaria em 2014. Mas Lula ainda reza, tem fé e esperança.

Lula tem toda razão de insistir em continuar no Planalto-Alvorada. É o único cidadão no mundo (ocidental) que perdeu três eleições seguidas, a primeira, a segunda e a terceira.

E passou a ser recordista ainda maior, ao ganhar a quarta, a quinta e pretender a sexta. Por que não?

(Para não falar da história sem citá-la corretamente, um adendo. Nos EUA, um pastor altamente carismático perdeu três vezes (não seguidas) e jamais foi presidente. Esse pastor candidato: William Jennings Bryan. Perdeu em 1896, perdeu em 1900, não disputou em 1904, perdeu em 1908, parou de se candidatar).

Recordista, Lula pode ampliar sua vantagem. Perdeu três vezes, ganhará outras três. Lógico, se concorrer (?), vencerá, empatará triunfalmente: três derrotas e três vitórias, até que se consulte o calendário futuro.

A meu ver, o único candidato decente do PT seria o senador Mercadante, mas o partido tem aversão a intelectuais. Aceita que eles participem, mas dá tratamento privilegiado a sindicalistas, mesmo do quinto escalão, como ocorre na Petrobras, dominada pelos Santarosas da vida.

Desde sua consagradora eleição para o Senado, com mais de 6 milhões de votos, Mercadante veio sendo boicotado por José Dirceu, que almejava a Presidência da República e queria descartar o maior adversário no PT. Justamente por isso, Mercadante não teve vaga no Ministério, nem mesmo quando Palocci caiu, com Lula/Dirceu preferindo Guido Mantega, um economista limitado, sem qualquer comparação com Mercadante.

Agora, Lula destroça o PT duplamente. Primeiro, por garantir proteção a Sarney. Segundo, por insistir na candidatura de Dilma Rousseff. Resultado: o PT perderá as eleições em 2010 para que Lula (no pensamento e na intenção dele) possa voltar em 2014 nos braços do povo, como Jânio Quadros sonhou ao renunciar.

Mas tudo isso, não esqueçam, sem esgotar as três opções que construiu para ele, a 4 ou 5 mil metros distante da realidade, como se fosse uma candidatura da Era pré-sal. As três opções que não estão esgotadas, dilaceradas, eliminadas, desativadas.

1- Terceiro mandato.
2- Referendo.
3- Prorrogação geral dos mandatos.

Pelas razões que se garantem para ele e se destroem para os outros, os 80 por cento que as pesquisas não negam jamais.

***

PS- Com tudo estudado, Lula se fixou na candidata que não o preocupa nem assusta: Dona Dilma. Não é intelectual, sindicalista, economista, política, disputaria a primeira eleição (e logo para presidente) com a mesma idade do próprio Lula, que caminha para a sexta sucessão.

PS2- Lula não se preocupa com diploma, é um jogador de xadrez que não precisa nem de tabuleiro nem de peças. Tem tudo guardado na cabeça, sabe os nomes de quem aceita seu xeque mate e de quem não aceita. Dona Dilma aceitou, o que fazer diante de um Lula vitorioso, escolado, embora não diplomado?

Política: a divisão e a ilusão surgem sempre

Pedro do Coutto

Na  página da Folha de São Paulo em que brilha todos os domingos, leitura imperdível, Caderno Ilustrada, na edição de 23 pp Ferreira Gullar referiu-se ao desencadeamento do movimento militar que derrubou o governo Jango em 64, acentuando que, num primeiro momento, sensibilizou favoravelmente a opinião pública, que temia uma república sindicalista com a participação do comunismo.

O comunismo era o fantasma da época que ameaçava a democracia e atemorizava os democratas. Gullar citou os artigos que o Correio da Manhã publicou na época, especialmente o primeiro, cujo título era: Basta. João Goulart ainda era presidente e começava a ser deposto. O segundo foi: Fora. Nos dois casos, primeira página, ponto de exclamação após os emblemas. Logo a seguir, no terceiro dia, Basta e Fora. Os dois primeiros artigos, para dar meu depoimento, pois trabalhei no jornal vinte anos, foram de autoria de Edmundo Moniz.

Curioso o destino. Anos depois, no Rio de Janeiro, foi Secretário de Cultura do Governo Leonel Brizola, substituindo Darcy Ribeiro que se elegeu senador. O terceiro artigo foi redigido em conjunto pelo mesmo Edmundo Moniz e pelo crítico Antonio Moniz Viana, na ocasião adepto inflamado de Carlos Lacerda. Estou me referindo à autoria porque, volta e meia, surge alguém por aí se apresentando como o produtor dos textos carbonários e extremamente arriscados para a ocasião.

Mas existe um quarto artigo da série, este do grande Oto Maria Carpeaux, omitido pelos historiadores. Uma pena. Peço o apoio do centro de Pesquisa e Documentação da Fundação Getúlio Vargas. O título: Basta, Fora a Ditadura. Carpeaux estava sendo profético com o que sucederia no Brasil ao longo de vinte e um anos. De Castelo Branco à posse de José Sarney pode até ser o nome do capítulo a que me referi. Mais entre tantos que ficam na poeira do tempo e da história. Mas autoria e ditadura são outras questões.

Quero me referir ao tema de Ferreira Gullar, a ilusão e a divisão. O movimento revolucionário de 31 de março iludiu a classe média que foi às ruas com Deus pela família apoiar o golpe de Estado. A ilusão durou pouco. Sobretudo porque o principal líder da insurreição e da classe média, o governador Carlos Lacerda, foi logo afastado do palco do poder.

Os grupos econômicos internacionais que sempre o apoiaram, no mês de abril dividiram-se entre ele e Roberto Campos, titular do Planejamento, mas na realidade primeiro ministro do governo Castelo Branco. A cisão se acentuou porque o projeto de Lacerda era a eleição para presidente da República, claro incluindo a cassação de Juscelino.

O rumo do poder parecia ter-se aberto para o governador da Guanabara. Porém o projeto das correntes que se exprimiam na sombra e no culto de Roberto Campos não desejavam o destino incerto das urnas. Foi a primeira divisão do sistema militar de poder. Começava a noite dos generais, a sequência de governos mi8litares. Nem por isso deixaram de haver divisões.

Costa e Silva chegou ao Planalto em oposição a Castelo Branco. Costa e Silva, por sua vez, tornou-se prisioneiro do esquema militar. Perdeu espaço no seu próprio governo. Não resistiu. Foi atingido por um derrame cerebral e morreu. Assumiu Médici. Procurou conciliar as facções. Não conseguiu. Ernesto Geisel foi escolhido contra sua vontade.

Geisel, este sim, superou a divisão e impôs Figueiredo. Mas para isso, em dois lances dramáticos, teve de demitir o ministro do Exército, Silvio Frota, e o chefe da Casa Militar, Hugo Abreu. Poderia continuar os exemplos a partir de Sarney. Mas os que ofereço aos leitores, entre eles Ferreira Gullar, já são suficientes. Em política, não existe unidades absolutas e permanentes. É isso aí. Não há nunca, nem há sempre.

Como unir desuniões legítimas?

Carlos Chagas

O PMDB,  porque está por cima.  O PT,  porque está por baixo.  Através de suas bancadas no Congresso, ontem, os dois partidos reagiram com  desdém à informação de que o presidente Lula vai promover a   aliança de ambos   nas sucessões estaduais. Trata-se de missão impossível, essa de   unir desuniões legítimas nos estados onde  já emergiram.  Alguma coisa  como obter previamente  a concordância de a parte que for  derrotada tomar veneno.

Mesmo perdendo as eleições, porque só um governador será eleito, tanto PMDB como PT necessitam de candidatos a governador  para puxar a fila de pretendentes ao Congresso e às Assembléias Legislativas. Para sensibilizar o eleitorado. Como exceção  poderá haver entendimento e formação de um único palanque num ou outro estado, mas, como regra, peemedebistas e petistas estarão jogando a própria sobrevivência nas disputas regionais.

Mesmo que Michel Temer e Ricardo Berzoini insistam, não serão ouvidos. Depois de almoçarem com o  Lula, esta semana, os dois presidentes prometeram empenhar-se, mas,  experientes que são, saberão da inviabilidade de acordo na maioria dos estados.

Tome-se o Rio Grande do Sul.  Tarso Genro, aliás ministro da Justiça,  admitiria abandonar sua candidatura e subir no palanque de José Fogaça? E a recíproca,  seria verdadeira? Vale o mesmo para Santa Catarina, Paraná, São Paulo e assim por diante, até chegarmos ao Acre. Nesse particular, valem muito pouco as determinações do palácio do Planalto.

A fixação do presidente está na própria sucessão. Sabendo da fragilidade da candidata Dilma Rousseff, seu objetivo é de engajar o PMDB inteiro na campanha, mesmo precisando sacrificar o PT em muitas disputas estaduais. O problema é que os companheiros tem engolido tudo, desde submissão até humilhações, mas não chegarão a cometer suicídio. O que pensar, então, do PMDB, posto a cavaleiro na equação sucessória federal?

O infindável saco de maldades

Não tem tamanho o saco de maldades da equipe econômica. A última, agora, é vincular ao PIB  o reajuste dos aposentados que recebem acima do salário mínimo.  Quer dizer, se a economia andou mal, se a especulação financeira sobrepujou a produção, se o governo mostrou-se incompetente – a conta irá para os aposentados. Em vez de dar aos velhinhos menos miseráveis  o mesmo percentual de aumento concedido aos mais miseráveis de salário mínimo, o governo inventa atrelar sua ação ao crescimento do   Produto Interno Bruto. Por que não à performance do Flamengo do campeonato brasileiro?   Ou ao número de pontos obtidos pela Escola de Samba campeã do último carnaval?

O presidente Lula vetou o projeto que  reajustava em  16.5% os aposentados acima do salário mínimo. ~Como presidente do Congresso o  senador José Sarney não marcou nem marcará data para a sessão de apreciação dos vetos presidenciais. Para não ficar tão mal junto à categoria dos aposentados, o governo promete uma compensação. Mas essa de vincular o reajuste ao PIB não dá. Inventem outra…

Ninguém para defender

Ontem o senador Jarbas Vasconcelos pronunciou um dos mais veementes discursos contra o presidente Lula, a quem chamou de aprendiz de ditador, responsável pela mediocridade da política brasileira e pela maior crise já vivida pelo Congresso nos últimos anos. Pois bem: nenhum senador governista ergueu a voz para defender o chefe do governo. Os que estavam presentes sequer ergueram  os olhos.

Eduardo Suplicy,  que minutos antes agredira José Sarney, ficou calado. O presidente do Senado, também.

A Deus nada se recusa

Cristóvan Buarque é do PDT, partido que apóia o palácio do Planalto, mas não perde oportunidade de  criticar o governo do qual foi ministro. Também bateu firme no presidente Lula, que para ele não é apenas um líder político, porque transmudou-se no Padre Eterno. Imagina-se Deus, colocando-se acima dos três poderes da União.

Para não renunciar ao poder e suas benesses, disse o ex-governador do Distrito Federal, o PT aceitou o retrocesso ideológico. Abandonou princípios do passado e sonhos do futuro. Também não foi contestado.

Pretendem (pretendem?) acabar o Conselho de Ética

Essa é a chamada “missão impossível”, título glorificado por vários filmes. Só que no caso do Conselho de Ética, é impossível acabar com alguma coisa que não existe. Nem o CONSELHO nem a ÉTICA.

Sarney presidindo

O presidente do Senado não tem salvação. A opinião pública não aceita, não admite, não acredita que tudo acabe num ACORDÃO (não confundir com ACÓRDÃO, que é a decisão dos tribunais coletivos, principalmente o Supremo), sem que as 11 representações sejam examinadas.

Sarney se exibindo

A partir das 3 da tarde, começou a presidir e a colocar em votação vários projetos “menores”. A cada um, terminava dizendo: “Não havendo MANIFESTAÇÃO CONTRÁRIA”, eu ficava esperando. E tinha quase certeza que vários senadores iriam se levantar e declarar: “Não tenho manifestação contrária ao projeto, MAS TODAS EM RELAÇÃO AO SENHOR”. Não ouvi ninguém. (Exclusiva)

A Receita para os aplausos

No meio de todo esse vendaval de irregularidade, indignidade e falta de credibilidade, parabéns para os CHEFES SUPERINTENDENTES que se demitiram dos cargos, SOLIDARIEDADE IMPORTANTE  e CORRETÍSSIMA é isso. (Exclusiva)

Saudades do Chico Anísio na televisão

Depois que o genial humorista (e não apenas isso) não aparece ais, tudo ficou triste e de mau humor, só existe um refúgio para rir e se divertir.

A contribuição de três “diplomados”

Economistas, Sociólogos e Cientistas Políticos. Temos que agradecer a eles, pois de outra forma não haveria fórmula para a diversão. Os três concursados são realmente engraçados, perdão, engraçadíssimos. E se não bastasse, de vez em quando ainda recebem o reforço de Historiadores. Ha! Ha! Ha!

“Nervos de Aço”, Roberto Jefferson

Há 3 anos, a TOPBOOKS (do ganhador de prêmios editoriais José Mario Pereira) lançava esse livro impressionante. Contado por ele a Luciano Trigo (que fez trabalho magistral), foi sucesso completo. Esgotou logo, devia ser reeditado. Em qualquer parte do mundo, teria provocado revolução popular. Sem armas, mas com revolta.

De Mercadante a Eros Grau

Margarida Albano de Albuquerque
“O senhor acredita mesmo que o presidente Lula queria continuar no governo? E as três opções que o senhor colocou, prorrogação geral dos mandatos, referendo ou simplesmente nova eleição não seria exagero anti-lulista? Desculpe, não sou lulista, mas o senhor parece ser contra ele. Acertei?”

Comentário de Helio Fernandes
Não precisamos nos definir, Margarida. Temos o direito de discordar um do outro, e os dois da política do presidente Lula. Na Tribuna impressa e aqui, minha orientação foi sempre baseada em duas palavras: INFORMAÇÃO e OPINIÃO. Continuo acreditando nisso. Adoro informação e, baseada nela, não fujo da opinião.

Antonio Osório do Amarante
“Queria voltar ao assunto da sua grandeza em relação ao senador Mercadante e a falta de credibilidade dele no discurso irrevogável-revogável. O senhor acha que ele será reeleito para o senado em 2010? Desculpe, mas gostaria de me orientar, e isso, orientação, encontro com o senhor, mesmo quando discordamos.”

Comentário de Helio Fernandes
Osório, tinha quase certeza que ao elaborar a minha do discurso que fez para 6 senadores, Mercadante imaginou a eleição para a desejada volta ao Senado. Sua posição já estava difícil, dentro e fora do PT. São 2 vagas por estado, portanto, 54 senadores têm ou terão o mesmo problema de Mercadante. No PT, pode até obter a legenda, mas o partido não votará nos dois ao mesmo tempo.

Fora do PT, precisa enfrentar Geraldo Alckmin, que já foi prefeito, governador e candidato a presidente, só será derrotado se houver nova conjugação Serra-Kassab contra ele.

Por outra frente, Orestes Quércia, que já foi vice, depois governador e senador, “dono” do PMDB, aliado de Serra e “disque Quércia para a corrupção”, é praticamente invencível. Em alguns casos, UMA VAGA e muito melhor do que DUAS. É a questão.

Alda Menezes
Falam muito que o Ministro Eros Grau é um excelente “poeta erótico”. Você poderia pedir ao Millor para definir o que é isso?”

Comentário de Helio Fernandes
Vou tentar passar tua pergunta a ele. Só que o Millor é um profissional requisitadíssimo. Lógico, definiria magnificamente. “Poeta erótico” é privado ou estatal?

Bolsas “recuperam” a crise. Ha! Ha! Ha!

Fora do “sistema” (que FHC só chama de “establishment”) político “ameniza e coordena” órgãos impressos, existe um outro, que controla e manipula os “mercados” financeiros.

Alta sem significação

As bolsas têm subido, receberam fábulas de dinheiro, empregam, lucram, mandam os amestrados relacionarem essas altas com o fim da crise. Nada a ver. Às 14 horas, faltando 3 horas para o final, alta de 0,60% em 58 mil e 100 pontos. Volume de 2 bilhões e 300 milhões. O dólar inalterado, na casa de 1,84.

Surpreendentes, textuais e entre aspas

Mangabeira Unger, quase incompreensível, mas atirando no Bolsa Família do governo que criticou, mas ao qual aderiu: “O povo não quer CARIDADE e sim OPORTUNIDADE”.

E logo a seguir, difuso e confuso: O povo quer firmar a sua originalidade, mas sem negar sua cultura”. Onde o baiano-americano ouviu o povo ou se encontrou com ele?

Não posso deixar de revelar outra frase dele, inteiramente desligada de sua vida: “É fácil ser visionário quando não se enfrenta nada”. Aí, pura autocrítica.

Duas afirmações de Lula, que cabem perfeitamente aqui. 1- “Os juros podem cair mais, embora no meu governo a queda tenha sido bastante expressiva”. O presidente não é a maior autoridade da República?

“Sinal verde para Palocci”

2- O presidente Lula não se fartava de garantir isso que está no título? Como Palocci foi demitido e os juros começaram a cair, a conclusão é facílima: Palocci não deixava os juros cair.

Meirelles queria derrubá-los?

Como dos “grandes” o único que continuou foi o presidente do Banco Central, devia ser voto vencido na discussão dos juros.

Quem manda na economia

Não esquecer: hierarquicamente, o presidente do BC é subordinado ao Ministro da Fazenda., o que não acontece com Dona Lina e Dona Dilma.

Palocci ressuscitado por quem o enterrou

Demitido sem paixão ou compaixão, o ex-ministro exibe felicidade fora do comum. Deve essa felicidade ao jornal “O Estado de São Paulo“ e ao advogado Luiz Nogueira.

“Curinga” e indenização milionária

O jornalão garante que quinta-feira (depois de amanhã) será absolvido pelo Supremo e poderá se candidatar a diversos cargos. O advogado, escreveu: “Pode reivindicar INDENIZAÇÃO BILIONÁRIA”.

Itamar, Tarso Genro, Arruda de Brasília

O restaurante Satiricon sempre muito bem frequentado. Durante anos, doutor Ulisses ia lá tomar seu “poir” com Renato Archer, Teotônio Vilela e às vezes não tão bem acompanhado.

Confissões

Os três citados acima pararam, conversaram, nenhum sigilo. O Ministro da Justiça: “Serei candidato ao governo do Rio Grande do Sul”. Não parou por aí, mas já era sigiloso.

Voltará senador, talvez recupere a “casa”

Senador duas vezes pelo mesmo partido, em 1974, pelo MDB, em 1982, pelo PMDB (o mesmo partido com mais uma letra), Itamar foi governador, presidente, embaixador em vários países. Em 2006, dentro do PMDB, perdeu a legenda por 1 voto para o c-o-r-r-u-p-t-í-s-s-i-m-o Newton Cardoso.

Governador Arruda: do Antiquarius ao Satiricon

Eleito governador de Brasília, veio ao Rio, almoçou com o repórter. Perguntei: “E a reeeleição?”. Resposta convicta: “Sou contra, vou cumprir um mandato e talvez me candidatar a senador”.

Mudou de restaurante e de convicção

Agora, voltou ao Rio, foi almoçar no restaurante preferido do doutor Ulisses, mas a convicção (e o paladar) mudou inteiramente. Admite a candidatura, o que significa: irá disputar.