Millôr Fernandes descobre um triângulo amoroso numa poesia matemática

Resultado de imagem para millor + matematicaPaulo Peres
Site Poemas & Canções

O desenhista, humorista, dramaturgo, tradutor, escritor, jornalista e poeta carioca Milton Viola Fernandes (1923-2012), que virou Millôr por um erro no cartório de Registro Civil, que era redigido manualmente, usou a sua genialidade para  contar uma estória de amor, através de metáforas, nos versos de um de seus poemas mais originais e celebrados.

POESIA MATEMÁTICA
Millôr Fernandes

Às folhas tantas
do livro matemático
um Quociente apaixonou-se
um dia
doidamente
por uma Incógnita.
Olhou-a com seu olhar inumerável
e viu-a do ápice à base
uma figura ímpar;
olhos rombóides, boca trapezóide,
corpo retangular, seios esferóides.
Fez de sua uma vida
paralela à dela
até que se encontraram
no infinito.
“Quem és tu?”, indagou ele
em ânsia radical.
“Sou a soma do quadrado dos catetos.
Mas pode me chamar de Hipotenusa.”
E de falarem descobriram que eram
(o que em aritmética corresponde
a almas irmãs)
primos entre si.
E assim se amaram
ao quadrado da velocidade da luz
numa sexta potenciação
traçando
ao sabor do momento
e da paixão
retas, curvas, círculos e linhas sinoidais
nos jardins da quarta dimensão.
Escandalizaram os ortodoxos das fórmulas euclidianas
e os exegetas do Universo Finito.
Romperam convenções newtonianas e pitagóricas.
E enfim resolveram se casar
constituir um lar,
mais que um lar,
um perpendicular.
Convidaram para padrinhos
o Poliedro e a Bissetriz.
E fizeram planos, equações e diagramas para o futuro
sonhando com uma felicidade
integral e diferencial.
E se casaram e tiveram uma secante e três cones
muito engraçadinhos.
E foram felizes
até aquele dia
em que tudo vira afinal
monotonia.
Foi então que surgiu
O Máximo Divisor Comum
frequentador de círculos concêntricos,
viciosos.
Ofereceu-lhe, a ela,
uma grandeza absoluta
e reduziu-a a um denominador comum.
Ele, Quociente, percebeu
que com ela não formava mais um todo,
uma unidade.
Era o triângulo,
tanto chamado amoroso.
Desse problema ela era uma fração,
a mais ordinária.
Mas foi então que Einstein descobriu a Relatividade
e tudo que era espúrio passou a ser
moralidade
como aliás em qualquer
sociedade.

Maior problema de Jair Bolsonaro é a falta de quadros para serem nomeados

Imagem relacionada

Levy participou da comemoração da “Turma do Guardanapo”

Carlos Newton

A posse de Jair Bolsonaro na Presidência é aguardada com a máxima ansiedade. Parte de seu eleitorado votou nele por considerá-lo o menor pior e para expulsar a falsa esquerda do eixo Planalto/Alvorada; outra parte tem uma visão mais otimista e acredita que Bolsonaro realmente possa mudar este país de uma hora para outra, como se isso fosse possível e até fácil. Portanto, não causa espanto que antes mesmo de sua posse o futuro governo já esteja eivado de dúvidas e indagações.

O fato concreto é que Bolsonaro não tem quadros e teve de delegar poderes. Mas uma coisa é transformar em superministro um herói nacional como Sérgio Moro, outra coisa muito diferente é confiar num economista de mercado para comandar a área econômica.

UMA INCÓGNITA – Diz-se que há tempos Paulo Guedes estaria próximo de Bolsonaro e cheio de ideias geniais e informações sobre todos os problemas, tipo Posto Ipiranga. Mas agora já sabemos que não é bem verdade. Pelo que se extrai em suas declarações sobre a reforma da Presidência, já se constata que Guedes não tem a menor noção do que precisa fazer.

Além de não ter ideias, também não dispõe de quadros para preencher os principais cargos de sua área. Para um governo ligado aos militares e que se diz nacionalista, é duro ter de engolir no estratégico BNDES um economista como Joaquim Levy, que era integrante da “Turma do Guardanapo” de Sérgio Cabral, lembram? A diferença é que Levy não bebe, estava sóbrio naquela noite no Clube Inglês de Paris. Mas, diz-me com quem andas que te direi quem és….

MAIS DO MESMO – Depois da escolha do globalista Levy para o BNDES, o que se pode esperar do superministro Guedes que não seja mais do mesmo, como se diz hoje em dia?

Bolsonaro pessoalmente é um desastre, mas poderia fazer um bom governo. Deveria preencher o Ministério com brasileiros de verdade, que estejam dispostos a defender os interesses nacionais, retomar o desenvolvimento e reduzir as desigualdades sociais, como é o caso do juiz Sérgio Moro, uma grande escolha, que saberá montar sua equipe com a maior facilidade.

CONTRADIÇÕES – Admita-se que o futuro presidente saiu-se bem ao indicar os generais Augusto Heleno e Fernando Azevedo para o Gabinete de Segurança Institucional e a Defesa, mas a escolha do embaixador blogueiro foi uma decisão desastrada. Embaixador não fala, não externa opiniões, precisa ser sempre contido e cauteloso, exatamente o contrário do embaixador blogueiro.

Além disso, Bolsonaro não pode deixar Paulo Guedes livre para indicar figuras como Joaquim Levy, porque a gente fica com vontade de lembrar o cantor Silvio Brito e pedir: “Pare o mundo que eu quero descer”.  

###
P.S.1
O juiz Moro disse que não aceitará corruptos no governo e classificou de “incipientes” as acusações feitas a Guedes por prejuízos aos fundos de pensão. No dia 5 Guedes presta depoimento à força-tarefa da Operação Greenfield. De repente, as acusações podem passar de “incipientes” para “consistentes”. E o que Bolsonaro e Moro farão a respeito?  

P.S.2 – Agora surge a notícia de que o general Oswaldo Ferreira está fora do Ministério e da própria equipe de Bolsonaro. Certamente cansou de tantas asneiras. Mesmo quem ainda acredita em Bolsonaro já está começando a ficar desconfiado de que há alguma coisa errada com ele.  (C.N.)

Como combater a corrupção, a maior inimiga de qualquer política pública

Resultado de imagem para corrupção charges

Charge do Duke (dukechargista.com.br)

Pedro do Coutto

Em sua edição de ontem, O Globo destaca as várias propostas de combate à corrupção elaboradas por uma comissão de juristas que vão fornecer ao governo Jair Bolsonaro os meios para o enfrentamento permanente à corrupção. Já não é sem tempo e tal projeto já virá tarde, partindo-se do princípio que a corrupção indiretamente é a causa de milhares de mortes e de injustiças que freiam o desenvolvimento humano.

Na Câmara Federal tramita um projeto nesse sentido, mas dificilmente será votado na sessão legislativa que se encerra em dezembro.

EXEMPLO DO RJ – A corrupção destrói principalmente as políticas públicas voltadas para os brasileiros e brasileiras. Seu combate é difícil, mas é indispensável. Veja-se o exemplo do Rio de janeiro. Numa entrevista à Veja, páginas amarelas há alguns meses, o ex-secretário Sérgio Cortes afirmou-se arrependido de ter causado e participado de uma corrupção no montante de 300 milhões de reais quando Secretário de Saúde. Confessou ter praticado desvios também em sua gestão no INTO, que funciona no prédio do antigo Jornal do Brasil.

Para enfrentar a corrupção, digo eu, há muitos caminhos, porém para cumprir a ideia é fundamental haver uma disposição real para combatê-la.

Em primeiro lugar deve-se prestar atenção nas concorrências para grandes obras públicas, examinando-se os editais de licitação. Mas isso não basta. É preciso que tenham publicidade os famosos termos aditivos que vêm depois da concorrência pública.

PUBLICIDADE LEGAL -A publicação nos termos aditivos deve ser feita através da publicidade legal nos grandes jornais do respectivo Estado, além de inserção nas redes sociais da Internet. Nos termos aditivos é onde atuam os escorpiões do erário público.

Além disso, têm de ser levantados os bens e as contas dos dirigentes da administração em geral. E a cada ano comparado seu crescimento e a respectiva fonte de renda. Para finalizar, matéria para o Banco Central levantar-se as remessas de dinheiro em moeda estrangeira para fora do país. 

Não é difícil a tarefa. Mas também não é fácil. Do se resultado dependerá a execução de qualquer projeto voltado para a redistribuição de renda.00

Filho de Bolsonaro diz que Mais Médicos serve de pretexto para financiar a ditadura

Pelo Twitter, Calos Bolsonaro defendeu o posicionamento de seu pai

Adriana Mendes
O Globo

O vereador Carlos Bolsonaro (PSL-RJ) defendeu na manhã desta quinta-feira, dia 15, no Twitter, o posicionamento de seu pai, o presidente eleito Jair Bolsonaro, em relação ao programa Mais Médicos . Cuba anunciou ontem que decidiu encerrar a parceria com o governo brasileiro no programa. Carlos afirmou que o Mais Médicos “é usado como pretexto para financiar fortemente e regularmente a ditadura, tudo na base da exploração desumana”.

Segundo o vereador, o presidente eleito “só pediu liberdade aos cubanos e pagamento integral de seus salários”. O programa tem atualmente 18.240 vagas, das quais 8.332 são preenchidas por cubanos. O Ministério da Saúde informou que irá abrir um edital nos próximos dias para contratar novos profissionais. Os candidatos brasileiros terão prioridade na convocação, como já ocorria nos editais anteriores.

DIREITOS HUMANOS – O presidente eleito, Jair Bolsonaro (PSL), também usou seu perfil no Twitter para fazer críticas sobre a saída de Cuba do programa Mais Médicos. “Atualmente, Cuba fica com a maior parte do salário dos médicos cubanos e restringe a liberdade desses profissionais e de seus familiares. Eles estão se retirando do Mais Médicos por não aceitarem rever esta situação absurda que viola direitos humanos. Lamentável!”, escreveu o presidente.

Em reação ao anúncio de que Cuba sairá do programa Mais Médicos, o presidente eleito Jair Bolsonaro (PSL) afirmou, em entrevista a jornalistas, que não há qualquer comprovação de que os cubanos sejam médicos e aptos a desempenhar a função no Brasil. Mas alegou que as pessoas do país terão asilo no território nacional se quiserem. Ele também ressaltou que o embaixador Ernesto Araújo é visto como um dos mais competentes para assumir o Ministério das Relações Exteriores.

CONTRA – As declarações foram dadas no Centro Cultural Banco do Brasil (CCBB) na tarde desta quarta-feira, dia 14. Segundo Bolsonaro, quando o programa Mais Médicos foi levado para a Câmara, há quatro anos, ele foi contra. “É uma questão humanitária. É desumano deixar os profissionais aqui afastados de seus familiares. Tem muita senhora desempenhando sua função de médico e seus filhos menores estão em Cuba”, apontou o presidente eleito.

Governo vai gastar R$ 5,6 milhões com carros para Bolsonaro e Mourão

Governo vai comprar 30 carros para a escolta em 2019

Luiz Felipe Barbiéri,
Delis Ortiz
e João Netto
G1/TV Globo

O Gabinete de Segurança Institucional (GSI) abriu concorrência para renovar a frota de veículos que fazem a escolta do presidente e do vice-presidente da República. Serão adquiridos 30 carros, dos quais 12 blindados. O edital foi publicado na edição da última quinta-feira, dia 8, do “Diário Oficial da União”. O pregão eletrônico será realizado no próximo dia 21, às 9h30. Os carros farão a escolta do presidente eleito, Jair Bolsonaro, e do vice, general Hamilton Mourão, a partir de 2019.

Serão licitações com diferentes requisitos porque são requeridos carros com níveis diferentes de blindagem. O nível III, por exemplo, é o que resiste a fuzil. O ministro do Gabinete de Segurança Institucional (GSI), Sérgio Etchegoyen, afirmou que a decisão de “redimensionar” a segurança do presidente e do vice foi tomada em razão do atentado sofrido por Bolsonaro durante a campanha eleitoral e por “ameaças” à integridade do presidente eleito.

CIRCUNSTÂNCIAS ESPECIAIS – “O GSI trabalha para redimensionar a estrutura da segurança, tendo em conta as circunstâncias especiais do presidente eleito, que já sofreu atentado e segue sofrendo ameaças à sua integridade física. Os padrões de segurança estabelecidos se estenderão ao vice presidente eleito, General Hamilton Mourão”, afirmou Etchegoyen.

A licitação estabelece a compra de 30 automóveis. O valor estimado é de R$ 5,6 milhões. Os veículos ficarão sob administração do Departamento de Segurança Presidencial. O edital determina que 12 desses 30 carros sejam blindados, do tipo executivo e com características mistas: escolta e policial. A blindagem permite proteção contra tiros de submetralhadores e pistolas 9 milímetros. Outros 18 veículos do mesmo modelo e marca, mas sem blindagem, também serão adquiridos no processo licitatório.

Além de Brasília, os veículos ficarão disponíveis em outros estados, como Rio de Janeiro, para fazer a segurança do presidente em caso de viagens. Atualmente, a escolta do presidente é formada por carros modelo Chevrolet Ômega e Ford Edge. Os carros da Ford foram adquiridos em 2011, durante o governo Dilma Rousseff. Na oportunidade, a administração federal pagou R$ 1,76 milhão por 12 Edges, 10 dos quais blindados.

EDITAL – “O Departamento de Segurança Presidencial (DSEG) da Secretaria de Segurança e Coordenação Presidencial, tem como missão zelar, assegurado o exercício do poder de polícia, pela segurança pessoal do Presidente da República (PR), do Vice-Presidente da República (VPR) e respectivos familiares, dos titulares dos órgãos essenciais da Presidência da República e de outras autoridades ou personalidades, quando determinado pelo Presidente da República, bem como pela segurança dos palácios presidenciais e das residências do Presidente da República e do Vice-Presidente da República”, diz um trecho do edital, como justificativa para a renovação da frota.

Segundo o documento, a “cápsula presidencial” é composta de cinco carros de mesma marca, modelo e cor, para evitar que o presidente e o vice sejam identificados durante os deslocamentos. O edital determina que os veículos devem ser fabricados por montadoras que têm concessionárias regularmente instaladas no país e apresenta como referência características dos modelos Ford Fusion, Honda Accord, Toyota Camry ou Hyundai Azera.

Suíça aponta R$ 43,2 milhões em financiamento ilegal para o PSDB

 Sob investigação, nomes dos suspeitos são mantidos “em sigilo”

Jamil Chade
Estadão

A Justiça suíça citou pela primeira vez em um documento oficial suspeitas sobre o financiamento de uma campanha presidencial do PSDB, ao mencionar um pedido de cooperação judicial entre o Brasil e o país europeu. No foco da apuração está uma movimentação de cerca de R$ 43,2 milhões bloqueados em contas na Suíça. As informações constam em uma decisão do Tribunal Penal Federal da Suíça, de 26 de setembro deste ano, que rejeitou recursos apresentados pelos suspeitos para impedir que o processo de cooperação seguisse adiante.

Esse é o segundo caso de colaboração entre Brasil e Suíça que envolve o PSDB. Na primeira solicitação, Berna enviou ao Brasil os extratos bancários das contas atribuídas ao ex-diretor da Dersa Paulo Vieira de Souza. O Ministério Público da Suíça confirmou, entretanto, que, no caso dos R$ 43,2 milhões, o foco não é o ex-diretor da Dersa. Por estar ainda sob investigação, porém, os nomes dos suspeitos são mantidos em sigilo.

SUSPEITO – De acordo com o documento, o Ministério Público Federal brasileiro, em 27 de junho de 2017, apresentou um pedido de assistência judicial à Suíça “em um processo criminal instaurado contra B. e outros por lavagem de dinheiro, corrupção ativa e passiva”. A letra “B” se refere a um suspeito, cujo nome foi mantido em confidencialidade – a letra não se refere à inicial de seu nome.

Segundo o documento, os suíços mencionam a investigação brasileira e o fato de ela ter uma relação com o financiamento de campanha do partido. De acordo com o tribunal da Suíça, a solicitação de cooperação do Brasil se refere a pessoas que seriam “suspeitas de terem concordado que o grupo C. deveria pagar, em troca da implementação de um contrato de empréstimo celebrado por eles com D. (uma joint venture brasileira ativa no desenvolvimento do serviço rodoviário, controlada por governo do Estado de São Paulo para a construção, exploração, manutenção e gestão de autoestradas e nós intermodais), o dinheiro para financiar a campanha presidencial do PSDB”.

BLOQUEIO –  Os grupos C e D se referem a empresas cujos nomes tampouco foram revelados. O pedido de cooperação solicitava em 2017 que os suíços bloqueassem ativos em contas identificadas, que chegariam a R$ 43,2 milhões. De acordo com o Tribunal, isso seria “equivalente a mais de 10 milhões de francos suíços, valor total pago pelo Grupo C. em uma base de corrupção entre 2006 e 2012”. Procurada, a cúpula do PSDB afirmou que a atual direção do partido não irá se pronunciar por enquanto, até saber exatamente do que se trata.

###
P.S.
 – Nomes dos suspeitos não foram divulgados. Tmabém nem precisava. A movimentação foi registrada entre os anos de 2006 e 2012 e, segundo a procuradoria suíça, o dinheiro teria sido pago em troca da implementação de um contrato de serviços rodoviário “para financiar a campanha presidencial do PSDB”. No período compreendido pela investigação, o ex-governador e ex-ministro José Serra era o presidenciável tucano. (M.C.)

Aliados de Bolsonaro reclamam da dificuldade de diálogo com Onyx Lorenzoni

Novo chefe da Casa Civil não atende nem ligações

Marina Dias
Folha

Um dos principais auxiliares de Jair Bolsonaro (PSL), o futuro ministro da Casa Civil, Onyx Lorenzoni (DEM-RS), começou a desagradar a aliados do núcleo do novo governo. Integrantes do DEM e do PSL reclamam da falta de interlocução com Onyx e avaliam que seu perfil pouco conciliador pode prejudicar ainda mais a articulação política com o Congresso.

Como mostrou a Folha, Bolsonaro tenta desobstruir seu canal com os parlamentares e escalou o novo chefe da Casa Civil para conversar com o presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ). O capitão reformado havia desmarcado encontro com Maia e com o chefe do Senado, Eunício Oliveira (MDB-CE), sinalizando aos caciques políticos que a relação com o Legislativo não era prioridade da transição.

SEM COMUNICAÇÃO – Aliados do presidente eleito, porém, dizem que o desconforto mudou de patamar e alcançou deputados e senadores do PSL e do próprio partido de Onyx, o DEM. O principal argumento é que o novo chefe da Casa Civil não atende ligações e não tem trabalhado para melhorar seu trânsito no Congresso. Segundo parlamentares, é mais fácil falar com Bolsonaro do que marcar alguma audiência ou resolver demandas com Onyx.

A relação do deputado gaúcho com líderes da Câmara nunca foi boa, mas piorou bastante depois que ele foi relator do pacote anticorrupção e não cumpriu acordos com diversos colegas. De olho na opinião pública, à época Onyx se comportava como uma espécie de porta-voz do Ministério Público Federal, que elaborou inicialmente as medidas, e irritou líderes partidários ao trabalhar contra uma proposta de anistia ao caixa dois, articulada com apoio, inclusive, de Rodrigo Maia.

O braço-direito político de Bolsonaro já confessou ter recebido R$ 100 mil da JBS via caixa dois em 2014 e a Folha revelou nesta quarta-feira, dia 14, que uma planilha entregue por delatores da empresa à PGR (Procuradoria-Geral da República) sugere uma segunda doação eleitoral não declarada para ele no mesmo valor em 2012 – e não admitida pelo deputado até agora. O capital político de Onyx é ainda mais estreito no Senado.

ISOLADO – Eunício, por exemplo, afirmou a aliados de Bolsonaro que conversa com “qualquer pessoa”, menos com o futuro ministro da Casa Civil e com o senador Magno Malta (PR-ES), que também pode assumir um cargo na Esplanada. Aliados do presidente eleito não concordam com a estratégia de isolar Eunício —que ainda não se encontrou com Bolsonaro para uma conversa reservada— visto que ele ainda é o chefe do Congresso, responsável por pautar votações importantes, como a do Orçamento.

Há quem diga que Bolsonaro não quer se atrelar à “velha política” — e por isso tem evitado Eunício e seu partido, o MDB — mas parlamentares mais experientes dizem que é preciso ter cautela, visto que a presidência do Senado deve seguir nas mãos dos emedebistas, com Renan Calheiros (AL), a partir de 2019.

Geddel, Cunha, Henrique Alves e mais 15 viram réus na Operação Cui Bono

Operação deflagrada no ano passado apura fraudes na Caixa

Deu no O Globo

O ex-ministro Geddel Vieira Lima e os ex-presidentes da Câmara dos Deputados Eduardo Cunha e Henrique Eduardo Alves, todos do MDB, viraram réus nesta semana, no processo relacionado à Operação Cui Bono, que investiga fraudes na liberação de créditos pela Caixa Econômica Federal. Geddel chegou a ser vice-presidente do banco, enquanto os ex-parlamentares, segundo o Ministério Público Federal (MPF), tinham influência na área.

A denúncia foi aceita nesta terça-feira, dia 13, pelo juiz Vallisney de Oliveira, da 10ª Vara da Justiça Federal de Brasília. Outras 15 pessoas também vão responder ao processo, entre elas o doleiro Lúcio Funaro, que tornou-se delator e é apontado pelos investigadores como operador do MDB, e o ex-vice-presidente da Caixa Fábio Cleto, que foi indicado por Cunha para o posto.

TRANSAÇÕES – O magistrado deu dez dias para as defesas dos réus apresentarem respostas à acusação e 15 dias para a Polícia Federal apresentar um relatório “pormenorizado sobre os bens e respectivas destinações apreendidos no interesse deste processo”. As transações financeiras que são alvo do processo envolvem os grupos Marfrig, Bertin, J&F, BR Vias e Oeste Sul Empreendimentos Imobiliários. Ao longo das investigações, as empresas sempre negaram as irregularidades.

Os investigadores afirmam que a estrutura basilar da prática das fraudes na Caixa era composta por três frentes: empresarial; funcionários públicos e grupo político e operadores financeiros. O advogado de Eduardo Cunha, Délio Lins e Silva, afirmou que as acusações são “requentadas, sem provas” e que “serão afastadas pela defesa” no curso da ação penal. O advogado de Lúcio Funaro, Bruno Espiñeira, afirmou que o delator “segue efetivamente prestando todas as informações necessárias para as autoridades, elucidando uma centena de fatos e circunstâncias relacionadas a fatos delitivos cometidos no cenário nacional e internacional”.

INOCÊNCIA – O defensor acrescentou que, durante o processo, Funaro continuará esclarecendo “todos os fatos necessários, sempre se pautando pela veracidade e verdade das informações, quase sempre corroboradas com documentos e demonstrações daquilo que efetivamente ele informa aos autoridades”. Já o advogado de Henrique Eduardo Alves, Marcelo Leal, afirmou que o ex-deputado é inocente, o que, segundo ele, será provado ao longo da ação. As defesas de Geddel e Fábio Cleto não foram encontradas pela reportagem.

Morre, aos 74 anos, José Roberto Nasser, fundador do Museu do Automóvel

Imagem relacionada

Caricatura reproduzida do Arquivo Google

José Carlos Werneck

Faleceu em Brasília o jornalista José Roberto Nasser, um dos um dos maiores especialistas em história automobilística do país. Carioca, Nasser tinha 74 anos. Brasiliense por opção, além de colecionador de automóveis raros, ele lutava pela preservação da história da indústria automobilística brasileira. Em 2004, Nasser fundou o Museu do Automóvel de Brasília ,espaço tido como um dos mais importantes para a história automobilística nacional.

O Museu reúne um acervo com carros de modelos raros, além de milhares de documentos e livros referentes à história do automóvel no Brasil. José Roberto que também era advogado, criou o termo “antigomobilismo” e foi o fundador e primeiro presidente da Federação Brasileira de Veículos Antigos.

MUSEU LACRADO – Em novembro de 2016, o Museu do Automóvel foi lacrado pela Secretaria de Patrimônio da União e deixou de funcionar. O prédio onde funcionava o museu era um espaço cedido pelo Ministério dos Transportes, que pediu para reaver o imóvel. Um abaixo-assinado direcionado à Presidência da República chegou a ser criado, solicitando um novo espaço para o Museu, o que não aconteceu. O site da entidade, contudo, continuou ativo.

Amigos e colegas de Nasser lamentaram sua morte, entre eles José Maria de Andrade, 58 anos, colecionador de carros antigos. “Ele era uma pessoa vibrante e apaixonada pelo automobilismo. Sempre estava preocupado em promover informação sobre a história do automobilismo. Era uma pessoa muito querida e que deixou um legado enorme para todos nós”, afirmou.

 

Foi prestada uma homenagem durante cortejo de José Roberto Nasser. Amigos e colegas dele acompanharam o féretro em carros antigos e um deles levou as bandeiras da Veteran, clube do qual Nasser fazia parte, e da Federação Brasileira de Veículos Antigos, instituição também por ele fundada.

A escolha desastrada de um chanceler que idolatra o “Deus” Trump

Resultado de imagem para ERNESTO ARAUJO

Bolsonaro coloca um diplomata radical no Itamaraty

Merval Pereira
O Globo

A decisão de escolher um diplomata de carreira para comandar o Itamaraty parecia ser uma sensatez do novo governo Bolsonaro, indicativo de que entendia, afinal, que as relações internacionais do Brasil têm mais importância do que revelavam seus comentários apressados sobre questões delicadas, como a transferência da embaixada brasileira em Israel para Jerusalém ou as críticas à China, que estaria “comprando o Brasil”.

Mas a escolha do ministro das Relações Exteriores do futuro governo Bolsonaro não poderia ter sido mais desastrada, a começar de como ele chegou ao posto máximo da carreira depois de nomeado embaixador há pouquíssimo tempo, sem nunca ter chefiado uma embaixada.

EXTRAVAGÂNCIAS – O concorrente mais visível, Luis Fernando de Andrade Serpa, já era considerado uma extravagância perigosa. Pela carreira sem grandes vôos, e pelo fato de que era talvez o único embaixador que Bolsonaro conhecia, por ter viajado recentemente para a Coréia do Sul.

Mas Ernesto Araujo, diretor do Departamento de Estados Unidos, Canadá e Assuntos Interamericanos, é uma surpresa desagradável, que indica, pela primeira vez na montagem do ministério, uma decisão de fazer na política externa exatamente o que criticava nos governos petistas, com sinal trocado. 

O secretário-geral do Itamaraty no começo da gestão de Celso Amorim, considerado o ideólogo da política petista de relações internacionais, Sebastião Pinheiro Guimarães, considerava que o futuro da diplomacia brasileira estava na África, e taxava os Estados Unidos de desimportante como posto de carreira. TRUMPISTA – Ernesto Araujo coloca Trump acima de tudo e Deus acima de todos. É preocupante sua visão mística e religiosa do papel do Ocidente no mundo, em artigo que publicou recentemente na revista Cadernos de Política Exterior da Fundação Alexandre de Gusmão, do Itamaraty.

No seu blog, ele, discípulo de Olavo de Carvalho, assumiu um apoio aberto a Jair Bolsonaro, e foi através de André Marinho, filho de Paulo Marinho, suplente do senador Flávio Bolsonaro, que ele chegou ao núcleo duro do bolsonarismo. Sabatinado pelos filhos de Bolsonaro, não passou no teste, prevalecendo a opinião do filho de Paulo Marinho.

André, que tem o dom da imitação e diverte quem o vê mimetizando Trump e Bolsonaro, foi quem fez a tradução do telefonema que Bolsonaro recebeu de Trump depois da vitória. Ernesto Araujo se equipara ao Bolsonaro dos velhos tempos quando fala do PT, que chama de “Partido Terrorista”.

“IMPÉRIO DO CRIME” – Mistura alhos com bugalhos quando diz que um novo governo petista seria “novo regime, um império do crime, apoiado no conluio entre as oligarquias nacionais e num novo eixo socialista latino-americano, sob os auspícios da China maoísta que dominará o mundo”. O eixo socialista apoiado por uma China maoísta que vai dominar o mundo é pura teoria da conspiração, mas mostra de onde Bolsonaro tirou a idéia de que a China está comprando o Brasil.

Que o eixo socialista ganharia força com, a vitória do PT, não há duvida. Que a China será a maior potência econômica do mundo dentro em pouco, não se discute. Mas que a China ainda seja maoísta, acho que nem o presidente Xi Jinping tem muita certeza disso, embora tenha ressuscitado há dias o objetivo da auto-suficiência, desta vez para a tecnologia e inovação. Esse conceito maoísta surpreendeu os próprios chineses, e foi retirado da versão oficial de seu discurso.

DEUS TRUMP – Mas nosso futuro chanceler vê Trump como nada menos que um Deus, que vai salvar o Ocidente.   Segundo ele, a visão do Ocidente proposta por Trump não é baseada no capitalismo e na democracia liberal, mas na recuperação do passado simbólico, da história e da cultura das nações ocidentais. Em seu centro, está não uma doutrina econômica e política, mas o anseio por Deus, o Deus que age na história.

Segundo nosso futuro chanceler, o Brasil necessita refletir e definir se faz parte desse Ocidente, como resume a apresentação de seu artigo, que diz que é necessário recuperar aspectos históricos da simbologia nacionalista e da identidade ocidental. Nesse contexto, a exemplo de Trump, o futuro chanceler acha que o espírito ocidental estaria sendo mitigado por uma política globalista, e é preciso reforçar a herança histórica, cristã, cultural, bem como o papel da família e do estado de direito a partir da tradição do liberalismo dos EUA e de seu destino manifesto.

ACORDOS ESPÚRIOS – No seu blog ele defende que deixemos “de louvar ditaduras assassinas e desprezar ou mesmo atacar democracias importantes como EUA, Israel e Itália. Não mais faremos acordos comerciais espúrios ou entregaremos o patrimônio do povo brasileiro para ditadores internacionais.”.

Ele crê que “as forças antiocidentais”, externas ou internas, “minarão nossa coragem, solaparão nosso espírito e enfraquecerão nossa vontade de defender a nós mesmos e nossas sociedades”. Para ele, o problema não está no terrorismo, nem muito menos na diminuição da competitividade, mas no desaparecimento da vontade de ser quem se é, como coletividades identificadas com um destino histórico e uma cultura viva.

Algumas sugestões para os futuros Secretários de Educação dos Estados

Resultado de imagem para hino no colegio

Disciplina é um bem a ser cultivado em todas as escolas

Antonio Rocha

Prezados Senhores, em primeiro lugar, parabéns pelos cargos, almejo ótima gestão. Considerando que a nossa TI – Tribuna da Internet – tem um alcance nacional, quero sugerir aqui o que já ando amadurecendo há muito tempo. Com as posses dos novos governadores, quem sabe algum futuro Secretário Estadual tenha interesse na matéria. Vez por outra vem à minha mente o saudoso curso primário que fiz na antiga Escola Presidente Roosevelt, no bairro do Realengo, hoje pertence ao município do RJ, mas naquela época ainda era Distrito Federal. Comecei aos sete anos, portanto, em 1959.

Diariamente, de segunda à sexta-feira, nos reuníamos às 7 horas da manhã no pátio: diretoras, professores, alunos e funcionários. Formávamos filas, por turmas, cantávamos o Hino Nacional e hasteávamos a Bandeira, enquanto uma pequena fanfarra de taróis, caixas e tambores, dos alunos mais velhos, marcavam a cerimônia matinal.

INCENTIVO A TODOS – A meu ver era emocionante e principalmente por saber que, democraticamente, cada aluno hasteava o Pavilhão Nacional, um por dia, então, ao longo do ano, todos seriam contemplados.

Após o hasteamento, a diretora ou coordenadora falava algumas palavras de incentivo aos alunos, estimulando o bom comportamento, noções de respeito, fraternidade etc.

Se possível, eu gostaria que essa questão fosse retomada, reconsiderada, readaptada etc. Penso que isso fará bem aos alunos, começarem o dia escolar com uma mensagem de apoio, palavras positivas e o senso de brasilidade.

NA DITADURA – Certa feita contei isso em uma escola e um jovem professor afastou com desdém a minha proposta: “Isso foi no tempo da ditadura!’. Ingenuamente eu tinha sugerido fazermos uma experiência. Mas o professor nem queria saber e o assunto morreu ali, embora eu tenha explicado que o então Presidente da República era o Juscelino Kubistchek, e Brasília só foi inaugurada em 1960, portanto, o Rio de Janeiro ainda era Distrito Federal.

Reapresentando a proposta, acrescento mais alguns detalhes, por exemplo: Na segunda-feira cantava-se o Hino Nacional, na terça o Hino do Estado, na quarta o Hino do Município, na quinta o Hino da Proclamação da República e na sexta o Hino da Independência. Sendo que alguns destes hinos poderiam ser alternados com outros.

CANTO CORAL – A medida é boa, os alunos iriam treinar música, canto coral todo dia pela manhã e já está comprovado que estudar música abre o cérebro, ajuda o desenvolvimento do raciocínio e similares. Em cada canto da sala de aula, no alto, deveria ter uma miniatura da Bandeira do Brasil, a Bandeira do Estado e a Bandeira do Município.

Como sonhar ainda é grátis, vou continuar alimentando este meusaudosismo, que muito me ajudou ao longo da vida.

E, feliz Dia da República para todos (as)!!!

###
Antonio Rocha é professor de Língua Portuguesa e Literaturas da Rede Estadual RJ, com mestrado e doutorado em Ciência da Literatura na UFRJ.

Calma lá, presidente Bolsonaro, não governe com ódio na mente e no coração

Imagem relacionada

Jair Bolsonaro precisa exercer o poder com tranquilidade

Jorge Béja

Do nascimento à morte, toda pessoa humana tem seu viés ideológico, no que faz ou deixa de fazer, nas  ações e omissões. Viés ideológico é congênito. Nasce com a pessoa. É próprio dos humanos. Mas não se pode negar que o apego de um cão ao seu dono, que não chega a ser viés ideológico, tenha também um viés instintivo de preferência. Ficou mais do que evidente e comprovado que a contratação pelo governo Dilma dos médicos cubanos visou atender muito mais aos interesses do governo de Cuba, com o repasse de incalculável fortuna do povo brasileiro, a pretexto de dar assistência médica aos necessitados nacionais.

A prova está na desproporcionalidade entre os valores que o Brasil paga ao governo de Cuba e este repassa aos médicos. Outra prova é a dispensa do exame denominado “revalida”. Cuba manda um monte de gente vestida de branco, com estetoscópio pendurado no pescoço e a multidão que aqui desembarca começa a clinicar. Tudo à revelia do Conselho Federal de Medicina.

TIPO ESCRAVIDÃO – Outras duas provas: a proibição dos cubanos de pedir asilo ao Brasil e a impossibilidade deles serem visitados aqui por seus familiares. Isso é ou não é exploração, pública e oficial, da força humana de trabalho dos nacionais de um país pelo Estado brasileiro? É ou não é mais grave e odioso quando este crime é cometido por pessoa humana contra outra? Sim, crime. “Reduzir alguém à condição análoga de escravo” é crime previsto no artigo 149 do Código Penal. Pena: reclusão de dois a oito anos.

À fala de Bolsonaro de que vai rever este contrato entre Brasil e Cuba, o Estado cubano já se antecipou e deu o mesmo por rompido. Esse acontecimento (imbróglio, para usar a já surrada palavra da moda) nada mais é do que de viés político. Para o governo Dilma, de apoio às ditaduras hispânicas, a política era a de prestigiá-las e subsidiá-las com o dinheiro dos brasileiros, o que não parece correto, nem bom, nem justo. Para o governo Bolsonaro, não. Choque de vieses ideológicos, portanto. Nada mais do que isso.

NA DEMOCRACIA – E não será por tal motivo que se vai massacrar governos anteriores, que tinham viés diverso do que vai se instalar em 1º de janeiro de 2019. A democracia é assim. Uma gestão governamental pensa e age de uma maneira e outra gestão de maneira oposta. Faz parte do jogo democrático, sem rancor, sem cara feia, sem soberba e sem arrogância. Basta acabar com o que foi feito e ponto final.

Mas fica subjacentemente exposta uma questão, uma ferida humanitária. Há de se dar todo o respeito e máxima consideração ao povo cubano. O Brasil não pode, de supetão, à feição de uma ditadura, mandar todos os médicos cubanos de volta para Cuba. É preciso ouvir um a um deles. E saber se querem continuar no Brasil, como asilado ou mesmo naturalizado.

As normas ditas legais que deles dispensaram o exame “revalida”, que os proibiu de pedir asilo e de serem visitados por seus familiares, normas que foram editadas para atender exigência da ditadura cubana, são absolutamente inconstitucionais.

AÇÕES POSSÍVEIS – No tocante ao salário e outras proibições, basta a entrega ao Supremo Tribunal Federal (STF) de uma Ação Direta de Inconstitucionalidade (ADIN), ou de uma Ação de Descumprimento de Preceito Fundamental (ADPF), ou de ambas, de muito poucas folhas, para que o STF declare tudo aquilo afrontoso à Constituição e aos princípios do Direito Internacional.

Bolsonaro não pode assumir a direção do país com ódio na mente e no coração. Se tanto ocorrer, virão barbaridades atrás de barbaridades. O poder da Ciência do Direito cederá lugar ao poder da força, e à ira do príncipe. E quanto isso acontece virão as convulsões sociais, os enfrentamentos multitudinários, os combates, os tanques voltarão às ruas. E o país fica a um passo para acabar com a democracia e voltar à ditadura.

Calma lá, presidente Bolsonaro. É dentro da legalidade, da solidariedade, da soberania, da cidadania, da dignidade da pessoa humana, e dos valores sociais do trabalho e da livre iniciativa, que a República Federativa do Brasil tem seus alicerces e fundamentos, como reza o artigo 1º da Constituição Brasileira.

Temer diz que decisão sobre reajuste do STF só será tomada “lá na frente”

Temer diz que está analisando com ‘muito cuidado’

Deu no G1

O presidente Michel Temer disse nesta quarta-feira, dia 14, que está analisando com “muito cuidado” o projeto de reajuste salarial para ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) e que vai decidir “lá na frente” se vetará ou sancionará o texto. O reajuste foi aprovado pelo Senado na última semana. Pelo texto, os subsídios dos ministros passariam dos atuais R$ R$ 33,7 mil para R$ 39,2 mil.

O tema causa incômodo em setores do governo que defendem maior rigor com as contas públicas. O argumento é que o salário de ministros do Supremo serve de baliza para outras categorias. Portanto, o reajuste geraria um “efeito cascata” indesejado neste momento em que o país lida com rombo fiscal. “Eu estou examinando. Você sabe que eu tenho 15 dias. Eu estou examinando esse assunto com muito cuidado. Só decidirei lá na frente. Vamos ver como fazemos”, afirmou o presidente, após ser questionado por jornalistas sobre o tema.

GASTOS PREOCUPANTES – Ele participou de um evento em Campinas de inauguração do projeto Sirius, o maior acelerador de partículas do país. “Temos até o dia 28 de novembro para sanção”, completou Temer. Após o texto ser aprovado no Congresso, o presidente eleito, Jair Bolsonaro, afirmou que via o aumento de gastos com preocupação.Ele disse que este não era o “momento” de se ampliar despesas. O ministro da Secretaria de Governo, Carlos Marun, também na última semana, afirmou que o reajuste no salários dos ministros do Supremo será compensado com o fim do auxílio-moradia para magistrados.

O aumento nos salários dos ministros gera o chamado “efeito cascata” nas contas públicas, porque representa o teto do funcionalismo público. Quando o teto é elevado, aumenta também o número de servidores que poderão receber um valor maior de gratificações e verbas extras que hoje ultrapassam o teto. Segundo cálculos de consultorias da Câmara e do Senado, o reajuste poderá causar um impacto de R$ 4 bilhões nas contas públicas.

TRAMITAÇÃO – O projeto que o Senado votou foi encaminhado ao Congresso em 2015 pelo ministro Ricardo Lewandowski, então presidente do STF. Em 2016, o projeto foi aprovado na Câmara, mas ficou parado no Senado e só foi votado na última semana.

Durante todo o período em que a ministra Carmen Lúcia presidiu o tribunal (entre setembro de 2016 e setembro de 2018), ela foi contra incluir no orçamento o reajuste em razão da crise fiscal. Mas, em sessão administrativa em agosto deste ano, a maioria do tribunal decidiu incluir a proposta de aumento no orçamento de 2019. Ficaram vencidos, além de Cármen Lúcia, os ministros Celso de Mello, Rosa Weber e Edson Fachin.

Prefeitos e secretários pedem para manter cubanos no Mais Médicos

Médicos cubanos chegaram ao Brasil em 2013

Daniela Lima
Folha

A Frente Nacional de Prefeitos (FNP) e o Conselho Nacional de Secretarias Municipais de Saúde (Conasems) encaminharam nesta quarta-feira, dia 14, às equipes do governo Michel Temer e do presidente eleito Jair Bolsonaro (PSL) um ofício no qual “lamentam a interrupção” da cooperação de profissionais cubanos no Mais Médicos e pedem a “revisão do posicionamento do novo governo, que sinalizou mudanças drásticas nas regras do programa”.

As entidades dizem que as declarações de Bolsonaro foram determinantes para a decisão do governo de Cuba, que anunciou nesta quarta o fim da parceria com o Brasil. O ofício alerta o governo eleito para “os iminentes e irreparáveis prejuízos à saúde da população”  e “em caráter emergencial, sugerem a manutenção das condições atuais de contratação, repactuadas em 2016, pelo governo Michel Temer, e confirmadas pelo Supremo Tribunal Federal, em 2017”.

“PERDA CRUEL” – “O cancelamento abrupto dos contratos em vigor representará perda cruel para toda a população, especialmente para os mais pobres. Não podemos abrir mão do princípio constitucional da universalização do direito à saúde, nem compactuar com esse retrocesso.” O documento ressalta que os cerca de 8.500 profissionais cubanos representam mais da metade dos médicos do programa e que, sem eles, mais de 29 milhões de brasileiros ficarão sem assistência. A nota diz que “a rescisão repentina desses contratos aponta para um cenário desastroso em, pelo menos, 3.243 municípios”. 

“Dos 5.570 municípios do país, 3.228 (79,5%) só têm médico pelo programa e 90% dos atendimentos da população indígena é feito por profissionais de Cuba. Além disso, o Mais Médicos é amplamente aprovado pelos usuários, 85% afirma que a assistência em saúde melhorou com o programa”, informa o documento.

DEMANDA – Segundo as entidades, foi possível verificar que “houve maior permanência e fixação desses médicos” nos locais onde eles trabalham e que o programa serve como uma resposta a uma demanda da FNP sobre a dificuldade de encontrar profissionais que trabalhem no interior do país e na periferia de grandes cidades.

“Com a missão de trabalhar na atenção primária e na prevenção de doenças, a interrupção abrupta da cooperação com o governo de Cuba impactará negativamente no sistema de saúde, aumentando as demandas por atendimentos nas redes de média e alta complexidade, além de agravar as desigualdades regionais”, afirma o documento.

Onyx nega caixa 2 em 2012, ataca a Folha e diz que querem fazer terceiro turno

Onyx diz que é um combatente contra a corrupção

Letícia Casado
Gustavo Uribe
Folha

O futuro ministro da Casa Civil do governo de Jair Bolsonaro, deputado Onyx Lorenzoni (DEM-RS), rebateu nesta quarta-feira, dia 14, delação da JBS que indica que ele recebeu via caixa dois uma doação eleitoral da empresa no ano de 2012. Reportagem publicada pela Folha mostrou que uma planilha entregue por delatores da JBS à Procuradoria-Geral da República sugere que Onyx recebeu R$ 100 mil via caixa dois naquele ano.
 
O pagamento a “Onyx-DEM”, segundo a tabela, foi feito em 30 de agosto de 2012, em meio às eleições municipais. De acordo com os colaboradores, o dinheiro foi repassado em espécie. Na época, Onyx já comandava o DEM-RS. No ano passado, o congressista confessou ter obtido da empresa, para a campanha de 2014, R$ 100 mil não declarados à Justiça Eleitoral. Nesta quarta-feira, Onyx criticou a reportagem, atacou a Folha e pediu uma trégua a todos para que o governo Bolsonaro seja montado. 
 

“COMBATENTE” – “Agora se requenta uma informação do ano passado, dada por alguém que não sei quem é, se passo na rua não sei quem é, não conheço, nunca vi. No episódio de 2014, reconheci e fiz o que uma pessoa que carrega a verdade consigo tem que fazer. Nada temo, não é a primeira vez que o sistema tenta me envolver com a corrupção. Alto lá, sou um combatente contra a corrupção e essa é a história da minha vida. O que a Folha quer? O Haddad, que tem 30 processos? O que a Folha quer? A Folha queria o Lula? E a mídia engajada queria o Lula, a Dilma, o José Dirceu? Perderam a eleição”, afirmou o futuro ministro da Casa civil.

As declarações foram feitas quando ele chegou ao Centro Cultural do Banco do Brasil (CCBB)  para uma reunião com a equipe de transição do governo Bolsonaro. Questionado pelos jornalistas se o delator da JBS teria mentido, Onyx não respondeu. Ele tampouco disse se recebeu o dinheiro de caixa dois, conforme indica a planilha da JBS. “Faz um ano que muitos tentam destruir Jair Messias Bolsonaro, seus filhos, seus colaboradores, quem está próximo dele, mas qual foi a resposta da sociedade brasileira? Uma vitória esmagadora. Eu não temo. Tenho a verdade comigo. Quando a verdade foi dura contra mim, ela foi usada contra. A verdade para mim é um valor do qual eu não me afasto. Tenho 24 anos de vida pública sem um processo. Portanto, nada temo. Vamos enfrentar isso com altivez”, disse.

TRÉGUA – Ele defendeu uma espécie de trégua para montar o governo Bolsonaro. “No governo que está sendo montado, não houve nenhuma trégua desde o final da eleição. Todo dia tem alguém batendo num governo que não teve paz para tentar se organizar. Eu pedi a todos que nos dessem uma trégua, que nós pudéssemos organizar o governo. Depois nos cobrem pelos erros e pelos acertos que todos os governos cometem, que todas as pessoas cometem. Agora, ficar tentando fragilizar, não vão nos fragilizar”, afirmou.

“Portanto, senhoras e senhores. Eu não temo a Folha, não temo JBS, não temo a ninguém. O que eu desejo, junto com Jair Bolsonaro e toda equipe, é fazer uma transformação verdadeira no Brasil. Não me assusta. Eu sei quem é esse sistema corrupto que está por trás de tudo isso. Estamos preparados. Temos Deus e o povo brasileiro do nosso lado. E nós vamos enfrentar com altivez, com coragem, toda e qualquer tentativa de nos conectar à corrupção”, disse.

RECURSOS – Onyx disse ainda que a Financiadora de Estudos e Projetos (Finep), agência do governo federal, deu recursos ao UOL, empresa do Grupo Folha, durante o governo de Dilma Rousseff (PT). “E por fim, por que é mesmo que a Finep, em vez de financiar pesquisas médicas, combate ao câncer, medicamentos e remédios, deu no governo Dilma R$ 340 milhões para o UOL? A troco de quê? Será por isso que tem essa paixão da Folha pelo PT?”. O UOL recebeu um financiamento da Finep, agência pública que incentiva empresas que investem em inovação.

“A Folha de S.Paulo quer o terceiro turno das eleições. Vou relembrar a história. Em 2005 o PT falsificou a assinatura do ex-ministro e ex-governador Tarso Genro para tentar cassar o meu mandato na Câmara dos Deputados, fato comprovado por quatro perícias. No ano em que saiu a delação da Odebrecht, com estardalhaço, a Folha fez uma acusação a este parlamentar. Qual foi o resultado depois de um ano e cinco meses? Provei que a planilha era falsa. Disse que nunca tive contato com a Odebrecht, não há um registro. Provei que o senhor Alexandrino Alencar mentia. E sei quem era o inimigo, e não era eu”, disse.

DEM tenta condicionar apoio ao governo à reeleição de Maia na Câmara

Aliados de Maia temem que Bolsonaro tente “queimá-lo”

Vera Rosa
Estadão

O DEM tenta condicionar a adesão ao governo de Jair Bolsonaro ao apoio do Palácio do Planalto à recondução de Rodrigo Maia (DEM-RJ) na presidência da Câmara ou ao menos à neutralidade da equipe do PSL nessa disputa. A eleição que renovará o comando do Congresso está marcada para 1.º de janeiro de 2019 e Maia já recebeu sinais de que Bolsonaro não quer avalizar um novo mandato para ele.

Nesta quarta-feira, dia 14, o presidente eleito agendou um encontro com Maia, no Centro Cultural Banco do Brasil (CCBB), em Brasília, e pretende desfazer o que chama de mal-entendidos. Sua intenção é dizer ao comandante da Câmara que o governo não pretende interferir na sucessão do Congresso. “O governo não vai intervir nas definições do comando da Câmara nem do Senado”, afirmou o futuro ministro da Casa Civil, deputado Onyx Lorenzoni (DEM-RS).

INCÔMODO – “Todos os governos que forçaram a mão e fizeram intervenção se deram muito mal com isso. Essa decisão tem de ser dos parlamentares”, acrescentou. Maia não esconde o incômodo com críticas feitas até mesmo por aliados sobre o tamanho do DEM no governo de Bolsonaro. Nos bastidores, deputados do Centrão argumentam que o partido já está bem contemplado no primeiro escalão e, nesse cenário, não precisa mais ocupar a chefia da Câmara.

Atualmente, o DEM tem dois filiados nomeados para o governo Bolsonaro; Onyx e Tereza Cristina, que assumirá o Ministério da Agricultura. O deputado Luiz Henrique Mandetta, também do DEM, é cotado para a Saúde. O presidente do DEM, ACM Neto, vai se reunir com Onyx na próxima quarta-feira, dia 21, em Brasília, para acertar como será a relação do partido com o novo governo. “O apoio estará relacionado à agenda de projetos para o País, e não a cargos”, disse ACM Neto, que é prefeito de Salvador.

INTRIGAS – Para ele, as críticas sobre o espaço do DEM na Esplanada são improcedentes. “Não cola essa história de quererem tirar o partido da presidência da Câmara com base em intrigas. Todos sabem que as escolhas foram feitas pelo presidente Bolsonaro. Não foram indicações do partido”, argumentou. Atritos. As movimentações para a sucessão de Maia já provocam atritos no Congresso. Embora Bolsonaro tenha orientado seu partido, o PSL, a não entrar nesse confronto, aliados do presidente da Câmara acham que o futuro governo está agindo nos bastidores para queimá-lo e emplacar um nome que possa “tratorar” o Legislativo.

Na prática, o PSL de Bolsonaro resiste a apoiar a reeleição de Maia, mas pretende endossar outro nome. “Se o Luciano Bivar (presidente nacional do PSL) quiser ser candidato, será. Caso contrário, vou fazer gestões para que o PSL apoie Capitão Augusto”, afirmou o senador eleito Major Olímpio (PSL-SP), em referência ao deputado do PR. Major Olímpio admitiu haver um vácuo na atual articulação política, mas disse estar certo de que assumirá alguma missão nessa área, ao lado do deputado Eduardo Bolsonaro (PSL-SP), filho do presidente eleito. “Nessa transição, a mochila é pesada demais. Até o celular do Onyx deve ter travado”, brincou.

BANCADA DA BALA – A portas fechadas, interlocutores de Bolsonaro dizem que o nome preferido dele para a presidência da Câmara, atualmente, é João Campos (PRB-GO). Delegado e pastor da Igreja Assembleia de Deus, o deputado integra tanto a “bancada da bala” quanto a frente parlamentar evangélica. “Eu tenho a convicção de que o PSL fecha comigo, mas quem vai definir mesmo é o zero um”, resumiu Capitão Augusto, recorrendo à expressão militar usada para se referir a Bolsonaro.

No MDB, há dois pré-candidatos; o atual vice-presidente da Câmara, Fábio Ramalho (MG), e Alceu Moreira (RS), da frente parlamentar de agropecuária. “Se o governo Bolsonaro não mudar o tratamento com os deputados e com os partidos, terá uma derrota histórica na Câmara”, afirmou o deputado Paulo Pereira da Silva (SP), presidente do Solidariedade e aliado de Maia. “Esse modelo de negociar com frente parlamentar e insuflar o lançamento de candidatos por fora, contra Maia, não vai funcionar”, emendou.

###
NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG –  Os democratas podem esperar sentados qualquer tipo de apoio. Bolsonaro já disse que não  vai interferir na eleição para a Presidência da Câmara dos Deputados, mas deixou claro também  que outros “bons nomes” estão surgindo para a sucessão de Maia. Nem precisa desenhar. (M.C.)

“Goza a euforia do voo do anjo perdido em ti”, sugeria Menotti Del Picchia

Resultado de imagem para menotti del picchiaPaulo Peres   Site Poemas & Canções

O jornalista, tabelião, advogado, político, romancista, cronista, pintor, ensaísta e poeta paulista Paulo Menotti Del Picchia (1892-1988), no poema “O Voo”, nos fala da importância do esforço que devemos realizar diante dos obstáculos que o cotidiano nos impõe, em voos semelhantes aos pássaros. O poema também pode ser interpretado como “uma lição de vida”.

O VOO
Menotti Del Picchia

Goza a euforia do voo do anjo perdido em ti
Não indagues se nossas estradas, tempo e vento
desabam no abismo.
que sabes tu do fim…
Se temes que teu mistério seja uma noite,
enche-o de estrelas
conserva a ilusão de que teu voo te leva sempre para mais alto
no deslumbramento da ascensão

Se pressentires que amanhã estarás mudo, esgota como
um pássaro as canções que tens na garganta
canta, canta para conservar a ilusão de festa e de vitória
talvez as canções adormeçam as feras que esperam
devorar o pássaro

Desde que nasceste não és mais que um voo no tempo
rumo ao céu?
que importa a rota
voa e canta enquanto resistirem as asas.

Bolsonaro fez uma tremenda asneira ao comprar brigar com o governo cubano

Resultado de imagem para luciano coutinho mentiu

Luciano Coutinho mentiu sobre a dívida de Cuba ao BNDES

Carlos Newton

Fica difícil apoiar um presidente como Bolsonaro, que faz uma asneira atrás da outra. Vejam agora o problema com o governo cubano, que acaba de anunciar a saída do programa Mais Médicos. A decisão vem após o presidente eleito ter anunciado que vai mudar o acordo de cooperação, em vigor há cinco anos, que traz médicos de outros países para atuarem em regiões com escassez de profissionais de saúde. A maioria dos médicos do programa (51%) vem de Cuba.

Como se dizia antigamente, Bolsonaro quer se tornar “palmatória” do mundo. Depois de criar desnecessários problemas com a China e os países árabes, Bolsonaro investiu contra os cubanos, esquecido de um ditado antigo – não se deve brigar com quem está nos devendo dinheiro…

PORTO DE MARIEL – Bolsonaro mostra ser do tipo que não sabe de nada e quer se meter em tudo. Cuba tem alta dívida com o BNDES, pela construção do Porto Mariel, sem haver garantia de pagamento. No Congresso, o então presidente do BNDES, Luciano Coutinho, mentiu descaradamente ao afirmar que a garantia fora dada pela Odebrecht, responsável pela obra. A empreiteira desmentiu a informação, disse que o contrato era garantido pelo Tesouro Nacional, através do Fundo de Apoio à Exportação.  

Na verdade, era uma jogada triangular do governo Dilma Rousseff, que criou o programa Mais Médicos para repassar dinheiro a Cuba, que então devolveria os recursos pagando ao BNDES.

CUBA SAI GANHANDO – Com a represália a Bolsonaro, quem sai ganhando é a dupla Cuba/Odebrecht. Em estado de pré-falência (igual ao Brasil), Cuba de repente se livra do pagamento de quase 700 milhões de dólares, depois de ter recebido descontos da ordem de US$ 68,4 milhões nos juros de empréstimos concedidos pelo BNDES, vejam a que ponto chegou a mamata.

Bolsonaro estava certo em tentar moralizar o Mais Médicos, que inclui a ignóbil e inaceitável exploração dos profissionais cubanos pelo regime de Havana, que inventou a exploração do homem pelo governo. Mas é óbvio que Bolsonaro agiu infantilmente, sem levar em conta a elevada dívida de Cuba com o Brasil, por generosidade do governo do PT.

###
P.S.
Portanto, no Brasil fica cada vez mais atual o pensamento de Foster Dulles, secretário de Estado dos EUA em plena Guerra Fria: “Países não têm aliados, têm apenas interesses”. Mas os preceptores de Bolsonaro ainda não ensinaram esta lição ao presidente eleito, que esqueceu de passar no Posto Ipiranga. (C.N.)

Gilmar Mendes retorna ao centro do palco, agora no caso do Plano Collor

Resultado de imagem para gilmar beiçola

Gilmar Mendes parece escolher sempre o lado errado

Pedro do Coutto

O ministro Gilmar Mendes em despacho monocrático atendeu ao pedido do Banco do Brasil e também da Advocacia Geral da União, suspendendo a execução de sentenças que determinam o reembolso aos poupadores atingidos pelo Plano Color. A decisão causou surpresa porque as sentenças estabelecendo a compensação já tinha transitado em julgado.

Reportagem de Larissa Quintino, edição de ontem da Folha de São Paulo, destaca bem o assunto e seus reflexos. O argumento é que as liquidações dos créditos tenham ultrapassado os limites previstos, sinalizados pela concordância entre as partes.

28 ANOS DEPOIS – A mim parece um equívoco, até porque o Plano Collor foi decretado em 1990, portanto já se passaram 28 anos. Quando finalmente a execução estava próxima, agora foi transferida para uma data ainda a ser fixada. A esperança dos poupadores garfados naquela ocasião fica adiada e na dependência da aceitação ou não do despacho de Gilmar Mendes pelo Plenário do STF.

Os depositantes nas contas de poupança já haviam sido atingidos incrivelmente pelo Plano Bresser Pereira, no governo José Sarney. A perplexidade tomou conta de setores jurídicos do país. Mais uma vez a história se repete. Para os bancos, os julgamentos são rápidos, as execuções também, mas para os assalariados e investidores de pequenas quantias os prazos atravessam décadas.

JUSTIÇA LENTA – É por essas e outras que a Justiça custa a reconhecer direitos inegáveis, e por diversas vezes o processo lento, como assinala o juiz Sérgio Moro, equivale a prejuízos crescentes que se chocam com as razões legítimas de seus recursos.

É por essas e outras também que a Justiça de modo geral encontra-se naufragada num mar de processos. Os bancos ganharam muito dinheiro com os Planos Collor e Bresser, porque aplicaram nas suas próprias operações os montantes financeiros que lhes caíram no colo e geraram lucros enormes. Na hora de devolver os prejuízos, estão esperando há quase trinta anos.