Conceder o poder supremo da nação a um presidiário é ameaça ao país

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Charge do Cabala (Arquivo O JOrnal

Paulo Germano
Zero Hora

Lula é um irresponsável. Um imprudente metido a Deus que submete um país de 200 milhões de habitantes aos seus joguinhos de poder. Primeiro, foi com Dilma: o impeachment, embora tenha sido um erro – o certo seria aguardar o fim do mandato –, interrompeu um dos governos mais pavorosos da nossa história, conduzido por uma gestora incompetente que Lula vendeu como competente.

Agora, a desfaçatez se repete com outro embuste: Fernando Haddad. Confirmado como laranja de Lula para concorrer à Presidência, o ex-prefeito de São Paulo teve sua estatura política (ainda mais) encolhida há dois anos, quando perdeu a reeleição no primeiro turno com ridículos 16%. Fez lá um governo criticado até por colegas do próprio PT – embora, igualzinho a Dilma, tenha sido eleito só porque Lula quis.

INJUSTIÇA – Mas suponhamos que a população de São Paulo foi injusta. E que Haddad tenha feito uma boa administração. Seria razoável mostrar isso agora, apresentar Haddad ao país, exibir suas façanhas, suas ideias, seus talentos, sua história. Só que a propaganda só mostra Lula, Lula, Lula e Lula. Por quê? Porque não faz a menor diferença se o candidato é Haddad, o Capitão América ou o Zé das Couves: o que importa é mostrar que a pessoa, no governo, não será essa pessoa, será Lula.

Agora, bem, imagine um presidente da República pedindo a bênção para um presidiário toda vez que precisar decidir. Parte da população, com razão, não vai gostar nem um pouco. Grande parte dos deputados também. Do Judiciário, idem. Qual é a chance de um governo desses unir minimamente um país em frangalhos? “Ah, mas a maioria  do povo escolheu….”

A ideia, de novo, é fazer da República um laboratório no qual Lula é o cientista louco e o povo é o ratinho que sobrevive como dá.

DEPENDE DA LEI – Atender aos requisitos para presidir a República não depende da maioria. Depende da lei – e ela diz que um homem preso não pode ser presidente. Você pode achar que a prisão de Lula é injusta, assim como muita gente acha que é justíssima. Mas achar uma coisa ou outra não muda nada: só a Justiça pode resolver se alguém é culpado – ou se faz assim, ou ninguém será condenado nunca, porque os advogados vão passar a vida inteira dizendo que seus clientes não fizeram nada de errado.

E Lula, aos olhos de quem decide, é culpado e acabou. Sob qualquer perspectiva que se avalie, uma campanha construída de forma a conceder o poder supremo da nação a um presidiário é uma afronta ao processo eleitoral e um prenúncio de desestabilização. Mas o PT, como se sabe, prefere primeiro se eleger e depois ver no que dá.

Com Dilma, soterrou o Brasil em uma crise sem precedentes. Com Haddad, comprova que o bem do país é o que menos interessa. Importante, mesmo, é fazer da República um laboratório no qual Lula é o cientista louco e o povo é o ratinho que sobrevive como pode.

(Artigo enviado pelo comentarista Duarte Bertolini)

Aliados de Bolsonaro planejam uma vigília no hospital e atos em todo o país

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Vigília silenciosa pedirá a recuperação do candidato

Deu em O Tempo
(Estadão Conteúdo)

Sem saber quando Jair Bolsonaro deixará o hospital, aliados do deputado planejam ações para manter sua campanha viva nas ruas. No domingo, 16, está previsto um ato de apoio nos arredores do Albert Einstein, em São Paulo, onde o candidato à presidência do PSL está internado desde a semana passada. Chamada de “vigília silenciosa”, a manifestação começou a ser organizada nesta sexta-feira, 14, e pretende reunir eleitores em “uma corrente de oração”, dizem assessores de Bolsonaro. A ideia é que o ato seja um marco simbólico da nova fase da campanha.

Aliados nutrem esperança de, até lá, o deputado já ter retornado ao quarto e, assim, conseguir acenar da janela aos seus eleitores. Não há ainda, porém, previsão médica sobre isso.

CONVOCAÇÃO – Paralelamente, assessores disparam via redes sociais e Whatsapp uma convocação para que eleitores de Bolsonaro vistam amarelo nos estádios de futebol ao longo desta rodada do Campeonato Brasileiro como forma de homenagear o candidato e dar visibilidade à sua campanha.

O grupo mais próximo de Bolsonaro tenta retomar a ofensiva nas ruas num momento em que rivais voltam a disparar ataques ao deputado e o PT intensifica sua campanha ao redor de Fernando Haddad. Os aliados do deputado pretendem usar o mote de que a mobilização é importante para que seja possível elegê-lo já no primeiro turno.

Bolsonaro lidera as pesquisas de intenção de voto, mas tem rejeição alta e perde para a maior parte de seus concorrentes nas simulações divulgadas até o momento de segundo turno.

EM SOROCABA – Já está programado para a próxima semana o evento “Viva Bolsonaro” na quinta, dia 20, em Sorocaba. O convite para o ato convoca eleitores a fazer parte do “maior evento pró-Bolsonaro”.

O presidenciável será representado neste dia pelo filho Eduardo Bolsonaro, que é deputado federal e candidato à reeleição, por Major Olímpio, que tenta vaga no Senado, e outros candidatos do PSL como Alexandre Frota e Frederico D’Ávila. Há expectativa ainda de que Hamilton Mourão, vice de Bolsonaro, possa se unir ao grupo.

Novo vexame! Lewandowski paralisa julgamento que Lula perdia por 7 a 1

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Charge do Nani (nanihumor.com)

José Carlos Werneck

O ministro Ricardo Lewandowski, do Supremo Tribunal Federal, pediu “vista” nesta sexta-feira, interrompendo o julgamento de um recurso impetrado pelos advogados de Lula contra a prisão após condenação em segunda instância. O julgamento do recurso estava sendo decidido no plenário virtual, em que os ministros votam pelo computador. Diante do pedido de vista feito pelo ministro Ricardo Lewandowski, a questão irá para o plenário físico, onde os ministros se reúnem presencialmente.

No plenário físico, o julgamento começará de novo e todos os ministros votarão, inclusive os que játinham se manifestado no plenário virtual e poderão modificar seus votos. Antes do pedido de vista, o placar estava 7 a 1 contra o recurso. Se no novo julgamento o recurso for aceito, Lula ganhará a liberdade.

DEPENDE DE TOFFOLI – De acordo com o Regimento do Supremo Tribunal Federal, quem vai marcar a data do novo julgamento é o ministro Dias Toffoli, novo presidente do STF, que tomou posse na tarde de ontem.

A votação no plenário virtual teve início no último dia 7 e terminaria às 23h59 de hoje. Faltavam votar os ministros Celso de Mello, Luiz Fux e o próprio Lewandowski, que alegou ter pedido vista diante da divergência apresentada pelo ministro Marco Aurélio Mello, o único a se manifestar contra a manutenção da prisão.

No recurso, os advogados de Lula pediram que o Supremo considere inadequada a ordem de prisão, alegando que o juiz não indicou os motivos para a necessidade de prender o réu. Segundo eles a prisão em segunda instância foi permitida, mas não pode ser automática, já que os juízes precisariam esclarecer as razões para prender alguém enquanto ainda houver recurso pendente de julgamento.

ENTENDIMENTO – O relator do caso, ministro Luiz Edson Fachin, enviou o processo para julgamento no plenário virtual por considerar que não há mais necessidade de discussão do assunto, porque o Supremo já consolidou o entendimento de que é possível executar a pena desde a condenação confirmada por tribunal de segunda instância.

Lula foi condenado pelo Tribunal Regional Federal da 4a Região a uma pena de 12 anos e 1 mês de prisão por corrupção passiva e lavagem de dinheiro no processo do triplex do Guarujá.

O ministro Marco Aurélio Mello, único a votar a favor da liberdade de Lula, entendeu que o réu não poderia ter sido preso sem que o juiz justificasse a necessidade da prisão.

“Procede a irresignação, considerada a omissão verificada, ante o fato de a ordem de prisão ter sido implementada automaticamente, a partir do esgotamento da jurisdição em segunda instância, sem fundamentação adicional sobre a adequação da medida no caso concreto”, opinou.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
Mais um vexame, mais um papelão do ministro Ricardo Lewandowski, que age abertamente, fazendo o possível e o impossível para favorecer Lula, inclusive afrontar as leis que o proíbem de atuar em julgamentos do ex-presidente, por ser seu amigo pessoal. Se tivesse dignidade e vergonha, Lewandowski devia se declarar suspeito e não participar do processo. (C.N.)

Bolsonaro vai a 26%, enquanto Haddad e Ciro têm 13%, revela o Datafolha

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Sucessor de Temer será um desses três candidatos

Igor Gielow
Folha

Fisicamente fora da campanha eleitoral desde que foi esfaqueado no dia 6, Jair Bolsonaro (PSL) lidera a corrida à Presidência com 26%, segundo nova pesquisa do Datafolha.Na semana em que foi oficializado candidato do PT à Presidência, Fernando Haddad viu sua intenção de voto subir de 9% para 13%. Está empatado numericamente com Ciro Gomes (PDT), que manteve sua pontuação, e na margem de erro também com Geraldo Alckmin (PSDB), que oscilou de 10% para 9%.

Em curva francamente descendente está Marina Silva (Rede), que caiu de 11% para 8% e hoje tem metade das intenções de voto que tinha quando sua candidatura foi registrada em agosto.

PÓS-FACADA – O levantamento foi feito entre quinta (13) e sexta (14), ouvindo 2.820 eleitores em 187 cidades, com uma margem de erro de dois pontos para mais ou para menos. A pesquisa foi contratada pela Folha e pela Rede Globo.

A pesquisa anterior havia sido realizada na segunda (10). Bolsonaro oscilou positivamente dois pontos desde então, numa semana em que teve de submeter-se a uma cirurgia de emergência para desobstruir o intestino. O deputado segue incomunicável na UTI do Hospital Albert Einstein, em São Paulo.

A curva é favorável a ele, mesmo tendo crescido dentro da margem de erro. Antes do atentado, ele registrava 22% de intenções de voto na primeira pesquisa sem a presença de Lula no cartão apresentado aos entrevistados. Seu eleitor se diz o mais convicto: 75% afirmam que não mudarão de voto.

FOLGA NA FRENTE – Bolsonaro também oscilou positivamente para 22% nas citações espontâneas ao nome do candidato preferido, liderando com folga nesse quesito.

O levantamento ocorreu um dia antes do registro de Haddad, então vice de Luiz Inácio Lula da Silva, como presidenciável. Preso por corrupção, o ex-presidente é inelegível por ter condenação em segunda instância.

O ex-prefeito dobrou sua pontuação na pesquisa espontânea, de 4% para 8%, empatando com Ciro, que subiu de 5% para 7%.

Alckmin registra os mesmos 3% espontâneos da pesquisa anterior, empatado com Marina, João Amoêdo (Novo) e Alvaro Dias (Podemos), todos com 2%. A pesquisa traz más notícias para o tucano, que esperava crescer com a exposição de duas semanas com o maior horário de propaganda gratuita de rádio e TV. Seu eleitor também é menos sólido: 61% dizem que podem mudar de voto.

Pesquisa estimulada – O crescimento do petista no levantamento estimulado ocorreu principalmente onde Lula já se dava melhor: entre os mais pobres e menos instruídos. Seu melhor desempenho se deu entre eleitores de 45 a 59 anos (9% para 15%). Se dizem convictos no voto em Haddad 72% dos eleitores.

A maior rejeição entre os candidatos segue sendo a de Bolsonaro, tendo oscilado de 43% para 44%. Haddad, por sua vez, viu seu índice subir de 22% para 26%, à frente numericamente Alckmin (25%). Dos principais concorrentes, Marina oscilou de 29% para 30% e Ciro, de 20% para 21%.

Apesar de manter a alta rejeição, Bolsonaro teve discreta melhora no seu desempenho de segundo turno. Ele empatou no limite da margem de erro com Alckmin (41% a 37% para o tucano) e passa numericamente Haddad em empate (41% a 40%), por exemplo. Segue perdendo para Ciro e Marina.

CIRO VENCE TODOS – Tendo ultrapassado Alckmin, Ciro ganha todas as simulações de segundo turno. Seu melhor desempenho é contra Haddad (45% a 27%).

O nível de confiança é de 95%. Levantamento registrado no Tribunal Superior Eleitoral com o número BR 05596/2018. Os contratantes da pesquisa foram Folha e TV Globo.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
Interessante esta pesquisa. Em tradução simultânea, mostra que Jair Bolsonaro é imbatível no primeiro turno e Ciro Gomes é imbatível no segundo turno, mas está difícil para o candidato do PDT chegar lá. Depois analisaremos com calma. (C.N.)

Em discurso sobre eleição, Gleisi evita mencionar a candidatura de Haddad

Gleisi falou por 10 minutos e não citou Haddad

Patrícia Campos Mello
Folha

Em discurso de 10 minutos na abertura do seminário ameaças à democracia promovido pela Fundação Perseu Abramo, a presidente do PT, Gleisi Hoffman, não citou nem uma única vez Fernando Haddad, candidato à Presidência do PT que substituiu o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva na chapa do partido nesta terça-feira (11).

“Lutamos até o último minuto para que nossa suprema corte revisse esse processo injusto (que impediu Lula de concorrer), mas não conseguimos”, disse Gleisi. “Tanto o Lula quanto o PT avaliaram que iríamos substituir a candidatura de Lula e concorrer às eleições”, disse ela, sem referir-se à candidatura de Haddad.

LEGITIMIDADE – A presidente da legenda afirmou que o fato de Lula não participar das eleições já desestabiliza o processo porque, segundo ela, uma parcela grande da população não poderá exercer livremente seu direito de voto. “Não estamos totalmente certos de que essa eleição ocorra em ambiente normal, vai depender muito do desempenho que o PT vai ter. Para a frágil economia brasileira, isso é muito grave”.

Gleisi citou as declarações do comandante do exército, general Eduardo Villas Bôas, que afirmou nesta semana que a legitimidade do próximo governo pode ser questionada.

“Não é normal uma democracia onde o comandante do exército dá declarações dizendo estar preocupado com o processo eleitoral”, disse Gleisi.

CRÍTICAS – No seminário, organizado pelo ex-ministro das Relações Exteriores, Celso Amorim, ex-líderes europeus criticaram a prisão de Lula. O ex-primeiro-ministro italiano Massimo D’Alema, que visitou Lula na prisão em Curitiba na quinta-feira, afirmou que Lula “está um pouco mais magro, e machucado por seu julgamento injusto, mas não está fundamentalmente diferente”. “Lula continua com a mesma visão, a mesma determinação lúcida, e falou mais sobre a fome no mundo do que sobre seus problemas.”

O ex-primeiro-ministro da frança, Dominique de Villepin, afirmou que o Brasil está em um momento decisivo. “O Brasil vive um ponto de inflexão nesta eleição: ou escolhe o caminho das regras democráticas ou vai em direção à violência política, a mais ódio e medo, em uma ventura sem fim como já vimos na América Latina e outros países, é retroceder na história.”

 

O bandido “Papagaio”, de alta periculosidade, e as mãos atadas da Justiça

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Assaltante de bancos fugiu da prisão quatro vezes

Percival Puggina

Foi preso no interior do Paraná o assaltante conhecido como “Papagaio”. Com longa experiência em assaltos a bancos e carros fortes, crimes que envolvem organização de quadrilhas, “Papagaio” acumula condenações que, em tese, não mais do que em tese, se elevam a meio século de prisão. No sítio onde estava ao ser preso foram apreendidos quatro poderosos fuzis municiados, carregadores e 400 munições de diversos calibres. Ou seja, “Papagaio” estava cheio de má intenção.

Suspeita-se de que os ataques a carros fortes que antecederam a grande fuga de presos ligados ao PCC tenham sido praticados para atrair policiais a outra região e viabilizar a espalhafatosa evasão na penitenciária de Piraquara.

PRENDE-SE DEMAIS – “Papagaio e o PCC também acham que no Brasil se prende demais. É o desencarceramento por conta própria… Há muita gente, paga por nós, que deve estar aplaudindo.”

Apesar do extenso currículo do bandido, malgrado suas quatro fugas anteriores, a despeito de ser ele verdadeiro doutor honoris causa no mundo do crime, um extenso conjunto de fatores age em seu benefício e, simetricamente, em desfavor da sociedade.

Cláudio Adriano Ribeiro, esse é o nome do pilantra, capturado de sua fuga anterior, conhecendo o jogo e as regras, foi um preso exemplar. Nem precisaria tanto para acabar beneficiado por progressão de regime e ser designado, novamente, para o semiaberto.

MALHA FROUXA – Esse direito lhe foi proporcionado pela malha frouxa, cediça, que caracteriza a legislação penal brasileira, ingenuamente confiante em que a bondade é um irrevogável atributo humano. O Ministério Público, diante de avaliação psicossocial que não contraindicava a concessão do benefício àquele modelo de cidadão, o referendou e a Vara de Execuções Criminais o concedeu. Pouco depois, “Papagaio” deu sequência ao previsível script: bateu asas do semiaberto e voou de volta ao mundo dos negócios.

Todos os que, de algum modo, participaram da decisão que o deu por regenerado, são capazes de empilhar razões – e note-se: razões extraídas do Direito – sobre as quais apoiaram as recomendações e ordens que deram. No entanto, o bom senso refuga a leniência da legislação penal brasileira, os meandros recursais, as escandalosas chicanas proporcionadas pelo nosso Processo Penal, as penas que não se cumprem e as espantosas progressões de regime que acabam fazendo vítimas logo depois.

VIDA PRÓPRIA – Em vão a sociedade a tudo rejeita. O sistema tem vida própria e expressa uma vontade que parece ser de poucos, pouquíssimos, ainda que se imponha a todos. E a todos obrigue a viver na insegurança resultante de suas determinações.

SEM SAÍDA? É uma situação perante a qual todos se dizem com as mãos atadas e ninguém aparece para desfazer os nós. Pergunto: é uma situação sem saída, a exemplo de tantas outras que passam pelo funil dessas mesmas vontades no Congresso Nacional? Por que haveriam nossos congressistas de mudar a legislação quando não é incomum nem remota a possibilidade de que muitos deles acabem buscando agasalho em tais artifícios?

Pois é também para isso que servem as eleições do dia 7 do mês que vem. Você não vai reeleger criminosos nem protetores de criminosos, vai? Você não quer custear um Estado brasileiro que perca todas para os Papagaios da vida, quer?

Boletim médico força a barra e diz que Bolsonaro fará “caminhada” hoje

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Bolsonaro está estável, mas ainda sente dor

Sarah Mota Resende
Folha

Internado na Unidade de Terapia Intensiva do hospital Albert Einstein, o candidato à Presidência do PSL, Jair Bolsonaro, está estável e sem complicações no período pós-operatório, segundo boletim médico divulgado na manhã desta sexta-feira (14).

“Continua recebendo analgésicos para controle da dor, afebril e sem outros sinais de infecção. Durante o dia de hoje reiniciará fisioterapia – caminhada e exercícios respiratórios. Continua em jejum oral e alimentação parenteral exclusiva”, diz o informe, acrescentando: “O candidato do PSL está em jejum oral e se alimenta através de uma sonda”.

A CIRURGIA – Nesta quarta-feira-feira (12), Bolsonaro foi submetido a uma cirurgia de emergência que durou pouco mais de uma hora e foi bem-sucedido, segundo o hospital. Foram retiradas aderências que obstruíram o intestino delgado, e corrigida uma fístula surgida em uma das suturas feitas na operação inicial.

Bolsonaro está internado na instituição de São Paulo desde sábado (8), quando foi transferido da Santa Casa de Juiz de Fora (MG). Na quinta (6), Bolsonaro passou por uma complexa cirurgia após ser atacado com uma faca enquanto fazia campanha de rua.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG – Sob censura da família Bolsonaro, o boletim médico precisa de tradução simultânea. O candidato do PSL sente dores, o que é ruim, mas não tem febre, o que é ótimo (salvo se o remédio para dor for também antifebril). A fisioterapia é obrigatória, para evitar formação de gases. Quanto à “caminhada”, diria o Padre Quevedo que “isso non ecziste”. O paciente ainda não pode sair da UTI. Dará apenas alguns passos pelo quarto. Infelizmente, a situação real é esta. Estou torcendo por Bolsonaro. Dependendo do rival no segundo turno, posso até votar nele. (C.N.)

Se arrependimento matasse, não haveria cemitério para tantos tucanos

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Charge do Mário Adolfo (Arquivo Globo)

BERNARDO MELLO FRANCO
O Globo

Se arrependimento matasse, não haveria cemitério para tantos tucanos. Às vésperas da eleição, o PSDB lamenta suas escolhas nos últimos quatro anos. “Nosso grande erro foi ter entrado no governo Temer. Fomos engolidos pela tentação do poder”, resume o senador Tasso Jereissati.

Em entrevista ao jornal “O Estado de S. Paulo”, o tucano enumerou “erros memoráveis” do partido. Todos cometidos a partir da reeleição de Dilma Rousseff, em 2014. “O primeiro foi questionar o resultado eleitoral. Começou no dia seguinte”, lembrou Tasso. Além de pedir a recontagem dos votos, o PSDB tentou barrar a posse da adversária no tapetão judicial.

VOTOS ERRADOS – “O segundo erro foi votar contra princípios básicos nossos, sobretudo na economia, só para ser contra o PT”, prosseguiu o senador. Referia-se à aliança com Eduardo Cunha para sabotar o governo Dilma. Os tucanos ajudaram a sepultar o fator previdenciário, criado na gestão FH para reduzir o déficit da Previdência.

“Mas o grande erro, e boa parte do PSDB se opôs a isso, foi entrar no governo Temer. Foi a gota d’água, junto com os problemas do Aécio”, concluiu Tasso. Foi uma forma elegante de citar as denúncias contra o senador mineiro, gravado pedindo R$ 2 milhões a Joesley Batista. Aécio foi salvo da degola pela ministra Cármen Lúcia, que deixou ontem a presidência do Supremo.

ALCKMIN DESCONVERSA – Na sabatina do Globo, Geraldo Alckmin desconversou sobre a autocrítica de Tasso. “O PSDB não tem nada a ver com esse governo”, disse. Conversa fiada, porque o partido chegou a ter cinco ministros no gabinete de Michel Temer. Um deles era Alexandre de Moraes, que foi secretário de Alckmin em São Paulo.

O remorso dos tucanos não é gratuito. Antes de embarcar no “grande acordo nacional”, o PSDB liderava as pesquisas para a eleição de 2018. Hoje seu candidato tem apenas 10% das intenções de voto.

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A última do general Mourão: “Uma Constituição não precisa ser feita por eleitos pelo povo”. A democracia e o vice de Bolsonaro parecem ser mesmo inconciliáveis.

Mourão quer reformar a Constituição com “notáveis”, sem usar o Congresso

Mourão acha que o processo deve ser simplificado

José Carlos Werneck

O candidato à vice-presidência da República na chapa de Jair Bolsonaro, general Hamilton Mourão, disse nesta quinta-feira em Curitiba, que o Brasil precisa de uma nova Constituição, mas escrita por “notáveis” e depois submetida a plebiscito , sem necessidade de convocação de uma Assembleia Nacional Constituinte.

Ele destacou que a elaboração da última Constituição brasileira, de 1988, por parlamentares eleitos, “foi um erro”, e defendeu que a nova Carta deveria ser criada por “grandes juristas e constitucionalistas”.

VÁRIOS TIPOS – Uma Constituição não precisa ser feita por eleitos pelo povo. Já tivemos vários tipos de Constituição que vigoraram em períodos democráticos do País, não apenas durante a ditadura, afirmou o candidato.

Acrescentou que defende pessoalmente essa opinião, que não representaria as ideias de Bolsonaro. “Teria que partir para a reforma de todas as reformas. Teríamos que ter uma nova Constituição, mas, no momento, julgo que isso é uma coisa muito difícil de a gente conseguir. Então, a regra é clara: partir do mais fácil para o mais difícil”.

Para o candidato, essa “nova” Constituição deveria ser mais “enxuta” que a atual,a exemplo da norte-americana, que traz apenas princípios e valores gerais. “O restante, como o horário de trabalho do bancário, o juro tabelado, essas coisas, devem ser regidas por leis ordinárias, porque muda de acordo com os valores e o tempo.

TRÊS SEMANAS – Em relação à campanha presidencial, Mourão descartou a possibilidade de mudança do nome na cabeça de chapa depois do atentado sofrido por Jair Bolsonaro. Segundo o general, Bolsonaro deve estar pronto “para liderar o processo” em três semanas, embora não totalmente recuperado para participar de manifestações de rua. “É ele quem as pessoas vão eleger. Ninguém vai me eleger, eu sou o apêndice”, afirmou.

Ele admitiu que houve prejuízo na campanha com a impossibilidade de Bolsonaro estar presente às atividades, por “perda de espaço”, mas disse que não mudou sua agenda de após o atentado. “Quem mobiliza na rua sempre é ele, ele é o homem das massas, o grande agitador”.

O candidato a vice disse estar com a segurança de campanha melhor reforçada depois do atentado e usando colete a prova de bala.

DISCURSO – Na capital paranaense, a uma plateia heterogênea de cerca de 500 pessoas, o general Mourão fez um pronunciamento moderado, abordando os principais pontos de atuação do governo se Bolsonaro for eleito para a Presidência da República.

Ele foi muito aplaudido, quando criticou a política venezuelana e ressaltou que o Brasil nunca será como o país vizinho porque as forças armadas brasileiras não serão “cooptadas”, mas defendeu que o nosso país receba os refugiados venezuelanos.

Mourão salientou que deve haver uma mudança de postura em relação à valorização de policiais e de políticas de Segurança Pública, defendendo que, “direitos humanos têm que servir para humanos direitos e não para marginais”.

INVESTIMENTOS – O general defendeu investimentos na vigilância das fronteiras brasileiras, como em Foz do Iguaçu.

A respeito da confiabilidade das urnas eletrônicas, o candidato afirmou que deve ser adotado o voto impresso porque há desconfiança sobre o resultado das eleições, principalmente nas majoritárias, e disse que a chapa em que concorre “vai jogar o jogo que está sendo jogado” e que aceitaria, sem contestar, uma derrota nas urnas. “Quem for eleito vai ser eleito para pegar um abacaxi”.

Como o Brasil está sendo visto no exterior quanto à economia e à corrupção

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Charge do Tacho (Jornal NH)

Fábio Medina Osório
Folha

A OCDE (Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico) é uma importante organização internacional. Na apresentação do relatório de 2018 sobre o Brasil, a instituição reconheceu uma evolução no tocante à velocidade da economia, que emergiu de uma recessão nos últimos anos.

No entanto, recomendou ao Brasil que melhorasse a eficiência dos gastos públicos, chamando atenção para o fato de que “uma grande e crescente parte dos benefícios sociais é paga a famílias que não são pobres, reduzindo o impacto sobre a desigualdade e a pobreza”. Esse alerta revela o problema crônico da ineficiência da máquina pública no Brasil.

DESPERDÍCIO – O desgoverno, o descontrole das estatais, a falta de transparência, o gargalo dos erros grosseiros ou culpa grave na gestão pública constituem grandes fontes de desperdícios de recursos. Talvez a falta de meritocracia no serviço público também explique a ausência de estímulos à produtividade em muitos setores.

O relatório apontou, é verdade, o excelente trabalho que tem sido realizado por instituições fiscalizadoras, como o Ministério Público e a Magistratura, embora saibamos que não são apenas estas que alicerçam atualmente essa autêntica transformação nos costumes por meio da operação Lava Jato.

Um aspecto que foi objeto de atenção da OCDE: “A governabilidade exigiu muitos gastos ineficientes, sem auditorias sistemáticas, e reduziu a eficácia do setor público”, o que foi crucial para impedir reformas necessárias ao país.

ALTO RISCO – Outro ponto relevante do diagnóstico da OCDE foi quanto ao ambiente de negócios no Brasil, com cenários de alto risco, concorrência fraca, altos custos administrativos, fiscais e de capital. Essas dificuldades, somadas à ineficiência endêmica, proporcionam ambiente fértil à corrupção. Por isso mesmo, uma das recomendações é que se aprimore a governança e se reduza a corrupção, para aumentar o desenvolvimento.

Assinalou-se no relatório que a Lava Jato foi crucial para revelar práticas de corrupção e propina:

“As evidências surgiram principalmente no contexto das contratações públicas, inclusive por empresas estatais, do crédito subsidiado e dos incentivos fiscais para empresas e setores específicos. As concessões de infraestrutura também são vulneráveis ao conluio entre licitantes e à corrupção, pois as estimativas sugerem que as doações de campanha de empresas fizeram com que aumentasse significativamente a probabilidade de essas empresas ganharem contratações públicas”.

CAIXA DOIS – Cumpre salientar que a mera supressão das doações eleitorais por pessoas jurídicas não deve eliminar o problema dos potenciais conflitos de interesses, podendo, inclusive, agravá-los, a meu ver, estimulando outras fórmulas de participações espúrias.

O problema das competências sobrepostas das múltiplas instituições fiscalizadoras também é diagnosticado pela OCDE, tema sobre o qual é necessário refletir mais profundamente. A entidade preocupa-se com a proteção dos denunciantes, mas também há que se ressaltar a própria racionalidade do sistema punitivo e sua credibilidade. É necessário aperfeiçoar os mecanismos de prevenção e repressão.

 

DEMOCRACIA – O objeto desse relatório foi bem mais amplo, mas busquei aqui circunscrever um ponto relevante: a conexão entre uma agenda econômica e a redução dos índices de corrupção e de improbidade do país.

Isso porque, não obstante a escassez de estudos científicos, é notório que práticas corruptas e ineficientes afetam em larga escala direitos fundamentais e a própria essência das democracias contemporâneas, inviabilizando políticas públicas que se destinariam a salvaguardar direito à saúde, ao meio ambiente, à vida, à erradicação da pobreza, à segurança e tantos outros.

Toda eleição é a mesma coisa: o dólar sobe e a Bolsa de Valores despenca

Resultado de imagem para dolar e real chargesAltamiro Silva Junior e Bárbara Nascimento
Estadão

As incertezas eleitorais colocaram os investidores na defensiva nesta quinta-feira, 13. Com isso, o dólar voltou a subir e a Bolsa a cair.  O dólar à vista fechou o dia em R$ 4,1998 – alta de 1,17% –, em meio a preocupações com o cenário eleitoral e a situação na Argentina, de acordo com operadores de câmbio.

A moeda americana, assim, alcançou a maior cotação de fechamento desde a criação do Plano Real. Antes disso, o maior valor nominal havia sido atingido em 21 de janeiro de 2016, quando o dólar terminou o dia vendido a R$ 4,1720. Ainda assim, em termos reais, o dólar está longe do patamar de 2002, quando chegou a ser negociado na casa dos R$ 7, valor corrigido pela inflação brasileira e americana do período.

BRASIL E ARGENTINA – O dólar continua disparando no país vizinho e é negociado perto dos 40 pesos, em alta de 3,67%. O peso e o real estão entre as únicas moedas descoladas do comportamento de emergentes hoje ante a moeda norte-americana, que recua entre vários destes mercados.

No cenário político, os profissionais destacam que o clima é de cautela, com os investidores aguardando a nova pesquisa do Datafolha, que sai nesta sexta-feira, e monitorando os rumos da campanha de Jair Bolsonaro (PSL). O mercado segue monitorando o quadro médico do candidato do PSL à Presidência, Jair Messias Bolsonaro, líder na corrida para o Planalto.

O Ibovespa, que chegou a tocar o cenário positivo no início da tarde, consolidou queda e fechou o dia com queda de 0,63%, a 74.653 pontos. Fibria e Suzano, que chegaram a cair quase 2% hoje, reduziram o ritmo de recuo após notícia de que acionistas da empresa aprovaram em assembleia a operação de incorporação da Fibria pela Suzano.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
É sempre a mesma coisa. O editor está cansado de saber que, em toda eleição, o dólar sempre dispara e a Bolsa cai, sem nenhum motivo, movidos pelos espertinhos de sempre. Mesmo assim, o editor da Tribuna bobeia e esquece de comprar dólares antes do período eleitoral, para ganhar dinheiro dos otários de sempre. Em matéria de finanças, o editor é um tremendo otário. (C.N.)

Nos discursos, o candidato petista Haddad cita Lula a cada 22 segundos

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Pela primeira vez, Haddad sai às ruas como candidato

Sérgio Roxo
O Globo

Em seu primeiro corpo-a-copo na rua com eleitores depois de ser oficializado como candidato à Presidência pelo PT, Fernando Haddad citou nesta quinta-feira o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva uma vez a cada 22 segundos em três discursos. Num total de pouco mais de 11 minutos de falas a simpatizantes, o ex-prefeito mencionou nominalmente o padrinho político 31 vezes, sem contar referências como “presidente” e “ele”.

Vestido com uma camiseta vermelha estampada com uma foto e com o nome do líder petista, o presidenciável foi chamado ao microfone durante caminhada na cidade de Carapicuíba, na região metropolitana de São Paulo, de “Fernando Lula Haddad” e de “Luiz Fernando Lula Haddad”.

APÓS 17 RECURSOS – Haddad foi anunciado como candidato na terça-feira em um ato na frente da Superintendência da Polícia Federal do Paraná, em Curitiba, onde Lula cumpre pena desde o dia 7 de abril por corrupção e lavagem de dinheiro. O ex-prefeito foi indicado depois de o PT apresentar 17 recursos para manter a candidatura do ex-presidente, que foi enquadrado na Lei da Ficha Limpa

Logo no início da caminhada desta quinta-feira, Haddad fez uma rápida fala de dois minutos e meio em que mencionou o nome de Lula nove vezes. O candidato a presidente disse que o ex-presidente ganharia as eleições no primeiro turno se não fosse impedido pelas autoridades brasileiras de concorrer. Destacou também que o ex-presidente deixou um “plano de governo pronto”, e que nos tempos do governo do líder petista a cidade foi beneficiada com convênios para construir 12 creches.

– Nós vamos ganhar essa eleição e vamos botar esse povo para correr – disse Haddad, em seu discurso.

MINISTRO DE LULA – Antes de deixar o município, o presidenciável fez um novo discurso de 4 minutos e 50 segundos, com 12 citações a Lula. Desta vez, Haddad disse que teve a honra de “ser ministro da Educação do Lula” por seis anos.

– Nunca ninguém superou o que o Lula fez ao povo brasileiro – afirmou.

Em seguida, em Osasco, também na região metropolitana de São Paulo, o candidato participou de uma nova caminhada. Durante o percurso, parou para comer um cachorro-quente numa barraca de rua. Ao final, num novo discurso, Haddad disse que o plano de governo de sua candidatura chama “plano Lula de governo”. Lula foi mencionado 10 vezes em quatro minutos de fala.

PROMOTORES – Em entrevista, o candidato celebrou a decisão do Conselho Nacional de Ministério Público (CNMP) de investigar a conduta dos promotores Marcelo Mendroni e Wilson Tafner, que propuseram ações contra ele nas últimas semanas por causa da delação do empreiteiro Ricardo Pessoa, da UTC. Pessoa disse que pagou dívidas da campanha de Haddad a prefeito de São Paulo em 2012.

– Entendo que isso depura o Ministério Público. Ele se chama promotor de Justiça, então tem que buscar a verdade. Não pode fazer política

Indagado sobre a declaração do candidato do PDT, Ciro Gomes, que, em sabatina promovida na quarta-feira pelo Globo e pela revista “Época”, disse que o Brasil não aguentaria uma nova Dilma Rousseff, o petista reafirmou que não entrará em confronto com adversários:

PROPOSTAS – Adotamos uma estratégia até o final da campanha de só falar de propostas. Se tiver alguma proposta dele que vocês (jornalistas) quiserem que eu comente, eu comento. Mas esse tipo de ataque, nós não vamos responder.

Apesar de estar numericamente atrás dos seus adversários em quinto lugar (mas empatado dentro da margem de erro), Haddad já deixou escapar que cogita disputar a reeleição. Perguntado se a vice Manuela D´Ávila, que participou da agenda. continuará a fazer acampanha ao seu lado, o petista respondeu:

– Lado a lado, nós vamos estar pelos próximos cinco anos, talvez oito anos.

Bolsonaro não pode receber visitas nem falar, e se alimenta com soro na veia

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Bolsonaro vai continuar na UTI

Jussara Soares e Tiago Aguiar
O Globo

Os desdobramentos de duas cirurgias a que o presidenciável Jair Bolsonaro (PSL) foi submetido depois de ter sido ferido à faca quando fazia campanha, semana passada, em Juiz de Fora, levaram o comando de sua candidatura a redefinir, mais uma vez, a estratégia política até a eleição. Embora apresente evolução clínica e nenhum sinal de infecção, Bolsonaro voltou para uma Unidade de Terapia Intensiva (UTI), após procedimento de desobstrução intestinal.

Diante do quadro, familiares e aliados avaliam que o candidato ficará impossibilitado de atuar diretamente na campanha, e não poderá até mesmo gravar vídeos, justamente uma das iniciativas que serviriam para abastecer os canais de comunicação do candidato.

VÍDEOS ANTIGOS – Para manter a candidatura em evidência, uma das alternativas é que dirigentes se dividam em compromissos da campanha. Também reforçarão, nas plataformas digitais, o discurso de que Bolsonaro terá condições de retomar as atividades num eventual segundo turno. Além disso, a campanha pretende utilizar vídeos previamente gravados antes da hospitalização. Nas imagens, Bolsonaro apresentará propostas e rebaterá críticas de adversários.

De acordo com um interlocutor do partido, existe material inédito para ser usado até as eleições. Antes da realização do segunda cirurgia, uma gravação estava prevista para domingo, ainda no leito do hospital. Com a alteração de seu quadro de saúde, a captação de imagens não deve se realizar.

NÃO PODE FALAR – Nesta quinta-feira, um dos filhos do candidato, Flávio Bolsonaro, em entrevista à rádio 97,1 FM, do Rio de Janeiro, fez um desabafo sobre a situação clínica do pai, e disse que a orientação médica é a de que ele evite falar.

– Ele não está conseguindo nem falar direito, então não pode ir para a internet para fazer transmissão ao vivo, conversar com todo mundo. A orientação médica é que nem fale, porque quando fala acumula gases e pode ocasionar mais dor ainda – explicou o filho.

Um dos principais aliados de Bolsonaro, o presidente do PSL de São Paulo, Major Olímpio, verbalizou as dificuldades da campanha. Ele acredita que a ausência de Bolsonaro, principalmente em agendas públicas, deve fazer com que diminua o número de simpatizantes nas ruas.

SEM RUAS – “Não temos (integrantes do comando de campanha) essa capacidade de levar milhares de pessoas às ruas, como é uma característica e uma força do Jair Bolsonaro. Mas vamos levar a mensagem” — disse Olímpio.

Antes do atentado, as decisões da campanha do PSL eram muito concentradas no próprio Bolsonaro. Agora, diante da internação, a campanha não só procura alternativas para manter o candidato em evidência, como ainda sofre com as divergências internas.

Na véspera da cirurgia, a decisão do PRTB de consultar o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) sobre a possibilidade de o vice na chapa, o general da reserva Antonio Hamilton Mourão, substituir Bolsonaro em debates na TV irritou a cúpula da sigla. O presidente do PSL, Gustavo Bebianno chegou a desautorizar o partido do vice, alegando que o partido de Mourão não tinha legitimidade jurídica para fazer esse questionamento.

DIVISÃO – A campanha usou ontem as redes sociais para falar a seus eleitores. “Muita coisa vem sendo falada na tentativa de nos dividir e consequentemente nos enfraquecer. Não caiam nessa! Desde o início sabíamos que a caminhada não seria fácil, por isso formamos um time sólido e preparado para a missão de mudar o Brasil! Não há divisão!”, dizia mensagem publicada ontem à noite na conta oficial do presidenciável no Twitter.

Ainda em relação ao estado de saúde do candidato, o hospital informou que ele está recebendo analgésicos para controle de dor e não apresentou sangramentos ou outras complicações nas últimas horas. “Em razão do procedimento cirúrgico, o ex-capitão do exército se mantém em jejum e recebe alimentação por via endovenosa”, informaram os médicos.

SEM VISITAS – O Globo ouviu médicos especialistas em cirurgia no aparelho digestivo. Eles estimam que uma segunda operação no aparelho digestivo, como a que Bolsonaro foi submetido, obriga o paciente a ficar no mínimo entre 10 a 15 dias no hospital. Também afirmam que tudo depende da reação do organismo ao tratamento e à reintrodução de alimentação oral.

Uma das orientações da equipe médica que acompanha Bolsonaro no Hospital Albert Einstein é que se diminua o número de visitas. Desde que foi internado, o candidato resolveu visita de familiares, aliados e até artistas que foram prestar solidariedade. Alguns gravaram vídeo e fizeram foto.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
Em tradução simultânea, Bolsonaro não vai mais participar da campanha, nem mesmo no segundo turno. Seu estado de saúde é delicadíssimo. Não pode receber visitas, falar nem se alimentar direito, recebendo soro permanentemente. Está cada vez mais fraco, a recuperação é penosa e comemora-se cada dia vencido, até conseguir se alimentar de novo, com papinhas, vitaminas de frutos e sorvete. É preciso liberar Mourão para participar dos debates. O general não tem nada de bobo. Há cinco anos, em pleno governo Dilma, assisti a uma palestra dele em Brasília na qual deu pancada na gestão do PT no início, no meio e no fim, dizendo que o Brasil não tinha planejamento nem governo. Deixem o general falar, que ele saberá dar o recado. (C.N.)       

Na era da escravatura, o que mais brilhava era a escuridão, dizia Castro Alves

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Site Poemas & Canções

O poeta baiano Antônio Frederico de Castro Alves (1847-1871) é símbolo da nossa literatura abolicionista, motivo pelo qual é conhecido como “Poeta dos Escravos”. No poema “Antítese”, justifica o emprego do título pela descrição oposta, contrária entre homem branco (livre) e o negro (escravo).

ANTÍTESE
Castro Alves

Cintila a festa nas salas!
Das serpentinas de prata
Jorram luzes em cascata
Sobre sedas e rubins.
Soa a orquestra … Como silfos
Na valsa os pares perpassam,
Sobre as flores, que se enlaçam
Dos tapetes nos coxins.

Entanto a névoa da noite
No átrio, na vasta rua,
Como um sudário flutua
Nos ombros da solidão.
E as ventanias errantes,
Pelos ermos perpassando,
Vão se ocultar soluçando
Nos antros da escuridão.

Tudo é deserto. . . somente
À praça em meio se agita
Dúbia forma que palpita,
Se estorce em rouco estertor.

— Espécie de cão sem dono
Desprezado na agonia,
Larva da noite sombria,
Mescla de trevas e horror.

É ele o escravo maldito,
O velho desamparado,
Bem como o cedro lascado,
Bem como o cedro no chão.
Tem por leito de agonias
As lájeas do pavimento,
E como único lamento
Passa rugindo o tufão.

Chorai, orvalhos da noite,
Soluçai, ventos errantes.
Astros da noite brilhantes
Sede os círios do infeliz!
Que o cadáver insepulto,
Nas praças abandonado,
É um verbo de luz, um brado
Que a liberdade prediz.

Só pode ser piada: dirigente do Itaú diz que a incerteza eleitoral eleva juros

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O banqueiro Cândido Bracher gosta de piadas

Pedro do Coutto 

Numa entrevista a Daniela Meibak e Sérgio Tauhata, edição de ontem do Valor, o presidente do Itaú-Unibanco, Cândido Bracher, afirmou que a incerteza quanto ao desfecho eleitoral deste ano faz praticamente dobrar a taxa de juros cobradas aos clientes, sejam pessoas físicas ou jurídicas.  Acentuou que os juros reais deste ano são de 4,1% a/a, isso levando-se em conta uma inflação em torno de 4,5%, e cotejando-a com a taxa Selic, que é de 6,5% para 12 meses. A afirmação surpreende.

Surpreende porque não vejo influência quanto ao desfecho das eleições sobre as taxas de juros. Eleição se vence ao longo de uma campanha. Ninguém vence na véspera. Assim a incerteza em relação ao resultado final é própria do processo democrático.

TESE INVÁLIDA – Não tem cabimento levantar a tese do presidente do Itaú-Unibanco, uma vez que não pode haver certeza prévia sobre o resultado final. Se assim fosse, o voto popular não teria a importância que tem. Isso de um lado.

De outro, se houvesse a certeza quanto ao rumo das urnas, as eleições em si não teriam grande valor. Portanto, o enfoque de Cândido Bracher é meramente um pretexto para que os juros se mantenham elevados nos dois maiores bancos privados brasileiros, Itaú e Bradesco. Há ainda que considerar uma outra face do enigma colocado pelo banqueiro. Os bancos não são devedores da Taxa Selic, pelo contrário. Os bancos são credores dessa taxa. Pois eles estão entre os titulares de NTNs que lastreiam a dívida interna brasileira, a qual se eleva a 3,4 trilhões de reais.

As incertezas são próprias da existência humana. Agora mesmo tivemos um exemplo: Jair Bolsonaro sofreu um atentado a faca num comício em Juiz de Fora. Alguém poderia prever tal acontecimento? Não, de forma alguma. O trajeto político encontra-se sempre repleto de incertezas e de contradições. Como ficará o quadro eleitoral com Bolsonaro hospitalizado?  Eis aí outra pergunta concreta.

HORÁRIO ELEITORAL – Reportagem de Gustavo Fiorani e Paulo Passos, Folha de São Paulo de ontem, com base em pesquisa do Ibope revela que a audiência na televisão dos programas políticos assinalam uma queda de até 26% quanto ao número habitual de telespectadores. O Ibope avaliou tanto o horário das 13 às 13:25hs como o horário das 20:30hs até 20:55hs.

Em termos de aparelhos ligados nas cidades do Rio de Janeiro e São Paulo o nível de audiência alcança 72% do público habitual e no período das 20:30 a 20:55 abrange 75% de telespectadores e telespectadoras. Como se vê apesar da queda, os índices de atenção permanecem muito altos. Daí a importância da presença dos candidatos nas telas coloridas com mensagens que buscam sensibilizar o eleitorado.

Ciro Gomes e Marina Silva tentam adotar os órfãos do lulismo

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Ciro sobe, Marina cai, mas o quadro está indefinido

Bernardo Mello Franco
O Globo

O impedimento de Lula vai obrigar quatro em cada dez eleitores a escolher outro candidato. Ciro Gomes sabe disso, e precisa evitar que Fernando Haddad leve todos os votos que ficaram sem dono. É uma missão complicada, porque o ex-presidente deixou cartas e vídeos para turbinar o herdeiro.

Ciro quer desgastar Haddad sem melindrar os órfãos do lulismo. Foi o que ele tentou fazer ontem em sabatina no Globo. O pedetista bateu no candidato do PT, mas poupou quem o escolheu. Ele adotou a tática de comparar o rival a Dilma Rousseff, a quem acusou de ter feito um “governo desastrado”. “O Brasil não precisa de um presidente por procuração. O Brasil não aguenta uma outra Dilma”, disse. “O Haddad não conhece o Brasil. Não tem experiência”, prosseguiu.

BANDEIRA BRANCA – Na mesma entrevista, Ciro estendeu a bandeira branca a Lula, a quem definiu como amigo de longa data. “Eu o apoiei em todos os momentos desses últimos 16 anos”, afirmou. O pedetista disse que é preciso “relativizar” os erros do ex-presidente, que estaria isolado na cadeia e “cercado de puxa-sacos”. “Se ele estivesse solto, não teria permitido uma série de desatinos que estão sendo promovidos”, argumentou.

Na terça-feira, Marina Silva preferiu atacar Lula. Ela defendeu a condenação do ex-presidente, que a nomeou ministra do Meio Ambiente em 2003. “Ele está sendo punido por graves crimes de corrupção”, sentenciou. A candidata da Rede também disse que não se arrepende do apoio ao processo que alçou Michel Temer ao poder. “Apoiei o impeachment por convicção. Houve crime de responsabilidade”, afirmou.

CAIXA DOIS – A ex-senadora repetiu o discurso de que a reeleição de Dilma teria sido uma “fraude” por causa do uso de caixa dois. Não mencionou as delações da Odebrecht que também ligaram a prática à campanha de Eduardo Campos, de quem foi vice até o acidente aéreo de 2014.

Em queda nas pesquisas, Marina indicou que não está disposta a cortejar o eleitorado lulista para permanecer viva na disputa. Ninguém pode alegar surpresa. Ela já havia escolhido este caminho há quatro anos, quando apoiou Aécio Neves no segundo turno da eleição.

Cuba dá calote no Brasil, que continua pagando o programa “Mais Médicos”

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Coutinho financiou o porto cubano sem garantias

Mário Assis Causanilhas

A Folha de S. Paulo denuncia que o governo de Cuba está dando um calote no Brasil pelo financiamento da obra do superporto de Mariel. Segundo o jornal paulista, o  governo cubano deixou de pagar US$ 20 milhões ao BNDES nos últimos três meses e corre o risco de ser levado a calote.
“Pagamentos ao Banco do Brasil, no programa de apoio à exportação de alimentos, também estão falhando, e a conta em aberto já soma € US$ 30 milhões”, diz a Folha, acrescentando: “No caso do BNDES, a maior parte da dívida se refere ao financiamento da obra do Porto de Mariel, conduzida pela Odebrecht durante os governos Luiz Inácio Lula da Silva e Dilma Rousseff.”
 
Lula já está na cadeia. Agora falta Dilma Rousseff.

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E A PERMUTA COM O PROGRAMA MAIS MÉDICOS?
Carlos Newton

Este calote desde sempre já esperado. Cansamos de denunciar aqui a conduta do então presidente do BNDES, Luciano Coutinho, que teve a desfaçatez de mentir acintosamente ao prestar depoimento no Congresso, quando afirmou aos parlamentares que o financiamento de Mariel tinha garantia da Odebrecht.

Indagada a respeito, a empreiteira baiana negou a informação. Disse ter sido contratada para construir o mais moderno porto da América Latina, mas nada tinha a ver com o financiamento do BNDES.

A Tribuna da Internet caiu em cima e o BNDES teve de admitir que a garantia fora dada pelo governo brasileiro, através do Fundo de Apoio à Exportação, gerido pelo Ministério da Fazenda.

LUCIANO FICOU – Mesmo assim, Luciano Coutinho não foi demitido e continuou gerindo o BNDES como se fosse sua propriedade. Aqui na Tribuna da Internet seguimos apurando o assunto e descobrimos que o pagamento estava em dia, porque o governo cubano pagava o financiamento do porto usando parte das verbas do programa “Mais Médicos”, e ainda sobrava dinheiro para remeter a Havana.

Agora, a situação apertou, Cuba não tem o que vender e precisa importar quase tudo, com a Venezuela sob falência. A solução é dar o calote no Brasil.

“Lula já está na cadeia. Agora falta Dilma Rousseff”, afirma Mário Assis Causanilhas. E a gente completa: falta também Luciano Coutinho, um brasileiro de “b” minúsculo, como diria Carlos Lessa, que fez a melhor gestão da história do BNDES e jamais assinaria um contrato desse tipo.

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P.S. – Brasil precisa de um porto moderno, mas ele fica localizado em Cuba. Para sair do prejuízo, é só o governo brasileiro não pagar mais a parte do governo cubano no programa Mais Médico. Devemos pagar diretamente aos médicos, e cést fini. (C.N.)

“Quem vota no Bolsonaro abre caminho para volta do PT”, afirma Alckmin

Alckmin deu entrevista na luxuosa redação de O Globo

Bernardo Mello Franco, Fernanda Krakovics e Jeferson Ribeiro
O Globo

O candidato do PSDB, Geraldo Alckmin, participou nesta quinta-feira de sabatina promovida pelos jornais O Globo, Valor Econômico e pela revista Época. Logo no início da entrevista, o tucano foi questionado sobre as últimas ações da Polícia Federal contra o ex-governador do Paraná e o atual do Mato Grosso do Sul, Beto Richa e Reinaldo Azambuja, respectivamente, nesta semana. “Não passamos a mão na cabeça de ninguém”, disse ao tentar se desvincular de políticos do seu partido envolvidos em esquemas de corrupção. “É claro que foi uma grande surpresa. Vamos aguardar as investigações.”

Ele também é acusado de receber caixa dois da Odebrecht. Para mudar de assunto, resolveu atacar o PT e fez, ao final da sabatina, uma alusão à volta do partido de Lula ao poder, caso Jair Bolsonaro (PSL) seja eleito. Ele tentou também se descolar do apoio que seu partido deu ao governo do presidente Michel Temer.

TONS DE PT – “Tem vários tons de PT, como disse o (Guilherme) Boulos (PSOL). O PT e os adoradores do Lula. Tem o Ciro, a Marina, o Boulos e o Meirelles, que foi presidente do Banco Central (na gestão Lula). Nós sempre fomos oposição” – disse, ao se referir ao projeto de outras correntes nas eleições.

“O projeto do PT não é o Brasil. É o Lula” – afirmou ao tentar colar os candidatos do PDT, da Rede e PT. Os três e o petista Fernando Haddad estão empatados tecnicamente nas pesquisas.

“Tem de um lado uns vários tons de vermelho, o Haddad, o Ciro, a Marina, o Boulos. De outro lado você tem um radicalismo caricato. E quem vota no Bolsonaro não sabe que está abrindo caminho para a volta do PT”, acentua.

CONTRA A ESQUERDA – Ao final da entrevista, Alckmin voltou a criticar os partidos de esquerda. E Reafirmou que quem vota no Bolsonaro, não sabe que está ‘votando’ no PT.

Na reta final da campanha, a tese do tucano é de que oseleitores que hoje indicam votar em candidatos mais mal posicionados no campo da direita, como Henrique Meirelles (MDB), Alvaro Dias (Podemos) e João Amoêdo (Novo), vão migrar para o voto útil para evitar a subida do PT. Essa é, pelo menos, a aposta de Alckmin.

– Muita gente que está votando no Bolsonaro não sabe que está elegendo o PT. Muita gente está votando no Bolsonaro e dando passaporte para volta do PT, e o que eu puder fazer para evitar isso, certamente vou fazer. Acho que vai ter mais voto útil, à medida que vai avançando a campanha – disse.

O chamado voto de qualidade pode definir esta sucessão presidencial

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Charge do Thiago (Arquivo Google)

Merval Pereira

Com a tendência de Bolsonaro garantir um lugar no segundo turno, e possivelmente em primeiro lugar, a campanha eleitoral em seus derradeiros vinte e poucos dias vai tomar um caminho semelhante à de 2014, quando o voto útil levou o candidato tucano Aécio Neves ao segundo turno quando perdia para Marina até dois dias antes.

Desta vez, a disputa pela segunda vaga está mais acirrada. Até agora, quatro candidatos têm condições de chegar ao segundo turno, mas um deles, Geraldo Alckmin, apresenta dificuldades para avançar. Ele, que em 2014 deu ao mineiro Aécio sete milhões de votos na frente em São Paulo, não consegue superar Bolsonaro em seu próprio território político.

CIRO E MARINA – Não à toa os dois candidatos que aparentemente disputarão a vaga com Fernando Haddad, do PT, são Ciro Gomes, do PDT, e Marina Silva, da Rede. São os únicos que não têm envolvimento com denúncias de corrupção, especialmente Marina, pois, se Ciro não tem denúncia pessoal contra ele, o trabalhismo a que está filiado é envolto em denúncias de corrupção nos ministérios por que passou.

Eles disputarão os votos de Alckmin e Haddad. Ciro, que se diz mais amplo politicamente que Haddad, e abre sua candidatura à centro direita. E Marina, que já vem refazendo seu caminho desde que saiu do PT, e conseguiu livrar-se da tutela, até psicológica, de Lula.

Os dois são figuras políticas distintas, mas têm pontos em comum. Marina, que foi analfabeta até os 16 anos, é historiadora com especialização em psicopedagogia.

LIBERTOU-SE – Na atual campanha, Marina “matou o pai” no sentido freudiano, isto é, libertou-se da submissão a Lula, da sua autoridade, e principalmente da dependência que tinha dele. Já havia começado esse processo desde que saiu do governo depois de sete anos como ministra do Meio Ambiente, mas só agora se libertou de seu mentor político, a ponto de poder afirmar com convicção que considera Lula um corrupto, que está preso com justiça.

Na sabatina do Globo, ela, além de usar termos regionais como “bicho de ruma”, para definir os políticos que são uma praga para o Estado brasileiro, e “farinha do mesmo saco, angu do mesmo caroço”, para falar dos políticos que negociam seus mandatos em diversas legendas, é capaz de citar Lacan para exemplificar por que age em busca de um presidencialismo de proposição, em contraposição ao presidencialismo de coalizão, figura criada pelo cientista político Sérgio Abranches que vem sendo deturpada pelo “toma lá dá cá” que prevalece na política brasileira.

CITANDO LACAN – Marina saiu-se com essa na sabatina: “Como diz Lacan, o sentido só aparece depois”, para dizer que a conduta correta ao formar o governo terá consequências benéficas para a democracia, assim como as alianças espúrias só fazem corrompê-la.

Ciro Gomes, por sua vez, gosta de se apresentar como “um velho professor de Direito” ou “constitucionalista”, e ressalta a temporada que passou estudando em Harvard. Ontem, além de chamar o general Mourão, vice de Bolsonaro, de “burro de carga”, ou os militares que supostamente estariam insuflando uma intervenção militar de “cadelas no cio”, explica que tem uma linguagem para cada público.

Por isso, falou em colocar cada poder “em sua caixinha”, frase que produziu a impressão, que ele diz falsa, de que pretende controlar a Operação Lava-Jato. Segundo ele, estava simplesmente traduzindo para o popular a teoria de equilíbrio dos poderes no Estado, de Montesquieu, e citou em francês o livro “L’esprit des lois” que diz que “o Poder controla o Poder” para que não se abuse do poder.

ESPÓLIO DE LULA – Os dois estarão disputando os votos com Fernando Haddad, outro intelectual, professor da Universidade de São Paulo, que tem a vantagem de ter Lula como cabo eleitoral, mas a dificuldade de ter uma legenda manchada pela série de denúncias de corrupção.

Ciro começou a bater duro no PT e em Haddad, mas livrando Lula. Sabe que no segundo turno os votos lulistas serão dele se Haddad lá não estiver. Marina critica a polarização entre PT e PSDB, e se propõe como alternativa, dando “umas férias” aos dois partidos hegemônicos na política brasileira nos últimos 25 anos. E disputa os votos de centro esquerda, que pegam desde tucanos desiludidos a petistas desencantados.

Os dois criticam a falta de experiência de Haddad, que seria um novo poste de Lula assim como Dilma foi. E experiência, ao contrário do que se supunha, é um requisito da maioria do eleitorado.