Para defender voto útil antiBolsonaro, Alckmin torce para Haddad decolar

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Charge do Sid (Charge Online)

Daniela Lima
Folha

Tal é a confusão na eleição que, neste momento, não há exagero em dizer que o PSDB de Geraldo Alckmin torce por uma rápida ascensão de Fernando Haddad (PT), o herdeiro de Lula, nas pesquisas sobre a disputa presidencial. Só esse movimento, avalia a cúpula da campanha tucana, abrirá caminho para que se possa iniciar a pregação pelo voto útil contra Jair Bolsonaro (PSL), o líder das pesquisas.

O entrave para o cenário dos sonhos de tucanos e petistas, que, por óbvio, também torcem pelo crescimento de seu neocandidato, tem nome e sobrenome: Ciro Gomes (PDT). Enquanto o PT encenava uma batalha que sabia perdida nos tribunais pela candidatura de Lula, o pedetista se apresentou ao eleitor e ganhou musculatura em ala da esquerda que desconfiava da estratégia kamikaze arquitetada pelo ex-presidente.

BOLA DA VEZ – Ciro sabe que, agora, é ele a bola da vez, mas tentará conter a ofensiva que se avizinha nos campos onde conseguiu fincar estacas. Vai exibir o Nordeste em sua propaganda eleitoral, apresentar-se como o filho legítimo da região, tratar Haddad como uma Dilma Rousseff (PT) de calças. Vai semear a desconfiança para segurar o eleitor que, neste momento, não vê viabilidade no projeto de Lula e aderiu ao do PDT.

Não será tarefa fácil. Haddad ainda não despontou nas pesquisas, mas mesmo sendo apresentado de maneira mambembe no horário eleitoral, avançou de 4% para 9%, segundo o último Datafolha. E é só agora, com a pista liberada pelo ex-presidente, que a máquina petista vai entrar em cena.

Quem aposta nas brigas internas do PT e na falta de interlocução do escolhido de Lula com setores importantes do partido deve lembrar o que está em jogo nesta eleição na cabeça dos petistas: a chance de pôr em xeque a narrativa gestada sob o manto da Lava Jato há quatro anos e cujo ponto alto foi a prisão de seu líder máximo. Não se engane: o PT vai para a guerra.

AMARGURA – E se, por um lado, a demora do partido em vestir Haddad de candidato deu tempo para Ciro mostrar suas garras, por outro, o intervalo serviu para que Lula resgatasse seu afilhado de um profundo desencanto com o sistema político e com o próprio partido.

O Haddad que deixou a Prefeitura de São Paulo em 2016, derrotado no primeiro turno por João Doria (PSDB), era um homem amargurado, impaciente, descrente e incapaz de qualquer autocrítica.  Profundamente questionado pelos companheiros de partido no estado, pensou em deixar o PT —embora negue.

Haddad culpava Dilma pelas mazelas de sua gestão, pela falta de dinheiro, pela impopularidade. Sentia-se contaminado pelos erros da petista, em especial na política de preços dos combustíveis que, avaliava, desaguou nos protestos de junho de 2013, dos quais ele foi o primeiro alvo, levando pancada da qual não conseguiu se recuperar.

OUTRO HADDAD – O homem que se apresenta para a disputa hoje é outro e está em boa fase. Lula reaproximou Haddad do partido entregando a ele, de dentro da prisão em Curitiba, a missão de formular o plano de governo do PT. Haddad adora teorizar. Foi fisgado. E então Lula cercou sua criatura com tutores de sua confiança —Ricardo Berzoini e Sérgio Gabrielli, para ficar em dois exemplos.

Esses, por sua vez, abriram espaço a Haddad dentro do PT e, talvez a contragosto, fizeram o partido engolir o afilhado rebelde de Lula. O candidato que se posta agora diante do eleitor petista prega o resgate de uma política que outrora ele mesmo havia descartado.

Aliados de Ciro acham que os lulistas não vão engolir a troca tão fácil. Haddad não é Lula, eles dizem, não soa como Lula, não pensa como Lula. Creem que o eleitor vai sentir a diferença de olhos fechados. Vai?

Estado de Bolsonaro é grave e ele está se alimentando por via venosa

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Bolsonaro, já enfraquecido, foi operado de novo

Carlos Newton

Como se sabe, os boletins médicos estão sob censura e necessitam de tradução simultânea. O hospital informou na noite de quarta-feira que Bolsonaro teve “distensão abdominal progressiva e náuseas”, que poderia ser causado por gases, e precisou passar por uma tomografia no abdômen. O exame identificou presença de aderência obstruindo o intestino delgado. Segundo o hospital, a solução do problema era cirúrgica. O boletim informou que, em uma das três perfurações sofridas no intestino delgado, formou-se uma fístula, um pequeno orifício, que provocou inflamação e gerou o quadro de aderência, que é uma obstrução intestinal.

A aderência (ou a união de dois tecidos do corpo) ocorre em decorrência da cicatrização interna em áreas que sofreram incisão cirúrgica, no caso, a realizada após a facada.

INFLAMAÇÃO – A aderência foi causada pela inflamação decorrente do trauma e dificultou a passagem de alimentos pelo intestino. Na cirurgia, as fístulas foram suturadas e as aderências foram liberadas.

“Além disso, constatou-se um extravasamento de secreção entérica (secreção intestinal) a montante do ponto de obstrução em uma das suturas realizadas anteriormente para correção dos ferimentos intestinais. Em grandes traumas abdominais esta complicação é mais frequente do que em cirurgias programadas”, diz o boletim da manhã desta terça. “A limpeza abdominal foi realizada como feito rotineiramente.”

Todos os pontos de possível obstrução foram tratados para reduzir a chance de novos problemas na região.

ELE PASSA BEM – O procedimento durou duas horas e terminou por volta das 23h30. Segundo os médicos, a nova intervenção foi bem-sucedida e o candidato passa bem. O boletim informa que ele não sentiu dores nem teve náusea durante a madrugada, mas nem poderia, por estar sob anestesia completa.

Os boletins médicos são controlados pela família. Na verdade, a situação de Bolsonaro é muito preocupante, porque ele voltou à estaca zero, mas agora está com o organismo combalido. O maior risco que vinha correndo desde a agressão era ocorrer infecção, devido a passagem de fezes para o interior do abdômen.

A nova operação também foi altamente traumática. A vida de Bolsonaro está em risco, mas ele precisa reagir e se recuperar, na graça de Deus. A política não pode se travar na ponta de uma peixeira.

 

Manobras da defesa de Lula acabaram atrasando a campanha de Haddad

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Charge do Sinfrônio (Arquivo Google)

José Carlos Werneck

Agora que Fernando Haddad é o candidato do PT à Presidência da República e praticamente chegaram ao fim as intermináveis, ridículas e monótonas manobras dos advogados de Lula, a disputa da sucesso assume seus contornos reais. Ao insistir que o Comitê de Direitos Humanos das Nações Unidas voltou a recomendar que o ex-presidente Lula seja liberado para concorrer nestas eleições, a equipe de defensores de Lula fez um papel totalmente patético, porque essa alegação é uma inutilidade sob o ponto de vista legal, não ajudou em nada o ex-presidente.

Ao contrário, fez com que o argumento caísse cada vez mais na descrença de quem entende minimamente do assunto.

SOBERANIA – Existe um princípio consagrado em Direito, que é o respeito a autodeterminação dos povos, que nada mais é do que o princípio que garante a todo povo de um país o direito de se autogovernar, realizar suas escolhas sem intervenção externa, exercendo soberanamente o direito de determinar o próprio estatuto político.

Segundo um ridículo e risível comunicado dos advogados de Lula, o Comitê da ONU, em resposta a mais um pedido da defesa, reforçou a decisão em caráter liminar, destacando que os Três Poderes devem respeitar acordos internacionais e dar cumprimento à medida.

O advogado Cristiano Zanin Martins, quando afirmou que o novo comunicado do comitê foi anexado a recursos que correm contra o indeferimento da candidatura de Lula no Tribunal Superior Eleitoral e no Supremo Tribunal Federal, parece que pensou que não encontraria vozes abalizadas que reagissem a essa bobagem.

COMUNICADO – Segundo ele, o órgão da ONU afirmou que “todos os Poderes (Executivo, Legislativo e Judiciário), além das mais altas autoridades públicas ou governamentais, e qualquer nível, nacional, regional ou local , estão em posição de absorver a responsabilidade do Estado-parte”.

O documento foi assinado por dois peritos plantonistas da entidade, que responderam aos advogados de Lula sobre a decisão do TSE de impedi-lo de continuar na disputa eleitoral, por que se   encontra-se preso desde o dia 7 de abril, depois de ser condenado a 12 anos e um mês de prisão pelos crimes de corrupção e lavagem de dinheiro. Lula foi impedido de concorrer por estar incurso de corpo e alma na Lei da Ficha Limpa, que veda o registro de candidatura de pessoas condenadas em Segunda Instância.

PEDIDO NEGADO – Em resposta, o TSE emitiu duas novas decisões contrárias à sua candidatura e a presidente do tribunal, ministra Rosa Weber, negou pedido da defesa para estender o prazo do PT para apresentar um novo candidato.

A data-limite foi mantida e o vice-presidente Luís Roberto Barroso alertou o partido de que as campanhas seriam suspensas caso Lula continuasse aparecendo de forma dúbia, levando o eleitor a acreditar que o ex-presidente era candidato.

Ainda bem que integrantes mais lúcidos do Partido dos Trabalhadores entenderam que estas manobras meramente procrastinatórias dos advogados de Lula eram inúteis e o convenceram a colocar o nome de Fernando Haddad em seu lugar e assim evitaram a interdição da campanha, que só prejudicaria o PT.

Bolsonaro evolui bem após cirurgia no intestino, diz boletim médico

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Segunda cirurgia de emegência durou duas horas

Por G1 SP

O candidato à Presidência da República pelo PSL, Jair Bolsonaro, evolui bem após passar por cirurgia de emergência para desobstruir o intestino na noite de quarta-feira (12), informou boletim médico divulgado na manhã desta quinta-feira (13) pelo Hospital Albert Einstein. O candidato está internado desde sexta-feira (7) no hospital da Zona Sul de São Paulo, após ser vítima de uma facada durante ato de campanha em Juiz de Fora, Minas Gerais.

O procedimento durou duas horas e terminou por volta das 23h30. Segundo os médicos, a nova intervenção foi bem-sucedida e o candidato passa bem. Ele não sentiu dores nem teve náusea durante a madrugada. Bolsonaro foi levado para o mesmo leito onde estava antes da cirurgia, e voltou a ter o protocolo de cuidados de UTI.

NOVA CIRURGIA – Na noite de quarta, o hospital informou que Bolsonaro teve “distensão abdominal progressiva e náuseas”, e precisou passar por uma tomografia no abdômen. O exame identificou presença de aderência obstruindo o intestino delgado. Segundo o hospital, a solução do problema era cirúrgica.

Em uma das três perfurações sofridas no intestino delgado, formou-se uma fístula, um pequeno orifício, que provocou inflamação e gerou o quadro de aderência, que é uma obstrução intestinal.

De acordo com médicos especialistas, a aderência (ou a união de dois tecidos do corpo) ocorreu em decorrência da cicatrização interna em áreas que sofreram incisão cirúrgica, no caso, a realizada após a facada.

OS PROBLEMAS – A aderência foi causada pela inflamação decorrente do trauma e dificultou a passagem de alimentos pelo intestino. Na cirurgia, as fístulas foram suturadas e as aderências foram liberadas.

“Além disso, constatou-se um extravasamento de secreção entérica (secreção intestinal) a montante do ponto de obstrução em uma das suturas realizadas anteriormente para correção dos ferimentos intestinais. Em grandes traumas abdominais esta complicação é mais frequente do que em cirurgias programadas”, diz o boletim da manhã desta terça (leia a íntegra acima). “A limpeza abdominal foi realizada como feito rotineiramente.”

Todos os pontos de possível obstrução foram tratados para reduzir a chance de novos problemas na região.

A alimentação voltou a ser parenteral (endovenosa) desde a tarde de quarta-feira. A dieta será liberada quando se reestabelecer o trânsito gástrico. O tipo de dieta será decidido após a liberação.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
Como se sabe, os boletins médicos estão sob censura e necessitam de tradução simultânea. Daqui  pouco a gente volta, com novas informações. (C.N.)

Lições e saudade de um democrata chamado Juscelino Kubitschek

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JK era chamado de “O Homem que Ri”

Sebastião Nery

Ninguém me contou, eu vi. Foi há muito tempo, na década de 50. Eu morava, estudava e trabalhava em Minas como jornalista político (“O Diário”, “Diário da Tarde” e “Jornal do Povo”). Juscelino havia resistido ao golpe que levou Getúlio Vargas ao suicídio em 24 de agosto de 1954 e era candidato natural do PSD, do PTB e das esquerdas à Presidência da República, em 1955.

Todos os dias, invariavelmente, íamos ao Palácio da Liberdade ver o governador e saber o que havia no país e em Minas. Juscelino era um forte sitiado. A UDN mobilizou um cerco nacional no Congresso, na imprensa e sobretudo nos quartéis para vetar e impedir a candidatura de JK. Ele nunca perdeu o sorriso aberto com os olhos apertados.

UM GUERREIRO – Enfrentou tudo: a oposição desvairada de Lacerda na imprensa, o jogo duplo, às vezes triplo, de Assis Chateaubriand e Roberto Marinho nos seus jornais e televisão e, sobretudo, a resistência de uma banda do PSD dentro do seu partido, a começar por Benedito Valadares, em Minas.

Para comemorar os 116 anos de nascimento de JK, agora dia 12 de setembro, vale lembrar a grande virtude de JK cantada em verso e prosas, hoje, pela classe política brasileira:

Juscelino era um determinado. Sem condições materiais, estudou, formou-se e se aperfeiçoou em medicina em Paris. Nunca olhou para trás. Sempre para frente.

ARTILHARIA – O que a UDN fez, naquela época, para detonar a candidatura de JK pareceria hoje inacreditável. Só não era pior do que a artilharia do PT hoje. Como vimos em Juiz de Fora essa semana com o atentado ao líder nas pesquisas à Presidência da República.

A UDN de Minas, achando pouco ter quase a unanimidade da imprensa nacional, ainda criou um jornal de luta, bem feito, bem escrito, com dinheiro à vontade: “Correio do Dia”. Nele escreviam os líderes nacionais da UDN como os de Minas, a maioria nossos brilhantes e queridos professores nas faculdades de Direito e de Filosofia.

JK OS DERROTOU – Nas salas de aula, eram sábios varões gregos. Nos palanques e jornais, demônios: Pedro Aleixo, Milton Campos, J M de Carvalho, José Cabral, Horta Pereira, Afonso Arinos, tantos outros. Pareciam imbatíveis, no entanto foram derrotados todos, um a um, e mais seus aliados Magalhães Pinto, Zezinho Bonifácio, pelo determinado JK.

Para ganhar tiveram que rasgar a história libertária de Minas, inclusive o valente Manifesto dos Mineiros, de 1943, indo buscar nos quartéis os generais hoje envergonhados do golpe de 1964. JK resistiu a tudo, venceu dentro de seu partido, o PSD, ganhou o apoio dos trabalhistas e da esquerda e, em outubro de 1955, elegeu-se Presidente.

UNIÃO EM MINAS – Em 1955, a UDN dizia que Minas “massacraria” Juscelino na eleição. Quem garantiu a vitória de JK com 36,8% dos votos nacionais (não havia segundo turno, o mais votado do primeiro era o eleito) foi a votação esmagadora que Minas deu a Juscelino, anulando a vitória de Adhemar de Barros, em São Paulo, e de Juarez Távora, no Rio. Assim como Minas e tirando Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul, o resto do País também deu a vitória a Juscelino.

Agora, em 2018, a eleição bate novamente à nossa porta. O Brasil cansou de conviver com as maracutaias e falcatruas de Lula, da Dilma e do PT com escândalos como do Mensalão, do Petrolão, do BNDES e tantos outros que surpreenderam até os fundadores do Partido.

ORCRIM DE LULA – Agora a nação já sabe que o PT (Lula, Dilma, Gleisi, José Dirceu, Palocci, Vaccari, Haddad e toda direção nacional) instalou na Petrobrás e nas empreiteiras amigas a mesma “organização criminosa” que a Polícia Federal, o Ministério Público, o juiz Sérgio Moro e os Tribunais Superiores denunciaram, condenaram e prenderam.

As investigações mostraram que Lula, o operário do ABC, descobriu o dinheiro. O triplex de Guarujá e o sítio de Atibaia, o contubérnio com as empreiteiras e, mais grave, o escândalo dos escândalos que está surgindo agora nas lanternas da Lava Jato: os 50 bilhões de dólares do BNDES distribuídos com os ditadores amigos e em propinas externas.

Saudade do democrata Juscelino Kubitschek de Oliveira.

Crise no PSL, que não aceita substituir Bolsonaro por Mourão nos debates

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General Mourão está aguardando resposta do TSE

Jussara Soares, Marco Grillo e Eduardo Bresciani
O Globo

A decisão do PRTB de fazer uma consulta ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) sobre a possibilidade de o general da reserva Antônio Hamilton Mourão substituir Jair Bolsonaro em debates na televisão ampliou a divisão na campanha do PSL. O movimento irritou a cúpula da sigla e um dos filhos do presidenciável, Flávio, afirmou que qualquer atitude sobre esse tema precisa passar pelo candidato, que está hospitalizado em São Paulo após ter sofrido um atentado há uma semana em Juiz de Fora (MG).

— O momento é de ter calma, não pode se afobar. Meu pai está se recuperando ainda. A prioridade é essa. É uma decisão (sobre o debate) que cabe exclusivamente a ele (Bolsonaro). Qualquer decisão importante como essa tem que passar pelo Jair. Ele é o capitão e todos nós temos que seguir. Se ele entender que vai o Mourão, vai o Mourão; se entender que eu vou, eu vou; se ele entender que ninguém vai, ninguém vai. Mas não é o momento disso ainda — disse Flávio ao GLOBO.

SEM LEGITIMIDADE – Na terça-feira, o general Mourão disse que seu partido vai consultar o TSE sobre a possibilidade de que ele, como vice, represente o cabeça da chapa nesse tipo de evento.

Mas o presidente do PSL Gustavo Bebiano,  principal articulador da campanha, também rechaçou a iniciativa do partido coligado. Ele afirmou que o PRTB não tem legitimidade para consultar o TSE sobre essa possibilidade. Bebianno enfatizou que Bolsonaro, hospitalizado há uma semana após levar uma facada, segue vivo e no comando da campanha.

– Qualquer coisa neste sentido (de substituição de Bolsonaro nos debates) deve ser conversado primeiro pelo PSL. Quem dá a palavra final chama-se Jair Bolsonaro, afinal de contas está vivo e é o nosso chefe, nosso líder – afirmou Bebianno ao Globo.

NOVA OPERAÇÃO – Bolsonaro sofreu nova operação no Hospital Albert Einstein, nesta quarta-feira e não tem previsão de alta. Desde de o ataque a Bolsonaro, há uma disputa interna entre militares e políticos aliados do presidenciável sobre os rumos da campanha. Enquanto o primeiro grupo defende que o general Mourão assuma os compromissos do cabeça da chapa, o segundo quer que o vice siga apenas participando de encontros com empresários, produtores rurais e pequenos grupos de eleitores, como ele já vinha fazendo.

O entendimento é que Bolsonaro é “insubstituível” e deverá fazer campanha de dentro do hospital, gravando vídeos aos eleitores assim que o seu quadro de saúde permitir.

– O PRTB não tem legitimidade jurídica para fazer esse questionamento – reafirmou Bebianno.

CONSULTA AO TSE – Em nota enviada à imprensa na tarde desta quarta-feira, o PRTB reafirmou que fará a consulta ao TSE e que a informação poderia ser solicitada por qualquer cidadão. Porém, disse que a decisão final será tomada “em conjunto pela coligação PRTB/PSL.”

Nesta quarta-feira, Mourão chegou ao Paraná para cumprir uma série de compromissos deste tipo em cidades como Cascavel e Londrina. Na sexta, o militar viaja para Manaus, no Amazonas.

– Tenho o maior apreço, o maior respeito pelo general Mourão. Identifico nele uma liderança de nível nacional e ele pode contar comigo como um soldado para qualquer missão. Tenho certeza que essa suposta iniciativa, em fazer essa consulta (para participar dos debates), não parte do general Mourão – minimizou Bebianno.

PANCADA EM CIRO – O presidente do PSL também respondeu às declarações do candidato Ciro Gomes (PDT) sobre Bolsonaro, a sabatina promovida pelos jornais O Globo, “Valor Econômico” e a revista “Época.” Na entrevista, Ciro afirmou que “Bolsonaro nunca administrou uma mercearia” e que, caso o adversário seja eleito, deixará a política.

– Ciro Gomes é um frouxo, um fanfarrão, que enche a boca para falar dos outros pelas costas e não tem nem 1% da estatura de Jair Bolsonaro. Para abrir a boca para falar de Jair Bolsonaro ele tem que se colocar de joelhos e se reduzir à insignificância dele.

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NOTA DA DECISÃO DO BLOG
A decisão de descartar Mourão é insensata. O PSL também não tem legitimidade para evitar que o vice substitua o titular impedido por força maior. O TSE vai decidir e Mourão poderá participar dos debates, como já antecipou aqui na Tribuna o jurista Jorge Béja. (C.N.)

Na contramão do mundo, o Brasil se endivida para ampliar sua crise

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Charge do Baldinger (Arquivo Google)

Fernando Canzian
Folha

Na sequência da quebra do Lehman Brothers, em 15 de setembro de 2008, estava em Nova York para acompanhar os efeitos da maior falência corporativa dos EUA, que pulverizou o banco com 158 anos e 25 mil funcionários. Logo estaria claro que a crise, chamada depois de Grande Recessão, duraria anos. Na chegada, olhava para cima, via os prédios de Citibank, Merrill Lynch e Bank of America e pensava: “Quebrados”.

Em questão de dias, a crise iria de Wall Street para a Main Street (a rua principal, da economia real) e arrastaria gigantes como General Motors, Ford, General Electric e centenas de empresas. O trabalho nos EUA duraria quase dois anos, e a crise, mais uns três para arrefecer. Antes, ela varreria boa parte da Europa, sobretudo os países do Sul, como Portugal, Espanha, Itália e Grécia.

ALÉM DAS POSSIBILIDADES – Com a chegada do euro em janeiro de 2002, essas economias se endividaram para valer com a garantia do Banco Central Europeu e viveram, assim como os americanos faziam há muito tempo, além de suas possibilidades.

Antes da crise, enquanto nos EUA comprava-se imóveis financiados sem parar e empacotava-se essas dívidas em produtos financeiros vendidos ao redor do mundo (tendo como garantia o pagamentos dos empréstimos), os europeus se endividaram para ampliar suas empresas e infraestrutura. E as famílias, para aumentar seu padrão de vida em velocidade alucinante.

A crise de 2008, que agora completa dez anos, foi, portanto, uma crise relativamente simples de entender. Apesar de cifras nos trilhões e de siglas e nomes complicados como Tarp, CPP, CDO e “subprime”, ela pode ser resumida em uma palavra: endividamento.

SOS DÍVIDAS – Bancos, empresas e famílias estavam extremamente endividados até 2008 e demandariam a maior operação conjunta da história dos principais bancos centrais do mundo (Federal Reserve e Banco Central Europeu à frente) para salvá-los.

Eles não só baixaram suas taxas de juros a níveis negativos (abaixo da inflação) como injetaram trilhões de dólares nos mercados comprando títulos de empresas e governos em dificuldades.

Foi isso o que salvou o mundo de uma depressão: os governos se endividaram para socorrer empresas e bancos.

EMPREGOS E IMPOSTOS – Já as famílias tiveram o efeito colateral positivo de não perderem mais empregos do que já vinham perdendo. E o negativo de, ao longo dos próximos muitos anos, terem de sustentar esse endividamento público com seus impostos.

Dez anos depois do início daquele desastre global, o mundo cresce de novo e, nos EUA, a discussão agora é se a economia não está quente demais. A ponto de engendrar uma nova crise a partir de mais endividamento de empresas e famílias.

Em tese, esse não é um problema difícil de resolver. E os bancos centrais de EUA e União Europeia já estão preparados para elevar os juros mais rapidamente e esfriar um pouco as coisas, antes que uma nova bolha de consumo e dívidas se forme.

MOMENTO RUIM – Infelizmente para o Brasil, esse processo se dá em um momento muito ruim, quando constatamos que perdemos mais uma década em meio a crises e baixo crescimento. E que temos pela frente uma série de ajustes a serem feitos justamente quando os países ricos precisarão esfriar um pouco, dificultando nossa vida.

Assim como ocorreu no mundo desenvolvido, nossa crise atual também é de endividamento, mas público. Hoje, o Brasil opera com um déficit fiscal de cerca de 8,5% e uma dívida de 77% como proporção do PIB.

Nosso endividamento se aproxima rapidamente da média dos países europeus. Mas, ao contrário do Brasil, eles não só já deixaram a crise para trás como têm hoje superavit em suas contas (casos de Espanha, Portugal e Itália). Pior: no Brasil, boa parte do aumento da dívida e do déficit não ocorre para nos livrar de uma crise. Mas para nos afundar ainda mais nela, pagando salários altos a algumas castas de servidores e cobrindo um sistema previdenciário em que as contas já não fecham mais.

Extratos bancários de Adélio indicam que o esfaqueador teve um mandante

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Adelio Bispo continua dizendo que agiu sozinho

Luiz Ribeiro
Estado de Minas

A Policia Federal pretende abrir uma nova frente de investigação sobre as circunstâncias em que ocorreu o atentado contra o candidato a presidente da República Jair Bolsonaro, que foi esfaqueado quinta-feira (6/7), durante um ato de campanha, em Juiz de Fora (Zona da Mata). Conforme revelou o Jornal O Globo, a nova linha de investigação tem como subsídios a localização pela PF de cartão de crédito internacional e extratos de contas bancárias de Adelio Bispo de Oliveira, de 40 anos, autor confesso do atentado contra o presidenciável do PSL e que está preso preventivamente em um presídio federal no Mato Grosso do Sul.

Foram encontrados pela PF em um quarto de uma pensão onde Adelio estava hospedado em Juiz de Fora, um cartão de crédito internacional do Banco Itaú e dois cartões da Caixa Econômica Federal, sendo um de conta corrente e de outro de conta-poupança. Foram recolhidos extratos dos dois bancos em nome de Adelio. Também foi apreendido um recibo no valor de R$ 430 em nome dele. 

QUEBRA DO SIGILO – A apreensão do material foi revelada pela revista Crusoé e confirmada ao jornal Estado de Minas, do mesmo grupo de comunicação do Correio, por fonte de Juiz de Fora nesta quarta-feira. De acordo com O Globo, o registro do material também consta em um auto de apreensão das buscas no quarto onde o esfaqueador vivia.

Com a apreensão, a PF deverá pedir a quebra de sigilo bancário das contas de Adelio. O objetivo da nova frente de investigação é descobrir de onde vinha o dinheiro que abastecia as contas e manter o cartão de crédito internacional do agressor de Bolsonaro. Adelio passou por 12 empregos nos últimos sete anos e em nenhum deles permaneceu mais do que três meses. Ele estava desempregado quando cometeu o atentado a Bolsonaro.

Adelio Bispo de Oliveira é integrante de família pobre de Montes Claros (Norte de  Minas). Ele vivia a maior parte do tempo fora da cidade e esteve na cidade natal pela última vez há um ano e seis meses. Os quatro advogados que defendem o agressor de Bolsonaro disseram que foram contratados por igrejas evangélicas de Montes Claros ou pessoas ligadas a elas.

TODOS NEGAM – Mas, as igrejas as quais teriam sido frequentadas por Adelio e citadas pelos advogados negaram ligação com a contratação dos defensores dele, desmentindo também pagamento das custas processuais. Assim, surgiram outros questionamentos: sobre quem está pagando os advogados ou se eles apenas decidiram defender Adelio gratuitamente, para aparecer na mídia.

A Polícia Federal  apreendeu em uma lan house em Juiz de Fora seis unidades de disco rígido de computadores que foram usados por Adelio Bispo de Oliveira. Foi o próprio dono do estabelecimento que reconheceu o agressor de Bolsonaro na televisão e chamou a PF. Ele relatou que Adelio usou os computadores de 29 de agosto a 6 de setembro, duas vezes por dia, sempre pela manhã e pela tarde. Ele ficava cerca de uma hora no local e apresentava comportamento “aparentemente normal”, revelou a fonte.

Os laudos periciais emitidos até agora indicam que Adelio teria agido sozinho ao cometer o ataque contra Bolsonaro. O homem sustenta que agiu sozinho.

Bolsonaro é operado de novo e os filhos censuram os boletins médicos

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O estado de Bolsonaro é grave e ele corre riscos

Jussara Soares e Gustavo Schmitt
O Globo

O candidato a presidente Jair Bolsonaro (PSL) passou na noite desta quarta-feira por uma cirurgia de emergência no hospital Albert Einstein, na Zona Sul da capital paulista. O procedimento começou a ser realizado por volta das 22h em razão de um problema intestinal e terminou por volta das 23h40. Segundo os médicos, a cirurgia foi bem-sucedida, e o candidato passa bem.

Em nota, o hospital informou que Bolsonaro foi acometido por uma distensão abdominal progressiva e náuseas e teve que ser submetido a uma tomografia de abdômen. O exame identificou uma aderência obstruindo o intestino delgado e foi necessário tratamento cirúrgico.

O deputado está internado no Hospital Israelita Albert Einstein desde sexta-feira, um dia após ter sido esfaqueado durante caminhada em Juiz de Fora (MG). Nesta quarta-feira, ele tinha deixado a Unidade de Terapia Intensiva (UTI) para a unidade de cuidados semi-intensivos.

DISTENSÃO ABDOMINAL – No boletim divulgado pela manhã, o hospital informara que Bolsonaro teve a alimentação oral suspensa. Na terça-feira, os médicos haviam iniciado uma dieta leve, a que Bolsonaro teve boa tolerância. Mais tarde, no entanto, surgiu uma distensão abdominal, e os médicos decidiram continuar com a alimentação endovenosa.

Os relatórios médicos de Bolsonaro só são publicados após aprovação da família. Desde a última sexta-feira, eles são assinados pela equipe médica responsável pelo candidato (o cirurgião Antônio Luiz Macedo e o cardiologista Leandro Santini Echenique) e Miguel Cendoroglo, diretor superintendente do hospital.

O ministro do Gabinete da Segurança Institucional (GSI), general Sérgio Etchegoyen, visitou hoje Bolsonaro no hospital. A visita foi um pedido do presidente Michel Temer que, segundo a assessoria, gostaria de “levar uma mensagem desejando pronta recuperação ao Bolsonaro”.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
– Quando surgiu a notícia de que a alimentação fora suspensa por “distensão abdominal”, comentamos aqui que o boletim médico estava sendo controlado pela família, por isso não se sabia ao certo o estado de Bolsonaro. E acrescentamos que somente o fato de estar sem febre e sem sinais de infecção já era bastante animador. Para não ficar especulando, deixamos de dizer que “distensão abdominal” também é sinônimo de “abdômen cirúrgico”, e o médico tem de fazer nova cirurgia de emergência para ver o que está acontecendo. Quanto à infecção, que é outro perigo,o exame de sangue indica na hora. Em tradução simultânea, o estado de Bolsonaro inspira cuidados, para dizer o mínimo, porque o boletim está sendo censurado. (C.N.)

Ciro diz que, em seu governo, o general Villas Bôas já estaria demitido

Ciro Gomes

Se Bolsonaro ganhar, Ciro abandonará a política

Roberta Pennafort
Estadão

O candidato do PDT à Presidência da República, Ciro Gomes, disse nesta quarta-feira, dia 12, em sabatina no jornal O Globo, que em seu governo o general Eduardo Villas Bôas, comandante do Exército, teria sido demitido por sua fala pública sobre a instabilidade política no Brasil, e “provavelmente pegaria uma cana”. Villas Bôas afirmou, em entrevista ao Estado, que “a legitimidade do novo governo pode até ser questionada” e que o ataque ao candidato do PSL, Jair Bolsonaro, na quinta-feira, 6, “materializa” seu temor de que a intolerância e a polarização na sociedade afetem a governabilidade.

“No meu governo, militar não fala em política. Ele estaria demitido e provavelmente pegaria uma cana. Eu conheço bem o general Villas Bôas. Ele está fazendo isso para tentar calar as vozes das cadelas no cio que estão se animando, o lado fascista da sociedade brasileira”, afirmou Ciro.

UM JUMENTO – “O general Mourão (vice de Bolsonaro) é um jumento de carga, que tem entrada no Exército. Quem manda nesse País é nosso povo. Tutela, sargentão dizendo que vai fazer isso e aquilo, comigo não acontecerá. Sob a ordem da Constituição, eu mando e eles obedecem. Quero as Forças Armadas poderosas, modernas, altivas. Não quero envolvidas no enfrentamento do narcotráfico, isso é papo de americano”

Mais tarde, em viagem ao Paraná, Mourão rebateu a declaração dizendo que não se envolveria em “disputas de retórica de baixo nível”.

O candidato do PDT criticou o acordo entre a Embraer e a norte-americana Boeing para a criação de uma empresa para tocar a aviação comercial da companhia brasileira. Ele considera o acerto “clandestino”, e disse que a reversão não seria uma quebra de contrato. “Nem a pau, Juvenal”, disse.

TETO DE GASTOS – Ciro reafirmou ser preciso revogar a Proposta de Emenda Constitucional (PEC) do teto de gastos para que se possa investir em saúde e na educação. Ele pontuou que “outros candidatos” querem entregar a saúde pública à iniciativa privada, privilegiando ricos em detrimento de pobres.

Ao falar sobre a crise fiscal nos Estados, citou Rio de Janeiro, Rio Grande do Sul e Minas Gerais e propôs um “redesenho do pacto federativo”, uma “grande negociação no atacado”. “O centro de gravidade da política brasileira não é Brasília, é a federação, Estados e prefeitos”.

Ciro criticou a desindustrialização do Brasil, e defendeu a proteção de setores da indústria. Citou o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, por seu protecionismo antiimportações: “Trump está errado e nós, brasileiros, estamos certos?”

AGÊNCIAS SETORIAIS – Ele defendeu “desratização” do Brasil ao falar das agências do governo aparelhadas politicamente. “As agências serão passadas pelo pente fino. Quem não for salvável, será fechada. Eu falo com o Congresso.”

Ciro também disse que Fernando Haddad, se eleito, será “presidente por procuração de Lula”, comparando-a à ex-presidente Dilma Rousseff em termos de “inexperiência” para ocupar o Palácio do Planalto. Ciro criticou o PT por só ter anunciado Haddad no lugar do ex-presidente Lula na terça-feira, 11, e afirmou que o partido “só pensa em si”, não no Brasil”.

Ao comentar o convite que recebeu do PT para ser vice de Lula quando a candidatura do petista foi posta em xeque pela Lei de Ficha Limpa, disse: “Veio Dilma, Roberto Requião intermediando essa conversa. O Brasil não precisa de presidente por procuração. Sou amigo de 30 anos do Lula, estive na luta contra o impeachment, 2/3 dos votos do Ceará foram contra, fui ministro dele. Mas o Brasil não aguenta outra Dilma.”

SEM EXPERIÊNCIA – Sem atacar Haddad, ele disse que o candidato não tem estofo para ocupar o Planalto por não conhecer o Brasil. “Haddad, não por demérito dele… Ele não conhece o Brasil, não tem experiência, até ele saber onde fica a Cabeça do Cachorro, o Vale do Jequitinhonha, o Alto Solimões… Fica difícil. Minha crítica é a essa dinâmica, que se aproveita dessa generosa gratidão pela obra do Lula que o povo tem, de repente você agora nomear uma pessoa. A gente já viu esse filme”.

Para Ciro, o PT põe seus interesses acima das demandas nacionais. “O brasileiro tem que separar o justo interesse do PT e o interesse nacional, visto pelo ângulo mais progressista, solidário ao pobre, (que pensa nas) questões do petróleo, Eletrobrás, que estarão em jogo no voto agora. O PT muitas vezes dá demonstração de que só pensa em si. Neste casso, é flagrante isso. Todos eles sabiam que Lula não poderia ser presidente, em vez de respeitar a inteligência do povo, manipularam.”

SAI DA POLÍTICA – Ciro Gomes disse que, em caso de eleição de Jair Bolsonaro (PSL), líder nas pesquisas de intenção de votos, ele   confiança. Se nosso povo por maioria não corresponder, vou chorar”.

Ele comentou ainda que o eleitor que “vota em (Jair) Bolsonaro quer matar” o Brasil. Ele criticou afirmações feitas por aliados do candidato do PSL após o grave ataque a faca que ele sofreu em Juiz de Fora na semana passada. “Bolsonaro, uma aberração, sofre um atentado. Aí vai o Magno Malta, o Silas Malafaia… O filho dele diz ‘vamos ganhar essa bagaça no primeiro turno’. Estão insultando a inteligência da população. Estou tentando propor um caminho mais racional”.

Ao falar de sua vice, Kátia Abreu, afirmou que não aceitou convite para ir durante a campanha à Confederação da Agricultura e Pecuária (CNA), da qual ela foi presidente, por ter a entidade uma “posição muito retrógrada, bolsonarista. Uma pessoa que vota no Bolsonaro quer matar meu País, me tem como inimigo”.

DIFERENTES – Sobre Kátia, explicou: “Eu convidei porque ela me completa, porque somos diferentes. No pensamento mais conversador, sou visto como uma pessoa mais de esquerda, mesmo procurando ser moderado, equilibrado, que gosta de produzir resultados. Kátia presidiu a CNA, teve tarefa extraordinária, por isso é uma pessoa proscrita lá”.

“Vai ser uma intrigalhada infernal para o eleitor do campo da esquerda se decidir. Aparentemente, é um eleitorado à esquerda, ao centro, pessoas que têm simpatia pelo Lula. Mas vou evitar essa intriga. Eu acho que sou um pouco mais largo que ele (Haddad). A proposta que eu tenho fala para a centro-esquerda, inclusive negando o PT. Quero que o Brasil saia dessa contradição que já está descambando para a violência, com amigos desfazendo a amizade. O Brasil não cabe nessa miudice de coxinhas contra mortadelas”.

LULA PRESO – Para ele, o posicionamento do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva com relação à definição da candidatura petista deve ser relativizado por sua condição de preso. Ele chamou de “desatino” a escolha de Haddad, mas eximiu Lula (preso pela Lava Jato após condenação em segunda instância pelos crimes de corrupção passiva e lavagem de dinheiro).

“O Lula a gente tem que relativizar, ele está isolado, é muito doído. Somos amigos, já brigamos, eu o apoiei em todos os momentos dos últimos 16 anos, abri mão de ser candidato (a presidente). Eu aguentei em nome do Brasil. Agora, o Lula perdeu os grandes amigos, Márcio Thomaz Bastos, Luiz Gushiken morreu, o (Antonio) Palocci está preso, o José Dirceu sofreu esse constrangimento, ele perdeu Dona Marisa. Hoje, está cercado de puxa-saco, perdeu a percepção genial da realidade. Se não estivesse, ele não estaria permitindo tantos desatinos”.

UM INSULTO – A única vez em que sua ida foi cogitada pelo PT foi quando das conversas para que ele compusesse a chapa de Lula como vice. “Achei isso um insulto. Eu iria por razão pessoal, humanitária, não política. O Lula não é o satanás para mim, nem um deus. É um presidente que foi muito bom para o povo brasileiro e que merecidamente tem desse povo gratidão”, explicou.

“Mas isso não deveria obrigar nenhum de nós a achar que Lula é infalível. Ele indicou Dilma, ele escolheu Temer, escolheu Haddad para ser prefeito de São Paulo e ele perdeu no primeiro turno na reeleição. É para a gente pensar. O Lula é uma pessoa boa, mas suas escolhas podem ser erradas”.

Viajam as palavras, no trem de ferro poético de Cassiano Ricardo

Resultado de imagem para cassiano ricardoPaulo Peres
Site Poemas & Canções

O jornalista, ensaísta e poeta paulista Cassiano Ricardo (1895-1974) diz no poema “Viajam as Palavras” que a trepidação do trem de ferro modifica o sentido de tudo, inclusive, das palavras.

VIAJAM AS PALAVRAS
Cassiano Ricardo

Passageiros, formo como que um diagrama
entre o céu tremido e o jornal que a trepidação
do trem sacode em minhas mãos.

A paisagem me vem oferecer seus buquês
roxos e cor de ouro
mas foge, arrependida.

Vistos, de longe, de passagem,
todos os rostos são amigos, são iguais.

Só que depois, em minha memória,
que estará rolando ainda esta paisagem
impressa em mim, à minha saudade
como um quadro à parede.

O possível desastre
faz cantar, como uma carretilha ao meu ouvido,
o pássaro do adeus.
O trem de ferro desloca o sentido das coisas.
Viajam as palavras.

Na carta de apoio a Haddad, Lula fala mais de si mesmo do que do candidato

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Carta de Lula foi lida por Luiz Eduardo Greenhalgh

Pedro do Coutto

Quem ler com atenção e isenção a carta do ex-presidente Lula, de apoio à candidatura de Fernando Haddad, vai verificar, sem muito esforço, que ele fala mais de si mesmo que do candidato do PT.  Reportagens de Sérgio Roxo, O Globo, e Marina Dias Folha de São Paulo, edições de ontem, focalizam o tema. Num curto trecho, Lula sustenta que Haddad vai resgatar a justiça social do país, deixando antever que espera do ex-prefeito de São Paulo uma atuação destinada a apagar as injustiças que tem sofrido. A afirmação dá a entender que nesse rol de injustiças Lula está incluindo sua própria condenação.

Na tarde de ontem, no programa Studio I da Globo News, o jornalista Otávio Guedes analisou objetivamente o que está oculto na carta. Disse o jornalista que a carta, de 60 linhas somente na 38ª Lula se refere a Fernando Haddad.

2ª QUINZENA – De qualquer forma, porém, vamos poder medir o efeito da manifestação na próxima sexta-feira, quando o Datafolha e o Ibope devem divulgar novas pesquisas sobre as urnas de 7 de outubro. Entretanto, penso eu, o quadro vai começar a se tornar mais nítido a partir da segunda quinzena de setembro, valendo acentuar que a seleção dos dois finalistas para o segundo turno somente ocorrerá dois dias antes do pleito, quando a Rede Globo realizar o debate entre os principais candidatos apontados nas pesquisas. Esse programa está marcado para as 22 horas do dia 04.

Inclusive tem que se levar em conta a provável ausência de Jair Bolsonaro,, ausência admitida pelo candidato a vice em sua chapa general Hamilton Mourão. Tanto assim que o general Mourão dirigiu consulta ao TSE para saber se poderá entrar no lugar de Bolsonaro no lance final da campanha.

DIVERGÊNCIAS – No seu artigo de ontem em O Globo, Merval Pereira chamou atenção para as divergências registradas entre as pesquisas do Datafolha e Ibope, divergências colocadas entre o avanço e recuo de candidatos principalmente Ciro Gomes e Marina Silva. Enquanto o Datafolha apontava avanço de Ciro Gomes, de 9 para 13 pontos o Ibope divulgava que ele havia recuado de 13 para 11%.

Quanto à posição de Marina, outra divergência: o Datafolha apresentou uma queda de 5 degraus e o Ibope acentuava um recuo de apenas 1 ponto percentual. Merval Pereira, na véspera, em uma entrevista na Globo News com Marcia Cavalari, diretora do IBOPE, colocou o tema em questão.

Vamos ver amanhã, sexta-feira o que acontece.

CONGELAR SALÁRIOS? – Ao participar de debate promovido pelo jornal O Estado de São Paulo e a Fundação Getúlio Vargas, o economista José Márcio Camargo defendeu congelar por quatro anos os salários dos funcionários públicos da União. Quer dizer, a inflação os reduziria com base nos índices do IBGE. Haveria portanto uma perda da capacidade de consumo. José Márcio Camargo é o coordenador das propostas econômicas do candidato Henrique Meirelles.

Vejam só os leitores. É fácil querer reduziro salário do outros. Difícil acreditar que Camargo defenderia a estagnação dos seus próprios vencimentos.

Por que assalariados devem pagar sempre a conta do déficit dos governos?

Procuradoria vai decidir se denuncia Temer em inquérito da Odebrecht

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Procuradoria tem 15 dias para responder a Fachin

Rafael Moraes Moura e Amanda Pupo
Estadão

O ministro Edson Fachin, do Supremo Tribunal Federal (STF), deu um prazo de 15 dias para que a procuradora-geral da República (PGR), Raquel Dodge, decida se apresenta ou não denúncia contra o presidente Michel Temer e os ministros Eliseu Padilha (Casa Civil) e Moreira Franco (Minas e Energia).

A decisão de Fachin foi tomada no âmbito de um inquérito no qual delatores da Odebrecht apontam que integrantes do grupo político liderado pelo presidente Michel Temer e pelos ministros Eliseu Padilha e Moreira Franco teriam recebido recursos ilícitos da empreiteira como contrapartida ao atendimento de interesses da Odebrecht pela Secretaria de Aviação Civil – pasta que foi comandada pelos dois ministros de Temer entre 2013 e 2015.

CORRUPÇÃO E LAVAGEM – No relatório final do inquérito, que apura propinas de R$ 14 milhões da Odebrecht para a cúpula do MDB, a Polícia Federal concluiu pela existência de indícios de que o presidente Michel Temer, Padilha e Moreira Franco cometeram os crimes de corrupção passiva e lavagem de dinheiro.

O caso está relacionado com o jantar no Palácio do Jaburu, realizado em 2014, e que foi detalhado nos acordos de colaboração premiada de executivos da Odebrecht. Então vice-presidente, Temer teria participado do encontro em que os valores foram solicitados.

No caso do presidente Temer, a PF mapeou a entrega de R$ 1,4 milhão para João Baptista Lima Filho, o coronel Lima, amigo do emedebista. Para sustentar a tese, a PF ouviu o doleiro Alvaro Novis, responsável pelas entregas, e anexou um conversa de telefone em que o próprio Lima aparece em ligação para a empresa de Novis em dois dias das entrega dos valores.

QUINZE DIAS – “Tendo em vista que foi acostado aos autos o relatório conclusivo da autoridade policial, dê-se vista dos autos à Procuradoria-Geral da República, para que se manifeste no prazo de 15 (quinze) dias”, determinou Fachin, em decisão assinada na última terça-feira (11).

Na semana passada, quando o relatório da PF foi concluído, o Palácio do Planalto afirmou que a conclusão do inquérito é um atentado à lógica e à cronologia dos fatos. “A investigação se mostra a mais absoluta perseguição ao presidente, ofendendo aos princípios mais elementares da conexão entre causa e efeito”, diz a nota enviada pelo Planalto.

O ministro Eliseu Padilha comunicou à época que não comentaria o caso. Moreira Franco disse que não solicitou valores à Odebrecht e que “as conclusões da autoridade policial se baseiam em investigação marcada pela inconsistência”.

Bolsonaro tem problema pós-operatório e só se alimenta pela via venosa

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Caso de Bolsonaro é mais difícil do que se pensava

Tiago Aguiar
O Globo

O candidato à Presidência Jair Bolsonaro, do PSL, teve a alimentação oral suspensa, segundo boletim médico do Hospital Israelita Albert Einstein divulgado na manhã desta quarta-feira. Na terça-feira, os médicos iniciaram uma dieta leve, a que Bolsonaro teve boa tolerância, sem apresentar náuseas ou vômitos. Da noite de terça para quarta, no entanto, surgiu uma distensão abdominal. A alimentação endovenosa permanecerá exclusiva até a próxima avaliação.

Sem indicar previsão de alta, a equipe médica informou ainda que Bolsonaro permanece estável, sem febre ou outros sinais de infecção. Na última terça-feira, ele deixou a Unidade de Terapia Intensiva (UTI) para a unidade de cuidados semiintensivos.

GRAVAR VÍDEOS – Com a melhora de Bolsonaro, a expectativa é que nos próximos dias ele comece a gravar vídeos de dentro do hospital para manter ativa sua campanha nas redes sociais.

A facada sofrida por Bolsonaro, durante ato de campanha em Juiz de Fora na última quinta-feira, atingiu a artéria mesentérica, que leva sangue da cavidade abdominal para o intestino, provocando diversas lesões na região. O quadro de evolução intestinal é parcial. O candidato segue com uma bolsa de colostomia e levará mais algumas semanas para se recuperar totalmente.

Os relatórios médicos de Bolsonaro só são publicados após aprovação da família. Desde a última sexta-feira, eles são assinados pela equipe médica responsável pelo candidato (o cirurgião Antônio Luiz Macedo e o cardiologista Leandro Santini Echenique) e Miguel Cendoroglo, diretor superintendente do hospital.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
Como o boletim médico é controlado pela família, não se sabe ao certo o estado de Bolsonaro. Mas somente o fato de estar sem febre e sem sinais de infecção já é bastante animador. A distensão abdominal é relativamente comum no pós-operatório, especialmente em operações abdominais, com líquidos e gases se avolumando no estômago e intestinos. Outras causas: imobilidade do paciente no pós-operatório, traumatismo cirúrgico intestinal no transoperatório. O tratamento inclui fisioterapia no leito. Os sintomas mais clássicos incluem: abdome de volume aumentado, sensação de plenitude como se estivesse com o estômago cheio, dor abdominal tipo cólica, dificuldade respiratória pela pressão sobre o diafragma, o que pode ocorrer em casos extremos. (C.N.)

Mourão tem direito de participar dos debates, em substituição a Bolsonaro

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Com Bolsonaro doente, Mourão vai representá-lo 

Jorge Béja

Nada impede – e tudo recomenda – que o vice na chapa do candidato Bolsonaro, general Hamilton Mourão, participe dos debates dos candidatos à presidência da República no lugar do titular da chapa, Jair Bolsonaro. E duas são as razões: uma, por questão de civilidade, de igualdade, de educação e fidalguia, que se exige de todos os candidatos. Estes, independente da consulta que o vice Mourão está fazendo ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE), para saber se pode comparecer na ausência do titular Bolsonaro, deveriam – todos – emitir nota oficial concordando e até mesmo convidando Mourão para os debates.

Seria um gesto nobre, de grandeza, de sublimação política e de reverência aos donos da festa, que são os eleitores brasileiros.

ANALOGIA JURÍDICA – A segunda razão é de razoável analogia jurídica. Explica-se: se eleito e não puder comparecer à diplomação, Bolsonaro poderá ser representado por procurador, com poderes específicos para tal fim, conforme autoriza a Resolução nº 19766/96 do Tribunal Superior Eleitoral (TSE).

E quanto à posse perante o Congresso Nacional? Diz a Constituição Federal que a posse do presidente e do vice-presidente eleitos será em sessão no Congresso Nacional, onde o compromisso será solene e publicamente prestado. A presença de ambos, portanto, é indispensável, por se tratar de ato personalíissimo (artigo 78).

Mas se Bolsonaro – se eleito –  ainda não puder comparecer à posse? Neste caso, a Constituição Federal manda aguardar dez dias. E se a posse não ocorrer o cargo será declarado vago. Mas existe uma condição suspensiva na própria Constituição.

FORÇA MAIOR – Se o não comparecimento é por motivo de saúde, tanto é motivo de “força maior” e aí o tratamento constitucional é outro.  Dispõe o parágrafo único do artigo 78: “Se, decorridos dez dias da data fixada para a posse, o Presidente ou o Vice-Presidente, salvo motivo de força maior, não tiver assumido o cargo, este será declarado vago”.

Dissecando o que diz a CF: se apenas o vice-presidente comparecer à posse e o presidente não – e a ausência precisa ser por motivo de força maior –, o vice toma posse, assume o cargo até que o presidente tenha condições de assumir. Ora, se eleito e não comparecendo à posse por motivo de força maior, Bolsonaro é o presidente da República. Ainda não empossado, mas é o presidente.  E quem se senta na cadeira presidencial, provisoriamente, é o vice. Mas o presidente está presente. Apenas ainda não tomou posse por motivo mais do que justo, que é o seu tratamento de saúde.

TSE DEVE AUTORIZAR – Ora, se o vice da chapa, se eleito o titular, está habilitado a tomar posse e governar o país enquanto durar a impossibilidade do titular, por que não poderá, este mesmo vice, participar dos debates anteriores ao pleito, no lugar do candidato à presidência, substituindo-o, no caso de motivo de força maior que impeça o comparecimento aos debates do titular?

Vamos aguardar a decisão do TSE, que certamente vai autorizar.

Lula usava fundos de pensão das estatais para ter vantagens, afirma Palocci

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Charge do Ivan Cabral (ivancabral.com)

Deu no Correio Braziliense
Agência Estado

Em depoimento à força-tarefa da Operação Greenfield, o ex-ministro Antonio Palocci afirmou que o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva interferia nos investimentos dos fundos de pensão mantidos por estatais, com o pedido de “vantagens indevidas” a empresas interessadas em receber aportes. Segundo Palocci, esses pedidos eram feitos por tesoureiros do PT. Palocci citou Delúbio Soares, Paulo Ferreira e João Vaccari Neto, que teriam exercido essa função em períodos diferentes.

“O presidente Lula expedia determinações para colocar recursos em empreendimentos de interesse do governo. Que nem sempre era vantagem indevida, mas apenas para atender vantagem política”, diz trecho do depoimento de Palocci aos procuradores da força-tarefa, que apura desvios nos maiores fundos de pensão do País.

DELAÇÃO PREMIADA – Palocci afirmou que, mesmo antes de ser eleito presidente, Lula já tinha influência na administração dos fundos, mas o ex-ministro não detalhou essa atuação.

Palocci fechou um acordo de colaboração premiada com a Polícia Federal e vem prestando depoimentos em investigações e processos em andamento. Aos procuradores da Greenfield, o foco foi sobre o FIP Sondas, acionista da Sete Brasil, empresa criada à época da descoberta do pré-sal para alugar sondas para a Petrobrás. Os fundos de pensão do Banco do Brasil (Previ), da Caixa (Funcef) e da Petrobrás (Petros) eram os principais cotistas do FIP.

“No governo Lula, o pré-sal foi enxergado como um passaporte para o futuro, que foi um bilhete premiado no fim do governo. Que o clima era de delírio político”, disse Palocci sobre interesses do PT no pré-sal e na construção das sondas.

LULA, EM PESSOA – Esse cenário de “delírio político”, afirmou o ex-ministro, fez com que Lula tivesse um momento de atuação “raro” que resultou em um “descuido” da parte jurídica, já que o então presidente começou a atuar diretamente nos pedidos de “vantagens indevidas”.

Aos procuradores, ele citou reunião no “fim de 2009 ou começo de 2010”, no Palácio da Alvorada, em Brasília, em que Lula teria dito a ele e à presidente cassada Dilma Rousseff que o FIP tinha de garantir o “futuro” do PT. “Foi uma reunião muito curta e os demais presentes ficaram perplexos com a conduta do presidente Lula.”

Sobre os gestores dos fundos à época, Palocci disse que eles sabiam das irregularidades e a então presidente Dilma se encontrou com os presidentes dos fundos que seriam acionistas no FIP Sondas para “forçar o investimento”.

PROBLEMAS – Segundo ele, o projeto da construção das sondas tinha problemas. “O projeto era mirabolante, havia motivação política e necessidade de arrecadar propina.” Palocci também disse que Lula tinha conhecimento de irregularidades envolvendo a usina hidrelétrica de Belo Monte e a compra de caças pela Força Aérea.

A assessoria de Lula afirmou que Palocci “falou mentiras sem apresentar qualquer prova para tentar fechar um acordo judicial que o tire da prisão”. Em nota, Dilma disse que o ex-ministro transformou uma ação administrativa em crime, “de maneira irresponsável e criminosa”. “A Odebrecht, alvo da Greenfield, informou que “continua colaborando com a Justiça”. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

Maioria dos eleitores revela se informar sobre a eleição assistindo à TV

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Charge do Solda (blog soldacáustico)

Deu na Folha

A televisão é o veículo usado por mais eleitores para se informar sobre candidatos à Presidência da República. Segundo o Datafolha, 35% diz ver programas jornalísticos das emissoras para ver notícias sobre a eleição. A pesquisa deu 12 opções de fonte de informação aos entrevistados. Eles foram questionados sobre quais era mais importante para eles terem notícias sobre a campanha eleitoral para a Presidência da República.

Além dos que dizem optar pela TV, outros 28% afirmaram que se informam com o horário eleitoral exibido na TV, 22%, com notícias em sites de jornais ou de revistas e 21%, via notícias no Facebook.

OUTROS INDICADORES – Com índices mais baixos, aparecem: site do candidato (16%), notícias no WhatsApp (11%), programas jornalísticos no rádio (10%), jornais impressos (9%), horário eleitoral no rádio (7%), notícias no Instagram (5%), notícias em revistas impressas (4%) e notícias no Twitter (3%). Uma parcela de 6% não se informa por nenhum desses meios, 3% não buscam informações sobre os candidatos e 2% não opinaram.

A pesquisa foi feita no dia 10 de setembro de 2018, com 2.804 entrevistas presenciais, em 197 municípios, com eleitores de todas as regiões do país. A margem de erro máxima é de 2 pontos percentuais, para mais ou para menos, para o total da amostra.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
O título da matéria indica que a maioria dos eleitores usa a TV para se informar sobre a eleição, mas isso é “menas” verdade, como dizia o Lula.  Na realidade, a própria reportagem mostra que a grande maioria das pessoas já se informa pela internet, através dos sites de jornais e revistas, notícias no Facebook, sites dos candidatos, notícias no Whatsapp, Instagram e Twitter. Mas como todos também assistem à TV, não se pode desconhecer a importância da telinha na eleição. Ou seja, o título está certo, eu é que me equivoquei. (C.N.)

Haddad enfim sai na estrada e precisa provar que não é só o “Andrade”

Resultado de imagem para haddad candidatoElio Gaspari
Folha/O Globo

Fernando Haddad tem menos de um mês para mostrar que não é o “Andrade”. Sua unção aconteceu aos 45 minutos do segundo tempo, quando a vitimização de Lula já tinha rendido tudo o que podia render. É até provável que o PT tenha perdido uma semana de propaganda ao esticar desnecessariamente a corda.

Haddad entra em campo com o patrimônio dos bons tempos de Lula e com a bola de ferro das malfeitorias do petismo. Seus adversários negam que ele tenha presidido um país com emprego, crescimento e olho na redução das desigualdades sociais. Perdem tempo, pois o sujeito que perdeu o emprego lembra da vida que teve. Já os petistas, inclusive Haddad, embrulham o mensalão e as petrorroubalheiras numa delirante teoria da conspiração. Também perdem tempo, pois o resultado está aí e chama-se Jair Bolsonaro.

CABEÇA DE CHAPA – A cenografia que o PT armou em Curitiba foi exemplar. O comissariado, reunido num hotel, anunciou que sua Executiva Nacional decidiu, por unanimidade, colocar Haddad na cabeça da chapa. Teriam feito melhor se dissessem que carimbaram uma decisão de Lula, coisa que até as grades da carceragem da Federal já sabiam. Há dias Haddad fez-se fotografar sorrindo atrás de uma máscara de Lula. A partir de hoje começa a ser testada a cena real, com Lula sorrindo atrás de uma máscara de Haddad.

O PT e Bolsonaro têm o mesmo sonho: chegar ao segundo turno tendo o outro como adversário. Talvez esse seja o único projeto comum à senadora Gleisi Hoffmann e ao general Hamilton Mourão.

Todas as projeções feitas com base nas pesquisas desembocam na mesma pergunta: qual será a transferência de Lula? Certo mesmo é que enquanto se espera por um crescimento de Haddad capaz de levá-lo a um segundo turno contra Bolsonaro, algo que se poderia chamar de eleitorado de centro espalhou seus votos entre três candidatos: Ciro Gomes, Marina Silva e Geraldo Alckmin. Eles têm, somados, 34% das preferências. Bolsonaro tem 24%.

UM PROJETO – Com o pé na estrada, Haddad oferece um projeto, goste-se ou não dele. Seus adversários do suposto centro estão perdidos numa busca de estratégias marqueteiras. Candidato a vice na chapa de Marina Silva, Eduardo Jorge viu num indesejável dilema Haddad-Bolsonaro uma oportunidade para ferir o petista: “Bolsonaro é o candidato do Lula no segundo turno para, junto com candidato terceirizado que ele quer colocar na outra vaga da finalíssima, pavimentar a volta do Lula”.

Com anos de atraso, Marina  usa a palavra “corrupto” para classificar Lula. Alckmin decide atacar Bolsonaro, freia e dá marcha a ré. Já Ciro Gomes, que negociava uma chapa com Haddad, lembrou que na eleição de 2016 ele perdeu a Prefeitura de São Paulo no primeiro turno, tendo conseguido menos votos que a soma dos nulos e em branco.

BARATA-VOA – Esse clima de barata-voa dificilmente construirá candidaturas que possam ser associadas a políticas públicas. Pode-se atribuir o leve crescimento de Ciro Gomes à sua proposta de renegociação das dívidas dos inadimplentes do sistema de crédito. Ganha uma viagem à Venezuela quem for capaz de citar uma proposta de Geraldo Alckmin. Outro dia ele quis contar que pretende reforçar a Força Nacional com a contratação de conscritos que deixam as Forças Armadas, mas perdeu-se com reminiscências.

Haddad tira o tom de fantasia em que o PT envolveu sua participação na disputa. É tão pesado quanto o foi Dilma Rousseff na sua primeira campanha. Se o poste de 2010 tinha a alavanca do poder e do sucesso lulista, o ex-prefeito de São Paulo depende do prédio da carceragem de Curitiba.

Dilma se atrapalha em entrevista, o áudio viraliza e ela culpa a imprensa

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Na campanha, Dilma exibe sua alta criatividade

Juliana Cipriani
Estado de Minas

Uma entrevista da ex-presidente Dilma Rousseff (PT) a uma rádio de Janaúba, no Norte de Minas, viralizou nas redes sociais desde segunda-feira (10/9) e irritou a equipe de campanha da petista. No áudio, quando é questionada pelo jornalista José Ambrósio Prates, da Rádio Torre, sobre o que a região pode esperar dela no Senado, caso seja eleita, ela pede um papel para consultar,

 “Vocês podem esperar … aquilo … só um pouquinho. Ô Eleonora? Me dá o papel, dá o papel”, diz. Alguém fala algo que não é possível ouvir e Dilma completa: “Tá com o Valdeci… Valdeci? O papel, Valdeci”, chama novamente a ex-presidente.

Quando o assessor finalmente aparece com o papel, leva um pito da candidata. “Não sei o que que você está fazendo lá fora”.

EXPLICAÇÃO – Diante da repercussão, o jornalista José Ambrósio Prates divulgou texto explicando o contexto da entrevista. Segundo ele, ao contrário do que foi divulgado, a conversa com Dilma não foi ao vivo. O entrevistador também nega ter vazado o áudio.

Prates diz que ia para casa quando viu o comboio da ex-presidente em Janaúba e aproveitou a oportunidade para pedir a entrevista em uma casa onde Dilma almoçava. O pedido foi atendido e ela falou em um local em que outras pessoas puderam gravar com celular.

“Começamos a gravação e foi quando ocorreu a fala que tem sido motivo das matérias publicadas, como se tivesse ocorrido ao vivo. A candidata realmente interrompe pedindo um papel, que pude perceber era uma lista com números e valores de investimentos feitos pelo governo federal na cidade e região, quando a candidata era presidente da República. Quando houve a interrupção, paramos a gravação e logo em seguida  iniciamos novamente a entrevista onde ela falou por cerca de 10 minutos, citando com ajuda do dito “papel”, as obras e investimentos de seu governo na região”, explicou Prates em seu blog e rede social.

O jornalista informa que a entrevista não foi veiculada na emissora de rádio com a interrupção.

CULPA DA IMPRENSA – Em nota, a assessoria da ex-presidente Dilma Rousseff diz que o episódio em Janaúba traduz a “má vontade” de determinados veículos de comunicação com a candidata. A assessoria informa que a entrevista foi gravada quando Dilma deixava uma residência em Janaúba e veiculada sem o trecho com a interrupção.

“Dão ares de escândalo, mas o assombro está no comportamento do repórter, que vazou o áudio tentando desconstruir a imagem de Dilma Rousseff. Qual profissional de imprensa “vaza” os bastidores da entrevista que ele conseguiu com uma pessoa pública? Isso é um desserviço ao jornalismo e ao papel da imprensa. Um lamentável retrato da mídia comprometida em promover desconstruções de adversários”, diz a nota.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG – A matéria foi acompanhada com uma série de declarações de Dilma Rousseff realmente sensacionais, mostrando sua grande criatividade de mulher sapiens.

https://www.youtube.com/watch?v=fD7Ufpxfi3s