Compra da mansão é mais uma complicação na vida do rachadista Flávio Bolsonaro

 Foto: Divulgação

Mansão comprada por Flávio Bolsonaro é realmente espetacular

Aguirre Talento

O senador Flávio Bolsonaro (Republicanos-RJ) terá que gastar mais da metade do seu salário de parlamentar com o pagamento das parcelas do financiamento da mansão de R$ 6 milhões que acaba de comprar no Lago Sul, zona nobre de Brasília, apontam simulações de crédito feitas junto ao Banco de Brasília (BRB). Além disso, para conseguir o financiamento que o senador obteve, seria necessário ter um rendimento mensal bem superior ao seu salário parlamentar, de R$ 33 mil brutos.

De acordo com a escritura de compra do imóvel, Flávio Bolsonaro financiou R$ 3,1 milhões junto ao BRB, para quitação em 360 meses, com taxas de juros entre 3,65% e 4,85%. Sua esposa Fernanda, que é dentista, também consta como compradora.

METADE DO SALÁRIO – O Globo executou simulações de financiamento em parâmetros semelhantes junto ao sistema do BRB. O resultado mostra que a primeira parcela do financiamento seria no valor aproximado de R$ 18 mil. Essa parcela representa mais da metade do valor bruto do salário de Flávio. Com os descontos de impostos, a remuneração líquida do parlamentar fica na faixa dos R$ 25 mil.

A exigência apresentada pelo BRB para autorizar esse financiamento também diverge da vida financeira de Flávio Bolsonaro. As simulações apontam que a renda mínima exigida para obter esse financiamento é de aproximadamente R$ 45 mil, acima do salário do senador.

As taxas de juros apresentadas nas simulações ficam em parâmetros semelhantes aos que constam no registro do negócio de Flávio Bolsonaro.

Mansão comprada por Flávio Bolsonaro Foto: Reprodução

Até o preço do imóvel já está parecendo ter sido barato demais

DENTRO DA LEGALIDADE – A reportagem questionou a assessoria do senador sobre quais os valores do rendimento mensal da sua família e se Flávio possui outras fontes de renda além do salário de parlamentar, mas ainda não houve resposta.

Em um vídeo publicado em suas redes sociais, o senador disse que a compra foi dentro da legalidade.

— Eu vendi um imóvel que eu tinha no Rio de Janeiro, vendi uma franquia que eu possuía também no Rio de Janeiro, e dei entrada numa casa aqui em Brasília, e a maior parte do valor dessa parte tá sendo financiada no banco, numa taxa que foi aprovada conforme meu rendimento familiar, como qualquer pessoa no Brasil pode fazer — afirmou o senador.

Veja imagens internas da mansão de R$ 6 milhões comprada por Flávio Bolsonaro em Brasília:

 

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOGCom filhos tipo Flávio, Carlos e Eduardo, o presidente Bolsonaro nem precisa de inimigos políticos. Seus próprios rebentos fazem tantas besteiras que se encarregam de arrebentar com a imagem pública do pai. (C.N.)

João Vaccari Neto é condenado pela sétima vez no âmbito das investigações Lava-Jato

Pena é de seis anos de prisão por pagamento de R$ 2,4 milhões à gráfica

Cleide Carvalho
O Globo

O ex-tesoureiro do PT João Vaccari Neto foi condenado pela sétima vez no âmbito das investigações da Lava-Jato, a uma pena de seis anos, seis meses e 22 dias de prisão, pelo juiz Luiz Antônio Bonat, da 13ª Vara Federal de Curitiba.

Nesta ação, ele foi acusado de ter intermediado pagamento de R$ 2,4 milhões feito à Gráfica Atitude, a pedido do PT, pelas empresas Setec e SOG Óleo e Gás, do empresário Augusto Ribeiro de Mendonça Neto, um dos primeiros delatores da Lava-Jato.

ANULAÇÃO – Das seis sentenças proferidas anteriormente pela 13ª Vara Federal de Curitiba, uma foi anulada pelo Tribunal Regional Federal da 4ª Região. Os desembargadores concluíram que a sentença havia sido baseada exclusivamente em depoimentos prestados por colaboradores da Lava-Jato, sem provas materiais.

Vaccari foi preso em abril de 2015 e deixou a prisão em setembro de 2019. Ele foi beneficiado por indulto natalino assinado pelo então presidente Michel Temer (MDB) em 2017, que reduziu em 24 anos a soma das penas do petista na Lava Jato.

Na sentença divulgada nesta segunda-feira, além de Vaccari foi condenado também o ex-diretor da área de Serviços da Petrobras, Renato Duque. A pena foi de 3 anos, sete meses e 22 dias, a ser cumprida em regime aberto (fora da prisão). O juiz reduziu o tempo da pena em um terço porque Duque passou a colaborar com a Lava-Jato, apesar de não ter conseguido fechar acordo de delação premiada com o Ministério Público Federal.

DELAÇÃO –  Mendonça Neto teve o processo suspenso, seguindo o acordo de delação. Várias empresas de Mendonça Filho eram prestadoras de serviços para a Petrobras.

Segundo o MPF, a valor foi pago à Gráfica Atitude entre 2010 e 2013, por meio de contratos de prestação de serviço feitos para pagar serviços prestados pela gráfica à campanha do PT, em 2010. A defesa de Vaccari argumentou que os contratos não eram contratos falsos, que houve prestação de serviços e que a denúncia teve como base apenas a declaração do empresário, sem que fosse comprovada a participação do ex-tesoureiro petista.

A ida de Flávio Rocha para Secom foi costurada durante a viagem com Fábio Faria na visita a Suécia, Finlândia, Coreia do Sul, Japão e China para visitar empresas de tecnologia 5G. O almirante, que segue como militar a ativa, já chefiou a Comunicação da Marinha.

Piada do Ano ! MPRJ transfere promotora bolsonarista militante para unidade que investiga Flávio

Promotora é madrinha de casamento da advogada de Flávio

Rayssa Motta e Paulo Roberto Netto
Estadão

A promotora de Justiça Carmen Eliza Bastos de Carvalho, do Ministério Público do Rio, ganhou o noticiário quando, em novembro de 2019, passaram a circular nas redes sociais fotos dela vestindo camiseta de apoio ao presidente Jair Bolsonaro (sem partido) e ao lado do deputado estadual Rodrigo Amorim (PSL), que quebrou uma placa com o nome da vereadora Marielle Franco.

Na época, ela integrava a equipe encarregada pela investigação do assassinato da parlamentar e acabou pedindo baixa do caso dizendo ser alvo de ‘ataques ideológicos’. O nome da promotora volta a repercutir agora que ela foi transferida para a Promotoria Eleitoral responsável pelo inquérito que apura se houve falsidade ideológica eleitoral nas declarações de bens do senador Flávio Bolsonaro (Republicanos-RJ), filho mais velho do presidente, na campanha para deputado estadual em 2014.

DECLARAÇÃO DE VALORES – A investigação em questão mira a declaração de valores diferentes atribuídos a um mesmo apartamento em Laranjeiras, na Zona Sul do Rio, nas prestações de contas entregues por Flávio à Justiça Eleitoral em 2014 e 2016. No intervalo de dois anos, o imóvel foi declarado com um valor R$ 142 mil menor. A compra e venda de imóveis também é um dos focos da investigação que denunciou Flávio por peculato, lavagem de dinheiro e organização criminosa no caso das ‘rachadinhas’.

A nomeação da promotora foi formalizada no final de fevereiro. Segundo o Ministério Público do Rio, a escolha foi feita a partir de ‘critérios objetivos’ e após aprovação em concurso interno. “A designação observou critérios objetivos, após concurso de lotação aberto aos Promotores de Justiça do Estado do Rio de Janeiro, não tendo havido escolha pelo Procurador-Geral de Justiça. Só após assumir a atribuição, a promotora de Justiça deverá se pronunciar da análise dos procedimentos constantes no órgão”, diz, em nota, a instituição.

APURAÇÃO – As manifestações de apoio ao presidente Jair Bolsonaro levaram à abertura de um procedimento interno no Ministério Público fluminense para apurar suposta conduta político-partidária da promotora. A atuação de promotores em campanhas e ações políticas é vedada pela Lei Orgânica do Ministério Público.

O casso correu sob sigilo e acabou arquivado pela Corregedoria em agosto do ano passado.Além das fotos vestindo a camisa estampada com o rosto de Jair Bolsonaro e a frase ‘Bolsonaro presidente’ e ao lado do deputado Rodrigo Amorim (PSL), Carmen Eliza fotografou a cerimônia de posse do presidente e escreveu na legenda: “Há anos que não me sinto tão emocionada. Essa posse entra naquela lista de conquistas, como se fosse uma vitória”.

A promotora também comemorou o resultado das eleições de 2018 afirmando que o Brasil se livrou de um ‘cativeiro esquerdopata’. “Patriotismo. Assim que se constrói uma nação ! União em prol do Brasil! Família, moral, honestidade, vitória do bem!”, escreveu em suas redes sociais.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOGAlém de ferrenha militante bolsonarista, segundo o jornalista Guilherme Amado, da Época, a promotora Carmen Eliza é madrinha de casamento de Luciana Pires, advogada do filho mais velho do presidente ! É o fim da picada, mesmo. Assim como foi dito nesta Tribuna que Eliza deveria se declarar suspeita e sair do caso Marielle Franco, também não cabe a sua participação no inquérito que apura se houve falsidade ideológica eleitoral nas declarações de bens de Flávio. A promotora já deu provas mais do suficientes que está fechada com o presidente até o último fio de cabelo. (Marcelo Copelli)

Após prisão de Daniel Silveira, bolsonaristas baixam o tom e removem vídeos com ataques ao STF das redes

Otoni apagou tuítes referindo-se aos ministros da Corte como criminosos

Deu no O Globo

A prisão do deputado Daniel Silveira (PSL-RJ) após ataques ao Supremo Tribunal Federal (STF), há quase duas semanas, enfraqueceu a retórica bolsonarista. Após o episódio, apoiadores do presidente Jair Bolsonaro aceleraram a retirada de vídeos e publicações online que citavam a Corte e ajustaram o tom das declarações, em uma tentativa de evitar novos confrontos tão acirrados quanto o protagonizado por Silveira com falas violentas endereçadas a ministros e apologia ao AI-5.

O recuo ficou evidente em levantamentos realizados pela empresa de análise de dados Novelo Data e pelo Projeto 7c0, que atuam compilando dados sobre a remoção de conteúdos no YouTube e no Twitter, respectivamente. Houve movimento neste sentido por parte de colegas de Silveira na Câmara, como Otoni de Paula (PSC-RJ) e Paulo Eduardo Martins (PSC-PR) e também do procurador bolsonarista Ailton Benedito.

COMPORTAMENTO – Monitorando 183 canais bolsonaristas no YouTube, a Novelo Data identificou um comportamento coletivo: no mês anterior à prisão de Silveira, decretada em 16 de fevereiro, houve uma média diária de 11 vídeos sobre o STF removidos dessas páginas. Nos três dias seguintes à decisão do STF de prender o deputado, a média diária saltou para 26.

Os conteúdos apagados por Paulo Eduardo Martins e Ailton Benedito se inserem nessa estatística. Assim como os dois, que são influenciadores digitais do bolsonarismo, também houve remoções feitas por canais com alto número de inscritos. Foi o caso de Verdade Política (1,22 milhão de assinantes); Notícias Política BR (545 mil) e Vista Pátria (536 mil). Procurados pelo O Globo, Martins não quis comentar o caso, e Benedito afirmou que não apagou qualquer conteúdo, que “jamais atacou o STF” e que “sempre pautou suas ações pela ética e respeito às pessoas e às instituições”.

MENÇÕES – No Twitter, onde o Projeto 7c0 monitora 574 contas de políticos com cargos públicos, apenas nove publicações com menções ao STF foram removidas uma semana antes da prisão de Silveira. Na semana seguinte ao episódio, o número subiu para 50.

Otoni de Paula, por exemplo, apagou tuítes em que dizia que “bandido bom para o STF é bandido solto” e que “os milicianos não vão nos calar”, referindo-se aos ministros da Corte como criminosos. O parlamentar disse que as publicações foram apagadas por determinação da Justiça e não “por vontade própria”.

Apesar da mudança evidente, aliados de Bolsonaro, conhecidos pelo tom mais beligerante, negam que estejam operando mudanças na própria retórica, ao passo em que continuam discursando em defesa de Silveira. As falas, no entanto, demonstram traços de ponderação que não existiam anteriormente.

LIMITE – É o caso do deputado Carlos Jordy (PSL-RJ), que comenta a prisão de Silveira enquanto traça um limite para si mesmo. “Continuarei fazendo minhas críticas, mas sem ofensas que possam configurar uma quebra de decoro, sem ameaças pessoais. Não que o discurso do Daniel tenha sido assim, mas foi muito ácido”, afirmou.

O deputado estadual Gil Diniz (sem partido), braço direito de Eduardo Bolsonaro (PSL-SP) em São Paulo, afirma que “não será dado qualquer passo atrás” nas críticas ao Judiciário, ao mesmo tempo em que elogia Bolsonaro por ter mantido silêncio em relação à decisão do Supremo.

“Cada deputado tem seu perfil. Alguns mais incisivos, outros mais suaves. Mas não tem como exigir mudança na retórica. Eu vou continuar subindo na tribuna e chamando a atenção para os abusos do STF. Mas o presidente precisa manter a harmonia entre os Poderes”, declarou Diniz.

COBRANÇA – Ao contrário de Diniz, Bolsonaristas mais radicais ainda cobram que o presidente atue para defender Silveira. Paulo Enéas, dono do Crítica Nacional, um dos principais portais de apoio a Bolsonaro, publicou um artigo mencionando a falta de posicionamentos de ministros, como André Mendonça (Justiça) e Damares Alves (Direitos Humanos). “A ausência de manifestação formal emite um sinal de insegurança para os apoiadores do próprio governo”, escreveu Enéas.

Da mesma maneira, Silvio Grimaldo, que comanda o site do ideólogo Olavo de Carvalho, passou os últimos dias compartilhando “memes” sobre como os ministros do STF estariam se agigantando contra conservadores. A militante Sara Giromini, em prisão domiciliar desde o ano passado e rompida com o bolsonarismo, também manifestou incômodo e questionou se, agora, “o Planalto e os direitos humanos se pronunciariam”.

MEDO – O cientista político Carlos Melo, do Insper, diz que a prisão de Silveira criou, nos deputados, um “medo de brincar com o Supremo” e de ecoar pensamentos que, na verdade, são os do próprio presidente.

“A prisão foi um sinal de que os inquéritos sobre atos antidemocráticos e fake news não estão parados e de que há muitos outros na berlinda, tanto quanto Silveira. O silêncio do presidente é circunstancial. Ele ainda vai voltar ao tema e lançará algum sinal para esses setores (que o apoiam). E isso será importante, porque o Silveira disse o que o Bolsonaro pensa”, afirma.

Fachin diz que a democracia no País “está sob ataque” e que o “momento é de alerta”

Ministro afirmou que vive-se no Brasil uma ‘recessão democrática’

Samuel Costa
Estadão

Nesta segunda-feira, dia 1º, o ministro Edson Fachin, do Supremo Tribunal Federal (STF), participou de live da Ordem de Advogados do Brasil (OAB) em homenagem ao constitucionalista Paulo Bonavides. Fachin fez uma breve fala durante a mesa que discutia a ‘democracia representativa’.

Em sua explanação, o ministro afirmou que vive-se no Brasil uma ‘recessão democrática’ e que o momento ‘é de alerta’.  “Além da tragédia pandêmica que assola todo o País, são verificados todo dia atentados à imprensa, apologia da ditadura, da tortura; a depreciação do valor do voto e o incentivo às armas e à violência; e ainda, o incentivo à animosidade entre as Forças Armadas e a sociedade civil”, disse.

SISTEMA ELEITORAL – Fachin defendeu o sistema eleitoral brasileiro, destacando a sua lisura e transparência. “É ciente dessa premissa que a Justiça Eleitoral brasileira tem atuado com absoluta transparência, com o labor de entidades independentes e apartidárias”, disse.

Ele reiterou a legitimidade de um governo eleito através do voto popular, mas ponderou que incentivos a medidas e comportamentos antidemocráticos ferem a autoridade de gestões, que façam uso de tais mecanismos de persuasão. “É legítimo governo que decorre de eleições regulares e, portanto, atende às demandas do povo. Mas é ilegítimo um governo que passa a atuar contra a normalidade constitucional”, afirmou.

DESCRÉDITO – Ele ainda destacou que uma gestão que não atende às promessas feitas em campanha tem potencial para desacreditar os cidadãos. “É forçoso reconhecer que o voto, quando desacompanhado das promessas públicas da sua legítima captação, permite impregnar um ceticismo generalizado, produzido pelas constantes falhas no exercício da representação”.

O ministro defendeu que ‘um governo encontra apenas o seu início nas eleições’ e que a administração pública ‘depende da adoção, da compostura traduzida numa efetiva vigilância do comportamento dos mandatários contra desvios que contrariem a essência da representação, a democracia participativa promove a defesa do engajamento cívico das mais variadas formas’.

RECESSÃO DEMOCRÁTICA – Segundo a análise de Fachin, a saída para o atual momento de ‘recessão democrática’ deve sempre observar a sua legalidade. “A solução dessas questões não deve buscar em lugar algum, remédio qualquer que não seja a constitucionalidade funcional”, disse. “A saída com racionalidade e equilíbrio passa pela Constituição de 1988”, continuou.

“É imprescindível preservar a soberania das instituições (…),respeitar os dissensos, a pluralidade, a diversidade e, acima de tudo, a legalidade constitucional. Respeitar a legalidade das eleições, as saídas democráticas, por quanto pacíficas, estarão sempre dentro da Constituição, nela e com ela, para que tenha-se esperança e não haja retrocesso”.

Flávio Bolsonaro diz que usou dinheiro de venda de imóvel no Rio para comprar mansão de R$ 6 milhões em Brasília

Charge do Duke (domtotal.com)

Marcelo Rocha e Italo Nogueira
Folha

O senador Flávio Bolsonaro (Republicanos-RJ) afirmou nesta terça-feira, dia 2, que usou recursos da venda de um imóvel no Rio de Janeiro para comprar a mansão de R$ 6 milhões em Brasília. “Tudo registrado em escritura pública”, diz nota divulgada pela assessoria de imprensa do parlamentar. “Qualquer coisa além disso é pura especulação ou desinformação por parte de alguns veículos de comunicação.”

Questionada após a divulgação do comunicado, a assessoria do senador informou que o imóvel vendido foi o apartamento na Barra da Tijuca. A venda ainda não foi informada ao Registro de Imóveis —a responsabilidade é do comprador e não há prazo para fazer o registro

FINANCIAMENTO – Sem detalhar como foi feito o pagamento da entrada, o comunicado de Flávio afirma ainda que mais da metade do valor da transação (R$ 3,1 milhões) ocorreu por intermédio de financiamento imobiliário.

Denunciado à Justiça em novembro de 2020 sob a acusação de peculato, lavagem de dinheiro e organização criminosa no caso das “rachadinhas”, Flávio e a esposa, Fernanda Bolsonaro, compraram a casa em janeiro. A informação foi revelada pelo site O Antagonista e confirmada pela Folha, que obteve acesso à certidão do 1º Ofício de Registro de Imóveis do DF, com os detalhes da transação.

O imóvel fica no Setor de Mansões Dom Bosco, no Lago Sul, bairro nobre da capital. Ela tem 1.100 m² de área construída, em um terreno de 2.500 m².De acordo com a certidão do imóvel, o negócio foi fechado com a RVA Construções e Incorporações, empresa do advogado e empresário Juscelino Sarkis.

LONGO PRAZO – O documento informa que R$ 3,1 milhões do valor do imóvel foram financiados pelo BRB (Banco de Brasília). A quitação será em 360 parcelas. O documento menciona taxas que variam de 3,65% a 4,85% ao ano. A amortização será pelo sistema SAC, que consiste em prestações mais altas no início e menores no final.

O BRB é controlado pelo governo do Distrito Federal, comandado por Ibaneis Rocha (MDB), um aliado do presidente Jair Bolsonaro (sem partido).O salário de Flávio no Senado é de R$ 25 mil líquidos. A esposa é dentista e tem consultório em Brasília. São casados em regime de comunhão parcial de bens.

A mansão em Brasília é o 20º imóvel que Flávio adquire num intervalo de 16 anos —considerando um andar com 12 salas comerciais de que foi proprietário. A intensa atividade imobiliária do senador foi revelada pela Folha em 2018.

IMÓVEIS – Antes de fechar o negócio em Brasília, segundo levantamento patrimonial, Flávio tinha dois imóveis: o apartamento na Barra da Tijuca, adquirido por R$ 2,5 milhões, com financiamento, e uma sala comercial num shopping da zona oeste, avaliada em R$ 150 mil.

Na denúncia oferecida contra o senador no caso das “rachadinhas”, o MP-RJ do apontou que as operações de compra e venda de dois imóveis foi usada para lavagem de dinheiro.

A escritura de compra e venda foi feita em um serviço notarial de Brazlândia, cidade do DF distante cerca de 45 km do Plano Piloto. A matrícula do imóvel, por sua vez, é de responsabilidade do 1º Ofício de Registro de Imóveis do DF, a poucos quilômetros do Congresso.

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ÍNTEGRA DA NOTA DE FLÁVIO BOLSONARO:

“A casa adquirida pelo senador Flávio Bolsonaro em Brasília foi comprada com recursos próprios, em especial oriundos da venda seu imóvel no Rio de Janeiro. Mais da metade do valor da operação ocorreu por intermédio de financiamento imobiliário. Tudo registrado em escritura pública. Qualquer coisa além disso é pura especulação ou desinformação por parte de alguns veículos de comunicação.”

Antes de sair, Alcolumbre contratou amigo marqueteiro para dar curso no Senado a R$ 3,8 mil a hora-aula

Derrotado em Macapá e no STF, Alcolumbre aposta últimas fichas na sucessão  | VEJA

Alcolumbre separou R$ 150 mil para ajudar o marqueteiro

Luciana Lima
Metrópoles

O Senado contratou um curso de “Comunicação Digital” por R$ 3.797,46 a hora-aula. A empresa contratada, sem licitação, é a Vitorino & Mendonça, pertencente aos publicitários Marcelo Vitorino e Natália Mendonça. O contrato, assinado pela diretora-geral da Casa, Ilana Trombka, em 16/12/2020, com vigência até 15/12/2021, tem um valor global de R$ 150 mil por 39,5 horas-aulas.

Vitorino foi responsável pela campanha de Marcelo Crivella que culminou em sua vitória para Prefeitura do Rio de Janeiro, em 2016. Também trabalhou 4 meses na campanha à Presidência da República de Geraldo Alckmin em 2018, até ser substituído pelo publicitário Alexandre Inagaki.

COM ALCOLUMBRE – Em julho de 2019, ele trocou a comunicação do pastor da Universal pela perspectiva de trabalhar para o atual presidente do Senado, Davi Alcolumbre (DEM-AP).

 Embora não apareçam no quadro de funcionários do Senado, os dois publicitários chegaram a ter, em 2017, credenciais do Senado fornecidas pelo gabinete de Alcolumbre. O contrato do curso foi assinado em 16 de dezembro de 2020 e tem vigência de um ano.

De acordo com o Senado, ainda não houve aulas ou palestras ministradas, apesar de um dos termos que trata do regime de execução prever que a empresa executaria os serviços com inicio em até 30 dias contados a partir da assinatura, ou seja, as aulas deveriam ter começado no dia 16 de janeiro deste ano.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOGUsando recursos públicos, Alcolumbre resolve a vida de seus amigos marqueteiros. Também usando recursos públicos, seu amigo Flávio Bolsonaro compra uma mansão em Brasil por 6 milhões, enquanto na mesma rua está há venda uma bem inferior por R$ 10 milhões. Conclusão: eles acham que os brasileiros podem ser explorados à vontade, e estão certos. É isso mesmo. (C.N.)

Luciano Huck vem sendo tratado pela mídia como se pairasse acima da disputa política

Primeiro comercial de TV via 4G” é estrelado por Luciano Huck e provoca  polêmica nas redes sociais; entenda | VEJA SÃO PAULO

Huck se projeta no noticiário para faturar novos comerciais

Flávia Lima
Ombudsman da Folha

Desde que sua candidatura se tornou o sonho de um grupo de tucanos da velha guarda, o apresentador da Rede Globo e empresário Luciano Huck mantém posição confortável na chamada grande imprensa.

É tema recorrente nas páginas de política dos jornais e regularmente agraciado com espaços para escrever sobre tópicos de sua escolha. Mas não dá entrevistas, ocasiões em que suas ideias poderiam ser esmiuçadas, confrontadas e apresentadas ao leitor. Esse arranjo cômodo saltou aos olhos na semana em que voltei de férias, agitadíssima no mundo da política.

ALIANÇAS COMPLICADAS – No rescaldo das eleições no Congresso, o ex-presidente da Câmara, Rodrigo Maia, escancarou a insatisfação com o seu partido, o DEM, em entrevista ao jornal Valor Econômico, na segunda-feira (dia 8/2).

Com isso, deflagrou uma crise que envolveu também o PSDB, consumiu as páginas dos principais jornais ao longo da semana e mostrou que o ensaio geral de alianças pela sucessão de Bolsonaro é bem mais complicado do que se imaginava.

No imbróglio, o nome de Huck apareceu com grande frequência. Maia disse que a aproximação entre o DEM e o governo Bolsonaro, promovida pelo presidente do partido, ACM Neto, fez ruir os esforços de atrair Huck, até então “90% resolvido” a se filiar à legenda, antigo PFL. ACM Neto, segundo a coluna Painel da Folha, teria então iniciado uma ofensiva para evitar o afastamento do apresentador de TV.

DISSE MERVAL – No início da semana, o jornalista Merval Pereira, colunista de O Globo, deu algumas pistas sobre o apresentador ao dizer que Huck não pretende se envolver na disputa partidária e continua interessado apenas em discutir ideias, não legendas.

Se é isso mesmo, Huck pode seguir tranquilo. A depender da Folha, os sinais são de que não será incomodado, desfrutando de uma posição pouco comum entre políticos ou aspirantes a políticos: aparecer e falar, sem ser importunado com questionamentos.

No domingo (7/2), o jornal lhe franqueou mais de meia página no caderno Poder, onde Huck aproveitou para saudar os “heróis da resistência democrática” (de profissionais da saúde a jornalistas, passando por políticos, empresários, professores, climatologistas e as Forças Armadas), ressaltar que a boa política vai salvar o país dos “ismos” e se colocar entre os dispostos a se engajar na (re)construção do país.

ESPAÇO ILIMITADO – Não é de hoje que alguns leitores veem a concessão do espaço com desconfiança –algo de que eu mesma demorei para me dar conta. “É incompreensível o espaço enorme que a Folha dá a Luciano Huck, justo ele funcionário do maior grupo de mídia do país”, disse um deles.

A Folha não está sozinha nesse caldeirão. O Estado de S. Paulo oferece ampla vitrine a Huck em entrevistas que o próprio apresentador conduz com personalidades. É como se Huck pairasse acima das disputas políticas. Só conhecemos suas ideias por meio de seus textos.

Para o leitor, seriam mais relevantes entrevistas com o próprio Huck, nas quais lhe fosse perguntado se de fato pretende se filiar a um partido político, quando isso deve ocorrer, o que pensa das reformas negociadas com o Congresso e como o Estado deve se organizar para prestar serviços públicos, além de dizer com base em quais pressupostos afirmou, em 2018, que Bolsonaro tinha uma chance de ouro de dar novo significado à política no Brasil e quais foram os motivos que o levaram posteriormente a se surpreender com o comportamento do presidente.

PRESIDENCIÁVEL – Vinicius Mota, secretário de Redação, diz que “Luciano Huck é um nome que se apresenta como possível presidenciável em 2022, e a Folha tem uma longa tradição de publicar opiniões das pessoas que cogitam chegar à Presidência da República, de todo o espectro político-ideológico, o que nunca comprometeu nem comprometerá o compromisso editorial de praticar um jornalismo investigativo e crítico em relação a todas elas”.

De fato, de parte do jornal, é esperado que presidenciáveis sejam ouvidos, inclusive em colunas fixas de opinião. A forma eventual como Huck aparece nos jornais, porém, dá um ar desinteressado a uma estratégia política.

Também não parece jornalisticamente razoável que a Folha se sinta satisfeita em replicar o diz que diz em torno do apresentador, mantendo-o a salvo do escrutínio e oferecendo e ele espaços distantes de algo considerado investigativo ou crítico.

MORRER NA PRAIA – Alguns analistas e políticos dizem que o nome de Huck pode, mais uma vez, morrer na praia. Verdade ou não, Huck não pode ser tratado pela Folha como se fosse um personagem estranho à sucessão presidencial e ao debate político.

Já vimos o que acontece quando se trata com condescendência um candidato à Presidência deixando de informar ao leitor sobre quais são suas ideias e afinidades políticas – ainda que ele pareça inviável.

 

Primeiro, lutar pela democracia; depois, escolher realmente o melhor candidato nas eleições de 2022

Manifestação do dia 15 pode ser uma ameaça à democracia. Pense sobre isso.  | Carlos Sousa

Charge do Duke (O Tempo)

Sergio Fausto
Estadão

Faltando mais de um ano e meio para as eleições presidenciais, é cedo para discutir nomes. Mas não para traçar as grandes linhas de um programa que possa vir a ser apoiado no segundo turno por um amplo leque de forças democráticas, do centro-direita ao centro-esquerda. Ele deve espelhar o aprendizado coletivo que fizemos ao longo dos últimos 30 anos e projetar um futuro que nos permita voltar a ter esperança no Brasil.

Responsabilidade fiscal e responsabilidade social devem andar juntas. No Brasil, a segunda exige não apenas atenção à pobreza, mas também à desigualdade. No grau existente no Brasil, ela impede que seja internalizada em cada um e em todos nós a noção de pertencer a um mesmo corpo político, que nos assegure direitos e nos imponha responsabilidades.

NO MESMO BARCO – Precisamos sentir que estamos todos no mesmo barco e temos um destino comum, que nos faça responsáveis pelo bem-estar das gerações presentes e das que vêm por aí. Sem a generalização desse sentimento a Nação não tem futuro.

Não somos todos iguais e as identidades parciais devem ser reconhecidas e respeitadas. Quem teve menos vez e voz ao longo da História tem o direito de gritar para se fazer ouvir. É parte da luta pela construção da cidadania. Mas não podemos perder de vista o objetivo de alargar o espaço da nossa casa comum, em vez de compartimentá-la em lugares de fala incomunicáveis.

O sentimento de que estamos navegando no mesmo barco ou construindo a mesma casa precisa se materializar em compromisso firme com a solvência do Estado, o que implica ter regras fiscais que a assegurem, e com um regime de tributação e gastos públicos que responda à aspiração de criar uma sociedade mais justa em termos de distribuição da renda e oportunidades. Não devemos crescer para depois distribuir, mas sim crescer e distribuir, e faremos uma coisa e outra mais e melhor se cuidarmos de aumentar a eficiência e a produtividade no setor público e no setor privado.

IDÉIAS ULTRAPASSADAS – Outro aprendizado feito nos últimos 30 anos, vivendo a experiência do Brasil e olhando o mundo ao redor, é que a dicotomia mais Estado ou mais mercado nos mantém presos a ideias defuntas. Temos de nos libertar de esquemas ideológicos que bloqueiam a criação e o aprimoramento de sistemas de cooperação não apenas entre o setor público e o setor privado, mas também entre eles e a sociedade.

Um dos papéis fundamentais do Estado no século 21 será orquestrar esses sistemas de cooperação dentro e para além das fronteiras nacionais. As partituras não serão escritas por decreto e impostas de cima para baixo. Sistemas de cooperação têm de ser abertos à competição e submetidos à publicidade e avaliação para reduzir o risco de a cooperação virar um conluio contra os interesses mais amplos da sociedade. Diante da complexidade, interconectividade e velocidade das transformações tecnológicas e científicas e dos desafios de governança que delas derivam, não há Estado demiurgo ou mão invisível do mercado que dê conta do recado.

Nesse contexto, o Brasil pode aspirar a ter presença global em algumas áreas com grande potencial de criação de valor e bem-estar. Para tanto é fundamental produzir e disseminar ciência aqui dentro. E ter uma política externa que expresse interesses nacionais amplos, e não de partidos ou seitas políticas.

A QUESTÃO AMBIENTAL – Agronegócio e meio ambiente ou se harmonizam ou se destruirão mutuamente. Nenhuma outra atividade depende tão diretamente de um regime de chuvas regulado pela floresta úmida. A pressão em favor de padrões cada vez mais elevados de sustentabilidade socioambiental e sanidade dos alimentos não deve ser sentida como “exigências externas”. São uma obrigação do País consigo mesmo.

A soberania da Amazônia brasileira não está em questão. O desafio é exercê-la com responsabilidade em relação ao nosso futuro comum, com os brasileiros e habitantes de um só e mesmo planeta. São cada vez mais sólidas as evidências científicas de que a floresta está se aproximando de um ponto de não retorno, a partir do qual, em lugar de retirar e estocar dióxido de carbono, passa a emiti-lo. Virar as costas para a ciência é entregar-se aos azares das pandemias e das catástrofes climáticas.

O agro é muito importante, mas não é tudo. A necessidade de criação de renda e empregos de qualidade no Brasil ultrapassa em muito a capacidade do novo mundo rural, mesmo considerando todos os seus encadeamentos com os serviços e a indústria.

EMPREGOS URBANOS – É vital criar bons empregos nas maiores cidades e ligá-los à melhoria das condições de vida e convivência nos centros urbanos. Deve-se experimentar e inovar na concepção e implementação de políticas com essa finalidade, com maior consulta à sociedade e mais intensa participação dos cidadãos. As cidades são espaços propícios ao encurtamento da distância entre o mundo oficial e o universo da cidadania.

Acima de tudo e de todos, democracia. Não apenas porque seja melhor do que todas as alternativas conhecidas, mas principalmente porque é a única que nos permite continuar a ter a liberdade para construir um país melhor. Escolher o melhor candidato é o passo seguinte.

Brasil se posiciona estrategicamente e será beneficiado pelo novo ciclo das commodities

ICB: entenda como funciona o Índice de Commodities Brasil

Alta dos preços pode propiciar o desenvolvimento do país

Mathias Erdtmann

O Brasil está muito bem posicionado para a possível grande tendência econômica que pode vir, beneficiando as commodities (commodities megatrend, segundo os anglófilos). Esses produtos tão básicos e padronizados que permitem uma espécie de tabela mundial de preços estão com um viés de alta, e vários economistas apontam para a megatendência de valorização.

As commodities mais famosas se dividem em três categorias: Agricultura (grãos, carne, cacau, algodão, açúcar); Energia (petróleo, gás, gasolina, diesel); Metais (preciosos como ouro ou industriais, como prata, cobre, platina, alumínio, ferro).

BAIXA E ALTA – Todos estes produtos viram seu valor subir nos últimos meses, enquanto vinham em queda por uma década. Em verdade, alguns haviam caído ainda mais no baque da pandemia (petróleo, por exemplo), outros, nem tanto (como os da categoria Agricultura, que já amargavam valores historicamente baixos quando iniciou a pandemia).

A subida é compreensível: são produtos de necessidade básica e, novamente, a humanidade se lembrou de que precisa de Comida, Energia e Casa (construção e ferramentas) para viver. Além disso, todas as nações do mundo entenderam que deviam reforçar seus estoques em todas essas categorias para ficarem mais prontos para a desglobalização e/ou para enfrentar problemas advindos da complexa logística do sistema produtivo industrial atual.

Adicionalmente, o dragão inflacionário está rondando alguns países do mundo (destaque para EUA), e os Bancos Centrais, sem muita opção na busca para auxiliar os povos das nações, emitiu quantidades grandes de moeda. ]

ATIVOS MAIS COMUNS – Grande parte dessa criação de riqueza, dada a grande vazão, infelizmente escoa pelos condutos mais eficientes, e acaba caindo nos ativos mais comuns de estoque de riqueza: Ações (EUA: NASDAQ +36% comparando com o nível pré-pandemia) e Imóveis (EUA: +40% no último ano).

Aí entramos em uma nova questão: os múltiplos. Ambos os ativos, Ações e Imóveis, estão apresentando múltiplos irracionais, ou seja, o número de anos que o ativo leva para gerar a riqueza para “se pagar” está absurdo.

Boas empresas, que antes eram os portos do investidor de valor, estão sendo negociadas a um valor de ação equivalente a 70 anos de seus lucros (exemplo, WEG), e os proprietários de imóveis tem que se contentar com um aluguel que levará de 30 a 50 anos (ou mais) para retornar o valor do imóvel (aluguel de 2 a 3% do valor do imóvel por ano, antes de impostos). E os ativos no Brasil não estão nem perto de estarem tão inflados como nos EUA.

TODOS ESPECULANDO – Neste “novo capitalismo”, não há espaço para o investimento de valor (value investing), somente para o investimento de crescimento (growth investing), e todos tem que se tornar especuladores, fiéis da crença do Idiota Maior (“Posso ser um idiota comprando hoje por um valor alto, mas amanhã haverá um idiota maior para pagar um valor mais alto”).

Nesse contexto não há mais espaço para estacionar os dobrões em ativos tradicionais; existe receio inflacionário, de bolhas de ativos; há o retorno ao essencial para a vida humana moderna; e enfrentamento da pandemia com o horizonte da vacinação e retomada da atividade econômica. Portanto, há uma possibilidade de um superciclo dos commodities.

Esta classe de produtos já subiu seu preço em dólar em 20% nos últimos 6 meses, e estava até então irrecuperada pelo baque da pandemia. Na verdade, nos últimos 10 anos os commodities tiveram uma queda de valor em dólar de 42% (o que, de certa forma, explica o definhar da economia brasileira, tão dependente de um alto valor destes produtos para crescer).

UM MEGAPRODUTOR – O Brasil é um gigante na produção de commodities. Produz com excedentes componentes de todas as classes, indo muito além da simples soberania e da autossuficiência (a invejada segurança alimentar e energética), sendo um pilar importante da economia dos commodities mundiais. Essa posição não veio de graça, foi construída com o trabalho de gerações, em uma verdadeira comunhão de raças e cores e culturas (vide Celso Furtado ou Jorge Caldeira).

Regularmente somos confrontados com o dilema da sustentabilidade em uma nação que ainda é pobre. Essa discussão é importante e devemos encará-la de forma aberta e franca, sem atropelos, pois nossa posição já é favorável, e a cobrança bate na porta.

Ainda assim, esta pode ser uma chance de ouro, que não pode ser perdida (pode ser o segundo superciclo de commodities do século 21, tendo o primeiro ocorrido entre 2003 e 2014), para o Brasil destravar a máquina do desenvolvimento.

HÁ MUITO A FAZER – É preciso aumentar o grau de qualidade e produtividade (incluindo como qualidade o menor impacto ambiental, exigência não só dos clientes, mas de todo cidadão do mundo), ampliar o beneficiamento de suas commodities, seu transporte eficiente, bem como retomar a industrialização e reduzir a dependência de insumos estrangeiros para a produção desses mesmos commodities, em um ciclo virtuoso que chega no aumento da qualidade de vida, na produção e no consumo destes mesmos commodities pelos seus cidadãos.

Sem ideologia, o objetivo da produção nacional dos insumos como defensivos, fertilizantes, produtos químicos, aditivos, siderurgia básica e especial, é a máxima eficiência econômica, agregando valor com a cadeia local, com custo de longo prazo reduzido, para permitir, aos poucos, que nos livremos da dependência quase exclusiva de um cenário internacional positivo de commodities para gerar excedentes.

Basta fazer a coisa certa, com calma e sem megalomanias, para não haver outro voo de galinha.

Bolsonaro é a construção do caos, como uma espécie de antipresidente, alguém destinado a explodir a instituição

Autoridades criticam Bolsonaro por veto à compra da vacina chinesa |  Poder360

Bolsonaro, que é contra vacinas, já imunizou o filho Flávio…

Fernando Gabeira
O Globo

Na semana em que as mortes pela pandemia atingem a marca de 255 mil, toda a atmosfera política parece sombria. Não é caso de desespero, apenas a constatação de que vivemos um momento especialmente difícil. Enquanto sonhamos com a imunização do povo contra a Covid-19, quem recebe vacinas é Flávio Bolsonaro, filho do presidente, e os congressistas do Brasil.

Flávio ganhou uma vacina contra a punição no caso das rachadinhas. Os congressistas foram mais longe e produziram um projeto que os vacina contra a prisão em flagrante.

BLINDAGEM MÚLTIPLA – Impressionante ver como o populismo de direita se associa aos políticos tradicionais para criar uma intransponível blindagem para toda sorte de crimes. E logo eles , os populistas de direita, que afirmam a decadência de um mundo materialista, distante dos valores espirituais que pretendem restaurar.

Acabo de ler “Guerra pela eternidade”, um livro de Benjamin Teitelbaum. O livro fala do retorno do tradicionalismo e da ascensão da direita populista. Infelizmente, não posso fazer uma resenha aqui, senão meu espaço iria para o espaço, se me perdoam o jogo de palavras.

Teitelbaum é etnógrafo, e seu método de pesquisa consiste em observar e interagir com as pessoas que estuda. Dois personagens, entre outros, se destacam em seu livro: Steve Bannon e Olavo de Carvalho.

FIGURINO ERRADO – A leitura do livro me ensinou alguma coisa sobre o pensamento da direita, embora a tese central não tenha me parecido muito sólida. Ele tenta enquadrar Steve Bannon e Olavo de Carvalho no figurino do tradicionalismo, mas algumas partes do corpo ficam do lado de fora, não cabem exatamente.

O tradicionalismo tem uma visão circular do tempo. As épocas se sucedem da Idade do Ouro, o tempo dos sacerdotes, passando pelos guerreiros e comerciantes, até o dos escravos, a decadência que se vive hoje no mundo material, globalizado, dominado por uma aliança entre o liberalismo e a China.

Steve Bannon e Olavo de Carvalho sonham com um novo mundo, em que os moradores das áreas rurais americanas e o povo religioso do Brasil (no caso de Olavo) aparecem como as forças novas que vão restaurá-lo.

CLASSE OPERÁRIA – É um pouco parecido, num outro plano, com a visão romântica dos comunistas, que viam a redenção na classe operária. O mais importante, no entanto, é que, assim como a velha extrema esquerda, Bannon quer implodir as instituições existentes.

Isso explica, no governo Trump, a escolha de uma secretária de Educação que distribuía vouchers para usarem em escolas particulares, anulando o ensino público. Ou mesmo a escolha de um diretor da agência ambiental cujo grande objetivo era acabar com seu ativismo.

Há correspondência dessas escolhas no Brasil. Ricardo Salles foi apontado para destruir o trabalho legal pelo meio ambiente. Ernesto Araújo, para realizar uma diplomacia que rompe com as práticas tradicionais.

PÁRIA INTERNACIONAL – Araújo não se importa que o Brasil se transforme num pária. Num mundo decadente, isso é um elogio: significa que há um papel na nova idade do ouro, em que os símbolos superam a razão.

Não tenho espaço para as contradições. Lembro apenas que Bannon se diz espiritualista, mas recebia um salário de US$ 1 milhão de um bilionário chinês e foi acusado de desviar dinheiro destinado a construir o muro na fronteira com o México.

O ponto central é que essas ideias influenciam o governo Bolsonaro. Ele mesmo é uma espécie de antipresidente, alguém destinado a explodir a instituição. O caos é algo promissor para quem julga antever a aurora de uma nova era. É assim que entendo sua intervenção na Petrobrás e os decretos para armar o povo. Na verdade, foi assim que li as principais declaracões dos quadros da alt-right, a direita alternativa. A tática parece muito com as velhas teorias revolucionárias, só que com o sinal trocado.

Uma auspiciosa e poética lição de vida, na criatividade do multifacetado Menotti Del Picchia

Casa Menotti

Menotti, com os amigos Monteiro Lobato e Cassiano Ricardo

Paulo PeAres
Poemas & Canções

O jornalista, tabelião, advogado, político, romancista, cronista, pintor, ensaísta e poeta paulista Paulo Menotti Del Picchia (1892-1988), no poema “O Voo”, nos fala da importância do esforço que devemos realizar diante dos obstáculos que o cotidiano nos impõe, em voos semelhantes aos pássaros. O poema também pode ser interpretado como “uma lição de vida”.

O VOO
Menotti Del Picchia

Goza a euforia do voo do anjo perdido em ti
Não indagues se nossas estradas, tempo e vento
desabam no abismo.
que sabes tu do fim…
Se temes que teu mistério seja uma noite,
enche-o de estrelas
conserva a ilusão de que teu voo te leva sempre para mais alto
no deslumbramento da ascensão

Se pressentires que amanhã estarás mudo, esgota como
um pássaro as canções que tens na garganta
canta, canta para conservar a ilusão de festa e de vitória
talvez as canções adormeçam as feras que esperam
devorar o pássaro

Desde que nasceste não és mais que um voo no tempo
rumo ao céu?
que importa a rota
voa e canta enquanto resistirem as asas.

Bolsonaro não tem dinheiro para vacina, porque desperdiçou R$ 54 bilhões no auxílio emergencial

Sadismo de Bolsonaro com a vacina chega ao limite da loucura | Opinião | EL PAÍS Brasil

Se dependesse de Jair Bolsonaro, nem existiriam as vacinas

Carlos Newton

Jair Bolsonaro foi um dos maiores equívocos eleitorais já cometidos no Brasil, ninguém poderia imaginar que se transformasse nessa figura caricata que nos envergonha interna e externamente, por seus atos irresponsáveis e suas declarações absurdas, que caracterizam um governo de cunho surrealista.

Nesta segunda-feira, republicamos um artigo do Estadão, que merecia ser manchete de todos os jornais, simultaneamente, por mostrar que o governo não tem dinheiro para comprar vacinas, com o presidente e o ministro logístico sempre reclamando dos preços, mas desperdiçou a espantosa quantia de R$ 54 bilhões, ao liberar auxílio emergencial a 13,7 milhões de pessoas que não tinham a menor necessidade.

INCOMPETÊNCIA REINA – Escrito por Edmar Araujo, presidente executivo da Associação das Autoridades de Registro do Brasil, o artigo mostra como o governo é incompetente e despreparado. Nenhum integrante do primeiro, segundo ou terceiro escalão teve o cuidado de consultar a relação dos declarantes do Imposto de Renda antes de liberar o auxilio emergencial.

Os burocratas comandados por esse trêfego enganador Paulo Guedes também não conferiram a lista do Bolsa Família para identificar falsas mães solteiras.

Se os descansados burocratas de Brasília tivessem feito o cotejo, o governo não teria desperdiçado os R$ 54 bilhões e poderia ter comprado vacinas para todos os brasileiros.

GOLPE DO AUXÍLIO – O Tribunal de Contas identificou que o governo distribuiu o auxílio emergencial a 7,3 milhões de pessoas fora dos requisitos legais e a 6,4 milhões de mães solteiras a mais no programa, que ganharam indevidamente uma cota excedente do benefício.

O perfil de quem recebeu indevidamente o auxílio emergencial é assombroso e mostra que país é esse, em termos de conduta moral.

São cerca de 700 mil servidores civis e militares; mais de 600 mil pessoas com vínculo formal de emprego; mais de 60 mil falecidos; mais de 40 mil brasileiros morando no exterior; mais de 40 mil detentos; e mais de 200 mil pessoas com renda acima do limite

Não haverá multa nem punição aos fraudadores, nada, nada. Por quê? Ora, essa doação ilegal de recursos públicos está sendo feita porque Bolsonaro não quer perder votos na eleição de 2022.
APENAS HIPOTETICAMENTE – Quando afirmamos aqui na TI que os R$ 54 bilhões poderiam ser gastos na compra de vacinas, é claro que estávamos falando hipoteticamente, como se o Brasil fosse governado por pessoas normais. Mas isso jamais aconteceria, porque o presidente da República demonstra não ter equilíbrio emocional e moral para conduzir o país. 

Mesmo se não tivesse desperdiçado os R$ 54 bilhões, Bolsonaro jamais teria comprado as vacinas no Dia D e na Hora H, simplesmente porque foi sempre contrário à imunização. Desde a primeira hora defende e continua a defender a teoria do rebanho, que consiste em deixar a pandemia dizimar grande parte da população, para que o restante fique automaticamente imunizado.

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P.S.  – Estamos mal, minha gente, porque não podemos confiar nos três Poderes. Mesmo assim, vamos em frente, porque o Brasil é maior do que o abismo que essas autoridades tentam cavar diante de nós, (C.N.)

Inquérito que apura atos antidemocráticos mira em empresas de publicidade contratadas pelo governo

PF pediu busca e apreensão em três empresas, mas PGR foi contra

Camila Mattoso
Folha

Além de Fábio Wajngarten, a Polícia Federal mirou três empresas de publicidade contratadas pelo governo federal na investigação sobre o financiamento e realização de atos antidemocráticos. A PF enviou ao ministro Alexandre de Moraes, do STF, solicitação de busca e apreensão contra a PPR – Profissionais de Publicidade Reunidos S.A, a Artplan e a Calia Y2 Propaganda.

A Procuradoria-Geral da República se manifestou contra a ação, que acabou não correndo. Com as buscas, a Polícia Federal queria avançar na apuração sobre o repasse de valores da publicidade do governo federal para sites bolsonaristas.

CONTRATOS MANTIDOS – Embora tenham sido contratadas em gestões anteriores, as agências mantiveram os contratos na gestão de Wajngarten no primeiro ano do governo do presidente Jair Bolsonaro. Assim como no caso de Wajngarten, a PF pediu para vasculhar as agências para coletar informações com servidores, documentos e contratos com a finalidade de entender a dinâmica do repasse de publicidade federal para sites e páginas na internet –entre elas, o Terça Livre, de Allan dos Santos.

A Secretária de Comunicação (Secom) da Presidência da República contrata agências de publicidade que compram espaços por meio do GoogleAdsense para veicular campanhas em sites.

O anunciante escolhe que tipo de público quer atingir, em que tipos de sites não quer que sua campanha seja veiculada e quais palavras-chave devem ser vetadas. Então o Google distribui os anúncios para sites ou canais do YouTube que cumpram os critérios estabelecidos pelo anunciante.

OMISSÃO – A PF investiga se houve alguma ação ou omissão de agentes públicos da Secom na distribuição do dinheiro de publicidade para veículos que produziram e distribuíram conteúdos com ataques às instituições e contra a democracia. A Artplan, uma das agências na mira da PF, também mantinha relação comercial com a FW Comunicação e Marketing, empresa de Wajngarten.

Como mostrou a Folha, a FW recebia mensalmente da agência para prestar serviços de checking. O secretário de Comunicação do governo Bolsonaro omitiu essas informações quando foi nomeado para o cargo público e sob seu comando, em agosto de 2019, a Secom prorrogou o contrato da Artplan.

Lira diz que não é o momento ideal para instauração de CPI sobre conduta do governo na pandemia

Se depender de Lira, nunca será ocasião para se tocar no assunto

Augusto Fernandes
Correio Braziliense

O presidente da Câmara, Arthur Lira (PP-AL), voltou a criticar o pedido de alguns parlamentares para que seja instaurada uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) no Congresso para investigar a conduta do governo diante da pandemia do novo coronavírus.

Segundo ele, o momento não é ideal para esse tipo de discussão, pois o Legislativo deve se preocupar em analisar pautas que ajudam no combate à crise e que contribuam para a compra de mais vacinas.

RECESSÃO –  “Se agora pararmos o Congresso para discutir quem está errando ou quem errou, nós não vamos conseguir concentrar esforços para que a gente tenha a saída, o mais rápido possível. Para que o Brasil tenha a sua população atendida com relação à pandemia, saúde, e a economia com condição de se manter em pé, para que nós não entremos numa recessão também”, opinou Lira, durante entrevista ao jornal Fala Brasil, nesta segunda-feira, dia 1º.

Atualmente, há um pedido de abertura de “CPI da covid” no Senado. As assinaturas necessárias para a instauração do colegiado foram recolhidas há quase um mês, mas até agora o presidente da Casa, Rodrigo Pacheco (DEM-MG), não decidiu se seguirá em frente com o pleito. De acordo com Lira, a comissão deve ser instalada no futuro, quando os efeitos da pandemia estiverem menores.

“Depois que nós tivermos vacina para a população, nós vamos ter oportunidade, porque os fatos não se precluem, de fazer essa ou aquela CPI para analisar, investigar ou punir eventuais erros”, frisou o presidente da Câmara.

PROSELITISMO – Na semana passada, Lira já havia dito que a abertura da CPI, agora, seria um erro. Ele também reclamou do movimento liderado pelos senadores.

“Todos nós temos que remar no mesmo sentido. Não adianta fazer agora proselitismo em torno de CPIs. Acho que a CPI sobre pandemia no Senado é inadequada. Não é o momento de parar o Congresso e investigar o que aconteceu”, afirmou, em declaração à imprensa.

Flávio Bolsonaro compra mansão de quase R$ 6 milhões em Brasília com prestação de R$ 16 mil ao mês

O salário de um senador após os descontos é de R$ 24,9 mil

Anne Warth e Rafael Moraes Moura
Estadão

Denunciado por peculato, lavagem de dinheiro e organização criminosa, o senador Flávio Bolsonaro (Republicanos-RJ) e sua mulher, a dentista Fernanda Antunes Bolsonaro, compraram por cerca de R$ 6 milhões uma mansão em Brasília. A aquisição do imóvel luxuoso, na beira do Lago Paranoá, foi revelada pelo site “O Antagonista” e confirmada pelo Estadão. Flávio e a mulher vivem sob o regime da comunhão parcial de bens.

Conforme registrado no 1º Ofício de Registro de Imóveis do Distrito Federal, em 2 de fevereiro de 2021, a mansão foi comprada pelo preço de R$ 5,97 milhões. A nova casa do filho do presidente da República fica localizada no setor de Mansões Dom Bosco, no Lago Sul, bairro nobre da capital foi vendida em anúncio como “a melhor vista de Brasília da suíte máster”.

BENS DECLARADOS – O salário bruto de um senador da República é de R$ 33.763,00, que após os descontos cai para R$ 24,9 mil. O valor do novo imóvel é mais que o triplo do total de bens declarados por Flávio Bolsonaro à Justiça Eleitoral em 2018, quando disputou uma vaga no Senado pelo Estado do Rio de Janeiro.

Naquela ocasião, Flávio declarou um total de bens de R$ 1,74 milhão, incluindo um apartamento residencial na Barra da Tijuca, no Rio (R$ 917 mil), uma sala comercial no mesmo bairro (R$ 150 mil), 50% de participação da empresa Bolsotini Chocolates (uma franquia da Kopenhagen, de R$ 50 mil), um veículo Volvo XC de R$ 66,5 milhões e aplicações e investimentos que somavam R$ 558,2 mil.

CONDIÇÕES VANTAJOSAS – As condições do financiamento do imóvel de Flávio Bolsonaro no Banco de Brasília (BRB), no valor de R$ 3,1 milhões, foram bastante vantajosas. A título de exemplo, no Itaú, o filho do presidente da República obteria uma taxa mínima de 5,39% ao ano. Para financiar R$ 3,1 milhões, ele teria que arcar com uma parcela inicial de R$ 23.222,93, considerando o valor do imóvel, entrada, idade do senador, seguros e taxa de administração. Isso consumiria quase todo o ganho líquido do filho 01, de R$24.906,82 em fevereiro.

No BRB, ele conseguiu uma taxa de 4,85% ao ano. O simulador imobiliário do BRB estava fora do ar, então não foi possível replicar as condições de financiamento do senador diretamente com a instituição financeira. Mas se todas as parcelas fossem iguais ao longo de 360 meses, ele teria que arcar com um valor mensal de R$ 16.162,50 – sem contar os seguros e as taxas. O BRB é uma instituição financeira do governo do Distrito Federal, comandado por Ibaneis Rocha (MDB), aliado do clã Bolsonaro.

INVESTIGAÇÃO –  A compra da mansão de Flávio Bolsonaro em Brasília vem à tona no mesmo dia em que a Quinta Turma do Superior Tribunal de Justiça (STJ) decidiu retirar da pauta dois recursos da defesa de Flávio Bolsonaro que poderiam levar à “implosão” do caso das rachadinhas.

Em novembro do ano passado, após mais de dois anos de investigação do caso das rachadinhas, Flávio foi denunciado pelo Ministério Público no caso das rachadinhas, que investiga um esquema em que assessores repassariam seus salários ao chefe.  Segundo o MP fluminense, a organização criminosa “comandada” por Flávio desviou R$ 6,1 milhões dos cofres da Assembleia Legislativa do Rio.

OPERADOR DO ESQUEMA – Além do senador e sua mulher, foram denunciados o ex-assessor Fabrício Queiroz, apontado como operador do esquema, e outros 15 ex-assessores. O caso foi revelado pelo Estadão no dia 6 de dezembro de 2018, após relatório do Coaf apontar movimentação atípica na de R$ 1,2 milhão, durante um ano, na conta de Queiroz.

O senador e seu sócio, Alexandre Santini, acabaram entregando a loja de chocolates após o estabelecimento entrar no radar da investigação do Ministério Público. A franquia da Kopenhagen é apontada pela Promotoria como uma forma de o senador lavar dinheiro supostamente desviado da Assembleia Legislativa do Rio quando era deputado estadual.

O Estadão procurou a assessoria do senador Flávio Bolsonaro, que ainda não se manifestou sobre a compra.

Maia diz que há “certeza de colapso” no longo prazo diante do comportamento de Bolsonaro.

Charge do Aroeira (Instagram)

Deu no O Tempo

O ex-presidente da Câmara Rodrigo Maia (DEM-RJ) voltou a criticar o presidente da República, Jair Bolsonaro, pela postura do chefe do Planalto na crise de Covid-19. Para Maia, há “certeza de colapso” no longo prazo diante do comportamento de Bolsonaro.

Neste domingo, dia 28, um grupo de pessoas protestou em frente à casa do governador do Distrito Federal, Ibaneis Rocha (MDB), contra as novas medidas de isolamento, decretadas para conter o avanço do novo coronavírus .

VÍDEO DA MANIFESTAÇÃO – Bolsonaro ainda compartilhou o vídeo da manifestação nas redes sociais com o grupo falando “queremos trabalhar”.


“Onde houver consenso, Bolsonaro estará fora. Vacina salva vidas? Bolsonaro ataca. Máscara previne? Ele tripudia. Isolamento evita o contágio? Bolsonaro vai pra rua. SUS colapsado? Bolsonaro debocha”, escreveu o ex-presidente da Câmara no Twitter. E acrescentou: “No curto prazo pode até funcionar para ele manter a base de radicais unida. No longo, é certeza de colapso”

STJ adia por tempo indeterminado julgamento de recursos de Flávio que podem ‘implodir’ caso das rachadinhas

Charge do Amarildo (agazeta.com.br)

Rafael Moraes Moura
Estadão

A Quinta Turma do Superior Tribunal de Justiça (STJ) decidiu retirar da pauta de julgamento dois recursos da defesa do senador Flávio Bolsonaro (Republicanos-RJ) que poderiam levar à “implosão” do caso das rachadinhas. O julgamento dos dois recursos estava previsto para ocorrer na tarde desta terça-feira, dia 2, em sessão da Quinta Turma do STJ, mas agora está adiado por tempo indeterminado.

Na semana passada, por 4 a 1, a Quinta Turma decidiu acolher um dos pedidos da defesa do senador e anular a quebra do sigilo bancário e fiscal do parlamentar no âmbito das investigações das rachadinhas, que estão em andamento desde 2018. No maior revés sofrido pelo Ministério Público do Rio até aqui, o STJ determinou na última terça-feira que os investigadores retirem da apuração todas as informações obtidas a partir da quebra do sigilo de Flávio e outros 94 alvos, entre pessoas e empresas.

RELATÓRIO DO COAF – O segundo recurso da defesa de Flávio questiona o relatório do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf), revelado pelo Estadão, que acusou movimentações suspeitas do ex-assessor Fabrício Queiroz, apontado como operador do suposto esquema, e colocou o senador do centro das investigações. Segundo os advogados, houve quebra dos sigilos bancário e fiscal sem autorização judicial.

“O Coaf não é o órgão de investigação e muito menos de produção de prova. Tem de fazer o relatório de investigação e mandar, e não pode ser utilizado como auxiliar do Ministério Público em termos de investigação”, disse o ministro João Otávio de Noronha, ao antecipar que acolheria o pedido da defesa de Flávio.

A postura de Noronha, que votou no segundo recurso antes mesmo do relator, irritou o ministro Felix Fischer, que ainda não votou sobre esse ponto específico.

“ISSO NÃO EXISTE” – “Em 40 anos de tribunal, nunca vi o relator ficar para depois, nunca vi, em hipótese alguma. Isso não existe!”, criticou Fischer. Dirigindo-se a Noronha, Fischer disse: “Vossa Excelência me atropelou no outro caso, votando na minha frente! E agora para evitar qualquer confusão, vou trazer (os outros recursos) na próxima sessão, coisa que o senhor nunca fez! E vem criticar! Que história é essa?”

Os advogados de Flávio ainda pedem a anulação de todas as decisões do juiz Flávio Itabaiana Nicolau, da 27ª Vara Criminal do Rio, que conduziu as investigações por quase dois anos, enquanto o inquérito correu em primeira instância. Em junho, o Tribunal de Justiça fluminense decidiu que o senador tem direito a foro especial e transferiu o caso para o segundo grau. Segundo o Estadão apurou, esse terceiro recurso também será acolhido por Noronha.

Olavo de Carvalho diz que está com hospitalizado com pneumonia e filha rebate: ‘Você mente muito’

Escritor não informou se problema de tem relação com coronavírus

Deu no O Tempo

Olavo de Carvalho, 73, informou que foi hospitalizado nos Estados Unidos com pneumonia. A informação foi compartilhada na conta de twitter do escritor em um vídeo curto no qual ele pedia “desculpas pela mancada” e cancelava as aulas online do dia. “Caros alunos, hoje não vai ter aula. Peguei uma pneumonia e estou no hospital”, afirmava a mensagem.

A mensagem não informa se a doença tem alguma relação com a Covid-19. Considerado “guru do bolsonarismo”, Olavo de Carvalho havia sido internado um ano atrás com complicações respiratórias, quando chegou a ser entubado.

 

NEGACIONISMO – Nas redes sociais, o escritor por várias vezes escreveu argumentos negacionistas, contestando a existência e o alcance da pandemia do coronavírus.  Contudo, há duas semanas, a filha dele Heloísa de Carvalho Martin Arribas afirmou que o pai tomaria a vacina. “Ele é hipocondríaco”, afirmou em uma postagem no Twitter.

Desta vez, Heloísa, questionou o comunicado do pai, dizendo que nunca se sabe se é verdade ou “golpe”. “Infelizmente você mente muito, a gente nunca sabe se é verdade ou golpe. Não me esqueço do que você falou do corte de 30cm, que depois falou que foi 50 cm, nas costas para tirar um tumor que virou cisto na traqueia”, escreveu no Twitter.
 
Ela ainda questionou se ele não foi infectado com o novo coronavírus (Sars-CoV-2). “Vai saber se o Guru não pegou covid, e se pegou de alguém q tá dentro da casa dele filmando o novo filme de terror. Brinca com a sorte, desafia o vírus. Mauro é o cineasta Olavette q tá fazendo o filme do Guru”, disse.