Autor das denúncias contra Rossi diz que agora as investigações no Ministério da Agricultura poderão ser feitas com isenção.

Carlos Newton

Israel Leonardo Batista, o servidor que denunciou a enxurrada de corrupção no Ministério da Agricultura, comemorou a demissão do ministro Wagner Rossi dizendo que enfim será possível que haja investigações dos fatos com isenção. “Agora não vai ter a influência do ministro e a verdade será dita”, afirmou.

Detalhe importantíssimo: Batista é um servidor público tão respeitado que deixou a chefia da Comissão de Licitação do Ministério da Agricultura e passou a desempenhar indêntica função, só que na estatal Telebrás.

Batista sustenta que é vítima de perseguição porque não quis participar do esquema e relata ter sofrido ameaças anônimas. Agora, diz que se sente mais seguro com a exoneração do ministro e que isso irá possibilitar à presidente Dilma Rousseff escolher ministros “com mais responsabilidade.”

Em entrevista à Folha de S. Paulo, publicada terça-feira, ele afirmou que o ministro “desarranjou” o setor de licitações nomeando pessoas que “vão assinar o que não devem”. Também reafirmou o que havia dito à “Veja”, repetindo que o lobista Júlio Fróes lhe entregou um envelope com dinheiro dentro do ministério depois da assinatura de um contrato milionário da pasta com uma fundação que o lobista representava.

Em depoimento à Polícia Federal, o ex-chefe da Comissão de Licitação do Ministério da Agricultura também confirmou as declarações que dera à revista “Veja”, acusando o lobista Júlio Fróes de circular com desenvoltura no Ministério e ainda pagar propina a servidores por conta de concorrências armadas pelo próprio lobista, que tinha mesa junto aos servidores da Comissão de Licitação.

Disse ainda que a presença do lobista (que não era funcionário nem comissionado) na Comissão de Licitação e o direito de circular pelo Ministério foram assegurados a Fróes pelo então secretário-executivo da Agricultura, Milton Ortolan, demitido depois que a denúncia veio a público.

O então ministro Wagner Rossi, mesmo depois dessas graves denúncias, ainda tentou ficar no cargo, alegando que não tinha nada a ver com isso e que o lobista só circulava livremente pelo Ministério porque “a portaria era muito permissiva”, vejam só quanta desfaçatez.

Como Batista anunciou na terça-feira que as fitas do circuito interno do Ministério podem comprovar que Rossi conhecia o lobistae era amigo dele, e a oposição imediatamente requereu à Procuradoria-Geral da República a busca e apreensão das fitas, Rossi não teve alternativa e apresentou a carta de demissão.

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